{"id":2274,"date":"2025-03-24T11:59:27","date_gmt":"2025-03-24T14:59:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2274"},"modified":"2025-03-24T19:01:11","modified_gmt":"2025-03-24T22:01:11","slug":"sarah-chapone","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/sarah-chapone\/","title":{"rendered":"Sarah Chapone\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Sarah Chapone\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>(1699-1764)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mariana Dias Pinheiro Santos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Doutoranda em filosofia na Universidade Federal do Paran\u00e1,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">bolsista CAPES, pesquisadora do ideal de polidez das luzes brit\u00e2nicas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes: <\/span><a href=\"https:\/\/lattes.cnpq.br\/3437175302339422\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/lattes.cnpq.br\/3437175302339422<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/Sarah-Chapone-PDF.pdf\">Sarah Chapone &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_2275\" aria-describedby=\"caption-attachment-2275\" style=\"width: 452px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2275\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed-500x553.png\" alt=\"[https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/P_1920-1211-381poss\u00edvel retrato de Sarah Chapone]\" width=\"452\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed-500x553.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed-271x300.png 271w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed.png 595w\" sizes=\"(max-width: 452px) 100vw, 452px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2275\" class=\"wp-caption-text\">[https:\/\/www.britishmuseum.org\/collection\/object\/P_1920-1211-381 poss\u00edvel retrato de Sarah Chapone]<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-weight: 400\">Sarah Chapone, nascida Kirkham em 11 de novembro de 1699, em Stanton, no condado Cotswolds de Gloucestershire (sudeste da Inglaterra), segunda dos nove filhos de Damaris e Lionel Kirham, foi criada em um ambiente rural, rodeada de livros. Boa parte de sua instru\u00e7\u00e3o, in\u00edcio de la\u00e7os comunit\u00e1rios com outras mulheres e aparato cr\u00edtico, muito se deveu \u00e0 sua inser\u00e7\u00e3o na rede clerical que, como bem nota Orr (2016), foi essencial n\u00e3o apenas para a fil\u00f3sofa, mas, tamb\u00e9m, para a cria\u00e7\u00e3o posterior dos v\u00ednculos que possibilitaram a exist\u00eancia das <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Bluestocking<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u2014 clube este que sua nora, a fil\u00f3sofa Hester Chapone (1727-1801), autora de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters on the Improvement of the Mind<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cartas sobre o aperfei\u00e7oamento da mente] (1775), foi membro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1735 Chapone escreveu e publicou anonimamente sua obra mais famosa: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The hardships of the English laws in relation to wives <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[As dificuldades das leis inglesas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s esposas]. Dedicada ao rei George II (1683-1760) e \u00e0s leis da Inglaterra, nela Chapone atenta para o fato de que a situa\u00e7\u00e3o de \u201cs\u00fadito livre\u201d \u00e9 restrita somente ao sexo masculino, e, alternativamente, as mulheres casadas eram colocadas em uma situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o. Por meio de exemplos extra\u00eddos de julgamentos que ocorreram em seu s\u00e9culo, a fil\u00f3sofa atenta que os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">gentlemen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> eram sempre inocentados pelos ju\u00edzes, independente dos tratamentos brutais que desferissem contra as suas esposas, mesmo que isso ocasionasse o suic\u00eddio da parte delas (isso, segundo a autora, como uma tentativa de liberta\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Inspirada principalmente por <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/mary-astell\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Mary Astell<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (1666-1731) em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reflexions Upon Marriage <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Reflex\u00f5es sobre o Casamento], Chapone se permite dar um passo al\u00e9m. Se Astell, em 1700, notava a tirania masculina como injusta e buscava elaborar meios para que as mulheres escapassem de suas viol\u00eancias, Chapone evidenciou como essa tirania \u00e9 fruto das imperfeitas leis civis que, se n\u00e3o alteradas, aparentemente, colocariam a exist\u00eancia das mulheres como que em um Estado de Natureza. Trata-se de uma peti\u00e7\u00e3o que acompanha o racioc\u00ednio de Astell sobre a tirania masculina para, com isso, inovar profundamente na hist\u00f3ria humana (Broad, 2015): reivindicar, legalmente, a exist\u00eancia e a liberdade civil para as mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para construir sua argumenta\u00e7\u00e3o sobre o problema que mais lhe incomodava \u2014 isto \u00e9, a capacidade dos homens de suprimir a individualidade e liberdade feminina \u2014, Chapone n\u00e3o apenas se aproveita da vis\u00e3o de Astell sobre a rela\u00e7\u00e3o entre masculinidade e tirania que existia no casamento, mas, tamb\u00e9m, recupera as no\u00e7\u00f5es de liberdade e poder paterno e materno vis\u00edveis no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Leviat\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de Thomas Hobbes (1588-1679).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir de Hobbes (ainda que a fil\u00f3sofa se aproxime com bastante ressalvas deste autor), Chapone destaca que a \u00fanica raz\u00e3o para que os homens possuam mais poder social que as mulheres se deve ao fato de que as sociedades naturais eram sobretudo patriarcais, mas isso n\u00e3o constitui uma necessidade, visto que m\u00e3es poderiam ser matriarcas. Conforme a autora, \u201csupondo que estiv\u00e9ssemos num Estado de Natureza, isto, e muitas outras coisas que ele [Hobbes] diz, s\u00e3o (creio eu) incontestavelmente verdadeiras\u201d (1735, p. 57) [s\u00e3o minhas todas as tradu\u00e7\u00f5es de textos citados originalmente em ingl\u00eas]. Al\u00e9m desses elementos, a autora tamb\u00e9m parece rememorar o objetivo do Estado, a identidade dos s\u00faditos, as caracter\u00edsticas do estado de natureza, bem como a rela\u00e7\u00e3o entre obedi\u00eancia e liberdade presente no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Leviat\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (cf. Santos, 2025, no prelo), al\u00e9m de fazer uso de outros dois autores menos conhecidos: o cl\u00e9rigo Patrick Delany (1686-1768) e William Wollaston (1659-1724).