{"id":2017,"date":"2024-08-20T19:28:21","date_gmt":"2024-08-20T22:28:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2017"},"modified":"2024-08-20T19:28:21","modified_gmt":"2024-08-20T22:28:21","slug":"anna-rosa-termacsics-dos-santos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/anna-rosa-termacsics-dos-santos\/","title":{"rendered":"Anna Rosa Termacsics dos Santos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Anna Rosa Termacsics dos Santos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1821-1886)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Cristiane Ribeiro, mestra em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">de Juiz de Fora e doutora em Hist\u00f3ria pela Universidade Estadual de Campinas &#8211; <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3535043065515166\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n<figure id=\"attachment_2018\" aria-describedby=\"caption-attachment-2018\" style=\"width: 353px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2018\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/08\/anarosaa.jpg\" alt=\"\" width=\"353\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/08\/anarosaa.jpg 353w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/08\/anarosaa-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 353px) 100vw, 353px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2018\" class=\"wp-caption-text\">Capa do Tratado sobre Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<br \/>Fonte: Biblioteca Brasiliana USP. Dispon\u00edvel em: https:\/\/digital.bbm.usp.br\/handle\/bbm\/6702<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/08\/Verbete-Anna-Rosa-Termacsics-dos-Santos-PDF.docx.pdf\">Verbete Anna Rosa Termacsics dos Santos &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anna Rosa Termacsics dos Santos foi uma escritora que nasceu e viveu ao longo do s\u00e9culo XIX, entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. At\u00e9 o momento n\u00e3o temos uma imagem sobre o seu rosto. O \u00fanico documento que existe \u00e9 o passaporte de seu pai, um homem descrito como alto, de olhos claros, testa grande e cabelos russos (Registro Pol\u00edcia da Corte, 1828, Arquivo Nacional), o que pode dar indicativos sobre os seus tra\u00e7os. A sua hist\u00f3ria s\u00f3 foi poss\u00edvel de ser desvelada pela pesquisa hist\u00f3rica, que encontrou em rastros t\u00e3o long\u00ednquos informa\u00e7\u00f5es importantes sobre a luta das mulheres pela produ\u00e7\u00e3o intelectual e reivindica\u00e7\u00e3o por seus direitos. A imagem acima mostra a \u00fanica obra de sua autoria de que temos conhecimento, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">o Tratado Sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, publicado em 1868 pela Tipografia Paula Brito, no Rio de Janeiro. Na circunst\u00e2ncia da publica\u00e7\u00e3o a autoria apareceu apenas pelas iniciais de seu nome &#8211; A. R. T. S.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nascida em 1821 na regi\u00e3o do antigo Imp\u00e9rio Austr\u00edaco, que hoje compreende os pa\u00edses Hungria, \u00c1ustria e Cro\u00e1cia, Anna Rosa Termacsics dos Santos era filha de um produtor e comerciante de vinhos: Ant\u00f4nio Termacsics. N\u00e3o temos nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre a sua m\u00e3e. Sabemos apenas que o senhor Termacsics veio para o Brasil com as tr\u00eas filhas em 1828 e se instalou em S\u00e3o Paulo, momento que Anna Rosa Termacsics dos Santos tinha aproximadamente sete anos de idade. O motivo da vinda? A perda de um processo de fortuna e a tentativa de se reerguer financeiramente em um pa\u00eds rec\u00e9m independente (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Farol Paulistano<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1829, Ed. 260, p. 3).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fam\u00edlia Termacsics era detentora de uma boa posi\u00e7\u00e3o social quando da resid\u00eancia na Europa. Todavia, quando aqui chegaram, possu\u00edam diminutos recursos e tentavam se reerguer atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de vinho em solos paulistas. A \u00fanica coisa que os distinguia era a descend\u00eancia europeia, o letramento e a cor, o que n\u00e3o era pouco em um pa\u00eds escravocrata. Essa informa\u00e7\u00e3o sobre a classe social explica, em parte, a forma\u00e7\u00e3o intelectual de Anna Rosa Termacsics dos Santos, que p\u00f4de contar com o incentivo do pai nas aulas que obteve e nos espa\u00e7os que frequentou, com grandes interesses liter\u00e1rios e pol\u00edticos. Os neg\u00f3cios com a produ\u00e7\u00e3o de vinho n\u00e3o deram certo, o que fez com que a fam\u00edlia recorresse ao que tinham de melhor \u2014 a instru\u00e7\u00e3o \u2014, abrindo um estabelecimento educacional em que as filhas assumiriam papel de destaque.