{"id":2104,"date":"2024-10-22T16:40:49","date_gmt":"2024-10-22T19:40:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2104"},"modified":"2024-10-30T12:40:46","modified_gmt":"2024-10-30T15:40:46","slug":"mary-astell","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/mary-astell\/","title":{"rendered":"Mary Astell"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><strong>Mary Astell<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1666 &#8211; 1731)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Yasmim Pontes, formada em Letras e mestranda\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">em Educa\u00e7\u00e3o\u00a0pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisadora\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">da C\u00e1tedra UNESCO para a Hist\u00f3ria das Mulheres e bolsista da CAPES &#8211;<\/span> <a href=\"https:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K2181441Y6&amp;tokenCaptchar=03AFcWeA5hHlqCGVLoSMnlKnDDRffurusMU7lRfmDkou9lOFHsSzTHYDC-xEFcAu00q-A25IImEj5GZJbdHsa5qqA4fsMspkwWKjuv7KRcmPh6Y6QT8RZaFXw16IFPoE1OG3_tVukalLyMmL-EvVYYLck9g1gvUva-ZAft4n3V_MmMPbNEn5AGyZYpIfziVMuw73-swv4dXENLG3oyAYwvf46bnvt6EBPnLsTFwg8QVf5-RgN6xXXGQTavZZ2xrjzb4IRwkVbthAlkIWoVCsAhCwkbBCtXl47_cEN8kcwi79WEqeYfHkEqDgK3P3Cy5G-M-JzwOygehW7lUY2nHG6nKlJdTKsJa9f1J1lc7RbeyqlDs01aoURuRHRFQCOIUbKd10ypaH_Tq9aWgTTMvXzndFz7-QswVU3b0QzJMP5GyFgOHVduz3eWxuNda_Ctq5BnZMghZ-uRGE1h1h-tXiy083rH9WSIToQIp46c-7VX-sdkXn2dwOIIgyDJAbkW8HJYo8K6TSHPu2KmYa2vj2VpeG-FDJ83G_SAThzDGG6MR7XaifgEZuApFodakpAhH_OjaE7P4aIm4zJELqsZJgrYkBxvGeunKUTsvSV5rPYyaHW3RfKLFVukqiqQ1MnuM3cH34LKZGpeBUA4R5fewixUOW8KStB3xJsSSHhQvGiIQyci1klSPryw1Hjw24Q4jPZddhH99w4dF3WpBs51onqtXAH0cEmtimTQaNFjDUi94h3dmBTYXN2YSA0\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/Mary-Astell-PDF.docx_.pdf\">Mary Astell &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_2089\" aria-describedby=\"caption-attachment-2089\" style=\"width: 167px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2089\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/mary.jpg\" alt=\"\" width=\"167\" height=\"301\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2089\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: https:\/\/www.factsnippet.com\/site\/facts-about-mary-astell.html<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nascida em 1666, em Newcastle, Mary Astell foi a \u00fanica filha de uma fam\u00edlia respeitada e abastada, com fortes la\u00e7os monarquistas. Seu pai, um cavalheiro e membro da Companhia de Mercadores, detinha consider\u00e1vel poder e influ\u00eancia na cidade. Como era comum para as mulheres de sua \u00e9poca, \u00e9 prov\u00e1vel que Astell n\u00e3o tenha recebido uma educa\u00e7\u00e3o formal. No entanto, durante seus primeiros anos, ela recebeu instru\u00e7\u00e3o de seu tio, um cl\u00e9rigo do Emmanuel College em Cambridge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s a morte de seu pai, em 1678, sua fam\u00edlia passou por tempos dif\u00edceis. Por um per\u00edodo, a fam\u00edlia de Astell dependeu de doa\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos para renda. Assim que sua m\u00e3e morreu, Astell mudou-se para a cidade de Chelsea onde, inicialmente, procurou o patroc\u00ednio de William Sancroft \u2014 um arcebispo de Canterbury \u2014 enviando-lhe uma s\u00e9rie de poesias. Ao que tudo indica, Astell consegue construir uma amizade com Lady Mary Wortley Montagu, o que lhe permitiu adentrar em um ciclo social de intelectuais, o que possibilita que ela conserve como suas principais patrocinadoras Lady Ann Coventry (que doou fundos para a implementa\u00e7\u00e3o para a escola de meninas propostas por Astell) e Lady Elizabeth Hasting (que tamb\u00e9m, preocupada com e educa\u00e7\u00e3o das mulheres, fundou, em 1709, uma escola para meninas em Chelsea apoiada pela Society for the Propagation of Christian Knowledge). \u00c9 evidente que Astell continua seus estudos em filosofia, religi\u00e3o e pol\u00edtica, pois, ap\u00f3s manter um vasto di\u00e1logo com John Norris, um dos seus primeiros apoiadores, Astell \u00e9 reclamada pelo fil\u00f3sofo para que publique <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters Concerning the Love of God<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cartas sobre o Amor de Deus] (1695), onde ela exp\u00f5e sua argumenta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica e pensamentos teol\u00f3gicos. Al\u00e9m disso, Astell ainda se torna pr\u00f3xima de Lady Mary Wortley Montagu, autora conhecida pela obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters From the East<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cartas do Oriente] (1724) para cuja publica\u00e7\u00e3o Astell escreve um pref\u00e1cio. Em Chelsea, Astell tamb\u00e9m conhece a Duquesa de Mazarina, cujo div\u00f3rcio inspira a cria\u00e7\u00e3o de sua principal obra, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Some Reflections Upon Marriage <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Algumas Reflex\u00f5es sobre o Casamento] (1700). Ao que parece, a escritora viveu uma vida discreta, dedicando-se ao estudo e \u00e0s publica\u00e7\u00f5es. Por permanecer solteira, as amizades que cultivou durante a vida, principalmente com as mulheres, foi de grande import\u00e2ncia, uma vez que \u00e9 Lady Catherine \u2014 filha do conde de Ranelagh \u2014 que permaneceu ao lado de Astell durante a sua morte causada por um c\u00e2ncer de mama, em 1731.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m da publica\u00e7\u00e3o de suas obras em livros, Astell viveu um per\u00edodo em que se dedicou \u00e0 panfletos pol\u00edticos e filos\u00f3ficos, s\u00e3o eles:\u00a0<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">An Impartial Enquiry into the Causes of Rebellion and Civil War in This Kingdom [Uma investiga\u00e7\u00e3o imparcial sobre as causas da rebeli\u00e3o e da guerra civil neste reino] (1704)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">The Christian Religion as Profess\u2019d by a Daughter of the Church of England [A religi\u00e3o crist\u00e3 professada por uma filha da Igreja da Inglaterra] (1705)<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Bartelmy Fair or an Enquiry after Wit in which due Respect is had to a Letter concerning Enthusiasm [Bartelmy Fair ou uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o humor em que se deve ter o devido respeito a uma carta sobre entusiasmo] (1709)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sua primeira obra publicada exclusivamente sobre o assunto da educa\u00e7\u00e3o feminina, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Serious Proposal To The Ladies For the Advancement of their True and Greatest Interest <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Uma proposta s\u00e9ria \u00e0s mulheres para o avan\u00e7o