{"id":1815,"date":"2023-08-25T16:53:38","date_gmt":"2023-08-25T19:53:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=1815"},"modified":"2023-08-25T16:53:39","modified_gmt":"2023-08-25T19:53:39","slug":"luce-irigaray","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/luce-irigaray\/","title":{"rendered":"Luce Irigaray"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p style=\"text-align: center\"><b>Luce Irigaray<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1930)<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Luana Goulart, <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">doutoranda em Filosofia no\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Husserl-Archiv da Albert-Ludwigs-Universit\u00e4t Freiburg,\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">e em Sociologia pela Universidade Estadual do Cear\u00e1 &#8211; <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2070303810271220\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/08\/Luce-Irigaray-PDF.docx.pdf\">Luce Irigaray &#8211; PDF<\/a><\/strong><br \/><br \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_1817\" aria-describedby=\"caption-attachment-1817\" style=\"width: 598px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1817\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/08\/luceirigaray.png\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/08\/luceirigaray.png 598w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/08\/luceirigaray-300x203.png 300w\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1817\" class=\"wp-caption-text\">Luce Irigaray: foto de Babette Babich. Retirada de: https:\/\/philosophynow.org\/issues\/<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Biografia<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Luce Irigaray nasceu em Blaton, na fronteira entre a B\u00e9lgica e a Fran\u00e7a, no dia 3 de maio de 1930. Seu pai trabalhava em uma mina e era metade belga e metade italiano. Sua m\u00e3e, por sua vez, era \u201cdois ter\u00e7os belga e um ter\u00e7o francesa\u201d (Irigaray &amp; Marder, 2016, p. 9). Luce Irigaray fez sua primeira forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na Universidade Cat\u00f3lica de Louvain, onde recebeu seu diploma de bacharelado em 1954 e, posteriormente, o de mestrado em 1956. Logo ap\u00f3s, ela se muda para Bruxelas, onde ganha experi\u00eancia como professora de escola ensinando franc\u00eas, grego e latim entre 1956 e 1959. Em 1961, j\u00e1 residindo em Paris, ela obt\u00e9m pela Sorbonne o t\u00edtulo de mestre em Psicopatologia. Em 1964 come\u00e7a seu trabalho como pesquisadora junto ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Centre National de la Recherche Scientifique<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (CNRS) e em 1968 ela se torna diretora de pesquisa em Filosofia. Ainda em 1968, Irigaray obt\u00e9m seu doutorado em Lingu\u00edstica pela Universidade de Paris Nanterre (Paris X), com uma tese intitulada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Approche psycholinguistique du langage des d\u00e9ments <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Abordagem psicolingu\u00edstica da linguagem dos dementes]. Esta tese ser\u00e1 transformada no livro, publicado em 1973, denominado<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Le Langage des d\u00e9ments <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Linguagem dos dementes]. \u00c9 importante notar que \u00e9 no seio de seu estudo sobre pacientes com dem\u00eancia que Irigaray passa a considerar a diferen\u00e7a lingu\u00edstica not\u00e1vel entre a fala de homens e mulheres. Entre 1970 e 1974 ela leciona na Universidade de Vincennes, ao mesmo tempo em que, j\u00e1 como psicanalista, tamb\u00e9m participa como membra da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9cole Freudienne de Paris<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, fundada por Jacques Lacan. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Nesta \u00e9poca, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">ela tamb\u00e9m participa dos semin\u00e1rios de Jacques Lacan. Ainda enquanto era professora em Vincennes, ela se interessa pela an\u00e1lise de Antoinette Fouque, uma participante importante do<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Feminina,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e a convida para participar de seu semin\u00e1rio sobre a sexualidade feminina e a rela\u00e7\u00e3o parental entre m\u00e3e e filha. Na d\u00e9cada de 1970, tamb\u00e9m obt\u00e9m sua segunda nacionalidade, a francesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em Paris VIII (Vincennes &#8211; Saint-Denis), no ano de 1974, Irigaray obt\u00e9m seu segundo diploma de doutorado, desta vez, no campo da Filosofia, com a tese intitulada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum. La fonction de la femme dans le discours philosophique <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">A fun\u00e7\u00e3o da mulher no discurso filos\u00f3fico]. A tese de doutorado de 1974, orientada pelo fil\u00f3sofo Fran\u00e7ois Ch\u00e2telet e que tem como tema central o sujeito e a identidade feminina, questiona o lugar da mulher nas teorias freudianas e lacanianas. Esta segunda tese, por sua vez, \u00e9 t\u00e3o mal recebida por seus colegas e pares psicanalistas que se torna a raz\u00e3o pela qual Irigaray perde seu posto em Vincennes e deixa sua participa\u00e7\u00e3o na \u00c9cole Freudienne. Na d\u00e9cada de 1980, ela deixa a cena francesa e se envolve com o movimento feminista na It\u00e1lia, que, por sua vez, tem forte rela\u00e7\u00e3o com o Partido Comunista italiano. Cabe mencionar que, em 1995, ela volta a Paris para participar a convite da exposi\u00e7\u00e3o<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> J\u2019aime \u00e0 toi <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Eu amo a ti], hom\u00f4nima de sua obra (1992a), no Museu de Arte Moderna de Paris.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A autora continua ativa em suas pesquisas e trabalhos acad\u00eamicos a respeito da forma de vida humana, pensada em sua rela\u00e7\u00e3o direta com a filosofia e com a psican\u00e1lise. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Through Vegetal Being: Two Philosophical Perspectives <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Atrav\u00e9s do ser vegetal: duas perspectivas filos\u00f3ficas], por exemplo, estabelece rela\u00e7\u00f5es entre o material e o imaterial, com especial acento em quest\u00f5es concernentes \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre a natureza, especialmente o mundo vegetal, e a humanidade, pensada a partir e por meio do corpo e do esp\u00edrito, bem <\/span><span style=\"font-weight: 400\">como sobre o modo de<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> outras tradi\u00e7\u00f5es e culturas, por exemplo a hindu, de vivenciar essas rela\u00e7\u00f5es, em particular por meio de pr\u00e1ticas de Yoga. A colet\u00e2nea Irigaray, 2022, por sua vez, organizada pela fil\u00f3sofa ainda mais recentemente, cont\u00e9m textos (incluindo alguns de sua autoria) que abordam um tema h\u00e1 muito caro a seu trabalho: a rela\u00e7\u00e3o entre a suposta neutralidade de g\u00eanero envolvida na no\u00e7\u00e3o heideggeriana de<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Dasein <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e o modo de ser humano no mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 importante notar tr\u00eas aspectos relevantes da trajet\u00f3ria da fil\u00f3sofa: o primeiro \u00e9 que, quando da defesa de sua tese de doutorado em Filosofia, Irigaray j\u00e1 lecionava na Universidade de Vincennes, ou seja, ela j\u00e1 havia obtido algum reconhecimento no mundo acad\u00eamico e j\u00e1 participava de c\u00edrculos acad\u00eamicos de prest\u00edgio \u2014 o que sugere que a m\u00e1 recep\u00e7\u00e3o da tese em quest\u00e3o nestes mesmos c\u00edrculos e seu subsequente desligamento deles talvez tenha se devido menos \u00e0 qualidade de seu trabalho do que a diverg\u00eancias te\u00f3ricas ou ideol\u00f3gicas por ele suscitadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O