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1836, o jornal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Novo Farol Paulistano<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> anunciava o estabelecimento de educa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Termacsics, em que as filhas ensinavam a tocar piano, costurar, marcar, recortar, cortar vestidos de senhoras e bordar (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Novo Farol Paulistano<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1836, Ed. 458, p. 4). Foi ent\u00e3o em S\u00e3o Paulo que Anna Rosa Termacsics dos Santos assumiu a fun\u00e7\u00e3o de lecionar aprendizados variados com apenas quinze anos, of\u00edcio que a acompanhou at\u00e9 o fim de seus dias. Como de praxe, os ensinamentos ofertados a meninas eram vinculados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma feminilidade associada \u00e0s fun\u00e7\u00f5es do \u00e2mbito dom\u00e9stico, nada al\u00e9m. Tendo conhecimento dos escritos formulados por ela anos depois, sabemos o quanto ela elaborou um pensamento contr\u00e1rio a tais virtudes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao lado de Anna Rosa Termacsics dos Santos trabalharam as suas duas irm\u00e3s: Teresa Rosa Termacsics dos Santos e Am\u00e1lia Lu\u00edza Termacsics, sobre as quais temos pouqu\u00edssimas informa\u00e7\u00f5es. De todo modo, a partir do Segundo Reinado, as tr\u00eas irm\u00e3s estavam no Rio de Janeiro, e acreditamos que a transi\u00e7\u00e3o tenha rela\u00e7\u00e3o com a busca por mais oportunidades de trabalho e circula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o falecimento do pai. A Corte carioca, em meados do s\u00e9culo XIX, era um local em ebuli\u00e7\u00e3o para discuss\u00f5es intelectuais e circula\u00e7\u00e3o de pessoas com prest\u00edgio social, e a busca por mestras estrangeiras para lecionar, sobretudo para as escolas privadas e para as aulas particulares, era cada vez maior. As irm\u00e3s podem ter migrado com essa informa\u00e7\u00e3o em mente, almejando alcan\u00e7ar maiores conquistas profissionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 instalada no Rio de Janeiro, Anna Rosa Termacsics dos Santos dedicou os seus dias \u00e0 doc\u00eancia. Esse trabalho foi muito importante em toda a sua trajet\u00f3ria. Por meio dele, ela p\u00f4de manter sua subsist\u00eancia com moradia, alimento e lazer, o qual aqui est\u00e1 relacionado a sua constante busca por conhecimento na compra de livros e na realiza\u00e7\u00e3o de viagens, que demandavam altos custos. Um outro dado que complexifica a necessidade constante do trabalho \u00e9 o fato de ela ter permanecido solteira at\u00e9 o falecimento, sem qualquer tutela masculina. Ela residiu sempre em domic\u00edlios localizados no centro do Rio de Janeiro e suas imedia\u00e7\u00f5es: pequenos sobrados alugados em ruas como a Sete de Setembro, Lavradio, Inv\u00e1lidos, Miseric\u00f3rdia, Alf\u00e2ndega, das Flores, Conde d\u2019Eu, Luiz de Vasconcelos e Monte Alegre. Todos esses logradouros anunciados na imprensa como indicados para \u201cpequena fam\u00edlia\u201d ou \u201csenhoras s\u00f3s\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como uma mulher solteira, Anna Rosa Termacsics dos Santos criticou enfaticamente o matrim\u00f4nio como a \u00fanica possibilidade oferecida \u00e0s mulheres para o resto de suas vidas. Segundo suas palavras, \u201c\u00e9 absurdo negar a todas as mulheres os direitos civis porque os cuidados da casa consomem todo o seu tempo: de algumas, mas n\u00e3o de todas\u201d (Santos, 2022, p. 44), provavelmente se referindo a si mesma. Todo o seu embasamento seguiu a sua experi\u00eancia individual, mas tamb\u00e9m se ancorou em contestar dados hist\u00f3ricos e formula\u00e7\u00f5es intelectuais coletivas que referendavam como natural o destino e os lugares dados \u00e0s mulheres dentro do espa\u00e7o privado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anna Rosa Termacsics dos Santos anunciava desde 1850 os seus servi\u00e7os como professora na imprensa carioca, seja nos jornais di\u00e1rios, como o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Jornal do Commercio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Correio Mercantil,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> como igualmente no impresso anual <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Almanak