{"id":1386,"date":"2022-07-06T12:08:56","date_gmt":"2022-07-06T15:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=1386"},"modified":"2022-07-06T14:12:20","modified_gmt":"2022-07-06T17:12:20","slug":"mary-wollstonecraft","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/filosofas\/mary-wollstonecraft\/","title":{"rendered":"Mary Wollstonecraft"},"content":{"rendered":"<p>(1759-1797)<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Por <\/span><b>Sarah Bonfim<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> \u2013 membra do projeto New Voices, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">do Grupo de Filosofia Pol\u00edtica da Unicamp e doutoranda em Filosofia (Unicamp), bolsista Fapesp processo 2021\/02257-5 &#8211; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0117787962602105\">Lattes<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/07\/Wollstonecraft-Sarah.pdf\">PDF &#8211; Mary Wollstonecraft<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_1389\" aria-describedby=\"caption-attachment-1389\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1389 size-vp_sm\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/07\/MaryWollstonecraft-500x602.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"602\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/07\/MaryWollstonecraft-500x602.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/07\/MaryWollstonecraft-249x300.jpeg 249w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2022\/07\/MaryWollstonecraft.jpeg 638w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1389\" class=\"wp-caption-text\">Pintura: John Williamson (previamente atribu\u00eddo \u00e0 British School), 1791, Walker Art Gallery, Liverpool, Inglaterra.<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Vida<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft, filha de Elisabeth e Edward, nasceu em 27 de abril de 1759, em Londres, na Inglaterra. Segunda filha de um total de seis Wollstonecraft, desde muito cedo, assume o papel de protetora. Ela protege sua m\u00e3e das agress\u00f5es de seu pai, que tinha problemas com \u00e1lcool, e \u00e9 quem cuida dos irm\u00e3os pequenos, papel que desempenha por grande parte da vida, principalmente com suas irm\u00e3s, Eliza e Everina.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como \u00e9 esperado de uma mo\u00e7a de classe m\u00e9dia no s\u00e9culo XVIII, Wollstonecraft frequenta uma escola para meninas, onde aprende um pouco de aritm\u00e9tica, geografia, um pouco de franc\u00eas, m\u00fasica e dan\u00e7a (Brody, 2000, p. 17). O seu desenvolvimento intelectual deve muito aos amigos que fez durante a vida. A come\u00e7ar por Henry Clare, um reverendo Dissidente (n\u00e3o alinhado ao Anglicanismo do rei) vizinho dos Wollstonecrafts, que percebe o interesse dela por livros e a convida para frequentar a sua biblioteca.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 na biblioteca de Clare que Wollstonecraft tem seu primeiro encontro com grandes nomes da filosofia. Em especial, ela fica muito impressionada pelos escritos de John Locke (1632-1704) contra a tirania. No retrato do tirano feito por Locke, a jovem identifica semelhan\u00e7as com o comportamento de seu pai (cf. Gordon, 2020). Inspirada pela defini\u00e7\u00e3o de liberdade de Locke, ela decide assumir o governo de sua pr\u00f3pria vida. Isso significaria tomar decis\u00f5es por conta pr\u00f3pria \u2014 e arcar com as consequ\u00eancias. A coragem dela \u00e9 extra\u00edda da teoria. Nas palavras da bi\u00f3grafa Charlotte Gordon:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cMary extra\u00eda coragem das teorias de Locke e das obras de Rousseau, que desenvolvia um pouco mais as ideias de Locke, argumentando que a liberdade era o que mais importava, e que a obedi\u00eancia e a subordina\u00e7\u00e3o eram sintomas de opress\u00e3o social.\u201d (Gordon, 2020, p. 68).\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft desde cedo j\u00e1 possu\u00eda uma lucidez sobre sua condi\u00e7\u00e3o social e as opress\u00f5es dela decorrentes, mesmo que ainda n\u00e3o pudesse nome\u00e1-las apropriadamente. Oriunda de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia trabalhadora, precocemente conjecturou sobre as suas possibilidades de subsist\u00eancia. Como n\u00e3o recebeu a heran\u00e7a deixada pelo av\u00f4 paterno, seu destino seria o casamento ou empregos de pouco <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">status<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e baixa remunera\u00e7\u00e3o. Tendo clareza do que significava o casamento para uma mulher, isto \u00e9, estar vulner\u00e1vel a uma s\u00e9rie de viol\u00eancias, tal como aconteceu com sua m\u00e3e, Wollstonecraft optou por buscar um emprego. Ela decidiu deixar a casa de seus pais e partiu para Bath, onde trabalhou como acompanhante. No entanto, por conta do adoecimento da m\u00e3e, retornou para casa. Ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, Wollstonecraft permaneceu com suas irm\u00e3s, acompanhando-as. Ao perceber que uma delas, Eliza, estava sofrendo viol\u00eancia dom\u00e9stica do marido, Wollstonecraft fugiu com ela, deixando o cunhado e o beb\u00ea para tr\u00e1s. Com o intuito de ajudar as irm\u00e3s financeiramente e ao mesmo tempo realizar um sonho, Wollstonecraft abre sua escola em Newington Green.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um pedido de Hannah Burgh, vi\u00fava de James Burgh (1714-1775), educador ingl\u00eas que pleiteou o sufr\u00e1gio universal e a liberdade de express\u00e3o. Hannah financia o projeto de Wollstonecraft, que toma lugar nessa vizinhan\u00e7a ao norte de Londres e que tamb\u00e9m \u00e9 morada de proeminentes figuras pol\u00edticas da \u00e9poca como, por exemplo, Richard Price (1723-1791), que se torna um importante mentor para Wollstonecraft. Pastor Dissidente, Price tinha ideias progressistas e era um ativista pol\u00edtico, sempre reivindicando cidadania completa a todos, independente do sexo ou da classe social. Nele Wollstonecraft encontra inspira\u00e7\u00e3o e amizade, principalmente pelo papel que ambos atribu\u00edam \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Reciprocamente, ele acompanha de perto Wollstonecraft e o seu projeto escolar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A escola em Newington Green tem em seu quadro de funcion\u00e1rias as irm\u00e3s de Wollstonecraft, Everina e Eliza, e a amiga de longa data, Fanny Blood (1758-1785). Embora