{"id":1963,"date":"2024-06-26T18:01:54","date_gmt":"2024-06-26T21:01:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=1963"},"modified":"2024-06-26T18:01:54","modified_gmt":"2024-06-26T21:01:54","slug":"akiko-yosano-%e4%b8%8e%e8%ac%9d%e9%87%8e-%e6%99%b6%e5%ad%90","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/akiko-yosano-%e4%b8%8e%e8%ac%9d%e9%87%8e-%e6%99%b6%e5%ad%90\/","title":{"rendered":"Akiko Yosano  \u4e0e\u8b1d\u91ce \u6676\u5b50"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Akiko Yosano<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>\u4e0e\u8b1d\u91ce \u6676\u5b50<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1878 \u2013 1942)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Karen Kazue Kawana, doutoranda em Teoria e Hist\u00f3ria\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Liter\u00e1ria (IEL\/Unicamp) e Doutora em Filosofia (IFCH\/Unicamp) \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6080403742003472\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/Verbete-Akiko-Yosano-PDF.docx.pdf\">Akiko Yosano &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_1964\" aria-describedby=\"caption-attachment-1964\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-vp_sm wp-image-1964\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/unnamed-500x680.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"680\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/unnamed-500x680.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/unnamed-221x300.png 221w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/unnamed-753x1024.png 753w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/unnamed-768x1044.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/unnamed-800x1087.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/06\/unnamed.png 810w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1964\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Kokuritsu Kokkai Toshokan [Biblioteca Nacional da Dieta], NDL<\/figcaption><\/figure><b>Uma intelectual polivalente<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko Yosano \u2014 nascida Sh\u014d H\u014d [\u9cf3 \u5fd7\u3084\u3046], ou Sh\u014d \u014ctori (Beichman, 2002), a depender da leitura do ideograma do sobrenome familiar \u2014 foi uma poeta, escritora, tradutora, cr\u00edtica e educadora japonesa. Em 1901, quando ela tinha pouco mais de vinte anos, a publica\u00e7\u00e3o da colet\u00e2nea <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Midaregami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cabelos revoltos] causou sensa\u00e7\u00e3o e a lan\u00e7ou no universo liter\u00e1rio japon\u00eas. A obra tratava de temas como a paix\u00e3o, a sensualidade e a individualidade femininas em poemas curtos de forma cl\u00e1ssica, ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tanka<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Embora o impacto de sua primeira colet\u00e2nea ofusque um pouco sua produ\u00e7\u00e3o posterior, Akiko Yosano tem uma extensa obra liter\u00e1ria tanto em poesia quanto em prosa, al\u00e9m de ser uma figura importante do feminismo no Jap\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela fez contribui\u00e7\u00f5es para a revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Seit\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Meias azuis], a primeira revista liter\u00e1ria editada e escrita por mulheres do Jap\u00e3o, escreveu ensaios sobre quest\u00f5es femininas, desempenhou um papel importante no estabelecimento da Bunka Gakuin \u2014 uma escola de conceito inovador na \u00e9poca que existe at\u00e9 hoje em T\u00f3quio \u2014, publicou quinze livros de ensaios e traduziu o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Genji monogatari<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Narrativas de Genji], grande obra da literatura cl\u00e1ssica japonesa escrita pela dama da corte <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/filosofas\/murasaki-shikibu\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Murasaki Shikibu<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (978?\u20131031?) no per\u00edodo Heian (794-1185), produzindo n\u00e3o uma, mas duas vers\u00f5es dessa obra em japon\u00eas moderno. Escreveu fic\u00e7\u00e3o, relatos de viagens e hist\u00f3rias infantis. Como poeta, publicou vinte e uma colet\u00e2neas, tanto de poemas em estilo tradicional quanto em versos livres (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">shintaishi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Juventude<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A autora nasceu em Sakai, cidade portu\u00e1ria ao sul de Osaka, em 7 de dezembro de 1878, em uma pr\u00f3spera fam\u00edlia de comerciantes. Seu pai, S\u014dshichi H\u014d\/\u014ctori (1847-1903) era propriet\u00e1rio de segunda gera\u00e7\u00e3o da Surugaya, uma loja especializada em doces tradicionais como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">y\u014dkan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, feito com feij\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">azuki<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">; sua m\u00e3e, Tsune (1851-1907), era filha de um respeit\u00e1vel comerciante local.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sakai era uma cidade comercial com muitas casas constru\u00eddas para servirem como lojas ou pequenos ateli\u00eas que possu\u00edam espa\u00e7o para os empregados dormirem, e foi em uma delas que Akiko passou a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia. Ela tinha um irm\u00e3o mais velho, Sh\u016btar\u014d (ou Hidetar\u014d); um irm\u00e3o mais novo, Ch\u016bsabur\u014d; e a ca\u00e7ula, Sato, al\u00e9m de duas meia-irm\u00e3s do primeiro casamento do pai. Enquanto a m\u00e3e era uma mulher pr\u00e1tica que se ocupava da administra\u00e7\u00e3o do estabelecimento, o pai era um intelectual com veleidades art\u00edsticas que escrevia <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">haiku<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e gostava de pintar. Ele passava muito tempo na biblioteca do segundo andar do armaz\u00e9m pr\u00f3ximo da Surugaya onde mantinha uma grande cole\u00e7\u00e3o de obras cl\u00e1ssicas japonesas e chinesas, al\u00e9m de textos sobre ci\u00eancia e conhecimentos ocidentais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1888, a jovem Akiko terminou os estudos elementares e se matriculou em uma escola para garotas rec\u00e9m-estabelecida em Sakai. No ano seguinte, Hana, a mais jovem de suas meia-irm\u00e3s, se casou, e Akiko passou a ter mais responsabilidades na loja de doces, embora j\u00e1 ajudasse no trabalho desde crian\u00e7a. Depois de concluir os estudos formais em 1894, seu papel na administra\u00e7\u00e3o do estabelecimento se tornou ainda maior, por\u00e9m, isso n\u00e3o impediu que continuasse a aprofundar seus conhecimentos por meio da leitura, o que fazia na biblioteca do segundo andar do armaz\u00e9m, no quarto, ou na pr\u00f3pria loja, durante as pausas do servi\u00e7o. Nessa altura, ela j\u00e1 havia lido \u00e9picos hist\u00f3ricos do per\u00edodo Heian como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eiga Monogatari<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Narrativa da gl\u00f3ria] e o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u014ckagami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O grande espelho], obras liter\u00e1rias como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Genji Monogatari<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Narrativas de Genji], de Murasaki Shikibu, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Utsubo monogatari<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Narrativas da \u00e1rvore oca] e o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Makura no s\u014dshi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Livro do travesseiro], de Sei Sh\u014dnagon (966?