{"id":793,"date":"2011-01-10T14:11:17","date_gmt":"2011-01-10T17:11:17","guid":{"rendered":"http:\/\/meiodecultura.wordpress.com\/?p=793"},"modified":"2011-01-10T14:11:17","modified_gmt":"2011-01-10T17:11:17","slug":"o-antibiotico-nao-funcionou-que-tal-tentar-o-plasma-frio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/meiodecultura\/2011\/01\/10\/o-antibiotico-nao-funcionou-que-tal-tentar-o-plasma-frio\/","title":{"rendered":"O antibi\u00f3tico n\u00e3o funcionou? Que tal tentar o plasma frio!?"},"content":{"rendered":"<p>Os infectologistas v\u00eam encotrando grandes desafios no dia a dia da pr\u00e1tica m\u00e9dica&#8230; s\u00e3o as bact\u00e9rias multi-drogas resistentes. Muitas dessas bact\u00e9rias recebem uma sigla como identifica\u00e7\u00e3o. Temos, como exemplo: 1) o <span style=\"color:#008080\"><em>Staphylococcus aureus<\/em> resistente \u00e0 meticilina<\/span>, o MRSA (Methicilin Resistent <em>S. aureus<\/em>); 2) <span style=\"color:#008080\"><em>Enterococcus faecalis <\/em>resistente \u00e0 vancomicina<\/span>, o VRE (Vancomicin Resistent <em>E. faecalis<\/em>); e mais recentemente 3) a <span style=\"color:#008080\"><em>Klebsiella pneumoniae<\/em> produtora de KPC<\/span> (KPC \u00e9 uma enzima inativadora de antibi\u00f3ticos do tipo carbapenemase). Al\u00e9m de diferentes mecanismos para que essa resist\u00eancia seja efetiva, muitas dessas bact\u00e9rias crescem em biofilmes, o que dificulta a chegada do antibi\u00f3tico \u00e0 c\u00e9lulas bacterianas, sendo um outro mecanismo de patogenicidade relacionado \u00e0 resistencia aos antibioticos.<\/p>\n<p>Uma das grandes apostas nas pesquisas em microbiologia \u00e9 a busca de novas formas de controle de microrganismos. Essas pesquisas variam de m\u00e9todos qu\u00edmicos como a busca por novos f\u00e1rmacos, a m\u00e9todos microbiol\u00f3gicos, como, por exemplo, os probi\u00f3ticos. Nesse contexto de busca de novos tratamentos, uma equipe de colaboradores russos e germ\u00e2nicos propuseram uma t\u00e9cnica f\u00edsica muito curiosa que envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de <span style=\"text-decoration:underline\">plasma frio<\/span>.<\/p>\n<p>Primeiro, observe a imagem abaixo. A placa da direita (\u201c<em>original<\/em>\u201d) \u00e9 uma placa de \u00e1gar Sangue, mostrada na foto em seu aspecto original e est\u00e1 sendo utilizada como um controle. A placa da esquerda (\u201c<em>plasma-treated<\/em>\u201d), mostra uma placa de \u00e1gar Sangue, na qual foi feita uma cultura de <em>Staphylococcus aureus<\/em> e posteriormente um tratamento com o plasma frio.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><a href=\"http:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2010\/12\/101215092248.htm?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed:+sciencedaily+(ScienceDaily:+Latest+Science+News)&amp;utm_content=Google+Reader\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www.sciencedaily.com\/images\/2010\/12\/101215092248-large.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"254\" \/><\/a><\/p>\n<p>Observe que na regi\u00e3o onde houve contato com o jato de plasma a baixas temperaturas, houve a forma\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea onde 99% das bact\u00e9rias foram mortas (indicado por um circulo na figura da esquerda). As \u00e1reas mais claras ao redor das col\u00f4nias bacterianas, indicam que a bact\u00e9ria \u00e9 produtora de uma enzima que provoca hem\u00f3lise, ou seja, destroem as hem\u00e1ceas do sangue.