segundo ponto \u00e9 que Irigaray n\u00e3o restringia seus <\/span><span style=\"font-weight: 400\">estudos e pesquisas<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> ao mundo acad\u00eamico e te\u00f3rico. Ainda que ela n\u00e3o tenha se vinculado de forma direta a nenhum movimento social espec\u00edfico, \u00e9 preciso reconhecer que sua rela\u00e7\u00e3o com o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Feminina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> franc\u00eas e o estreitamento de sua liga\u00e7\u00e3o com suas lideran\u00e7as t\u00eam impacto direto no seu trabalho de pesquisa. Assim sendo, observa-se que a pensadora n\u00e3o limitava a orienta\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es pretendidas e requeridas por suas pesquisas apenas ao campo te\u00f3rico ou abstrato, mas, antes, afetava e era afetada pelas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dentro e fora do \u00e2mbito acad\u00eamico, pensando com ele, por ele e dentro dele, mas tamb\u00e9m com, por e dentro de outros espa\u00e7os em que o patriarcalismo identificado por ela tamb\u00e9m se fazia presente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O terceiro e n\u00e3o menos importante: em uma entrevista concedida na d\u00e9cada de 1990 a Margaret Whitford, uma estudiosa do trabalho de Irigaray, a pr\u00f3pria pensadora se mostrou explicitamente preocupada com a interfer\u00eancia e o impacto que o conhecimento acerca de sua biografia poderiam ter sobre sua obra. Por esse motivo, ela mesma forneceu poucas informa\u00e7\u00f5es sobre sua vida pessoal (com exce\u00e7\u00e3o do livro co-escrito com Michael Marder, Irigaray &amp; Marder, 2016, no qual ela deliberadamente fala sobre alguns aspectos de sua vida, sem, entretanto, precisar muito datas e locais), tornando o trabalho de coletar, comparar e selecionar informa\u00e7\u00f5es <\/span><span style=\"font-weight: 400\">(muitas vezes conflitantes e imprecisas) sobre ela<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">uma tarefa particularmente dif\u00edcil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na sequ\u00eancia deste texto, os seguintes escritos de Luce Irigaray ser\u00e3o explicitamente contemplados, em ordem de men\u00e7\u00e3o: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Langage des d\u00e9ments <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Linguagem dos dementes] (1973); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum. De l\u2019autre femme <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Da outra mulher] (1974); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">J\u2019aime \u00e0 toi <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Eu amo a ti] (1992a);<\/span> <i><span style=\"font-weight: 400\">Ce sexe qui n\u2019en est pas un <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Este sexo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um sexo] (1977), tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas dispon\u00edvel: Irigaray, 2017; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Amante Marine de Friedrich Nietzsche <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Marine amante de Friedrich Nietzsche] (1980); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Corps \u00e0 corps avec la m\u00e8re <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[O corpo a corpo com a m\u00e3e] (1981); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sexes et Parent\u00e9s<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sexos e parentescos] (1987); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Je, tu, nous. Pour une culture de la diff\u00e9rence <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Eu, tu, n\u00f3s. Por uma cultura da diferen\u00e7a] (1990b); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Passions \u00e9l\u00e9mentaires<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Paix\u00f5es elementares] (1982); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9thique de la diff\u00e9rence sexuelle<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [\u00c9tica da diferen\u00e7a sexual] (1984); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">L\u2019Oubli de l\u2019air \u2013 chez Martin Heidegger <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[O esquecimento do ar em Martin Heidegger] (1983a); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Entre Orient et Occident <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Entre Oriente e Ocidente] (1999a); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Through Vegetal Being: Two Philosophical Perspectives <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Atrav\u00e9s do ser vegetal: duas perspectivas filos\u00f3ficas] (Irigaray &amp; Marder, 2016)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Uma lista abrangente dos escritos da fil\u00f3sofa, bem como de tradu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> inclusive em portugu\u00eas <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u2014 , <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 oferecida na bibliografia.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Pontos centrais do feminismo proposto por Luce Irigaray<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol>\n<li><b> Historicidade, ci\u00eancia e conhecimento: a cr\u00edtica de Irigaray \u00e0 ortodoxia da psican\u00e1lise<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como j\u00e1 dissemos acima, o percurso acad\u00eamico de Irigaray tem como um dos seus primeiros marcos a sua primeira tese de doutorado, em lingu\u00edstica, ou mais especificamente em psicolingu\u00edstica. O seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Langage des d\u00e9ments <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Linguagem dos dementes] (1973), que \u00e9 fruto desta pesquisa, \u00e9 um desenvolvimento do estudo da autora sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a linguagem e essa patologia que \u00e9 a dem\u00eancia. Para a realiza\u00e7\u00e3o desta pesquisa de doutorado, Irigaray analisa a fala de pessoas com e sem a patologia da dem\u00eancia. Ao longo de seu estudo, come\u00e7am a lhe chamar a aten\u00e7\u00e3o diferen\u00e7as entre padr\u00f5es nas falas de homens e mulheres. Em particular, Irigaray identifica, a partir de certos experimentos lingu\u00edsticos, uma resist\u00eancia das mulheres de se colocar na fun\u00e7\u00e3o de sujeito em suas falas. S\u00e3o precisamente essas diferen\u00e7as que levam Irigaray a desenvolver, posteriormente, estudos mais espec\u00edficos e aprofundados a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre a linguagem e a forma\u00e7\u00e3o das identidades masculina e feminina. \u00c9 importante notar que, embora Irigaray pense essas identidades a partir da linguagem, ela n\u00e3o o faz de uma forma meramente abstrata. Com efeito, a pensadora ficou bastante conhecida especialmente por n\u00e3o reduzir sua compreens\u00e3o ou abordagem da mulher a uma perspectiva meramente abstrata ou te\u00f3rica; antes, Irigaray pensa a mulher e a identidade feminina a partir tanto do material (corpo) como do n\u00e3o-material (consci\u00eancia\/esp\u00edrito\/mente).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O estudo acerca dessa rela\u00e7\u00e3o entre a linguagem (especialmente da fala), as identidades masculina e feminina e suas forma\u00e7\u00f5es \u00e9 precisamente um dos temas centrais da psican\u00e1lise, campo de conhecimento pelo qual Irigaray tamb\u00e9m tem grande interesse e ao qual logo passa a se dedicar. Principalmente em sua segunda tese de doutorado, Irigaray exp\u00f5e suas cr\u00edticas ao pensamento faloc\u00eantrico. Em uma simplifica\u00e7\u00e3o \u00fatil, elas giram em torno de sua rejei\u00e7\u00e3o da ideia de que a supremacia do Falo como significante na ordem simb\u00f3lica se estabelece de forma a-hist\u00f3rica e desconectada da anatomia masculina. A fil\u00f3sofa interpreta o estabelecimento do Falo como significante supremo, antes, como uma evid\u00eancia de que a ordem simb\u00f3lica \u00e9 historicamente constitu\u00edda. Essas cr\u00edticas s\u00e3o entendidas por muitos pensadores como um ataque radical e direto \u00e0 psican\u00e1lise \u201ccl\u00e1ssica\u201d de Freud e Lacan.