{"id":1336,"date":"2022-05-24T18:18:27","date_gmt":"2022-05-24T21:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=1336"},"modified":"2022-05-24T18:28:57","modified_gmt":"2022-05-24T21:28:57","slug":"catharine-macaulay","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/catharine-macaulay\/","title":{"rendered":"Catharine Macaulay"},"content":{"rendered":"<p>(1731?-1791)<\/p>\n<figure id=\"attachment_1339\" aria-describedby=\"caption-attachment-1339\" style=\"width: 427px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1339 \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/05\/macaulay-500x694.jpeg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"592\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/05\/macaulay-500x694.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/05\/macaulay-216x300.jpeg 216w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/05\/macaulay.jpeg 576w\" sizes=\"(max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1339\" class=\"wp-caption-text\">Retrato: Jonathan Spilsbury, published by John Spilsbury, after Katharine Read<br \/>mezzotint, published September 1764. National Gallery of London<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/05\/Catharine-Camila.pdf\">PDF &#8211; Catharine Macaulay<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Por <strong>Camila Kulkamp<\/strong> \u2013 Doutoranda no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina, integrante do projeto Uma Fil\u00f3sofa por M\u00eas e do Grupo Christine de Pizan. Bolsista Capes &#8211; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4200114493538448\">Lattes<\/a><\/p>\n<p>Catharine Macaulay (1731?-1791), ou bem, Catharine Sawbridge, que \u00e9 o seu nome de batismo, nasceu em Olantigh, no condado de Kent, localizado no sudeste da Inglaterra. A m\u00e3e de Macaulay faleceu quando ela ainda era crian\u00e7a, deixando-a aos cuidados do pai, com mais uma irm\u00e3 e dois irm\u00e3os. Existe d\u00favida sobre o dia exato que Macaulay nasceu, algumas fontes afirmam que foi no dia vinte e tr\u00eas de mar\u00e7o, outras no dia dois de abril de 1731, e Mary Hays (1803) afirma que foi no ano de 1733.<\/p>\n<p>Macaulay veio de uma fam\u00edlia abastada, teve uma educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica na companhia de uma governanta e junto \u00e0 vasta biblioteca do seu pai. Ela foi uma leitora voraz, aprendeu muito de forma autodidata, e chegou a dizer, na sua primeira obra publicada, que adorava as hist\u00f3rias que exibiam a liberdade em seu estado mais elevado. A sua educa\u00e7\u00e3o teve foco em hist\u00f3ria Greco-romana e nos ideais republicanos, o que contribuiu mais tarde na sua vida para que fosse reconhecida como uma fervorosa defensora da liberdade.<\/p>\n<p>Da inf\u00e2ncia de uma menina solit\u00e1ria e obstinada, pulamos para a fase adulta, quando, em 1760, com vinte e nove anos, Macaulay casou com um m\u00e9dico escoc\u00eas chamado George Macaulay, que tamb\u00e9m trabalhou como tesoureiro no Hospital Brownlow Lying-in e colaborou com publica\u00e7\u00f5es na London Medical Society. George ficou vi\u00favo em 1760 e no mesmo ano engatou em novo casamento com Catharine Macaulay, de quem era quinze anos mais velho. Richard Baron, ministro ingl\u00eas, panflet\u00e1rio Whig e editor de livros, chegou a dizer que Catharine Macaulay, \u201capesar de letrada\u201d, era uma esposa dedicada e afetuosa e que George era grande devoto de sua mulher (HILL, 1999).<\/p>\n<p>O casal convivia com pessoas ilustres como o j\u00e1 citado Richard Baron, Samuel Johnson, Thomas Hollis e Elizabeth Montagu. Montagu foi uma escritora inglesa e patrona das artes, que ficou conhecida por fundar e liderar, junto com outras mulheres, a<em>\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Blue_Stockings_Society\"><em>Blue Stockings Society<\/em><\/a> [Sociedade das Meias Azuis], em 1750, um sal\u00e3o de discuss\u00e3o liter\u00e1ria feminino, que tamb\u00e9m aceitava homens em suas reuni\u00f5es e que estimulava o debate sobre a educa\u00e7\u00e3o e a coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre homens e mulheres. Outro fato interessante \u00e9 que Montagu era irm\u00e3 de Sarah Scott, membra do Blue Stockings, escritora reconhecida pela obra<em>\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Millenium_Hall\"><em>A Description of Millenium Hall and the Country Adjacent<\/em><\/a> [Uma descri\u00e7\u00e3o do Millenium Hall e do pa\u00eds adjacente] (1762) ou apenas Millenium Hall, uma utopia direcionada especialmente ao p\u00fablico feminino. Contudo, a amizade entre essas mulheres estava assentada em bases fracas, Montagu e Scott, em cartas, criticaram a ousadia de Macaulay em publicar a sua primeira obra e em casar-se pela segunda vez (HILL, 1992).<\/p>\n<p>Macaulay teve dois irm\u00e3os e uma irm\u00e3. O irm\u00e3o mais novo entrou para igreja, outra irm\u00e3 teve um casamento com um homem de elite. J\u00e1 o irm\u00e3o mais velho, John Sawbrigde, foi um parlamentar ingl\u00eas na C\u00e2mara dos Comuns entre 1768 e 1780, com quem Macaulay compartilhou muitas lutas pol\u00edticas relacionadas ao partido Whig, de tend\u00eancias liberais e republicanas, que fazia oposi\u00e7\u00e3o ao partido conservador Tory. Macaulay tamb\u00e9m era pr\u00f3xima de v\u00e1rios dissidentes de tend\u00eancia republicana da sua \u00e9poca e foi reconhecida como uma radicalista do s\u00e9culo XVIII por, dentre outros motivos, defender reformas radicais no sistema pol\u00edtico e eleitoral.<\/p>\n<p>Macaulay e George Macaulay tiveram uma filha, Catharine Sophia, nascida em vinte e cinco de fevereiro de 1765, e permaneceram juntos por seis anos, at\u00e9 a morte de George, em 1766. Sabemos pelas cartas encontradas recentemente, em 1992, de Sophia e Macaulay, que as duas mantiveram um relacionamento afetuoso e pr\u00f3ximo, e que Sophia sofreu bastante com as longas viagens e com o estado de sa\u00fade fr\u00e1gil de sua m\u00e3e, o que questiona rumores de que Macaulay foi uma m\u00e3e fria e negligente.<\/p>\n<p>Sabe-se que a sa\u00fade de Macaulay j\u00e1 n\u00e3o estava t\u00e3o boa em 1977. Cogita-se que ela j\u00e1 n\u00e3o apresentava boa sa\u00fade desde quando se mudou para Bath. Por este motivo, Macaulay decidiu viajar com a sua amiga Elizabeth Arnold para o sul da Fran\u00e7a, que era o destino mais recomendado pelos m\u00e9dicos da \u00e9poca, mas a fil\u00f3sofa acabou ficando em Paris, aproveitando a vida cultural da cidade e conhecendo ali Benjamin Franklin, Jacques Turgot, Madame Geoffrin e Madame du Boccage.