{"id":1836,"date":"2023-10-02T15:18:43","date_gmt":"2023-10-02T18:18:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=1836"},"modified":"2023-10-02T15:18:43","modified_gmt":"2023-10-02T18:18:43","slug":"iris-marion-young","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/iris-marion-young\/","title":{"rendered":"Iris Marion Young"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Iris Marion Young<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1949 &#8211; 2006)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Carolina Antoniazzi, doutoranda no<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Departamento de Filosofia da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6383195214303497\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes\u00a0<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris-Marion-Young-PDF.docx.pdf\">Iris Marion Young &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_1838\" aria-describedby=\"caption-attachment-1838\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-vp_sm wp-image-1838\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris_Marion_Young-500x667.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris_Marion_Young-500x667.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris_Marion_Young-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris_Marion_Young-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris_Marion_Young-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris_Marion_Young-800x1067.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/10\/Iris_Marion_Young.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1838\" class=\"wp-caption-text\">Iris Marion Young. Ilustra\u00e7\u00e3o de Little maquisart (fonte: https:\/\/www.instagram.com\/little maquisart\/)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Iris Marion Young nasceu em 02 de janeiro de 1949 em Nova Iorque e faleceu em 01 de Agosto de 2006 em Chicago. Ela graduou-se em filosofia pelo Queens College em 1970 e realizou seu mestrado e doutorado em filosofia na Universidade do Estado da Pensilv\u00e2nia, obtendo o t\u00edtulo de Doutora em 1974. Em sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica, Young foi professora de Filosofia no Instituto Polit\u00e9cnico de Worcester e na Universidade de Miami. No ver\u00e3o de 1995, foi professora visitante de Filosofia na Universidade Johan Wolfgang Goethe em Frankfurt, Alemanha. Antes de ir para a Universidade de Chicago, onde terminou sua carreira, deu aulas de Teoria Pol\u00edtica por nove anos na Universidade de Pittsburgh, na Escola de Gradua\u00e7\u00e3o de Assuntos P\u00fablicos e Internacionais. No ano de 2000, Young torna-se professora de Ci\u00eancia Pol\u00edtica na Universidade de Chicago, sendo membra do conselho docente do Centro de Estudos de G\u00eanero e do Programa de Direitos Humanos de sua universidade. Ap\u00f3s um ano e meio de luta contra um c\u00e2ncer na garganta, a autora faleceu aos 57 anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Young tamb\u00e9m fazia parte do conselho editorial da Revista Constela\u00e7\u00f5es: uma publica\u00e7\u00e3o internacional de teoria cr\u00edtica e democr\u00e1tica. Al\u00e9m disso, fazia parte de diversos movimentos sociais, como membra ativa da Associa\u00e7\u00e3o de Fil\u00f3sofos Radicais (1985-1987), de movimentos contempor\u00e2neos de mulheres e contra a interven\u00e7\u00e3o militar, segundo ela pr\u00f3pria descreve. Assim, a autora est\u00e1 o tempo todo referendando sua reflex\u00e3o te\u00f3rica com os aprendizados e experi\u00eancias que viveu nos movimentos sociais. Sua experi\u00eancia pessoal tamb\u00e9m influenciou fortemente as teorias que viria a desenvolver no futuro. Com a morte de seu pai, Young e os irm\u00e3os, foram encaminhados para um abrigo. O estado julgou sua m\u00e3e culpada por neglig\u00eancia infantil. Aos olhos de Young, anos mais tarde, quando analisa a situa\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e em um de seus trabalhos, sua falha foi n\u00e3o ter limpado a casa de acordo com os padr\u00f5es esperados pelos oficiais estatais. O impacto de sua experi\u00eancia no abrigo, bem como a interven\u00e7\u00e3o estatal e suas burocracias, reflete as reflex\u00f5es de Young sobre fam\u00edlia, pap\u00e9is de g\u00eanero, divis\u00e3o social do trabalho e justi\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Young produziu diversos artigos publicados em jornais e revistas ao longo de sua trajet\u00f3ria, n\u00e3o havendo at\u00e9 hoje nenhuma tradu\u00e7\u00e3o para a l\u00edngua portuguesa de quaisquer de seus trabalhos, ainda que tenha sido traduzida para diversos outros idiomas. Todos os seus livros s\u00e3o compostos ou por artigos j\u00e1 publicados anteriormente em congressos e revistas ou ensaios incipientes, mas sempre reelaborados para formarem um todo coeso. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Justice and the Politics of Difference<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Justi\u00e7a e as Pol\u00edticas da Diferen\u00e7a] (1990) \u00e9 sua obra mais conhecida e de maior prest\u00edgio; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Throwing like a Girl and Other Essays in Feminist Philosophy and Social Theory<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Jogando como uma Garota e Outros Ensaios em Filosofia Feminista e Teoria Social] (1990), foi republicado pela Oxford em 2005 sob o nome <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">On Female Body Experience \u201cThrowing like a Girl\u201d and Other Essays<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sobre a Experi\u00eancia do Corpo Feminino \u201cJogando como uma Garota\u201d e Outros Ensaios] (2005), que incluiu um ensaio in\u00e9dito; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Intersecting Voices: Dilemmas of Gender, Political Philosophy, and Policy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Vozes que se cruzam: Dilemas de G\u00eanero, Filosofia Pol\u00edtica e Pol\u00edtica] (1997); <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Inclusion and Democracy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Inclus\u00e3o e Democracia] (2000). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Global Challenges: War, Self-Determination and Responsibility for Justice<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Desafios Globais: Guerra, Autodetermina\u00e7\u00e3o e Responsabilidade pela Justi\u00e7a] (2007) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Responsibility for justice<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Responsabilidade pela justi\u00e7a] (2011) foram publicados ap\u00f3s sua morte. Iris Young ainda participa como co-autora de outros livros.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como a autora afirma, seu interesse pessoal no pol\u00edtico come\u00e7a pelo feminismo. Ainda que nem todos seus escritos sejam explicitamente sobre tal tema, suas reflex\u00f5es sobre teoria cr\u00edtica, justi\u00e7a, diferen\u00e7a, \u00e9tica, democracia e pol\u00edticas p\u00fablicas passam por uma vis\u00e3o feminista. Apesar de seus ensaios serem mais difundidos e utilizados no campo da Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Young possui grande conhecimento filos\u00f3fico e estabelece debates com grandes nomes da filosofia como Habermas, Sartre, Merleau-Ponty, Heidegger, Derrida, Foucault, Lyotard, Marcuse, Adorno, Marx, Simone de Beauvoir, Judith Butler, Julia Kristeva, Susan Okin, Seyla Benhabib e Luce Irigaray, entre outros. Ainda que a lista de interlocutores seja extensa, Young \u00e9 sempre muito did\u00e1tica e expl\u00edcita quando apresenta seus argumentos, o que torna a leitura de sua obra flu\u00edda e compreens\u00edvel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s esse breve panorama, pretendo apresentar uma abordagem que considero pertinente para entender temas cruciais no pensamento dessa fil\u00f3sofa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Principais temas e conceitos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das principais caracter\u00edsticas do trabalho de Iris Young \u00e9 sua preocupa\u00e7\u00e3o em sempre delimitar o seu objeto de estudo. Outro ponto fundamental \u00e9 a explicita\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o: Young se reconhece como uma autora branca, heterossexual, de classe m\u00e9dia, fisicamente apta, n\u00e3o velha, estadunidense e detentora de privil\u00e9gios; o que n\u00e3o a afasta de tratar sobre temas importantes como racismo, pessoas incapacitadas, idosos, sexismo, usu\u00e1rios de drogas, imigrantes e outros grupos oprimidos. Young \u00e9 meticulosa ao definir conceitos, demonstrar sua aplicabilidade, sem perder seu rigor te\u00f3rico. A autora tem sempre em vista como os princ\u00edpios, categorias e argumentos por ela utilizados s\u00e3o ferramentas te\u00f3ricas que podem e devem alargar o pensamento como modo de propor a\u00e7\u00f5es concretas para promover mudan\u00e7as na realidade social. Isso significa que a teoria de Young est\u00e1 sempre atrelada aos contextos e situa\u00e7\u00f5es por ela descritos, podendo ser aplicada em outras circunst\u00e2ncias, desde que ressituada. Young entende a teoria cr\u00edtica como hist\u00f3rica e culturalmente posicionada, o que significa afirmar que a no\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o pensamento da autora. Indiv\u00edduos interagem e lidam com estruturas sociais a todo instante, de modo que ao mesmo tempo em que Young n\u00e3o pretende universalizar qualquer experi\u00eancia, reconhece que h\u00e1 imposi\u00e7\u00f5es que incidem na vida desses mesmos indiv\u00edduos. Portanto, inicio com o que considero que perpassa, ainda que tacitamente, toda sua obra.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Corpo vivido<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Young adota a corrente fenomenol\u00f3gica explicitamente apenas em seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sobre a Experi\u00eancia do Corpo Feminino \u201cJogando como uma Garota\u201d e Outros Ensaios <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2005), no qual a autora descreve diversos aspectos e modalidades de estar no mundo a partir de um corpo feminino.\u00a0 Segundo ela, apesar dos diversos ganhos dos movimentos feministas das \u00faltimas d\u00e9cadas, as mulheres ainda n\u00e3o deixaram de serem vistas como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Outro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, como corpos vulner\u00e1veis atrav\u00e9s de estruturas sociais que assim as posicionam. \u00c9 na retomada do conceito de corpo vivido para teorizar subjetividades que acredito que a fil\u00f3sofa tenha se destacado e fornecido para a teoria feminista uma grande ferramenta te\u00f3rica. Young retoma este conceito a partir de Merleau-Ponty e Simone de Beauvoir, segundo proposta de Toril Moi.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Este conceito \u00e9 pe\u00e7a-chave uma vez que desse modo a autora consegue abarcar uma multiplicidade e singularidade ao mesmo tempo, sem cair num reducionismo biol\u00f3gico ou essencialismo de g\u00eanero. Segundo ela, \u201co corpo vivido \u00e9 uma ideia unificada de um corpo f\u00edsico agindo e experienciando um contexto sociocultural espec\u00edfico; \u00e9 um corpo-em-situa\u00e7\u00e3o\u201d (2005, p.16, tradu\u00e7\u00e3o minha, sem men\u00e7\u00f5es adiante). Assim, a situa\u00e7\u00e3o seria o cruzamento da facticidade e da liberdade. A facticidade consistiria em todas as rela\u00e7\u00f5es materiais concretas da exist\u00eancia de uma pessoa em seu corpo com o ambiente f\u00edsico e social que a rodeiam. Ou seja, cada ser enfrenta os fatos materiais de seu corpo e sua intera\u00e7\u00e3o com determinado ambiente \u2014 o que significa dizer que posso nascer em determinado local, num certo tempo hist\u00f3rico, com \u00f3rg\u00e3os espec\u00edficos, sem que isso determine nada, sendo apenas um fato com o qual devo lidar. A pessoa, por outro lado, \u00e9 um ator. Possui uma liberdade ontol\u00f3gica para se constituir em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 facticidade. Cada ator possui\u00a0 projetos espec\u00edficos, coisas que deseja alcan\u00e7ar