de seu verdadeiro e maior interesse] (1694), foi dividida em dois volumes que abordam uma teoria da educa\u00e7\u00e3o direcionada \u00e0s mulheres. Por\u00e9m, o primeiro objetivo de Astell com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Serious Proposal I<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, n\u00e3o foi alcan\u00e7ado, uma vez que o cen\u00e1rio ingl\u00eas passava pela Reforma Protestante, o que extinguiu a cria\u00e7\u00e3o de conventos e o seu projeto n\u00e3o pode se concretizar, j\u00e1 que remontava \u00e0s caracter\u00edsticas dessas institui\u00e7\u00f5es. Com esse fracasso, Astell publicou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Serious Proposal II<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> para que as mulheres pudessem se instruir em casa. Posteriormente, a pedido de John Norris, Astell publicou parte de sua correspond\u00eancia com o fil\u00f3sofo sob a forma de texto, intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters Concerning the Love of God <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Cartas Sobre o Amor de Deus]<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(1695). Em 1700, publicou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Some Reflections Upon Marriage <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Algumas Reflex\u00f5es sobre o Casamento], onde faz uma cr\u00edtica contundente ao casamento como um regime de escravid\u00e3o para as mulheres. Em 1705, publicou suas teorias educacionais religiosas em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Christian Religion As Profess&#8217;d by a Daughter of the Church of England <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Religi\u00e3o Crist\u00e3 Professada por uma Filha da Igreja da Inglaterra].<\/span><\/p>\n<p><b>Obras<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio de seus contempor\u00e2neos, como John Locke, Gottfried Wilhelm Von Leibniz, Baruch Spinoza e George Berkeley, Mary Astell estava profundamente preocupada com a falta de educa\u00e7\u00e3o enfrentada pelas mulheres de sua \u00e9poca. Para ela, essa lacuna educacional contribu\u00eda para que as mulheres adquirissem v\u00edcios e se distanciassem da sabedoria, virtude e felicidade plena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Astell enfatiza, alinhando-se com a filosofia moral de Plat\u00e3o, as virtudes da sabedoria e a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o: devemos nutrir nossos esp\u00edritos em vez de focarmos em coisas materiais. Como racionalista, Astell concordava com Plat\u00e3o e Descartes que o verdadeiro conhecimento \u00e9 alcan\u00e7ado pelo racioc\u00ednio, e n\u00e3o pelos sentidos, e atrav\u00e9s do dom\u00ednio da mente sobre o corpo. Por\u00e9m, apesar de estar preocupada com a educa\u00e7\u00e3o das mulheres, Astell n\u00e3o tem o objetivo de subverter a hierarquia pol\u00edtica ou social, mas sim de tornar as mulheres donas de si mesmas por meio de uma educa\u00e7\u00e3o religiosa e virtuosa:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 nossa inten\u00e7\u00e3o que as mulheres ensinem na igreja ou que usurpem a autoridade onde isso n\u00e3o \u00e9 permitido; mas apenas tolere que entendamos qual \u00e9 o nosso dever e que n\u00e3o sejamos for\u00e7adas a aceitar e confiar no que os outros pensam; Permitam-nos, pelo menos, ser instru\u00eddas para poder conceber em nossas mentes os fundamentos aut\u00eanticos do cristianismo (Astell, 1694, p. 57)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Astell afirma que o caminho comum apresentado \u00e0s mulheres as tornavam tolas e est\u00fapidas, seria necess\u00e1rio, ent\u00e3o, quebrar o v\u00edcio comum para o aperfei\u00e7oamento da alma. Sendo assim, os maus costumes \u2014 \u201cperseguir borboletas e outras ninharias\u201d -\u2014 resultaria, portanto, em uma \u201cinflu\u00eancia perniciosa\u201d:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A defici\u00eancia, se houver, \u00e9 adquirida e n\u00e3o natural; E esta estupidez tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, mas poderia ser evitada se assim o desejarem. Com efeito, as mulheres sofrem uma s\u00e9rie de desvantagens e veremos quais s\u00e3o para tentar super\u00e1-las. Mas as mulheres n\u00e3o t\u00eam de se dedicar a ocupa\u00e7\u00f5es triviais, pois s\u00e3o capazes das maiores realiza\u00e7\u00f5es. Nem Deus nem a natureza lhes negaram a capacidade de serem o adorno da sua fam\u00edlia e \u00fateis \u00e0 sua gera\u00e7\u00e3o. (Astell, 1694, p. 17)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A cita\u00e7\u00e3o acima mostra um aspecto importante da teoria de Astell: ela acreditava que Deus criou mentes iguais para serem igualmente desenvolvidas e que a recusa dessas oportunidades era uma afronta direta \u00e0 Deus. Sendo assim, a educa\u00e7\u00e3o dada \u00e0s mulheres deveria n\u00e3o se limitar apenas ao aspecto formal, mas tamb\u00e9m uma educa\u00e7\u00e3o voltada para servir a Deus. Sendo assim, a autora sugeria que o mosteiro serviria como um local para \u201cdivers\u00f5es mais gratificantes para aquelas que est\u00e3o convencidas do vazio dos prazeres terrenos\u201d (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Serious Proposal I<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, p.41). Dessa forma, afastando as mulheres dos maus costumes instaurados na sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Serious Proposal To The Ladies For the Advancement of their True and Greatest Interest <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1694)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Astell desenvolve uma teoria que distinguia dois tipos de mulheres: o primeiro, caracterizado por uma mente fraca e viciosa, era superficial e preocupava-se apenas com a beleza exterior, negligenciando o desenvolvimento interior da mente. Por outro lado, o segundo tipo de mulher, idealizado por Astell, compreendia que sua felicidade n\u00e3o dependia sen\u00e3o de sua pr\u00f3pria mente. Essa mulher viveria com prop\u00f3sito, buscando incessantemente a sabedoria. Astell considerava que na educa\u00e7\u00e3o estava a possibilidade de oferecer \u00e0s mulheres um caminho diferente do casamento, um caminho que n\u00e3o fosse centrado nos homens, mas nelas mesmas:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pois quando a paix\u00e3o de um amante se evapora na indiferen\u00e7a de um marido, e o habituar-se a essa companhia diminui o fasc\u00ednio que os encantos provocados no in\u00edcio, s\u00f3 ser\u00e1 preservado o respeito formal que a dec\u00eancia e a boa educa\u00e7\u00e3o exigem, e talvez nem isso; A menos que seja um homem excepcional (e, de fato, o mundo ainda n\u00e3o est\u00e1 cheio deles), os escassos m\u00e9ritos da esposa far\u00e3o com que perca o direito ao afeto, que quase