Lou Andreas-Salomé
Lou Andreas-Salomé
(1861-1937)
Scarlett Marton,
Professora titular do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP)

Vida
Louise (Lioulia ou Louíza Gustavovna) von Salomé nasce em 12 de fevereiro de 1861 em São Petersburgo, então capital da Rússia Imperial, e morre em 5 de fevereiro de 1937 em sua casa em Göttingen, na Alemanha. Seu pai, Gustav von Salomé, era um alemão dos países bálticos, que se tornou membro da nobreza russa, exerceu altas funções na administração e foi muito apreciado pelo czar Nicolau I; sua mãe, Louise Wilm, era natural de São Petersburgo. Tiveram seis filhos, cinco meninos e uma menina. Dois filhos morreram ainda crianças; quando Lou Salomé nasceu, Alexandre tinha 12 anos, Robert 9 e Evguéni 3. De família russo-alemã, ela passa a infância num mundo povoado pelos irmãos, que a fazem se sentir segura, e pelo pai, que permanece extasiado desde o seu nascimento. Refratária a toda forma de coerção, ela vive num ambiente cosmopolita. Será educada pelo pastor Hendrik Gillot, que a leva a descobrir Kant, Schopenhauer e Kierkegaard, Descartes, Pascal e os moralistas franceses, Leibniz e Spinoza, Rousseau e Voltaire, assim como o teatro e a literatura do período clássico, a história das religiões e os problemas da superstição nas sociedades primitivas, o cristianismo e o budismo, o hinduísmo e o islamismo.
Muito jovem, Lou von Salomé parte com a mãe para a Suíça. Na Universidade de Zurique, faz cursos de lógica, história das religiões, filosofia e história da arte. Então, ela se dá conta de que, desde a mais tenra idade, o seu mundo é o dos livros. Sua vocação literária se confirma; a língua alemã será aquela em que pretende criar e pensar. Pouco importa que seus primeiros poemas não encontram a recepção desejada; ela está determinada a dedicar-se com afinco à escrita. Afinal, jamais verá a literatura como mero passatempo.
De saúde frágil, Lou von Salomé procura tratar-se, sempre acompanhada pela mãe, em estâncias termais em diferentes regiões da Europa. Não obtendo os resultados esperados, ela vai para a Itália, seguindo prescrição médica, em busca de um clima mais ameno. Acolhida por Malwida von Meysenbug em Roma, conhece dois amigos seus: Paul Rée e Friedrich Nietzsche. Com eles, planeja um período de estudos em comum: coabitariam juntos numa grande cidade, com uma boa universidade, excelentes bibliotecas e intensa atividade cultural. Se ela entende que, por várias razões, o projeto, chamado de “santa trindade”, não pode concretizar-se, nem por isso renunciará ao seu desejo de cultivar-se.
Vários são os pedidos de casamento que Lou von Salomé recusa. Mas, em 1886, Friedrich Carl Andreas, especialista em línguas orientais, determinado a fazê-la sua esposa, chega a tentar o suicídio. Com esse ato, ele acaba por ganhá-la, mas a perde para sempre, pois ela aceita casar-se com ele, mas se recusa a tornar-se a sua mulher. Assim é que convivem até a morte de Andreas em 1930, sem nunca terem tido relações sexuais. Lou Andreas-Salomé passa a assinar os seus textos assumindo o sobrenome do marido, mas não abre mão de um momento sequer da sua liberdade. Intelectual brilhante, ela vive entre vários lugares, viaja por diversas línguas, experimenta diferentes formas de reflexão e escrita.
Lou Andreas-Salomé é uma ensaísta, filósofa, poeta, romancista e psicanalista. Ao longo da vida, publica vinte livros e mais de cem artigos sobre os mais diversos temas; escreve poemas, histórias para crianças, romances, contos, críticas teatrais, biografias, ensaios, resenhas, diários, textos psicanalíticos, memórias. Um espírito livre, ela bem sabe conciliar a sensibilidade da experiência vivida e a exigência do pensamento rigoroso. Em suma, encarna uma forma sutil da modernidade europeia, entendida como superação da tradição.
Interlocuções
Lou Andreas-Salomé é uma pensadora oceânica. Por cinco décadas, multiplica seus contatos no universo artístico e intelectual de Berlim, Munique, Viena, Paris e São Petersburgo. Em Berlim, insere-se nos meios literários; em Viena, participa do ambiente psicanalítico. Nos círculos europeus, convive com pensadores, artistas e psicanalistas; numa de suas viagens à Rússia, encontra Tolstói em Moscou. Com Nietzsche, Rilke e Freud, terá uma interlocução privilegiada.
- Friedrich Nietzsche
Conhecido sobretudo por filosofar a golpes de martelo, desafiar normas e destruir ídolos, Nietzsche, um dos pensadores mais controvertidos do nosso tempo, deixa no final do século XIX uma obra polêmica que continua ainda hoje no centro do debate filosófico.