-1025?); a poesia de Matsuo Bash\u014d (1644-1694), as pe\u00e7as de Chikamatsu Monzaemon (1653-1725), entre outros. Aos quinze anos, ela j\u00e1 era bem versada em importantes obras da literatura japonesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Seu primeiro poema foi publicado em setembro de 1895, aos dezesseis anos, na respeitada revista liter\u00e1ria <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Bungei Kurabu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Clube Liter\u00e1rio]. Um dos 57 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tanka<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> selecionados para publica\u00e7\u00e3o pelo editor entre as submiss\u00f5es dos leitores no qual se l\u00ea: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tsuyu shigeki mugura ga yado no koto no ne ni aki wo soetaru suzumushi no koe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [o canto dos grilos se junta ao orvalho nas moitas e ao som do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">koto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> no casebre intensificando o outono] (Yosano apud Beichman, 2002, p. 66, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Por\u00e9m, ela nunca o mencionou em seus escritos, parecendo considerar seus primeiros poemas, inspirados em modelos e tem\u00e1ticas cl\u00e1ssicas, como experimentos ainda insatisfat\u00f3rios. Foi aos poucos, participando de grupos de poetas de Sakai, que Akiko foi refinando seu estilo at\u00e9 encontrar uma voz pr\u00f3pria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A poesia japonesa tradicional passava por um movimento de moderniza\u00e7\u00e3o no final do s\u00e9culo XIX, com Naobumi Ochiai (1861-1903) e o grupo Asaka propondo reformar o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tanka<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u2014 os poemas de forma cl\u00e1ssica comumente compostos de 31 moras (ou s\u00edlabas) distribu\u00eddas em cinco versos de 5-7-5-7-7 moras \u2014, e Masaoka Shiki (1867-1902) modernizando o que passaria a ser designado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">haiku<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (tamb\u00e9m conhecido como haicai no Brasil), o poema de 12 moras distribu\u00eddas em tr\u00eas versos de 5-7-5 moras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tekkan Yosano (1873-1935), pseud\u00f4nimo de Hiroshi Yosano, foi um disc\u00edpulo de Naobumi que ganhou renome com suas primeiras colet\u00e2neas de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tanka<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Em 1900, ele fundou a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Shinshisha <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Nova Sociedade Po\u00e9tica] e passou a publicar a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">My\u014dj\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [V\u00eanus], revista da Sociedade, por meio da qual procurava popularizar suas ideias e promover uma poesia que enfatizava o papel da experi\u00eancia e da express\u00e3o individuais. Akiko, ent\u00e3o j\u00e1 conhecida nos c\u00edrculos liter\u00e1rios de Sakai, foi convidada a contribuir com alguns poemas, passando a figurar em suas p\u00e1ginas a partir de ent\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tekkan Yosano realizou uma s\u00e9rie de palestras e oficinas de poesia na regi\u00e3o de Osaka, Kobe e Okayama nesse mesmo ano e Akiko teve a oportunidade de encontr\u00e1-lo pessoalmente pela primeira vez. O amor pela poesia, a intelig\u00eancia e a espirituosidade compartilhada por ambos acabaram por aproxim\u00e1-los. No entanto, na \u00e9poca, Tekkan vivia com Takino Hayashi (1878-1966) que estava gr\u00e1vida. Depois do nascimento do filho, a fam\u00edlia Hayashi pediu que ele se separasse de Takino devido a rumores sobre um relacionamento pregresso de Tekkan e \u00e0s trocas de poemas apaixonados entre ele, Akiko e a poeta Tomiko Yamakawa (1879-1909) na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">My\u014dj\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko se dirigiu a T\u00f3quio em junho de 1901 para viver com Tekkan. E, apesar das dificuldades financeiras em que este se via para manter sua revista, em agosto, ele publicou a colet\u00e2nea de poemas de Akiko. Os dois se casaram oficialmente em outubro, dois meses ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Midaregami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. O casal teve treze filhos, dos quais onze chegaram \u00e0 idade adulta.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Cabelos revoltos\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na colet\u00e2nea <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Midaregami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, t\u00edtulo que pode ser traduzido como \u201cCabelos revoltos\u201d, uma colet\u00e2nea de 399 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tanka<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Akiko Yosano trata de temas como arte, amor, juventude, natureza e sentimentos. Muitos dos poemas foram compostos enquanto a poeta e Tekkan Yosano se aproximavam e hoje s\u00e3o considerados autobiogr\u00e1ficos, por\u00e9m, Beichman (2002) observa que isso ocorre porque n\u00f3s conhecemos a vida da autora, mas que, na \u00e9poca, poucas pessoas sabiam o que se passava entre os dois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tanka<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> da colet\u00e2nea provocaram sensa\u00e7\u00e3o devido ao frescor com o qual sua voz l\u00edrica se expressava com liberdade e sem pudores sobre temas como o corpo e o desejo femininos. Eles revelavam uma jovem que se entregava aos prazeres e desafiava as conven\u00e7\u00f5es. Muitas pessoas leram os poemas como um grito de liberdade: \u201cOs poemas de Akiko foram lidos como as palavras de uma rebelde contra o pudor do per\u00edodo Tokugawa e os ditados feudais que for\u00e7avam o sacrif\u00edcio da felicidade pessoal \u00e0 press\u00e3o da ordem p\u00fablica\u201d (Beichman, idem, p. 176).