{"id":1863,"date":"2023-11-18T17:27:07","date_gmt":"2023-11-18T20:27:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=1863"},"modified":"2023-11-18T17:27:07","modified_gmt":"2023-11-18T20:27:07","slug":"audre-lorde","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/audre-lorde\/","title":{"rendered":"Audre Lorde"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Audre Lorde<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1934-1992)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0por Eliz\u00e2ngela Inoc\u00eancio Mattos, <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">professora da Universidade Federal do Tocantins e do mestrado acad\u00eamico em <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Educa\u00e7\u00e3o do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">da mesma universidade &#8211; <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7750062710372317\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/Audre-Lorde-PDF.docx.pdf\">Audre Lorde &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_1864\" aria-describedby=\"caption-attachment-1864\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-vp_sm wp-image-1864\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/unnamed-500x351.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/unnamed-500x351.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/unnamed-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/unnamed-768x540.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/unnamed-800x562.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/unnamed-130x90.jpg 130w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2023\/11\/unnamed.jpg 895w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1864\" class=\"wp-caption-text\">John-F.-Kennedy Institut, da Freie Universitat Berlin. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jfki.fu-berlin.de\/en\/library\/holdings\/audrelorde\/audre_lorde_fotos\/index.html<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Vida<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Audre Geraldine Lorde, filha ca\u00e7ula de uma fam\u00edlia de imigrantes de Grenada, ilha do Caribe, nasceu em Nova Iorque em 8 de fevereiro de 1934. Teve desde cedo uma proximidade com a escrita e a for\u00e7a da palavra, escreveu poemas desde crian\u00e7a, tendo, mesmo em sala de aula, estado em um lugar \u00e0 frente de seus colegas de turma no que se refere \u00e0 escrita, como bem relatou em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Zami: uma nova grafia do meu nome \u2013 uma biomitografia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1982), texto em que encontramos a melhor narrativa sobre sua vida contada por ela mesma. Ali ela mostra a inf\u00e2ncia no Harlem, seu percurso de vida e as quest\u00f5es que tomaram a sua aten\u00e7\u00e3o desde cedo, a saber: as injusti\u00e7as do racismo, a homofobia e o sexismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Zami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> que podemos ver a pequena Audre Lorde sendo advertida pela professora \u2014 por n\u00e3o fazer o que ela pedia, n\u00e3o seguir instru\u00e7\u00f5es \u2014 quando, diante de uma tarefa para escrever somente uma letra, escreveu de maneira precoce o seu nome, pois j\u00e1 havia aprendido com sua m\u00e3e em casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A escritora, ao retratar o percurso de sua vida, narra a inf\u00e2ncia marcada pela personalidade forte da m\u00e3e, pelo pai e pelas duas irm\u00e3s mais velhas. As regras em casa, o modo r\u00edgido relatado por ela nas linhas de sua biomitografia (termo, ali\u00e1s, que considera todas as mulheres que fizeram parte de sua vida), alterando biografia e fic\u00e7\u00e3o. Pois \u00e9 exatamente assim que ela se refere na dedicat\u00f3ria: \u201cpara as partes artes\u00e3s de mim mesma\u201d. Ademais, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Zami, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">como uma nova grafia de seu nome, descreve a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Amiga<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a conjuga\u00e7\u00e3o dela e de todas as mulheres de sua vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Seu percurso come\u00e7a com a refer\u00eancia \u00e0 sua m\u00e3e, como ela mais tarde desejar\u00e1 ser: uma mulher diferente de todas as demais. Assim ela escreveu em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Zami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: \u201cJ\u00e1 que meus pais compartilhavam toda a formula\u00e7\u00e3o de regras e decis\u00f5es, aos meus olhos de crian\u00e7a minha m\u00e3e deveria ser <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">outra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> coisa que n\u00e3o mulher. Ao mesmo tempo, ela certamente n\u00e3o era um homem\u201d (Lorde, 2021, pp. 38-39).