nunca permanece, exceto na forma de venera\u00e7\u00e3o e estima. Enquanto uma mulher s\u00e1bia e compassiva \u00e9 \u00fatil e valiosa em todos os momentos e situa\u00e7\u00f5es; aquela que se preocupa com a \u00fanica coisa que \u00e9 necess\u00e1ria e boa e que ningu\u00e9m jamais lhe tirar\u00e1, vive uma exist\u00eancia alegre e pl\u00e1cida, inocente e calma, pac\u00edfica e sedativa, e finalmente faz uma sa\u00edda gloriosa; ser transferido da vida mais afortunada da terra para uma felicidade indescrit\u00edvel no c\u00e9u; (Astell, 1694, p. 119)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que ela procurava e desejava era uma exist\u00eancia plena, onde as mulheres pudessem gerir as suas vidas sem a depend\u00eancia de um homem ou de um casamento infeliz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A sociedade da \u00e9poca incentivava o primeiro tipo de mulher. Conforme expresso em sua afirma\u00e7\u00e3o: \u201cAs mulheres s\u00e3o, desde a sua mais tenra inf\u00e2ncia, privadas dessas vantagens [a educa\u00e7\u00e3o], por cuja falta s\u00e3o depois reprovadas, e s\u00e3o criadas nesses v\u00edcios que mais tarde lhes ser\u00e3o censurados (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Idem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, p. 60). Nesse contexto, Astell via a reclus\u00e3o das mulheres da sociedade como a \u00fanica maneira de quebrar esse ciclo prejudicial, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o feminina, onde, posteriormente, as freiras poderiam influenciar positivamente a sociedade. Astell acreditava que, ao se afastarem do mundo cotidiano, as mulheres estariam protegidas dos perigos \u00e9ticos que as tentavam para a vaidade, inconst\u00e2ncia e orgulho. Essa reclus\u00e3o possibilitaria que desenvolvessem h\u00e1bitos positivos, guiando-as em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 virtude e \u00e0 sabedoria. Com tempo para reflex\u00e3o e autoconhecimento, Astell acreditava que as mulheres poderiam alcan\u00e7ar seu pleno potencial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Some Reflections Upon Marriage <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1700)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, a autora faz uma cr\u00edtica ao casamento baseada na hist\u00f3ria da Duquesa de Mazarine, que nasceu em Roma em 1646. Quando mais velha, atraiu muita aten\u00e7\u00e3o devido \u00e0 sua extrema beleza, se casando com o Duque de Meilleraye que trocou de nome -\u2014 para Mazarine \u2014 ap\u00f3s receber uma enorme fortuna \u2014 infelizmente, o casamento n\u00e3o foi bem sucedido, o que fez com que a duquesa fugisse disfar\u00e7ada de homem:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A curiosidade, que \u00e0s vezes \u00e9 uma ocasi\u00e3o para o Bem, e muito frequentemente para o Mal, por perturbar o nosso Pr\u00f3prio, ou o Repouso do nosso Vizinho, tendo-me levado a ler o Caso do Duque e da Duquesa de Mazarine; pensei que uma Tarde n\u00e3o seria completamente desperdi\u00e7ada em perseguir algumas Reflex\u00f5es que ele ocasionou. O nome de Mazarine \u00e9 consider\u00e1vel o suficiente para atrair os olhos dos curiosos, quando algu\u00e9m se lembra do barulho que ele fez na Europa. (Astell, 1700, p. 2)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Astell destaca o fato de que os homens n\u00e3o se casam por boa vontade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, mas sim por motiva\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, como &#8216;cobi\u00e7a&#8217; \u2013\u2014 desejo desordenado \u2014 e outras paix\u00f5es excessivas. Primeiro, diz ela, existem aqueles homens que se casam por &#8216;amor \u00e0 beleza&#8217;, um desejo carnal de possuir uma mulher atraente s\u00f3 para eles. Em segundo lugar, h\u00e1 aqueles que se casam pelo desejo de dinheiro, a fim de aumentar sua riqueza: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 grande diferen\u00e7a entre casar por amor ao dinheiro ou por amor \u00e0 beleza, pois em nenhum dos casos o homem age com sensatez, mas antes se deixa levar por apetites desordenados.\u201d (Astell, 1700, p. 31)<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Ent\u00e3o, qual seria o motivo mais razo\u00e1vel para um casamento alcan\u00e7ar a sua felicidade? Para Astell, uma mulher que \u00e9 admirada pela sua intelig\u00eancia (sabedoria) chegar\u00e1 mais pr\u00f3ximo do padr\u00e3o que se pode alcan\u00e7ar:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">[&#8230;] mas como a exist\u00eancia de casamentos felizes n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, mas tamb\u00e9m bastante prov\u00e1vel, se formos prudentes, agirmos com sabedoria e f\u00e9 crist\u00e3, e nos comportarmos adequadamente<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(Astell, 1694, p. 20 ).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A institui\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do matrim\u00f3nio oferece o melhor cen\u00e1rio poss\u00edvel para alcan\u00e7ar a paz e a alegria dom\u00e9stica, bem como para a educa\u00e7\u00e3o dos filhos<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(Astell, 1694, p. 22)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aos olhos de Astell, o amor pela beleza, riqueza e intelig\u00eancia nunca poderiam ser motivos moralmente s\u00f3lidos para se casar. Para entender o porqu\u00ea, devemos nos voltar \u00e0s cartas que Astell trocou com John Norris, nas quais ela destaca os sentimentos de vazio e insatisfa\u00e7\u00e3o que resultam de amar outras pessoas com um amor que somente envolve a cobi\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sendo assim, para evitar a infelicidade, devemos aprender a controlar a nossa vontade para regular as paix\u00f5es excessivas como orgulho, desejo e vaidade. A felicidade s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada atrav\u00e9s da virtude e, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver a disposi\u00e7\u00e3o correta de car\u00e1ter, que, por sua vez, \u00e9 uma disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito em que a generosidade e a caridade s\u00e3o os principais tra\u00e7os.