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O per\u00edodo Tokugawa, ou Edo, compreende o per\u00edodo hist\u00f3rico em que o Jap\u00e3o foi governado pelos xoguns da fam\u00edlia Tokugawa, entre 1603 e 1868. Com seu fim, o Jap\u00e3o entrou no per\u00edodo Meiji (1868-1912), quando o pa\u00eds iniciou um intenso processo de moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e cient\u00edfica, passando por reformas de todos os tipos: pol\u00edticas, sociais, educacionais etc. T\u00e9cnicas e ideias estrangeiras foram introduzidas e livros traduzidos. Mesmo a arte e a literatura passaram por transforma\u00e7\u00f5es. No entanto, ao final do s\u00e9culo XIX, a nova Constitui\u00e7\u00e3o (1889) e o C\u00f3digo Civil (1898) revelaram a posi\u00e7\u00e3o conservadora do Estado, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. Elas foram colocadas sob a tutela do chefe de fam\u00edlia, ou seja, do pai, marido ou filho. Apenas homens podiam reivindicar a posteridade e tinham reconhecimento legal. Maridos podiam dispor da propriedade das esposas como quisessem e eram livres para ter concubinas, j\u00e1 que o adult\u00e9rio era pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o apenas no caso das esposas (Sievers, 1983, p. 111). Por fim, em 1900, o artigo 5\u00ba da Lei de Vigil\u00e2ncia e Seguran\u00e7a P\u00fablica [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Chian keisatsu h\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] proibiu as mulheres de organizarem e participarem de grupos e manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Em caso de infra\u00e7\u00e3o, elas estavam sujeitas a multas e \u00e0 pris\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o menos revelador em rela\u00e7\u00e3o ao conservadorismo do Estado, era a ideologia do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ry\u014dsai kenbo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ou da \u201cboa esposa, m\u00e3e s\u00e1bia\u201d, segundo a qual o papel feminino na sociedade seria o de apoiar o marido, cuidar do lar e criar os filhos para a na\u00e7\u00e3o. Abnega\u00e7\u00e3o, docilidade, mod\u00e9stia e frugalidade eram consideradas virtudes femininas. Sievers (idem) observa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mensurar o quanto as mulheres aceitavam e se pautavam por essa ideologia, por\u00e9m, a educa\u00e7\u00e3o feminina oferecida na \u00e9poca se voltava para esse objetivo. A pr\u00f3pria Akiko Yosano recebeu uma educa\u00e7\u00e3o focada em economia dom\u00e9stica e costura na \u00faltima escola que frequentou. Tais conhecimentos eram considerados \u00fateis para as mulheres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse contexto, a pr\u00f3pria publica\u00e7\u00e3o de uma colet\u00e2nea de poemas escritos por uma mulher era algo ousado na \u00e9poca, especialmente uma que expressava sua sexualidade e individualidade confrontando as conven\u00e7\u00f5es sociais e apresentando uma figura feminina que era o oposto do modelo da \u201cboa esposa, m\u00e3e s\u00e1bia\u201d. Algu\u00e9m que mencionava o corpo e o prazer ao dizer coisas como: \u201cMichi wo iwazu ato wo omowazu na wo towazu koko ni koi kou kimi to ware to miru [Sem tocar na moralidade, sem pensar no futuro, sem questionar quem somos, aqui estamos, amantes apaixonados] (Yosano, 2000, online, tradu\u00e7\u00e3o nossa); ou \u201dTsumi ooki otoko korase to hada kiyoku kurogami nagaku tsukurareshi ware [Eu, de pele alva e longos cabelos negros, feita para punir os homens por seus muitos pecados]\u201d (idem, ibidem). A obra a tornou uma celebridade do universo liter\u00e1rio, recebendo tanto elogios por sua originalidade quanto ataques de teor mis\u00f3gino nos quais era comparada a uma prostituta.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Irm\u00e3o, n\u00e3o deves morrer!<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1904, Ch\u016bsabur\u014d, irm\u00e3o mais novo de Akiko Yosano, estava a servi\u00e7o do ex\u00e9rcito imperial durante a Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) em Port Arthur, na Manch\u00faria. Segundo rumores, os soldados japoneses estavam se voluntariando para miss\u00f5es suicidas que visavam a tomada dessa base. Temendo pela sorte do irm\u00e3o, Akiko lhe enviou um poema intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kimi shinitam\u014d koto nakare<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Irm\u00e3o, n\u00e3o deves morrer!], publicado no n\u00famero de setembro da revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">My\u014dj\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nele, Akiko instava o irm\u00e3o a pensar nos pais que o amavam e esperavam que ele retornasse e assumisse os neg\u00f3cios da fam\u00edlia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O poema provocou uma s\u00e9rie de respostas e cr\u00edticas ao longo dos anos. No auge do conflito com a R\u00fassia, a poeta foi considerada uma traidora e sua casa chegou a ser apedrejada (Rabson, 1991) porque ele expressaria uma cr\u00edtica ao imperador em versos que diziam: \u201cIrm\u00e3o, n\u00e3o deves morrer! \/ Nem o imperador, ele mesmo, \/ n\u00e3o vai \u00e0 guerra. \/ Com seu cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o misericordioso \/ ser\u00e1 que ele pediria \/ \u00e0s pessoas para derramarem seu sangue e \/ morrerem como animais \/ julgando isso glorioso? (Yosano, 1929, online, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">D\u00e9cadas depois, o movimento de literatura prolet\u00e1ria acusou a poeta de n\u00e3o confrontar os motivos da guerra que ocorria ent\u00e3o e de se concentrar na fam\u00edlia e na loja de doces que Ch\u016bsabur\u014d deveria assumir, revelando uma \u201cvis\u00e3o de mundo burguesa\u201d. Contudo, a partir do final da Segunda Guerra Mundial, o poema passou a ser elogiado como um manifesto pacifista, a express\u00e3o de valores democr\u00e1ticos e das ang\u00fastias femininas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra. No entanto, Rabson (1991) observa que, apesar de hoje ele ser lembrado dessa forma, Akiko Yosano nem sempre escreveu contra a guerra durante sua carreira, especialmente depois da viagem que realizou \u00e0 Manch\u00faria e \u00e0 Mong\u00f3lia na primavera de 1928 na companhia de Tekkan.