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em outro relato de sua inf\u00e2ncia, ela narra uma conversa com as irm\u00e3s, Phyllis e Helen. Audre Lorde, ent\u00e3o com seis anos de idade, questiona-as sobre o significado de uma pessoa ser \u201cde cor\u201d. Podemos antever nesse epis\u00f3dio emblem\u00e1tico que houve, desde muito cedo, o reconhecimento de quest\u00f5es importantes, no caso, o racismo. No ocorrido, diante do sil\u00eancio das irm\u00e3s, ela disse que, se perguntada, diria ser da mesma cor de sua m\u00e3e, considerada, quando chegou nos Estados Unidos, uma \u201chisp\u00e2nica\u201d de pele clara. Embora n\u00e3o lhe tivessem explicado a verdadeira raz\u00e3o atrelada na conversa: a ra\u00e7a presente na sociedade e certamente, dentro de sua casa, a pequena Audre Lorde, diante da resposta negativa das irm\u00e3s, levaria os seus efeitos para as linhas de suas obras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Conhecer a vida de Audre Lorde \u00e9 fundamental para adentrar a obra que se comp\u00f5e concomitante a ela. A escritora, poeta, feminista de ascend\u00eancia caribenha graduou-se na Hunter College entre 1951 a 1959, obtendo o mestrado em biblioteconomia pela Columbia University em 1961. Seu primeiro volume de poemas foi publicado em 1968: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The First Cities<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [As Primeiras Cidades]. Ela demonstra nas obras um ativismo potente, chamando a uma ruptura da estagna\u00e7\u00e3o, poss\u00edvel somente pela a\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o indubit\u00e1vel para romper o sil\u00eancio que delega pessoas a determinados lugares. Dentre suas obras, podemos destacar as publicadas no Brasil: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Entre N\u00f3s Mesmas <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[1976] (2020),<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> A Unic\u00f3rnia Preta <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[1978] (2020)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">, Sou sua Irm\u00e3 <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[1984] (2020)<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">e a j\u00e1 mencionada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Zami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [1982] (2021).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1978, Audre Lorde foi diagnosticada com um c\u00e2ncer de mama. Ela escreveu sobre a experi\u00eancia de decidir pela mastectomia em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Cancer Journals<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Os di\u00e1rios do C\u00e2ncer], em 1980. Em 1984 foi para a Alemanha, como professora visitante. O resultado de sua estadia influenciou o movimento afro-alem\u00e3o e a sua contribui\u00e7\u00e3o para o engajamento das mulheres, fato que podemos ver no document\u00e1rio \u201cAudre Lorde \u2013 The Berlin Years, 1984 to 1992\u201d. O document\u00e1rio apresenta sua atua\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da sala de aula, na qual buscou enaltecer o protagonismo da mulher. Ela teve dois filhos, Elizabeth e Jonathan, e morreu na ilha de Saint Croix, no Caribe, aos 58 anos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Obra<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Transitando entre v\u00e1rios estilos, da poesia ao ensaio, relatos de mem\u00f3ria e de suas experi\u00eancias, a autora coloca sua vida a servi\u00e7o da obra. Do inicial livro de poemas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The First Cities<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [As Primeiras Cidades] 1968, ao tamb\u00e9m livro de poesias intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cables to Rage<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cabos para a F\u00faria] 1970, ao relato de seu momento de vida em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Cancer Journals<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 1980, Audre Lorde discorre sobre sua vida e luta permanente pelo reconhecimento da diferen\u00e7a, ao qual nos detemos, para efetivamente demonstrar que seu efeito n\u00e3o seria a exclus\u00e3o, mas condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia e reconhecimento de si.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra de Audre Lorde apresenta elementos fundamentais para compreender o impacto da necessidade de delimitar uma condi\u00e7\u00e3o ou modo de exist\u00eancia para uma pessoa. Ele acarreta uma viol\u00eancia que, ainda que sutil na maioria das vezes, ignora um tanto de diferen\u00e7as que s\u00e3o, elas mesmas, constituintes dela. Dizendo de outro modo, sua reivindica\u00e7\u00e3o pelo reconhecimento da diferen\u00e7a resulta em n\u00e3o encerrar uma pessoa em uma classifica\u00e7\u00e3o est\u00e1tica e \u00fanica, imputando-lhe uma classifica\u00e7\u00e3o a partir do ju\u00edzo da diferen\u00e7a. Assim ela escreveu no discurso \u201cDiferen\u00e7a e Sobreviv\u00eancia: Um discurso no Hunter College\u201d, publicado nos escritos de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sou Sua Irm\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ser muito bom em alguma coisa \u00e9 visto como uma diferen\u00e7a positiva, ent\u00e3o voc\u00eas ser\u00e3o encorajados a pensar em si mesmos como uma elite. Ser pobre, de cor, mulher, homossexual ou de idade \u00e9 considerado negativo, de modo que essas pessoas s\u00e3o encorajadas a pensar em si como dispens\u00e1veis. Cada uma dessas defini\u00e7\u00f5es impostas tem lugar n\u00e3o no crescimento e no progresso humanos, mas na desuni\u00e3o, pois representam a desumaniza\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a. (Lorde, 2020c, p.43).