Laemmert<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Com os recursos alcan\u00e7ados com as aulas, ela p\u00f4de viajar, por exemplo, para a Fran\u00e7a e a Inglaterra, pa\u00edses que consideramos fundamentais para a formula\u00e7\u00e3o de suas ideias. As sa\u00eddas e entradas nos portos de suas viagens foram sempre anunciadas na imprensa. Em 1853, entre os meses de mar\u00e7o e agosto, ela desembarcou em Harvre, na Fran\u00e7a (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Jornal do Commercio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1853, Ed.75, p. 4), e depois em Souphton, na Inglaterra (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Correio Mercantil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1853, Ed. 222, p. 4). Pouco tempo depois, em 1857, ela esteve novamente na Inglaterra e, em 1858, passou pelo Chile e pela Argentina (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Jornal do Commercio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1858, Ed. 101, p. 3).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesses pa\u00edses, manteve contatos e rela\u00e7\u00f5es que possivelmente refletiram fortemente em suas opini\u00f5es e formula\u00e7\u00f5es intelectuais, conhecendo outras mulheres que tamb\u00e9m ambicionavam os mesmos direitos que ela. Para manter as despesas com as viagens, sabemos que, al\u00e9m do dinheiro angariado com as aulas, Anna Rosa Termacsics dos Santos teve que vender muitos pertences \u2014 m\u00f3veis, livros, piano \u2014, todos anunciados na imprensa momentos antes de seu embarque. Tudo isso fez com que ela tamb\u00e9m anunciasse rapidamente as aulas quando retornasse, pois tinha que arcar com os custos de organizar novamente a sua moradia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A forma\u00e7\u00e3o recebida por meio da fam\u00edlia teve reflexo no amplo c\u00edrculo de conhecimento obtido por ela, que exerceu um variado leque de ensinamentos \u2014 piano, canto, primeiras letras, corte, costura e l\u00ednguas. O seu tr\u00e2nsito constante pelas ruas, as idas e vindas de casas de alunas, papelarias e livrarias para dar cumprimento com as obriga\u00e7\u00f5es das aulas n\u00e3o deve ter sido f\u00e1cil. Do mesmo modo, o ac\u00famulo com o n\u00famero de aulas particulares, os an\u00fancios de aulas para meninas moradoras dos sub\u00farbios, a constante desvaloriza\u00e7\u00e3o de seus servi\u00e7os e o lugar ocupado por mulheres naquela sociedade devem ter sido mais um dos motivos que levaram Anna Rosa Termacsics dos Santos a questionar o sistema e toda a desigualdade de g\u00eanero que exclu\u00eda as mulheres (Ribeiro, 2022). Em alguns momentos da sua vida, a necessidade laboral foi tamanha que encontramos tamb\u00e9m ela atuando como preceptora e governanta, indicativos sobre sua classe social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em seu texto \u00e9 poss\u00edvel percebermos o quanto ela expressava o seu inc\u00f4modo com uma sociedade que tratava mulheres como objetos dos homens e incapazes de qualquer cidadania. A decis\u00e3o pela escrita do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado Sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> se deu como reflexo disso, provavelmente junto \u00e0s suas experi\u00eancias com as viagens e o contato com o movimento de mulheres nos pa\u00edses que visitou. A amplitude do seu conhecimento, acumulado ao longo de anos de estudo, tamb\u00e9m influenciou e deu solidez a todo o seu argumento. Em 1868, Anna Rosa Termacsics dos Santos tinha 47 anos, ou seja, ela publicou a obra em uma idade em que j\u00e1 acumulava um amadurecimento e algumas experi\u00eancias vividas. A decis\u00e3o pela publica\u00e7\u00e3o tinha um objetivo expl\u00edcito: argumentar que a exclus\u00e3o das mulheres da educa\u00e7\u00e3o, do trabalho e da pol\u00edtica tinha ra\u00edzes s\u00f3lidas na legisla\u00e7\u00e3o e no Estado, que era todo composto por homens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um outro incentivo que consideramos crucial para a publica\u00e7\u00e3o da obra foi a proposta pelo direito ao voto feminino levada ao parlamento ingl\u00eas, em 1867, por John Stuart Mill. O fil\u00f3sofo e pol\u00edtico conseguiu mobilizar 73 votos favor\u00e1veis ao direito de as mulheres participarem da pol\u00edtica, n\u00famero ainda n\u00e3o suficiente comparado aos 194 votos contr\u00e1rios. Esse ocorrido foi comentado mundialmente como inusitado, fazendo com que jornais considerassem-no de tamanha \u201caud\u00e1cia\u201d. No Brasil n\u00e3o foi