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, Astell deixa claro em seu texto que a culpa por um casamento infeliz n\u00e3o vem somente do lado masculino, mas o lado feminino tamb\u00e9m tem a sua parcela de culpa, j\u00e1 que, na maioria das vezes, \u00e9 poss\u00edvel que haja uma recusa por parte da mulher:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas ser\u00e1 que as mulheres nunca erram na sua escolha? Os homens s\u00e3o os \u00fanicos culpados? N\u00e3o \u00e9 isso que estou sugerindo, j\u00e1 que, para ser justo, deve-se reconhecer que nenhum dos sexos est\u00e1 completamente certo. Na realidade, n\u00e3o se pode dizer que a mulher escolha, tudo o que lhe \u00e9 permitido fazer \u00e9 rejeitar ou aceitar uma proposta. (Astell, 1700, p. 37)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, a infelicidade deles \u00e9 inteiramente o resultado de sua pr\u00f3pria falha moral \u2014 uma falha em regular suas vontades e governar suas paix\u00f5es de acordo com a raz\u00e3o. Ao contr\u00e1rio das mulheres, os homens t\u00eam todas as vantagens de poder e educa\u00e7\u00e3o para ajud\u00e1-los a tomar decis\u00f5es prudentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, por quais motivos se casar? N\u00e3o surpreendentemente, a resposta de Astell \u00e9 que os homens devem se casar por motivos de benevol\u00eancia ou boa vontade amorosa. Em um mundo ideal, um homem faria da amizade com a sua esposa o principal incentivo para escolh\u00ea-la, para que assim pudesse preferi-la antes de qualquer outra considera\u00e7\u00e3o. Para Astell, a amizade consiste em querer o bem da outra pessoa, ela segue Norris, afirmando que a manuten\u00e7\u00e3o de tal amizade exige que consideremos nosso amigo como &#8216;outro de mim&#8217;, e considerando o eu essencialmente como alma. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Seguindo uma lei do s\u00e9culo XVII, quando um homem e uma mulher se casavam, tornavam-se \u2018uma s\u00f3 pessoa\u2019, no sentido de que a exist\u00eancia legal da mulher era subsumida \u00e0 de seu marido. Sendo assim, uma vez que ela tenha se tornado uma esposa, suas propriedades passam para o marido, que ganha o direito de dispor delas como achar adequado. Por meio de um acordo de casamento, uma mulher poderia tomar certas precau\u00e7\u00f5es para n\u00e3o perder suas terras e bens depois de casada, contudo, Astell acrescenta que: \u201cacordos entre Marido e Mulher, assim como Leis em um Governo arbitr\u00e1rio, s\u00e3o de pouca for\u00e7a, a vontade do soberano \u00e9 tudo em todos\u201d (Astell,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">1700, p. 52). A partir do momento em que se casavam, as mulheres entravam em um estado de incerteza e inseguran\u00e7a \u2014 elas n\u00e3o podiam ter a convic\u00e7\u00e3o de que seriam bem tratadas no futuro; e se n\u00e3o o fossem, se o marido olhasse desfavoravelmente para elas, as mulheres n\u00e3o teriam meios de repara\u00e7\u00e3o ou recurso \u00e0 lei por quaisquer danos ou injusti\u00e7as cometidas. Mesmo que o marido fosse gentil e honrado, ele ainda seria o mestre absoluto sobre ela. Sendo assim, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Some Reflections<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Astell caracteriza o casamento como o estado de estar sujeito ao poder absoluto e a vontade de outrem e que n\u00e3o h\u00e1 recurso \u00e0s leis por quaisquer danos ou injusti\u00e7as cometidas:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Visto que a esposa permanece inteiramente sob o poder do marido, se o jugo conjugal se revelar insuport\u00e1vel, nem a lei nem o costume, dispensam a indeniza\u00e7\u00e3o que o marido obt\u00e9m. Quem goza do poder soberano n\u00e3o considera as provoca\u00e7\u00f5es de um s\u00fadito rebelde, mas sabe subjug\u00e1-lo com facilidade e se obrigar\u00e1 a obedecer; (Astell, 1700, p. 45)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse contexto, Astell adota o conceito de escravid\u00e3o delineado por John Locke, para quem esta condi\u00e7\u00e3o se caracteriza pela submiss\u00e3o ao inconstante, incerto, desconhecido, \u00e0 vontade arbitr\u00e1ria de outro homem. Embora Locke defenda que os seres humanos n\u00e3o podem voluntariamente se sujeitar \u00e0 escravid\u00e3o, Astell argumenta que as mulheres muitas vezes s\u00e3o coagidas ou ludibriadas a entrar em matrim\u00f4nio devido aos costumes sociais predominantes. A cita\u00e7\u00e3o mais conhecida da autora diz: \u201cSe todos os homens nascem livres, por que as mulheres nascem escravas?\u201d (Astell, 1700, p. 152).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Astell via no casamento um dos principais instrumentos de opress\u00e3o das mulheres, destacando como muitas vezes elas eram enganadas ou for\u00e7adas a entrar nessa institui\u00e7\u00e3o contra sua vontade. Ao adotar o conceito de escravid\u00e3o delineado por John Locke, Astell destaca como as mulheres se encontram submetidas \u00e0 vontade arbitr\u00e1ria de seus maridos, enfrentando uma condi\u00e7\u00e3o marcada pela incerteza e falta de controle sobre suas pr\u00f3prias vidas. Por\u00e9m, \u00e9 no casamento que Astell observa que as mulheres podem alcan\u00e7ar a gl\u00f3ria do reino dos c\u00e9us:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo que n\u00e3o seja vantajoso para voc\u00ea neste mundo, quando bem realizado, o casamento pode ser um m\u00e9rito para alcan\u00e7ar a gl\u00f3ria eterna. Pois aquela que se casa exclusivamente para fazer o bem, para educar os outros na salva\u00e7\u00e3o da sua alma, chegando ao ponto de se mortificar a ponto de renunciar \u00e0 sua pr\u00f3pria vontade e aos seus desejos, a prestar uma submiss\u00e3o abnegada e vital\u00edcia a algu\u00e9m de quem ningu\u00e9m pode garantir que sempre o merecer\u00e1, de fato, ao se casar empreende um ato de hero\u00edsmo superior ao dos homens \u00e9picos, pois suportar\u00e1 um mart\u00edrio cont\u00ednuo para a gl\u00f3ria de Deus e o benef\u00edcio da Humanidade, pensamento este que pode ajud\u00e1-la a superar todos as dificuldades. (Astell, 1700, p. 123)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em seu chamado \u00e0 reflex\u00e3o e mudan\u00e7a, Astell oferece uma vis\u00e3o alternativa do casamento, onde a amizade e a benevol\u00eancia amorosa deveriam ser os motivos prim\u00e1rios para o matrim\u00f4nio. Sua cr\u00edtica incisiva \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es baseadas na beleza, riqueza ou intelig\u00eancia ressoa at\u00e9 os dias de hoje, lembrando-nos da import\u00e2ncia de cultivar relacionamentos fundamentados na virtude e no respeito m\u00fatuo.