<\/p>\n<p>Aos quarenta e sete anos, Macaulay casou novamente, em 1778, com o irm\u00e3o da sua amiga Elizabeth Arnold, William Graham, passando a morar em Leicester, na Inglaterra. Graham, mais novo que ela, era difamado por ser tamb\u00e9m irm\u00e3o de um m\u00e9dico, Dr. James Graham, conhecido por prescrever rem\u00e9dios n\u00e3o convencionais e que, segundo Karen Green (2020), foram utilizados para o tratamento da sa\u00fade de Macaulay. A grande exposi\u00e7\u00e3o dela nos meios intelectuais e pol\u00edticos, aliada \u00e0 m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o do seu marido e o fato dele ter apenas vinte e um anos na data do casamento, fizeram com que Macaulay e Graham fossem objeto de fofoca. Macaulay passou a receber cr\u00edticas p\u00fablicas em jornais e coment\u00e1rios maliciosos em cartas. Ainda assim, o prest\u00edgio de Macaulay, para muitas pessoas, n\u00e3o foi abalado.<\/p>\n<p>Com o seu segundo marido, Macaulay viajou para os Estados Unidos em 1784, visitando nove estados. L\u00e1 ela manteve grande e afetuosa amizade com a escritora pol\u00edtica, poeta e historiadora Mercy Otis Warren (1728-1814), uma intelectual nascida em Massachusetts, que fez parte da lideran\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o Americana e que tamb\u00e9m criticou as pol\u00edticas coloniais brit\u00e2nicas (cf. Davies, 2005). Posteriormente, em 1805, Warren publicou o livro<em> History of the Rise, Progress and Termination of the American Revolution <\/em>[Hist\u00f3ria da ascens\u00e3o, progresso e t\u00e9rmino da Revolu\u00e7\u00e3o Americana] e passou a ser lembrada como a primeira mulher norte-americana a publicar um livro de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a viagem, o casal tamb\u00e9m conheceu e se hospedou com George e Martha Washington, no edif\u00edcio de Mount Vernon, em Virg\u00ednia. Existem registros de troca epistolar entre Macaulay e George Washington, desde 1786. No ano de 1789, ela o felicita por ser o primeiro presidente atuando sob a nova constitui\u00e7\u00e3o. Em 1790, Washington responde a Macaulay, agradecendo a parabeniza\u00e7\u00e3o, e informando sobre a estabiliza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. Macaulay respondeu Washington, revendo alguns posicionamentos sobre o melhor sistema pol\u00edtico que havia defendido em obras anteriores.<\/p>\n<p>Foram sessenta anos de uma vida intensa, que terminou em 22 de junho de 1791, na vila de Binfield, na regi\u00e3o de Berkshire, na Inglaterra. Pouco se sabe sobre o falecimento dessa fil\u00f3sofa, que diziam ter uma sa\u00fade fr\u00e1gil, e que mesmo assim viajou por v\u00e1rios pa\u00edses e escreveu muitos livros, panfletos, tratados e cartas, apresentados nos t\u00f3picos a seguir.<\/p>\n<p><strong>Obras<\/strong><\/p>\n<p>Macaulay publicou o primeiro volume da sua primeira obra, intitulada <em>A History of England\u00a0from the Accession of James I to that of the Brunswick Line <\/em>[A Hist\u00f3ria da Inglaterra desde a ades\u00e3o de Jaime I at\u00e9 a Linha Brunswick], em 1763<em>.<\/em> Os volumes dois, tr\u00eas, quatro e cinco foram publicados em 1765, 1767, 1768 e 1771, respectivamente. Durante o per\u00edodo entre a publica\u00e7\u00e3o dos volumes cinco e seis, Macaulay escreveu o volume um da obra <em>A History of England from the Revolution to the Present Time <\/em>[A Hist\u00f3ria da Inglaterra desde a Revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 os Tempos Atuais]. Entretanto, conforme a explica\u00e7\u00e3o de Hill (1992), a autora percebeu que n\u00e3o daria conta de ir al\u00e9m dos fatos hist\u00f3ricos do ano de 1733. Por isso, voltou a publicar a sequ\u00eancia dos volumes da obra anterior, agora com um novo t\u00edtulo, <em>A History of England from the Accession of James I to the Revolution <\/em>[A Hist\u00f3ria da Inglaterra desde a ades\u00e3o de Jaime I \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o]. Assim, os volumes seis e sete foram publicados dez anos depois, em 1781, e o volume oito em 1783. A publica\u00e7\u00e3o de mais de tr\u00eas mil e quinhentas p\u00e1ginas sobre quase todo o s\u00e9culo XVII da hist\u00f3ria inglesa foi muito prestigiada pelo p\u00fablico e Macaulay ficou imediatamente famosa.<\/p>\n<p>Esses volumes abarcam, principalmente, os fatos hist\u00f3ricos e pol\u00edticos ingleses entre 1603 e 1689, que perpassam o reinado de Jaime I, Carlos I, a Guerra Civil Inglesa com a luta dos Comuns contra o absolutismo, a ascens\u00e3o e decl\u00ednio do Lorde Protetor Oliver Cromwell, a instaura\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e as cont\u00ednuas dissolu\u00e7\u00f5es do parlamento, o retorno da dinastia Stuart com Carlos II, a fuga de Jaime II para Fran\u00e7a e a forma\u00e7\u00e3o da monarquia parlamentarista com a Declara\u00e7\u00e3o de Direitos (<em>Bill of Rights<\/em>) em 1689, limitando os poderes de Maria II e Guilherme de Orange.<\/p>\n<p>Macaulay ainda escreveu, em 1778, <em>A History of England from the Revolution to the Present Time in a Series of Letters to a Friend <\/em>[A Hist\u00f3ria da Inglaterra da Revolu\u00e7\u00e3o ao tempo presente em uma s\u00e9rie de cartas a um amigo], volume na forma de uma s\u00e9rie de cartas destinadas ao Reverendo Thomas Wilson, onde buscou explicar os fatos hist\u00f3ricos entre 1688 at\u00e9 1733, em tom menos formal e conversacional. Sua inten\u00e7\u00e3o era popularizar esses importantes fatos da hist\u00f3ria inglesa.<\/p>\n<p>Deve-se notar que o fil\u00f3sofo e historiador David Hume publicou entre 1754 e 1762 a obra <em>Hist\u00f3ria da Inglaterra, da invas\u00e3o de J\u00falio C\u00e9sar \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de 1688<\/em>, um best-seller da sua \u00e9poca, com seis volumes. George Macaulay chegou a enviar uma c\u00f3pia da <em>Hist\u00f3ria <\/em>escrita por sua esposa para Hume ler, com os seus cumprimentos. Diferente de Macaulay, Hume acreditava no convencionalismo da autoridade fundada nos costumes, algo considerado por Macaulay como insuficiente para assegurar a justi\u00e7a e a liberdade de um povo. A <em>Hist\u00f3ria <\/em>de Macaulay, ao menos os primeiros volumes, foram tomados como uma interpreta\u00e7\u00e3o Whig que fazia uma contraposi\u00e7\u00e3o ao que Macaulay considerava ser um argumento pol\u00edtico conservador de Hume.<\/p>\n<p>Durante esses anos de escrita e publica\u00e7\u00e3o dos volumes de <em>Hist\u00f3ria da Inglaterra<\/em>, Macaulay publicou, em 1767, a obra <em>Loose Remarks on Certain Positions to be found in Mr. Hobbes\u2019s Philosophical Rudiments of Government and Society, with a Short Sketch of a Democratical Form of Government, In a Letter to Signor Paoli <\/em>[Observa\u00e7\u00f5es soltas sobre certas posi\u00e7\u00f5es a serem encontradas nos Rudimentos filos\u00f3ficos do governo e da Sociedade, do Sr. Hobbes, com um breve esbo\u00e7o de uma forma democr\u00e1tica de governo, em uma carta ao Signor Paoli].