Mulheres na Filosofia
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Eva na Filosofia Medieval

No lançamento da semana, trazemos um verbete sobre Eva na Filosofia Medieval, escrito por Camila Ezídio. Nele, a autora apresenta uma análise das interpretações filosóficas sobre Eva na Idade Média, orientada por duas questões centrais: se a mulher foi criada à imagem e semelhança de Deus e seu papel no pecado original. O argumento central é que, na tradição cristã, Eva ocupa um lugar ambíguo — mãe da humanidade e, ao mesmo tempo, responsável pela entrada do mal no mundo — e essa dupla imagem, influenciada pela afirmação aristotélica da inferioridade feminina, é fundamental para definir a natureza física e moral das mulheres. Ezídio aborda o tema a partir das leituras de Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino, que, embora reconheçam a paridade de natureza na racionalidade, sustentam a dependência ontológica do corpo feminino e a sujeição da mulher ao homem. Em contraste, a autora analisa Hildegarda de Bingen, que se afasta sutilmente da tradição ao enfatizar a função geradora e artífice de Eva em uma relação de complementaridade com Adão. A análise culmina em Christine de Pizan, que, crítica da tradição misógina, reivindica a dignidade e a nobreza da criação feminina, argumentando que a mulher compartilha a imagem e semelhança com Deus. O verbete demonstra que, na filosofia medieval, a herança simbólica de Eva gerou concepções que variam entre a subordinação política e ontológica e a reivindicação de que a mulher deve compartilhar a mesma dignidade e perfectibilidade que o homem.

 

Curiosíssimo, não é? Leia o verbete aqui e assista à entrevista com a autora aqui!

Sobre a autora do verbete: Camila Ezídio é licenciada em Filosofia pela Universidade Estadual de Maringá e mestre em Filosofia por essa mesma instituição. Desenvolveu um projeto de pesquisa na área de filosofia medieval, mais precisamente sobre o conceito de movimento na primeira via que demonstra a existência de Deus em Tomás de Aquino, tendo sido sua dissertação aprovada com louvor. Foi professora substituta no departamento de filosofia na Universidade Federal da Bahia e na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). É doutora em filosofia pela UFBA e em sua tese desenvolveu uma investigação sobre o conceito de Lei Natural em Tomás de Aquino. Realizou estágio de pesquisa (doutorado sanduíche/CAPES) na École Pratique des Hautes Études, em Paris, sob a supervisão do professor Christophe Grellard. Realiza um estágio de pós-doutoramento na U. Porto sob a supervisão do professor José Meirinhos. Entre 2023 e 2025 foi bolsista PDJ do Cnpq para o desenvolvimento de uma pesquisa sobre o pensamento moral de Hildegarda de Bingen. É professora assistente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Suas áreas de atuação e interesse são: filosofia medieval, ética, filosofia política, filosofia do direito e filósofas medievais.

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