diferente, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> logo que soube publicou a informa\u00e7\u00e3o a descrevendo como \u201cum fato muito curioso\u201d (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1867, Ed. 158, p. 1). Talvez Anna Rosa Termacsics dos Santos tenha sido influenciada por Stuart Mill, colocando-se como porta-voz de uma mobiliza\u00e7\u00e3o que se ampliava mundialmente e gradualmente, ainda que ela n\u00e3o soubesse da dimens\u00e3o do movimento nas d\u00e9cadas seguintes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o em sua formula\u00e7\u00e3o intelectual ao longo da leitura do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 o debate colocado sobre o direito ao voto e a elegibilidade para as mulheres, junto a uma defesa irrestrita do trabalho feminino como meio de emancipa\u00e7\u00e3o. Por muito tempo, no Brasil, acreditou-se que essa discuss\u00e3o s\u00f3 tivesse ganhado forma com o movimento sufragista das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, sendo o s\u00e9culo antecedente marcado por uma imprensa feminina que tinha como objetivo priorit\u00e1rio o direito educacional (Karawejczyk, 2013). Isso contribuiu para que se consolidasse uma ideia de que no s\u00e9culo XIX esse n\u00e3o era um debate importante para as mulheres, que se mobilizaram apenas pelo direito educacional. A obra de Anna Rosa Termacsics dos Santos \u00e9 a prova de que o debate pela participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres vinha germinando em terras brasileiras ainda no s\u00e9culo XIX.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para que o texto final chegasse \u00e0s livrarias, uma s\u00e9rie de procedimentos foi necess\u00e1ria, e consideramos que o principal \u00e9 o tempo dedicado aos estudos para embasamento de seu argumento. Dividida em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es, a obra, de 128 p\u00e1ginas, \u00e9 toda fundamentada em pensadores bastante conhecidos, fazendo com que as suas ideias tivessem inseridas em debates reconhecidos no \u00e2mbito do pensamento ocidental. A leitura atenta da obra indica um n\u00famero consider\u00e1vel de personalidades, totalizando 112 nomes desde reis, rainhas, pol\u00edticos, fil\u00f3sofos e escritores\/escritoras mundo afora, desde a Gr\u00e9cia Antiga at\u00e9 aqueles contempor\u00e2neos \u00e0 autora. Dos fil\u00f3sofos cl\u00e1ssicos \u00e9 poss\u00edvel encontrarmos cita\u00e7\u00f5es diretas a Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, C\u00edcero e Dem\u00f3stenes, sobretudo quando o tema era referente \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Entre os autores mais contempor\u00e2neos, h\u00e1 refer\u00eancias a Rousseau, Voltaire, Montesquieu, Condorcet, Stuart Mill, Byron, Friedrich Schiller, Locke, Tocqueville e William Godwin.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O texto \u00e9 escrito em terceira pessoa, apenas em alguns momentos a autora deixa sua posi\u00e7\u00e3o individual transparecer, apontando para uma proposta coletiva experimentada tamb\u00e9m por outras mulheres com as quais ela dialogava. Francesas como Madame de Stael e George Sand foram tidas como modelos femininos a serem seguidos. Anna Rosa Termacsics dos Santos n\u00e3o foi a \u00fanica voz em prol de uma amplia\u00e7\u00e3o de direitos para as mulheres no Brasil, estando inserida em um c\u00edrculo que tinha adeptas mundialmente. Dentro da pr\u00f3pria imprensa no s\u00e9culo XIX, outras mulheres vinham se fazendo presentes e se colocando, ainda que aos poucos, no debate p\u00fablico sobre a emancipa\u00e7\u00e3o feminina (Ribeiro, 2023). A autora pode ter sido uma das poucas que teve a coragem de publicar uma obra, mas estava longe de ser a \u00fanica. Nomes como Joana Paula Manso, Violante Atabalipa Ximenes de Bivar e Vellasco e J\u00falia de Albuquerque Sandy Aguiar s\u00e3o algumas das que lan\u00e7aram jornais com o debate da emancipa\u00e7\u00e3o feminina, por\u00e9m sem tocarem no direito ao voto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como uma mulher que afrontou as regras, Anna Rosa Termacsics dos Santos formulou uma par\u00e1frase direta a Jean Jacques Rousseau, autor de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Em\u00edlio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ao iniciar seu texto. Para a autora, \u201ca mulher nasceu livre, a mulher geme em ferros\u201d, indicando que conhecia a obra do fil\u00f3sofo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Do Contrato Social<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, onde ele exp\u00f4s que \u201co homem nasceu livre e por toda a parte