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O casal, junto com outros escritores, artistas e acad\u00eamicos, foi convidado a fazer uma viagem de quarenta dias por essas regi\u00f5es pela Ferrovia do Sul da Manch\u00faria, de propriedade japonesa. Ao retornar, Akiko Yosano passou a publicar poemas e ensaios nos quais expressava seu apoio ao envolvimento militar do Jap\u00e3o na China e na Guerra do Pac\u00edfico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, isso n\u00e3o altera o fato de o poema <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kimi shinitam\u014d koto nakare<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ter sido acusado de constituir um ato de insubordina\u00e7\u00e3o \u00e0 autoridade por questionar a necessidade de o irm\u00e3o morrer pelo pa\u00eds e por mencionar o imperador na \u00e9poca em que foi escrito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O dia em que as montanhas se movem<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em setembro de 1911, quando o primeiro n\u00famero da revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Seit\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi publicado, Akiko Yosano contribuiu com um longo poema intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sozorogoto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Divaga\u00e7\u00f5es]. A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Seit\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, criada pela escritora e cr\u00edtica Raich\u014d Hiratsuka (1886-1971) e outras intelectuais, foi a primeira revista liter\u00e1ria editada e escrita por mulheres para mulheres e, quando deixou de ser publicada em 1916, ela havia se transformado em f\u00f3rum de debates sobre quest\u00f5es que envolviam e interessavam diretamente ao p\u00fablico feminino.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko Yosano e Raich\u014d Hiratsuka se encontram pela primeira vez em uma reuni\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria criada pelo escritor Ch\u014dk\u014d Ikuta (1882-1936) da qual a \u00faltima fazia parte, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Keish\u016b Bungakukai<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sociedade das Mulheres de Talento]. Quatro anos depois, Raich\u014d foi pessoalmente visitar Akiko para lhe pedir uma contribui\u00e7\u00e3o para o primeiro n\u00famero da revista.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Sozorogoto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> pode ser lido como uma sequ\u00eancia de doze poemas com diferentes n\u00fameros de versos e sem uma tem\u00e1tica comum. Ele foi revisado pela poeta em 1929, e cada um dos poemas recebeu um t\u00edtulo, o que refor\u00e7ou a ideia de que constituiriam unidades aut\u00f4nomas, \u201cdivaga\u00e7\u00f5es\u201d, como sugere o t\u00edtulo da sele\u00e7\u00e3o. O poema inicial, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Yama no ugoku hi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O dia em que as montanhas se movem] foi interpretado como um manifesto feminista:\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O dia em que as montanhas se movem chegou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Disse, por\u00e9m ningu\u00e9m me deu ouvidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As montanhas apenas estiveram adormecidas por algum tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essas montanhas que,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">no passado, se moviam ardendo em fogo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o me importo se n\u00e3o acreditam nisso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas, ah, ou\u00e7am bem!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Todas as mulheres adormecidas despertam agora e se movem (Yosano, 1911, online, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essas montanhas que se moviam ardendo em fogo no passado fariam alus\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que remontaria a obras como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Genji monogatari<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de Murasaki Shikibu, escrito no per\u00edodo Heian, \u00e9poca \u00e1urea da literatura feminina no Jap\u00e3o. Outro poema da sele\u00e7\u00e3o que faz refer\u00eancia \u00e0 mulher \u00e9 o intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Onna<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Mulheres]:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o esque\u00e7as o chicote!\u201d,<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">disse Zaratustra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mulheres s\u00e3o gado, s\u00e3o ovelhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Talvez eu devesse acrescentar:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cSolte-as nos campos!\u201d (Idem, ibidem)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nele, a poeta se refere \u00e0 obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Assim falou Zaratustra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do pensador alem\u00e3o Friedrich Nietzsche (1844-1900), especificamente ao cap\u00edtulo \u201cDas velhas e novas mulherezinhas\u201d onde Zaratustra encontra uma idosa que o adverte: \u201cVais ter com as mulheres? N\u00e3o esque\u00e7as o chicote!\u201d (Nietzsche, 2011, p. 61).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Curiosamente, o \u00faltimo poema da sele\u00e7\u00e3o, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ame no yoru<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Chuva noturna], termina com o eu l\u00edrico feminino comparando seu rosto p\u00e1lido a uma flor noturna em meio a detritos, o que contrasta com as mulheres comparadas a vulc\u00f5es, ou a montanhas em fogo, do poema inicial.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ensa\u00edsta e cr\u00edtica<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto Akiko Yosano recebia pedidos de artigos de v\u00e1rios jornais e revistas, a reputa\u00e7\u00e3o de seu marido, Tekkan Yosano, declinava. A Shinshisha [Nova Sociedade Po\u00e9tica] se dissolveu e a revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">My\u014dj\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> deixou de ser publicada em 1908.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com o fim da Shinshisha e da revista, o casamento do casal passou por um per\u00edodo dif\u00edcil e, para ajudar o marido a superar sua depress\u00e3o, Akiko levantou fundos para que ele viajasse \u00e0 Europa, o que ocorreu em agosto de 1911. Ela se juntou a Tekkan no ano seguinte, deixando os sete filhos que tinha na \u00e9poca sob os cuidados de membros da fam\u00edlia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na Europa, ela teve a oportunidade de comparar a situa\u00e7\u00e3o das mulheres e os movimentos femininos locais com os do Jap\u00e3o, escrevendo artigos sobre suas impress\u00f5es para revistas. Ao retornar em 1913, ela teve seu oitavo filho \u2014 que recebeu o nome de Auguste, inspirado no escultor Auguste Rodin \u2014, publicou poemas e textos em prosa; trabalhou na tradu\u00e7\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Genji monogatari<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> para o japon\u00eas moderno e come\u00e7ou a escrever o romance <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Akarumi e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luz], serializado no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">T\u014dky\u014d Asahi