e maneiras que deseja se expressar, deixando sua marca no mundo, transformando o seu meio e rela\u00e7\u00f5es. Assim, a situa\u00e7\u00e3o seria o modo pelo qual os fatos relacionados ao corpo, ao meio f\u00edsico, social e cultural aparecem \u00e0 luz dos projetos de algu\u00e9m. Como esta pessoa ir\u00e1 valorar tais fatos (positiva, negativa ou criticamente) e lidar com eles, depende de cada um e \u00e9 a\u00ed que se encontra sua liberdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Propor a utiliza\u00e7\u00e3o do conceito de corpo vivido para a teoriza\u00e7\u00e3o da subjetividade seria sugerir que cada corpo pr\u00f3prio possui sua especificidade sem que seja constrangido por seu sexo biol\u00f3gico ou outras caracter\u00edsticas f\u00edsicas a agir e a se expressar de determinada maneira, pois cada corpo seria uma singularidade a partir do qual vive a facticidade e pode desenhar sua liberdade. Ainda, a categoria de corpo vivido n\u00e3o encerraria as diferen\u00e7as por orienta\u00e7\u00f5es ou desejos sexuais, n\u00e3o tendo que estabelecer uma correla\u00e7\u00e3o entre o corpo vivido e dimorfismo sexual ou normas heterossexuais. Segundo Young: \u201cA ideia do corpo vivido, al\u00e9m disso, recusa a distin\u00e7\u00e3o entre natureza e cultura que fundamenta uma distin\u00e7\u00e3o entre sexo e g\u00eanero. O corpo, como corpo vivido, \u00e9 sempre enculturado\u201d (2005, p. 17). O corpo enculturado \u00e9 aquele marcado pelas caracter\u00edsticas de um determinado local e tempo, das intera\u00e7\u00f5es com os outros corpos e o que se espera dele. A ideia de corpo vivido seria capaz de abarcar a pluralidade de comportamentos sem reduzi-los ao binarismo heterossexual de masculino e feminino. Pois, cada pessoa \u00e9 um corpo vivido \u00fanico, com capacidades e desejos singulares, que podem ser diferentes ou similares a outros corpos num determinado aspecto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Portanto, a ideia de um corpo vivido reconheceria a subjetividade de cada pessoa \u2014 situada por fatores socioculturais, comportamentos e expectativas dadas de forma pr\u00e9via, n\u00e3o necessariamente escolhidas \u2014, mas a forma como ir\u00e1 lidar com cada situa\u00e7\u00e3o e aspecto dependeria da liberdade pr\u00f3pria de cada ser. Em resumo, Iris Young retoma o conceito de corpo pr\u00f3prio de Merleau-Ponty, j\u00e1 que, segundo ela, a conceitualiza\u00e7\u00e3o do fil\u00f3sofo daria mais espa\u00e7o para a liberdade e diferen\u00e7a individual. Contudo, a autora o faz a partir de Simone de Beauvoir por alguns motivos: segundo ela, Beauvoir teria aprofundado a situa\u00e7\u00e3o do corpo vivido ao tematizar a diferen\u00e7a sexual como grande definidora da situa\u00e7\u00e3o da mulher. Al\u00e9m disso, o conceito de corpo vivido implica que cada corpo \u00e9 \u00fanico e perpassado por diversas estruturas, n\u00e3o s\u00f3 as de g\u00eanero. Isto porque a ideia de situa\u00e7\u00e3o \u00e9 indissoci\u00e1vel ao corpo vivido. Assim, quando Young pensa as cinco\u00a0 categorias que comp\u00f5em a opress\u00e3o, ou a realidade de grupos sociais, podemos l\u00ea-la com esse pano de fundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Grupos Sociais<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se por um lado Young est\u00e1 \u00e0s voltas com a possibilidade de teorizar a subjetividade sem que se operem exclus\u00f5es ou normatiza\u00e7\u00f5es, ela tamb\u00e9m est\u00e1 empenhada em entender como \u00e9 poss\u00edvel que grupos sociais possam ser pensados. Young descreve o que entende por grupos sociais em seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Justi\u00e7a e as Pol\u00edticas da Diferen\u00e7a <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1990) no ensaio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">As Cinco Faces da Opress\u00e3o <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1988)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">mas tamb\u00e9m aborda esse tema quando pensa o g\u00eanero como serialidade, que veremos em seguida. Segundo ela: \u201cUm grupo social \u00e9 um coletivo de pessoas diferenciado de, ao menos, um outro grupo por formas culturais, pr\u00e1ticas e modo de vida. (\u2026) Grupos s\u00e3o uma express\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais; um grupo existe apenas em rela\u00e7\u00e3o a pelo menos um outro grupo\u201d (1990, p.43). Young ainda diferencia grupos de associa\u00e7\u00f5es e agrega\u00e7\u00f5es. Agrega\u00e7\u00f5es podem ser formadas por pessoas que compartilhem algum atributo, ao passo que o grupo social se define por um senso de identidade. Young afirma: \u201cGrupos s\u00e3o reais n\u00e3o enquanto subst\u00e2ncias, mas como formas de rela\u00e7\u00f5es sociais\u201d (1990, p.44), o que significa dizer que o pertencimento a um grupo conta para o sentido de identidade de uma pessoa. Young define a associa\u00e7\u00e3o, por sua vez, como uma institui\u00e7\u00e3o formalmente organizada, como clubes, corpora\u00e7\u00f5es, partidos pol\u00edticos, igrejas, etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Young retoma a fenomenologia heideggeriana para pensar a caracter\u00edstica de pertencimento a um grupo social como se encontrar (a partir do conceito de \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">thrownness<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d) membro de um grupo, numa experi\u00eancia de como se sempre estivesse pertencido ali, porque, segundo ela, nossa identidade se define em como os outros tamb\u00e9m nos definem, e este processo se d\u00e1 em termos de grupos que j\u00e1 estavam ali definidos anteriormente com determinados atributos, estere\u00f3tipos e normas. Isso n\u00e3o significa uma perten\u00e7a imut\u00e1vel mas, antes, nas mudan\u00e7as identit\u00e1rias que ocorrem ao longo da vida. Encontrar a identidade como dada a partir de um grupo e tom\u00e1-la para si de determinado modo, n\u00e3o funda em si um grupo, mas pode traz\u00ea-lo a uma nova exist\u00eancia. Ainda, o modo de ver grupos como fic\u00e7\u00f5es e, portanto, como relacionais e mais