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assim como outras fil\u00f3sofas de seu s\u00e9culo, como Mary Astell, Mary Delarivier Manley (1663-1724), ou <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/filosofas\/mary-wollstonecraft\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (1759-1797), Chapone tamb\u00e9m defende que a capacidade intelectual feminina n\u00e3o \u00e9 diferente da masculina, sendo apenas artificialmente alijada por conta de leis e da educa\u00e7\u00e3o que impedem a forma\u00e7\u00e3o das mulheres. Como Astell j\u00e1 havia observado, as mulheres possuem uma alma assim como os homens, argumento que Chapone rememora para seguir sua peti\u00e7\u00e3o de igualdade direcionada \u00e0s leis brit\u00e2nicas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O esfor\u00e7o peticion\u00e1rio de Sarah Chapone, al\u00e9m disso, pode ser visto como uma esp\u00e9cie de media\u00e7\u00e3o entre Astell e Wollstonecraft. Por um lado, a autora \u00e9 profundamente influenciada pela vis\u00e3o que a primeira tinha a respeito dos costumes e do lugar social das mulheres e, por outro lado, antecipa parte das reivindica\u00e7\u00f5es que se pode encontrar na obra de 1792 da segunda (como \u00e9 o caso da necessidade de uma educa\u00e7\u00e3o mais equ\u00e2nime entre os sexos).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1725, a fil\u00f3sofa casou-se com o vig\u00e1rio John Chapone (falecido em 1759), com quem aparentemente mantinha uma rela\u00e7\u00e3o bastante diferenciada daquelas que geralmente outras mulheres poderiam encontrar com cavalheiros. Em seu <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hardships<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> a autora revela sua experi\u00eancia como contrastante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras mulheres que inspiraram sua peti\u00e7\u00e3o: \u201cgra\u00e7as a Deus, tenho um marido que me deixa viver e me d\u00e1 permiss\u00e3o para ser algu\u00e9m e dizer \u00e0s outras pessoas o que penso que elas s\u00e3o\u201d (Chapone, 1735, p. 51). No entanto, seu desejo era que todas pudessem ser algu\u00e9m n\u00e3o porque o marido permitiria, mas porque a lei assim deveria reconhecer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fil\u00f3sofa teve cinco filhos, dos quais apenas quatro sobreviveram, sendo considerada uma m\u00e3e extremamente dedicada. Al\u00e9m de administrar uma escola clerical com seu marido, assumir o papel de m\u00e3e e esposa, a fil\u00f3sofa era lembrada por seus amigos, como Mary Delany (1700-1788), por ter uma \u201ccompreens\u00e3o extraordin\u00e1ria, [bem como] a imagina\u00e7\u00e3o [e] a disposi\u00e7\u00e3o humana vivas\u201d (Orr, 2016), e por Samuel Richardson (1689-1761) por ser uma verdadeira defensora de seu sexo (Broad, 2015). A fil\u00f3sofa encontrou liberdade n\u00e3o apenas para formar um c\u00edrculo de gentileza no qual incentivava seus amigos a lerem Mary Astell, mas tamb\u00e9m para reivindicar \u00e0 rainha Carolina (1683-1737) \u2014 consorte de George II \u2014, com sucesso, uma pens\u00e3o para Mary Pandarves, que se encontrava completamente desamparada (Orr, 2016).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atualmente s\u00e3o creditadas apenas duas obras a Sarah Chapone, a j\u00e1 comentada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The hardships of the english laws in relation to wives<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de 1735, e<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Remarks on Mrs. Muilman\u2019s Letter to the Right Honourable The Earl of Chesterfield<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Observa\u00e7\u00f5es sobre a carta da Sra. Muilman ao Honor\u00e1vel Conde de Chesterfield] de 1750. Aquelas que se dedicaram a interpretar a autora \u2014 B\u00e1rbara J. Todd (1998), Jacqueline Broad (2015), Clarissa Campbell Orr (2016) e Susan Paterson Glover (2018) \u2014 destacam a correspond\u00eancia que trocou com Richardson na d\u00e9cada de 1750 como um importante elemento de seu pensamento. A fil\u00f3sofa tamb\u00e9m colaborou para a publica\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Memoirs of several ladies of Great Britain <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Mem\u00f3rias de v\u00e1rias senhoras da Gr\u00e3-Bretanha] (1752) de George Bellard (1706-1755). Fez isso conseguindo aprova\u00e7\u00e3o p\u00fablica e discutindo com seu amigo quais mulheres comporiam essa celebra\u00e7\u00e3o dos escritos, pensamentos, aprendizados e distin\u00e7\u00f5es nas artes e nas ci\u00eancias promovidas pelo sexo feminino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda que a fil\u00f3sofa tenha escrito pouco, n\u00e3o se deve esquecer as circunst\u00e2ncias materiais que lhe eram impostas. Para lembrar Ruth Perry (1980), as mulheres frequentemente tinham sua vida interrompida em fun\u00e7\u00e3o da fertilidade: o sucesso que Mary Manley, Mary Astell, Aphra Behn (1640-1689) e Eliza Haywood (1693-1756) desfrutaram com a escrita se deveu, em parte, \u00e0 abnega\u00e7\u00e3o da maternidade. Ainda conforme a int\u00e9rprete, uma vez casadas, as mulheres despendiam todo o tempo de suas vidas gerando filhos, na metade dos casos sobrevivendo \u00e0s gesta\u00e7\u00f5es, educando-os e lidando com abortos espont\u00e2neos e \u201cdadas estas condi\u00e7\u00f5es de vida, \u00e9 imposs\u00edvel imaginar uma mulher f\u00e9rtil vivendo ao mesmo tempo como ser intelectual e sexual\u201d (Perry, 1980, p. 36). Mas Chapone enfrentou tais dificuldades e exigiu igualdade e liberdade legal para o seu sexo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sarah Chapone faleceu em 24 de fevereiro de 1764, no mesmo condado que nasceu e viveu, e suas peti\u00e7\u00f5es, segundo Todd (1998), foram encontrar repara\u00e7\u00e3o somente em 1973, ano em que a Inglaterra revogou a absolvi\u00e7\u00e3o da identidade das esposas por parte dos maridos, e elas puderam usar suas capacidades, controlar suas propriedades e serem livres, como a fil\u00f3sofa desejava 238 anos antes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b><i>The hardships of the English laws in relation to wives<\/i><\/b><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_2281\" aria-describedby=\"caption-attachment-2281\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-vp_sm wp-image-2281\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed-1-500x167.