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra e a vida de Audre Lorde, ou a vida e a obra, andam juntas, em um processo permanente, de modo que a autora se coloca no texto escrito, nas conversas e palestras proferidas. Seu protagonismo certamente visa a fortalecer e despertar as demais pessoas para o reconhecimento de si como condi\u00e7\u00e3o fundamental para uma exist\u00eancia efetiva e verdadeira. Somente ap\u00f3s esse processo seria poss\u00edvel olhar e considerar o outro. Ela n\u00e3o \u00e9 uma autora que t\u00e3o somente estuda e l\u00ea, com certo distanciamento entre temas abordados e a sua vida. \u00c9 uma autora que estuda e l\u00ea sobre si mesma, ela est\u00e1 sempre presente, ela \u00e9 precisamente a obra de sua vida. Eis um aspecto fundamental a fim de ser poss\u00edvel reconhecer e pautar o pensamento feminista tal como apreendido em sua obra: a narrativa em primeira pessoa imprime a presen\u00e7a da autora que fortalece toda argumenta\u00e7\u00e3o de sua escrita.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ademais, cumpre enfatizar que sua obra corrobora uma emerg\u00eancia em abarcar as quest\u00f5es referentes a g\u00eanero, sexualidade e ra\u00e7a, impl\u00edcitos na experi\u00eancia da mulher negra. Seu conhecimento se realiza a fim de erradicar as desigualdades entre elas e todas as demais, visto serem seu reconhecimento e visibilidade condi\u00e7\u00f5es fundamentais para dirimir a desigualdade. Desse modo, ao chamar a aten\u00e7\u00e3o para o relato da mulher negra e sua peculiaridade, Audre Lorde se aproxima do que Alice Walker cunhou como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">womanist<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, para tratar da experi\u00eancia da mulher negra e de como ela seria afetada pelos modos de discrimina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. As mulheres oprimidas, relegadas ao sil\u00eancio, em raz\u00e3o da sexualidade, da classe e da ra\u00e7a, s\u00e3o reconhecidas por Audre Lorde a partir da pr\u00f3pria escrita, descrevendo suas complexidades, ao passo que lhes garantindo visibilidade. Sua obra supre uma lacuna do sil\u00eancio sobre as quest\u00f5es da mulher negra, o que certamente enfatiza a quest\u00e3o da interseccionalidade como fundamental para se enfrentar toda forma de opress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A comunica\u00e7\u00e3o verdadeira e produtiva seria poss\u00edvel a partir do reconhecimento por cada um de suas pr\u00f3prias diferen\u00e7as, mas elas n\u00e3o encerram o discurso, ao contr\u00e1rio, tornam-no poss\u00edvel. Eis uma reflex\u00e3o que a obra demonstra e a que nos provoca. As rela\u00e7\u00f5es humanas comp\u00f5em o ser muito mais do que aquilo que tenta definir os humanos e encerr\u00e1-los como seres est\u00e1ticos. \u201cMas ela enfatiza que pr\u00e1ticas relacionais s\u00e3o mais fundamentais do que categorias para as pessoas, porque tais categorias s\u00e3o inevitavelmente inadequadas para representar a complexidade da vida de qualquer indiv\u00edduo\u201d (Olson, 1998, p.3).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dessa maneira, Audre Lorde toma a diferen\u00e7a como um aspecto positivo na uni\u00e3o entre as pessoas, visto que a primeira condi\u00e7\u00e3o seria que cada um pudesse reconhecer as suas para assim n\u00e3o incorrer em ter nomeadas as suas diferen\u00e7as por outrem. Eis um aspecto importante da consci\u00eancia de si em sua obra de luta e resist\u00eancia. Ela toma a diferen\u00e7a como ponte, e considera que o que se precisa combater \u00e9 o sil\u00eancio decorrente da diferen\u00e7a tomada como exclus\u00e3o e apagamento. E seria exatamente na pr\u00e1tica relacional, a que se refere Olson, que esse processo logra \u00eaxito. Na rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas, muito mais que nas defini\u00e7\u00f5es sobre elas, podemos apreender a singularidade humana. Assim ela escreveu em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sou sua irm\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, texto de 1984: \u201cNo entanto, como em todas as fam\u00edlias, \u00e0s vezes temos dificuldade de lidar de maneira construtiva com as diferen\u00e7as genu\u00ednas entre n\u00f3s e de reconhecer que a uni\u00e3o n\u00e3o exige que sejamos id\u00eanticas umas \u00e0s outras\u201d (Lorde, 2020c, p.13).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao analisar a pr\u00e1tica discursiva de Audre Lorde, Olson apresenta uma estrat\u00e9gia da autora que se evidencia na for\u00e7a do reconhecimento de si como condi\u00e7\u00e3o de poder necess\u00e1ria a fim de combater ou dialogar com as pr\u00e1ticas hier\u00e1rquicas que constituem o \u00e2mbito da linguagem e da vida social. Assim:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lorde usa uma ret\u00f3rica t\u00e9cnica de primeiro promover a identifica\u00e7\u00e3o entre as mulheres em oposi\u00e7\u00e3o ao patriarcado como meio de trazer esses <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">insights<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> sobre pr\u00e1ticas relacionais para suportar rela\u00e7\u00f5es an\u00e1logas de domina\u00e7\u00e3o entre mulheres de todas as classes, idades, ra\u00e7as e sexualidades (Olson, 1998, p.7).