encontra-se sob ferros\u201d. Talvez essa escolha tenha rela\u00e7\u00e3o com o fato de Anna Rosa querer j\u00e1 deixar indicado o seu conhecimento sobre as discuss\u00f5es que tocavam na negativa dos direitos das mulheres, sobretudo aquelas com uma justificativa biol\u00f3gica e ligada a um construto natural. Para Anna Rosa Termacsics dos Santos a exclus\u00e3o das mulheres dos espa\u00e7os p\u00fablicos se dava unicamente por uma legisla\u00e7\u00e3o criada pelos homens. As reivindica\u00e7\u00f5es centrais presentes ao longo de todo o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado Sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> podem ser resumidas por suas pr\u00f3prias palavras:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A geral quest\u00e3o dos direitos da mulher compreende sua educa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, cient\u00edfica, art\u00edstica, seus embara\u00e7os industriais, profissionais e comerciais, seus interesses pecuni\u00e1rios civis e pol\u00edticos; em uma palavra, como indiv\u00edduo, nas fun\u00e7\u00f5es como cidad\u00e3, a mulher tem sido condenada por sua delicadeza e organiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e0 inferioridade da cultura intelectual e moral e \u00e0 ren\u00fancia dos grandes sociais e civis privil\u00e9gios na rela\u00e7\u00e3o: era idealmente aniquilada e escravizada em tudo quanto diz respeito a seus direitos pessoais e pecuni\u00e1rios (Santos, 2022, p. 56).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em suma, Anna Rosa Termacsics pleiteava o exerc\u00edcio de uma cidadania para as mulheres, com plenos direitos em todos os \u00e2mbitos sociais. Um dos argumentos colocados era o de que as mulheres pagavam impostos e respondiam judicialmente por seus atos, logo, deveriam tamb\u00e9m ser vistas como iguais no mercado de trabalho e na pol\u00edtica. Ao longo da leitura do texto encontramos ind\u00edcios de que Anna Rosa Termacsics dos Santos escrevia em um momento em que acreditava na possibilidade de as pautas pelas reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres chegarem at\u00e9 \u00e0 Assembleia e serem discutidas pelos parlamentares, como sucedeu na Inglaterra. Para ela, \u201ca ocasi\u00e3o \u00e9 oportuna; na futura Assembleia ajudai, patr\u00edcios, a separar a luz da escurid\u00e3o; dai sabiamente vossa prote\u00e7\u00e3o para determinar estes princ\u00edpios, deliberar sobre o m\u00e9todo e acabar os sucessos desta grande e santa quest\u00e3o\u201d (Santos, 2022, p. 56). Por\u00e9m, n\u00e3o temos qualquer comprova\u00e7\u00e3o de que isso veio a ser mobilizado oficialmente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre a sua condi\u00e7\u00e3o de mulher solteira, na segunda se\u00e7\u00e3o, a qual ela intitula <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, encontramos um s\u00f3lido argumento contr\u00e1rio ao destino das mulheres ser unicamente o trabalho dom\u00e9stico. Em um tom ir\u00f4nico, Anna Rosa Termacsics dos Santos enfatiza sua insatisfa\u00e7\u00e3o com mais essa desigualdade entre homens e mulheres: \u201cas fun\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas n\u00e3o s\u00e3o bastantes para a mulher: como se o homem n\u00e3o devesse ser mais que marido e pai. Depois que acabam os trabalhos dom\u00e9sticos, resta muito tempo ainda para outras coisas.\u201d (Santos, 2022, p. 57). Ora, por que aos homens eram dadas oportunidades al\u00e9m de serem maridos e pais? Sabemos hoje que a constitui\u00e7\u00e3o do patriarcado como um sistema de dogmas, cren\u00e7as e privil\u00e9gios inerentes aos homens \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para isso (Lerner, 2019), a senhora Termacsics em meados do s\u00e9culo XIX tamb\u00e9m. O problema era que aos homens n\u00e3o era privado nada, mesmo aqueles sem instru\u00e7\u00e3o, e esse era um argumento convincente que a autora mobilizava.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Neste pa\u00eds, a mulher n\u00e3o tem direitos pol\u00edticos, n\u00e3o \u00e9 cidad\u00e3, n\u00e3o pode administrar as leis, como eleger deputados, n\u00e3o pode ter empregos; mas o homem mal procedido, que se embriaga todos os dias, o jogador, todos estes podem votar, mesmo os que n\u00e3o t\u00eam car\u00e1ter nem dinheiro, que vivem em uma posi\u00e7\u00e3o dependente, que dan\u00e7am como os outros assoviam: tudo isso n\u00e3o importa, \u00e9 homem e basta. A mais nobre, a mais virtuosa, a mais instru\u00edda mulher n\u00e3o tem voz no Estado: o homem d\u00e1-lhe leis, disp\u00f5e de sua propriedade, da sua pessoa e de seus filhos: elas devem suportar com toda paci\u00eancia (Santos, 2022, p. 65).