nenhuma delas tenha uma forma\u00e7\u00e3o que as qualificasse como professoras, elas sabem ler e escrever e a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma maneira digna de se ganhar algum dinheiro. Wollstonecraft se considera uma boa professora, pois \u00e9 \u201cpaciente, razo\u00e1vel e afetuosa\u201d (Brody, 2000, p. 46). Divide entre suas irm\u00e3s e a fam\u00edlia de Fanny o dinheiro que angaria com a matr\u00edcula dos alunos. O projeto educacional de Newington Green \u00e9 o de fomentar a autonomia de pensamento bem como tratar os alunos como indiv\u00edduos dotados de vontade, raz\u00e3o e experi\u00eancias. Com respeito, ternura e misturando diferentes idades e ambos os sexos, Wollstonecraft fomenta a criatividade, a integridade e a autodisciplina. Todavia, a escola n\u00e3o se sustenta por muito tempo por dois motivos. O primeiro, a falta de engajamento de Eliza e Everina. O segundo, o casamento de Fanny, que a levou a deixar a escola e se mudar para Portugal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fanny Blood \u00e9 uma pessoa pela qual Wollstonecraft nutre grandes sentimentos. Amigas de longa data, Wollstonecraft n\u00e3o mede esfor\u00e7os para ir at\u00e9 Fanny quando sabe que a amiga est\u00e1 com problemas na gesta\u00e7\u00e3o. Wollstonecraft, ent\u00e3o, se dirige at\u00e9 Lisboa para acompanhar o parto de Fanny. Complica\u00e7\u00f5es decorrentes do parto foram o motivo da morte de Fanny, que deixa o marido e o filho rec\u00e9m-nascido. Muito abalada pela morte da amiga, Wollstonecraft retorna a Londres e percebe que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a escola permane\u00e7a funcionando, em fun\u00e7\u00e3o do mal gerenciamento de suas irm\u00e3s durante a sua aus\u00eancia. Com a perda de Fanny e o fechamento da escola, John Hewlett (1762-1844) decide ajudar Wollstonecraft e a apresenta a Joseph Johnson (1738-1809), um editor londrino que sugere que ela escreva uma obra educacional, uma vez que j\u00e1 possui experi\u00eancia na \u00e1rea com pr\u00e1ticas originais e progressistas. Ela acata a sugest\u00e3o e o resultado desse incentivo \u00e9 <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/pensamentos-sobre-a-educacao-das-meninas\/\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos sobre a Educa\u00e7\u00e3o das Meninas<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Thoughts on the Education of Daughters<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], publicado por Johnson, em 1786.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora a publica\u00e7\u00e3o marque os primeiros passos de Wollstonecraft como escritora, essa atividade ainda n\u00e3o \u00e9 capaz de custear as d\u00edvidas que ela possui com o fechamento de sua escola. Para san\u00e1-las, aceita uma posi\u00e7\u00e3o de governanta na fam\u00edlia do Lorde Kingsborough, assumindo a responsabilidade pela educa\u00e7\u00e3o das filhas. Aqui \u00e9 importante notar que a vaidade e a superficialidade dos costumes que ela observa na casa dessa fam\u00edlia s\u00e3o, a seu ver, raz\u00e3o para a corrup\u00e7\u00e3o de qualquer possibilidade de virtude. Em poucos meses, ela os deixa, prometendo a si mesma nunca mais \u201ctrabalhar em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o degradante\u201d (Wollstonecraft <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apud<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Gordon, 2020, p. 133).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 nesse momento que ela recebe a proposta de Johnson para dedicar-se \u00e0 editora, trabalhando como resenhista na revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Analitycal Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Em 1787 Wollstonecraft volta a Londres, onde se dedica exclusivamente a sua escrita. Come\u00e7a a escrever o conto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cave of Fancy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Caverna da Imagina\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] e a colet\u00e2nea de textos de apoio para a educa\u00e7\u00e3o feminina intitulada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Female Reader<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Leitora Feminina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">]. \u00c9 nesse per\u00edodo que ela lan\u00e7a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Original Stories from Real Life<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hist\u00f3rias Originais da Vida Real<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], inspirando-se em sua viv\u00eancia na casa dos Kingsborough. As vendas deste \u00faltimo<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">foram um sucesso, garantindo a Wollstonecraft a possibilidade de se sustentar apenas com a sua escrita (cf. Brody, 2000, p. 66).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0 medida que Wollstonecraft demonstra seus talentos para a escrita, Johnson confere a ela cada vez mais responsabilidades. Uma delas \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o de obras educacionais em outros idiomas. Mais uma vez, Wollstonecraft demonstra habilidade autodidata: aprende os idiomas sozinha e realiza tradu\u00e7\u00f5es de obras do franc\u00eas e do alem\u00e3o. Um fato curioso das tradu\u00e7\u00f5es feitas por Wollstonecraft \u00e9 o de que ela subverte alguns dos conte\u00fados presentes nas obras. Um exemplo dado por Charlote Gordon (2020, pp. 142-3) \u00e9 o da obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Moralisches Elementarbuch nebst einer Anleitung zum n\u00fctzlichen Gebrauch desselben<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [no portugu\u00eas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Elementos de moralidade para o uso de crian\u00e7as<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], do alem\u00e3o Christian Salzmann (1744-1811), no qual Wollstonecraft reescreve passagens inteiras que se referem \u00e0 defesa da aristocracia e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das meninas. Apenas recentemente essa interven\u00e7\u00e3o foi notada. Essa estrat\u00e9gia brilhante, como nota Gordon, j\u00e1 anuncia a posi\u00e7\u00e3o da fil\u00f3sofa desde muito jovem: a de enfrentar teses de grandes escritores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda que clandestinamente, atitudes como essa s\u00e3o fundamentais dentro de sua carreira de escritora. Para Gordon (2020, p. 144), o fato de ningu\u00e9m ter descoberto a interven\u00e7\u00e3o de Wollstonecraft fez com que ela se encorajasse ainda mais para expressar suas opini\u00f5es. Assim, ela caminha a passos largos para se tornar a grande fil\u00f3sofa reivindicat\u00f3ria, tanto da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Direitos dos Homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1790) como da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1792).