Numa tarde de abril de 1882, a jovem Lou von Salomé conhece Friedrich Nietzsche em Roma; são apresentados por um amigo comum, Paul Rée, num passeio à Basílica de São Pedro. Aos trinta e sete anos, ele se define como um “espírito livre”. Formado em filologia clássica em Leipzig, muito cedo é nomeado professor na Universidade da Basileia na Suíça. Entre 1869 e 1876, ministra cursos e publica vários livros. Crises de saúde obrigam-no a abandonar as atividades acadêmicas; desde 1879, abraça uma vida errante. Com vinte e um anos, Lou von Salomé goza de uma independência de espírito e liberdade de comportamento, que, embora usuais na Rússia, são desconcertantes para a época. Como Meta von Salis, Resa von Schirnhofer e Hélène von Druskowitz, ela deseja continuar a sua formação; como essas “novas mulheres”, não se submete às normas e convenções sociais. Durante o curto e intenso período em que estiveram em contato, Nietzsche sente-se atraído por sua presença de espírito e capacidade de escuta; está seduzido por seu ardor intelectual e desejo de vida. Se a “jovem russa” julga encontrar no filósofo um homem brilhante que poderia auxiliá-la a aprimorar sua formação, ele vê em Salomé uma discípula e uma herdeira do seu pensamento.
Por ocasião de sua convivência com Nietzsche de 7 a 26 de agosto de 1882 em Tautenburgo, Lou von Salomé lhe oferece um poema. Ao despedir-se dele, ela o presenteia com a “Prece à Vida”. Antes disso, já lhe havia oferecido o poema “À Dor”. Diante da constatação de que a dor é inevitável, expressa sua determinação em não se esquivar dela, mesmo porque acredita que ela não se limita a destruir. Introduz a ideia de que a dor tem caráter geral, pois atinge todos os viventes, e a avaliação de que merece ser vivida. A dor vem lembrar o espírito da força que ele tem, assim como o combate vem engrandecer os que dele não se esquivam. Desafia, então, a dor para que venha para um combate de vida ou morte, mesmo porque ela só pode propiciar a grandeza do espírito. Incita ainda a dor a remover as ilusões e termina por afirmar que, por nada ser mais do que um alicerce para a grandeza do espírito, ainda que o adversário pereça, a dor não sairá vencedora na luta. Não há como deixar de aproximar essas ideias das que se encontram nos textos de Nietzsche.
Algum tempo depois, Lou von Salomé enfatizará a sua determinação em não tentar escapar do sofrimento. Na “Prece à Vida”, apresenta, de um lado, uma concepção da vida que engloba tanto a felicidade como o sofrimento e aponta, de outro, para a atitude de aceitar tudo o que a vida tem a oferecer. Não há dúvida de que esses pontos contariam com a concordância do filósofo; afinal, constituem os elementos centrais da sua noção de amor fati. Em Assim falava Zaratustra, ele esclarece o que entende por essa noção. Não se trata de amar uma situação precisa ou um acontecimento isolado; não se trata tampouco de dizer sim a um sentimento particular ou a um comportamento determinado. Converter o impedimento em meio, o obstáculo em estímulo, o adversário em aliado, é dizer sim à vida. Assentir sem restrições a todo acontecer, admitir sem reservas tudo o que ocorre, anuir a cada instante tal como ele é, é aceitar amorosamente o que advém; é dizer sim ao mundo.
Em seu primeiro livro, Na Luta por Deus, que publica em 1885 com o pseudônimo de Henri Lou, Salomé apresenta a ideia de que o ser humano terá sempre necessidade de deuses; quando os antigos morrerem, novos surgirão. Assim traz à cena diversas crenças e descrenças. À ortodoxia intransigente, opõe outros tipos de pensamento religioso. Entende que a laicização crescente da vida não resolve o problema da relação do ser humano com o sagrado. Ao ler o livro no mesmo ano em que veio à luz, Nietzsche nele encontrará “cem ecos de nossas conversas em Tautenburgo”.
Em 1894, Lou Andreas-Salomé publica importante estudo sobre o filósofo. Examina as influências que ele teria sofrido e as mudanças estilísticas que se notam em seus textos. Mas é sobretudo em sua convivência com Nietzsche que se baseia. Tanto é que escolhe como epígrafe do terceiro capítulo esta passagem da carta que ele lhe dirigira em 24 de novembro de 1882: “Espírito? Que me importa o espírito! Que me importa o conhecimento! A nada dou valor a não ser às pulsões, e poderia jurar que nisso temos algo em comum” (Andreas-Salomé, 1992, p. 145). Ela reitera assim que o que conta para a vida não é o intelecto, mas os impulsos. Seu encontro com Nietzsche prepara a sua via em direção a Freud.