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa promo\u00e7\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o de que fala Olson, compreendo ser o reconhecimento de si a partir das rela\u00e7\u00f5es entre as mulheres, do di\u00e1logo onde a diferen\u00e7a seja efetivamente considerada. Tomar a si mesma para poder atuar efetivamente em uma comunica\u00e7\u00e3o positiva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No j\u00e1 mencionado texto \u201cDiferen\u00e7a e Sobreviv\u00eancia: Um discurso no Hunter College\u201d, discurso n\u00e3o datado, Audre Lorde diz que: \u201c\u00c9 no interior das nossas diferen\u00e7as que somos mais poderosos e mais vulner\u00e1veis, e afirmar as diferen\u00e7as e aprender a us\u00e1-las como pontes entre n\u00f3s, em vez de como barreiras, s\u00e3o tarefas bem dif\u00edceis\u201d (Lorde, 2020c, p.42). O reconhecimento da diferen\u00e7a constitui o lugar de for\u00e7a e uni\u00e3o, e n\u00e3o de distanciamento entre as pessoas. Mais uma vez, esse reconhecimento \u00e9 parte constituinte do ser, da consci\u00eancia de si, e consider\u00e1-lo comp\u00f5e atributo primordial que tende a fortalecer a uni\u00e3o em lugar de separar as pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas distor\u00e7\u00f5es foram criadas em torno das diferen\u00e7as humanas, e todas elas servem ao prop\u00f3sito da separa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o trabalho de uma vida inteira extra\u00ed-las do nosso dia a dia, ao mesmo tempo que as reconhecemos, regeneramos e as definimos conforme s\u00e3o impostas, para ent\u00e3o explorar o que elas podem nos ensinar sobre o futuro que devemos todos compartilhar (Lorde, 2020c, p.44).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Trata-se certamente de uma chamada \u00e0 consci\u00eancia de si em toda amplitude, tomando na diferen\u00e7a a condi\u00e7\u00e3o primordial para a voz ativa da a\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria rumo ao pertencimento. Nesse sentido, h\u00e1 uma invers\u00e3o apresentada: a diferen\u00e7a n\u00e3o constitui componente de exclus\u00e3o, ela necessita ser reconhecida e inclu\u00edda. Se por vezes tomamos a diferen\u00e7a como fator de exclus\u00e3o, resultando assim na separa\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel, sua obra corrobora a uni\u00e3o para a a\u00e7\u00e3o. O reconhecimento da diferen\u00e7a como constituinte do indiv\u00edduo \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para seu estar no mundo. A partir dele, seria poss\u00edvel a a\u00e7\u00e3o coletiva, pois a diferen\u00e7a n\u00e3o atuaria separando, deixando de lado o que ela aponta, no discurso: \u201cQuando a ignor\u00e2ncia vai acabar?\u201d, discurso na Confer\u00eancia Nacional de Gays e L\u00e9sbicas do Terceiro Mundo, como a \u201cvelha t\u00e1tica de \u2018dividir para conquistar\u2019\u201d (Lorde, 2020c, p.52). Por isso a import\u00e2ncia de tomar o aspecto positivo da diferen\u00e7a, n\u00e3o como fator de exclus\u00e3o (este seria o caminho comum e j\u00e1 percorrido).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sua vida e obra relatam os perigos de encerrar uma pessoa em uma categoria. No texto \u201cN\u00e3o Existe Hierarquia de Opress\u00e3o\u201d, publicado em 1983, podemos compreender dois elementos importantes em sua obra. O primeiro \u00e9 que, como o pr\u00f3prio t\u00edtulo confirma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel haver hierarquia de opress\u00e3o, pois onde uma ocorre, decorrem todas as outras. Assim:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dentro da comunidade l\u00e9sbica, sou negra, dentro da comunidade negra, sou l\u00e9sbica. Qualquer ataque contra pessoas negras \u00e9 uma quest\u00e3o que envolve gays e l\u00e9sbicas, porque eu e milhares de outras mulheres negras somos parte da comunidade l\u00e9sbica. Qualquer ataque \u00e0 l\u00e9sbicas e gays \u00e9 uma quest\u00e3o que envolve os negros, porque milhares de l\u00e9sbicas e gays s\u00e3o negros. N\u00e3o existe hierarquia de opress\u00e3o (Lorde, 2020c, p.64).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O segundo \u00e9 a quest\u00e3o do lugar social, a determina\u00e7\u00e3o como fundamental para se caracterizar uma pessoa, quando na verdade ela cont\u00e9m em si muitas e tantas outras possibilidades de realiza\u00e7\u00e3o. Sua vida n\u00e3o se encerrou em uma \u00fanica categoria social, ela foi muito mais que uma defini\u00e7\u00e3o e essa din\u00e2mica encontrou seus entraves:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como negra, l\u00e9sbica, socialista, m\u00e3e de dois, entre eles um menino, e integrante de um casal inter-racial, com frequ\u00eancia me vejo parte de um grupo em que a maioria me define como desviante, dif\u00edcil, inferior ou simplesmente \u2018errada\u2019 (Lorde, 2020c, p.63).