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, agora como autora de obras not\u00e1veis, \u00e9 tamb\u00e9m frequentadora de espa\u00e7os que permitiriam encontros com pessoas como o fil\u00f3sofo anarquista William Godwin (1756-1836). Obstinada em observar de perto a Fran\u00e7a p\u00f3s-revolucion\u00e1ria, Wollstonecraft se muda para Versalhes no final do ano de 1792. Nessa mudan\u00e7a, ela conhece Gilbert Imlay, norte-americano com quem tem sua primeira filha, Fanny \u2014 nome dado em homenagem a sua amiga. Nesse per\u00edodo s\u00e3o escritos e lan\u00e7ados An<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Historical and a Moral View about the Origin and Progress of French Revolution<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uma Vis\u00e3o Hist\u00f3rica e Moral sobre a Origem e o Progresso da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (1794) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters written during short residence in Sweden, Norwegen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">and Denkmark<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cartas Escritas Durante uma Breve Resid\u00eancia na Su\u00e9cia, Noruega e Dinamarca<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (1795).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1795 ela volta a Londres e, apesar de ter conquistado boa parte dos seus anseios intelectuais, Wollstonecraft ainda tem que lidar com muitas perdas e complica\u00e7\u00f5es da vida ordin\u00e1ria, como \u00e9 o caso de ser abandonada por Imlay, que a deixa sozinha com a pequena Fanny. A tristeza a leva a tentar suic\u00eddio e, felizmente, isso n\u00e3o se concretiza. Johnson se reaproxima de Wollstonecraft e a traz novamente para o c\u00edrculo intelectual dos Dissidentes. \u00c9 nesse espa\u00e7o que Wollstonecraft se reencontra com William Godwin e se envolve romanticamente com ele.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao engravidar pela segunda vez em 1797 e temerosa das consequ\u00eancias pr\u00e1ticas do abandono masculino \u2014 como foi o caso com Imlay \u2014, Wollstonecraft casa-se com Godwin. A princ\u00edpio, ambos moram em casas separadas e mant\u00eam uma vida independente. O nascimento da beb\u00ea, que mais tarde ficaria famosa por ser a escritora de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Frankenstein<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> sob o pseud\u00f4nimo de Mary Shelley, acontece no come\u00e7o de setembro de 1797. A rec\u00e9m-m\u00e3e acabou sucumbindo \u00e0s complica\u00e7\u00f5es do parto, vindo a falecer em 10 de setembro de 1797, em Londres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m das obras mencionadas, algumas obras receberam edi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas ou revisadas postumamente por William Godwin, tais como o conto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Cave of Fancy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Caverna da Imagina\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (1787), a colet\u00e2nea de textos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Female Reader: Or Miscellaneous Pieces in Prose and Verse; Selected from the Best Writers, and Disposed under Proper Heads; for the Improvement of Young Women<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A leitora feminina: ou miscel\u00e2nea de trechos em prosa e verso; sele\u00e7\u00f5es dos melhores escritores e dispostas sob t\u00edtulos apropriados; para o aperfei\u00e7oamento de jovens mulheres] (1789) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary, a Fiction<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary, uma Fic\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (1796).<\/span><\/p>\n<p><b>Obra<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft \u00e9 uma escritora vers\u00e1til, que transita entre diversos g\u00eaneros textuais. Cartas, panfletos, hist\u00f3rias infantis, manual de conduta, romance e tratado filos\u00f3fico s\u00e3o alguns deles. O estilo de escrita dela tamb\u00e9m \u00e9 marcante, pois ela n\u00e3o poupa o uso da ironia, do cotejamento direto das obras e da primeira pessoa. \u00c9 uma escritora autodidata, que aperfei\u00e7oa o of\u00edcio da escrita na medida em que desenvolve os seus trabalhos. \u00c9, tamb\u00e9m uma escrita apaixonada e, em geral, feita no compasso da impress\u00e3o: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, foram escritos e publicados em 3 e 6 semanas, respectivamente. A fim de facilitar uma introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento de Wollstonecraft, apresento alguns trabalhos selecionados divididos em dois grandes temas: pedag\u00f3gicos e pol\u00edticos, com destaque para a liberdade e opress\u00e3o. No primeiro grupo, destacam-se as sugest\u00f5es de Wollstonecraft para educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens e, no segundo grupo, as impress\u00f5es, cr\u00edticas e sugest\u00f5es referente aos direitos das mulheres, em especial, a educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><b>Escritos pedag\u00f3gicos<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A primeira publica\u00e7\u00e3o de Wollstonecraft \u00e9 a obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Thoughts on the Education of Daughters: with reflexions about female conduct in the more importante duties of life [Pensamentos sobre a Educa\u00e7\u00e3o das Meninas: com reflex\u00f5es sobre a conduta feminina nos mais importantes deveres da vida]<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de 1786. Nessa obra, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel observar a forma\u00e7\u00e3o de um tema perene no trabalho de Wollstonecraft: o desenvolvimento intelectual das mulheres e a necessidade de se rever como as meninas s\u00e3o tratadas na sociedade. O destaque da obra \u00e9 a disputa da ideia do que seria uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dama Adequada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, isto \u00e9, qual deveria ser o modelo ideal feminino a ser difundido atrav\u00e9s da literatura de conduta. Outras obras, tais como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Father\u2019s Legacy to his Daughters<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Legado de um pai para suas filhas], do Dr. John Gregory (1724-1773), que s\u00e3o mais conservadoras, advertiam que o papel das mulheres era apenas o de obedecer aos seus maridos e esbanjar docilidade. Wollstonecraft n\u00e3o concorda com essa vis\u00e3o e acredita que seria poss\u00edvel conciliar a atividade do cuidado com o desenvolvimento intelectual. Mesmo que ela adote um padr\u00e3o conservador de literatura \u2014 como \u00e9 o caso da literatura de conduta \u2013 ela inova ao apresentar comportamentos diferentes do que eram esperados para as mulheres, como a escrita, a leitura e a elabora\u00e7\u00e3o de opini\u00f5es pr\u00f3prias (cf. Bonfim, 2021).