{"id":1765,"date":"2023-06-27T11:31:30","date_gmt":"2023-06-27T14:31:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=1765"},"modified":"2023-06-28T16:45:50","modified_gmt":"2023-06-28T19:45:50","slug":"cristina-da-suecia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/cristina-da-suecia\/","title":{"rendered":"Cristina da Su\u00e9cia"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center\"><b>Cristina da Su\u00e9cia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1626 &#8211; 1689)<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Ethel Menezes Rocha<\/span><b>, <\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">professora titular do\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro <\/span><span style=\"font-weight: 400\">&#8211; <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5751999755915979\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/06\/Verbete-Cristina-da-Suecia-PDF.docx.pdf\">PDF &#8211; Cristina da Su\u00e9cia<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1766\" aria-describedby=\"caption-attachment-1766\" style=\"width: 439px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1766\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/06\/Cristina_de_Suecia_a_caballo_Bourdon.jpg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/06\/Cristina_de_Suecia_a_caballo_Bourdon.jpg 1684w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/06\/Cristina_de_Suecia_a_caballo_Bourdon-263x300.jpg 263w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/06\/Cristina_de_Suecia_a_caballo_Bourdon-898x1024.jpg 898w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/06\/Cristina_de_Suecia_a_caballo_Bourdon-768x876.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/06\/Cristina_de_Suecia_a_caballo_Bourdon-1347x1536.jpg 1347w\" sizes=\"(max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1766\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e9bastien Bourdon, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cristina da Su\u00e9cia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, \u00f3leo sobre tela, 1653<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cristina da Su\u00e9cia (Kristina av Sverige) ou Cristina da Vasa ou Cristina Alexandra, tamb\u00e9m referida como Rainha Cristina, nasceu em Estocolmo no dia 8 de dezembro de 1626, segundo o calend\u00e1rio Juliano, ent\u00e3o ainda em uso na Su\u00e9cia, que tem um atraso de 10 dias com rela\u00e7\u00e3o ao calend\u00e1rio Gregoriano. Segundo o calend\u00e1rio Gregoriano, Cristina da Su\u00e9cia nasceu em 18 de dezembro de 1626, portanto. Filha \u00fanica de Gustavo II Adolfo, rei da Su\u00e9cia no per\u00edodo de 1611 at\u00e9 sua morte em 1632, e de Marie Eleonore, ela \u00e9 fruto da quarta gesta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a morte de tr\u00eas filhos. Nasceu empelicada, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">condi\u00e7\u00e3o rara na qual a crian\u00e7a permanece envolta na bolsa amni\u00f3tica ap\u00f3s sair de dentro da m\u00e3e, ocultando a evid\u00eancia definitiva acerca de seu sexo. No momento do nascimento, foi declarado que a crian\u00e7a era um menino, o que ia de encontro \u00e0s expectativas da corte por um herdeiro rei guerreiro.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Horas mais tarde, quando o erro foi desfeito, o rei, segundo a pr\u00f3pria Cristina <\/span><span style=\"font-weight: 400\">da Su\u00e9cia<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, que v\u00e1rias vezes disse ter ouvido os relatos de sua tia, n\u00e3o expressou qualquer decep\u00e7\u00e3o, nem mesmo surpresa, declarando imediatamente que \u201cA menina ter\u00e1 o mesmo valor para mim que um menino\u2026Ela ser\u00e1 inteligente, pois nos enganou a todos\u201d. H\u00e1 conjecturas (por exemplo, Veronica Buckley (2009)) de que o erro acerca de seu sexo se deu porque, apesar de experientes, as parteiras se viram diante de uma crian\u00e7a com genit\u00e1lia amb\u00edgua; outros, (por exemplo, Susan Flantzer (2021)) atribuem o erro ao fato da crian\u00e7a rec\u00e9m nascida ter chorado com voz forte e rouca e ser muito peluda.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Criada como pr\u00edncipe,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Cristina da Su\u00e9cia, desde o dia de seu nascimento, foi considerada a herdeira do trono. Em novembro de 1632, na batalha de L\u00fctzen, o rei Gustavo foi morto e, assim, com quase seis anos, ela herdou o trono, sendo a partir de ent\u00e3o chamada de \u201cmenina rei\u201d. Aos dezoito anos, foi oficialmente coroada Rainha da Su\u00e9cia. O te\u00f3logo Johannes Matthiae Gothus tornou-se seu tutor, com quem teve aulas de religi\u00e3o, filosofia, grego e latim. O chanceler Oxenstierna, ent\u00e3o chefe do Conselho Real da Su\u00e9cia, ensinou-lhe pol\u00edtica e a admitiu pela primeira vez em reuni\u00f5es do Conselho quando ela tinha apenas 14 anos. Oxenstierna dizia com orgulho que a menina n\u00e3o se parecia com mulher e que ela tinha uma intelig\u00eancia brilhante. Al\u00e9m de sueco, grego e latim, ela aprendeu pelo menos oito outras l\u00ednguas: alem\u00e3o, holand\u00eas, dinamarqu\u00eas, franc\u00eas, italiano, \u00e1rabe e hebraico e dominava as disciplinas consideradas essenciais para um rei guerreiro: hipismo, esgrima e estrat\u00e9gia militar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cristina da Su\u00e9cia logo adquiriu para sua biblioteca uma s\u00e9rie de valiosas obras e manuscritos raros. O invent\u00e1rio elaborado na \u00e9poca menciona uma centena de livros de arte de diferentes tipos, entre eles dois manuscritos mundialmente famosos: o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Codex Argenteus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">a famosa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">B\u00edblia de Prata<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, escrita em Ravena no s\u00e9culo VI <\/span><span style=\"font-weight: 400\">e o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Codex Gigas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, conhecido como a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">B\u00edblia do Diabo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, atualmente considerado o maior manuscrito medieval existente no mundo, criado no in\u00edcio do s\u00e9culo XIII, na Bo\u00e9mia. Ela trouxe para Estocolmo pinturas, est\u00e1tuas de m\u00e1rmore e de bronze, moedas e medalh\u00f5es, pe\u00e7as de cristal, instrumentos cient\u00edficos, manuscritos e livros. A rainha se interessava tamb\u00e9m por teatro, especialmente pelas pe\u00e7as de Pierre Corneille, sendo ela pr\u00f3pria uma atriz amadora. A partir de 1638, contratou uma trupe de bal\u00e9 franc\u00eas sob o comando de Antoine de Beaulieu, que tamb\u00e9m teve a fun\u00e7\u00e3o de lhe ensinar a movimentar-se com eleg\u00e2ncia. O poeta da corte Georg Stiernhielm escreveu v\u00e1rias pe\u00e7as na l\u00edngua sueca, tendo Cristina da Su\u00e9cia no papel principal. Em 1651, o cabalista Menasseh ben Israel tornou-se seu bibliotec\u00e1rio para livros e manuscritos hebraicos. Dentre os ilustres estudiosos que a visitaram nesse per\u00edodo est\u00e3o: Claude Saumaise, Johannes Schefferus, Olaus Rudbeck, Johann Heinrich Boeckler, Gabriel