{"id":601,"date":"2010-08-26T19:41:19","date_gmt":"2010-08-26T22:41:19","guid":{"rendered":"http:\/\/meiodecultura.wordpress.com\/?p=601"},"modified":"2010-08-26T19:41:19","modified_gmt":"2010-08-26T22:41:19","slug":"microbios-ao-vento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2010\/08\/26\/microbios-ao-vento\/","title":{"rendered":"Micr\u00f3bios ao vento&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left:60px\">O texto abaixo \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o livre de \u201c<span style=\"color:#339966\"><a href=\"http:\/\/www.fbbva.es\/TLFU\/tlfu\/ing\/noticias\/fichanoticia\/index.jsp?codigo=603\"><span style=\"color:#99cc00\">A BBVA Foundation research project identifies the bacteria arriving daily from the Sahara Desert<\/span><\/a><\/span>\u201d que foi publicada no site da <a href=\"http:\/\/www.fbbva.es\/\">Fundac\u00edon BBVA<\/a>, no dia 14\/07\/2010.<\/p>\n<p><span style=\"color:#ff6600\">Diariamente, milh\u00f5es de microrganismos chegam \u00e0 Espanha, tendo partido do deserto do Sahara e da regi\u00e3o de Sahel \u2013 ah, eles chegam pelo ar e n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de avi\u00e3o!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-607\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq.jpg\" alt=\"\" width=\"368\" height=\"206\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq-620x349.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq-200x113.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 368px) 100vw, 368px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Louis Pasteur mostrou em 1861 que os micr\u00f3bios podem ser transportados pelo ar, mas s\u00f3 recentemente descobriu-se que <span style=\"color:#ff6600\">bact\u00e9rias, fungos e v\u00edrus podem viajar por milhares de quil\u00f4metros em part\u00edculas de poeira<\/span>. Pela primeira vez uma equipe de cientistas analisou essa grande viagem de microrganismos atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas biomoleculares. Al\u00e9m de identificarem as esp\u00e9cies, descobriram que elas colonizam lagos de grandes montanhas em <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sierra_Nevada_(Espanha)\">Sierra Nevada<\/a> e nos <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pireneus\">Pireneus<\/a> \u2013 e esse fen\u00f4meno est\u00e1 se elevando com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Essa \u201cmigra\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 maior na primavera e no ver\u00e3o, e tem ganhado impulso nos \u00faltimos anos \u2013 \u00e0s vezes atingindo n\u00fameros 10 vezes maiores. Acredita-se que isso se deve \u00e0 grande seca que tem atingido a regi\u00e3o de Sahel h\u00e1 cerca de 30 anos; al\u00e9m da perda da cobertura vegetal devido a atividades agr\u00edcolas. O que se calcula \u00e9 que algo entre 60 e 200 milh\u00f5es de toneladas de poeira deixe o Saara todos os anos. E trata-se de um <span style=\"color:#ff6600\">material rico em nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e ferro, que tem um papel importante no crescimento do pl\u00e2ncton marinho e na fertiliza\u00e7\u00e3o de florestas tropicais<\/span>. A poeira saariana se espalha por todo o planeta, mas os ventos predominantes (provenientes do leste) fazem com que as regi\u00f5es sejam as <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ilhas_Can%C3%A1rias\">Ilhas Can\u00e1rias<\/a> e o <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Caribe\">Caribe<\/a> (veja a foto abaixo &#8211; clique para ampliar).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/poeira1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-609\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/poeira1.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/poeira1.jpg 640w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/poeira1-300x165.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/poeira1-620x342.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/poeira1-200x110.