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A segunda publica\u00e7\u00e3o de Wollstonecraft, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Original Stories from Real Life; with Conversations Calculated to Regulate the Affections and Form the Mind to Truth and Goodness <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hist\u00f3rias Originais da Vida Real; com Di\u00e1logos Planejados para Regular os Afetos e Formar a Mente para a Verdade e a Bondade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] de 1787<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 voltada para o p\u00fablico infantil, composta por pequenas hist\u00f3rias que t\u00eam alguma li\u00e7\u00e3o a ser ensinada, tal como caridade, paci\u00eancia e respeito aos animais. Desde a introdu\u00e7\u00e3o, Wollstonecraft deixa claro que o intuito do livro \u00e9 o de apresentar as situa\u00e7\u00f5es forjadas que servem para que as crian\u00e7as aprendam atrav\u00e9s delas, uma vez que exemplos s\u00e3o mais eficientes para o ensino infantil do que apenas teoria. A grande inova\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hist\u00f3rias Originais da Vida Real<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 ter duas meninas no centro do processo de aprendizagem, sem se limitar a ensinar-lhes \u201ccoisas de meninas\u201d. Wollstonecraft faz quest\u00e3o de que suas personagens, Mary e Caroline, aprendam tudo o que deveria ser acess\u00edvel a qualquer ser humano, independente do sexo biol\u00f3gico e de suas implica\u00e7\u00f5es. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hist\u00f3rias Originais da Vida Real<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> se manteve como uma obra essencial no aconselhamento sobre o desenvolvimento moral infantil por quase cinquenta anos (Gordon, 2020, p. 141).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary, a Fiction<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1787) [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary, uma Fic\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u00e9 um romance com elementos autobiogr\u00e1ficos. A personagem principal demonstra ag\u00eancia sobre suas a\u00e7\u00f5es, bem como contraria o que \u00e9 esperado de uma mulher \u2014 sendo, por exemplo, uma figura oposta \u00e0 Sofia, personagem de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) (cf. Wollstonecraft, 2004, p. 5). Assim como em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos sobre a Educa\u00e7\u00e3o das Meninas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, nessa obra Wollstonecraft tamb\u00e9m demarca a sua posi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica ao que era socialmente esperado das mulheres, como \u00e9 o caso do casamento e do desenvolvimento da raz\u00e3o. Inclusive, \u00e9 por ter aprendido a refletir que a personagem Mary \u00e9 t\u00e3o melanc\u00f3lica no decorrer da hist\u00f3ria: ela n\u00e3o consegue compreender o motivo do casamento compuls\u00f3rio para as mulheres \u2014 e no caso dela, arranjado. Ela resiste em permanecer fechada em casa e busca alternativas, como viagens e intera\u00e7\u00f5es sociais. No entanto, o romance acaba com Mary casada e dependente de seu marido. A frase que fecha o romance imagina um mundo em que h\u00e1 outras cen\u00e1rios poss\u00edveis para as mulheres: \u201cela pensou estar se apressando para um mundo onde n\u00e3o ter\u00e1 de se casar nem ceder ao casamento\u201d (Wollstonecraft, 2004, p. 53)<\/span><\/p>\n<p><b>2. Escritos pol\u00edticos\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft inicia a tem\u00e1tica de equidade social na obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Vindication of the Rights of Men<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], de 1790. Em formato de carta, cujo remetente \u00e9 Edmund Burke e as suas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reflex\u00f5es sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1790), Wollstonecraft aborda temas como a import\u00e2ncia da raz\u00e3o no governo das paix\u00f5es, a virtude como sustent\u00e1culo social e uma fervorosa oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 escravid\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 importante destacar que a oposi\u00e7\u00e3o que Wollstonecraft marca com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Burke \u00e9 dupla, isto \u00e9, \u00e9 de ordem est\u00e9tica e pol\u00edtica. \u00c9 est\u00e9tica porque ela se op\u00f5e ao uso de uma ret\u00f3rica floreada, que Burke utiliza ao apelar para o sentimentalismo de seus leitores e n\u00e3o \u00e0 racionalidade deles. De acordo com Wollstonecraft, a \u201cindigna\u00e7\u00e3o\u201d que ela diz sentir ao ler a obra de Burke \u201cfoi despertada pelos argumentos sof\u00edsticos\u201d, que a cada momento atravessavam-na, \u201cna forma question\u00e1vel de sentimentos naturais e bom senso\u201d (Wollstonecraft, 1993, p. 3). Al\u00e9m disso, \u00e9 uma oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica porque Wollstonecraft questiona Burke sobre a defesa que ele faz de determinada organiza\u00e7\u00e3o social, na qual o costume e a tradi\u00e7\u00e3o funcionam como embasamento das leis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por exemplo, em determinado ponto de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ao recusar obedi\u00eancia cega aos reis \u2014 defendida por Burke como uma \u201cconstitui\u00e7\u00e3o moral [oriunda] do cora\u00e7\u00e3o\u201d \u2014 Wollstonecraft argumenta que os governantes merecem respeito e n\u00e3o