Naud\u00e9, Christian Ravis, Nicolaas Heinsius e Samuel Bochart, Ren\u00e9 Descartes, Pierre Daniel Huet e Marcus Meibomius. E dentre os que mantinham correspond\u00eancia com a rainha est\u00e3o Pierre Gassendi e Blaise Pascal. Segundo escreve Goldsmith (1935) \u201cseu desejo de reunir homens de conhecimento ao seu redor, bem como livros e manuscritos raros, tornou-se quase uma mania\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em sua autobiografia, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Drottning Cristinas Sjiilvbiograji<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A vida da rainha Cristina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (1681), Cristina da Su\u00e9cia afirma sentir \u201cuma avers\u00e3o insuper\u00e1vel pelo casamento\u201d e \u201cpor todas as coisas que mulheres falavam e faziam\u201d. Ocupava-se principalmente com seus estudos, e dormia de tr\u00eas a quatro horas por noite. Vestia roupas e cal\u00e7ava sapatos masculinos e seu cabelo rebelde era sua marca registrada. A seu respeito, tamb\u00e9m em sua autobiografia, ela diz: \u201cTenho desprezado demais as boas maneiras que pertencem ao meu sexo, que muitas vezes me fazem parecer pior do que realmente sou &#8230; e eu rio com frequ\u00eancia demais e muito alto e ando muito r\u00e1pido &#8230; uma consequ\u00eancia da minha natureza impulsiva\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cristina da Su\u00e9cia passava a maior parte de seu tempo livre com Ebba Sparre, com quem compartilhava, segundo ela pr\u00f3pria em sua autobiografia \u201cum companheirismo \u00edntimo de longa data\u201d e que foi apresentada ao embaixador ingl\u00eas Whitelocke como sua inteligente e bela \u201ccompanheira de cama\u201d. Embora tenha sido um tema frequentemente tratado pelos historiadores de sua vida, n\u00e3o h\u00e1 consenso acerca de se ao longo de sua vida a rainha manteve rela\u00e7\u00f5es heterossexuais, n\u00e3o sexuais, l\u00e9sbicas, bissexuais e\/ou intersexuais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de sua extravag\u00e2ncia e do luxo de sua corte, em seu reinado a Su\u00e9cia desenvolveu-se bastante: foi fundado o primeiro jornal sueco (1645), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ordinari Post Tijdender<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, atualmente o mais antigo jornal publicado no mundo; surgiu o primeiro regulamento escolar nacional; a ci\u00eancia e a literatura foram incentivadas; o com\u00e9rcio, as f\u00e1bricas e a minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deram grandes passos. Em toda a Europa a chamavam de \u201cSem\u00edramis do Norte\u201d, em alus\u00e3o \u00e0 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">lend\u00e1ria rainha da Ass\u00edria, fundadora da Babil\u00f4nia<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1657, a popularidade de Cristina da Su\u00e9cia sofreu um grande abalo quando, em Fontainebleau, ordenou a execu\u00e7\u00e3o do marqu\u00eas Gian Rinaldo Monaldeschi, ex-l\u00edder do partido franc\u00eas em Roma e seu mestre em cavalaria. Depois de dois meses de suspeita da deslealdade de Monaldeschi e de secretamente ler sua correspond\u00eancia, ela ordenou sua morte. Apesar de n\u00e3o ter sido a primeira por ela ordenada, essa foi uma execu\u00e7\u00e3o sem processo legal, sem ju\u00edzes e n\u00e3o foi cumprida pelo Estado. A mando da rainha, Monaldeschi foi esfaqueado por seus criados \u2014 principalmente Ludovico Santinelli \u2014 no est\u00f4mago e no pesco\u00e7o. Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o, o papa Alexandre VII, negou-se a receber Cristina da Su\u00e9cia quando esta voltou a Roma e a descreveu como \u201cuma mulher nascida de um b\u00e1rbaro, educada barbaramente e vivendo com pensamentos b\u00e1rbaros [&#8230;] com um orgulho feroz e quase intoler\u00e1vel\u201d (Signac, 2021). Cristina da Su\u00e9cia hospedou-se por um per\u00edodo no Palazzo Farnese e, para al\u00edvio do papa, por um contrato assinado pelo cardeal Azzolino, seu amigo e contador, em julho de 1659 mudou-se para o\u00a0Palazzo Riario (hoje o Corsini, no Lungara em Roma), em Trastevere, onde viveu o resto de sua vida, embora algumas vezes viajando para outros pa\u00edses como Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a e Su\u00e9cia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Culta, inteligente, irreverente e carism\u00e1tica, amante das artes, da literatura e dos cavalos, temperamental e vingativa. Uma das mulheres mais espirituosas e instru\u00eddas de sua \u00e9poca, Cristina da Su\u00e9cia \u00e9 lembrada por seu pr\u00f3digo patroc\u00ednio \u00e0s artes e influ\u00eancia na cultura europeia. Quando estabeleceu sua corte em Roma, ela dedicou-se especialmente \u00e0s artes, \u00e0s ci\u00eancias e \u00e0 cultura. O Palazzo Riario continha a maior cole\u00e7\u00e3o de pinturas da escola veneziana j\u00e1 montada, bem como esculturas e outras pinturas not\u00e1veis, que inclu\u00edam desenhos de Rafael, Michelangelo, Caravaggio, Ticiano, Veronese e Goltzius e retratos de seus amigos Azzolino, Bernini, Ebba Sparre, Descartes, embaixador Chanut e doutor Bourdelot. Tornou-se ponto de encontro de intelectuais e m\u00fasicos. Tanto em seu primeiro ano (1656) no Palazzo Farnese, quanto nos anos que se seguiram, no Palazzo Riario, em sua <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Accademia Reale<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> havia regularmente discuss\u00f5es sobre diversos temas. Fundou a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Accademia dell&#8217;Arcadia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> para filosofia e a literatura, que ainda existe em Roma, e por seu incentivo foi inaugurada a primeira casa de \u00f3pera p\u00fablica em Roma, a Tordinona. Foi, al\u00e9m, disso, patrona da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Accademia degli Stravaganti<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Accademia dei Misti<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e emprestou seu Palazzo para os encontros iniciais de funda\u00e7\u00e3o da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Accademia dell\u2019Esperienze<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de Giovanni Ciampinis. Sua biblioteca, ap\u00f3s sua morte, continha cerca de 4500 livros e 2200 manuscritos do per\u00edodo medieval ao renascimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O fato de ter sido educada como um menino destinado a reinar, provavelmente ajudou Cristina da Su\u00e9cia a estabelecer sua autoridade e conferiu-lhe a capacidade de quebrar os c\u00f3digos de conduta e escrita que algumas mulheres de sua posi\u00e7\u00e3o ainda propagavam acerca da fragilidade de seu sexo. E o fato de nunca deixar de militar por coer\u00eancia entre discursos e a\u00e7\u00f5es, op\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e escolhas da vida, caracteriza sua filosofia, antes de tudo, como uma filosofia pr\u00e1tica, moral e pol\u00edtica que, segundo alguns historiadores, explica, inclusive, sua convers\u00e3o ao catolicismo. Em suas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e1ximas <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1626-1689), ela comenta: \u201c\u00c9 preciso conhecer o mundo moralmente, n\u00e3o apenas fisicamente ou matematicamente\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Abdica\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cristina <\/span><span style=\"font-weight: 400\">da Su\u00e9cia <\/span><span style=\"font-weight: 400\">abdicou de seu trono em 6 de junho de 1654, aos 27 anos, em favor de seu primo Carlos X Gustavo.