<\/p>\n<p>Macaulay criticou o conservadorismo pol\u00edtico de Thomas Hobbes e delineou os princ\u00edpios de uma rep\u00fablica democr\u00e1tica com um sistema bicameral formado pelos representantes do povo e pelo senado, com uma necess\u00e1ria rota\u00e7\u00e3o de representantes, para impedir a corrup\u00e7\u00e3o. Macaulay defendeu tamb\u00e9m uma lei agr\u00e1ria para impedir o ac\u00famulo excessivo de propriedade privada e o crescimento da aristocracia rural, tendo em vista o problema da desigualdade econ\u00f4mica e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em contraposi\u00e7\u00e3o ao pensamento mon\u00e1rquico de Hobbes, Macaulay construiu uma \u201cconcep\u00e7\u00e3o mais moralizada da natureza da autoridade pol\u00edtica\u201d (GREEN, 2020) ao criticar a tese de Hobbes sobre a car\u00eancia de sociabilidade da natureza humana e da necessidade de uma monarquia absolutista. Segundo a fil\u00f3sofa, os seres humanos s\u00e3o aptos para viver em sociedade, pois possuem a capacidade de desenvolver a raz\u00e3o e conhecer as verdades morais imut\u00e1veis. Os seres humanos n\u00e3o nascem sabendo utilizar a raz\u00e3o, mas nascem com os meios necess\u00e1rios para desenvolv\u00ea-la atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. A potencialidade em desenvolver a raz\u00e3o \u00e9 o que sustenta a sociabilidade humana e a autoridade pol\u00edtica justa.<\/p>\n<p>Ademais, dentre outras reflex\u00f5es, Macaulay criticou o entendimento de Hobbes acerca do pacto contratual entre o povo e o monarca. A fil\u00f3sofa entende que um contrato \u00e9 sempre um pacto entre duas partes, de forma igualmente vinculativa, e que n\u00e3o se pode cogitar a dissolu\u00e7\u00e3o de uma das partes em benef\u00edcio da outra parte ou, como Hobbes prop\u00f5e, o poder absoluto do monarca sobre o povo. Macaulay argumenta que, quando uma parte do contrato, o povo, dissolve-se, ent\u00e3o a sua obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 nula para com o governante. Deste modo, o povo pode anular o contrato quando o governante n\u00e3o cumpre com as suas obriga\u00e7\u00f5es. Macaulay ainda exp\u00f5e que um contrato n\u00e3o pode existir sem estabelecer as vontades dos contratantes; que um contrato com vontades supostas ou hipot\u00e9ticas n\u00e3o \u00e9 vinculativo e, por fim, que n\u00e3o \u00e9 racional abrir m\u00e3o do seu direito natural ao fazer um contrato sem propor vantagens a serem desfrutadas.<\/p>\n<p>Em 1770 Macaulay publica<em> Observations on a Pamphlet entitled \u201cThoughts on the Cause of the Present Discontents<\/em>\u201d [Observa\u00e7\u00f5es sobre um panfleto intitulado \u201cPensamentos Sobre a Causa do Atual Descontentamento\u201d], obra em que critica o panfleto pol\u00edtico de autoria de Edmund Burke, publicado tamb\u00e9m em 1770. Burke se posicionara, neste panfleto, no sentido de que os partidos pol\u00edticos, especialmente de tend\u00eancia aristocr\u00e1tica, representam o meio mais efetivo para o parlamento exercer controle sobre o poder executivo. Macaulay, por sua vez, afirma que Burke escreve com grande eloqu\u00eancia, mas suas palavras carregam um veneno capaz de destruir toda virtude e entendimento pol\u00edtico que ainda existe na na\u00e7\u00e3o inglesa, isso porque, de acordo com ela, a inten\u00e7\u00e3o de Burke \u00e9 apoiar o partido aristocr\u00e1tico, fundado e apoiado sobre o princ\u00edpio corrupto do auto interesse, impedindo as reformas necess\u00e1rias para extinguir os v\u00edcios presentes no governo. Contra Burke, Macaulay entende ser necess\u00e1rio uma rota\u00e7\u00e3o maior dos representantes eleitos.<\/p>\n<p>Ao comentar ironicamente sobre<em> Observa\u00e7\u00f5es <\/em>de Macaulay em carta particular, Burke a chamou de \u201cnossa virago republicana\u201d. Virago \u00e9 um termo utilizado, muitas vezes de forma pejorativa, para denominar uma mulher que tem a apar\u00eancia ou o comportamento semelhante ao g\u00eanero masculino. Karen Green (2016) enxerga nesse t\u00edtulo atribu\u00eddo a Macaulay uma express\u00e3o das dificuldades que ela viria a enfrentar por ser mulher num meio intelectual masculino e excludente. \u00c9 de se notar que, em outras cartas, Burke fez chacotas perversas sobre diversas mulheres intelectuais da sua \u00e9poca, como Mary Wollstonecraft.<\/p>\n<p>Macaulay publicou, em 1774, <em>A Modest Plea for the Property of Copyright <\/em>[Um Apelo Modesto em prol da Propriedade de Direitos Autorais], uma obra pouco comentada na sua trajet\u00f3ria liter\u00e1ria e que trata da prote\u00e7\u00e3o dos autores atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o dos direitos autorais. Em 1775, escreveu <em>An Address to the People of England, Scotland and Ireland on the Present Important Crisis of Affairs <\/em>[Discurso ao Povo da Inglaterra, Esc\u00f3cia e Irlanda sobre a Atual e Importante Conjuntura de Crise], onde criticou a pol\u00edtica de taxa\u00e7\u00e3o inglesa sobre a col\u00f4nia norte-americana e dois Atos aprovados pelo Parlamento Brit\u00e2nico: fechar o porto de Boston e mudar o governo de Quebec.<\/p>\n<p>Perdidas todas as tentativas de reconcilia\u00e7\u00e3o com a Gr\u00e3-Bretanha, em 1776, ocorria a Revolu\u00e7\u00e3o Americana com a independ\u00eancia das treze col\u00f4nias, que se tornaram estados federados unidos pela sua primeira constitui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Macaulay defendeu a independ\u00eancia americana para o p\u00fablico europeu e manteve contato epistolar com v\u00e1rios radicais norte-americanos, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mountvernon.org\/library\/digitalhistory\/digital-encyclopedia\/article\/benjamin-franklin\/\">Benjamin Franklin<\/a>\u00a0, Richard Henry Lee, Benjamin Rush, Samuel Adams, John e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mountvernon.org\/library\/digitalhistory\/digital-encyclopedia\/article\/abigail-adams\/\">Abigail Adams<\/a>.<\/p>\n<p>Em 1783, publicou seu grande tratado filos\u00f3fico, intitulado <em>Treatise on the Immutability of Moral Truth <\/em>[Tratado sobre a Imutabilidade da Verdade Moral]<em>, <\/em>o qual abordarei no pr\u00f3ximo t\u00f3pico<em>.<\/em> Em 1790, Macaulay publicou seu grande livro sobre a educa\u00e7\u00e3o de meninas e meninos, <em>The Letters on Education with Observations on Religions and Metaphysical Subjects <\/em>[As Cartas sobre Educa\u00e7\u00e3o com Observa\u00e7\u00f5es sobre Religi\u00f5es e Assuntos Metaf\u00edsicos], que tamb\u00e9m abordarei mais adiante.