devo\u00e7\u00e3o de seus s\u00faditos. Ela tamb\u00e9m defende a separa\u00e7\u00e3o entre a raz\u00e3o e as paix\u00f5es. As paix\u00f5es de in\u00edcio n\u00e3o s\u00e3o nem boas nem ruins, por\u00e9m devem ser submetidas \u00e0 raz\u00e3o a fim de garantir que colaborem no aperfei\u00e7oamento da virtude das pessoas (1993, p. 31). Dessa maneira, ao contr\u00e1rio do que Burke defende, n\u00e3o deve ser tarefa das paix\u00f5es ditar a moral, mas da raz\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A raz\u00e3o, em constante aperfei\u00e7oamento, permite que a moral fique cada vez mais adequada. Um exemplo \u00e9 a escravid\u00e3o. Wollstonecraft rebate Burke afirmando que, em algum momento da hist\u00f3ria, o tr\u00e1fico de pessoas foi amparado pela lei e pela moral, por\u00e9m, n\u00e3o deve mais ser tolerado de modo algum, pois n\u00e3o \u00e9 racionalmente justific\u00e1vel que um ser humano seja considerado uma propriedade e que seja impedido de ser livre (cf.: 1993, p. 51).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A quest\u00e3o de determinada moral que n\u00e3o faz mais sentido tamb\u00e9m figura nas p\u00e1ginas de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, onde, no entanto, como j\u00e1 sugere o t\u00edtulo, ela \u00e9 especificada para o caso das mulheres. Inspirada por <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/catharine-macaulay\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Catharine Macaulay<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, Wollstonecraft argumenta que o pacto social n\u00e3o \u00e9 justo pois n\u00e3o \u00e9 esperado que homens e mulheres tenham a mesma conduta em termos de aperfei\u00e7oamento das virtudes (cf. Wollstonecraft, 2016, p. 219). Em especial, ela salienta que os costumes e a tradi\u00e7\u00e3o ditam como as mulheres deveriam se portar, n\u00e3o em termos de virtudes, isto \u00e9, qualidades que elevam o ser moral, mas sim em virtudes negativas que ditam comportamentos e outras qualidades ef\u00eameras, tais como a beleza f\u00edsica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com o objetivo de nivelar o terreno sobre o qual devem se assentar as virtudes, Wollstonecraft estabelece um princ\u00edpio que serve de alicerce para o seu argumento pela equidade feminina. Raz\u00e3o, virtude e conhecimento, para ela, s\u00e3o as \u201cverdades mais simples\u201d (Wollstonecraft, 2016, p. 31) e devem ser as reguladoras do aperfei\u00e7oamento. Atuando de maneira conjunta, essas concep\u00e7\u00f5es devem amparar o desenvolvimento humano \u2014 que acontece pelo interm\u00e9dio da educa\u00e7\u00e3o. Todos os seres humanos \u2014 independentemente de acidentes externos, isto \u00e9, aspectos biol\u00f3gicos, geogr\u00e1ficos e sociais \u2014, s\u00e3o dotados de raz\u00e3o, e possuem a capacidade de serem virtuosos, mesmo que em diferentes graus. A humanidade como um todo pode adquirir conhecimentos que, quando acumulados, tornam-se experi\u00eancia. Acontece que Wollstonecraft constata que as mulheres n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddas nessa ideia de humanidade, uma vez que s\u00e3o tratadas de modo diferente pelo Estado, pelas Constitui\u00e7\u00f5es e pelos te\u00f3ricos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Wollstonecraft tem como oponente Edmund Burke, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> esse oponente \u00e9 Jean-Jacques Rousseau, especificamente sobre o que ele escreveu na obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Em\u00edlio ou da Educa\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1762). \u00c9 fato que ela partilha de v\u00e1rias das posi\u00e7\u00f5es de Rousseau. No entanto, como bem define Barbara Taylor (2017), em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Wollstonecraft \u00e9 mais uma \u201cdisc\u00edpula enfurecida do que uma inimiga intelectual\u201d do genebrino (p. 216). E o motivo da f\u00faria de Wollstonecraft \u00e9 o modo com que Rousseau constr\u00f3i a personagem Sofia, esposa de Em\u00edlio, que, embora cativante, \u00e9, de acordo com Wollstonecraft, totalmente \u201cinatural\u201d (2016, p. 45). Em especial Wollstonecraft tamb\u00e9m se indisp\u00f5e com o modo com o qual Rousseau trata da faculdade racional no caso das mulheres. Para ele, a capacidade de raz\u00e3o das mulheres \u00e9 apenas de ordem pr\u00e1tica, isto \u00e9, seriam incapaz de abstrair e generalizar. Nas palavras dele:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA procura das verdades abstratas e especulativas, dos princ\u00edpios, dos axiomas nas ci\u00eancias, tudo o que tende a generalizar as ideias n\u00e3o<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 d<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">a<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">compet\u00eancia das mulheres, seus estudos devem todos voltar-se para a pr\u00e1tica; cabe a elas fazerem a aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios que o homem encontrou, e cabe a elas fazerem as observa\u00e7\u00f5es que levam o homem ao estabelecimento de tais princ\u00edpios.\u201d (Rousseau, JJ. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Em\u00edlio ou da Educa\u00e7\u00e3o<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2014, p. 565)\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Wollstonecraft, ao promover essa raz\u00e3o deficiente, Rousseau forja um ser <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">quim\u00e9rico <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e afasta as mulheres da possibilidade de adquirir conhecimento, tendo como consequ\u00eancia a impossibilidade de o g\u00eanero feminino alcan\u00e7ar a virtude. Nesse sentido, ela afirma que a const\u00e2ncia e a virtude, que Rousseau alega n\u00e3o serem da al\u00e7ada feminina, de fato ser\u00e3o vetadas \u00e0s mulheres enquanto elas estiverem sujeitas a um sistema de educa\u00e7\u00e3o que visa formar seres <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">pela metade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e n\u00e3o em desenvolv\u00ea-las como seres humanos integrais. Wollstonecraft questiona: como \u201cp\u00f4de Rousseau esperar que elas [as mulheres] fossem virtuosas e constantes, quando n\u00e3o \u00e9 permitido que a raz\u00e3o seja o fundamento de sua virtude nem a verdade o objeto de suas indaga\u00e7\u00f5es?