flu\u00eddos, \u00e9 um dos modos de afirmar a diferencia\u00e7\u00e3o de grupos sem que haja opress\u00f5es. O erro estaria em afirmar a caracteriza\u00e7\u00e3o de um grupo em termos de naturezas essenciais imut\u00e1veis, determinando o que lhes cabe e o que s\u00e3o capazes, negando o car\u00e1ter de similaridades entre grupos e atributos que muitas vezes s\u00e3o sobrepostos. A ideia de que a elimina\u00e7\u00e3o de grupos eliminaria por conseguinte opress\u00f5es, e que pessoas deveriam ser tratadas apenas como indiv\u00edduos, \u00e9 um equ\u00edvoco. Seria tolo negar a realidade de grupos sociais. Ainda, a diferencia\u00e7\u00e3o de grupos n\u00e3o \u00e9 em si opressiva. Como veremos, a autora defende uma ideia de diferen\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Coletividade em s\u00e9rie<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Young desloca o conceito de g\u00eanero para pensar as estruturas sociais e os processos que se d\u00e3o em n\u00edvel sist\u00eamico. Logo, sendo o corpo vivido experienciado dentro deste contexto, a categoria de g\u00eanero (como outros marcadores sociais) se faz necess\u00e1ria a fim de avaliar as implica\u00e7\u00f5es de tais estruturas sociais que cercam estes corpos. \u00c9 certo que um indiv\u00edduo ocupa m\u00faltiplas posi\u00e7\u00f5es dentro das estruturas sociais, o que pode levar com que seja oprimido ou opressor, a depender do caso. Assim, tratando de encontrar desigualdades sociais, e n\u00e3o encontrar pessoas que individualmente perpetuem tais opress\u00f5es ou injusti\u00e7as, adotar a perspectiva das estruturas \u00e9 mais proveitoso \u00e0 teoria cr\u00edtica social.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No cap\u00edtulo um do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Vozes que se cruzam: Dilemas de G\u00eanero, Filosofia Pol\u00edtica e Pol\u00edtica <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1997), Iris Young retoma, no ensaio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">G\u00eanero como Serialidade: pensando sobre mulheres como um Coletivo Social<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1994), a problem\u00e1tica que Butler e autoras negras denunciavam: ap\u00f3s os primeiros movimentos feministas (at\u00e9 alguns atuais), em que a afirma\u00e7\u00e3o da categoria <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">mulheres<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> se fez necess\u00e1ria para sa\u00edrem do lugar do outro e afirmarem-se como sujeitos, passou-se a questionar a pr\u00f3pria categoria de mulheres. Segundo ela, as cr\u00edticas que apontam para uma normaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o de determinadas pessoas, quando esse agrupamento se d\u00e1 atrav\u00e9s da busca de caracter\u00edsticas em comum entre elas, s\u00e3o v\u00e1lidas. Por\u00e9m, Young insiste que h\u00e1 raz\u00f5es pol\u00edticas pragm\u00e1ticas para insistir na possibilidade de se pensar sobre mulheres enquanto algum tipo de grupo. Este impasse \u2014 pensar num coletivo social, como o de \u201cmulheres\u201d, espec\u00edfico \u00e0 teoria feminista, sem que sejam identificadas por atributos em comum para fazer parte deste grupo \u2014 \u00e9 resolvido pela autora a partir da reconceitualiza\u00e7\u00e3o de coletividade social ou de grupos sociais atrav\u00e9s da obra de Sartre, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Dial\u00e9tica <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1960).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo de sua an\u00e1lise, passa pelos argumentos acerca do tema em Butler, Spelman, Ann Furgson, Nancie Caraway e Chandra Mohanty. Sua proposta \u00e9 que entendamos g\u00eanero como referindo-se a uma s\u00e9rie social, um tipo espec\u00edfico de coletividade social que Sartre distingue de grupos. Entender o g\u00eanero como serialidade possui algumas virtudes: fornece uma maneira de se pensar nas mulheres como um coletivo social sem exigir que todas as mulheres tenham atributos ou situa\u00e7\u00e3o em comum; al\u00e9m disso, n\u00e3o se funda em identidade ou auto identidade para entender a produ\u00e7\u00e3o social ou o sentido de fazer parte de um coletivo. Sartre distingue v\u00e1rios n\u00edveis de coletividades sociais a partir de sua ordem interna de complexidade e reflexividade. A distin\u00e7\u00e3o que nos importa \u00e9 entre grupo e s\u00e9rie.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Grupo \u00e9 um coletivo de pessoas que se reconhecem e reconhecem uns aos outros, como em uma rela\u00e7\u00e3o unificada um com o outro, possuindo um projeto em comum. Os membros do grupo, portanto, s\u00e3o unidos pela a\u00e7\u00e3o que tomam conjuntamente. Cada indiv\u00edduo reconhece que o projeto comum tamb\u00e9m \u00e9 um projeto de seu interesse. Entendo que aqui Young d\u00e1 contornos mais elaborados ao que j\u00e1 havia realizado em rela\u00e7\u00e3o aos grupos sociais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A s\u00e9rie, por sua vez, adv\u00e9m de uma uni\u00e3o passiva. Coletividade em s\u00e9rie, segundo leitura de Young de Sartre, \u00e9 justamente o oposto da t\u00edpica identifica\u00e7\u00e3o m\u00fatua de um grupo. Cada um faz parte da s\u00e9rie com vistas a seu pr\u00f3prio objetivo, mas cada um tamb\u00e9m \u00e9 ciente do contexto serializado daquela a\u00e7\u00e3o num coletivo social, cujas estruturas as constituem dentro de certos limites.