<\/p>\n<p>Quando, em 1790, Burke publicou <em>Reflex\u00f5es sobre a Revolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a<\/em>, Macaulay respondeu, no mesmo ano, com <em>Observations on the Reflections of The Right Hon. Edmund Burke on the Revolution in France <\/em>[Observa\u00e7\u00f5es sobre as Reflex\u00f5es do Exmo. Edmund Burke sobre a Revolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a]. Nessa obra, Macaulay defendeu a legitimidade da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e da Assembleia Nacional, al\u00e9m de criticar novamente aspectos conservadores da filosofia de Burke e Hobbes. Assim escreveu Macaulay: \u201c(&#8230;) \u00e9 a sabedoria, e n\u00e3o a loucura da Assembleia Nacional, que ofende os seus inimigos; e for\u00e7a at\u00e9 mesmo o Sr. Burke a contradizer, neste caso, a regra que ele estabeleceu\u201d (MACAULAY, 1790, p. 8). A regra de Burke da qual Macaulay fala \u00e9 de que os monarcas n\u00e3o devem ser depostos em raz\u00e3o da m\u00e1-conduta, mas somente quando a sua conduta for t\u00e3o criminosa que coloque em risco a seguran\u00e7a do povo.<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia e admira\u00e7\u00e3o de Macaulay, ao longo dos anos, foi mudando do sistema de governo estadunidense para o franc\u00eas, apesar de pontuar que a experi\u00eancia pol\u00edtica estadunidense representa um exemplo sem paralelo para a hist\u00f3ria da humanidade. Ademais, por causa do seu fr\u00e1gil estado de sa\u00fade, cogita-se que Macaulay tenha desistido de fazer uma edi\u00e7\u00e3o norte-americana da sua <em>Hist\u00f3ria da Inglaterra<\/em>, e tamb\u00e9m de escrever um livro sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Americana.<\/p>\n<p><strong>O Tratado sobre a Imutabilidade da Verdade Moral<\/strong><\/p>\n<p>Em <em>A Treatise on the Immutability of Moral Truth<\/em> [O Tratado sobre a Imutabilidade da Verdade Moral] (1783), Macaulay apresenta uma defesa da sua complexa metaf\u00edsica teol\u00f3gica contra as opini\u00f5es c\u00e9ticas, voluntaristas e os defensores da filosofia do livre-arb\u00edtrio que ganhavam cada vez mais apoio na sua \u00e9poca. Os principais pontos discutidos no livro versam sobre a liberdade humana, a quest\u00e3o do mal e a benevol\u00eancia divina. Por se tratar de uma obra extensa, apresentarei somente a sua tese principal, qual seja, a defesa dos \u201cprinc\u00edpios da raz\u00e3o natural\u201d (MACAULAY, 1783, p. viii) ou verdades morais racionais, que podem ser descobertos atrav\u00e9s do uso da raz\u00e3o, sendo, portanto, independentes da vontade de Deus ou das voli\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Macaulay define a sua doutrina como a \u201cdoutrina da necessidade moral\u201d e se contrap\u00f5e ao voluntarismo, uma perspectiva em que a verdade moral \u00e9 determinada pela vontade de Deus; ao subjetivismo, onde o que determina a vontade s\u00e3o, por exemplo, as paix\u00f5es e os afetos; e ao ceticismo, que, no entender de Macaulay, \u00e9 originado do conflito das faculdades humanas e do medo diante dos atributos morais da deidade. Os principais alvos da cr\u00edtica de Macaulay s\u00e3o o Dr. William King, que escreveu uma teologia voluntarista em <em>De origine mali<\/em> [Um Ensaio sobre a Origem do Mal] (1702)<em>, <\/em>e o Lorde Bolingbroke, com sua filosofia c\u00e9tica e de\u00edsta estabelecida em <a href=\"https:\/\/wm.primo.exlibrisgroup.com\/discovery\/fulldisplay?docid=alma991021479149703196&amp;context=L&amp;vid=01COWM_INST:01COWM_WM_NEWUI&amp;lang=en&amp;adaptor=Local%20Search%20Engine&amp;tab=Everything\"><em>The Philosophical works of the late Right Honorable Henry St. John, Lord Viscount Bolingbroke<\/em><\/a> [As Obras Filos\u00f3ficas do Falecido Honor\u00e1vel Henry St. John, Lorde Visconde Bolingbroke] (1754). Macaulay n\u00e3o cita, mas aqui tamb\u00e9m poder\u00edamos adicionar o subjetivismo da filosofia de David Hume e o ego\u00edsmo moral em Thomas Hobbes. O posicionamento te\u00f3rico de Macaulay \u00e9 caracterizado como intelectualista (GREEN, 2020), no sentido de que os atos de Deus, com a sua intelig\u00eancia e bondade infinita, est\u00e3o em conformidade com as verdades morais eternas, e os seres humanos, criaturas finitas e de intelig\u00eancia limitada, aperfei\u00e7oam-se moralmente quando escolhem agir conforme os princ\u00edpios da raz\u00e3o natural, aproximando-se do comportamento e da intelig\u00eancia divina.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para o desenvolvimento das virtudes humanas, pois \u00e9 atrav\u00e9s do entendimento dos princ\u00edpios da raz\u00e3o natural que podemos cultivar um comportamento virtuoso, o que traz benef\u00edcios n\u00e3o apenas para os indiv\u00edduos mas tamb\u00e9m para o coletivo. E o sistema pol\u00edtico democr\u00e1tico defendido por Macaulay necessita de mecanismos que estimulem o povo a agir segundo as verdades morais imut\u00e1veis. A doutrina da necessidade moral fundamenta as bases epistemol\u00f3gica e metaf\u00edsica da concep\u00e7\u00e3o educacional de Macaulay (O\u2019BRIEN, 2009) e aparece na terceira parte da sua obra <em>Cartas sobre Educa\u00e7\u00e3o<\/em>, onde ela discute o tipo de educa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para este cultivo, o que ser\u00e1 melhor explicitado no t\u00f3pico seguinte.<\/p>\n<p><strong>As Cartas sobre Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em <em>Letters on Education <\/em><em>with Observations on Religions and Metaphysical Subjects <\/em>[Cartas sobre Educa\u00e7\u00e3o com Observa\u00e7\u00f5es sobre Religi\u00f5es e Assuntos Metaf\u00edsicos] (1790), Macaulay escreve uma s\u00e9rie de cartas ficcionais para uma mulher chamada Hort\u00eancia, onde discute variados assuntos. O livro \u00e9 divido em tr\u00eas partes. Na parte I, que cont\u00e9m vinte e cinco cartas, Macaulay discorre acerca dos cuidados maternais, amamenta\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e lazer; os livros adequados para a leitura das crian\u00e7as, dan\u00e7a, m\u00fasica, bordado e costura; a indu\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de independ\u00eancia e for\u00e7a moral na inf\u00e2ncia; as necess\u00e1rias qualidades de um tutor; da simpatia como fonte de toda virtude humana, etc. Macaulay tamb\u00e9m define algumas quest\u00f5es impr\u00f3prias para a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, como hist\u00f3rias de terror, a aplica\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00f5es violentas, a excessiva severidade na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, a indulg\u00eancia indiscriminada em rela\u00e7\u00e3o aos erros, etc.