Tanto na obra quanto na correspondência, Lou Andreas-Salomé sublinha o caráter religioso de Friedrich Nietzsche. É bem possível que uma das razões que a levem a vê-lo dessa maneira resida nas suas próprias vivências. Como ela mesma relata em Minha Vida, sua primeira experiência interior teria estado ligada ao conhecimento de Deus e à sucessiva perda da fé (Andreas-Salomé, 1973, cap. 1) Certa de que “de todas as grandes tendências do espírito de Nietzsche, não existe nenhuma mais profunda e mais inexoravelmente ligada à totalidade de seu organismo psíquico que seu gênio religioso” (Andreas-Salomé, 1992, p. 52), sublinha os aspectos místicos tanto de seu caráter quanto de seu pensamento. Guiada pela ideia de que “o instinto religioso” sempre governou a “essência” e o “pensamento” de Nietzsche, acaba por fazer uma leitura bastante peculiar de alguns dos temas centrais presentes em sua reflexão. A seu ver, todas as suas teorias “afluíram da necessidade de sua própria autorredenção, do anseio de prover sua agitada e sofredora vida interior com aquele amparo que o crente encontra junto a Deus” (Idem, p. 186).
- Rainer Maria Rilke
No final do século XIX, o pensamento alemão entra num período de estagnação. Será apenas por volta do início do século XX que surgirá um poeta digno de estar ao lado de Schiller, Goethe e Hölderlin. Rilke dotará a língua alemã de uma musicalidade e fluidez até então quase desconhecidas.
Lou Andreas-Salomé conhece Rilke em 12 de maio de 1897 em Munique. Terá papel decisivo na sua formação intelectual, introduzindo-o à cultura russa; incentivará sua disciplina intelectual e sua autoconstrução como poeta; atuará como mediadora entre ele e as angústias criativas, ajudando-o a superar bloqueios. Sua relação com Rilke percorre e une de várias maneiras as formas do amor-paixão, união matrimonial, amor materno e amizade. Quatorze anos mais velha do que ele, ela será a sua única verdadeira interlocutora.
Rainer Maria Rilke ilustra o que Salomé entende como a capacidade do artista de superar seus conflitos através do trabalho e curar a si mesmo. Dar sem nada esperar em troca é a única atitude apropriada do criador capaz de libertá-lo do medo da autodestruição. Para Lou Andreas-Salomé, a criação artística é expressão de forças psíquicas profundas, de modo que vida e obra estão juntas; para Rilke, a arte é transformação do visível em invisível, de forma que a poesia se torna quase um ato sacramental. Não é por acaso que ambos entendem que a criatividade poética e o processo analítico são incompatíveis.
No texto intitulado “O narcisismo como dupla direção”, a autora levanta a questão acerca da psicanálise dos artistas; ela poderia acarretar duas espécies de efeitos: um, liberador, eliminaria as inibições e outro, perigoso, tocaria “na obscuridade onde o fruto germina.” No ensaio “Rainer Maria Rilke”, publicado em 1928, depois da morte do poeta, ela afirma: “a imaginação representa uma passarela construída sem descanso entre o ‘dizível’ e, para empregar as palavras do poeta, o ‘indizível’, um método irrecusável de ampliação da realidade e da racionalidade, como se toda imaginação procedesse de um saber mais vasto que ultrapassasse amplamente a lógica e a prática da existência” (Andreas-Salomé, 1989, p. 97). Dizível e indizível têm a ver com vida e morte. Trata-se de rebelar-se contra a ditadura do princípio de identidade, ou seja, de desejar estabelecer uma relação com o outro, até com o absolutamente outro, pois é a morte que a vida deve enfrentar para afirmar-se como um valor.
No caso da relação amorosa, em que está sempre em jogo a relação com o outro, Salomé entende que o amor é um meio de intensificação da individualidade. Em textos como O erotismo, sustenta que a experiência erótica é força criadora e afirmadora da vida, de sorte que o vínculo amoroso é uma via de autoconhecimento e expansão psíquica. Rilke, por sua vez, julga que o amor é uma tarefa difícil entre dois seres, em que um deve proteger a solidão do outro. Nas Cartas a um Jovem Poeta, em especial, entende que amar é guardar a própria interioridade. Ambos acreditam que o amor não deve dissolver o eu, mas fortalecê-lo. Mas, do ponto de vista de Salomé, a solidão é condição de amadurecimento psíquico, uma vez que o indivíduo precisa vivenciar momentos de isolamento para construir a própria identidade. Da perspectiva de Rilke, a solidão é o destino existencial do artista. Enquanto a primeira a encara como etapa no desenvolvimento da personalidade, o último a vê como condição essencial da ação criadora.
No entender de Lou Andreas-Salomé o que torna Rilke criativo é o acesso ao domínio da vida psíquica de onde emerge o sentimento religioso. Ele conseguiria entrar em contato com o material psíquico que permanecia inacessível em outros seres humanos. Ao mesmo tempo em que mostra a aptidão para entregar-se a impressões externas, a receptividade em relação às vivências revela dificuldades em adaptar-se à realidade. Daí, a sua capacidade para uma religiosidade sem objeto.