<\/span><\/p>\n<p><b>Teoria da educa\u00e7\u00e3o proposta por Mary Astell<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O projeto de educa\u00e7\u00e3o proposto em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Serious Proposal to the Ladies for the Advancement of their True and Greatest Interest <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Uma Proposi\u00e7\u00e3o Formal \u00e0s Damas para o avan\u00e7o de seus verdadeiros e maiores interesses] (1694) visava estabelecer uma comunidade educacional semelhante a um retiro religioso. Mary Astell provavelmente foi influenciada por v\u00e1rios autores que discutiam a educa\u00e7\u00e3o feminina, como Juan Luis Vives, que escreveu <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De Institutione Christianae Feminae <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Educa\u00e7\u00e3o da Mulher Crist\u00e3]<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">em 1523, promovendo a educa\u00e7\u00e3o das mulheres; Fran\u00e7ois F\u00e9nelon, autor de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De L&#8217;Education des Filles <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Educa\u00e7\u00e3o das Filhas]; e Madame de Maintenon, amante de Lu\u00eds XIV, que fundou a Maison Royale de Saint-Louis, a primeira escola para meninas na Europa, voltada para a educa\u00e7\u00e3o de jovens da nobreza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao elaborar sua teoria da educa\u00e7\u00e3o, Mary Astell direciona-se a um grupo espec\u00edfico que ela denomina de &#8220;Religious&#8221;. Sua ideia inicial consistia na cria\u00e7\u00e3o de um retiro exclusivo, onde as mulheres pudessem se isolar do mundo, promovendo, assim, a busca pela virtude e pelo conhecimento:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A minha proposta n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o a de erigir um mosteiro ou, se preferirem, cham\u00e1-lo-emos de retiro religioso (para n\u00e3o ofender as pessoas mais escrupulosas e suscept\u00edveis com um nome que, embora inocente, pode ter sido mal utilizado em pr\u00e1ticas exc\u00eantricas). Como tal, ter\u00e1 uma dupla finalidade, sendo n\u00e3o apenas um local de retiro do mundo para quem deseja usufruir destas vantagens, mas tamb\u00e9m uma institui\u00e7\u00e3o cuja disciplina facilitar\u00e1 o exerc\u00edcio do Bem em toda a sua extens\u00e3o. (Astell, 1694, p. 41)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, a execu\u00e7\u00e3o do retiro proposto por Astell n\u00e3o foi bem aceita, uma vez que a autora foi acusada pelo Bispo Burnet de estar desenvolvendo um Convento Anglicano. Sendo assim, seu plano n\u00e3o conseguiu ser implementado. Apesar disso,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Serious Proposal Part I<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, traz consigo, talvez, a informa\u00e7\u00e3o mais importante do trabalho de Astell: a afirma\u00e7\u00e3o da igualdade intelectual entre os sexos:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A defici\u00eancia, se houver, \u00e9 adquirida e n\u00e3o natural; E esta estupidez tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, mas poderia ser evitada se assim o desejarem. Com efeito, as mulheres sofrem uma s\u00e9rie de desvantagens e veremos quais s\u00e3o para tentar super\u00e1-las. Mas as mulheres n\u00e3o t\u00eam de se dedicar a ocupa\u00e7\u00f5es triviais, pois s\u00e3o capazes das maiores realiza\u00e7\u00f5es. Nem Deus nem a natureza lhes negaram a capacidade de serem o adorno da sua fam\u00edlia e \u00fateis \u00e0 sua gera\u00e7\u00e3o. (Astell, 1694, p. 17)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mary Astell aborda algumas quest\u00f5es pol\u00edticas em seus escritos. Por um lado, ela discute como as mulheres de sua posi\u00e7\u00e3o s\u00e3o dominadas pelos homens e pelas institui\u00e7\u00f5es que os apoiam. No entanto, Astell n\u00e3o teoriza sobre como essas mesmas mulheres \u2014 incluindo ela pr\u00f3pria \u2014 foram favorecidas por sua posi\u00e7\u00e3o social e origem nacional, bem como pelas institui\u00e7\u00f5es coloniais que sustentavam a sociedade de seu tempo. Em outras palavras, Astell teoriza sobre a domina\u00e7\u00e3o que ela e seu p\u00fablico feminino sofriam nas m\u00e3os dos homens, mas n\u00e3o sobre os privil\u00e9gios que essas mulheres tamb\u00e9m possu\u00edam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, \u00e9 igualmente importante reconhecer para quem Astell estava escrevendo. Astell se concentrava na educa\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento moral dessas mulheres, procurando elevar seu status atrav\u00e9s do conhecimento e da virtude. Suas propostas educacionais estavam voltadas para um grupo espec\u00edfico que, em seu contexto social e hist\u00f3rico, enfrentava limita\u00e7\u00f5es significativas em termos de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 autonomia intelectual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dessa forma, Astell apresentou duas propostas para a educa\u00e7\u00e3o das mulheres a quem se dirige. A primeira \u00e9 um mosteiro feminino que ela chamava de \u201cAposentadoria Religiosa\u201d. A segunda proposta pode ser implementada fora dessa institui\u00e7\u00e3o. Esta segunda proposta provavelmente surgiu porque, conforme seus bi\u00f3grafos apontam, a ideia inicial de Astell em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Serious Proposal to the Ladies I <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Uma Proposi\u00e7\u00e3o Formal para as Damas] n\u00e3o se concretizou devido a suspeitas de que visava restaurar conventos cat\u00f3licos. Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Serious Proposal to the Ladies II<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Astell enfatiza que o instituto teria um car\u00e1ter mais acad\u00eamico do que mon\u00e1stico. Decepcionada pela falta de apoio para a cria\u00e7\u00e3o de sua academia, Astell escreve esta segunda parte para fornecer um m\u00e9todo filos\u00f3fico que as mulheres pudessem praticar em casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Astell, como os plat\u00f4nicos de Cambridge, sustentava que o ser humano \u00e9 um ser \u201cdeiforme\u201d, e divinamente imbu\u00eddo de uma \u201cpart\u00edcula de Divindade\u201d que existe \u201cdentro\u201d de sua alma (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Serious Proposal<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, p. 53). Quando uma pessoa \u00e9 saud\u00e1vel, essa divindade interior se expressa como uma \u201ccentelha de piedade\u201d (p. 107). Mas quando as pessoas internalizam preconceitos que aprenderam com o \u201cCostume Tirano\u201d (p. 67), elas n\u00e3o alimentam esta part\u00edcula de Divindade, mas antes desenvolvem uma doen\u00e7a que traz consigo muitos preconceitos. A cura vir\u00e1 para as senhoras que ingressam na aposentadoria religiosa quando aprenderem como transformar cada \u201cmancha\u201d que se transformou em um preconceito que est\u00e1 estragando \u201ca beleza de [suas] am\u00e1veis almas\u201d (p. 87).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para se curar, as \u201cSenhoras\u201d do aposentado religioso teriam que se envolver em pr\u00e1ticas espirituais individuais e comunit\u00e1rias que as ensinariam como \u201colhar para dentro\u201d de suas pr\u00f3prias almas. Quando uma pessoa pratica o \u201colhar para dentro\u201d de si mesma, do pr\u00f3ximo e da comunidade, seu corpo e alma se reuniriam com esses corpos e almas adicionais, de modo que eles formariam \u201cum s\u00f3 corpo, cuja Alma \u00e9 o amor\u201d (p. 87). Quando cada pessoa do grupo faz isso, a centelha de uma pessoa se junta \u00e0 centelha de outra pessoa e, juntas, essas fa\u00edscas se uniriam em uma, \u201cexpirando-se em chamas de desejos sagrados por DEUS e atos de benevol\u00eancia entre si\u201d (p.87).