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Durante a cerim\u00f4nia de abdica\u00e7\u00e3o no Castelo de Uppsala, ela vestiu suas ins\u00edgnias, que foram cerimonialmente removidas dela, uma a uma. Porque Per Brahe, recusou-se a remover a coroa da ex-rainha, ela mesma o fez. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Deixou a Su\u00e9cia logo ap\u00f3s seu primo ser coroado. Em virtude da tens\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es entre a Su\u00e9cia e a Dinamarca, por seguran\u00e7a, Cristina da Su\u00e9cia cavalgou em traje de homem como Conde Dohna da Dinamarca, passando pela Alemanha e Holanda, estabelecendo-se finalmente em Antu\u00e9rpia, na B\u00e9lgica.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Convers\u00e3o\u00a0<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No ano de 1651, Cristina da Su\u00e9cia teve longas conversas com o jesu\u00edta Antonio Macedo, secret\u00e1rio e int\u00e9rprete do embaixador de Portugal. Nessas conversas, os temas que mais a interessavam eram as vis\u00f5es cat\u00f3licas sobre o pecado, a imortalidade da alma, a racionalidade e o livre arb\u00edtrio.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> \u00a0Em agosto desse mesmo ano, Macedo levou consigo uma carta secreta de Cristina <\/span><span style=\"font-weight: 400\">da Su\u00e9cia <\/span><span style=\"font-weight: 400\">para o\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Superior Geral da Companhia de Jesus\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">em Roma. Como resposta, dois jesu\u00edtas viajaram para a Su\u00e9cia em miss\u00e3o secreta, disfar\u00e7ados e utilizando nomes falsos. Apesar de ter sido educada na religi\u00e3o luterana, decidia-se a converter-se ao catolicismo. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Nesse mesmo ano, trabalhando pelo menos dez horas por dia, ela teve o que alguns interpretaram como um colapso nervoso. Por uma hora ela pareceu estar morta. Como tratamento, o m\u00e9dico franc\u00eas Pierre Bourdelot aconselhou-a a estudar e trabalhar menos e buscar mais prazer na vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 24 de dezembro de 1654, converteu-se \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica na presen\u00e7a dos dominicanos Juan Gu\u00eames, Raimondo Montecuccoli e Pimentel, mas n\u00e3o declarou sua convers\u00e3o em p\u00fablico, o que foi feito s\u00f3 no final de 1655. Teve ent\u00e3o sua viagem para Roma planejada pelo Vaticano e sua entrada oficial em Roma ocorreu no dia 20 de dezembro de 1655, atrav\u00e9s da Porta Flaminia, hoje conhecida como Porta del Popolo. Recebeu, ent\u00e3o, a confirma\u00e7\u00e3o do papa na Bas\u00edlica do Vaticano que lhe deu seu segundo nome, Alexandra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com base em algumas declara\u00e7\u00f5es de Cristina da Su\u00e9cia, autores como Cassirer (1997) sustentam que Descartes teria sido o exemplo moral influente sobre ela para que esta se identificasse com o catolicismo. Uma dessas declara\u00e7\u00f5es \u00e9 uma resposta de Cristina da Su\u00e9cia, tempos depois da morte de Descartes, na ocasi\u00e3o do transporte de seus ossos a Paris, em 1667. Quando lhe perguntaram se os livros de Descartes (ent\u00e3o constantes no Index dos livros proibidos) realmente pertenciam \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica, ela teria respondido que Descartes teria lhe dado as primeiras luzes sobre o catolicismo. Uma outra \u00e9 quando, dez anos mais tarde, 1677, ela escreve que \u00e9 grata a Descartes por certas coisas que tornaram mais f\u00e1cil superar as dificuldades da religi\u00e3o cat\u00f3lica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Susanna Akerman (1991), a partir de op\u00fasculos produzidos em Bruxelas, Paris e Roma no ano de 1655, sustenta que Cristina da Su\u00e9cia se converteu ao catolicismo por raz\u00f5es pol\u00edticas e que a rainha adota uma filosofia libertina. Esses op\u00fasculos, que apresentam discuss\u00f5es sobre abdica\u00e7\u00e3o e filosofia libertina, evidenciam, segundo a autora, o quanto as opini\u00f5es de Cristina da Su\u00e9cia influenciavam o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o de uma subcultura encabe\u00e7ada, sobretudo, por escritores que faziam oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o e ao Estado. Akerman considera cruciais alguns elementos no desenvolvimento filos\u00f3fico de Cristina da Su\u00e9cia que sustentam suas pr\u00e1ticas na alquimia, seu misticismo quietista e sua convers\u00e3o ao catolicismo: suas ideias sobre a imortalidade, sua tese de um \u00fanico esp\u00edrito universal, sua doutrina sobre a alma do mundo e sua ado\u00e7\u00e3o do atomismo espiritual inspirado no hermetismo.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Filosofia<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os escritos de Cristina da Su\u00e9cia incluem uma vasta correspond\u00eancia com autoridades pol\u00edticas e religiosas, a maioria em torno dos epis\u00f3dios de sua abdica\u00e7\u00e3o e de sua imediata convers\u00e3o do protestantismo ao catolicismo. Suas cartas est\u00e3o reunidas nos dois volumes das <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Lettres choisies de Christine de Su\u00e8de <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cartas escolhidas de Cristina da Su\u00e9cia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], publicadas originalmente em 1759, em Villefranche, por Hardi Fil\u00f3crates. S\u00e3o cartas endere\u00e7adas a Gassendi, Grotius, Pascal, Louis XIV, Mademoiselle de Montpensier, Mademoiselle Lefevre, Condessa de Bregi, Pr\u00edncipe de Cond\u00e9, Duque de Orl\u00e9ans, e outros. H\u00e1 apenas uma carta de agradecimento a Descartes por ter respondido suas quest\u00f5es enviadas via Chanut. Muitos de seus escritos refletem conversas e estudos feitos com personalidades reconhecidas do mundo erudito, incluindo os fil\u00f3sofos Ren\u00e9 Descartes, Pierre Gassendi, Blaise Pascal. Cristina da Su\u00e9cia \u00e9 autora de uma importante, embora inacabada, autobiografia, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Drottning Cristinas Sjiilvbiograji<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A vida da rainha Cristina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], dedicada a Deus, iniciada em Roma em 1681. Sua filosofia moral \u00e9 exposta em um conjunto de 1300 m\u00e1ximas, escritas no per\u00edodo de 1671-7, n\u00e3o publicadas durante sua vida, que incluem coment\u00e1rios sobre as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e1ximas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de La Rochefoucauld e m\u00e1ximas pessoais: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Les<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Sentiments H\u00e9roiques<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">L&#8217;Ouvrage de Loisir: Les Sentiments Raisonnables <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sentimentos her\u00f3icos e Livros de lazer: sentimentos razo\u00e1veis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">]. Dentre seus escritos mais importantes h\u00e1 tamb\u00e9m uma biografia de Alexandre, o Grande, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">R\u00e9flexions diverses sur la vie et les actions du grand Alexandre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reflex\u00f5es sobre a vida e as a\u00e7\u00f5es de Alexander o Grande<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] e<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">reflex\u00f5es sobre as virtudes e v\u00edcios de C\u00e9sar, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">R\u00e9flexions sur la vie et l&#8217;\u0153uvre de C\u00e9sar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reflex\u00f5es sobre a vida e o trabalho de Cesar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">textos em que exalta o que ela considerava o modelo ideal do monarca; uma homenagem a Ciro II, o Grande, al\u00e9m de alguns versos l\u00edricos sobre amor. Cristina da Su\u00e9cia fez, ainda, esbo\u00e7os de equipamentos de laborat\u00f3rio e iniciou uma obra maior: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Paradossi Chimici <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Paradoxos Qu\u00edmicos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As preocupa\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas de Cristina da Su\u00e9cia s\u00e3o principalmente de natureza \u00e9tica e pol\u00edtica e, em grande parte, giram em torno da quest\u00e3o da autoridade, do amor e da amizade. Sua teoria da virtude se concentra nas virtudes heroicas que ela acredita essenciais para o governante bem-sucedido. Sua teoria pol\u00edtica e sua filosofia religiosa enfatizam o uso leg\u00edtimo do poder. Embutidas em sua filosofia moral est\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es epistemol\u00f3gicas e metaf\u00edsicas secund\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em suas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Maximes et pens\u00e9es <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e1ximas e pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], que incluem cr\u00edticas \u00e0s<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">m\u00e1ximas de La Rochefoucauld<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">e duas cole\u00e7\u00f5es de m\u00e1ximas pessoais, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sentimentos Razo\u00e1veis e Sentimentos Her\u00f3icos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Cristina da Su\u00e9cia exp\u00f5e sua filosofia moral, que tem como foco quest\u00f5es de psicologia moral, como as virtudes e as paix\u00f5es, al\u00e9m de preocupa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Em algumas passagens de seu coment\u00e1rio sobre as m\u00e1ximas de La Rochefoucauld, ela concorda com sua posi\u00e7\u00e3o c\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 virtude, mas em muitas outras passagens ela esbo\u00e7a uma teoria alternativa. Cristina da Su\u00e9cia discorda do relato negativo de La Rochefoucauld sobre as paix\u00f5es e as considera o \u00e1pice da perfei\u00e7\u00e3o humana. \u201cA paix\u00e3o muitas vezes transforma o homem mais brilhante em um tolo e muitas vezes torna os maiores tolos brilhantes. Acho que a paix\u00e3o aperfei\u00e7oa tudo\u201d (M\u00e1xima n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">o<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.1). Ainda em oposi\u00e7\u00e3o a La Rochefoucauld, ela nega que a emo\u00e7\u00e3o desordenada possa causar ou fortalecer a virtude moral e enfatiza o poder do amor e sua presen\u00e7a na estrutura fundamental do ser humano. Ainda em seu coment\u00e1rio \u00e0s m\u00e1ximas de La Rochefoucauld, afirma ser a trai\u00e7\u00e3o de um amigo uma injusti\u00e7a t\u00e3o grave que justifica uma profunda desconfian\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o ao ex-amigo. \u201cH\u00e1 momentos em que se pode e se deve desconfiar dos amigos sem ofender nenhum amigo ou amizade. Ser traidor \u00e9 a vergonha de quem trai, mas sofrer a trai\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa vergonha\u201d (M\u00e1xima n\u00ba 34).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O foco central da filosofia pol\u00edtica de Cristina da Su\u00e9cia \u00e9 a quest\u00e3o da autoridade e sua rela\u00e7\u00e3o com a soberania. A prosperidade do Estado, segundo ela, depende do car\u00e1ter e da habilidade de seu governante. O regime absolutista em que o governante adquire virtudes heroicas \u00e9 o regime pol\u00edtico ideal. \u201c\u00c9 o m\u00e9rito pessoal, n\u00e3o as diferen\u00e7as entre Estados, o que explica a diferen\u00e7a entre reis\u201d (Sentimentos her\u00f3icos n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">o<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> 30). \u201cOs pr\u00edncipes devem amar a sua grandeza acima de todas as coisas\u201d (Sentimentos her\u00f3icos n\u00ba 315).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assim como sua filosofia pol\u00edtica, a filosofia religiosa de Cristina da Su\u00e9cia se concentra na quest\u00e3o da autoridade. A verdade do catolicismo decorre de sua autoridade dada por Deus. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 encontrada apenas na submiss\u00e3o \u00e0 autoridade da Igreja. \u201cDeus s\u00f3 explica Sua vontade por seu \u00fanico or\u00e1culo, que \u00e9 a Igreja Cat\u00f3lica Romana, fora da qual n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o. Devemos nos submeter cegamente e sem reservas a todos os seus decretos\u201d (Sentimentos her\u00f3icos n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">o<\/span><span style=\"font-weight: 400\">1). Ecoando o movimento quietista que a interessou por um tempo, Cristina da Su\u00e9cia defende o abandono \u00e0 provid\u00eancia divina: \u201c\u00c9 preciso resignar-se cegamente \u00e0 vontade de Deus no tempo e na eternidade\u201d (Sentimentos razo\u00e1veis n\u00ba 349). Apesar de seu entusiasmo pelo catolicismo em muitas m\u00e1ximas, ela denuncia a hipocrisia dos excessivamente devotos: \u201cOs preconceituosos preocupam-se muito com os pecados do pr\u00f3ximo, mas pouco se preocupam com os seus pr\u00f3prios\u201d (Sentimentos razo\u00e1veis n\u00ba 374).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tradicionalmente considera-se a intera\u00e7\u00e3o filosoficamente mais significativa de Cristina da Su\u00e9cia a que manteve com Descartes. O di\u00e1logo filos\u00f3fico entre ela e Descartes \u00e9 travado inicialmente por meio do embaixador franc\u00eas Chanut, amigo de Descartes, que em 1646 lhe escreve transmitindo as quest\u00f5es da rainha: O que \u00e9 o amor? A Luz natural nos ensina a amar Deus? O que \u00e9 pior, o mau uso do amor ou o mau uso do \u00f3dio? Quest\u00f5es que, segundo Chanut, envolviam o termo \u201camor\u201d no sentido em que os fil\u00f3sofos usam e n\u00e3o \u201ccomo frequentemente soa nos ouvidos das meninas\u201d (Chanut a Descartes 1\/12\/1646).