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eis um exemplo de como a intoler\u00e2ncia decorre tamb\u00e9m da necessidade em delimitar a pessoa em uma \u00fanica condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia. Sua vida como movimento encontrou julgamentos que tendiam a diminuir seu papel em determinados grupos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ora, eis um ponto interessante e bastante delicado se considerarmos o interior dos grupos de pessoas que compartilham um certo ideal. H\u00e1 uma tend\u00eancia a se encerrar em uma \u00fanica forma de se portar no mundo e isso muitas vezes nos acompanha por toda a vida, sendo qualquer possibilidade de mudan\u00e7a considerada uma a\u00e7\u00e3o inadequada. Mas somos prontos e acabados? Qual o impedimento de uma mulher negra l\u00e9sbica estar em um grupo de m\u00e3es, por exemplo? \u00c9 tomarmos uma diferen\u00e7a n\u00e3o como ponto evidente de exclus\u00e3o, mas consider\u00e1-la como ponto de for\u00e7a para remeter todos a a\u00e7\u00e3o, visto que no interior dos grupos sociais haveria uma tend\u00eancia \u00e0 hierarquia de opress\u00e3o, enquanto Audre Lorde argumenta exatamente contra essa hierarquia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os textos de Audre Lorde, carregados de uma entrega pessoal poderosa, demonstram uma autora que tem efetiva consci\u00eancia de si e de como o reconhecimento se fortalece pela maneira como se coloca no mundo. No texto: \u201cMinhas palavras estar\u00e3o l\u00e1\u201d, que comp\u00f5e a obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sou Sua Irm\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, escreveu sobre suas v\u00e1rias identidades:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas, para mim, \u00e9 necess\u00e1rio e criativo lidar com todos os aspectos de quem sou, e tenho dito isso h\u00e1 muito tempo. N\u00e3o sou apenas um fragmento. N\u00e3o posso simplesmente ser uma pessoa negra e n\u00e3o ser tamb\u00e9m mulher, assim como n\u00e3o posso ser mulher sem ser l\u00e9sbica. [&#8230;] O que acontece quando voc\u00ea estreita sua defini\u00e7\u00e3o para aquilo que \u00e9 conveniente, ou que est\u00e1 na moda, ou o que \u00e9 esperado, \u00e9 a desonestidade pelo sil\u00eancio (Lorde, 2020c, p. 79).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sua obra busca romper esse sil\u00eancio. Pois \u00e9 poss\u00edvel ser em si mesma, conter em si mesma, v\u00e1rias identidades, e elas todas s\u00e3o componentes deste ser, n\u00e3o poderiam ser pensadas separadamente de acordo com determinadas situa\u00e7\u00f5es, pois, de outra maneira, ter\u00edamos sempre que perguntar: onde \u00e9 poss\u00edvel abarcar o indiv\u00edduo tal como se realiza no mundo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 em sua obra que Lorde exerce sua exist\u00eancia como motor para a a\u00e7\u00e3o e para despertar os demais para a a\u00e7\u00e3o e o reconhecimento de si. Por meio de sua arte, efetua o elo entre a escrita de uma vida e a vida em uma escrita, acarretando dessa forma uma obra poderosa, que parece alertar, chamar \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Para ela, um escritor \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, um professor, um ser que incita a a\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 nela que se pode fazer presente e atuante.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Entre n\u00f3s mesmas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, de 1976, a reuni\u00e3o de poemas demonstra a milit\u00e2ncia e for\u00e7a de sua entrega em um conjunto de textos potentes que se prop\u00f5em \u00e0 a\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o permanentes. A edi\u00e7\u00e3o brasileira, como tamb\u00e9m a edi\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Unic\u00f3rnia Preta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, oferecem a tradu\u00e7\u00e3o com a vers\u00e3o no original, possibilitando aos leitores conhecerem na l\u00edngua original, um ganho significativo para a leitura e estudo de sua obra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os poemas que comp\u00f5em a obra de 1978, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Unic\u00f3rnia Preta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, refor\u00e7am a pot\u00eancia da palavra como condi\u00e7\u00e3o para enfrentamento de uma estrutura patriarcal e racista que relega ao sil\u00eancio vozes destinadas \u00e0 a\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A publica\u00e7\u00e3o de algumas de suas obras no Brasil nos permite, primeiro, reconhecer os esfor\u00e7os de editores e tradutores por proporcionar aos leitores brasileiros o acesso a essa autora fundamental para se compreender o papel da escrita como for\u00e7a criativa, a import\u00e2ncia do reconhecimento de si mesmo e da pr\u00f3pria diferen\u00e7a como propulsores de uma a\u00e7\u00e3o positiva. Ademais, tais esfor\u00e7os nos remetem a conhecer, discutir e nos aprofundar em sua obra, com todo o engajamento que demonstrou em sua vida. Em uma passagem de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Cancer Journals<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Audre Lorde nos mostra a for\u00e7a para seguir, a for\u00e7a para lutar, para enfrentar e agir. Fiquemos com ela:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como mulheres, fomos criadas para temer. Se eu n\u00e3o posso banir o medo completamente, posso aprender a contar menos com ele. Pois ent\u00e3o o medo n\u00e3o se torna um tirano contra o qual desperdi\u00e7o minha energia lutando, mas um companheiro, n\u00e3o particularmente desej\u00e1vel, mas algu\u00e9m cujo conhecimento pode ser \u00fatil (Lorde, 1980, p.15).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><b> Obras de Audre Lorde<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Em Ingl\u00eas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lorde, A. (1968). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The First Cities,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Introduction by Diane di Prima, Poets Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1970).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Cables to Rage, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">London: Paul Breman.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1973). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">From a Land Where Other People Live. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Detroit: Broadside Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1974)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">. The New York Head Shop and Museum. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Detroit:<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Broadside Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1976). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Coal,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> New York: W. W. Norton &amp; Company.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1976).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Between Our Selves.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Point Reyes, California: Eidolon Editions.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1978). Handing Fire. From <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Collected Poems of Audre Lorde<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. W. W. Norton and Company Inc.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1978). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Black Unicorn. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">New York: W. W. Norton Publishing.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1980). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Cancer Journals<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Spinsters, Ink.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1981). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uses of the Erotic: the erotic as power<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tucson, Arizona: Kore Press.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1982).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Zami: A New Spelling of My Name<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Crossing Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1982).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Chosen Poems Old and New. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">New York: W. W. Norton Publishing.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1984).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Sister Outsider.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Essays and Speeches. Trumansburg, New York: The Crossing Press. (reissued 2007).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1986).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Our Dead behind Us,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> New York: W. W. Norton Publishing.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1986). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Apartheid U.S.A. With Our Common Enemy, Our Common Cause: Freedom Organizing In The Eighties<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> by Merle Woo. Freedom Organizing Series, no. 2. New York: Kitchen Table, Women of Color Press.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1990).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Need: A Chorale for Black Women Voices.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> New York: Women of. Color Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1992). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undersong: Chosen Poems Old and New,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> New York: W. W. Norton Publishing.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1993).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> The Marvelous Arithmetics of Distance,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> New York: W. W. Norton Publishing.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1997).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> The Collected Poems of Audre Lorde.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> New York: W. W. Norton and Company Inc.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2009). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">I Am Your Sister<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: Collected and Unpublished Writings of Audre Lorde. Oxford New York: Oxford University Press. 2009.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2017). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Your Silence Will Not Protect You<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0: Essays and Poems. Silver Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2017). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Burst of Light and Other Essays. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">New York: Ixia Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Traduzidas para o portugu\u00eas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lorde, A. (2020a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Entre N\u00f3s Mesmas: poemas reunidos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Tatiana Nascimento e Val\u00e9ria Lima; pref\u00e1cio de Cidinha da Silva. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2020b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Unic\u00f3rnia Preta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Stephanie Borges; pref\u00e1cio de Jess Oliveira. Belo Horizonte: Relic\u00e1rio Edi\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2020c). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sou Sua Irm\u00e3: escritos reunidos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Organizado e apresentado por Djamila Ribeiro; Tradu\u00e7\u00e3o de Stephanie Borges. S\u00e3o Paulo: Ubu Editora.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2021). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Zami: uma nova grafia do meu nome \u2013 uma biomitografia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Lubi Prates. S\u00e3o Paulo: Elefante.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><b> Literatura secund\u00e1ria<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Calle, M. P. S.<\/span><a href=\"http:\/\/www.raco.cat\/index.php\/Bells\/article\/download\/102781\/149186\"> <span style=\"font-weight: 400\">(1996).<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Audre Lorde\u2019s Zami and Black Women\u2019s Autobiography: Tradition and Innovation.<\/span><\/i><\/a> <span style=\"font-weight: 400\">Dispon\u00edvel em:<\/span> <a href=\"https:\/\/www.raco.cat\/index.php\/Bells\/article\/download\/102781\/149186\/0\"><i><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.raco.cat\/index.php\/Bells\/article\/download\/102781\/149186\/0<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 27\/out. \/2023.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hall, J. W., and Lorde A. (2004). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Conversations with Audre Lorde<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Jackson: University Press of Mississippi.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hammond K. (1980). An Interview with Audre Lorde, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">American Poetry Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, March\/April, p. 18\u201321.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Linden, R. R. ed. (1982). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Interview with Audre Lorde<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> in Against Sadomasochism: A Radical Feminist Analysis (East Palo Alto, Calif.: Frog in the Well), pp.\u00a066\u201371. Biographical films [edit].<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mcclintock, A.; Mufti, A.; Shohat, E., eds. (1997). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Age, race, class, and sex: women redefining difference<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Dangerous liaisons: gender, nation, and postcolonial perspectives. Minnesota, Minneapolis: University of Minnesota Press. pp.\u00a0374\u201380. Interviews[edit].<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Olson, L. C. (1997). On the Margins of Rhetoric: Audre Lorde transforming silence into language and action.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Quarterly Journal of Speech, 83: 49-70.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">_______.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1998). Liabilities of Language: Audre Lorde Reclaiming Difference. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Quarterly Journal of Speech<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 84: 448-470.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Veaux, A. de. (2004). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Warrior Poet: A Biography of Audre Lorde<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: W.W. Norton.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><b> Outros materiais<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Abod, J. (2002). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Edge of Each Other&#8217;s Battles: The Vision of Audre Lorde.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Document\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Parkerson, M.; Griffin, A. G. (1995). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Litany for Survival: The Life and Work of Audre Lorde<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Document\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Schultz, D. (2012). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Audre Lorde\u2014The Berlin Years 1984 to 1992 <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Audre Lorde \u2013 Die Berliner Jahre 1984 -1992), Alemanha. [Document\u00e1rio; DVD].<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Audre Lorde (1934-1992) &nbsp; \u00a0por Eliz\u00e2ngela Inoc\u00eancio Mattos, professora da Universidade Federal do Tocantins e do mestrado acad\u00eamico em Educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-1863","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1863","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1863"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1866,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1863\/revisions\/1866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}