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Astell afirma que, \u00e0 medida que estas \u201cSenhoras\u201d se engajariam nessas pr\u00e1ticas, elas estariam mais perto de alcan\u00e7ar uma condi\u00e7\u00e3o espiritual aperfei\u00e7oada que consiste em piedade, apreens\u00e3o da verdade, generosidade e amizade, cada uma das quais \u00e9 necess\u00e1ria para estas \u201cSenhoras\u201d buscarem suas pr\u00f3prias voca\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mary Astell se dedicou a fornecer um m\u00e9todo pelo qual mulheres em uma comunidade mon\u00e1stica poderiam adquirir conhecimento. Ela explica detalhadamente como e por que esse m\u00e9todo \u00e9 eficaz, fundamentando-se em sua compreens\u00e3o da natureza humana e do potencial para cair na ignor\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Serious Proposal to the Ladies II<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Astell sugere que as mulheres de seu p\u00fablico adotem seis regras para guiar suas reflex\u00f5es metaf\u00edsicas (pp.176-9):<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Familiarizar-se completamente com a quest\u00e3o: Ter uma compreens\u00e3o clara e distinta do assunto em quest\u00e3o e dos termos utilizados, sabendo exatamente o que est\u00e1 sendo abordado.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Eliminar ideias desnecess\u00e1rias: Remover todas as ideias que n\u00e3o tenham uma conex\u00e3o necess\u00e1ria com o tema em considera\u00e7\u00e3o, evitando distra\u00e7\u00f5es e focando no essencial.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Conduzir os pensamentos de forma ordenada: Come\u00e7ar com os objetos mais simples e f\u00e1ceis de entender, e gradualmente progredir para o conhecimento dos mais complexos.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Examinar todas as partes do assunto: N\u00e3o deixar nenhuma parte do tema sem exame minucioso, garantindo uma compreens\u00e3o completa e detalhada.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Manter o foco no assunto: Sempre manter o tema diretamente \u00e0 vista e segui-lo de perto durante todo o progresso do estudo.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Julgar apenas com base na percep\u00e7\u00e3o clara: N\u00e3o julgar al\u00e9m do que \u00e9 evidentemente percebido como verdadeiro, evitando suposi\u00e7\u00f5es sem fundamento.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao implementar essas regras, Astell acredita que as mulheres podem alcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o mais profunda e estruturada dos temas metaf\u00edsicos. Essas orienta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 facilitam a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas tamb\u00e9m promovem um pensamento cr\u00edtico e rigoroso. A abordagem de Astell destaca a import\u00e2ncia de uma metodologia clara e disciplinada no processo de aprendizado, sublinhando seu compromisso com o desenvolvimento intelectual e espiritual das mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, essas regras refletem que Astell estava destoando dos fil\u00f3sofos de sua \u00e9poca ao incentivar um pensamento anal\u00edtico e sistem\u00e1tico para as mulheres. Fornecendo essas ferramentas, ela empodera as mulheres a se tornarem pensadoras independentes e cr\u00edticas, capazes de desafiar as normas estabelecidas e contribuir significativamente para o discurso intelectual de sua \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As regras propostas por Astell s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0s de Descartes em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Discurso sobre o M\u00e9todo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Astell reconhece que, antes de qualquer reflex\u00e3o, o meditador deve primeiro se libertar da situa\u00e7\u00e3o c\u00e9tica criada pelos preconceitos sociais que adotou. Em vez de manter cren\u00e7as apenas porque as autoridades as imp\u00f5em, ou porque sempre foram aceitas, essas mulheres devem aprender a sustentar cren\u00e7as que sejam evidentes. Para ajudar nessa tarefa, Astell sugere v\u00e1rias estrat\u00e9gias. Uma delas envolve refletir sobre como os preconceitos anteriores levaram ao erro e impediram a liberdade de pensamento. Outra estrat\u00e9gia \u00e9 considerar como esses preconceitos permitiram que o ceticismo se enraizasse.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na biblioteca do Magdalene College, em Cambridge, encontra-se uma cole\u00e7\u00e3o de livros que pertenceu a Mary Astell. Identificada pela bibliotec\u00e1ria Catherine Sutherland, essa cole\u00e7\u00e3o revela que Astell n\u00e3o s\u00f3 possu\u00eda, mas tamb\u00e9m estudava, obras de Descartes. Essa descoberta sugere fortemente que Astell foi inspirada e influenciada pelo autor ao desenvolver seu pr\u00f3prio m\u00e9todo de racioc\u00ednio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No entanto, Astell diverge do projeto cartesiano ao apresentar outra estrat\u00e9gia que suas disc\u00edpulas podem utilizar para se libertar da situa\u00e7\u00e3o c\u00e9tica. Essa estrat\u00e9gia envolve refletir sobre argumentos teleol\u00f3gicos que discutem o prop\u00f3sito da cria\u00e7\u00e3o de Deus. Esses argumentos seriam destinados a ajudar a disc\u00edpulo a perceber que Deus n\u00e3o o teria criado de forma naturalmente defeituosa, ou seja, naturalmente orgulhosa, vaidosa e imposs\u00edvel de ser melhorada. Ao contemplar esses argumentos, o disc\u00edpulo \u00e9 levado a buscar as perfei\u00e7\u00f5es que Deus lhe concedeu e o papel que desempenha em sua vida, assim como na comunidade e na cria\u00e7\u00e3o como um todo. Atrav\u00e9s dessas considera\u00e7\u00f5es, o disc\u00edpulo chegar\u00e1 \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 um ser racional capaz e, portanto, deve buscar aprimorar sua racionalidade para cumprir o plano de Deus para a cria\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sendo assim, atrav\u00e9s de seu m\u00e9todo de racioc\u00ednio e das estrat\u00e9gias propostas, Astell oferece \u00e0s mulheres uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento intelectual e espiritual. Suas orienta\u00e7\u00f5es proporcionam um meio para que as mulheres transcendam as limita\u00e7\u00f5es impostas pela sociedade da \u00e9poca, que frequentemente restringia o acesso feminino \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao pensamento cr\u00edtico. Ao enfatizar a import\u00e2ncia de uma metodologia clara e disciplinada, Astell encoraja as mulheres a cultivarem habilidades anal\u00edticas e