Rilke julga que, incapazes de afirmar a potência da vida e auxiliar o ser humano a enfrentar a realidade da morte, as religiões modernas nada mais são do que doutrinas abstratas que entravam a apreensão direta do divino. O poeta deve ser veículo puro do incognoscível; ele tem de procurar dar um sentido a uma realidade que resulta sempre cada vez mais impenetrável na sua aparente e ilusória transparência. Os dez anos de seu percurso espiritual devotados à elaboração das Elegias a Duino revelam o seu diálogo com a religião e, em particular, a literatura mística. Tanto ele quanto Salomé rejeitam a religião institucionalizada e buscam uma forma interior de espiritualidade. No ensaio “Rainer Maria Rilke”, a autora observa: “é preciso guardar no espírito o fato de que toda imaginação e seu produto, a arte, constituem apenas meios de expressão a serviço da força suprema que nos habita, dessa insatisfação em face da realidade dada” (Idem). Em suma: a arte exprime a experiência mística da unidade.
- Sigmund Freud
Nos primeiros anos do século XX, surge uma nova ciência, a psicanálise. O livro A interpretação dos sonhos, de Freud, ao lado de seus cursos e conferências, gera controvérsias e debates nos meios intelectuais. Lou Andreas-Salomé encontra Sigmund Freud em 21 de setembro de 1911, por ocasião do terceiro congresso de psicanálise em Weimar. Ele irá considerá-la “a psicóloga que compreende por excelência”. Terá nela uma colaboradora que estimulará o seu trabalho. A correspondência entre eles durou mais de 20 anos até a morte de Salomé em 1937 (Andreas-Salomé, L., & Freud, S. (1980), p. 295-296).
À diferença do que pensava Freud, Lou Andreas-Salomé entende que a psicanálise não é um meio para resolver conflitos internos, mas para adquirir uma visão mais profunda de si mesmo. Por isso, não a considera uma ciência natural e se recusa a usar uma linguagem técnica e científica em seu trabalho como analista. Por ocasião dos 75 anos de Freud, em 1931, afirma que sua época deve à psicanálise “a descoberta constante de determinações fundamentais, a conexão com a totalidade do ser vivo, qualquer que seja a profundidade na qual ele se deixe apreender pelo método racional” (Andreas-Salomé, 1972, p. 13). Uma análise bem-sucedida permite a liberação de uma força que surge no indivíduo e o impulsiona em direção a um novo começo, a um retorno às fontes da vida.
Para Freud, o inconsciente aparece ligado a repressões e inibições. Para Salomé, tem uma dimensão positiva, que oferece a possibilidade de “regressão” a uma indiferenciação primordial sem patologia. Da perspectiva de Freud, o inconsciente é estruturado por conflitos, sobretudo entre pulsões e instâncias psíquicas. Do ponto de vista de Salomé, ele aparece menos como cena de conflitos e muito mais como reserva vital de energia, grande reservatório de toda atividade criadora. Por outro lado, em obras como Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, Freud sustenta que a sexualidade, que é polimorfa, constitui a subjetividade, de sorte que a libido é o eixo organizador do desenvolvimento psíquico. Embora aceite o papel central desempenhado pela sexualidade, Salomé concebe o erotismo, antes mesmo de sua formação como analista, não apenas como energia sujeita à repressão e sublimação, mas como força expansiva e criadora.
No que diz respeito à religião, no texto intitulado O futuro de uma ilusão, Freud afirma que ela é uma ilusão que deriva do desamparo infantil e da necessidade de um pai protetor. Salomé, por sua vez, não reduz a experiência religiosa a uma ilusão neurótica; ao contrário, entende que a religiosidade expressa uma necessidade psíquica profunda de totalidade e sentido. Enquanto Freud permanece fiel a uma posição crítica, Salomé abre espaço para uma dimensão existencial da experiência religiosa. Em suma, ela está mais próxima da tradição cultural russa do que da estrita cientificidade vienense.
Além de seu trabalho como analista, Lou Andreas-Salomé escreve vários ensaios para a revista Imago sobre temas que a interessaram durante toda a sua vida intelectual: feminilidade, religião, erotismo, criatividade artística e narcisismo. É precisamente acerca do narcisismo que se notam as diferenças entre a sua concepção e a de Freud. Na ótica freudiana, a indiferenciação não é acessível ao processo analítico; o narcisismo primário, tal como aparece na Introdução ao Narcisismo, é uma relação em que as energias egóticas e sexuais operam lado a lado na mente. No entender de Salomé, é possível recuperar a indiferenciação narcísica na idade adulta, por exemplo, na criatividade artística ou no amor sexual. No texto “O narcisismo como dupla direção”, de 1921, ela postula que, ao lado da propensão do sujeito a realizar-se egoticamente, existe uma tendência que o leva, ao contrário, a dissolver-se na totalidade que o cerca. É por isso que o narcisismo possui uma dupla direção; ele se volta para a separação assim como para a fusão. Enquanto Freud concebe o narcisismo principalmente como problema clínico, Salomé o compreende também como condição estrutural da capacidade de amar e criar.