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Todavia, \u00e9 preciso chamar aten\u00e7\u00e3o para o fato de que Irigaray n\u00e3o entende o trabalho desses pensadores \u2014 diferente de como eles mesmos possivelmente o pretendiam \u2014 como partes de uma teoria universal, neutra e irrevis\u00e1vel. A pr\u00f3pria compreens\u00e3o de ci\u00eancia e de epistemologia tais como Irigaray pratica e desenvolve em suas pesquisas toma a psican\u00e1lise como uma ci\u00eancia viva e historicamente constitu\u00edda. Nesse sentido, a psican\u00e1lise atravessaria, refletiria e constituiria tanto a sociedade como os pr\u00f3prios problemas sociais, pol\u00edticos e culturais de onde e quando ela foi pensada, estudada e desenvolvida. \u00c9 poss\u00edvel dizer que o trabalho da autora vai na dire\u00e7\u00e3o de uma transforma\u00e7\u00e3o nas teorias psicanal\u00edticas a partir do reconhecimento de erros e de oblitera\u00e7\u00f5es significativas de natureza epistemol\u00f3gica em suas formula\u00e7\u00f5es \u201ccl\u00e1ssicas\u201d. A cr\u00edtica de Irigaray \u00e0 psican\u00e1lise, portanto, n\u00e3o se faria por meio de<\/span><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> nem teria como objetivo \u2014 como \u00e9 poss\u00edvel entender, e de fato, como muitos estudiosos e praticantes contempor\u00e2neos da psican\u00e1lise compreendem \u2014, uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ruptura<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> com a mesma, supostamente acarretada por uma esp\u00e9cie de rejei\u00e7\u00e3o de algumas de suas formula\u00e7\u00f5es e verdades \u201cp\u00e9treas\u201d. Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel dizer que, para a pr\u00f3pria compreens\u00e3o das quest\u00f5es levantadas por Irigaray acerca da linguagem e da psican\u00e1lise, \u00e9 preciso que se compreenda a sua posi\u00e7\u00e3o acerca da ci\u00eancia e do conhecimento (sobre esse assunto, um bom ponto de partida \u00e9 Irigaray, 1985a). Pensando-os a partir de suas historicidades e n\u00e3o-neutralidades \u00e9 que Irigaray identifica a rela\u00e7\u00e3o e o impacto direto entre eles e as institui\u00e7\u00f5es, o direito, a cultura, a pol\u00edtica e a sociedade como um todo. Dessa forma, ao se identificar e pensar os problemas da psican\u00e1lise e da linguagem de uma maneira geral \u2014 e em particular aqueles relativos ao \u201cpatriarcalismo\u201d \u2014 tais e quais se apresentam em dado momento e contexto, j\u00e1 se estaria inexoravelmente pensando e contribuindo para a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">transforma\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> dessas institui\u00e7\u00f5es, cultura e sociedade. Por esse motivo, \u00e9 preciso considerar as contribui\u00e7\u00f5es feministas de Irigaray sempre em conex\u00e3o com uma perspectiva social e pol\u00edtica ampla e nunca restritas a apenas uma \u00e1rea, seja ela a psican\u00e1lise, a epistemologia ou mesmo os estudos de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><b> Linguagem e identidade feminina<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Compartilhando da premissa lacaniana de que \u00e9 necess\u00e1rio estar inserido na linguagem para ser um sujeito, o trabalho de Irigaray tem como base a rela\u00e7\u00e3o entre a linguagem e a identidade feminina. Em suas pesquisas e estudos acerca da linguagem e da psican\u00e1lise, ela pensa e estuda a identidade enquanto um elemento lingu\u00edstico em um sistema simb\u00f3lico (em que \u201csimb\u00f3lico\u201d se deve tomar no sentido descrito e empregado por Lacan). Nesse sistema simb\u00f3lico, Irigaray reconhece diferen\u00e7as na maneira como homens e mulheres utilizam, identificam, e reproduzem esses s\u00edmbolos. Como j\u00e1 foi dito, os primeiros estudos que fizeram parte da forma\u00e7\u00e3o da autora n\u00e3o foram dedicados \u00e0 diferen\u00e7a que se manifesta na linguagem mobilizada entre homens e mulheres, mas, no decorrer de sua pesquisa sobre patologias e lingu\u00edstica, a pensadora logo reconheceu e se interessou pela manifesta\u00e7\u00e3o dessas distin\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que parece ter sido um dos principais pontos identificados por Irigaray \u00e9 precisamente o \u201capagamento\u201d ou mesmo o n\u00e3o \u201creconhecimento\u201d de atributos, caracter\u00edsticas, rela\u00e7\u00f5es, eventos e elementos que tenham a mulher como centro de refer\u00eancia ou que sejam atribu\u00eddos especificamente ou primariamente \u00e0s mulheres na linguagem. Assim, em sua \u201cmetodologia\u201d, ela diagnostica e aponta essas \u201cfaltas\u201d e \u201caus\u00eancias\u201d, primeiro chamando a aten\u00e7\u00e3o para elementos, quest\u00f5es e significados (como exemplos, pode-se mencionar o ar, a respira\u00e7\u00e3o e a maternidade, extensamente discutidos em Irigaray, 1983a, como brevemente descrito e comentado na sequ\u00eancia) mal desenvolvidos, mal elaborados, n\u00e3o reconhecidos ou n\u00e3o valorizados na hist\u00f3ria do pensamento tradicional\/patriarcal \u2014 assim visibilizando-os; e ent\u00e3o reinterpretando-os, invertendo e transformando seus significados \u2014 assim valorizando-os; e ent\u00e3o evidenciando sua participa\u00e7\u00e3o na constitui\u00e7\u00e3o da \u201cidentidade feminina\u201d segundo sua perspectiva e emprego dessa no\u00e7\u00e3o. Com essa finalidade, a autora percorre tanto as teorias psicanal\u00edticas quanto desenvolvimentos cient\u00edficos e filos\u00f3ficos de uma maneira geral. H\u00e1 em parte do trabalho de Irigaray, portanto, um aspecto \u201csubversivo\u201d, pois ela muitas vezes promove uma invers\u00e3o do que \u00e9 valorizado e do que \u00e9 visto e compreendido como o que est\u00e1 no centro com rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 invisibilizado, desvalorizado e \u201cmarginal\u201d nesses campos de conhecimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray est\u00e1 relativamente pouco interessada em investigar se esses \u201capagamentos\u201d e desvaloriza\u00e7\u00f5es s\u00e3o propositais ou se n\u00e3o s\u00e3o; seu objetivo parece estar muito mais pr\u00f3ximo do de reconhecer e compreender como eles est\u00e3o fortemente associados com a maneira como as mulheres participam da organiza\u00e7\u00e3o social, dos pap\u00e9is que elas desempenham na sociedade e como essas mulheres se identificam e se entendem como mulheres. Irigaray reconhece que, na teoria cl\u00e1ssica da psican\u00e1lise freudiana\/lacaniana, a identidade feminina \u00e9 descrita em termos e a partir de outra identidade, a masculina, e que \u00e9 esta \u00faltima o<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> referencial<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> para se pensar a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de mulher. Para ela, na psican\u00e1lise cl\u00e1ssica, a identidade feminina estaria sempre reduzida, em \u00faltima inst\u00e2ncia, ao sujeito homem, pois ela n\u00e3o seria definida a partir de si mesma (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">self-defined<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">). A centralidade do falo, que \u00e9 chamada de \u201cfalocentrismo\u201d, \u00e9 o que parece, segundo sua perspectiva, estar no cerne das descri\u00e7\u00f5es e desenvolvimentos da psican\u00e1lise freudiana e lacaniana, o que seria um grande problema para o reconhecimento e para a atribui\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher de participa\u00e7\u00e3o na linguagem enquanto um sujeito efetivo. Se o sujeito \u00e9 pensado tendo como ponto referencial o falo, a mulher n\u00e3o seria entendida efetivamente enquanto um sujeito, mas como um homem que n\u00e3o \u00e9 plenamente um homem, um homem \u201ccastrado\u201d, \u201cdeficiente\u201d, \u201ccorrompido\u201d, um homem a quem falta alguma coisa <\/span><span style=\"font-weight: 400\">e, dessa maneira,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> como um sujeito \u201cem menoridade\u201d, um sujeito n\u00e3o aut\u00f4nomo. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">O \u201cOutro mulher\u201d n\u00e3o seria, portanto, um outro propriamente dito<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. N\u00e3o havendo espa\u00e7o para uma diferen\u00e7a efetiva entre sujeitos, n\u00e3o haveria ent\u00e3o espa\u00e7o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">de fato<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">para uma efetiva alteridade. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Com efeito<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, Irigaray sugere que a forma como se usa e pensa na linguagem a \u201cnormalidade\u201d e a \u201cpatologia\u201d poderia inclusive ser um entrave substantivo na concep\u00e7\u00e3o e na realiza\u00e7\u00e3o da autonomia feminina. O feminismo de Irigaray se deixa descrever, em linhas gerais, n\u00e3o apenas pela identifica\u00e7\u00e3o desse problema ou de suas nuances e consequ\u00eancias, mas tamb\u00e9m pela tentativa de lidar diretamente com eles na linguagem e de, por meio da transforma\u00e7\u00e3o desta, transform\u00e1-los.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><b> Evitando reducionismos interpretativos<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para melhor compreender o pensamento da autora, um alerta feito por uma das grandes estudiosas de Irigaray, a pensadora Margaret Whitford, feito logo na abertura de um de seus livros sobre a pensadora belgo-francesa (Whitford, 1991), pode ser muito \u00fatil: um dos principais problemas para compreender o pensamento de Irigaray \u00e9 tentar o reducionismo. Aqui ela se refere ao reducionismo que caracteriza uma abordagem interpretativa inadequada de sua obra, e que \u00e9 muito comum encontrar nos textos de comentadores, cr\u00edticos e mesmo entre os partid\u00e1rios do pensamento de Irigaray. Para tentar evitar esse grande problema, aqui se encontram elencados os tr\u00eas principais reducionismos feitos sobre Irigaray tal como nos diz Whitford.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O primeiro e mais comum deles seria assumir que Irigaray \u00e9 uma pensadora essencialista que assumiria uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o problem\u00e1tica entre o corpo da mulher e o seu \u201cverdadeiro eu\u201d. O segundo tipo de reducionismo bastante encontrado em leituras sobre a autora seria reduzir o pensamento de Irigaray a uma fala sobre a \u201cescrita do corpo\u201d, n\u00e3o discernindo concretamente o seu trabalho do de outras feministas e pensadoras do corpo como Kristeva e Cixous. O terceiro erro seria um problema de compreens\u00e3o a respeito de um tema muito presente no pensamento de Irigaray, isto \u00e9, a respeito da quest\u00e3o edipiana. Dito de forma mais expl\u00edcita: o suposto problema seria que Irigaray erraria ao valorizar de forma excessiva a rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre m\u00e3e e filha (pr\u00e9-edipiano), e que o seu pensamento consistiria, ao fim e ao cabo, em uma tentativa de um retorno a uma posi\u00e7\u00e3o\/ lugar pr\u00e9-lingu\u00edstico e, assim, pr\u00e9-patriarcal ou n\u00e3o patriarcal. Uma vez tendo sido feito esse alerta de antem\u00e3o, vamos agora tentar compreender, em linhas gerais e de forma sucinta, alguns dos principais temas abordados em obras da pensadora que lhe renderam sua posi\u00e7\u00e3o de destaque e relev\u00e2ncia no feminismo franc\u00eas.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Sobre alguns de seus livros de maior impacto<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um de seus livros mais conhecidos e de maior impacto na Fran\u00e7a foi fruto de seu segundo doutorado: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum. De l\u2019autre femme <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Da outra mulher] (1974). Neste livro, podemos ver com maior especificidade como Irigaray discute com e a partir de diferentes fil\u00f3sofos, como Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, Descartes, Hegel e at\u00e9 mesmo Freud, a respeito da centralidade do falo e da perspectiva masculina na pr\u00f3pria estrutura de seus pensamentos e filosofias. Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ela identifica, nesses autores, por meio da linguagem, a oblitera\u00e7\u00e3o ou a m\u00e1 compreens\u00e3o da diferen\u00e7a sexual, o que motiva uma forte cr\u00edtica sobre como a compreens\u00e3o de mundo desses autores cl\u00e1ssicos da filosofia e da psican\u00e1lise est\u00e1 submetida e sustentada fortemente pelo patriarcalismo, estruturado sobre um veto de sa\u00edda \u00e0 possibilidade do exerc\u00edcio de subjetividade por Outros efetivos. \u00c9 importante chamar aten\u00e7\u00e3o para o fato de que esse trabalho, que leva Irigaray ao ostracismo junto aos seus pares acad\u00eamicos, n\u00e3o tenha sido uma tese no campo espec\u00edfico da psican\u00e1lise; ainda que toque abertamente nos temas centrais da psican\u00e1lise, o trabalho foi defendido como uma tese de doutorado em filosofia, orientada por um fil\u00f3sofo, e na qual ela discute como a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, diretamente ligada ao pensamento de Freud, est\u00e1 fortemente constitu\u00edda com e por meio do patriarcalismo faloc\u00eantrico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o obstante, talvez seja <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Este sexo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um sexo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2017) o texto em que Irigaray exp\u00f5e de forma mais contundente e expl\u00edcita suas cr\u00edticas \u00e0 psican\u00e1lise freudiana e lacaniana, principalmente no que concerne \u00e0 quest\u00e3o da diferen\u00e7a sexual. Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel notar nesta obra a influ\u00eancia do estruturalismo (de L\u00e8vi-Strauss) e aspectos da economia social de Karl Marx. Um bom exemplo para se perceber como o pensamento e vocabul\u00e1rio de Marx se deixam entrever em seu texto \u00e9 o cap\u00edtulo intitulado \u201cMulheres no mercado\u201d. Nele, vemos Irigaray descrever o funcionamento das mulheres na sociedade em termos econ\u00f4mico-pol\u00edticos, especialmente a partir da ideia de valor de uso e valor de troca\/valor comercial, determinados a partir da maneira pela qual os homens percebem e lidam com elas. As mulheres compreendidas no seio de sociedades capitalistas apareceriam ent\u00e3o como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">commodities<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, participando socialmente apenas na medida em que assim s\u00e3o concebidas e percebidas pelos homens. Al\u00e9m disso, este livro \u00e9 muito emblem\u00e1tico para se compreender o projeto hermen\u00eautico realizado e proposto por Irigaray em seu pensamento feminista. \u00c0 guisa de ilustra\u00e7\u00e3o: a maneira not\u00e1vel como, ao longo do livro, Irigaray aponta problemas com as defini\u00e7\u00f5es e conceitos de mulher e de sujeito feminino pensados e atribu\u00eddos a partir de uma perspectiva patriarcal e faloc\u00eantrica, poderia ser lida de forma a alimentar a expectativa de que, ao final, a pr\u00f3pria autora nos brindaria com reformula\u00e7\u00f5es e defini\u00e7\u00f5es prontas e \u201ccorrigidas\u201d destes conceitos. N\u00e3o obstante, essas reformula\u00e7\u00f5es n\u00e3o se apresentam, pois o projeto hermen\u00eautico de Irigaray \u00e9 precisamente questionar, fustigar, instigar as mulheres, de forma coletiva, a confrontar e lidar com esta linguagem patriarcal a fim de transform\u00e1-la de modo a ensejar o exerc\u00edcio de uma subjetividade feminina efetiva e, com isso, novas formas de se pensar e compreender a mulher.