\u201d (Wollstonecraft, 2016, p. 121). O erro de Rousseau \u00e9 deter-se entre os seus pr\u00f3prios sentimentos, que ofuscaram suas virtudes e fizeram de sua imagina\u00e7\u00e3o uma faculdade f\u00e9rtil demais. O resultado \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de um sistema que mais oprime do que promove as mulheres, atrasando n\u00e3o s\u00f3 o desenvolvimento delas mas o da sociedade como um todo:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cTodos os erros do pensamento de Rousseau, por\u00e9m, surgiram da sensibilidade, e as mulheres est\u00e3o sempre prontas a perdoar a sensibilidade a seus encantos! Quando deveria ter raciocinado, ele tornou-se apaixonado, e a reflex\u00e3o inflamou sua imagina\u00e7\u00e3o, em vez de iluminar seu entendimento. At\u00e9 mesmo suas virtudes levaram-no a conclus\u00f5es err\u00f4neas; tendo nascido com uma constitui\u00e7\u00e3o calorosa e uma imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil, ele foi levado pela natureza at\u00e9 o outro sexo com uma inclina\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00e1vida que logo se tornou lascivo. Se tivesse dado vida a esses desejos, o fogo teria se extinguido de maneira natural, mas a virtude e uma esp\u00e9cie rom\u00e2ntica de delicadeza o fizeram praticar a abnega\u00e7\u00e3o; ainda assim, quando o medo, a delicadeza ou a virtude o restringiram, ele abusou de sua imagina\u00e7\u00e3o e, refletindo sobre as sensa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais a fantasia deu for\u00e7a, ele as tra\u00e7ou com as cores mais resplandecentes e as afundou no mais profundo de sua alma.\u201d (Wollstonecraft, 2016, p. 121)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A postura cr\u00edtica que Wollstonecraft assume com rela\u00e7\u00e3o ao modelo feminino rousseauista permite com que ela imagine outras possibilidades para as mulheres para al\u00e9m do espa\u00e7o dom\u00e9stico, como, por exemplo, a possibilidade de se tornarem profissionais da sa\u00fade, (cf. 2016, p. 228) e at\u00e9 representarem outras mulheres politicamente (cf. 2016, p. 190). Wollstonecraft busca, desde <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos sobre a Educa\u00e7\u00e3o das Meninas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1786), estender \u00e0s mulheres aquilo que Rousseau defende no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Em\u00edlio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, mas restringe aos homens. Em poucas palavras, ela tem por objetivo proporcionar \u00e0s meninas uma educa\u00e7\u00e3o que desenvolva h\u00e1bitos de virtude e autonomia, e que seja capaz de garantir a perfectibilidade da raz\u00e3o de todos os seres humanos, sem distin\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A quest\u00e3o da perfectibilidade da raz\u00e3o \u00e9 um importante argumento tanto em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> como em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">O dever de desenvolvimento da raz\u00e3o ganha relev\u00e2ncia na Reivindica\u00e7\u00e3o de 1792, ao partir de um quadro te\u00f3rico-metaf\u00edsico, no qual Wollstonecraft afirma que homens e mulheres possuem uma raz\u00e3o a desenvolver, cujo prop\u00f3sito deve ser a perfectibilidade, isto \u00e9, o aperfei\u00e7oamento da faculdade de raz\u00e3o. A consequ\u00eancia desse aperfei\u00e7oamento vai desde o plano pessoal at\u00e9 o social. Por serem perfect\u00edveis, os seres humanos devem se desenvolver e \u00e9 papel de um Estado que \u00e9 virtuoso garantir isonomia entre os cidad\u00e3os \u2014 independentemente do sexo, para que esse objetivo comum seja atingido\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Embora em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Wollstonecraft passe muito rapidamente sobre o papel do Estado para o desenvolvimento das virtudes dos indiv\u00edduos, \u00e9 em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">An Historical and a Moral View of the Origin and Progress of French Revolution <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uma Vis\u00e3o Hist\u00f3rica e Moral da Origem e Progresso da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa]<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1794), que ela desenvolve uma tese fundacionista da sociedade, bem como extrai diagn\u00f3sticos sobre a condi\u00e7\u00e3o na qual se encontram tanto a Fran\u00e7a quanto a Inglaterra ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1789.\u00a0 \u00c9 nessa obra, tamb\u00e9m,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">que ela p\u00f4de se deter em explicar como as formas de governo impactam na capacidade de virtude de uma popula\u00e7\u00e3o. Por exemplo, ao favorecer os mais ricos e n\u00e3o proteger os mais pobres e vulner\u00e1veis, para Wollstonecraft, o Estado estaria indo de encontro a um de seus princ\u00edpios mais fundamentais. De acordo com ela:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cTendo a natureza tornado os homens desiguais, dando poderes f\u00edsicos e mentais mais fortes a uns do que aos outros, o objetivo do governo deveria ser destruir essa desigualdade protegendo os fracos. Em vez disso, sempre se inclinou para o lado oposto, desgastando-se por desconsiderar o primeiro princ\u00edpio de sua organiza\u00e7\u00e3o.\u201d (Wollstonecraft, 1993, p. 289).<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que Wollstonecraft defende \u00e9 que os governos sejam justos no trato com os seus cidad\u00e3os, n\u00e3o permitindo que poderes individuais impliquem na diminui\u00e7\u00e3o do bem-estar geral. O papel do governo seria o de garantir que ningu\u00e9m tivesse um poder maior do que outra pessoa baseando-se apenas em elementos heredit\u00e1rios. E \u00e9 nessa dire\u00e7\u00e3o que em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uma Vis\u00e3o Hist\u00f3rica e Moral <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">ela reitera o que j\u00e1 afirmara em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: a faculdade da raz\u00e3o e n\u00e3o o costume deveria ser a base das leis civis. Comparado \u00e0 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uma Vis\u00e3o Hist\u00f3rica e Moral <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">mant\u00e9m a ideia de que a raz\u00e3o, e n\u00e3o o decoro ou a tradi\u00e7\u00e3o, deve guiar a mulher em suas decis\u00f5es da vida privada e p\u00fablica. Em suma, a raz\u00e3o \u00e9 um tema perene que possui um papel central na literatura de Wollstonecraft, sendo a pedra angular que embasa uma perspectiva tanto do ponto de vista generificado (isto \u00e9, do sexo biol\u00f3gico) quanto da esp\u00e9cie humana.