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O prop\u00f3sito te\u00f3rico de Sartre ao desenvolver o conceito de serialidade, para Young, era\u00a0 descrever o sentido de classe social. Na maior parte do tempo o que significa ser membro da classe trabalhadora (ou capitalista) \u00e9 viver em s\u00e9rie com outras pessoas dessa classe, atrav\u00e9s de um conjunto complexo e interligado de objetos, estruturas e pr\u00e1ticas em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho, \u00e0 troca e ao consumo. Dizer que uma pessoa \u00e9 de determinada classe social, significa dizer que isso \u00e9 uma facticidade social sobre as condi\u00e7\u00f5es materiais da vida dessa pessoa, o que n\u00e3o internaliza uma identidade para ela. Tal condi\u00e7\u00e3o adota o sentido de identidade quando o indiv\u00edduo afirma: \u201csou um trabalhador\u201d, momento este que passa a fazer parte de um grupo, juntamente com outros trabalhadores, com os quais estabeleceu la\u00e7os de solidariedade autoconsciente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De maneira an\u00e1loga, Young sugere aplicar este conceito de serialidade \u00e0 categoria de \u201cmulheres\u201d. H\u00e1 portanto uma estrutura pr\u00e9via que identifica e posiciona esses corpos, o que n\u00e3o significa que isso n\u00e3o pode ser subvertido, como no uso da linguagem neutra ou mesmo na subvers\u00e3o dos papeis de g\u00eanero. Essas estruturas de g\u00eanero, assim como aquelas de classe e ra\u00e7a s\u00e3o realidades com as quais cada ser deve lidar. Mas, a forma e o peso que cada sujeito atribuir\u00e1 a tais eventos \u00e9 particular, o que significa que tais estruturas n\u00e3o nomeiam atributos essenciais ou aspectos da identidade desses diferentes sujeitos. Segundo Young, \u201cUma das maiores vantagens de se pensar o g\u00eanero como serialidade \u00e9 que isto desconecta g\u00eanero de identidade\u201d (1997, p.33).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>As cinco faces da opress\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No ensaio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">As Cinco Faces da Opress\u00e3o <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">presente no livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Justi\u00e7a e as Pol\u00edticas da Diferen\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1990), Young parte da premissa que a justi\u00e7a n\u00e3o deveria limitar-se a quest\u00f5es relativas \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de bens dentre aqueles que n\u00e3o constituem o hegem\u00f4nico \u2014 homem, branco, heterossexual, em idade adulta, classe social alta e europeu. Segundo ela, \u00e9 preciso que haja condi\u00e7\u00f5es institucionais para o exerc\u00edcio e desenvolvimento da capacidade individual e coletiva, atrav\u00e9s de decis\u00f5es, divis\u00e3o do trabalho e cultura.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Young, a opress\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de grupos, um conceito estrutural. Isso significa que o vi\u00e9s adotado n\u00e3o \u00e9 o da opress\u00e3o de um tirano, a conquista de um grupo sobre outro ou a domina\u00e7\u00e3o colonial. Young refere-se \u00e0 opress\u00e3o posta em pauta pelos movimentos sociais de esquerda dos anos 1960 e 1970, em que algumas pessoas s\u00e3o injusti\u00e7adas ou est\u00e3o em desvantagem nas pr\u00e1ticas cotidianas de uma sociedade liberal. Assim, suas causas est\u00e3o arraigadas em h\u00e1bitos, normas, s\u00edmbolos, regras institucionais e no cumprimento de tais regras. Isso tamb\u00e9m significa que n\u00e3o h\u00e1 necessariamente um \u00fanico agente que perpetua tal opress\u00e3o \u2014 ainda que em rela\u00e7\u00f5es pessoais esse possa ser o caso \u2014 mas que isso se d\u00e1 de forma estruturada socialmente. De acordo com Young, isso nos leva ao reconhecimento de que os diferentes grupos incidem na vida individual de forma t\u00e3o m\u00faltipla, que pode implicar privil\u00e9gio e opress\u00e3o para o mesmo sujeito a depender do caso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O conceito de opress\u00e3o \u00e9 caro a Young uma vez que sua teoria da justi\u00e7a \u00e9 diretamente ligada a ele e ao conceito de domina\u00e7\u00e3o. Questionar as causas da injusti\u00e7a significa necessariamente reconhecer a exist\u00eancia de grupos sociais e a opress\u00e3o que alguns est\u00e3o submetidos. Portanto, subjacente a qualquer an\u00e1lise cr\u00edtica te\u00f3rica que Iris Young fa\u00e7a, est\u00e1 a an\u00e1lise situada, hist\u00f3rica, cultural e socialmente, sobre opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. Para tanto, Young nos oferece cinco categorias de an\u00e1lise para a opress\u00e3o: explora\u00e7\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o, impot\u00eancia, imperialismo cultural e viol\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A categoria de explora\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente ligada aos conceitos marxistas de luta de classes, lucro e mais-valia. Se todos s\u00e3o formalmente livres, como h\u00e1 domina\u00e7\u00e3o de classes? \u00c9 atrav\u00e9s do conceito de mais-valia que Marx explica como o lucro se d\u00e1 nas rela\u00e7\u00f5es capitalistas. Young alarga o conceito, pois para ela n\u00e3o se trata apenas de uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m de transfer\u00eancia de poder entre grupo. O trabalhador perde n\u00e3o s\u00f3 os meios materiais de produ\u00e7\u00e3o, mas o controle de qualquer tipo de poder e, em consequ\u00eancia, \u00e9 privado de elementos de respeito numa raz\u00e3o muito maior do que aquilo que \u00e9 de fato transferido. Ainda, o conceito marxista de explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a transfer\u00eancia de poderes (num sentido largo) de mulheres aos homens. \u201cA liberdade, poder, status e auto-realiza\u00e7\u00e3o dos homens \u00e9 poss\u00edvel precisamente porque mulheres trabalham para eles. Explora\u00e7\u00e3o de g\u00eanero possui dois aspectos, transfer\u00eancia dos frutos materiais do trabalho para os homens e transfer\u00eancia de energia sexual e vital para os homens\u201d (1990, p.50). Outra forma de transfer\u00eancia de energia das mulheres para os homens seria o cuidado emocional destes e da prole. Assim, ao serem exploradas, as mulheres liberam os homens para trabalhos mais importantes e criativos socialmente, aumentando seu status na sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro modo de explora\u00e7\u00e3o analisado por Young se d\u00e1 na especificidade das rela\u00e7\u00f5es raciais. Pois, onde h\u00e1 racismo, h\u00e1 a assun\u00e7\u00e3o de que os membros do grupo racial oprimido devem servir aos do grupo privilegiado. Na opress\u00e3o racial, a marginaliza\u00e7\u00e3o \u2014 