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em sua longa resposta de oito p\u00e1ginas, Descartes remete a quest\u00e3o \u00e0 sua metaf\u00edsica dualista e \u00e0 quest\u00e3o teol\u00f3gica acerca de alma e mat\u00e9ria, sustentando que o mau uso do amor pode ser pior do que o mau uso do \u00f3dio porque a for\u00e7a do amor nos cega mais do que o \u00f3dio. Cristina da Su\u00e9cia volta a questionar Descartes, e no novo questionamento coloca duas quest\u00f5es, segundo ela, cr\u00edticas ao pensamento de Descartes, que mostram a incompatibilidade entre o que seria a tese cartesiana da infinitude do mundo criado por Deus e o que diz as Sagradas Escrituras: A) Se admite-se a infinitude da mat\u00e9ria do mundo, ent\u00e3o deve-se admitir tamb\u00e9m a infinitude de todas as suas partes e assim, deve-se admitir um conflito com as teses das Escrituras Sagradas da cria\u00e7\u00e3o e do fim do mundo. B) Se o mundo \u00e9 assim t\u00e3o vasto quanto afirma Descartes, o ser humano n\u00e3o pode ter um lugar privilegiado na cria\u00e7\u00e3o e ter o mundo feito para ele, mas, ao contr\u00e1rio, deve considerar-se em conjunto com todo o universo, devendo mesmo pensar que as estrelas t\u00eam habitantes ou que seres mais inteligentes e melhores do que ele habitam as terras em torno das estrelas (a Chanut para Descartes 11\/5\/1647). Em resposta, Descartes pretende esclarecer o mal-entendido de Cristina da Su\u00e9cia (a Chanut 6\/6\/1647). Retomando a distin\u00e7\u00e3o feita nos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Princ\u00edpios da Filosofia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(I, 26) entre infinito e indefinido, Descartes de in\u00edcio pontua que, segundo seu vocabul\u00e1rio, s\u00f3 Deus \u00e9 infinito, porque s\u00f3 no caso de Deus entendemos positivamente n\u00e3o haver limite sob nenhum aspecto; sendo indefinido tudo aquilo sobre o que n\u00e3o encontramos limite. Visto que, no caso da mat\u00e9ria que comp\u00f5e o mundo, \u00e9 imposs\u00edvel provar ou mesmo conceber algum limite j\u00e1 que \u00e9 apenas extens\u00e3o em largura, longura e profundidade, a mat\u00e9ria \u00e9 indefinida e n\u00e3o infinita. Ao compreender a extens\u00e3o do mundo desse modo, afirma Descartes, \u00e9 preciso admitir apenas que n\u00e3o h\u00e1 tempo imagin\u00e1vel antes da cria\u00e7\u00e3o do mundo no qual Deus poderia ter criado o mundo ou n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio negar que tenha havido o ato de cria\u00e7\u00e3o, mas apenas que o Criador est\u00e1 na eternidade e n\u00e3o no tempo da mat\u00e9ria, que n\u00e3o \u00e9 infinita e sim indefinida. Quanto \u00e0 segunda quest\u00e3o, Descartes responde retomando o que afirma nos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Princ\u00edpios da Filosofia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(III, 2), que n\u00e3o somos obrigados a crer que o ser humano \u00e9 o fim da cria\u00e7\u00e3o: \u201cDevemos cuidar para n\u00e3o sermos t\u00e3o arrogantes a ponto de pensarmos que entendemos os prop\u00f3sitos de Deus ao criar o mundo. Seria o m\u00e1ximo da arrog\u00e2ncia se imagin\u00e1ssemos que todas as coisas foram criadas por Deus simplesmente para nosso benef\u00edcio [&#8230;]\u201d. Descartes acrescenta que qualquer ser pode atribuir a si pr\u00f3prio uma posi\u00e7\u00e3o privilegiada, o que explica que no livro da G\u00eanesis, escrito por um ser humano, o ser humano apare\u00e7a em lugar privilegiado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda por meio de carta a Chanut, Cristina da Su\u00e9cia pergunta as opini\u00f5es de Descartes sobre \u201co bem supremo entendido no sentido dos antigos fil\u00f3sofos\u201d e pede que este lhe explique sua doutrina moral. Em resposta \u00e0 rainha (20 \/11\/1647) Descartes define o bem soberano, que considera ser a \u00fanica coisa que nos torna louv\u00e1veis \u200b\u200bou conden\u00e1veis, como sendo \u201ca firme e constante resolu\u00e7\u00e3o de fazer exatamente todas as coisas que se julga serem as melhores, e empregar todos os poderes de sua mente para conhec\u00ea-los bem\u201d. Tendo come\u00e7ado a ler a vers\u00e3o francesa dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Princ\u00edpios de Filosofia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, no in\u00edcio de 1649, ela convidou Descartes para ir \u00e0 Su\u00e9cia. Descartes deixou a Holanda em 1\u00ba de setembro de 1649 e logo no in\u00edcio de sua visita se viu desapontado com a atitude de Cristina da Su\u00e9cia que nutria um \u201cgrande ardor\u201d por \u201ccultivar a l\u00edngua grega\u201d e \u201ccolecionar muitos livros dos antigos\u201d ao inv\u00e9s de filosofia (a Elizabeth 9\/10\/1649). Em carta a Saumaise (9\/3\/1650), Cristina da Su\u00e9cia deixa claro suas cr\u00edticas a Descartes denunciando sua presun\u00e7\u00e3o insuport\u00e1vel nas discuss\u00f5es com seu professor Isaac Vossius. Longe de ser uma disc\u00edpula d\u00f3cil, que se contenta em repetir um mestre, ela apresenta-se como ju\u00edza intransigente, o que sugere que a filosofia de Descartes n\u00e3o exerce nela um papel formativo, mas, ao contr\u00e1rio, suscita cr\u00edtica e oposi\u00e7\u00e3o. Durante a visita de Descartes, ela lhe pediu que trabalhasse em um projeto para sua Academia, apresentado por ele em 1\u00ba de fevereiro de 1650. Segundo muitos historiadores, nesse mesmo per\u00edodo a rainha solicitou a Descartes um roteiro do bal\u00e9 \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">La Naissance de la Paix\u201d [<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO Nascimento da Paz\u201d], para celebrar a paz que p\u00f4s fim \u00e0 Guerra dos Trinta Anos, apresentando-a como a garantidora da paz em Vestf\u00e1lia. Recentemente, no entanto, Richard A. Watson (2007) argumentou que essa atribui\u00e7\u00e3o depende de uma leitura equivocada de documentos e que a verdadeira autora do bal\u00e9 foi a sindicalista e poetisa francesa H\u00e9lie Poirier.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Poucos dias ap\u00f3s a morte de Descartes, Cristina da Su\u00e9cia encomendou o ent\u00e3o rec\u00e9m publicado trabalho de Gassendi sobre Epicuro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Animadversiones in decimum librum Diogenus Laertii<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Observa\u00e7\u00f5es sobre o livro X de Di\u00f3genes La\u00e9rcio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], em que este pretende compatibilizar a doutrina epicurista sobre filosofia natural com o Cristianismo e exalta a virtude moral segundo Epicuro, a felicidade. Depois de farta correspond\u00eancia entre Gassendi e Cristina da Su\u00e9cia, em que ele escrevia longas cartas e a rainha curtas respostas, Gassendi declinou o convite para visitar Estocolmo. Al\u00e9m da influ\u00eancia de Gassendi, o atomismo de Cristina da Su\u00e9cia toma a forma do neo-atomismo sustentado por Lucrecio que, dentre outras doutrinas, defende a tese de que o mundo tem alma e que esta n\u00e3o se identifica com Deus, mas \u00e9 o calor universal que emana do Sol, ou \u00e9 a energia vital inerente a todas as coisas. Esse novo atomismo, que parte da tend\u00eancia da \u00e9poca pelo interesse nos segredos dos antigos, talvez explique a inclina\u00e7\u00e3o da autora por<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">transmuta\u00e7\u00f5es alquimistas.