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cPara fazer com que a humanidade seja mais virtuosa e, claro, mais feliz, ambos os sexos devem agir de acordo com os mesmos princi\u0301pios; mas como isto pode ser esperado quando apenas a um deles se permite enxergar a razoabilidade desses princi\u0301pios? Para fazer com que o pacto social seja verdadeiramente equitativo e a fim de difundir esses princi\u0301pios esclarecedores, os u\u0301nicos capazes de melhorar o destino do homem, deve-se permitir a\u0300s mulheres que lancem os alicerces de sua virtude no conhecimento, o que e\u0301 muito pouco possi\u0301vel, a na\u0303o ser que sejam educadas com as mesmas atividades que os homens.\u201d (Wollstonecraft, 2016, p. 223-4)<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Legado<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A meu ver, a vida e a obra de Wollstonecraft se confundem, encontrando-se nos momentos de revolta e coragem. H\u00e1 um enorme senso de responsabilidade com o contexto hist\u00f3rico e amor \u00e0 liberdade. Wollstonecraft n\u00e3o recebeu o merecido reconhecimento de seus pares contempor\u00e2neos, permanecendo assim por todo s\u00e9culo XIX. J\u00e1 durante o s\u00e9culo XX, ainda que seja retomada pelas sufragistas, ela fica \u00e0 margem dos estudos acad\u00eamicos. No Brasil, apenas em 2016 ela \u00e9 retomada como uma te\u00f3rica pol\u00edtica, ao ter uma obra traduzida para a l\u00edngua portuguesa, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Por ora, aguardamos outras tradu\u00e7\u00f5es para o portugu\u00eas de suas obras para a amplia\u00e7\u00e3o dos estudos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os escritos wollstonecraftianos ainda permanecem atuais e tanto sua obra quanto sua vida servem de inspira\u00e7\u00e3o para a cont\u00ednua luta pelo reconhecimento dos direitos das mulheres. Que ecoem seus conselhos sobre enfrentar os desafios no caminho para a emancipa\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o deixe que algumas pequenas dificuldades a intimidem, eu imploro; \u2014 enfrente quaisquer obst\u00e1culos em vez de submeter-se a um estado de depend\u00eancia \u2014 digo isso do fundo do cora\u00e7\u00e3o. \u2014 J\u00e1 senti o peso e gostaria que voc\u00ea o evitasse de todas as formas.\u201d (Wollstonecraft apud Gordon, 2020, p. 88).<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p><b>Obras de Wollstonecraft<\/b><\/p>\n<p><b>Traduzidas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, M (2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Ivania Pocinho Motta. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial.<\/span><\/p>\n<p><b>Ainda n\u00e3o traduzidas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, M (1993). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Vindication of the Right of Men and A Vindication of the Rights of Woman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Oxford: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, M (2018a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Thoughts on the Education of Daughters<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Altenmuster: Jazzy Bee.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, M (2018b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Original Stories from Real Life; with Conversations Calculated to Regulate the Affections, and Form the Mind to Truth and Goodness<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Altenmuster:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jazzy Bee.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, M (2004). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary and Maria.<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400\">Nova York: Peckering and Chatto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, M (2009). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters written in Sweden, Norway, and Denmark.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Oxford: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p><b>Sobre a vida de Wollstonecraft<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Todd, J (2000). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft: a Revolutionary Life<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova York: Columbia University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Todd, J (org.) (2003). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Collected Letters of Mary Wollstonecraft. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Nova York: Columbia University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Brody, M (2000). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft: mother of women\u2019s rights.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Oxford &amp; Nova York: Oxford University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Godwin, W (1797). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Memoirs of the author of Vindication of Rights of Woman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Londres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Gordon, C (2020). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mulheres Extraordin\u00e1rias: As Criadoras e a Criatura<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Rio de Janeiro: Dark Side.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wolf, V (2015). \u201cQuatro figuras: Mary Wollstonecraft\u201d. In: Wolf, V. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O valor do riso e outros ensaios <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(p. 221-229). S\u00e3o Paulo: Cosac Naify.<\/span><\/p>\n<p><b>Sobre a obra de Wollstonecraft<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Berg\u00e8s, S (2013). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Routledge Guidebook to Wollstonecraft\u2019s A Vindication of the Rights of Woman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Routledge.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Berg\u00e8s, S &amp; Coffee, A (orgs.) (2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Social and Political Philosophy of Mary Wollstonecraft<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Oxford: Oxford University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Berg\u00e8s, S. Botting, E. H. &amp; Coffee, A (orgs.) (2019) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Wollstonecraftian Mind<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Routledge.