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para realizarem esse \u201ccenso\u201d o grupo de pesquisadores coletaram amostras do ar em locais onde seria mais f\u00e1cil detectar a \u201cchuva de microrganismos\u201d, como nas regi\u00f5es dos lagos das grandes montanhas. Esses locais ainda n\u00e3o foram diretamente afetados pela a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica e, por isso, tem grande valor no estudo desses microrganismos invasores. Os lagos escolhidos est\u00e3o em Serra Nevada e nos Pireneus, al\u00e9m dos Alpes (\u00c1ustria), a Patag\u00f4nia argentina, as ilhas Bylot no \u00e1rtico (Canad\u00e1) e no arquip\u00e9lago South Shetland (Ant\u00e1rtida).<\/p>\n<p>Os pesquisadores recolhem o ar, filtram-no e extraem o DNA dos microrganismos ali presentes. Analizando os genes, pode-se fazer a identifica\u00e7\u00e3o dos microrganismos (algo como: esse gene \u00e9 dessa bact\u00e9ria, esse outro, daquela outra bact\u00e9ria \u2013 tudo baseado na sequencia das bases nitrogenadas A, C, T e G).<\/p>\n<p><span style=\"color:#ff6600\">Os resultados demostram que Sierra Nevada e os Pireneus albergam microrganismos que tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados no solo da Maurit\u00e2nia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><span style=\"color:#339966\"><strong><span style=\"color:#339966\">Impressionante, n\u00e3o!?<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Dentre os microrganismos foram identificadas esp\u00e9cies de <span style=\"color:#ff6600\"><em>Pseudomonas <\/em><\/span>(g\u00eanero de bastonetes Gram-negativos que possuem caracter\u00edsticas que os permitem colonizar uma ampla gama de nichos), <span style=\"color:#ff6600\"><em>Staphylococcus <\/em><\/span>(g\u00eanero de cocos Gram-positivos que possui algumas esp\u00e9cies que habitam a pele humana); <span style=\"color:#ff6600\"><em>Acinetobacter<\/em><\/span> (g\u00eanero de cocos Gram-negativos que contribuem para a mineraliza\u00e7\u00e3o do solo. Em termos gerais, s\u00e3o considerados de baixa patogenicidade para humanos.<\/p>\n<p>E como isso tudo pode estar afetando os ecossitemas locais? O aumento da poeira tem grandes repercuss\u00f5es nessas regi\u00f5es dos lagos das grandes montanhas, devido a presen\u00e7a de nutrientes que fertilizam os lagos alterando as comunidades microbianas. <span style=\"color:#ff6600\">Algumas dessas altera\u00e7\u00f5es podem ser danosas<\/span>. Na verdade, essas altera\u00e7\u00f5es podem estar afetando a fauna e a flora de outros ecossistemas. <span style=\"color:#ff6600\">Corais do Caribe, por exemplo, est\u00e3o sofrendo um decl\u00ednio devido ao excesso de deposi\u00e7\u00e3o de poeira<\/span>.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que permanece \u00e9 a de como os microrganismos permanecem biologicamente ativos ap\u00f3s a longa jornada. A poeira viaja a uma altitude de 2 a 4 Km, e est\u00e3o expostas a um ambiente extremamente seco e a radia\u00e7\u00f5es nocivas \u2013 e nem todos os microrganismos encontrados formam esporos. Um outro mecanismo de defesa tem que estar presente. O que os <span style=\"color:#ff6600\">pesquisadores sugerem \u00e9 que os microrganismos possam aumentar a quantidade de pigmentos protetores<\/span>, que se aderem a part\u00edculas mineirais, conferindo, assim, um grau de prote\u00e7\u00e3o a esses micr\u00f3bios.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistaquem.globo.com\/Revista\/Quem\/0,,EMI49871-9531,00-UM+SOPRO+DO+DESERTO.html\">AQUI<\/a>, uma reportagem da revista Quem (20\/02\/2009) sobre este assunto, que achei enquanto procurava uma imagem para esse post<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o livre de \u201cA BBVA Foundation research project identifies the bacteria arriving daily<\/p>\n","protected":false},"author":491,"featured_media":607,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[27,66,82,158,164],"class_list":["post-601","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-microbiologia","tag-bacterias","tag-ecologia-microbiana","tag-fungos","tag-ubiquidade","tag-virus"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-content\/uploads\/sites\/234\/2010\/07\/microuniq.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/491"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/601\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}