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Esoterismo<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio do desinteresse que demonstrava com rela\u00e7\u00e3o aos encontros com Descartes em Estocolmo, e do mesmo modo como se interessava por coment\u00e1rios a textos plat\u00f4nicos e textos sobre atomismo, Cristina da Su\u00e9cia interessava-se por alquimia, quietismo, hermetismo e cabalismo, como evidencia o conte\u00fado de sua rica biblioteca. Evid\u00eancias de sua ampla e diversificada leitura s\u00e3o tamb\u00e9m os relatos dos Jesu\u00edtas que em 1651 se encontraram secretamente com ela antes de sua convers\u00e3o ao catolicismo, segundo os quais ela estudava com afinco o pensamento dos antigos, dos judeus e dos her\u00e9ticos. Na correspond\u00eancia de Vossius, fica claro seu interesse pelos Neo-Platonistas Olimpiodoro de Alexandria, em especial os coment\u00e1rios ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">F\u00e9don <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Filebo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (coment\u00e1rios atualmente atribu\u00eddos a Dam\u00e1scio) e Proclo L\u00edcio, por seus coment\u00e1rios ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Alcib\u00edades <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Parm\u00eanides<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Segundo Vossius, Cristina da Su\u00e9cia foi inicialmente levada ao platonismo pela leitura de Giovanni Pico della Mirandola, platonista do renascimento e crist\u00e3o estudioso da cabala. O manuscrito <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Paradossi Chimici<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> mostra que seus estudos da autora de textos herm\u00e9ticos, sua pr\u00e1tica em alquimia e em previs\u00e3o astrol\u00f3gica giravam sempre em torno de algumas mesmas quest\u00f5es: a incid\u00eancia da alquimia sobre a cria\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, a constitui\u00e7\u00e3o das estrelas e das mentes humanas, quest\u00f5es que envolvem, sobretudo, a doutrina herm\u00e9tica da Alma do Mundo que passara por in\u00fameras transforma\u00e7\u00f5es desde a filosofia grega.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A primeira evid\u00eancia clara da pr\u00e1tica sistem\u00e1tica alquimista de Cristina da Su\u00e9cia \u00e9 seu encontro em Roma, em 1665, com o alquimista Olaus Borrichius, que relatou ter com frequ\u00eancia conversado com a rainha sobre mist\u00e9rios e experimentos. Em 1667, em Hamburgo, ela fez experi\u00eancias com o profeta messi\u00e2nico e alquimista, perseguido pela inquisi\u00e7\u00e3o, Giuseppe Francesco Borri. Nesse mesmo ano, a rainha se correspondia com o alquimista e qu\u00edmico Rudolf Glauber, que descobrira o sal milagroso (ou o sulfato de s\u00f3dio). A Glauber, Cristina da Su\u00e9cia colocou 17 quest\u00f5es sobre a natureza de diversos est\u00e1gios alqu\u00edmicos como, por exemplo, de que cor \u00e9 a mat\u00e9ria quando reduzida \u00e0 sua perfei\u00e7\u00e3o \u00faltima, se \u00e9 mut\u00e1vel, se \u00e9 afetada por l\u00edquidos e que doses utilizar em experimentos. Em sua cole\u00e7\u00e3o de manuscritos medievais, cerca de 40 s\u00e3o manuscritos em alquimia e livros de pr\u00e1ticas alquimistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O interesse de Cristina da Su\u00e9cia pelo hermetismo \u00e9 manifesto tamb\u00e9m pela diversidade de livros e manuscritos sobre o tema encontrados em sua biblioteca. Um desses manuscritos \u00e9, por exemplo, o di\u00e1logo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Asclepius<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, atribu\u00eddo a Hermes Trismegistus, que lamenta a chegada do cristianismo na Alexandria e cont\u00e9m uma profecia de que a religi\u00e3o Herm\u00e9tica triunfar\u00e1. Dentre os livros da biblioteca da rainha estavam os 14 livros do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Corpus Hermeticum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, uma tradu\u00e7\u00e3o parcial de um texto tamb\u00e9m atribu\u00eddo a Hermes Trismegistus sobre o Divino no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Timeu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de Plat\u00e3o; o coment\u00e1rio do hermetista Marsilio Ficino sobre o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Parm\u00eanides<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de Plat\u00e3o; a teurgia de J\u00e2mblico; o manuscrito <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hinos \u00d3rficos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que conta a cura da alma de Orfeu pela m\u00fasica; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Steganographia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de Johannes Trithemius sobre a comunica\u00e7\u00e3o entre anjos; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Picatrix <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">de Al-Magritti com a descri\u00e7\u00e3o da cidade Herm\u00e9tica ideal; uma tradu\u00e7\u00e3o latina da obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sefer-h\u00e1-Raziel \u2013 Liber Razielis<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">seu volumen secretorum Dei <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sefer-h\u00e1-Raziel \u2013 O Livro de Raziel ou o volume dos segredos de Deus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], sobre a sabedoria secreta de Ad\u00e3o e do Rei Salom\u00e3o; o livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De occulta<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">filosofia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sobre filosofia oculta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] de Heinrich Cornelius Agrippa em que este pretende controlar a influ\u00eancia celestial associando-se ao esp\u00edritos que habitam a escurid\u00e3o; e o volume de Giordano Bruno, condenado pela Igreja, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De triplico m\u00ednimo et mensura<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sobre triplo m\u00ednimo e medida<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">]<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">em que discute o que ele entende por m\u00f4nada, a mat\u00e9ria m\u00ednima, e apresenta diagramas geom\u00e9tricos explicativos das poss\u00edveis combina\u00e7\u00f5es de superf\u00edcies.