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Botting, E. H (2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, Mill, &amp; Women\u2019s Human Rights<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New Heaven &amp; London: Yale University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Halldenius, L (2015). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft and Feminist Republicanism: independence, rights, and the experience of unfreedom<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: Pucking and Chatto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Johnson, C (2002). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Cambridge Companion to Wollstonecraft.<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400\">Cambridge: Cambridge University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Miranda, A. R (2010). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft e a reflex\u00e3o sobre os limites do pensamento liberal e democr\u00e1tico a respeito dos direitos femininos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1759-1797). (Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em hist\u00f3ria) Setor de Ci\u00eancias Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paran\u00e1, Curitiba.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Miranda, A. R (2017). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Proto-feministas na Inglaterra setecentista: Mary Wollstonecraft, Mary Hays e Mary Robinson<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sociabilidade, subjetividade e escrita de mulheres<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. (Tese de Doutorado em Hist\u00f3ria)\u00a0Setor de Ci\u00eancias Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paran\u00e1, Curitiba.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Motta, I. P. (2009). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A import\u00e2ncia de ser Mary: An\u00e1lise e Tradu\u00e7\u00e3o da obra \u201cVindication of the Rights of Woman\u201d de Mary Wollstonecraft<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Annablume.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nunes, S. B. M. (2021). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O papel da raz\u00e3o na emancipa\u00e7\u00e3o feminina: Mary Wollstonecraft e sua Reivindica\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. (Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Filosofia) Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nunes, S. B. M. (2021). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Resenha de \u201cPensamentos sobre a Educa\u00e7\u00e3o das Meninas\u201d.<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas: Mulheres na Filosofia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">7<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, (2), pp. 11-21. Dispon\u00edvel <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/pensamentos-sobre-a-educacao-das-meninas\/\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 25 de mar\u00e7o de 2022.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rodrigues, A. P. A. F (2011). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O despertar da Consci\u00eancia C\u00edvica Feminina: Identidade e valores da pedagogia feminina de finais do s\u00e9culo XVIII<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. (Tese de doutorado em estudos de literatura e de cultura) Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sapiro, V (1992). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Vindication of Political Virtue<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Chicago &amp; Londres: The University of Chicago Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Taylor, B. (2017). \u201cWollstonecraft e Rousseau: Solitary Walkers\u201d. In: Rosenblatt, H &amp; Schweigert, P (orgs). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Thinking with Rousseau: from Machiavelli to Schmmit<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (pp. 211-234). Cambridge: Cambridge University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Taylor, B (2003). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft and the feminist imagination<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Cambridge: Cambridge University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Taylor, N. F (2007).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> The Rights of Woman as Chimera: the Political Philosophy of Mary Wollstonecraft<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova York &amp; Londres: Routledge, 2007.<\/span><\/p>\n<p><b>Outros materiais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">The Wollstonecraft Society. Organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos. Londres. https:\/\/www.wollstonecraftsociety.org\/\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PPGFIL\/UFPI. Di\u00e1logos Filos\u00f3ficos com Yara Frateschi: \u201cCatharine Macaulay e Mary Wollstonecraft contra Jean Jacques Rousseau\u201d. Youtube. 06 de agosto de 2021. Dispon\u00edvel <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CKcs57ruD0g&amp;t=5s\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rede Brasileira de Mulheres Fil\u00f3sofas. Mulheres leem Mulheres: Sarah Bonfim l\u00ea Mary Wollstonecraft. 06 de novembro de 2021. Dispon\u00edvel <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Z1bNqoNPcnM&amp;t=2s\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Boitempo. Mary Wollstonecraft e o documento fundacional do Feminismo: atualidades e limites. Debate com Eunice Ostrensky e Maria Lygia Quartim de Moraes e media\u00e7\u00e3o de Sarah Bonfim. 07 de mar\u00e7o de 2022. Dispon\u00edvel <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jXpFhlEgeik&amp;t=122s\"><span style=\"font-weight: 400\">aqui<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1759-1797) Por Sarah Bonfim \u2013 membra do projeto New Voices, do Grupo de Filosofia Pol\u00edtica da Unicamp e doutoranda em<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":23,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-1386","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1386"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1386\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1397,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1386\/revisions\/1397"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/23"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}