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"167\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed-1-500x167.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed-1-300x100.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/03\/unnamed-1.png 714w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2281\" class=\"wp-caption-text\">[Imagem que antecede o Hardships]<\/figcaption><\/figure><span style=\"font-weight: 400\">Chapone inicia seu escrito com um ineditismo que n\u00e3o se deve ignorar:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">presume[-se] o privil\u00e9gio dos<\/span><\/i><b><i> s\u00faditos nascidos livres<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\"> da Inglaterra de se aproximarem do seu soberano, representarem as suas queixas e humildemente implorarem repara\u00e7\u00e3o.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Esperamos que este inestim\u00e1vel privil\u00e9gio<\/span><\/i><b><i> n\u00e3o se limite apenas \u00e0 linhagem masculina<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">, mas que n\u00f3s, os <\/span><\/i><b><i>fi\u00e9is s\u00faditos femininos de Sua Majestade, possamos tamb\u00e9m abrigar-nos sob a sua mais graciosa prote\u00e7\u00e3o<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">, sendo a nossa condi\u00e7\u00e3o a mais deplor\u00e1vel de todas as outras nos seus dom\u00ednios, pois somos as menos capazes de nos ajudarmos a n\u00f3s pr\u00f3prias e <\/span><\/i><b><i>as mais expostas \u00e0 opress\u00e3o<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Isto \u00e9 certamente verdade, em todos os estados de vida, mas em nenhum t\u00e3o notoriamente, e sem qualquer repara\u00e7\u00e3o, como quando [&#8230;] tornarmo-nos esposas, sob cujo car\u00e1cter nos dirigimos humildemente a Sua Majestade mais sagrada, e \u00e0s honrosas c\u00e2maras do parlamento, <\/span><\/i><b><i>para uma altera\u00e7\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o de algumas leis, que, como concebemos, nos colocam numa condi\u00e7\u00e3o pior do que a pr\u00f3pria escravatura<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">. (Chapone, 1735, p. 2, grifos meus)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Trata-se da primeira vez que, na hist\u00f3ria da humanidade (Broad, 2015), uma mulher reivindicava legalmente para si a identidade de s\u00fadito. Com essa exig\u00eancia, Chapone atesta que os cavalheiros \u2014 usualmente considerados protetores das damas ao menos desde o s\u00e9culo XIII com a pol\u00edtica da cavalaria (conf. Trigg, 2012; Peltonen, 2003; Santos, 2023) \u2014 n\u00e3o cumpriam seu objetivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, e se aproveita disso para exigir uma identidade para as pessoas de seu sexo. Esse movimento, visto nas primeiras linhas da principal obra da fil\u00f3sofa, al\u00e9m de negar a identidade de propriedade do sujeito masculino, quebrava (para os leitores da era da polidez) a ilus\u00e3o da galanteria predominante no s\u00e9culo XVIII.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Profundamente influenciada por Astell, que j\u00e1 havia tomado os cavalheiros como tiranos, ensinando \u00e0s damas, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reflexions Upon Marriage<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, uma s\u00e9rie de princ\u00edpios que deveriam ser levados em conta para n\u00e3o se tornar uma esposa-escrava, \u00e9 Chapone que rouba para si a identidade de \u201cs\u00fadito\u201d e exige n\u00e3o modos para evitar a tirania masculina, mas a garantia jur\u00eddica para que mulheres jamais possam ser feitas v\u00edtimas novamente. H\u00e1 uma exig\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o que, para a fil\u00f3sofa, \u00e9 inegoci\u00e1vel: que exista prote\u00e7\u00e3o de forma equ\u00e2nime entre todos os s\u00faditos de um reino.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse roubo de identidade de s\u00fadito, para si e para as pessoas de seu sexo, n\u00e3o poderia ser bem-visto \u00e0 \u00e9poca, afinal, a considerada propriedade masculina agora se manifestava e qualquer envolvimento pol\u00edtico das mulheres n\u00e3o era visto com bons olhos. Chapone era uma aberra\u00e7\u00e3o, e para lembrar Joseph Addison (1672-1719) no n\u00famero 81 do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Spectator <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Espectador] \u2014 um dos peri\u00f3dicos formadores do XVIII \u2014, o envolvimento com a pol\u00edtica por parte das damas servia apenas \u201cprivar o belo sexo daqueles encantos peculiares com os quais a natureza as dotou\u201d (2004, n\u00ba 81).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda que a viol\u00eancia, a raiva e o mau comportamento n\u00e3o tivessem lugar para o mundo idealizado pela polidez, e pelos bons modos idealizados pelo cavalheirismo dezoitista, simultaneamente existia uma tens\u00e3o em que era considerado comum, pelos membros da sociedade, que os maridos pudessem corrigir fisicamente suas mulheres (Hunt, 1992). A disputa que come\u00e7a em meados do s\u00e9culo XVI, com a cortesia, e toma mais for\u00e7a na idealiza\u00e7\u00e3o polida \u00e9 que, ainda que os homens fossem (supostamente) superiores em for\u00e7a f\u00edsica e racional, a primeira deveria ser utilizada apenas quando n\u00e3o houvesse escolha (conf. Hunt, 1992; Foyster 1996 e 2002; Todd, 1998).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desse modo, Chapone, ao iniciar sua peti\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica com um pedido de prote\u00e7\u00e3o, e ao descrever in\u00fameros casos de viol\u00eancia f\u00edsica e verbal de cavalheiros contra as mulheres \u2014 que v\u00e3o de roubos das finan\u00e7as das esposas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria com p\u00e3o mofado e enclausuramento for\u00e7ado \u2014, evidenciava que a pol\u00edtica da gentileza n\u00e3o era t\u00e3o gentil assim com as pessoas do sexo feminino.