<\/p>\n<p>Dois outros pontos que chamam muito a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o;<\/p>\n<p>1) Esse tratamento parece ser capaz de matar as bact\u00e9rias que formam biofilmes. Biofilmes mais espessos ainda apresentam algum n\u00edvel de resist\u00eancia. Biofilmes s\u00e3o aglomerados polimicrobianos, envoltos em uma matriz gelatinosa que podem aumentar a resistencia das bact\u00e9rias \u00e0 antibi\u00f3ticos em at\u00e9 1000 vezes quando comparadas \u00e0s bact\u00e9rias livres.<\/p>\n<p>2) Quando foram realizados testes em animais, nos quais foram feitas feridas e, posteriormente, infec\u00e7\u00e3o com <em>Pseudomonas aeruginosa<\/em> ou <em>Staphylococcus aureus<\/em>, ap\u00f3s um tratamento de 5 minutos, at\u00e9 90% das bact\u00e9rias foram mortas. Isso, sem denos aos tecidos animais e, ainda, aumentando a taxa de cicatriza\u00e7\u00e3o dessas feridas. O que indicaria que o efeito bacteridida do plasma interfere apenas no DNA e nas estruturas de superf\u00edcie bacterianas.<\/p>\n<p>Mas o que seria esse plama frio?<\/p>\n<p>O plasma \u00e9 considerado o quarto estado da mat\u00e9ria&#8230; Ele \u00e9 obtido ao aquecermos um g\u00e1s a elevadas temperaturas. Mas s\u00e3o temperaturas t\u00e3o elevadas, acima de 10.000 \u00b0C, que a estrutura at\u00f4mica \u00e9 desfeita. \u00a0Leia com mais detalhes <a href=\"http:\/\/www.fisica.net\/nuclear\/plasma_o_quato_estado_da_materia.pdf\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/ciencia.hsw.uol.com.br\/cortador-a-plasma3.htm\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Mas como aplicar um plasma em um tecido humano? O plasma aplicado pelos cientistas possuia um fra\u00e7\u00e3o pequena de part\u00edculas ionizadas. Assim, o calor \u00e9 distribu\u00eddo entre as mol\u00e9culas ionizadas e n\u00e3o-ionizadas, permitindo aos cientistas manter o plasma \u00e0 temperatura de aproximadamente 35-40 \u00b0C (o chamado plasma frio) para realizar o tratamento.<\/p>\n<p>A grande aposta dos cientistas nesse tratamento, seria a possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o desta abordagem terap\u00eautica, que \u00e9 muito espec\u00edfica, no caso de os outros m\u00e9todos falharem e pelo fato de se tratar de uma metodologia cujo desenvolvimento de uma resist\u00eancia microbiana seria muito dif\u00edcil. Al\u00e9m de ser um tratamento que n\u00e3o envolve contato, que \u00e9 indolor e n\u00e3o contribui com a contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do ambiente.<\/p>\n<p>O artigo original \u00e9 este:<\/p>\n<ul>\n<li>S. Ermolaeva, <em>et al<\/em>. Bactericidal effects of nonthermal argon plasma in vitro, in biofilms and in the animal model of infected wounds.\u00a0<em>Journal of Medical Microbiology<\/em>, 2010; DOI: <a href=\"http:\/\/jmm.sgmjournals.org\/cgi\/content\/abstract\/60\/1\/75\">10.1099\/jmm.0.020263-0<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Mas como n\u00e3o consegui o acesso, o post foi escrito com as informa\u00e7\u00f5es contidas nestes links:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/www.popsci.com\/science\/article\/2010-12\/cold-plasma-treatment-kills-drug-resistant-bacteria-heralding-new-antibiotic-alternative\">A Blast of Cold Plasma Kills Drug-Resistant Bacteria [PopSci] <\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/curiosidadesdelamicrobiologia.blogspot.com\/2010\/12\/matando-bacterias-con-frio-bueno-no.html\">Matando bacterias con fr\u00edo (bueno, no tanto) [Curiosidades de la microbiolog\u00eda] <\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2010\/12\/101215092248.htm\">Plasma Therapy: An Alternative to Antibiotics? [Science Daily]<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os infectologistas v\u00eam encotrando grandes desafios no dia a dia da pr\u00e1tica m\u00e9dica&#8230; s\u00e3o as bact\u00e9rias multi-drogas resistentes. 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