condi\u00e7\u00e3o a que pessoas exclu\u00eddas do sistema de trabalho s\u00e3o sujeitas \u2014 \u00e9 a forma mais not\u00e1vel e, talvez, a mais perigosa de domina\u00e7\u00e3o, uma vez que toda uma categoria de pessoas \u00e9 expulsa da participa\u00e7\u00e3o da vida social e sujeita a priva\u00e7\u00e3o material, o que pode lev\u00e1-las ao exterm\u00ednio. A distribui\u00e7\u00e3o de bens materiais por sociedades do bem-estar social, n\u00e3o soluciona os males causados por esse tipo de opress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Young, a depend\u00eancia \u2014 n\u00e3o apenas do provimento de bem-estar social pelo Estado mas na rela\u00e7\u00e3o entre cidad\u00e3os \u2014 em si n\u00e3o deveria ser um fator opressivo, j\u00e1 que todos em algum momento da vida ser\u00e3o dependentes de outros: crian\u00e7as, doentes, mulheres recuperando-se do parto, idosos debilitados, etc. Para a autora, a viv\u00eancia feminina demonstra como a depend\u00eancia deve ser reconhecida como condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da experi\u00eancia humana.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A impot\u00eancia tende a ser explicada negativamente: a falta de poder ou de autoridade, status e o senso pr\u00f3prio que profissionais costumam ter, \u00e9 o que falta em trabalhos considerados n\u00e3o profissionais. A rela\u00e7\u00e3o entre profissionais e n\u00e3o profissionais, numa divis\u00e3o social do trabalho, tende a produzir impot\u00eancia do segundo em rela\u00e7\u00e3o ao seu pr\u00f3prio trabalho, j\u00e1 que n\u00e3o possui o poder de determin\u00e1-lo. S\u00e3o aqueles que o poder \u00e9 exercido sobre, n\u00e3o aqueles que o det\u00eam. Suas caracter\u00edsticas s\u00e3o a falta de autonomia, falta de exerc\u00edcio criativo, falta de expertise t\u00e9cnica e autoridade. Comumente s\u00e3o aqueles designados como a classe trabalhadora. Assim, essa posi\u00e7\u00e3o de trabalho \u00e9 concomitante a uma posi\u00e7\u00e3o social de n\u00e3o poder. Por fim, a divis\u00e3o entre trabalhos \u201cmanuais\u201d e \u201cmentais\u201d estendem para a vida os privil\u00e9gios da classe de profissionais para al\u00e9m do local de trabalho, possuindo um senso de respeitabilidade na sociedade. Assim, homens e mulheres da classe trabalhadora, se v\u00eaem a todo momento tendo que se provar, de alguma forma, perante a sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Explora\u00e7\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia referem-se a rela\u00e7\u00f5es de poder e opress\u00e3o que ocorrem em virtude da divis\u00e3o do trabalho, de rela\u00e7\u00f5es estruturais e institucionais que delimitam a vida de muitas pessoas materialmente, sendo uma quest\u00e3o concreta de poder de uns sobre outros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O imperialismo cultural, por sua vez, \u00e9 a experi\u00eancia de como os s\u00edmbolos dominantes de uma sociedade tornam a perspectiva particular de grupos oprimidos invis\u00edvel, ao mesmo tempo que estereotipa e marca tais grupos como o Outro. O conceito de imperialismo cultural \u00e9 uma forma de opress\u00e3o que, segundo Young, adv\u00e9m de teorias feministas e do movimento por liberta\u00e7\u00e3o negra, tomado de Lugones e Spelman. Nas palavras de Young: \u201cImperialismo cultural envolve a universaliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia e cultura de um grupo dominante e seu estabelecimento como a norma\u201d (1990, p.59). Ao faz\u00ea-lo, o grupo dominante projeta sua pr\u00f3pria experi\u00eancia como representativa da humanidade, assim como os produtos culturais expressam a perspectiva de tal grupo. No encontro com outros grupos, o que ocorre \u00e9 que estes se tornam inferiores e desviantes ou, ainda, como faltantes. Outro desdobramento \u00e9 que aqueles que s\u00e3o culturalmente dominados sofrem uma opress\u00e3o paradoxal: ao mesmo tempo em que s\u00e3o estereotipados, s\u00e3o invisibilizados. Young recorre a Du Bois para explicar o fen\u00f4meno da dupla consci\u00eancia que emerge do processo de opress\u00e3o: o sujeito deseja ser reconhecido como humano, mas recusa a coincidir com as vis\u00f5es estereotipadas, objetificadas e desvalorizadas de si. A injusti\u00e7a do imperialismo cultural consiste no fato de que as experi\u00eancias e interpreta\u00e7\u00f5es da vida social dos grupos oprimidos encontram pouco eco na cultura dominante, enquanto essa mesma cultura lhes imp\u00f5e experi\u00eancias e interpreta\u00e7\u00f5es consoante a norma.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por fim, h\u00e1 o aspecto da viol\u00eancia a que muitos grupos est\u00e3o submetidos de forma sistem\u00e1tica como \u00e9 o caso da viol\u00eancia contra corpos negros, femininos, gays, l\u00e9sbicos, ou seja, todos aqueles que fogem da norma hegem\u00f4nica. Nesta categoria est\u00e3o inclusas formas menos severas de viol\u00eancia f\u00edsica, como o ass\u00e9dio, humilha\u00e7\u00e3o ou estigmatiza\u00e7\u00e3o de grupos. \u00c9 seu car\u00e1ter sist\u00eamico, sua exist\u00eancia como pr\u00e1tica social, que torna a viol\u00eancia um fen\u00f4meno de injusti\u00e7a social. Sistem\u00e1tica porque ocorre com determinados grupos apenas por serem marcados como diferentes. \u201cA opress\u00e3o da viol\u00eancia consiste n\u00e3o apenas na direta vitimiza\u00e7\u00e3o, mas no conhecimento di\u00e1rio partilhado por todos os membros de grupos oprimidos que eles s\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sujeitos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">a viola\u00e7\u00e3o, apenas pelo fato de sua identidade enquanto grupo\u201d (1990, p.62). Para Young, \u00e9 somente atrav\u00e9s das mudan\u00e7as em imagens culturais, estere\u00f3tipos e a consequente dissolu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o que esse cen\u00e1rio de perpetra\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias contra determinados grupos, que s\u00e3o tolerados e at\u00e9 mesmo encorajados por pr\u00e1ticas sociais e institui\u00e7\u00f5es, poder\u00e1 mudar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enfim, Young