<\/p>\n<p>Na parte II, que cont\u00e9m treze cartas, Macaulay escreve sobre a educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e nacional; a experi\u00eancia educacional dos antigos, como em Atenas, Esparta e Roma; o dever do governo na constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o; e exp\u00f5e sua opini\u00e3o sobre as casas penais, casas de corre\u00e7\u00e3o e sobre a caridade. Na parte III, com dezoito cartas, Macaulay retoma debates, j\u00e1 expostos em seu <em>Tratado<\/em>, sobre a liberdade, a origem do mal e os atributos morais de Deus.<\/p>\n<p>Retomo a primeira parte da obra, onde Macaulay explica que a cultura do ser artificial, que ela chama de \u201chomem social\u201d, \u00e9 muito complexa, pois existem muitos fins importantes a serem perseguidos e males a serem evitados. O \u201chomem social\u201d pode ser moldado pela educa\u00e7\u00e3o, pois os v\u00edcios e virtudes n\u00e3o s\u00e3o atributos da natureza, mas constru\u00e7\u00f5es sociais. Os seres humanos, enquanto seres finitos em sua intelig\u00eancia, mesmo podendo desenvolver a raz\u00e3o e os poderes da imagina\u00e7\u00e3o, ainda produzem mis\u00e9rias no mundo, at\u00e9 mesmo para os animais de outras esp\u00e9cies. Entretanto, Macaulay entende que essa n\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia necess\u00e1ria e que a produ\u00e7\u00e3o do mal ocorre por causas incidentais. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio cultivar a educa\u00e7\u00e3o e a excel\u00eancia das faculdades humanas para assegurar a busca da felicidade.<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios e regras sobre a educa\u00e7\u00e3o de Macaulay s\u00e3o fundados nas suas observa\u00e7\u00f5es metaf\u00edsicas. Para remediar erros e irregularidades que surgem de um sistema \u00e9tico mal embasado, a moral deve ser ensinada com base nos princ\u00edpios racionais imut\u00e1veis. Na terceira parte da obra, Macaulay levanta a discuss\u00e3o j\u00e1 apresentada no seu <em>Tratado<\/em> e defende a necessidade do ensino dos princ\u00edpios imut\u00e1veis:<\/p>\n<p>\u201cPara tirar do sentimento p\u00fablico uma li\u00e7\u00e3o que deixa uma marca profunda no car\u00e1ter humano, e para corrigir quaisquer irregularidades e at\u00e9 enormidades que surgem de sistemas incorretos da \u00e9tica, devemos ter o primeiro cuidado de ensinar a virtude sobre princ\u00edpios imut\u00e1veis, e evitar a confus\u00e3o que deve surgir ao confundir as leis e os costumes da sociedade com as obriga\u00e7\u00f5es baseadas nos princ\u00edpios corretos da equidade\u201d (MACAULAY, 1790, p. 200-201).<\/p>\n<p>Um sistema educacional fundado em um sistema \u00e9tico guiado por princ\u00edpios racionais imut\u00e1veis impede irregularidades que derivam da falta de conex\u00e3o entre todas as no\u00e7\u00f5es de certo e errado. Nesse sentido, Macaulay tamb\u00e9m faz uma defesa da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que ela considera que, quando bem planejada, pode evitar o aumento dos crimes, expandir a boa moral e gerar vantagens pol\u00edticas para a felicidade p\u00fablica e privada.<\/p>\n<p>Os opositores da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica afirmavam que se tratava de um dano \u00e0 liberdade, uma medida autorit\u00e1ria que feria o direito inalien\u00e1vel e natural da autoridade parental sobre o desenvolvimento dos seus filhos(as). Macaulay entende que \u00e9 um absurdo opor um direito natural a qualquer medida pol\u00edtica que seja para aumentar a felicidade de uma sociedade, como o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e o esp\u00edrito pequeno que permeiam os governos. Apesar de fazer essa defesa e de afirmar que o dever mais importante de um governo \u00e9 garantir a educa\u00e7\u00e3o, Macaulay temia que nenhum governo fosse confi\u00e1vel no sentido de garantir esse tipo de sistema p\u00fablico educacional, sustentado por impostos cobrados de acordo com a posi\u00e7\u00e3o social de cada cidad\u00e3o. E por causa disso, de forma amb\u00edgua, a fil\u00f3sofa considera que a educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e parental, com responsabilidade e dedica\u00e7\u00e3o, seria a melhor via para o desenvolvimento das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Macaulay continua a obra fazendo uma defesa da racionalidade e da educa\u00e7\u00e3o das mulheres, com base no argumento de que n\u00e3o cabe falar sobre v\u00edcios e virtudes exclusivos do sexo masculino. Existe apenas uma regra de direito para a conduta dos seres racionais, mulheres e homens, formados do mesmo material, organizados da mesma maneira e sujeitos a leis da natureza similares. A verdadeira sabedoria pode ser alcan\u00e7ada por ambos, pois ela leva ao caminho da felicidade, que nunca pode ser atingido atrav\u00e9s da ignor\u00e2ncia. Ainda, Macaulay entende que o desfrute da vida vindoura depende do n\u00edvel de aprimoramento das virtudes que tivemos neste mundo, e isso n\u00e3o pode ser exclusividade dos homens. Mulheres tamb\u00e9m devem ter a oportunidade de aperfei\u00e7oar a sua sabedoria e desfrutar desse estado futuro de recompensas e puni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo Macaulay, todos os v\u00edcios e imperfei\u00e7\u00f5es que dizem ser inerentes ao sexo feminino, n\u00e3o s\u00e3o de nenhuma maneira derivados de causas sexuais, mas da educa\u00e7\u00e3o e da situa\u00e7\u00e3o. Tal posi\u00e7\u00e3o aparece, por exemplo, na famosa obra <em>Letters to his son <\/em>[Cartas para seu Filho], do Lorde Chesterfield (1694-1773), que afirma que as mulheres s\u00e3o apenas crian\u00e7as, mas com uma estatura maior, e que nunca conheceu uma mulher que conseguisse raciocinar por vinte e quatro horas seguidas. Sobre os estudos acerca da educa\u00e7\u00e3o na sua \u00e9poca, Macaulay afirma que existem muitos preconceitos fr\u00edvolos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das mulheres, mesmo sabendo que n\u00e3o h\u00e1 uma educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tenha ajudado a aperfei\u00e7oar o ser humano, eliminando da mente o erro e aumentando a utilidade do conhecimento adquirido. Ela nota que muitas pessoas acompanham um argumento at\u00e9 certo ponto, para n\u00e3o ferir o embasamento dos seus preconceitos.