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Morte e legado de Cristina da Su\u00e9cia<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cristina da Su\u00e9cia morreu em 1689 aos 62 anos, em decorr\u00eancia de uma pneumonia. Seu t\u00famulo est\u00e1 na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, em Roma, sendo ela uma das \u00fanicas tr\u00eas mulheres ali enterradas. Al\u00e9m de Cristina da Su\u00e9cia, est\u00e3o ali duas outras rainhas tamb\u00e9m consideradas pelo papado como exemplos de hero\u00edsmo e f\u00e9, Matilde de Canosa, senhora feudal e defensora do papado e Maria Clementina Sobieska, filha do rei da Pol\u00f4nia, que na luta entre cat\u00f3licos e protestantes pelo trono ingl\u00eas, defendeu a f\u00e9 cat\u00f3lica. Cristina da Su\u00e9cia pediu um enterro simples no Pante\u00e3o, em Roma, mas o papa insistiu em que ela fosse exibida por quatro dias no Pal\u00e1cio do Riario. Ela foi embalsamada, coberta com brocado branco, uma m\u00e1scara de prata, uma coroa dourada e um cetro. \u00c0 semelhan\u00e7a dos papas, o seu corpo foi colocado em tr\u00eas caix\u00f5es \u2014 um de cipreste, um de chumbo e um de carvalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A vida e a personalidade complexa de Cristina da Su\u00e9cia ao longo dos tempos t\u00eam sido inspira\u00e7\u00e3o para in\u00fameras \u00f3peras, pe\u00e7as, filmes, livros e homenagens dentre os quais, por exemplo, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Forte Cristina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> no rio que tamb\u00e9m recebeu seu nome, nos Estados Unidos, o distrito <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kristiine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, na Est\u00f4nia, o munic\u00edpio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kristinestad<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, na Finl\u00e2ndia; as \u00f3peras <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cristina, regina di Svezia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1849) de Jacopo Foroni, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cristina di Svezia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1840) de Alessandro Nini, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cristina di Svezia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1841) de Giuseppe Lillo e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cristina di Svezia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1855) de Sigismond Thalberg; a pe\u00e7a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kristina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1901) de August Strindberg; os filmes <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Queen Christina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1933), com Greta Garbo, dire\u00e7\u00e3o de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Rouben Mamoulian<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Love and Poison<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1950\/52), com Lois Maxwell, dire\u00e7\u00e3o de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Katell Quill\u00e9v\u00e9r\u00e9, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Abdication<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1974) com Liv Ullmann, dire\u00e7\u00e3o de Anthony Harvey e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Girl King<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2012), dire\u00e7\u00e3o de Mika Kaurism\u00e4ki; os romances <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Heltekongens Datter<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1975) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">En Dronning V\u00e6rdig<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1976) de Herta J. Enevoldsen e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Queen C<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2002) de Laura Ruihonen; o musical <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Lesbian and Gay History of the World Vol. 2. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2004) de Jade Esteban Estrada. Especula-se que \u00e9 inspirada em Cristina da Su\u00e9cia a personagem Imperatriz de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A descri\u00e7\u00e3o sobre um novo mundo resplandecente <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Description of a new World, called the Blazing World<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">) (1666) por ser uma personagem caracterizada por <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/margaret-cavendish\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Margaret Cavendish<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> como uma atomista que trabalha com alquimia e cabala e que criou uma Academia em seu Pal\u00e1cio para encontro de cientistas e humanistas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol>\n<li><b> Alguns dos escritos de Cristina da Su\u00e9cia<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Discours sur les arts et les sciences<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Discurso sobre Artes e Ci\u00eancias<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 escrito em 1682.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Maximes et pens\u00e9es<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e1ximas e Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 Conjunto de aforismos e reflex\u00f5es filos\u00f3ficas publicado em 1682.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Abdication de la reine Christine de Su\u00e8de<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A abdica\u00e7\u00e3o da Rainha Cristina da Su\u00e9cia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">]. Mem\u00f3ria sobre os eventos que levaram \u00e0 abdica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Apologie de l&#8217;Abb\u00e9 de Ranc\u00e9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Defesa do abade of Ranc\u00e9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], escrito em defesa do abade franc\u00eas Jean-Baptiste de la Salle, acusado de heresia.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Le livre des songes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O livro dos sonhos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 Cole\u00e7\u00e3o de sonhos e vis\u00f5es ao longo de sua vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Minnesteckningar \u00f6fver biskoparna i Skara stift<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mem\u00f3rias sobre os bispos da diocese de Skara<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 Esbo\u00e7os biogr\u00e1ficos dos bispos de Skara, escritos em 1660.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Anteckningar om mitt eget liv<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Notas sobre minha vida<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 Mem\u00f3rias escritas em 1670 sobre sua inf\u00e2ncia, seu reinado e sua decis\u00e3o de abdicar e converter-se ao catolicismo.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00d6fwer-gifwne tankar \u00f6fwer werldz-kriget<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Comunicados de pensamentos sobre a Guerra Mundial<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 conjunto de reflex\u00f5es sobre guerra e pol\u00edtica, escrito durante a Guerra dos Trinta Anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">F\u00f6rklaring \u00f6fwer evangelium Johannis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Explica\u00e7\u00f5es sobre o Evangelho de Jo\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 Coment\u00e1rio sobre o Evangelho de Jo\u00e3o, escrito na d\u00e9cada de 1670.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Laurentius Andreae&#8217;s lefwerne och w\u00e4rk<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A vida e a obra de of Laurentius Andreae<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] \u2013 Biografia de Laurentius Andreae, um te\u00f3logo e reformista, escrito na d\u00e9cada de 1670.