Temas e conceitos
- Amor e criação
Lou Andreas-Salomé considera que o amor e a criação são fundamentalmente idênticos. No ensaio “Reflexões sobre o problema do amor”, afirma que toda criação é um ato de amor, uma vez que a obra criada surge do amor provocado pelo seu objeto. Por outro lado, todo amor é um ato de criação, na medida em que, incitada pelo ser amado, a volúpia de criar se realiza por amor a si mesma e não por amor a ele. Daí se segue que os seres humanos que amam não se distanciam, não se separam, não se esquecem de si mesmos; ao contrário, permanecem inteiramente eles mesmos, não cedendo a outrem nenhuma parte do seu ser. Nada põe mais em risco o amor do que o momento em que o ser humano que ama quer ser para o outro mais do que uma mediação, seja porque deseja apoderar-se do outro ou a ele adaptar-se. Em ambos os casos, um se transforma em parasita do outro. É nesse sentido que Salomé afirma: “Atualmente o homem sabe melhor que outrora que os seres humanos nunca se ‘possuem’ uns aos outros, que se ganham e perdem a cada instante da vida, e que o amor não ‘existe’, a não ser que exista na sua ação real e espontânea” (Andreas-Salomé, 1991, p. 104).
Da perspectiva de Salomé, enquanto o homem renuncia a harmonizar os mais diversos aspectos do seu ser e, “à custa de uma imperiosa especialização de suas energias”, tenta atingir seus objetivos, a mulher se revela capaz de concentrar tudo no domínio do amor, uma vez que todo o seu ser “encontra a sua unidade num princípio único”. Daí se segue que, num ponto de valor capital para a vida, a mulher está bem acima do homem.
O enorme poder de concentração na área amorosa, essa relação do todo em coesão com uma unidade, que o homem tende a compensar buscando em outras áreas, tudo isso coloca a mulher em um ponto de valor considerável da vida, frequentemente muito acima do homem (Andreas-Salomé, 2022, p. 105).
- Matrimônio e maternidade
No ensaio “O erotismo”, Lou Andreas-Salomé dedica-se a mostrar que onde começa a união matrimonial, termina a embriaguez amorosa. Enquanto a primeira só é possível graças a uma vontade de se perpetuar, a última não se destina a durar. No seu entender, o elemento decisivo para que se estabeleça uma união para toda a vida é o amor no sentido erótico do termo. É por isso que o comprometimento interior de dois seres humanos que querem unir-se é muito mais importante do que a aprovação do Estado ou da Igreja. À diferença do que ocorre com a embriaguez amorosa, o bem e o mal são valorizados na união matrimonial, tendo em vista que o fim último é a plena comunhão da vida. “Ser cônjuge um do outro pode significar ao mesmo tempo: amantes, irmãos, refúgios, objetivos, cúmplices, juízes, anjos, amigos, filhos. Mais ainda: poder se mostrar diante do outro com toda a nudez e toda a miséria da criatura” (Idem, p. 126). Numa união para toda a vida, tudo se acha ligado.
Lou Andreas-Salomé esclarece ainda nesse ensaio que, enquanto ato criador, a maternidade não termina no momento do nascimento da criança. Ao contrário, ela dura a vida toda, na medida em que a mulher, além do seu corpo, quer doar a sua alma. Mas não o faz “com o fim de sobreviver fisicamente no filho, nem mesmo a fim de marcá-lo psiquicamente com sua própria imagem.” (Idem, p. 102) Já no ensaio “A humanidade da mulher”, Salomé afirma que a maternidade é símbolo da alma feminina. Ao considerar que a capacidade de engendrar é uma das mais importantes capacidades femininas, ela cria por extensão a ideia de gravidez espiritual ou gestação intelectual. Entendendo que o artista do sexo masculino se acha próximo da mulher, julga que ele possui qualidades femininas, pois é também um criador.
- Homens e mulheres
Acerca das distinções entre os sexos, nada melhor do que voltar-se para uma passagem do ensaio “O erotismo”. Então, Lou Andreas-Salomé indica que há uma diferença fundamental entre o homem e a mulher. Trata-se de dois estilos de vida, duas maneiras de levar a vida à sua realização, dois mundos, que não se pode conceber como complementares. Assim como o homem, a mulher é autônoma. Enquanto o homem, graças à especialização de suas energias, pode atingir os objetivos que persegue, a mulher dispensa as suas forças como uma manifestação da totalidade da vida. É por isso que a essência da feminilidade reside na sua energia criadora. Se Salomé se esforça por apreender a essência feminina, nem por isso ela se esquece de assinalar que o conceito de mulher engloba as qualidades mais inconciliáveis. “A mulher sempre é a própria contradição: assim, de acordo com sua atividade criadora, a própria vida trabalha dentro dela” (Idem, p. 109).