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Conforme Hunt (1998) e Foyster (1996) esse comportamento violento era popularmente atribu\u00eddo \u00e0s classes pobres e trabalhadoras dada a suposta rudeza de seus modos, mas os casos judiciais da \u00e9poca, os relatos que corriam entre os c\u00edrculos polidos e a obra de Chapone deixavam bastante claro que a viol\u00eancia n\u00e3o se resumia a tais classes. A barbaridade atribu\u00edda aos povos n\u00e3o polidos era, na verdade, uma parte presente na comunidade que vivia com a polidez. Sendo assim, o motivo da peti\u00e7\u00e3o da autora \u2014 isto \u00e9, a opress\u00e3o sofrida pelas mulheres \u2014 era, em si mesmo, uma afronta aos valores estabelecidos em sua \u00e9poca e n\u00e3o causa espanto que seu escrito tenha sido mal-recebido pela rep\u00fablica das letras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Existe uma segunda afronta, que se liga imediatamente com esta primeira, presente ainda nas primeiras linhas do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hardships<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tratava-se de impor para si o direito de publicar, visto que era (e a\u00ed est\u00e1 sua reivindica\u00e7\u00e3o mais not\u00e1vel) uma s\u00fadita livre. Desde ao menos C\u00edcero, autor muito honrado e celebrado pelas Luzes, h\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o de que \u201ccabe ao Estado ou cidade fazer com que cada um conserve livremente, e sem inquieta\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 seu\u201d (1999, p. 119) e, \u00e0 \u00e9poca, concebia-se que as esposas pertenciam ao marido. Elas eram a propriedade que os cavalheiros adquiriam dos pais delas, assim como adquiriam tudo que pertencesse \u00e0s damas e respondiam legalmente por seus crimes civis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diversas interpreta\u00e7\u00f5es [conf. Hunt (1992); Foyster (1996 e 2002); Todd (1998); Santos (2023); Green (2014)] deixam claro que essa considera\u00e7\u00e3o \u2014 de que as mulheres eram uma propriedade paterna transmitida para maridos \u2014 era filos\u00f3fica e social. Elas eram, objetivamente, propriedade dos homens e, como destaca Chapone, poderiam pagar com sua vida por isso. Conforme um dos v\u00e1rios relatos que a fil\u00f3sofa articula para provar que os homens tinham liberdade para tratar mulheres como escravas (e n\u00e3o como s\u00faditas), ela destaca um caso em que um marido\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">confinou a sua mulher durante alguns anos num s\u00f3t\u00e3o, sem fogo, sem roupa adequada, ou qualquer dos confortos da vida; que ele a tinha frequentemente chicoteado a cavalo; que os seus sofrimentos eram t\u00e3o grandes e intoler\u00e1veis, que ela destruiu a sua miser\u00e1vel vida atirando-se pela janela. Mas como havia p\u00e3o no quarto, que, apesar de duro e bolorento, se supunha ser suficiente para sustentar a vida; e como n\u00e3o se pensava que ele pr\u00f3prio a tivesse empurrado pela janela, foi absolvido, e a queixa dos seus sofrimentos serviu apenas para instruir os maridos sobre a extens\u00e3o total do seu poder desp\u00f3tico. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Chapone, 1735, p. 9)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Este tipo de tratamento desferido contra as mulheres n\u00e3o era incomum na modernidade [conf. Hunt (1992); Foyster (1996 e 2002)], no entanto, se no s\u00e9culo XVII os agressores violentavam suas esposas, jogavam-lhe objetos, cegavam-nas e abusavam delas diante de criados com a justificativa \u2014 socialmente aceita \u2014 de corrigir seus comportamentos, no XVIII a a\u00e7\u00e3o que Chapone destaca dos maridos \u00e9 uma viol\u00eancia de enclausuramento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Conforme o exemplo acima, a mulher \u00e9 aprisionada e abandonada em estado de mis\u00e9ria, de forma a n\u00e3o ter acesso \u00e0s m\u00ednimas comodidades dignas de um s\u00fadito livre. A fil\u00f3sofa observa n\u00e3o s\u00f3 que ao marido \u00e9 dado um poder mais aflitivo do que o da vida e da morte, mas que a tirania parece ser legalizada se o sujeito do abuso for uma pessoa do sexo feminino. Ela destaca, desse modo, que os homens acabam sendo institu\u00eddos de tanto poder que, mesmo criando todas as condi\u00e7\u00f5es para a morte de uma s\u00fadita, s\u00e3o inocentados apenas por ter alimentado uma cativa de p\u00e3o mofado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O relato de Chapone, ao lado das interpreta\u00e7\u00f5es j\u00e1 comentadas, deixa claro que se tratava de estrat\u00e9gias de corre\u00e7\u00e3o comuns na institui\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, visto que maridos (como o retratado acima) eram inocentados mesmo diante da morte de suas esposas. Era justific\u00e1vel, \u00e0 \u00e9poca, aplicar corre\u00e7\u00f5es f\u00edsicas (como as descritas acima) \u00e0s mulheres que supostamente n\u00e3o respeitassem a ordem da casa e a ordem social. Esse suposto desrespeito cometido por uma pessoa do sexo feminino, vale mencionar, n\u00e3o era apenas como a escrita desafiadora de Chapone, afinal, a dignidade da leitura e da escrita ainda era muito restrita \u00e0s mulheres do XVIII. Era considerado um mau comportamento feminino, por exemplo, colocar muita manteiga em um pudim, o que supostamente poderia justificar a corre\u00e7\u00e3o f\u00edsica masculina, jogando-lhe um banquinho na face ou abusando fisicamente dela na frente de seus criados (conf. Foyster, 1996).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em suma, como destaca Hunt (1992), a identidade da mulher era absorvida pelo dom\u00ednio masculino e, ainda que, como nota Foyster (2002), os casos judiciais iniciados pela parte feminina come\u00e7assem a receber maior aprova\u00e7\u00e3o e cuidado legal no XVIII, por vezes se identificando com o discurso polido de cuidado e dom\u00ednio apenas racional, isso n\u00e3o impediu que a viol\u00eancia contra mulheres continuasse ocorrendo, sendo justific\u00e1vel e normalizada na pol\u00edtica dezoitista. Os casos descritos por Chapone em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hardships<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> atestam isso e, ao mesmo tempo, reivindicam repara\u00e7\u00e3o legal contra tais abusos de poder.