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Amante marine de Friedrich Nietzsche <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Marine amante de Friedrich Nietzsche] (1980), podemos ver mais de perto a influ\u00eancia direta do fil\u00f3sofo alem\u00e3o em seu pensamento. Neste livro, Irigaray parece concordar, em certa medida, com a abordagem Nietzscheana de pensar um caminho para a humanidade que n\u00e3o recaia sobre certos erros cometidos pela filosofia cl\u00e1ssica, tanto dos autores homens que o antecederam, quanto daqueles que eram seus contempor\u00e2neos. Neste sentido, ela reconhece com Nietzsche, especialmente em suas descri\u00e7\u00f5es cr\u00edticas a respeito do sujeito e da humanidade, que um dos principais problemas filos\u00f3fico-conceituais \u00e9 precisamente a falta de reconhecimento da diferen\u00e7a sexual e das consequ\u00eancias negativas, tamb\u00e9m para os homens, de se obliterar, apagar, \u201climpar\u201d ou inferiorizar o que foi identificado como caracter\u00edsticas femininas. Irigaray reconhece em Nietzsche o problema de se pensar o sujeito aut\u00f4nomo e efetivo apenas a partir do que historicamente foi identificado como \u201cmasculino\u201d por esses homens fil\u00f3sofos e pensadores, e compreende, tamb\u00e9m junto ao alem\u00e3o, que a solu\u00e7\u00e3o para este problema n\u00e3o consiste em sublimar e nem em fundir os sexos na cria\u00e7\u00e3o de um \u00fanico ser que \u201ccontenha\u201d ou que \u201cseja\u201d as duas coisas, isto \u00e9, que seja tudo. De forma geral, \u00e9 poss\u00edvel dizer que um dos pontos principais que leva Irigaray a abordar de forma t\u00e3o enf\u00e1tica e direta o pensamento de Nietzsche neste livro \u00e9 o fato de ela interpret\u00e1-lo como reconhecendo a mesma e irredut\u00edvel diferen\u00e7a sexual a partir da qual a autora divisa uma possibilidade de lida com os problemas filos\u00f3fico-sociais, a saber: no caminhar por meio da compreens\u00e3o e dos significados que emergem do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">reconhecimento<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> desta diferen\u00e7a. Olhando por este vi\u00e9s, \u00e9 poss\u00edvel compreender como o trabalho de Irigaray, assim como o de Nietzsche, se deixa descrever como um exerc\u00edcio e uma tentativa de lida efetiva com a alteridade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Corps \u00e0 corps avec la m\u00e8re <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[O corpo a corpo com a m\u00e3e] (1981) temos um grande exemplo de como a pensadora se dedica a pensar uma das rela\u00e7\u00f5es centrais em seu trabalho e que, segundo ela mesma, teria sido pouco ou mal compreendida na psican\u00e1lise cl\u00e1ssica: a tem\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filha. Tema presente em grande parte de seus outros livros, em especial em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sexes et Parent\u00e9s<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sexos e parentescos] (1987) e em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Je, tu, nous. Pour une culture de la diff\u00e9rence <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Eu, tu, n\u00f3s. Por uma cultura da diferen\u00e7a] (1990b), a rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e e filha, teria sido, segundo entende Irigaray, ofuscada pela quest\u00e3o edipiana. Seguindo, em parte, uma forma de abordagem bem conhecida entre os psicanalistas, Irigaray revisita a mitologia grega, pensando por meio dela os significados tradicionais \u2014 e seus problemas \u2014 que se apresentam na descri\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filha. Um dos aspectos discutidos por Irigaray \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de pessoas que est\u00e3o fora do eixo central dessa rela\u00e7\u00e3o e que acabam determinando a vida de ambas as mulheres envolvidas nela: os homens, ou, no caso do mito grego, os seres divinos masculinos. Um dos mitos mais emblem\u00e1ticos pensados por Irigaray \u00e9 aquele que aborda a rela\u00e7\u00e3o maternal de Dem\u00e9ter com Pers\u00e9fone e como Zeus e Hades tomam parte na hist\u00f3ria delas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Passions \u00e9l\u00e9mentaires<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Paix\u00f5es elementares] (1982) e em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9thique de la diff\u00e9rence sexuelle<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [\u00c9tica da diferen\u00e7a sexual] (1984), \u00e9 poss\u00edvel notar a influ\u00eancia exercida pela fenomenologia sobre o pensamento de Irigaray, destacando-se significativamente a rela\u00e7\u00e3o entre a fenomenologia e o corpo, tal como pensada por Merleau-Ponty, e a desconstru\u00e7\u00e3o tal como descrita por Derrida. Contudo, se por um lado Merleau-Ponty \u00e9 um dos eixos importantes para a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre a fenomenologia e o corpo, por outro, Irigaray \u00e9 uma das autoras que ganharam grande visibilidade na psican\u00e1lise e na filosofia por pensar essa rela\u00e7\u00e3o a partir dos significados que se referem \u00e0 identidade da mulher e a forma\u00e7\u00e3o do sujeito feminino. Sem sombra de d\u00favida, os textos de Irigaray podem ser identificados como um \u00f3timo exemplo para se compreender o estreitamento de la\u00e7os entre a fenomenologia e o feminismo. N\u00e3o obstante, \u00e9 preciso compreender que esse estreitamento n\u00e3o implica uma redu\u00e7\u00e3o em seu pensamento do feminismo a um tema particular de uma fenomenologia geral, nem tampouco um desenvolvimento acr\u00edtico de um feminismo sobre bases fenomenol\u00f3gicas tradicionais. Irigaray aborda pensadores da fenomenologia de forma direta e expl\u00edcita em alguns de seus livros, como \u00e9 o caso de<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> L\u2019Oubli de l\u2019air \u2013 chez Martin Heidegger <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[O esquecimento do ar em Martin Heidegger] (1983a). Ainda que seja f\u00e1cil perceber a influ\u00eancia da fenomenologia em sua obra, \u00e9 preciso reconhecer que ela n\u00e3o se d\u00e1 de forma incontroversa, principalmente quando ela \u00e9 pensada a partir de uma perspectiva feminista. No caso deste \u00faltimo livro, escrito diretamente sobre e a partir do pensamento heideggeriano, Irigaray aponta para os \u201cesquecimentos\u201d presentes na fenomenologia heideggeriana, bem como para as escolhas tem\u00e1ticas desenvolvidas pelo autor que desconsideram ou pouco reconhecem a import\u00e2ncia de elementos primordiais, tais como o ar e a maternidade, intimamente ligados \u00e0 quest\u00e3o da diferen\u00e7a sexual e, sobretudo, ao modo de ser mulher. Revisitando a filosofia heideggeriana, Irigaray ent\u00e3o descreve as diferen\u00e7as \u00e9ticas no modo de ser mulher e no modo de ser homem, tal como a filosofia tradicional os compreende e designa, identificando e transformando os seus significados \u00e0 luz da considera\u00e7\u00e3o desses elementos. Assim, em di\u00e1logo com Heidegger, Irigaray pensa a singularidade de ser mulher de forma cr\u00edtica ao apagamento da diferen\u00e7a sexual decorrente da pretens\u00e3o de neutralidade do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dasein <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">como modo de ser-no-mundo, reinterpretando quest\u00f5es fundamentais da hist\u00f3ria da filosofia segundo seu olhar feminista. Anos depois, a colet\u00e2nea Irigaray, 2022 retoma a discuss\u00e3o desse mesmo t\u00f3pico ainda tomando como pano de fundo o pensamento de Heidegger, evidenciando se tratar de uma quest\u00e3o que segue viva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos livros publicados a partir da d\u00e9cada de 1990, \u00e9 poss\u00edvel perceber o enfoque maior na tem\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres, inclusive a sexual, pensada a partir da complementaridade entre os sexos. Alguns dos livros publicados durante essa d\u00e9cada, escritos originalmente em l\u00edngua francesa, inglesa e italiana, tratam dessa ressignifica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres, que acabam por encontrar uma reformula\u00e7\u00e3o da ideia de amor. Tal como se pode perceber especialmente a partir de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Entre Orient et Occident <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Entre Oriente e Ocidente] (1999a), Irigaray passa a se dedicar com maior \u00eanfase a pensar outras formas de humanidade. Entrela\u00e7ando pr\u00e1ticas e conceitos da yoga, da mitologia\/religiosidade hindu e de outros eixos te\u00f3ricos que ela identifica como