Shinbun<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Jornal Asahi de T\u00f3quio] no ver\u00e3o de 1913, no qual ficcionalizava as dificuldades dom\u00e9sticas ocasionadas pela depress\u00e3o de Tekkan ap\u00f3s o fim da Shinshisha e da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">My\u014dj\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, bem como os esfor\u00e7os feitos por ela para manter a fam\u00edlia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko Yosano se entregou furiosamente a suas atividades liter\u00e1rias nos anos que se seguiram e teve mais dois filhos at\u00e9 1916, o que aumentou as dificuldades financeiras da fam\u00edlia, que era sustentada por seu trabalho enquanto o marido procurava uma nova ocupa\u00e7\u00e3o sem muito sucesso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em setembro de 1916, ela deu \u00e0 luz seu d\u00e9cimo primeiro filho, que morreu um dia depois. Apesar da exaust\u00e3o e da dor da perda, ela continuou escrevendo no hospital. Rodd (1991b, p. 188) observa que, apesar de suas numerosas gravidezes, do apoio \u00e0s ideias de Tekkan e do fato de ela ser o sustent\u00e1culo da fam\u00edlia poderem ser interpretados como ind\u00edcios de sua subordina\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3pria autora respondeu que a diferen\u00e7a entre subordina\u00e7\u00e3o e igualdade n\u00e3o seria uma quest\u00e3o de comportamento, mas de escolha. Ela era respons\u00e1vel por sua vida e as escolhas teriam sido dela, e n\u00e3o instigadas pelo marido, de quem se considerava uma igual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Seus ensaios eram regularmente reunidos em volumes. Ela publicou sete entre 1916 e 1921, per\u00edodo em que era mais conhecida por seus ensaios e cr\u00edticas do que por sua poesia. Seus artigos tinham um teor mais introspectivo, subjetivo, e versavam sobre suas experi\u00eancias pessoais, como o nascimento dos filhos e a fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m tratavam das reformas pol\u00edticas que ocorriam naquele momento e que afetavam as mulheres. Ela era cr\u00edtica \u00e0s teorias educacionais que visavam produzir \u201cboas esposas e m\u00e3es s\u00e1bias\u201d (Rodd, 1991b).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Debate sobre a prote\u00e7\u00e3o da maternidade<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko Yosano e outras intelectuais se engajavam ativamente no debate sobre os pap\u00e9is femininos, as mudan\u00e7as sociais e o futuro da fam\u00edlia que come\u00e7ou nos n\u00fameros da revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Seit\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> dedicados \u00e0 \u201cnova mulher\u201d, ou \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">atarashii onna<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, em japon\u00eas. Alguns dos assuntos abordados envolviam desvincular o amor e o casamento da moralidade tradicional, assegurar os direitos pol\u00edticos das mulheres, equilibrar trabalho e vida dom\u00e9stica, elevar a conscientiza\u00e7\u00e3o feminina, garantir acesso igualit\u00e1rio ao trabalho e a sal\u00e1rios etc.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das quest\u00f5es centrais era determinar o grau de interven\u00e7\u00e3o do governo na vida das mulheres. A necessidade ou n\u00e3o de o Estado oferecer suporte na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, por exemplo, ganhou destaque no que ficou conhecido como \u201cDebate sobre a prote\u00e7\u00e3o e o aux\u00edlio \u00e0 maternidade\u201d [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">bosei hogo rons\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">].<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir de 1915, Akiko Yosano come\u00e7ou a escrever uma coluna na revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tay\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sol] na qual expressava suas opini\u00f5es sobre v\u00e1rias quest\u00f5es sociais. Segundo Rodd (1991b), o \u201cDebate sobre a prote\u00e7\u00e3o e o aux\u00edlio \u00e0 maternidade\u201d, que se estendeu por v\u00e1rios artigos e envolveu outras intelectuais, teria se iniciado na coluna de janeiro de 1916, quando ela criticou Tolstoy e Ellen Key por propagarem \u201ca ideia de que era a miss\u00e3o e direito natural dos homens realizar tanto o trabalho f\u00edsico quanto o mental, e que a atividade das mulheres era de natureza secund\u00e1ria\u201d (Yosano apud Rodd, idem, p. 189, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ellen Key (1849-1926) era uma escritora feminista sueca cujo pensamento era contraposto ao da sul-africana Olive Schreiner (1855-1920) no Jap\u00e3o. Enquanto Key era associada \u00e0 no\u00e7\u00e3o de \u201caux\u00edlio \u00e0 maternidade\u201d, Schreiner era vista como uma pensadora que defendia a independ\u00eancia econ\u00f4mica das mulheres. O movimento feminista se dividia entre esses dois posicionamentos, um ramo asseverava que a maternidade era uma voca\u00e7\u00e3o feminina e que o mundo da mulher devia ser o da fam\u00edlia; enquanto o outro afirmava que as mulheres eram seres humanos com os mesmos direitos e privil\u00e9gios dos homens, e com a mesma liberdade e capacidade que eles.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Akiko, ent\u00e3o com trinta e oito anos e que acabara de ter o nono filho, a maternidade n\u00e3o seria o centro de sua vida. Ela poderia assumir muitos outros pap\u00e9is al\u00e9m daquele de m\u00e3e:\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acredito que tornar a maternidade absoluta e conceder-lhe supremacia, como faz Ellen Key, entre todas as in\u00fameras expectativas e desejos que surgem quando a mulher oscila na superf\u00edcie da vida, serve para manter as mulheres presas na velha irrealista forma de pensar que concede uma hierarquia aos inumer\u00e1veis desejos e pap\u00e9is que deveriam ter igual valor para o indiv\u00edduo (Yosano apud Rodd, 1991b, p. 190, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto Key afirmaria que ter filhos seria o objetivo do amor, Akiko acreditava que a rela\u00e7\u00e3o do casal era igualmente importante. Raich\u014d, leitora de Key, respondeu em um artigo publicado na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Bunsh\u014d Sekai<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Mundo Liter\u00e1rio] de maio. Ela acusava Akiko de n\u00e3o ter realmente compreendido o pensamento de Key e concordava com a ideia desta de que a igualdade pol\u00edtica e educacional para as mulheres era desej\u00e1vel porque as prepararia melhor para o papel de m\u00e3e, ressaltando, no entanto, que Key n\u00e3o deixava de valorizar as escolhas de vida e de carreira individuais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko se desculpou por sua leitura descuidada, por\u00e9m Raich\u014d passou a prestar aten\u00e7\u00e3o aos artigos escritos por ela. Em mar\u00e7o de 1918, Akiko publicou o artigo \u201cJoshi