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Heterossexualidade Compulsória

No primeiro lançamento de 2026 da Enciclopédia Mulheres na Filosofia, trazemos um verbete sobre Heterossexualidade Compulsória, escrito por Juliana Aggio. Nele, a autora apresenta uma análise da heterossexualidade compulsória a partir da leitura do feminismo lésbico, articulando-a às críticas decoloniais de María Lugones. O argumento central é que a heterossexualidade deve ser entendida não apenas como uma prática sexual, mas também como uma estrutura de poder que define o gênero e oprime as mulheres. Aggio aborda o tema a partir de três pensadoras principais — Adrienne Rich, Monique Wittig e Judith Butler — e de uma pensadora decolonial — María Lugones —, mostrando que o feminismo lésbico e o feminismo decolonial concordam em que a heterossexualidade compulsória sustenta o binarismo hierárquico de gênero. A principal discordância é que, para o feminismo decolonial, o gênero e a heterossexualização não podem ser analisados em termos universais sem considerar a diferenciação racial, que perdura na forma da colonialidade de gênero.

Interessante, não é mesmo? Leia o verbete aqui e assista à entrevista com a autora aqui

Sobre a autora do verbete: Juliana Aggio é pesquisadora de produtividade do CNPq. Possui graduação, mestrado e doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, tendo realizado doutorado sanduíche na École Normale Supérieure – Paris (2009-2010). Professora associada do departamento de filosofia, membra do Programa de pós-graduação em Filosofia da UFBA (PPGF) e da UFRRJ (PPGFIL) e em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM/UFBA). Realizou pós-doutoramento na UFRJ (2022-2023) e foi professora visitante na Universidade Paris 8 (2023), sobre o atual projeto de pesquisa: “Práticas críticas de si: liberdade e poder na constituição de si em Foucault e Butler”, contemplado com bolsa de produtividade do CNPq. É líder do grupo de pesquisa em raça, gênero, sexualidade, classe e feminismos “Coletivo Filosofia da Terceira Margem” (COFITEM) desde 2025. Faz uso de ferramentas conceituais para pesquisar questões relativas à constituição da subjetividade contemporânea a partir do pensamento de Foucault, Butler, Wittig, Lugones, Anzaldúa, Gonzalez, Carneiro, dentre outras feministas, bem como de temas relativos a outros modos de se fazer filosofia, a epistemologias não hegemônicas, sexualidades dissidentes, multiplicidades de gênero, raça, feminismos e suas intersecções.

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