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Anna Rosa Termacsics dos Santos, ainda que tecesse cr\u00edticas ao trabalho dom\u00e9stico, n\u00e3o acreditava que ele fosse uma fun\u00e7\u00e3o masculina. Pelo contr\u00e1rio, ela defendia que os labores dom\u00e9sticos deveriam ser desempenhados pelas mulheres, por\u00e9m, ap\u00f3s o t\u00e9rmino deles, tamb\u00e9m restaria tempo para outras atividades. O descontentamento com o tratamento das leis e do Estado dado aos homens \u00e9 expresso em diversas partes do texto, em que era inadmiss\u00edvel para a autora aquele homem pobre e analfabeto ter plenos direitos civis e pol\u00edticos, enquanto as mulheres mais instru\u00eddas e eruditas eram privadas e dependentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao mesmo tempo em que o texto do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> traz caracter\u00edsticas transgressoras para o momento que foi escrito \u2014 como o debate sobre voto feminino, acesso as universidades, igualdade matrimonial e profissionaliza\u00e7\u00e3o \u2014, ele igualmente mostra as problem\u00e1ticas vivenciadas no per\u00edodo, em que a escravid\u00e3o n\u00e3o pode ser desconsiderada. Anna Rosa Termacsics dos Santos, assim como tantos outros intelectuais da \u00e9poca, deu pouca aten\u00e7\u00e3o para a escravid\u00e3o, especialmente \u00e0s mulheres escravizadas. Ela apenas a descreveu como uma \u201cmancha imensa para um pa\u00eds que se quer chamar civilizado\u201d (Santos, 2022, p. 67) e utilizou da met\u00e1fora de que as mulheres brancas viviam em regime de escravid\u00e3o, privadas de seus direitos e sem qualquer liberdade de participar das discuss\u00f5es p\u00fablicas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A divis\u00e3o em tr\u00eas classes de mulheres, proposta pela autora, ilustra ainda mais essas contradi\u00e7\u00f5es raciais do Oitocentos. Para Anna Rosa Termacsics dos Santos as classes seriam: 1) a da \u00faltima pobreza, que se ocuparia apenas com trabalhos manuais; 2) a das bonecas, que existiam apenas para del\u00edcia dos olhos e 3) a das que se assemelhariam a \u201chomens literatos\u201d, estas sim, seriam boas donas de casa e mulheres p\u00fablicas. Vale evidenciar que os trabalhos materiais eram desempenhados por mulheres escravizadas ou pretas livres que estavam longe de serem inseridas nos direitos pleiteados no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Para as mulheres negras, as reivindica\u00e7\u00f5es centrais eram a de viver sem as amarras da escravid\u00e3o, poderem ter seus filhos sem serem vendidos, transitarem livremente sem correrem o risco de serem escravizadas novamente, alimenta\u00e7\u00e3o e moradia dignas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em uma sociedade que era toda organizada pela escravid\u00e3o de pessoas pretas, mulheres brancas como Anna Rosa Termacsics dos Santos normalizavam as pr\u00e1ticas de coa\u00e7\u00e3o e as divis\u00f5es hier\u00e1rquicas existentes. O <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado Sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 fruto de sua \u00e9poca, em que os movimentos mais progressistas ainda assim eram condizentes com o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista com a preval\u00eancia da escravid\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sabendo das prerrogativas relacionadas ao estranhamento da sociedade com as pautas colocadas, a autora dedicou-se, na terceira e \u00faltima se\u00e7\u00e3o, a convencer seus leitores e suas leitoras. Para a senhora Termacsics, o principal obst\u00e1culo a ser enfrentado era o costume, apontando que a \u00e9poca era de novidades quanto \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de democracia e de participa\u00e7\u00e3o popular. Em nenhum lugar do mundo as mulheres tinham o direito a participar da pol\u00edtica. O seu conhecimento hist\u00f3rico e filos\u00f3fico foi mobilizado incessantemente, e cita\u00e7\u00f5es de exemplos passados eram recorrentes:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O mundo ainda \u00e9 mo\u00e7o, principia agora a conhecer a sua injusti\u00e7a. Assim como o absolutismo dos monarcas, o com\u00e9rcio dos escravos, como a nobreza heredit\u00e1ria, o despotismo sacerdotal, podemos admirar que ainda n\u00e3o fosse lembrada a liberta\u00e7\u00e3o da mulher. (Santos, 2022, pp. 74-75).