no tettei shita dokuritsu\u201d [A total independ\u00eancia feminina], na revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fujin K\u014dron<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [F\u00f3rum Feminino], no qual expressava suas ideias sobre o tema:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A necessidade mais urgente agora \u00e9 que homens e mulheres se esforcem de alguma forma e se tornem autossuficientes para se alimentar e se vestir, e para estabelecer e garantir a seguran\u00e7a material. [&#8230;] Acredito que, se houver mulheres que reclamem a igualdade de direitos entre homens e mulheres, aprendam ci\u00eancias e arte, e falem sobre as quest\u00f5es femininas sem pensar na sua pr\u00f3pria independ\u00eancia profissional, elas sejam fantasistas que n\u00e3o compreendem a realidade mais premente da vida atual. Declaro que a independ\u00eancia profissional e a autossufici\u00eancia feminina devem ser o senso comum e a norma para as mulheres a partir de agora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o posso concordar com as reivindica\u00e7\u00f5es expressas pelos movimentos feministas europeus que buscam prote\u00e7\u00f5es financeiras especiais do Estado para as mulheres na gravidez e no parto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00f3s, que acreditamos ser uma moralidade escrava a mulher viver \u00e0s custas dos homens por causa de nossa fun\u00e7\u00e3o reprodutiva, devemos recusar a depend\u00eancia do estado pela mesma raz\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">[&#8230;] a responsabilidade pela prole deve ser totalmente assumida pelo casal, tanto pelo marido quanto pela esposa (Yosano apud Fukuda, 1990, p. 329, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko Yosano rejeitava a ideia de que as mulheres fossem dependentes dos maridos e da sociedade e expressava a necessidade de elas se tornarem totalmente autossuficientes em termos materiais. Ela era um exemplo de que isso era poss\u00edvel \u2014 m\u00e3e de mais de dez filhos e basti\u00e3o financeiro da fam\u00edlia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No n\u00famero de maio da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fujin K\u014dron<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Raich\u014d questionou as afirma\u00e7\u00f5es de Akiko, perguntando quantas mulheres no Jap\u00e3o teriam o mesmo g\u00eanio e talento para emul\u00e1-la, acusando a colega de estar divorciada da realidade. Seu caso seria uma exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a regra para a maioria das mulheres, portanto, o governo teria o dever de proteger as m\u00e3es e as crian\u00e7as. Como as m\u00e3es eram a origem da vida, era necess\u00e1rio ampar\u00e1-las para o futuro da sociedade. A independ\u00eancia financeira era importante, mas um ideal pouco realista para quase todas (Rodd, 1991b, p. 193).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko respondeu que ela n\u00e3o havia dito que as mulheres deviam se p\u00f4r a buscar essa independ\u00eancia de imediato, mas que esse seria um ideal futuro. Primeiro, era preciso mudar a mentalidade da sociedade. Tamb\u00e9m criticou Raich\u014d por esta parecer valorizar a maternidade mais do que qualquer outro papel que uma mulher poderia assumir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Kikue Yamakawa (1890-1980), ensa\u00edsta e ativista socialista, se juntou ao debate em um artigo publicado na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fujin K\u014dron<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> em setembro no qual discordava tanto do posicionamento de Akiko Yosano, que valorizava o esfor\u00e7o pessoal e acreditava que os problemas sociais poderiam ser resolvidos pelo esfor\u00e7o individual, e o de Raich\u014d Hiratsuka, que enfatizava as diferen\u00e7as de g\u00eanero e a prote\u00e7\u00e3o da maternidade. Para ela, a solu\u00e7\u00e3o se encontrava em uma revolu\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico, esse seria o pr\u00e9-requisito para a reforma social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma quarta voz se somou \u00e0s outras tr\u00eas quando Waka Yamada (1879-1957) publicou um artigo na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Taiy\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> tamb\u00e9m em setembro. Waka havia sido sequestrada e traficada como prostituta nos Estados Unidos antes de ser resgatada e retornar ao Jap\u00e3o casada com um professor japon\u00eas. Em seu artigo, ela defendia o papel feminino da \u201cboa esposa, m\u00e3e s\u00e1bia\u201d, pois acreditava que as mulheres deveriam cuidar do lar e ajudar os maridos. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o via qualquer problema em que as mulheres recebessem ajuda financeira dos maridos ou do estado por serem m\u00e3es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O debate prosseguiu em outras publica\u00e7\u00f5es e terminou amigavelmente em 1919, com as participantes concordando que todas elas desejavam a libera\u00e7\u00e3o feminina, mesmo que tivessem opini\u00f5es diferentes sobre como seria poss\u00edvel alcan\u00e7\u00e1-la. Elas consideravam o debate um meio de se encorajarem mutuamente e promoverem uma reflex\u00e3o sobre o papel feminino na sociedade (Rodd, idem).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Bunka Gakuin\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Akiko Yosano continuou a escrever de modo prol\u00edfico sobre uma grande variedade de assuntos depois desse debate. Tamb\u00e9m dedicou suas energias para a educa\u00e7\u00e3o dos jovens. Em 1921, ela foi uma das fundadoras do Bunka Gakuin, uma escola de T\u00f3quio baseada no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">jiy\u016b ky\u014diku<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [educa\u00e7\u00e3o livre], ou seja, uma educa\u00e7\u00e3o liberal e individualizada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Bunka Gakuin foi idealizada pelo pedagogo, arquiteto e filantropo Isaku Nishimura (1884-1963) que, insatisfeito com o tipo de educa\u00e7\u00e3o oferecido \u00e0s garotas na \u00e9poca, procurou a assist\u00eancia de conhecidos para criar uma escola que n\u00e3o se resumisse a aulas de economia dom\u00e9stica e costura, mas inclu\u00edsse disciplinas acad\u00eamicas como aquelas que compunham o curr\u00edculo escolar dos estudantes do sexo masculino.