<\/p>\n<p>Entre os defensores exaustivos da diferen\u00e7a sexual, Macaulay cita Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que no <em>Em\u00edlio <\/em>(1762) afirma que a mulher foi feita especialmente para agradar e ser subjugada pelo homem, com base na lei da natureza, Que o sexo feminino, consequentemente, tem um intelecto inferior ao masculino, e que a Natureza, tentando equalizar as diferen\u00e7as, deu \u00e0s mulheres gra\u00e7as atrativas e insinuativas. Macaulay critica Rousseau no sentido de que ele contraditoriamente defende a ideia de uma \u201cNatureza confusa\u201d, uma Natureza que define caracter\u00edsticas superiores ao sexo masculino, mas que retrocede em suas inten\u00e7\u00f5es ao sujeitar o sexo masculino a uma influ\u00eancia feminina que gera caos e desordem no mundo. No entender de Macaulay, para remediar essa obje\u00e7\u00e3o, Rousseau criou uma pessoa moral da uni\u00e3o dos sexos, o que seria uma contradi\u00e7\u00e3o, na medida em que \u00e9 o orgulho e a sensualidade, e n\u00e3o a raz\u00e3o, que fundamentam a perspectiva de Rousseau, transformando o g\u00eanio masculino em um licencioso pedante. Afinal, qual seria a racionalidade e o prop\u00f3sito da sabedoria divina ao criar algo confuso assim?<\/p>\n<p>Macaulay denuncia a situa\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o das mulheres da sua \u00e9poca, que lhes fazia tender \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 debilidade dos poderes da mente e do corpo. Se os princ\u00edpios e a natureza da virtude s\u00e3o mal ensinados aos meninos, para as meninas, s\u00e3o apenas long\u00ednquos mist\u00e9rios. Todos os ensinamentos que enobrecem o ser n\u00e3o s\u00e3o apresentados \u00e0s mulheres. Ao contr\u00e1rio, uma falsa no\u00e7\u00e3o de beleza e delicadeza, mais os v\u00edcios da vaidade, inveja, aliados \u00e0 ignor\u00e2ncia, formam os elementos prezados na educa\u00e7\u00e3o das mulheres. De acordo com Karen Green, \u201cembora a ret\u00f3rica feminista n\u00e3o fosse central em suas hist\u00f3rias e panfletos anteriores, ela estava totalmente convencida de que a sujei\u00e7\u00e3o das mulheres aos homens n\u00e3o era compat\u00edvel com os princ\u00edpios racionais da justi\u00e7a\u201d (GREEN, 2020).<\/p>\n<p>Mary Wollstonecraft (1759-1797), fil\u00f3sofa inglesa, leu e foi influenciada pela obra de Macaulay. Em seu livro <em>Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/em> (2016), publicado originalmente em 1792, Wollstonecraft cita Macaulay, com as seguintes palavras:<\/p>\n<p>\u201cA palavra \u2018respeito\u2019 traz a sra. Macaulay a minha lembran\u00e7a. Sem d\u00favida, uma das mais talentosas mulheres que este pa\u00eds j\u00e1 apresentou; e, no entanto, morreu sem que se prestasse o devido respeito a sua mem\u00f3ria. A posteridade, contudo, ser\u00e1 mais justa e lembrar\u00e1 que Catharine Macaulay foi um exemplo de qualidades intelectuais que se supunham incompat\u00edveis com a fragilidade de seu sexo\u201d (WOLLSTONECRAFT, 2016, p. 138).<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que Wollstonecraft admirava esta obra de Macaulay, at\u00e9 recentemente n\u00e3o haviam evid\u00eancias de que Macaulay e Wollstonecraft se conheceram. Bridget Hill (1995), no entanto, apresenta cartas, recentemente encontradas, e que foram trocadas entre as duas fil\u00f3sofas, apenas seis meses antes do falecimento de Macaulay. Wollstonecraft escreveu para Macaulay para enviar a segunda edi\u00e7\u00e3o da sua obra<em>, Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos\u00a0dos\u00a0Homens, em uma Carta para o muito Honor\u00e1vel Edmund Burke; ocasionada por suas Reflex\u00f5es sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<\/em> (1790), bem como para prestar sua grande admira\u00e7\u00e3o pela fil\u00f3sofa.<\/p>\n<p>Em todos esses sentidos, Macaulay foi e continua sendo uma fil\u00f3sofa para n\u00e3o ser esquecida. Que ou\u00e7amos Mary Wollstonecraft, duzentos e trinta anos depois, e fa\u00e7amos justi\u00e7a \u00e0 obra de Catharine Macaulay.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>DAVIES, Kate (2005). <em>Catharine Macaulay and Mercy Otis Warren<\/em>, Oxford: Oxford University Press.<\/p>\n<p>DONNELLY, Lucy Martin (1949). \u201cThe Celebrated Mrs Macaulay,\u201d\u00a0<em>William and Mary Quarterly<\/em>, 6 (2): 172\u2013207.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2015). A Moral Philosophy of Their Own? The Moral and Political Thought of Eighteenth-Century British Women. <em>TheMonist<\/em>, 98, 89-101.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2012). When is a contract theorist not a contract theorist? Mary Astell and Catherine Macaulay as critics of Thomas Hobbes. In: <em>Feminist interpretations of Thomas Hobbes.<\/em> \u2013Pennsylvania State University.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>GREEN, Karen (2016). Reassessing the Impact of the \u201cRepublican Virago\u201d. <em>Redescriptions<\/em>, Vol. 19, N\u00ba. 1<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2020). Catharine Macaulay, <em>The Stanford Encyclopedia of Philosophy<\/em> (Fall 2020 Edition), Edward N. Zalta (ed.). Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/plato.stanford.edu\/archives\/sum2020\/entries\/catharine-macaulay\/&gt;.<\/p>\n<p>GREEN, Karen; WEEKES, Shannon (2013). 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Daughter and Mother; some new light on Catharine Macaulay and her family. <em>British journal for eighteenth-century<\/em>, studies 22, p.35-49.<\/p>\n<p>LOOSER, Devoney (2010).\u00a0Catharine Macaulay\u00a0: The \u2018Female Historian\u2019 in Context.\u00a0<em>\u00c9tudes \u00c9pist\u00e9m\u00e8<\/em>\u00a0[En ligne], 17\u00a0|\u00a02010, mis en ligne le\u00a001 avril 2010, consult\u00e9 le\u00a004 f\u00e9vrier 2022.\u00a0Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/journals.openedition.org\/episteme\/666\u00a0;\u00a0DOI\u00a0: https:\/\/doi.org\/10.4000\/episteme.666&gt;.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1767).\u00a0<em>Loose Remarks on certain positions to be found in Mr Hobbes\u2019s \u201cPhilosophical rudiments of government and society,\u201d with a short sketch of a democratical form of government, In a letter to Signor Paoli<\/em>, London: T. Davies, in Russell-street, Covent Garden; Robinson and Roberts, in Pater-noster Row; and T. Cadell, in the Strand.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1770). <em>Observations on a Pamphlet entitled \u201cThoughts on the Cause of the Present Discontents\u201d<\/em>, 4th edition, London: Printed for Edward and Charles Dilly.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1775).\u00a0<em>Address to the People of England, Scotland, and Ireland on the Present Important Crisis of Affairs<\/em>, London: Dilly.