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com representa\u00e7\u00f5es de casos como esses, a fil\u00f3sofa defende que as esposas \u201cn\u00e3o t\u00eam propriedade, nem em sua pr\u00f3pria pessoa, nem em seus filhos, nem em sua fortuna\u201d (Chapone, 1735, p. 5), de modo que n\u00e3o estariam sendo reconhecidas como s\u00faditas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esses elementos ajudam a clarificar as tens\u00f5es e brigas que Chapone comprava apenas com os tr\u00eas primeiros par\u00e1grafos de seu texto: em primeiro lugar, ela tomava para seu sexo a identidade n\u00e3o de propriedade, mas de s\u00fadito; em segundo, apontava como essa parte do povo sofria opress\u00e3o; e, em terceiro lugar, culpabiliza o aparato legal como salvaguarda da opress\u00e3o do (agora) s\u00fadito feminino. N\u00e3o \u00e0 toa a fil\u00f3sofa agradece a Deus por ter um marido que permite que ela seja algu\u00e9m, pois, como j\u00e1 comentado, a identidade feminina era juridicamente absorvida pelo marido [conf. Todd (1998) e Orr (2016)], de modo que a fil\u00f3sofa, de fato, necessitava desta permiss\u00e3o. \u00c9 ao estabelecer para seu sexo a identidade de s\u00fadito que Chapone garante a exig\u00eancia de repara\u00e7\u00e3o e igualdade, ao mesmo tempo em que destaca que o tratamento legal era definido a partir do sexo de uma pessoa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Consequentemente, Chapone observa o tipo de dano psicol\u00f3gico que os maridos podem promover contra suas esposas \u2014 ao lado da educa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria que os homens imp\u00f5em \u00e0s mulheres \u2014 como parte das causas de elas terem mentes supostamente mais fr\u00e1geis. A confus\u00e3o da mente, nota a autora, \u201cnaturalmente surge ap\u00f3s maus tratos por parte daqueles em quem muito confiamos ou amamos\u201d (Chapone, 1735, p. 12), criando, assim, circunst\u00e2ncias para a autodestrui\u00e7\u00e3o como uma esp\u00e9cie de liberta\u00e7\u00e3o da desgra\u00e7a presente. Posto isso, Chapone inverte, de forma especulativa, o sexo do agressor e se pergunta se a rea\u00e7\u00e3o legal e social seria a mesma. Se uma esposa fosse capaz de \u201cencontrar meios para confinar seu marido em sua pr\u00f3pria casa\u201d, impedindo \u201cqualquer tentativa de sua liberta\u00e7\u00e3o\u201d, a indigna\u00e7\u00e3o e ressentimento dos homens seria causada apenas pela \u201cinsolente suposi\u00e7\u00e3o!\u201d (Chapone, 1735, p. 12). Ainda que possa ser acusada de usurpa\u00e7\u00e3o do poder masculino, Chapone apela para o papel da equidade quando faz essa compara\u00e7\u00e3o,\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o posso deixar de pensar que \u00e9 uma excelente regra supormo-nos capazes de receber o tratamento que damos aos outros, e depois refletir sobre os ressentimentos que proporcionamos. Faze a todos os homens como gostarias que te fizessem a ti, \u00e9 um preceito universal dado a ambos os sexos, e a todas as condi\u00e7\u00f5es, desde o pr\u00edncipe no trono at\u00e9 ao trabalhador que cava nas minas. (Chapone, 1735, p. 12-3)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A falta do princ\u00edpio de equidade entre os s\u00faditos, e a garantia legal para que isso se preservasse, era o problema que Chapone pretendia reparar com sua peti\u00e7\u00e3o. Afinal, de um lado, homens eram absolvidos por criar circunst\u00e2ncias que desorientam as esposas para que causassem a pr\u00f3pria morte. De outro, a mera suposi\u00e7\u00e3o de inverter os sexos da situa\u00e7\u00e3o de cativeiro \u00e9 uma afronta e seria imperdo\u00e1vel diante das leis da Inglaterra. Para a fil\u00f3sofa, o tratamento de s\u00faditos livres, distribu\u00eddo igualmente entre os sexos, seria capaz de reverter tais abusos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 digno de nota que Chapone considerava a isen\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00f5es civis para mulheres um problema social grave que colaborava para a supress\u00e3o da identidade delas como s\u00faditas. Conforme a fil\u00f3sofa, essa decis\u00e3o legal \u201cnunca foi concebida como um privil\u00e9gio para as esposas, [&#8230;] mas \u00e9 uma armadilha e tenta\u00e7\u00e3o para elas, para obedecer ao comando de um marido\u201d (Chapone, 1735, p. 26-7). Isso porque isentar um sujeito de responder legalmente por seus atos \u00e9 o mesmo que priv\u00e1-lo de ser um s\u00fadito livre. Se um indiv\u00edduo era tratado como incapaz de responder por seus pr\u00f3prios atos, a consequ\u00eancia \u00e9 que n\u00e3o poderia ser empoderado de livre ag\u00eancia social.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Despojar um homem de toda a propriedade, e depois isent\u00e1-lo de uma pris\u00e3o em consequ\u00eancia das suas d\u00edvidas, \u00e9 exatamente um privil\u00e9gio na sua capacidade civil, tal como seria na sua capacidade natural, despoj\u00e1-lo de todo o prazer, e em troca decretar que ele n\u00e3o deveria sentir dor. Tal como essa isen\u00e7\u00e3o de prazer e dor o privaria, de fato, de ser um homem, assim tamb\u00e9m o fato de o despojar de toda a propriedade, com essa isen\u00e7\u00e3o de pagamento de d\u00edvidas, \u00e9, de fato, priv\u00e1-lo de ser um membro da sociedade civil.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Tal como um homem escolheria manter os seus prazeres naturais, e correr o risco de dores naturais, assim ele escolheria manter os seus direitos civis, e correr o risco de inconveni\u00eancias civis.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 que se verifique que n\u00e3o se trata de casos paralelos, creio poder concluir que a isen\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas n\u00e3o \u00e9 uma recompensa pela aliena\u00e7\u00e3o de bens.\u00a0 (Chapone, 1735, p. 42)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A desobriga\u00e7\u00e3o legal feminina garantia a inexist\u00eancia moral, espiritual, intelectual (Todd, 1998) das mulheres. Se elas eram liberadas de responder \u00e0s leis, em \u00faltima inst\u00e2ncia eram igualmente destitu\u00eddas da identidade de s\u00fadito e do desfrute de toda e qualquer liberdade social vivida pela \u201clinhagem masculina\u201d. Por isso, Sarah Chapone reivindica que \u201cos fi\u00e9is s\u00faditos femininos de Sua Majestade\u201d tamb\u00e9m pudessem se abrigar \u201csob a sua mais graciosa prote\u00e7\u00e3o\u201d (Chapone, 1735, p. 2), e n\u00e3o mais vivessem como escravas do poder tir\u00e2nico dos cavalheiros. Algo que s\u00f3 poderia ser conquistado a partir do momento que as mulheres fossem consideradas s\u00faditas livres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao fim e ao cabo, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Sarah Chapone reivindicou, pela primeira vez e atrav\u00e9s de uma peti\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, a exist\u00eancia legal para mulheres na sociedade civil.<\/span><\/p>\n<p><b>Recep\u00e7\u00e3o e contexto<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em novembro de 1736, no sexto volume <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Gentleman\u2019s Magazine <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Revista do Cavalheiro], um cavalheiro an\u00f4nimo manifestou seu horror e sentimento de injusti\u00e7a diante do escrito que Chapone publicou anonimamente. Denominando-a de \u201cProteu feminino\u201d por considerar que a isen\u00e7\u00e3o \u00e0s leis e \u00e0s penas inglesas para as mulheres, no lugar de um favor \u201c\u00e9 um insulto\u201d (1736, p. 649), o cavalheiro an\u00f4nimo indigna-se. Afinal, na Turquia, diz ele, as mulheres poderiam ser mortas pelo marido, enquanto na Inglaterra uma senhora reclama por ser dispensada da obedi\u00eancia e das penalidades das leis civis. \u201cPiedade de mim!