Lou Andreas-Salomé insiste na originalidade da sexualidade feminina; procura mostrar que não se deve pensar que seria uma versão diminuída da masculina. Não é por acaso que critica toda tentativa de reduzir a mulher a um “homem incompleto”. À diferença do que se passa com o homem, a experiência erótica da mulher possui profundidade integradora. Tanto é que maternidade e erotismo não são necessariamente opostos.
Importa notar que Salomé observa que as diferenças culturais entre homens e mulheres decorrem de séculos da maneira pela qual a sociedade foi organizada. Mas nem tudo se reduz à construção histórica, mesmo porque é preciso diferenciar as disposições psíquicas dos homens e das mulheres. Se, de um lado, reconhece que tanto eles quanto elas são objeto de condicionamentos sociais, de outro, sustenta que suas configurações são distintas. Assim evita tanto o estrito biologismo quanto o absoluto construtivismo. As distinções entre os sexos são reais e estruturais, mas não se acham de modo algum hierarquizadas.
- Militantismo e feminismo
Bem se sabe que Lou Andreas-Salomé frequentou feministas militantes como Malwida von Meysenbug, Frieda von Bülow e Ellen Key. Mas nem por isso subscreveu o feminismo igualitarista que testemunhou em sua época. Longe de serem contraditórias, as posições que defende revelam que, em vez de agir no campo de leis e direitos, prefere atuar no terreno da energia criadora (Barillé, 2010, p. 44). Julga que as mulheres não deveriam permitir que a escrita ocupasse um lugar central nas suas vidas, embora ela mesma tenha se distinguido por sua intensa atividade intelectual. No ensaio “O ser humano enquanto mulher”, afirma:
Embora estejam desaparecendo os tempos em que as mulheres pensavam que tinham de imitar o homem em todos os domínios em que queriam se mostrar competentes e, por conseguinte, trabalhavam sob pseudônimos masculinos (não apenas quando eram escritoras!), ainda estão muito longe de encarar com respeito tudo o que é a mulher (Andreas-Salomé, 1992, p. 27s).
Assim é que o desenvolvimento profissional da mulher se dá com frequência às expensas de sua feminilidade. Ao se concentrar no seu aperfeiçoamento numa profissão, ela se esquece de seus instintos femininos. Na sua maioria, as mulheres emancipadas são vítimas de um conflito entre suas aptidões intelectuais e o amor erótico.
Se Lou Andreas-Salomé não adere ao movimento de emancipação feminina pela igualdade de direitos, nem por isso deixa de defender a igualdade de valor entre o homem e a mulher (Astor, 2008, p. 68). Considera um erro supor que a mulher nada mais é do que um apêndice do homem ou imaginar que a maternidade nada mais é do que uma recepção passiva. É bem verdade que não foi uma feminista militante. Seu pensamento, porém, consiste em encontrar uma terceira via entre o patriarcado tradicionalista, que promoveria a alienação dos seres humanos, e o feminismo igualitarista, que uniformizaria e empobreceria a realidade. Refratária ao engajamento político, Salomé se pôs em busca de uma liberdade, que se contrapunha aos códigos sociais e morais da sua época. Foi nesse contexto que desenvolveu uma filosofia do feminino.
Referências bibliográficas
1. Literatura primária
1.1. Obras de Lou Andreas-Salomé por ordem cronológica de elaboração
Andreas-Salomé, L. (1885). Im Kampf um Gott [Em Luta por Deus]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1891). Zum Bilde Friedrich Nietzsches [Sobre a imagem de Friedrich Nietzsche]. In Andreas-Salomé, L., Ideal und Askese, Philosophie [Ideal e Ascese, Filosofia]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1892a). Gottesschöpfung [Criação de Deus]. In Andreas-Salomé, L., Von der Bestie bis zum Gott, Religion [Da Besta a Deus, Religião]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1892b). Ein Apokalyptiker [Um apocalíptico]. In Andreas-Salomé, L., Ideal und Askese, Philosophie [Ideal e Ascese, Filosofia]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1892c). Henrik Ibsen’s Frauen-Gestalten: psychologische Bilder nach seinen sechs Familiendramen [As figuras femininas de Henrik Ibsen: quadros psicológicos a partir de seus seis dramas familiares]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1893a). Die Duse [A Duse]. In Andreas-Salomé, L., Aufsätze und Essays, Literatur I [Artigos e Ensaios, Literatura I]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1893b). Ideal und Askese [Ideal e Ascese]. In Andreas-Salomé, L., Ideal und Askese, Philosophie [Ideal e Ascese. Filosofia]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1894a). Friedrich Nietzsche in seinen Werken. Frankfurt am Main: Insel Verlag. Tradução de José Carlos Martins Barbosa, Nietzsche em suas obras. São Paulo: Brasiliense, 1992.