Orientais com autores e pensadores da psican\u00e1lise e filosofia Ocidentais, a autora aborda aspectos para se pensar outras maneiras de se viver humanamente. Em seu livro em coautoria com Michael Marder, publicado originalmente na l\u00edngua inglesa, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Through Vegetal Being: Two Philosophical Perspectives <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Atrav\u00e9s do ser vegetal: duas perspectivas filos\u00f3ficas] (Irigaray &amp; Marder, 2016), Irigaray fala em primeira pessoa sobre alguns eventos de sua biografia. \u00c9 poss\u00edvel ver neste livro como a autora relaciona a sua biografia pessoal com o desenvolvimento dos temas que ela abordou em suas obras ao longo de sua vida. No referido trabalho, Irigaray tem como um dos pontos centrais a natureza, especialmente a natureza vegetal, e a maneira como ela se encontra implicada na sua forma de existir\/ser no mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como j\u00e1 se pode perceber, filosofia e psican\u00e1lise s\u00e3o campos de pensamento que se encontram invariavelmente presentes nos trabalhos de Irigaray, que, tomando a linguagem em sentido amplo como escopo de base, nos mostram como a m\u00e1 compreens\u00e3o da diferen\u00e7a sexual nos lega um mundo atravessado e fundamentado em desigualdades e injusti\u00e7as que n\u00e3o poder\u00e3o ser transformadas, segundo pensa Irigaray, sem o seu devido reconhecimento e ressignifica\u00e7\u00e3o por parte das pr\u00f3prias mulheres. Isso significa dizer que, em resumo, a proposta de Irigaray \u00e9 um trabalho em curso, \u00e9 uma abertura para a transforma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o um projeto realizado e finalizado pela pr\u00f3pria autora.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Impactos de sua obra em outras pensadoras e principais cr\u00edticas<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O feminismo de Irigaray n\u00e3o era como o de outras pensadoras importantes de sua \u00e9poca, tal como o emblem\u00e1tico feminismo de Simone de Beauvoir, por exemplo. Enquanto o feminismo da \u00faltima se sustentava na igualdade fundamental entre homens e mulheres, Irigaray salientava precisamente a diferen\u00e7a entre os sexos (Cort\u00e9s, 2018). \u00c9 por essa raz\u00e3o que Luce Irigaray \u00e9 conhecida como um<\/span><span style=\"font-weight: 400\">a<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> expoente do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">feminismo da diferen\u00e7a,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> juntamente com outras autoras feministas que tamb\u00e9m pensam a partir da diferen\u00e7a irredut\u00edvel entre homens e mulheres tal como Julia Kristeva, H\u00e9l\u00e8ne Cixous e Carol Gilligan, por exemplo. N\u00e3o obstante, o principal problema identificado por Irigaray na linguagem e, especialmente na teoria cl\u00e1ssica psicanal\u00edtica, que a levou a ser chamada de feminista, foi o seu \u201cfalocentrismo\u201d fundamental. Se \u00e9 poss\u00edvel resumir a obra de Irigaray em uma tem\u00e1tica central, podemos dizer que ela \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a mulher e a linguagem, entendendo aqui a linguagem como participante e constituinte do mundo social, pol\u00edtico e cultural.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m \u00e9 preciso destacar que Luce Irigaray \u00e9 posicionada junto a grandes pensadoras do feminismo franc\u00eas, e que seu pensamento se tornou um dos pontos de refer\u00eancia dessa tradi\u00e7\u00e3o, exercendo enorme influ\u00eancia sobre seus desdobramentos posteriores. Isso n\u00e3o significa dizer que essa influ\u00eancia se expresse apenas a partir de concord\u00e2ncias ou por meio de uma continuidade acr\u00edtica do seu trabalho. Muito pelo contr\u00e1rio, haja visto, por exemplo, o trabalho de outra reconhecida pensadora, Judith Butler, e sua teoria queer. No trabalho de Butler, podemos identificar a influ\u00eancia de Irigaray com especial destaque no livro<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Problemas de G\u00eanero <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Butler, 1990), no qual Butler pensa a quest\u00e3o do g\u00eanero e do sexo diretamente a partir de cr\u00edticas ao pensamento feminista de Irigaray.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir do que nos diz Sarah Donovan em seu verbete (Donovan, s.n.) sobre Irigaray na<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Internet Encyclopedia of Philosophy <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(IEP), \u00e9 poss\u00edvel entender que, entre as cr\u00edticas feitas ao pensamento da autora, se sobressaem aquelas que v\u00e3o de encontro \u00e0 maneira como ela pensa a rela\u00e7\u00e3o entre a identidade feminina e a linguagem. Dentre elas, haveria quem a criticasse por entender o feminismo de Irigaray como dependente e fundamentado em uma metaf\u00edsica biol\u00f3gica. Haveria ainda quem a criticasse por compreender que ela prop\u00f5e um retorno ut\u00f3pico a rela\u00e7\u00f5es pr\u00e9-edipianas fundamentadas na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e e filha. Tamb\u00e9m encontrar\u00edamos, ainda segundo Donovan, quem a criticasse por outras formas de utopia e de essencialismo, mesmo quando esse essencialismo \u00e9 entendido a partir de um vi\u00e9s pragm\u00e1tico\/estrat\u00e9gico. Dentre essas cr\u00edticas, \u00e9 interessante sublinhar as que v\u00eam de feministas materialistas. Estas a criticam por formular um feminismo que privilegiaria quest\u00f5es de linguagem e identidade (\u201cpsicol\u00f3gicas\u201d) com respeito a quest\u00f5es materiais (\u201cecon\u00f4mico-sociais\u201d). H\u00e1 tamb\u00e9m cr\u00edticas relacionadas a como o pensamento de Irigaray se centra em quest\u00f5es relativas a um paradigma de feminismo branco, europeu e de classe m\u00e9dia. Nesse sentido, quest\u00f5es relativas a um suposto universalismo no feminismo proposto por Irigaray tamb\u00e9m se apresentam. Por raz\u00e3o aparentada, cabe elencar tamb\u00e9m a cr\u00edtica baseada na ideia de que a obra de Irigaray se constitui sobre um modelo relacional exclusivamente heteronormativo, deixando de fora ou, no m\u00ednimo, em segundo plano, outras formas de relacionamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, quanto ao seu estilo liter\u00e1rio, Donovan alega que muitas apontam no feminismo de Irigaray um vi\u00e9s bastante elitista, na medida em que ela utiliza um vocabul\u00e1rio acad\u00eamico herm\u00e9tico e constru\u00e7\u00f5es textuais \u201copacas\u201d, e a compreens\u00e3o de seus textos demanda um conhecimento acad\u00eamico profundo sobre os autores e teorias que ela aborda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A respeito do impacto direto do pensamento de Irigaray no Brasil \u00e9 preciso notar que ela ainda \u00e9 uma autora que tem poucos textos traduzidos para a l\u00edngua portuguesa, o que dificulta o seu aparecimento na forma de literatura prim\u00e1ria em planos de curso escolares e universit\u00e1rios nas mais diversas \u00e1reas do ensino brasileiro. Por outro lado, \u00e9 poss\u00edvel encontrar alguns trabalhos universit\u00e1rios, bem como artigos publicados em peri\u00f3dicos, (ex.: Cort\u00e9s, 2018 e Cossi, 2019) que contribuem na forma de literatura secund\u00e1ria para a compreens\u00e3o de pontos importantes do pensamento da autora.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Todas as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas utilizadas para a formula\u00e7\u00e3o do verbete constam nas listas abaixo.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol>\n<li><b> Textos da autora<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Publica\u00e7\u00f5es da autora em franc\u00eas e italiano:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1973). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Langage des d\u00e9ments<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Berlim: Mouton De Gruyter.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1974). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Speculum. De l\u2019autre femme<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1977). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ce sexe qui n\u2019en est pas u<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">n<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1979). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Et l\u2019une ne bouge pas sans l\u2019autre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1980). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Amante marine de Friedrich Nietzsche<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1981). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Corps \u00e0 corps avec la m\u00e8re<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Canad\u00e1: La Pleine lune.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1982). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Passions \u00e9l\u00e9mentaire<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">s<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1983a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">L\u2019Oubli de l\u2019air \u2013 chez Martin Heidegger<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1983b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La Croyance m\u00eame<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions Galil\u00e9e.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1984). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9thique de la diff\u00e9rence sexuelle<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1985a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Parler n\u2019est jamais neutre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1987). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sexes et Parent\u00e9s<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: \u00c9ditions de Minuit.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L (1990a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sexes et genres \u00e0 travers les langues<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Grasset.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1990b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Je, tu, nous. Pour une culture de la diff\u00e9rence. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Paris: Grasset.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1992a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">J\u2019aime \u00e0 toi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Grasset.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1994a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La democrazia comincia a due<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Turim: Bollati Boringhieri.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1997). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00catre deux<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Grasset.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1999a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Entre Orient et Occident<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Grasset.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2004). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pri\u00e8res quotidiennes \/ Everyday prayers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nottingham: Maisonneuve et Larose, University of Nottingham.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(2010)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">. Il mistero di Maria.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Roma: Paoline.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La Voie de l&#8217;amour<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Mil\u00e3o: Sesto San Giovanni Mimesis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Marie, D. &amp; Irigaray, L. (1990). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Temps de la diff\u00e9rence. Pour une r\u00e9volution pacifique.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Paris: Libraire G\u00e9n\u00e9rale Fran\u00e7aise, Le livre de poche.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Tradu\u00e7\u00f5es e publica\u00e7\u00f5es da autora em ingl\u00eas:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1985b). S<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">peculum of the Other Woman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Gillian C. Gill. Ithaca: Cornell University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1985c). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">This Sex Which Is Not One<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Catherine Porter. Nova Iorque: Cornell University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1991a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Irigaray Reader<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Whitford, M. (org.), Cambridge: Blackwell.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1991b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Marine Lover of Friedrich Nietzsche.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Tradu\u00e7\u00e3o de Gillian C. Gill. Nova Iorque: Columbia University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (199<\/span><span style=\"font-weight: 400\">2<\/span><span style=\"font-weight: 400\">b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Elemental Passions<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Joanne Collie and Judith Still. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1993a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">An Ethics of Sexual Difference<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Carolyn Burke and Gillian C. Gill. Ithaca: Cornell UP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1<\/span><span style=\"font-weight: 400\">99<\/span><span style=\"font-weight: 400\">3<\/span><span style=\"font-weight: 400\">b<\/span><span style=\"font-weight: 400\">).<\/span> <i><span style=\"font-weight: 400\">Je, tu, nous: towards a culture of difference<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Alison Martin. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1993c). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sexes and Genealogies<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Gillian C. Gill. Nova Iorque: Columbia University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1994<\/span><span style=\"font-weight: 400\">b<\/span><span style=\"font-weight: 400\">). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Thinking the Difference: For a Peaceful Revolution<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Karin Montin. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1<\/span><span style=\"font-weight: 400\">996<\/span><span style=\"font-weight: 400\">).<\/span> <i><span style=\"font-weight: 400\">I love to you: sketch of a possible felicity in history<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Alison Martin. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1999<\/span><span style=\"font-weight: 400\">b<\/span><span style=\"font-weight: 400\">).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> The Forgetting of Air in Martin Heidegger<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Mary Beth Mader. Austin: University of Texas Press,.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2000a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">To Speak Is Never Neutral<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2000b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Why Different?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Camille Collins, Irigaray, L. &amp; Lotinger, S. (orgs.). Nova Iorque: Semiotext(e) Foreign Agent Series.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2000c).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Democracy Begins Between Two<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Kirsteen Anderson. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2001).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> To Be Two<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Monique M. Rhodes e Marco F. Cocito-Monoc. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2002a).