\u201d, exclama o cavalheiro. Para ele, antes de se exigir (supostamente) tanto e t\u00e3o injustamente, era preciso que a senhora autora reconhecesse que n\u00e3o vivia na barbaridade de na\u00e7\u00f5es n\u00e3o polidas, mas no para\u00edso das mulheres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m desse reconhecimento, de algo tomado como bastante b\u00e1sico e verdadeiro para o detrator de Chapone, o fundamento adequado para uma exig\u00eancia t\u00e3o \u201cinadequada\u201d quanto esta deveria decorrer da igualdade de m\u00e9rito entre os sexos. Rapidamente concluindo que essa igualdade \u00e9 inexistente, o cavalheiro que escreveu para a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Gentleman\u2019s Magazine <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">defende-se da seguinte maneira do que considera injusti\u00e7as cometidas contra a honra de sexo:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Que as mulheres, como se pede, cheguem a esse paralelo de virtude e esp\u00edrito p\u00fablico, e ent\u00e3o que reivindiquem honras iguais, e n\u00f3s o permitiremos de bom grado. Quando a hist\u00f3ria inglesa nos fornecer um exemplo de sacrif\u00edcio de uma vaidade feminina para o bem p\u00fablico; se as nossas mulheres abandonarem os seus ornamentos \u00e0 exig\u00eancia do Estado [&#8230;] quando a paz p\u00fablica e a paz privada forem a sua primeira ambi\u00e7\u00e3o. (1736, p. 650)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A opini\u00e3o de que o estatuto da mulher, nas luzes brit\u00e2nicas, era superior ao fornecido pelas na\u00e7\u00f5es vizinhas, pelas na\u00e7\u00f5es do outro lado do Atl\u00e2ntico ou pelos antigos n\u00e3o \u00e9 novidade. Pr\u00f3ximo ao fim do s\u00e9culo da polidez, em 1778, Lorde Kames (Henry Home) (1696-1782) j\u00e1 havia notado que o est\u00e1gio de barbaridade que fora imposto \u00e0s mulheres quando viviam em um estado incivilizado \u00e9 diferente do estado de quase igualdade \u201cexistente\u201d na era das luzes. Conforme este autor, \u201cUm grau de grosseria e indelicadeza est\u00e1 ligado a maneiras rudes. As maneiras dos gregos [&#8230;] eram extremamente grosseiras; como se pode esperar de um povo que vive entre seus escravos, sem qualquer sociedade com mulheres virtuosas\u201d (2007, p. 374), o que os inclinava a tratar suas mulheres como escravas. Barbaridade e injusti\u00e7a esta que mesmo David Hume (1711-1776) j\u00e1 havia observado 20 anos antes <\/span><span style=\"font-weight: 400\">no ensaio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Poligamia e Div\u00f3rcios<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, lembrando que \u201cNoutros pa\u00edses em que a poligamia tamb\u00e9m \u00e9 permitida, alijam-se as mulheres, inutilizando-lhes os p\u00e9s a fim de confin\u00e1-las \u00e0s pr\u00f3prias moradias\u201d (2011, p. 151).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo do s\u00e9culo XVIII o artif\u00edcio de apontar para outras na\u00e7\u00f5es, ou para o passado, para notar como <\/span><b>elas<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> eram b\u00e1rbaras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, e como isso era um estigma de barbaridade que n\u00e3o se aplicava \u00e0s luzes brit\u00e2nicas, foi n\u00e3o apenas vastamente aplicado, mas tamb\u00e9m utilizado para corroborar a opini\u00e3o de que estavam em um est\u00e1gio civilizat\u00f3rio superior (cf. Santos, 2023).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A rea\u00e7\u00e3o do cavalheiro que publicou na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Gentleman\u2019s Magazine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, portanto, se insere nesse cen\u00e1rio, mas, sobretudo, foi desencadeada pela primeira obra de Sarah Chapone comentada anteriormente, na qual, como observado, esse suposto estado de benevol\u00eancia e justi\u00e7a era contestado. Na obra de 1735, a fil\u00f3sofa, com suas diversas representa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancias contra as mulheres, trazia o estigma de barbaridade (atribu\u00eddo \u00e0 Turquia ou aos gregos) para o seio da civilidade polida, o que certamente causou uma recep\u00e7\u00e3o bastante violenta, como visto acima. O v\u00e9u de sil\u00eancio era questionado e, para a autora, era imposs\u00edvel conciliar as leis sob as quais vivia \u201ccom os direitos e privil\u00e9gios de um povo livre\u201d (Chapone, 1735, p. 47), dado que seu sexo era tratado com tamanha tirania.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m do aparato filos\u00f3fico mobilizado por Chapone, como a partir de Astell, Hobbes, Wollaston, e Delany, como observa Todd (1998), ela foi capaz de identificar aspectos repressivos da lei conjugal com mais detalhe do que qualquer outra escritora, e seu esfor\u00e7o evidencia as dificuldades para se informar de seu estatuto e lutar, legalmente, contra a situa\u00e7\u00e3o que manifestamente se impunha a seu sexo. O escrito dessa fil\u00f3sofa foi, ademais, um protesto solit\u00e1rio \u2014 enquanto uma peti\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica direcionada ao rei e ao parlamento \u2014 contra as leis do casamento por muito tempo (Greenberg <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apud<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Broad, 2015), capaz de destacar desigualdades jur\u00eddicas (Orr, 2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O argumento proposto por Sarah Chapone, de que as mulheres, quando se casavam, poderiam ser transformadas em escravas de seus maridos, ainda que incomum, n\u00e3o era inteiramente estranho ao s\u00e9culo das luzes. Peri\u00f3dicos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Magna Britannia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Magna Brit\u00e2nia], em 1718, j\u00e1 haviam notado que as mulheres eram colocadas na situa\u00e7\u00e3o de posse de seus maridos, e grandes fil\u00f3sofos, como Bernard Mandeville (1670-1733), em sua moral pr\u00e1tica para mulheres <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Virgin Unmask\u2019d <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Virgem Desmascarada] (1709), j\u00e1 havia afirmado que o estado de casamento era um estado de escravid\u00e3o criado pelos homens para o sexo feminino. No entanto, se em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Magna Britannia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ou no escrito de Mandeville n\u00e3o existe qualquer repreens\u00e3o dessa desigualdade artificial, sendo afirmado, muito pelo contr\u00e1rio, que a condi\u00e7\u00e3o das inglesas \u201c\u00e9 de fato a melhor do mundo, pois tal \u00e9 a boa natureza dos ingleses para com as suas esposas, tal \u00e9 a ternura e o respeito, dando-lhes o primeiro lugar \u00e0 mesa, que elas s\u00e3o, geralmente falando, as mulheres mais felizes do mundo\u201d (1718, p. 176-7), Chapone envereda-se por uma linha bastante diferente, como observado na se\u00e7\u00e3o anterior.