{"id":2302,"date":"2025-04-15T10:24:36","date_gmt":"2025-04-15T13:24:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2302"},"modified":"2025-04-15T12:01:43","modified_gmt":"2025-04-15T15:01:43","slug":"sophie-charlotte-von-hannover","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/sophie-charlotte-von-hannover\/","title":{"rendered":"Sophie Charlotte von Hannover"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Sophie Charlotte von Hannover;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Sophia Charlotte;\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Sophie Charlotte von Brunswick-Luneberg;\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Sophie Charlotte von Brunswick-L\u00fcneberg<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>(1668-1705)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Tessa Moura Lacerda<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Professora de Filosofia na Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7497099992134986\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_2304\" aria-describedby=\"caption-attachment-2304\" style=\"width: 286px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2304\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/04\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/04\/unnamed-1.jpg 245w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/04\/unnamed-1-230x300.jpg 230w\" sizes=\"(max-width: 286px) 100vw, 286px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2304\" class=\"wp-caption-text\">Retrato de Sophie Charlotte, por No\u00ebl Jouvenet.<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/04\/Verbete-Sophie-Charlotte-PDF-1.pdf\">Sophie Charlotte &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sophie Charlotte (30 de outubro de 1668 no Castelo de Iburg, em Osnabr\u00fcck \u2013 21 de janeiro de 1705 no Eleitorado de Han\u00f4ver) foi a primeira rainha da Pr\u00fassia, pa\u00eds que se tornaria uma das grandes pot\u00eancias europeias do s\u00e9culo XVIII. Naturalmente, como rainha, era uma das mulheres mais poderosas da Europa, o que pode nos levar \u00e0 suposi\u00e7\u00e3o de que ela n\u00e3o estivesse submetida ao que hoje chamar\u00edamos de viol\u00eancias de g\u00eanero. Ledo engano. Justamente por ser rainha, mas principalmente por ser mulher, todos os escritos de Sophie Charlotte foram queimados quando ela morreu prematuramente de uma pneumonia, aos 36 anos. Mas vejamos essa hist\u00f3ria com mais vagar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sophie Charlotte era a \u00fanica filha dentre os sete filhos da Princesa Sofia (Wassenaer Hof, em Haia, 14 de outubro de 1630 \u2013 Hannover, 8 de junho 1714) e do Pr\u00edncipe-Eleitor de Hannover, Ernst August (Herzberg am Harz, 20 de novembro de 1629 \u2013 Hannover, 23 de janeiro de 1698). Filha de m\u00e3e calvinista e de pai luterano, Sophie Charlotte foi criada sem batismo em qualquer religi\u00e3o, dessa forma poderia futuramente aderir \u00e0 religi\u00e3o de um marido. Essa foi a estrat\u00e9gia de Sofia para garantir um bom casamento para a filha \u2013 a op\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o seria um impedimento para que Sophie Charlotte fosse escolhida como esposa. Com efeito, a quest\u00e3o religiosa n\u00e3o era um assunto menor: nesse per\u00edodo, a Europa sofreu bastante com essas guerras de religi\u00e3o: a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), uma s\u00e9rie de guerras cuja causa principal era a rivalidade entre protestantes e cat\u00f3licos, atingiu particularmente o territ\u00f3rio que hoje \u00e9 conhecido como Alemanha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Conflitos religiosos anteriores ocorridos no territ\u00f3rio correspondente \u00e0 Alemanha de hoje<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">haviam sido solucionados com a assinatura, em 25 de setembro de 1555, da Paz de Augsburgo. Esse