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Between East and West: From Singularity to Community<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Stephen Pluh\u00e1\u010dek. Nova Iorque: Columbia UP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2002b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The way of Love<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Heidi Bostic and Stephen Pluh\u00e1\u010dek. Londres: Continuum.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2008a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Teaching<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: Bloomsbury Academic.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2008b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sharing the world<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: Bloomsbury Academic.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2008c). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Conversations<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Stephen Pluh\u00e1cek. Londres: Continuum.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2012).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> In the Beginning, She Was<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Bloomsbury Academic<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2017).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> To Be Born: Genesis of a New Human Being<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Cham: Palgrave Macmillan.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2019). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sharing the Fire: Outline of a Dialectics of Sensitivity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Cham: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Palgrave Macmillan.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (org.) (2022). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Challenging a Fictitious Neutrality: Heidegger in Question. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Cham: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Palgrave Macmillan.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L., &amp; Marder, M. (2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Through Vegetal Being: Two Philosophical Perspectives<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova Iorque: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Columbia University Press<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Tradu\u00e7\u00f5es da autora em portugu\u00eas:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (1997). O gesto na Psican\u00e1lise. Tradu\u00e7\u00e3o de Alice Xavier. In Brennan, T. (Org.). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m do falo: uma cr\u00edtica a Lacan do ponto de vista da mulher <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(pp. 171-186). Rio de <\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Janeiro: Record \/ Rosa dos tempos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2002). A quest\u00e3o do outro. Tradu\u00e7\u00e3o de T\u00e2nia Navarro Swain. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Labrys, estudos feministas, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">1-2, p.1-12. Recuperado de: http:\/\/www.historiacultural.mpbnet.com.br\/feminismo\/irigaray1.pdf. Acesso em 10 janeiro 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray, L. (2017). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Este sexo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um sexo: Sexualidade e status social da mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Tradu\u00e7\u00e3o de<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Cec\u00edlia Prada. S\u00e3o Paulo: Editora Senac.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><b> Literatura secund\u00e1ria sobre a autora<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Butler, J. (1990). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Nova Iorque: <\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Routledge.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> [Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Problemas de G\u00eanero: Feminismo e Subvers\u00e3o da Identidade.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Trad. Renato Aguiar. Civeliza\u00e7\u00e3o Brasileira (2003)]<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cavarero, A. &amp; Restaino, F.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(2002). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le filosofie femministe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Milano: Bruno Mondadori.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Chanter, T. (1995). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ethics of Eros: Irigaray\u2019s Re-Writing of the Philosophers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cheah, P. &amp; Grosz, E. (1998). The Future of Sexual Difference: An Interview with Judith Butler and <\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Drucilla Cornell. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Diacritics, 28<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1), pp. 19 &#8211; 41.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cort\u00e9s, O. N. P. (2018). A filosofia feminista de Luce Irigaray. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kalagatos Revista de Filosofia, 15<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2), pp. 71-84.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cossi, R. K. (2019). Luce Irigaray e a Psican\u00e1lise: uma cr\u00edtica feminista. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Gerais: Revista <\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Interinstitucional de Psicologia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">12<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2), pp. 319-337.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Deustcher, P. (2005). On asking the wrong question. In: Gutting, G. (org.) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Continental <\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">Philosophy of Science<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (pp. 265-282). Malden: Blackwell Publishing.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Donovan, S. (s.n.) 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(1999). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Irigaray and Deleuze: Experiments in Visceral Philosophy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Ithaca: Cornell University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Robinson, H. (2006). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reading Art, Reading Irigaray: The Politics of Art by Women<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: I.B. Tauris.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Schor, N. (1989). This Essentialism Which is Not One: Coming to Grips with Irigaray. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Differences<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">1<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2), pp. 38 &#8211; 58.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vasseleu, C. (1998). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Textures of Light Vision and Touch in Irigaray, Levinas and Merleau-Ponty<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Whitford, M. (1991). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Luce Irigaray: Philosophy in the Feminine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova Iorque: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Whitford, M. (1997). Releitura de Irigaray. Tradu\u00e7\u00e3o de Alice Xavier. In Brennan, T. (org.). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m do falo: uma cr\u00edtica a Lacan do ponto de vista da mulher <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(pp.145-170). Rio de Janeiro: Record \/ Rosa dos tempos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-1815","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1815"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1815\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1818,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1815\/revisions\/1818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}