entende que a pluraliza\u00e7\u00e3o da categoria de opress\u00e3o nas formas em que apresentou pode ajudar a teoria social a evitar a exclus\u00e3o ou simplifica\u00e7\u00e3o que marcadores como racismo, sexismo, classismo, heterosexismo podem trazer. Isto porque, opress\u00f5es se interrelacionam e podem apresentar similaridades entre grupos diversos. Al\u00e9m disso, o posicionamento de cada indiv\u00edduo dentro de um grupo \u00e9 \u00fanico e, geralmente, marcadores sociais tendem a representar a situa\u00e7\u00e3o de membros diferentes de um grupo como \u00fanica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Justi\u00e7a e Diferen\u00e7a<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 no seu livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Justi\u00e7a e as Pol\u00edticas da Diferen\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1990) que Young aborda diretamente os temas da justi\u00e7a e da diferen\u00e7a, o que n\u00e3o significa que n\u00e3o estejam presentes nas outras obras aqui j\u00e1 mencionadas. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Inclus\u00e3o e Democracia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2000) trata de quest\u00f5es pr\u00f3ximas a essas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Young aborda o tema da justi\u00e7a por entender que esta \u00e9 a quest\u00e3o central da filosofia pol\u00edtica. Em sua cr\u00edtica ao positivismo da teoria pol\u00edtica, afirma que muitas vezes as estruturas institucionais s\u00e3o assumidas como dados, ao inv\u00e9s de serem questionadas. Esse reducionismo, por sua vez, conduz os sujeitos \u00e0 uma unidade e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do comum, ao inv\u00e9s da especificidade e diferen\u00e7a. Ainda que trate sobre justi\u00e7a, Young defende que n\u00e3o pretende construir uma teoria da justi\u00e7a, porque h\u00e1 de se considerar a temporalidade e espacialidade das rela\u00e7\u00f5es sociais, que s\u00e3o sempre complexas, ao passo que uma teoria nesse sentido se pretende atemporal e universal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo a fil\u00f3sofa, as teorias contempor\u00e2neas de justi\u00e7a tendem a focar no paradigma da redistribui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 de fato necess\u00e1rio, mas que obscurece as quest\u00f5es de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. Estes sim deveriam ser os termos prim\u00e1rios para uma conceitualiza\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a social. Seu ponto \u00e9 que o paradigma da redistribui\u00e7\u00e3o deveria se ater \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de bens materiais, pois alargar este conceito para a distribui\u00e7\u00e3o de poder e oportunidade n\u00e3o daria conta de abarcar as m\u00faltiplas perspectivas, interesses e opini\u00f5es nas sociedades contempor\u00e2neas complexas. Ainda, poder e oportunidade se d\u00e3o em termos de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o, como examinamos acima.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em sua an\u00e1lise da justi\u00e7a, Young afirma a exist\u00eancia de grupos sociais, como vimos, al\u00e9m da defesa de que a diferen\u00e7a em si mesma n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o deveria ensejar opress\u00e3o, mas deveria ser afirmada enquanto um valor social democr\u00e1tico. As diferentes perspectivas enriquecem o debate p\u00fablico e pol\u00edtico, e esta positiva\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a deveria ser buscada, ao inv\u00e9s de uma unidade ut\u00f3pica. Processos democr\u00e1ticos de tomada de decis\u00e3o s\u00e3o outro elemento importante e condi\u00e7\u00e3o para justi\u00e7a social. Outro paradigma desmontado por Young \u00e9 o da imparcialidade, que pressup\u00f5e a separa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica entre corpo e raz\u00e3o. Se, como propomos, Young entende as subjetividades a partir do conceito de corpo vivido e, se sua teoria \u00e9 coerente, tal divis\u00e3o n\u00e3o cabe dentro de uma perspectiva justa de sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na busca por uma sociedade justa em que as diferen\u00e7as de ra\u00e7a, sexo, religi\u00e3o, etnia n\u00e3o sejam a causa de diferentes oportunidades e direitos, Young questiona o ideal de justi\u00e7a que busca a libera\u00e7\u00e3o como a transcend\u00eancia da diferen\u00e7a de grupos, numa ideia de assimila\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, afirma que a pol\u00edtica tradicional que exclui ou desvaloriza determinadas pessoas, assume os atributos de um grupo como uma diferen\u00e7a essencialista, como se tais grupos tivessem diferentes naturezas. O que a autora busca \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a enquanto um processo flu\u00eddo e relacional, como produto de processos sociais. Segundo ela, uma sociedade sem diferen\u00e7as de grupos n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ou desej\u00e1vel. Logo, h\u00e1 de se reconhecer que grupos existem e que alguns ocupam uma posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio enquanto outros s\u00e3o oprimidos. A diferen\u00e7a enquanto afirma\u00e7\u00e3o desloca o hegem\u00f4nico como norma, que torna a diferen\u00e7a em exclus\u00e3o. Assim, enquanto grupos privilegiados s\u00e3o neutros e exibem uma subjetividade male\u00e1vel e livre, os grupos exclu\u00eddos s\u00e3o marcados por uma suposta ess\u00eancia, aprisionados sob determinadas possibilidades. Nas palavras de Young: \u201cDiferen\u00e7a passa a significar n\u00e3o outridade, oposi\u00e7\u00e3o exclusiva, mas especificidade, varia\u00e7\u00e3o, heterogeneidade. Diferen\u00e7a nomeia rela\u00e7\u00f5es de similaridade e dissimilaridade que n\u00e3o podem ser nem reduzidas a identidades coextensivas nem a alteridades n\u00e3o sobrepostas\u201d (1900, p.171). Assim, um sentido positivo de diferen\u00e7a de grupos \u00e9 emancipat\u00f3rio porque reclama a defini\u00e7\u00e3o do grupo pelo pr\u00f3prio grupo, como uma cria\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de uma ess\u00eancia dada ou pr\u00e9via.