reflexivas, essenciais para o crescimento pessoal e intelectual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, ao introduzir estrat\u00e9gias que envolvem a reflex\u00e3o sobre a natureza dos preconceitos e a busca pelo conhecimento claro e evidente, Astell promove uma educa\u00e7\u00e3o que \u00e9 ao mesmo tempo introspectiva e expansiva. Ela convida as mulheres a se libertarem das imposi\u00e7\u00f5es externas e a explorarem suas capacidades inatas, reafirmando sua dignidade e potencial como seres racionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A combina\u00e7\u00e3o de sua influ\u00eancia cartesiana com uma abordagem teleol\u00f3gica oferece uma perspectiva \u00fanica que integra f\u00e9 e raz\u00e3o. Astell sugere que, ao buscar a perfei\u00e7\u00e3o concedida por Deus e ao entender o papel de cada indiv\u00edduo na cria\u00e7\u00e3o, as mulheres podem alcan\u00e7ar uma compreens\u00e3o mais profunda e um prop\u00f3sito mais elevado. Essa vis\u00e3o hol\u00edstica do desenvolvimento humano destaca a interconex\u00e3o entre o crescimento espiritual e intelectual, propondo uma educa\u00e7\u00e3o que \u00e9 tanto moral quanto mentalmente enriquecedora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em suma, a obra de Mary Astell representa um marco na hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o feminina, desafiando as limita\u00e7\u00f5es impostas \u00e0s mulheres e fornecendo-lhes as ferramentas necess\u00e1rias para se tornarem pensadoras cr\u00edticas e independentes. Sua contribui\u00e7\u00e3o perdura como um testemunho da import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o e da capacidade de todos os indiv\u00edduos, independentemente de g\u00eanero, alcan\u00e7arem seu pleno potencial atrav\u00e9s do conhecimento e da reflex\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p><b>Literatura prim\u00e1ria:<\/b><\/p>\n<p><b>Obras de Mary Astell<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><i><span style=\"font-weight: 400\">A Serious Proposal To The Ladies For the Advancement of their True and Greatest Interest <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(link para a obra no projeto Gutenberg <\/span><a href=\"https:\/\/www.gutenberg.org\/files\/54984\/54984-h\/54984-h.htm\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.gutenberg.org\/files\/54984\/54984-h\/54984-h.htm<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters concerning the love of God between the author of the Proposal to the ladies and Mr. John Norris, wherein his late discourse, shewing that it ought<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">to be intire and exclusive of all other loves, is further cleared and justified<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Link<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">da<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">obra<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">na<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Universidade<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">do<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Michigan &#8211; <\/span><a href=\"https:\/\/quod.lib.umich.edu\/e\/eebo\/A52424.0001.001?view=toc\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/quod.lib.umich.edu\/e\/eebo\/A52424.0001.001?view=toc<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Some Reflections Upon Marriage <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Link para a obra na Livraria Digital da Universidade<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">da<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Pensilv\u00e2nia<\/span> <a href=\"https:\/\/digital.library.upenn.edu\/women\/astell\/marriage\/marriage.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/digital.library.upenn.edu\/women\/astell\/marriage\/marriage.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><i><span style=\"font-weight: 400\">The Christian Religion As Profess&#8217;d by a Daughter of the Church of England<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Link<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">para<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">a<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">obra<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">via<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Google<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Books <\/span><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=wpDcrMD7dgkC&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR#v=onepage&amp;q&amp;f=false\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=wpDcrMD7dgkC&amp;printsec=frontcover<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">&amp;hl=pt-BR#v=onepage&amp;q&amp;f=false<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Literatura secund\u00e1ria:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Broad, J., 2002a, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Women Philosophers of the Seventeenth Century<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Cambridge: Cambridge University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Broad, J., 2002b, \u201cMary Astell (1666\u20131731)\u201d, in <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">British Philosophers 1500\u20131899<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, P.B. Dematteis and P.S. Fosl (eds.), Dictionary of Literary Biography 252, pp. 3\u201310.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2013\u2013\u2013, 2003, \u201cAdversaries or Allies? Occasional Thoughts on the Masham-Astell Exchange\u201d, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eighteenth-Century Thought<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1: 123\u201349.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2013\u2013\u2013, 2007, \u201cAstell, Cartesian Ethics, and the Critique of Custom\u201d, in <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Astell: Reason, Gender, Faith<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, W. Kolbrener and M. Michelson (eds.), Aldershot: Ashgate, pp. 165\u2013179.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2013\u2013\u2013, 2009, \u201cMary Astell on Virtuous Friendship\u201d, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Parergon: Journal of the Australian and New Zealand Association for Medieval and Early Modern Studies<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 26(2): 65\u201386.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2013\u2013\u2013, 2014, \u201cMary Astell on Marriage and Lockean Slavery\u201d, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">History of Political Thought<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 35(4): 717\u2013738.