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O modelo de sociedade burguesa louvado em voga era criticado frente a tantas perman\u00eancias do passado. As injusti\u00e7as elencadas apresentam o intuito de inserir a exclus\u00e3o das mulheres como mais uma dentre v\u00e1rias outras. As palavras finais de Anna Rosa Termacsics dos Santos s\u00e3o certeiras ao afirmar que \u201cexistem mulheres que brilham com o seu esp\u00edrito, como os homens mais inteligentes do universo: s\u00f3 n\u00e3o tiveram a ocasi\u00e3o de exercerem como o homem\u201d (Santos, 2022, p. 82). A sabedoria da escritora \u00e9 not\u00f3ria do in\u00edcio ao fim. Ela at\u00e9 mesmo se precaveu quanto \u00e0s cr\u00edticas que receberia das muitas mulheres contr\u00e1rias aos direitos ali pleiteados, e encontramos explica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas para essa recep\u00e7\u00e3o negativa a partir do modelo de socializa\u00e7\u00e3o por g\u00eanero. A autora argumentava que s\u00e9culos de submiss\u00e3o n\u00e3o poderiam resultar sen\u00e3o em um costume de submiss\u00e3o. Outra quest\u00e3o trata de que, ainda que um grupo de mulheres fosse contr\u00e1rio \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o, deviam-se dar oportunidades para aquelas que almejassem uma vida distinta do modelo pregado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os \u00faltimos par\u00e1grafos do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado Sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> refor\u00e7am a ambi\u00e7\u00e3o de Anna Rosa Termacsics dos Santos em clamar para que mais mulheres se juntassem a ela, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de uma proposta intelectual coletiva na luta por direitos. N\u00e3o temos como saber sobre as poss\u00edveis aliadas que a publica\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou, apenas \u00e9 poss\u00edvel afirmar que ela incomodou bastante, como mostram algumas cr\u00edticas publicadas na imprensa peri\u00f3dica. Afinal, falar sobre os direitos das mulheres em meados da d\u00e9cada de 1860 no Brasil ainda era uma discuss\u00e3o que estava longe de ser disseminada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No dia 15 de outubro de 1886 falecia Anna Rosa Termacsics dos Santos no Rio de Janeiro aos 65 anos de idade, em decorr\u00eancia de problemas pulmonares. A escritora partiu sem ver suas reivindica\u00e7\u00f5es serem materializadas, que, apesar das conquistas recentes, ainda est\u00e3o em curso. O seu nome, as suas ideias e a import\u00e2ncia de sua luta para o feminismo permaneceram por mais de 150 anos desconhecidas, como reflexo de uma ci\u00eancia masculina e hegem\u00f4nica que marginalizou (e ainda marginaliza) hist\u00f3rias com significados importantes e interpretativos sobre a hist\u00f3ria de nosso pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anna Rosa Termacsics dos Santos pode hoje ser designada com termos que v\u00e3o muito al\u00e9m de escritora e professora. Ela tamb\u00e9m foi historiadora, fil\u00f3sofa, militante pol\u00edtica e grande conhecedora de l\u00ednguas. Uma mulher erudita que muito contribuiu para o pensamento intelectual e o feminismo. N\u00e3o existe at\u00e9 o momento nenhuma outra obra de sua pena descoberta pela pesquisa cient\u00edfica. A \u00fanica que temos conhecimento \u2014 o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado Sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u2014, saiu publicada em uma vers\u00e3o in\u00e9dita pela Edi\u00e7\u00f5es C\u00e2mara em 2022, em que pela primeira vez o nome da autora aparece desvendado na capa, uma forma de valorizar a sua luta que ainda continua a nossa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Fontes<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">CORREIO MERCANTIL<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1853, Ed. 222, p. 4. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">DI\u00c1RIO DO RIO DE JANEIRO<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1867, Ed. 158, p. 1. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">JORNAL DO COMMERCIO, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">1853, Ed.75, p. 4. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">JORNAL DO COMMERCIO<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1858, Ed. 101, p. 3. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">O FAROL PAULISTANO<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1829, Ed. 260, p. 3. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">O NOVO FAROL PAULISTANO<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1836, Ed. 458, p. 4. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/hemeroteca-digital\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Livros<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lerner, G. (2019). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A cria\u00e7\u00e3o do patriarcado: Hist\u00f3ria da opress\u00e3o das mulheres pelos homens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Editora Cultrix.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SANTOS, Anna Rosa Termacsics. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tratado Sobre a Emancipa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica da Mulher e Direito de Votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es C\u00e2mara, 2022. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/bd.camara.leg.br\/bd\/handle\/bdcamara\/40710\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bd.camara.leg.br\/bd\/handle\/bdcamara\/40710<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Cap\u00edtulos de livro e colet\u00e2neas<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ribeiro, C. de P. (2022). Anna Rosa Termacsics dos Santos. In: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Memorial do Memoric\u00eddio: escritoras brasileiras esquecidas pela Hist\u00f3ria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, vol. 1. (org.) DUARTE, Const\u00e2ncia L. Belo Horizonte: Editora Luas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigos em Peri\u00f3dicos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ribeiro, C. de P. (2022). \u201cO trabalho da mulher \u00e9 barato pela grande abund\u00e2ncia que existe\u201d: intelectuais e professoras na labuta cotidiana de seus of\u00edcios (Rio de Janeiro, s\u00e9culo XIX). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">SAECULUM<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 27, p. 45-65. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/periodicos.ufpb.br\/index.php\/srh\/article\/view\/60193\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/periodicos.ufpb.br\/index.php\/srh\/article\/view\/60193<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ribeiro, C. de P. (2022). \u201cChegou a hora de na imprensa apresentar-nos\u201d: mulheres e os \u00f3bices profissionais no jornalismo, Rio de Janeiro, s\u00e9culo XIX. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Revista de Hist\u00f3ria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 181, p. 1-25. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/revhistoria\/article\/view\/194296\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.revistas.usp.br\/revhistoria\/article\/view\/194296<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ribeiro, C. de P. (2023). Mulheres jornalistas e as desigualdades de g\u00eanero \u2013 s\u00e9culo XIX, Rio de Janeiro. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Revista Maracanan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, n. 34, p. 217-241. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/maracanan\/article\/view\/77622\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/maracanan\/article\/view\/77622<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Disserta\u00e7\u00f5es e teses<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Karawejczyk, M. (2013). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">As filhas de Eva querem votar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: dos prim\u00f3rdios da quest\u00e3o \u00e0 conquista do sufr\u00e1gio feminino no Brasil (c.1850-1932). Tese (doutorado em Hist\u00f3ria). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/72742\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/72742<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ribeiro, C. de P. (2019). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA vida caseira \u00e9 a sepultura dos talentos\u201d: g\u00eanero e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos escritos de Anna Rosa Termacsics dos Santos (1850-1886)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria). Juiz de Fora: UFJF. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/repositorio.ufjf.br\/jspui\/handle\/ufjf\/9807\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/repositorio.ufjf.br\/jspui\/handle\/ufjf\/9807<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anna Rosa Termacsics dos Santos (1821-1886) &nbsp; por Cristiane Ribeiro, mestra em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal\u00a0 de Juiz de Fora<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2017","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2017"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2021,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2017\/revisions\/2021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}