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Abdikations-tal<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Discurso de Abdica\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] &#8211; Escrito em 1654.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Inventarium \u00f6ver mina papper<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Invent\u00e1rio de meus pap\u00e9is<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] &#8211; Invent\u00e1rio de seus pertences pessoais (manuscritos, livros, joias, roupas, etc) escrito em 1689, pouco antes de sua morte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><b> Algumas publica\u00e7\u00f5es de sua obra<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">The Works of Christina Queen of Sweden <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1753)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">. Containing Maxims and Sentences, in Twelve Centuries; and Reflections on the Life and Actions of Alexander the Great. Now First Translated from the Original French. To which is Prefixed, an Account of Her Life, Character and Writings, by the Translator<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. London: trad. e publ. Wilson, D. &amp; Durham,T.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Lettres choisies de Christine de Su\u00e8de.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1759), Villefranche: Hardi Filocrate.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Oeuvres Compl\u00e8tes de Christine de Su\u00e8de <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1996)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">. Ed. Pierre-Antoine Fabre. Paris: Fayard.<\/span><\/i><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e1ximas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2001) \u2013 trad. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Louren\u00e7a Baldaque. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Lisboa: Cole\u00e7\u00e3o Libelli, Fauve&amp;Rouge.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><b> Bibliografia secund\u00e1ria<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akerman, S. (1991). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Queen Christina of Sweden and Her Circle: The Transformation of a Seventeenth-Century Philosophical Libertine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Brill Academic Pub.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antoine-Mahut, D. (2022\/3). \u201cChristine de Su\u00e8de. Une philosophie de roi\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Philosophies: f\u00e9minin pluriel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anthologie de textes de femmes philosophes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, dir. Anne-Lise Rey, Paris: Classiques Garnier.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Buckley, V. (2009). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cristina, Rainha Da Su\u00e9cia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Ed. Objetiva.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cassirer, E. (1937). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Descartes: Descartes: An Introduction to His Philosophy, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">trad. E. H. Carr, Routledge &amp; Kegan Paul.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">________ (1997). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Descartes, Corneille, Christine de Su\u00e8de<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Paris: Vrin.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cavaill\u00e9, J-P (2010). \u201cMasculinit\u00e9 et libertinage dans la figure et les \u00e9crits de Christine de Su\u00e8de\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Les Dossiers du Grihl<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (online), URL: <\/span><a href=\"http:\/\/journals.openedition.org\/dossiersgrihl\/3965\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/journals.openedition.org\/dossiersgrihl\/3965<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Franckenstein, C. G. (1697). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Histoire des intrigues galantes de la Reine Christine de Su\u00e8de et de sa Cour, pendant son s\u00e9jour \u00e0 Rome<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Amsterdam: Jan Henri.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Flantzer, S. (2021). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Unofficial Royalty<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. The site for royal information and news. URL: <\/span><a href=\"https:\/\/www.unofficialroyalty.com\/christina-queen-of-sweden\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.unofficialroyalty.com\/christina-queen-of-sweden\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Goldsmith, M. (1935). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Christina of Sweden: A Psychological Biography<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Doran: Doubleday.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Watson, R. (2007). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Descartes&#8217;s Ballet: His Doctrine of Will and His Political <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Philosophy, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">St. Augustine&#8217;s Press.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><b> Filmes online sobre Cristina da Su\u00e9cia<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Queen <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Christina (1933), dire\u00e7\u00e3o de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Rouben Mamoulian<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/m4uhd.tv\/watch-movie-queen-christina-1933-233070.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/m4uhd.tv\/watch-movie-queen-christina-1933-233070.html<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Love and Poison<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1950\/52), dire\u00e7\u00e3o de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Katell Quill\u00e9v\u00e9r\u00e9<\/span> <a href=\"https:\/\/web.moviesjoy.sc\/film\/love-like-poison-2010\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/web.moviesjoy.sc\/film\/love-like-poison-2010\/<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">The Abdication<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1974),<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">dire\u00e7\u00e3o de Anthony Harvey<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/m4uhd.tv\/watch-movie-the-abdication-1974-226545.html\"><i><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/m4uhd.tv\/watch-movie-the-abdication-1974-226545.html<\/span><\/i><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">The Girl King<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2012), dire\u00e7\u00e3o de Mika Kaurism\u00e4ki\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.bilibili.tv\/en\/video\/2044807014\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bilibili.tv\/en\/video\/2044807014<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-1765","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1765"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1771,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1765\/revisions\/1771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}