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A diferen\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 sustentada por Young na sua defesa de uma vida justa na cidade. Segundo ela, a maioria dos te\u00f3ricos encontram como sa\u00edda para as sociedades capitalistas contempor\u00e2neas a defesa da comunidade. Para ela, o ideal da comunidade falha em oferecer alternativas para uma pol\u00edtica democr\u00e1tica. Resumidamente, porque o ideal comunit\u00e1rio expressa um desejo por uma fus\u00e3o dos sujeitos em pr\u00e1ticas que operam por excluir aqueles que n\u00e3o se identificam com eles. Al\u00e9m disso, nega e reprime diferen\u00e7as sociais. Sua proposta \u00e9, portanto, um ideal de vida que afirme diferen\u00e7as entre grupos, para que todos possam ter voz sem que isso forme uma comunidade coesa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Obras da autora<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">YOUNG, I M. (1990). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Justice and the Politics of Difference<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Princeton, New Jersey: Princeton University Press.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1997). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Intersecting Voices: Dilemmas of Gender, Political Philosophy, and Policy. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Princeton, New Jersey: Princeton University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">_______. (2000). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Inclusion and Democracy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">_______.(2005). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">On female body experience: \u201cThrowing like a girl\u201d and other essays<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2007).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Global Challenges. War, Self-Determination and Responsibility for Justice. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Cambridge: Polity Press, 2007.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. (<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">2011). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Responsibility for justice. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">New York: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Literatura secund\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ANTONIAZZI, C.B. (2022). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Subjetividade e opress\u00e3o a partir do corpo gestante<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Sociais, Universidade de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BEAUVOIR, S. de. ([1949] 2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O segundo sex<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">o. 3\u00aaed. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">BENHABIB, S.; DEAN, J. (2006). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">In Memoriam: Iris Young, 1949-2006. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">In: Constellations Volume 13, No 4., Reino Unido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ELIAS, R. do V. (2018). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Justi\u00e7a, grupos sociais e responsabilidade: estrutura e ag\u00eancia em Iris Young<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia do Direito e Teoria Geral do Direito, Faculdade de Direito, Universidade de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERLEAU-PONTY, M. ([1945] 1999). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fenomenololgia da percep\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 2\u00aa ed. trad. Carlos Alberto Ribeiro de Moura. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MOI, Toril. (1999). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">What Is a Woman? And Other Essays. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">New York: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">NEVES, Raphael Cezar da Silva. (2005). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reconhecimento, multiculturalismo e direitos. Contribui\u00e7\u00f5es do debate feminista a uma teoria cr\u00edtica da sociedade.<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400\">Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Sociais, Universidade de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">UHDE, Zuzana. (2010). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">On Sources of Structural Injustice: A Feminist Reading of the Theory of Iris M. Young.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> In: Human Affairs 20, pp.151-166. Institute of Sociology, Academy of Sciences of the Czech Republic. Czech Republic.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Outras fontes<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Oxford Learning Link: <\/span><a href=\"https:\/\/learninglink.oup.com\/access\/content\/garner-2ce-student-resources\/key-thinkers-iris-marion-young\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/learninglink.oup.com\/access\/content\/garner-2ce-student-resources\/key-thinkers-iris-marion-young<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (\u00faltimo acesso em 29\/08\/2023)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Constellations Journal: <\/span><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/journal\/14678675\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/journal\/14678675<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (\u00faltimo acesso em 29\/08\/2023)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iris Marion Young (1949 &#8211; 2006) &nbsp; por Carolina Antoniazzi, doutoranda no \u00a0Departamento de Filosofia da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-1836","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1836"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1836\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1840,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1836\/revisions\/1840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}