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ele havia lido os artigos nos quais Akiko Yosano criticava a falta de conte\u00fado da educa\u00e7\u00e3o feminina e expressava seu desejo de reforma, ent\u00e3o procurou os Yosano para lhes expor seu plano e propor que Akiko fizesse parte da diretoria administrativa e pedag\u00f3gica da institui\u00e7\u00e3o. Tekkan que, ap\u00f3s um per\u00edodo de fracassos e depress\u00e3o, havia obtido uma posi\u00e7\u00e3o respeit\u00e1vel como professor em uma universidade, encorajou a esposa a aceitar a proposta de Nishimura. E, apesar do grande n\u00famero de atividades nas quais ela j\u00e1 estava envolvida, Akiko aceitou, pois a escola representava valores que ela pr\u00f3pria abra\u00e7ava: estimular o talento e os interesses individuais e produzir seres humanos independentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ideia inicial era oferecer aulas mistas, mas a escola n\u00e3o aceitou garotos nos primeiros quatro anos. O argumento foi que, comparado com as garotas, eles j\u00e1 teriam muito mais oportunidade para se educarem. O curr\u00edculo dos anos finais do ensino fundamental inclu\u00eda uma grade com disciplinas j\u00e1 oferecidas aos garotos (\u00e9tica, matem\u00e1tica, ci\u00eancias, l\u00edngua e literatura japonesa e estrangeira), e outra que inclu\u00eda escrita criativa, pintura, m\u00fasica japonesa e estrangeira, dan\u00e7a moderna ocidental, desenho e outras artes. Akiko dava aulas de literatura nas quais explicava as obras cl\u00e1ssicas, pois, segundo ela, sem entend\u00ea-las, n\u00e3o seria poss\u00edvel compreender a literatura moderna japonesa (Rodd, 1991a).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Muitas pessoas do mundo art\u00edstico e liter\u00e1rio compareceram \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o da escola e v\u00e1rios artistas e escritores lecionaram na Bunka Gakuin ao longo dos anos. Akiko Yosano foi sua diretora por quase duas d\u00e9cadas, at\u00e9 sofrer um derrame em 1940 que paralisou parte de seu corpo e a debilitou. Ela continuou a escrever at\u00e9 sua morte em 1942.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A contribui\u00e7\u00e3o de Akiko Yosano para a literatura japonesa, como autora, tradutora e cr\u00edtica, \u00e9 indubit\u00e1vel. Seu modo ousado e inovador de empregar uma voz po\u00e9tica feminina representa um marco na poesia do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, e os artigos sobre quest\u00f5es relativas \u00e0s mulheres escritos por ela a inserem na hist\u00f3ria do feminismo no Jap\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p><b>Obras e tradu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis:\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (1911). Sozorogoto<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">[Divaga\u00e7\u00f5es]. In <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Seit\u014d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, n. 1. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.aozora.gr.jp\/cards\/000885\/files\/59150_68035.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.aozora.gr.jp\/cards\/000885\/files\/59150_68035.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 13 maio 2024.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (1929). Kimi shinitam\u014d koto nakare [Irm\u00e3o, n\u00e3o deves morrer!]. In <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Yosano Shihen Zensh\u016b<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. (s.l.): Jitsugy\u014d no Nihonsha. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.aozora.gr.jp\/cards\/000885\/files\/2557_15784.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.aozora.gr.jp\/cards\/000885\/files\/2557_15784.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 12 maio 2024.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2000). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Midaregami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cabelos revoltos]. (s.l): Shinch\u014dsha. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.aozora.gr.jp\/cards\/000885\/files\/51307_47033.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.aozora.gr.jp\/cards\/000885\/files\/51307_47033.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 12 maio 2024.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2001). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Travels in Manchuria and Mongolia: a feminist poet from Japan encounters prewar China<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Joshua A. Fogel. New York: Columbia University Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2002). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tangled hair: selected tanka from Midaregami english-japanese bilingual edition<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Sanford Goldstein e Seishi Shinoda. (s.l.): \u200eCheng &amp; Tsui Co.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2006). What is \u201cwomanliness\u201d?. Tradu\u00e7\u00e3o de Laurel Rasplica Rodd. In <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Woman critiqued: translated essays on japanese women\u2019s writing<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">; (pp. 40-46). Hawai\u2019i: Hawai\u2019i University Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2007a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Descabelados<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Donatella Natili e \u00c1lvaro Faleiros. Bras\u00edlia: Editora UnB.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano A. (2007b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Poeta de la pasi\u00f3n<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Mar\u00eda Bermejo. Espa\u00f1a: Hiperi\u00f3n.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2010). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cheveux emm\u00eal\u00e9s<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Claire Dodane. Paris: Les Belles Lettres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2013a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">River of stars: selected poems of Yosano Akiko<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Sam Hamil e Keiko Matsui Gibson. Boston &amp; London: Shambhala.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2013b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The girl with tangled hair: the 399 tanka in Midaregami<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Machiko Kobayashi e Jane Reichhold. (s.l.): Aha Books.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2018). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cabello revueltos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Alberto Silva. Argentina: El Hilo de Ariadna.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2020). Um esp\u00edrito que anseia pelas alturas. Tradu\u00e7\u00e3o de Karen Kazue Kawana. In <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">(n.t.)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, n. 15, vol. especial, pp. 367-376. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.notadotradutor.com\/revista15.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.notadotradutor.com\/revista15.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 11 maio 2024.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2021a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">E vuelo del ave f\u00e9nix<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Teresa Herrero. Espa\u00f1a: Satori Ediciones.