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A autora de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hardships<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ao identificar a escraviza\u00e7\u00e3o de mulheres pelo poder tir\u00e2nico dos homens, reivindica a liberdade das mulheres, especialmente das esposas, exigindo os direitos de: ir e vir, posses, terras, cuidado dos pr\u00f3prios filhos, finan\u00e7as e, sobretudo, de um julgamento legal equ\u00e2nime para ambos os sexos (para maior aprofundamento sobre o tema da igualdade entre os sexos no XVIII, conferir Santos, 2023).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m do que foi abordado ao longo deste verbete, Chapone pode ser vista como uma das autoras do feminismo crist\u00e3o, enquanto boa parte de suas reivindica\u00e7\u00f5es partem da ideia de que a situa\u00e7\u00e3o de escravatura das mulheres decorre da quebra dos \u201cnobres princ\u00edpios do cristianismo (que s\u00e3o a nossa \u00fanica prote\u00e7\u00e3o)\u201d (Chapone, 1735, p. 2). A fil\u00f3sofa tamb\u00e9m promoveu reflex\u00f5es a respeito: da extens\u00e3o do poder materno; das raz\u00f5es que levaram as mulheres \u00e0 servid\u00e3o diante dos homens; da natureza feminina; da educa\u00e7\u00e3o feminina e suas implica\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, Chapone prop\u00f5e uma refinada compara\u00e7\u00e3o entre as leis sob as quais as mulheres eram sujeitas em antes das revolu\u00e7\u00f5es de 1649 e 1689 e as perdas que ocorreram diante de tais mudan\u00e7as (Todd, 1998).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 1985, a autoria do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hardships<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> sempre foi um mist\u00e9rio, e a respons\u00e1vel por questionar esse suposto estado de felicidade que nascia do elo entre submiss\u00e3o e o falso cuidado n\u00e3o foi conhecida. Ao mesmo tempo, essa autora apagada subsistia marcando interpreta\u00e7\u00f5es como as de Hunt (1992), que buscaram apresentar o cen\u00e1rio de crueldade contra mulheres na era das luzes, bem como as rea\u00e7\u00f5es femininas \u00e0 pol\u00edtica da polidez. Foi somente com os esfor\u00e7os de Ruth Perry (Glover, 2018) que Sarah Chapone foi descoberta, e em 2018, que seus escritos foram reunidos e divulgados com alguma amplitude.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">* Partes do presente verbete foram adaptadas a partir de meu artigo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sarah Chapone e a primeira reivindica\u00e7\u00e3o de identidade civil para mulheres<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, com publica\u00e7\u00e3o prevista para o primeiro semestre de 2025 na revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kalagatos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><b>Obras\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CHAPONE, S. (1735) The hardships of the English laws in relation to wives with an explanation of the original curse of subjection passed upon the Woman. Em: <\/span><a href=\"https:\/\/en.wikisource.org\/wiki\/The_Hardships_of_the_English_Laws_in_Relation_to_Wives\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/en.wikisource.org\/wiki\/The_Hardships_of_the_English_Laws_in_Relation_to_Wives<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> ou <\/span><a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/bim_eighteenth-century_the-hardships-of-the-eng_chapone-sarah_1735_0\/mode\/2up\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/archive.org\/details\/bim_eighteenth-century_the-hardships-of-the-eng_chapone-sarah_1735_0\/mode\/2up<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CHAPONE, S. (1750) Remarks on Mrs. Muilman&#8217;s Letter to the Right Honourable the Earl of Chesterfield. in a Letter to Mrs. Muilman. Editora: William Owen.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CHAPONE, S. (1735) The Hardships of the English Laws in Relation to Wives. Editado por Susan Paterson Glover incluindo parte de sua correspond\u00eancia e a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Remarks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, editora: Routledge, 2018.<\/span><\/p>\n<p><b>Literatura secund\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROAD, J. \u201cA Great Championess for Her Sex\u201d: Sarah Chapone on Liberty As Nondomination and Self-Mastery. The Monist, v. 98, n. 1, p. 77-88, 2015.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">GENTLEMAN\u2019S MAGAZINE, 1736, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/babel.hathitrust.org\/cgi\/pt?id=hvd.hw294j&amp;seq=33\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/babel.hathitrust.org\/cgi\/pt?id=hvd.hw294j&amp;seq=33<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">GLOVER, S. P. Introduction. In: CHAPONE, S. The hardships of the English laws in relation to wives with an explanation of the original curse of subjection passed upon the Woman.\u00a0 Reino Unido: Routledge, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">GLOVER, S. P. Further Reflections upon Marriage: Mary Astell and Sarah Chapone. In: PERRY, R.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Feminist interpretations of Mary Astell<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, p. 93-110, 2016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">GREEN, K. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A history of women&#8217;s political thought in Europe, 1700-1800<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Reino Unido: Cambridge University Press: 2014.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">HUNT, M. Wife Beating, Domesticity and Women\u2019s Independence in Eighteenth Century London. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Gender &amp; History<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 4, n. 1, p. 10-33, 1992.