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1783).\u00a0<em>A Treatise on the Immutability of Moral Truth<\/em>, London: A. Hamilton.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1790).\u00a0<em>Observations on the Reflections of the Right Hon. Edmund Burke, on the Revolution in France, in a Letter for the Right Hon. The Earl of Stanhope<\/em>, London: C. Dilly.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1790).\u00a0<em>Letters on Education. With observations on religious and metaphysical subjects<\/em>, London: C. 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S\u00e3o Paulo: Boitempo.<\/p>\n<p><strong>Obras de Catharine Macaulay<\/strong><\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1763\u201383).\u00a0<em>The history of England from the accession of James 1. to that of the Brunswick line<\/em>, 8 volumes, London: Printed for the author and sold by J. Nourse, J. Dodsley and W. Johnston. (Volumes 5\u20138 are titled\u00a0<em>The history of England from the accession of James 1. to the Revolution<\/em>, London: C Dilly.)<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1767).\u00a0<em>Loose Remarks on certain positions to be found in Mr Hobbes\u2019s \u201cPhilosophical rudiments of government and society,\u201d with a short sketch of a democratical form of government, In a letter to Signor Paoli<\/em>, London: T. Davies, in Russell-street, Covent Garden; Robinson and Roberts, in Pater-noster Row; and T. Cadell, in the Strand.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1769).\u00a0<em>Loose Remarks on certain positions to be found in Mr Hobbes\u2019 Philosophical Rudiments of Government and society with a short sketch of a democratical form of government in a letter to Signor Paoli by Catharine Macaulay. The Second edition with two letters one from an American Gentleman to the author which contains some comments on her sketch of the democratical form of government and the author\u2019s answer<\/em>, London: W. Johnson, T. Davies, E. and C. Dilly, J. Almon, Robinson and Roberts, T. Cadell.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1770).\u00a0<em>Observations on a Pamphlet entitled \u201cThoughts on the Cause of the Present Discontents\u201d<\/em>, 4th edition, London: Printed for Edward and Charles Dilly.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1774).\u00a0<em>A Modest Plea for the Property of Copy Right<\/em>, Bath: R. Cruttwell.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1775).\u00a0<em>Address to the People of England, Scotland, and Ireland on the Present Important Crisis of Affairs<\/em>, London: Dilly.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1778).\u00a0<em>History of England from the Revolution to the Present Time in a Series of Letters to a Friend<\/em>, Bath: R. Cruttwell.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1783).\u00a0<em>A Treatise on the Immutability of Moral Truth<\/em>, London: A. Hamilton.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1790).\u00a0<em>Observations on the Reflections of the Right Hon. Edmund Burke, on the Revolution in France, in a Letter for the Right Hon. The Earl of Stanhope<\/em>, London: C. Dilly.<\/p>\n<p>MACAULAY, Catharine (1790).\u00a0<em>Letters on Education. With observations on religious and metaphysical subjects<\/em>, London: C. Dilly.<\/p>\n<p><strong>Literatura Secund\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p><em>BECKWITH, Mildred Chaffee (1953). \u2018Catharine Macaulay: Eighteenth-Century Rebel\u2019, Ph.D. Diss. (Ohio State University). <\/em><\/p>\n<p>BOOS, Florence (1976). \u201cCatharine Macaulay\u2019s\u00a0<em>Letters on Education<\/em>\u00a0(1790): An early feminist polemic,\u201d\u00a0<em>University of Michigan Papers in Women\u2019s Studies<\/em>, 2 (2): 64\u201378.<\/p>\n<p>BOOS, Florence, and William Boos (1980). \u201cCatharine Macaulay: Historian and political reformer,\u201d\u00a0<em>International Journal of Women\u2019s Studies<\/em>, 3 (6): 49\u201365.<\/p>\n<p>COFFEE, Alan (2019). \u201cCatharine Macaulay,\u201d in\u00a0<em>The Wollstonecraftian Mind<\/em>, Sandrine Berg\u00e8s, Eileen Hunt Botting, and Alan Coffee (eds.) London: Routledge, pp.198\u2013210.<\/p>\n<p>DAVIES, Kate (2005).\u00a0Catharine Macaulay and Mercy Otis Warren: The Revolutionary Atlantic and the\u00a0Politics of Gender. Oxford and New York: Oxford University Press, 2005.<\/p>\n<p>DONNELLY, Lucy-Martin (1949). \u2018The Celebrated Mrs Macaulay\u2019, William and Mary Quarterly, 6, 172\u2013207;<\/p>\n<p>EGER, Elizabeth; PELTZ, Lucy (2008).\u00a0<em>Brilliant Women: 18th-Century Bluestockings<\/em>, London: National Portrait Gallery.<\/p>\n<p>FOX, Claire Gilbride (1968). Catharine Macaulay, an eighteenth-century Clio. <em>Winterthur Portfolio 4<\/em>: 129-42.<\/p>\n<p>GARDNER, Catherine (1998). \u201cCatharine Macaulay\u2019s\u00a0<em>Letters on Education<\/em>: Odd but Equal,\u201d\u00a0<em>Hypatia<\/em>, 13 (1): 118\u2013137.<\/p>\n<p>GARDNER, Catherine (2000). \u201cCatharine Macaulay\u2019s\u00a0<em>Letters on Education<\/em>: What Constitutes a Philosophical System,\u201d in\u00a0<em>Rediscovering Women Philosophers: Philosophical Genre and the Boundaries of Philosophy<\/em>, Boulder, Colorado: Westview Press, pp.17\u201346.<\/p>\n<p>GEIGER, Marianne B. (1986).\u00a0<em>Mercy Otis Warren and Catharine Macaulay: Historians in the Transatlantic Republican Tradition<\/em>, Ph.D. Dissertation, New York University.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2011). Will the real Enlightenment historian please stand up? Catharine Macaulay versus David Hume. In Hume and the Enlightenment edited by Stephen Buckle and Craig Taylor. London: Pickering &amp; Chatto, 29\u201351.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2012a). Liberty and Virtue in Catharine Macaulay\u2019s Enlightenment Philosophy. Intellectual History Review, 22:3, 411\u201326.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2012b). When is a Contract Theorist not a Contract Theorist? Mary Astell and Catharine Macaulay as Critics of Thomas Hobbes. In Feminist Interpretations of Thomas Hobbes, edited by Nancy Hirschmann and Joanne Wright. State Park: Pennsylvania State University Press, 169\u201389.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2014). A History of Women\u2019s Political Thought in Europe, 1700\u20131800. Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2015). A Moral Philosophy of their Own? The Moral and Political Thought of Eighteenth-Century British Women. The Monist, 98:1, 89\u2013101.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2017). \u201cLocke, Enlightenment, and Liberty in the Works of Catharine Macaulay and her Contemporaries.