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2021b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Viajes por Manchuria y Mongolia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Dora Sales. Espa\u00f1a: La Linea del Horizonte Ediciones.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2022). O que \u00e9 \u201cfeminilidade\u201d?. Tradu\u00e7\u00e3o de Karen Kazue Kawana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Brasil Nikkei Bungaku<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, n. 70, julho, pp. 78-89.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2023a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Desde Paris<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Teresa Herrero Ferrio. Espa\u00f1a: Satori Ediciones.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (2023b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fragmentos de nubes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Masako Kano e Mariana Alonso. Buenos Aires: 2023.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Yosano, A. (no prelo). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cabelos emaranhados: vermelho p\u00farpura<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [t\u00edtulo provis\u00f3rio]. Midaregami, v. 1. Tradu\u00e7\u00e3o de Michelle Conterato Buss e Nath\u00e1lia da Silveira Martins. Porto Alegre: Besti\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Literatura secund\u00e1ria:\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bardsley, J. (2007). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The bluestockings of Japan: new woman essays and fiction from Seit\u014d, 1911-16<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Ann Arbor: University of Michigan.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Beichman, J. (2002). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Embracing the firebird: Yosano Akiko and the birth of the female voice in modern Japanese poetry<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Honolulu: University of Hawaii Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Buss, M. C., &amp; Martins, Nath\u00e1lia. da S. M. (2023). A primavera de Yosano Akiko: uma an\u00e1lise das flores e das cores em Midaregami. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cadernos de Literatura em Tradu\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, n. 26, pp. 175-198.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fukuda, H. (1990). Bosei hogo rons\u014d: Yosano Akiko, Hiratsuka Raich\u014d, Yamakawa Kikue, Yamada Wada [Debate sobre a prote\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio \u00e0 maternidade: Yosano Akiko, Hiratsuka Raich\u014d, Yamakawa Kikue, Yamada Wada]. In <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihon no keizai shis\u014d yon hyaku nen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [400 anos de pensamento econ\u00f4mico japon\u00eas] (pp. 328-336). (s.l.): Nihon Keizai Hy\u014dronsha. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/bunkyo.repo.nii.ac.jp\/?action=repository_action_common_download&amp;item_id=690&amp;item_no=1&amp;attribute_id=37&amp;file_no=1\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bunkyo.repo.nii.ac.jp\/?action=repository_action_common_download&amp;item_id=690&amp;item_no=1&amp;attribute_id=37&amp;file_no=1<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 17 maio 2024.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Horiguchi, N. J. (2012). Behind the guns: Yosano Akiko. In<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Women adrift: the literature of Japan\u2019s imperial body<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">; (pp. 51-80). Minneapolis, London: University of Minnesota Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Kufukihara, R. (2017). Narrativas de Genji no per\u00edodo Meiji (1868-1912): do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o literatura e estado. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Estudos Japoneses<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 37, pp.119-139<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Larson, P. H. (1991). Yosano Akiko and the re-creation of the female self: an autogynography. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Journal of the Association of Teachers of Japanese<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 25 (1), pp. 10-26.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Morton. L. (2023). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">How dark is my flower: Yosano Akiko and the invention of romantic love<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Ann Arbor: Michigan University Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nietzsche, F. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ningu\u00e9m<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo C\u00e9sar de Sousa. S\u00e3o Paulo: Cia das Letras. 2011.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rabson, S. (1991). Yosano Akiko on war: to give one\u2019s life or not \u2014 a question of which war. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Journal of the Association of Teachers of Japanese<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 25 (1), pp. 45-74.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rodd, L. R. (1991a). Akiko and the Bunkagakuin: &#8220;educating free individuals&#8221;. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Journal of the Association of Teachers of Japanese<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 25 (1), pp. 75-89.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rodd, L. R. (1991b). Yosano Akiko and the Taish\u014d debate over the \u201cNew Woman\u201d. In Bernstein, G. L. (org), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Recreating Japanese women: 1600\u20131945<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">; (pp. 175-198). Berkeley and Los Angeles: University of California Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rowley, G. G. (2022<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">). Yosano Akiko and The Tale of Genji<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Michigan Monograph Series in Japanese Studies, Book 28. Ann Arbor: Michigan University Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sievers, S. L. (1983). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Flowers in salt: the beginnings of feminist consciousness in modern Japan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. California: Stanford University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Akiko Yosano \u4e0e\u8b1d\u91ce \u6676\u5b50 (1878 \u2013 1942) por Karen Kazue Kawana, doutoranda em Teoria e Hist\u00f3ria\u00a0 Liter\u00e1ria (IEL\/Unicamp) e Doutora<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-1963","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1963"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1966,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1963\/revisions\/1966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}