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ORR, C. C. The Sappho of Gloucestershire: Sarah Chapone and Christian Feminism. In: HELLER, Deborah (Ed.). Bluestockings now! The evolution of a social role. Routledge: p. 91-110, 2016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PERRY, R. Introduction. In: BELLARD, G. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Memoir of several ladies of Great Britain<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Wayne State University Press. Detroit: 1985.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SANTOS, M. D. P. As ideias iluminadas e polidas sobre as mulheres nas filosofias brit\u00e2nicas. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sapere Aude<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Minas Gerais: v. 1, n. 1, p. 385-407, 25 nov. 2023.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SANTOS, M. D. P. Liberdade pol\u00edtica e sexual das mulheres no iluminismo brit\u00e2nico. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Prometeus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, dezembro, 2024.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SANTOS, M. D. P. Sarah Chapone e a constru\u00e7\u00e3o da identidade civil para as mulheres nas luzes brit\u00e2nicas. No prelo,<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Kalagatos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">TODD, B. J. &#8220;To be some body&#8221;: married women and The Hardships of the English Laws. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">In:<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> SMITH, H.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Women Writers and the Early Modern British Political Tradition<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Cambridge University Press: p. 343-61, 1998.<\/span><\/p>\n<p><b>Outros materiais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ADDISON, J; STEELE, R. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Spectator, Volumes 1, 2 and 3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. USA: Gutenberg, 2004.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ASTELL, M. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A serious proposal to the Ladies, for the advancement of their true and greatest interest (In Two Parts)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. USA: Gutenberg, 2017.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ASTELL, M. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Some Reflections Upon Marriage<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. USA: Gutenberg, 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BELLARD, G. Memoir of several ladies of Great Britain. Wayne State University Press. Detroit: 1985.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">C\u00cdCERO, M. T. Dos deveres. Tradu\u00e7\u00e3o de Ang\u00e9lica Chiapeta. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1999.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FOYSTER, E. Creating a veil of silence? Politeness and marital violence in the english househould. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Transactions of the Royal Historical Society<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. v. 12, pp. 395-415, 2002.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FOYSTER, E. Male Honour, Social Control and Wife Beating in Late Stuart England. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Transactions of the Royal Historical Society<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Vol. 6 , pp. 215-224, 1996.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">HOBBES, T. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Leviat\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. In: Os Pensadores: Hobbes. Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. S\u00e3o Paulo: editora Nova Cultural.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">HUME, D. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A arte de escrever ensaios e outros ensaios (morais, pol\u00edticos e liter\u00e1rios)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00e1rcio Suzuki e Pedro Paulo Pimenta. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 2008.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MAGNA BRITANNIA, 1718, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=mlg2AAAAMAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR#v=onepage&amp;q=Women%20in%20England%2C%20with%20all%20their%20Moveable%20Goods%20so%20soon%20as%20they%20are%20married&amp;f=false\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=mlg2AAAAMAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR#v=onepage&amp;q=Women%20in%20England%2C%20with%20all%20their%20Moveable%20Goods%20so%20soon%20as%20they%20are%20married&amp;f=false<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MANDEVILLE, B. The Virgin Unmask\u2019d. New York: Scholars&#8217; Facsimiles &amp; Reprints Delmar, 1975.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PELTONEN, Markku. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Duel in Early Modern England: Civility, politeness and honour<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova Iorque: Cambridge University Press, 2003.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PERRY, R. The Veil of Chastity: Mary Astell&#8217;s Feminism. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Studies in Eighteenth-Century Culture<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. USA: v. 9, pp. 25-43, 1980.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">TRIGG, Stephanie. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Shame and Honor: A Vulgar History of the Order of the Garter<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Pennsylvania: University of Pennsylvania Press, 2012.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">WOLLSTONECRAFT, M. Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da mulher. Tradu\u00e7\u00e3o de Ivania Pocinho Motta. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2016.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sarah Chapone\u00a0 (1699-1764) por Mariana Dias Pinheiro Santos, Doutoranda em filosofia na Universidade Federal do Paran\u00e1, bolsista CAPES, pesquisadora do<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2274","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2274"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2274\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2296,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2274\/revisions\/2296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}