Enciclopédia Mulheres na Filosofia
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Song Ruoshen (宋若莘) e Song Ruozhao (宋若昭)

O lançamento desta semana nos apresenta Song Ruoshen (séc. VIII–c. 820) e Song Ruozhao (c. 761–828), irmãs letradas e pensadoras chinesas da dinastia Tang (618–907), que se destacaram por sua erudição, refinamento e autoridade pedagógica, consolidando-se como figuras centrais da tradição letrada feminina e da instrução moral em seu tempo. O verbete, escrito por João Vítor Tonin Beretta, apresenta a trajetória dessas pensadoras cuja produção intelectual foi fundamental para a tradição dos textos de instrução feminina (nüxun), dedicando-se à composição e ao comentário dos Analectos para Mulheres (Nü Lunyu). As irmãs Song dedicaram-se à elaboração de uma ética prática voltada para o cultivo de si, à disciplina dos gestos e da fala, e à ordenação ética da vida doméstica, propondo uma pedagogia da formação moral cotidiana que se afasta de especulações doutrinais abstratas, defendendo uma conduta em que as virtudes são incorporadas nos ritmos diários e nas ações cotidianas. Na obra Analectos para Mulheres (Nü Lunyu), estruturada em diálogo formal com os Analectos de Confúcio, elas articularam uma pedagogia onde a virtude se distribui em hábitos diários e ritos concretos — como servir aos pais, ritos, levantar cedo e administrar a casa —, integrando a excelência funcional doméstica ao cultivo do caráter e à propriedade ritual (li), e rejeitando a separação entre excelência técnica no lar e virtude moral. Embora tenham habitado uma ordem relacional marcadamente assimétrica e hierárquica, sua notável atuação na corte sob os títulos de “letradas” (xueshi) e “mestras” (xiansheng) conferidos pelo imperador Dezong, somada à posterior liderança de Ruozhao como supervisora palaciana (shanggong), revela o reconhecimento e o prestígio intelectual que conquistaram. A obra associada às irmãs Song permanece como um marco de agência moral e refinamento intelectual feminino na China imperial, desafiando leituras simplistas ao conjugar a disciplina cotidiana dos afetos e gestos com a consolidação de uma ética prática e de autocultivo.

Quer saber mais? Leia o verbete aqui e assista a entrevista com o autor do verbete aqui!

Sobre o autor do verbete: João Vítor Tonin Beretta é graduando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com interesse em filosofia chinesa, estética e história da filosofia. Seus estudos concentram-se na articulação entre pensamento confuciano, experiência estética e formação do sujeito, buscando compreender a cultura chinesa em sua dimensão filosófica, literária e histórica. Desenvolve pesquisas sobre as relações entre tradição e modernidade, explorando o diálogo entre China e Ocidente. Dedica-se ao estudo da língua chinesa e à construção de uma formação sinológica orientada à pesquisa, tradução e produção acadêmica.  

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