Andreas-Salomé, L. (1894b). Von der Bestie bis zum Gott [Da Besta a Deus]. In Andreas-Salomé, L., Von der Bestie bis zum Gott, Religion [Da Besta a Deus, Religião]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1895). Ruth [Ruth]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1896). Aus fremder Seele: eine Spätherbstgeschichte [Da alma de outra pessoa: uma história de final de outono]. Berlin: Theodor Borken.
Andreas-Salomé, L. (1898a). Fenitschka [Fenitschka]. In Andreas-Salomé, L., Fenitschka. Eine Ausschweifung: zwei Erzählungen [Fenitschka. Uma digressão: dois contos]. Stuttgart: Cotta.
Andreas-Salomé, L. (1898b). Grundformen der Kunst: eine psychologische Studie [Formas básicas da arte: um estudo psicológico]. In Andreas-Salomé, L., Lebende Dichtung, Literatur II / Ästhetische Theorie [Poesia viva. Literatura II/ Teoria estética]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1898c). Physische Liebe [Amor físico]. In Andreas-Salomé, L., Ideal und Askese, Philosophie [Ideal e Ascese. Filosofia]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1898d). Mißbrauchte Frauenkraft [O poder feminino mal utilizado]. In Andreas-Salomé, L., Ideal und Askese, Philosophie [Ideal e Ascese. Filosofia]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1899a). Menschenkinder [Filhos dos homens]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1899b). Vom Kunstaffekt [Do afeto artístico]. In Andreas-Salomé, L., Lebende Dichtung, Literatur II / Ästhetische Theorie [Poesia viva. Literatura II/ Teoria estética]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1899c). Ketzereien gegen die moderne Frau [Heresias contra a mulher moderna]. In Andreas-Salomé, L., Lebende Dichtung, Literatur II / Ästhetische Theorie [Poesia viva. Literatura II/ Teoria estética]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1899d). Erleben [Viver]. In Andreas-Salomé, L., Ideal und Askese, Philosophie [Ideal e Ascese. Filosofia]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1899e). Der Mensch als Weib: ein Bild im Umriss [O ser humano como mulher: um esboço]. In Andreas-Salomé, L., Die Erotik: vier Aufsätze [O Erotismo: quatro ensaios]. Frankfurt am Main: Ullstein.
Andreas-Salomé, L. (1900a). Gedanken über das Liebesproblem. In Andreas-Salomé, L., Die Erotik: vier Aufsätze [O Erotismo: quatro ensaios]. Frankfurt am Main: Ullstein. Tradução de Antonio de Abreu, Reflexões sobre o problema do amor. São Paulo: Editora Princípio, 1991.
Andreas-Salomé, L. (1900b). Der heimliche Weg: drei Scenen aus einem Ehedrama [O caminho secreto: três cenas de um drama conjugal]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1901). Ma: ein Porträt [Ma: um Retrato]. Stuttgart/Berlin: Cotta.
Andreas-Salomé, L. (1902). Im Zwischenland: fünf Geschichten aus dem Seelenleben halbwüchsiger Mädchen [Na terra intermediária: cinco histórias da vida anímica de meninas adolescentes]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1908). Lebende Dichtung [Poesia viva]. In Andreas-Salomé, L., Lebende Dichtung, Literatur II / Ästhetische Theorie [Poesia viva. Literatura II/ Teoria estética]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1909). Der Gott [Deus]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1910). Die Erotik. In Andreas-Salomé, L., Die Erotik: vier Aufsätze [O Erotismo: quatro ensaios]. Frankfurt am Main: Ullstein. Tradução de Renata Dias Mundt, O erotismo. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, 2022.
Andreas-Salomé, L. (1914). Zum Typus Weib. In Andreas-Salomé, L., Das „zweideutige“ Lächeln der Erotik: texte zur Psychoanalyse [O sorriso “ambíguo” do erotismo: textos sobre psicanálise]. Freiburg im Breisgau: Kore. Tradução de Renata Dias Mundt, Sobre o tipo feminino. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, 2022.
Andreas-Salomé, L. (1917a). Drei Briefe an einen Knaben [Três cartas a um rapaz]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1917b). Psychosexualität. In Andreas-Salomé, L., Die Erotik: vier Aufsätze [O Erotismo: quatro ensaios]. Frankfurt am Main: Ullstein. Tradução de Renata Dias Mundt, Psicossexualidade. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, 2022.
Andreas-Salomé, L. (1917c). Expression [Expressão]. In Andreas-Salomé, L., Lebende Dichtung, Literatur II / Ästhetische Theorie [Poesia viva. Literatura II/ Teoria estética]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1918). Dichterischer Ausdruck [Expressão poética]. In Andreas-Salomé, L., Lebende Dichtung, Literatur II / Ästhetische Theorie [Poesia viva. Literatura II/ Teoria estética]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1919a). Das Haus [A Casa]. Hamburgo: Tredition.