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2013\u2013\u2013, 2015, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Philosophy of Mary Astell: An Early Modern Theory of Virtue, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Oxford: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2013\u2013\u2013, 2016, \u201cMary Astell and the Virtues\u201d, in <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Feminist Interpretations of Mary Astell<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Alice Sowaal and Penny A. Weiss (eds.), State College, PA: Pennsylvania State University Press, pp. 16\u201334.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Broad, J. and K. Green, 2009, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A History of Women\u2019s Political Thought in Europe, 1400\u20131700<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Cambridge: Cambridge University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sowaal, Alice, &#8220;Mary Astell&#8221;, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Stanford Encyclopedia of Philosophy <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Summer 2023<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Edition),<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Edward<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">N.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Zalta<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">&amp;<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Uri<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Nodelman<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(eds.),<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">URL<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">=<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&lt;<\/span><a href=\"https:\/\/plato.stanford.edu\/archives\/sum2023\/entries\/astell\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/plato.stanford.edu\/archives\/sum2023\/entries\/astell\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tom Almeroth-Williams,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> A head of her time Magdalene College Cambridge has discovered a treasure trove of women\u2019s intellectual history<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/stories\/mary-astell-collection-magdalene-college\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.cam.ac.uk\/stories\/mary-astell-collection-magdalene-college<\/span><\/a><\/p>\n<p><b>Linha do tempo\u00a0<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/timeline3\/latest\/embed\/index.html?source=1xq46REQYHCO8K5mOwDI7VVZS67Jfb_K1gNvWzFXGVgo&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650\"><b>https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/timeline3\/latest\/embed\/index.html?source=1xq46REQYHCO8K5mOwDI7VVZS67Jfb_K1gNvWzFXGVgo&amp;font=Default&amp;lang=en&amp;initial_zoom=2&amp;height=650<\/b><\/a><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Sobre imagens<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Considerando a condi\u00e7\u00e3o financeira de Mary Astell e, por ter pedido a fam\u00edlia muito nova, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que ela tenha posado para algum retrato durante a vida. Por\u00e9m, quando procuramos o nome da autora no principal site de busca fica evidenciada uma imagem:\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2091\" aria-describedby=\"caption-attachment-2091\" style=\"width: 441px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2091\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/2.png\" alt=\"\" width=\"441\" height=\"536\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/2.png 441w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/2-247x300.png 247w\" sizes=\"(max-width: 441px) 100vw, 441px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2091\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Kunsthistorisches Museum Vienna Austria<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s uma pesquisa iconogr\u00e1fica, ficou evidente que o quadro em quest\u00e3o foi pintado por Joshua Reynolds (1723-1792), um dos principais retratistas de sua \u00e9poca. No entanto, surge um ponto de estranhamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 data de nascimento do pintor, pois Mary Astell faleceu em 1731, o que torna improv\u00e1vel que Reynolds, que teria apenas oito anos na \u00e9poca, pudesse ter pintado seu retrato. Al\u00e9m disso, Reynolds costumava nomear seus retratos com o nome da pessoa representada, mas o t\u00edtulo deste quadro \u00e9 &#8216;Portrait Study of a Young Lady&#8217; [Estudo de retrato de uma jovem], o que refor\u00e7a a conclus\u00e3o de que o retrato n\u00e3o pode ser de Mary Astell.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No verbete do Project Vox atribu\u00eddo \u00e0 autora, h\u00e1 uma men\u00e7\u00e3o da obra de Ruth Perry (1986), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Celebrated Mary Astell: An Early English Feminist <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A celebrada Mary Astell: uma das primeiras feministas inglesas], onde ela inclui a imagem de uma mulher an\u00f4nima, contempor\u00e2nea a Astell, onde podemos imaginar como a autora poderia parecer:\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_2090\" aria-describedby=\"caption-attachment-2090\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2090\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/3.png\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"794\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/3.png 480w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2024\/10\/3-181x300.png 181w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2090\" class=\"wp-caption-text\">Frontisp\u00edcio de The Excellent Woman, de Jacques du Bosc, oferecido por Ruth Perry como um exemplo de como Astell poderia ter sido.<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Sobre as tradu\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Gostaria de deixar uma nota sobre as tradu\u00e7\u00f5es que foram feitas aqui: n\u00e3o h\u00e1 nenhuma obra da Astell traduzida para o portugu\u00eas, portanto, as tradu\u00e7\u00f5es feitas neste verbete se deram de forma livre, tentei me aproximar o m\u00e1ximo poss\u00edvel do original em ingl\u00eas, por\u00e9m, algumas palavras foram adaptadas de forma a deixar o texto mais coeso.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mary Astell (1666 &#8211; 1731) por Yasmim Pontes, formada em Letras e mestranda\u00a0 em Educa\u00e7\u00e3o\u00a0pela Universidade Federal do Rio de<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2104","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2104"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2166,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2104\/revisions\/2166"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}