\u201d In Women and Liberty, 1600\u20131800, edited by Jacqueline Broad, and Karen Detlefsen, 82\u201394. Oxford: Oxford University Press.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2018). \u201cCatharine Macaulay as Critic of Hume.\u201d In Rethinking the Enlightenment, edited by Martin Lloyd, and Geoff Bowden, 113\u2013130. Lanham, M.A: Lexington Books.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2018). \u201cCatharine Macaulay\u2019s Enlightenment Faith and Radical Politics.\u201d History of European Ideas 44: 35\u201348.<\/p>\n<p>GREEN, Karen (2019). The Correspondence of Catharine Macaulay. Oxford New Histories of Philosophy. New York: Oxford University Press.<\/p>\n<p>GREEN, Karen. (2021) Catharine Macaulay and the concept of \u201cradical enlightenment\u201d, Intellectual History Review, 31:1, 165-180.<\/p>\n<p>GREEN, Karen, and Shanon Weekes (2013). Catharine Macaulay on the will. European History of Ideas, 39:3, 409\u201325.<\/p>\n<p>GUNTHER-CANADA (2003), \u201cCultivating Virtue: Catharine Macaulay and Mary Wollstonecraft on Civic Education,\u201d\u00a0<em>Women and Politics<\/em>, 25(3): 47\u201370.<\/p>\n<p>GUNTHER-CANADA (2006), \u201cCatharine Macaulay on the Paradox of Paternal Authority in Hobbesian Politics,\u201d\u00a0<em>Hypatia<\/em>, 21(2): 150\u2013173.<\/p>\n<p>GUNTHER-CANADA, Wendy (1998), \u201cThe Politics of Sense and Sensibility: Mary Wollstonecraft and Catherine Macaulay Graham on Edmund Burke\u2019s\u00a0<em>Reflections on the Revolution in France<\/em>,\u201d in\u00a0<em>Women Writers and the Early Modern Political Tradition<\/em>, H. Smith (ed.), Cambridge: Cambridge University Press, pp.126\u2013147.<\/p>\n<p>HAY, Carla H (1994). \u201cCatharine Macaulay and the American Revolution.\u201d\u00a0The Historian\u00a056, no. 2: 301\u201316.<\/p>\n<p>HICKS, Philip (2002). \u201cCatharine Macaulay\u2019s Civil War: Gender, History, and Republicanism in Georgian Britain.\u201d\u00a0Journal of British Studies\u00a041, no. 2: 170\u201398.<\/p>\n<p>HILL, Bridget (1999). \u2018Daughter and Mother: Some New Light on Catharine Macaulay and her Family\u2019, British Journal for Eighteenth-Century Studies, 22, 35\u201349.<\/p>\n<p>HILL, Bridget (1992).\u00a0<em>The Republican Virago: The Life and Times of Catharine Macaulay, Historian<\/em>, Oxford: Clarendon Press.<\/p>\n<p>HILL, Bridget (1995). \u201cThe Links between Mary Wollstonecraft and Catharine Macaulay: new evidence,\u201d\u00a0<em>Women\u2019s History Review<\/em>, 4 (2): 177\u201392.<\/p>\n<p>HILL, Bridget; HILL, Christopher (1967). \u201cCatharine Macaulay and the Seventeenth Century,\u201d\u00a0<em>The Welsh History Review<\/em>, 3: 381\u2013402.<\/p>\n<p>HILTON, Mary (2007).\u00a0<em>Women and the Shaping of the Nation\u2019s Young: Education and Public Doctrine in Britain 1750\u20131850<\/em>. Aldershot: Ashgate.<\/p>\n<p>HUTTON, Sarah (2005). \u201cLiberty, Equality and God: The Religious Roots of Catharine Macaulay\u2019s Feminism,\u201d in\u00a0<em>Women, Gender and Enlightenment<\/em>, S. Knott and B. Taylor (eds.), Basingstoke: Palgrave Macmillan, pp.538\u2013550.<\/p>\n<p>HUTTON, Sarah (2007). \u201cVirtue, God and Stoicism in the thought of Elizabeth Carter and Catharine Macaulay,\u201d in\u00a0<em>Virtue, Liberty and Toleration: Political Ideas of European Women 1400\u20131800<\/em>, J. Broad and K. Green (eds.), Dordrecht: Springer, pp.137\u2013148.<\/p>\n<p>HUTTON, Sarah (2009). \u201cThe Persona of the Woman Philosopher in Eighteenth-Century England: Catharine Macaulay, Mary Hays, and Elizabeth Hamilton,\u201d\u00a0<em>Intellectual History Review<\/em>, 18 (3): 403\u201312.<\/p>\n<p>LETZRING, Monica (1976). \u201cSarah Prince Gill and the John Adams-Catharine Macaulay Correspondence,\u201d\u00a0<em>Proceedings of the Massachusetts Historical Society<\/em>, 88: 107\u2013111.<\/p>\n<p>LOOSER, Devoney (2003). \u201c\u2018Those Historical Laurels which Once Graced My Brow are Now in The Wane\u2019: Catharine Macaulay\u2019s Last Years and Legacy.\u201d\u00a0Studies in Romanticism\u00a042, no.\u00a0 2: 203-225.<\/p>\n<p>O&#8217;BRIEN, Karen (2009). \u201cCatharine Macaulay&#8217;s Histories of England: Liberty, Civilisation and the Female Historian.\u201d Chapter. In\u00a0Women and Enlightenment in Eighteenth-Century Britain, 152\u201372. Cambridge: Cambridge University Press, 2009. doi:10.1017\/CBO9780511576317.005.<\/p>\n<p>POCOCK, J. G. A. (1998). \u201cCatharine Macaulay: patriot historian,\u201d in\u00a0<em>Women writers and the early modern British political tradition<\/em>, H. Smith (ed.), Cambridge: Cambridge University Press, pp.243\u2013258.<\/p>\n<p>RODRIGUES, Ana Patr\u00edcia (2007). O despertar da consci\u00eancia c\u00edvica feminina: identidades e valores femininos na literatura proto-feminista do s\u00e9culo XVIII. <em>Revista Interac\u00e7\u00f5es<\/em>, N\u00ba. 5, PP. 46-59.<\/p>\n<p>SCHNORRENBERG, Barbara B. (1979). \u201cThe Brood-hen of Faction: Mrs. Macaulay and Radical Politics, 1765\u201375,\u201d\u00a0<em>Albion<\/em>, 11: 33\u201345.<\/p>\n<p>SCHNORRENBERG, Barbara B. (1990). \u201cAn Opportunity Missed: Catherine Macaulay on the Revolution of 1688,\u201d\u00a0<em>Studies in Eighteenth-Century Culture<\/em>, 20: 231\u201340.<\/p>\n<p>STAVES, Susan (1989). \u201c\u2018The Liberty of a She-Subject of England\u2019: Rights Rhetoric and the Female Thucydides.\u201d\u00a0Cardozo Studies in Law and Literature\u00a01, no. 2: 161\u201383.<\/p>\n<p>WARREN, Mercy Otis (2009).\u00a0Mercy Otis Warren: Selected Letters. Edited by Jeffrey H. Richards and Sharon M. Harris. Athens: the University of Georgia Press.<\/p>\n<p>WISEMAN, Susan (2001). \u201cCatharine Macaulay: history, republicanism and the public sphere,\u201d in\u00a0<em>Women, Writing and the Public Sphere, 1700\u20131830<\/em>, E. Eger, C. Grant, C. \u00d3 Gallchoir and P. Warburton (eds.), Cambridge: Cambridge University Press,pp\/181\u2013199.<\/p>\n<p>WITHEY, Lynne E. (1976). \u201cCatharine Macaulay and the Uses of History: Ancient Rights, Perfectionism, and Propaganda, <em>Journal of British Studies<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1731?-1791) PDF &#8211; Catharine Macaulay Por Camila Kulkamp \u2013 Doutoranda no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da Universidade Federal de<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-1336","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1336"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1342,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1336\/revisions\/1342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}