Andreas-Salomé, L. (1919b). Des Dichters Erleben [A vivência do poeta]. In Andreas-Salomé, L., Lebende Dichtung, Literatur II / Ästhetische Theorie [Poesia viva. Literatura II/ Teoria estética]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1920). Der Ruf des Philosophen [A vocação do filósofo]. In Andreas-Salomé, L., Ideal und Askese, Philosophie [Ideal e Ascese. Filosofia]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1921). Narzißmus als Doppelrichtung [O narcisismo como dupla direção]. In Andreas-Salomé, L., Das „zweideutige“ Lächeln der Erotik: texte zur Psychoanalyse [O sorriso “ambíguo” do erotismo: textos sobre psicanálise]. Freiburg im Breisgau: Kore.
Andreas-Salomé, L. (1922a). Der Teufel und seine Großmutter [O Diabo e sua avó]. Iena: Eugen Diederichs. Andreas-Salomé, L. (1922b). Die Stunde ohne Gott [A Hora sem Deus]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1923). Rodinka: eine russische Erinnerung [Rodinka: uma lembrança russa]. Tübingen: Belle Époque Verlag.
Andreas-Salomé, L. (1927). Zum 6. Mai [Em 6 de maio]. In Andreas-Salomé, L., Das „zweideutige“ Lächeln der Erotik: texte zur Psychoanalyse [O sorriso “ambíguo” do erotismo: textos sobre psicanálise]. Freiburg im Breisgau: Kore.
Andreas-Salomé, L. (1928a). Was daraus folgt, daß es nicht die Frau, gewesen ist, die den Vater totgeschlagen hat [O que decorre do fato de que não foi a mulher quem matou o pai]. In Andreas-Salomé, L., Das „zweideutige“ Lächeln der Erotik: texte zur Psychoanalyse [O sorriso “ambíguo” do erotismo: textos sobre psicanálise]. Freiburg im Breisgau: Kore.
Andreas-Salomé, L. (1928b). Rainer Maria Rilke. Berlim: Karl-Maria Guth. Tradução para o francês de Jacques Le Rider, Rainer Maria Rilke. Paris: Maren Sell & Cie, 1989.
Andreas-Salomé, L. (1931a). Mein Dank an Freud: offener Brief an Professor Sigmund Freud zu seinem 75. Geburtstag. In Andreas-Salomé, L., Das „zweideutige“ Lächeln der Erotik: texte zur Psychoanalyse [O sorriso “ambíguo” do erotismo: textos sobre psicanálise]. Freiburg im Breisgau: Kore. Tradução de Lenis Gemignani de Almeida, Carta aberta a Freud. São Paulo: Editora Princípio, 1972.
Andreas-Salomé, L. (1931b). Lebensrückblick: grundriß einiger Erinnerungen [Retrospectiva de Vida: esboço de algumas memórias]. Berlim: Karl-Maria Guth. Tradução de Nicolino Simone Neto & Valter Fernandes, Minha vida. São Paulo: Brasiliense, 1973.
Andreas-Salomé, L. (1933). Jutta [Jutta]. Taching am See: MedienEdition Welsch.
Andreas-Salomé, L. (1934). Eintragungen: letzte Jahre [Registros: últimos anos]. Frankfurt am Main: Insel.
1.2. Correspondência
Andreas-Salomé, L., & Freud, S. (1980). Briefwechsel [Correspondência]. Frankfurt am Main: S. Fischer.
Andreas-Salomé, L., & Rilke, R. (1990). Briefwechsel [Correspondência]. Frankfurt am Main: Insel.
Nietzsche, F., Rée, P., & Andreas-Salomé, L. (1970). Die Dokumente ihrer Begegnung [Os Documentos do seu Encontro] Frankfurt am Main: Insel Verlag.
2. Literatura secundária
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Barillé, E. (2010). Introduction [Introdução]. In Andreas-Salomé, L., L’école de la vie [A escola da vida]. Paris: Points.
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Hummell, P. C. (org.). (2011). Lou Andreas-Salomé, muse et apôtre [Lou Andreas-Salomé, musa e apóstola]. Paris: Philologicum.
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Martin, B. (1991). Woman and modernity: the (life)styles of Lou Andreas-Salomé [Mulher e modernidade: os estilos de vida de Lou Andreas-Salomé]. Ithaca: Cornell University Press.
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Michaud, S. (2000). Lou Andreas-Salomé: l’alliée de la vie [Lou Andreas-Salomé: a aliada da vida]. Paris: Éditions du Seuil.
Peters, H. F. (1974). My sister, my spouse. Nova York: W. W. Norton. Tradução de Waltensir Dutra, Lou, minha irmã, minha esposa. Rio de Janeiro: Zahar.
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