tratado inaugurou um per\u00edodo em que cada pr\u00edncipe podia impor sua cren\u00e7a aos habitantes de seus dom\u00ednios. Um certo equil\u00edbrio se manteve enquanto os credos predominantes restringiam-se \u00e0s religi\u00f5es cat\u00f3lica e luterana; o advento do calvinismo mudou esse cen\u00e1rio. V\u00e1rios soberanos e soberanas aderiam ao calvinismo, como a pr\u00f3pria Princesa-eleitora Sofia de Hannover, m\u00e3e de Sophie Charlotte. A Alemanha s\u00f3 foi unificada em no s\u00e9culo XIX, em 1871, antes desse per\u00edodo havia uma s\u00e9rie de Principados ou Eleitorados \u2013 como Hannover \u2013 que faziam parte do Sacho Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico, mas que n\u00e3o s\u00f3 tinham uma certa autonomia pol\u00edtica, como guardavam diferen\u00e7as culturais e at\u00e9 lingu\u00edsticas entre si. Dentre essas diferen\u00e7as, a quest\u00e3o religiosa era o ponto principal de discord\u00e2ncias que levaram a conflitos e guerras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa disputa religiosa amea\u00e7ava outros reinados e rep\u00fablicas, por isso, o imp\u00e9rio sueco e a Fran\u00e7a tamb\u00e9m entraram no conflito, assim como o futuro imp\u00e9rio austr\u00edaco, a monarquia de Habsburgo. Essa guerra matou mais de oito milh\u00f5es de pessoas, principalmente na Europa central, causando problemas econ\u00f4micos e demogr\u00e1ficos. E somente com a assinatura de uma s\u00e9rie de tratados que constituem a Paz de Vestf\u00e1lia, em 1648, chegou ao fim (cf. Holborn, 1982; Elias, 2001).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora Sophie Charlotte tenha nascido 20 anos ap\u00f3s a assinatura da Paz de Vestf\u00e1lia, as disputas religiosas n\u00e3o estavam completamente esquecidas, nem mesmo no interior de uma mesma fam\u00edlia. Uma das irm\u00e3s de Sofia, Louise Hollandine (1622-1709), por exemplo, procurava convenc\u00ea-la a se converter ao catolicismo. Nesse intento, chegou a enviar para Sofia o livro de Paul Pelisson, historiador da corte de Lu\u00eds XIV, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reflex\u00f5es sobre as disputas da religi\u00e3o <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Paris, 1686). Sofia incumbiu o bibliotec\u00e1rio de Hannover e seu amigo, o fil\u00f3sofo Gottfried Wilhelm Leibniz (Leipzig, 1 de julho de 1646- Hannover, 14 de novembro de 1716), de responder Louise Hollandine.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Voltemos um pouco no tempo para entender a chegada de Leibniz nesta hist\u00f3ria, afinal ele desempenhar\u00e1 um papel important\u00edssimo na vida de Sophie Charlotte, e vice-versa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sofia \u00e9 a d\u00e9cima segunda filha de um total de treze (entre elas Elisabeth da Bo\u00eamia), do \u201crei de Inverno\u201d Frederico V do Palatinado (1596-1632), e de Elizabeth Stuart (1596-1662) \u2013 os pais de Sofia ficaram conhecidos como \u201crei e rainha de Inverno da Bo\u00eamia\u201d pelo curto reinado. Sofia nasceu nos Pa\u00edses Baixos, onde sua fam\u00edlia estava exilada depois da \u201cBatalha da Montanha Branca\u201d, batalha que o ex\u00e9rcito de seu pai perderia para a Liga Cat\u00f3lica (uma reuni\u00e3o de estados cat\u00f3licos alem\u00e3es que visava combater a Uni\u00e3o Protestante, na primeira fase da Guerra dos Trinta Anos).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sofia era filha de Elizabeth Stuart, por isso tinha no horizonte a possibilidade de se tornar rainha da Inglaterra\u00a0 (seu av\u00f4 era Jaime VI da Esc\u00f3cia e I da<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Inglaterra, e seu tio, Carlos I da Inglaterra). Com efeito, ela passar\u00e1 toda a vida tentando demonstrar seu direito ao trono da Inglaterra e ter\u00e1 ajuda de Leibniz nisso. No final das contas, Sofia poderia ter sido Rainha da Gr\u00e3-Bretanha se n\u00e3o tivesse falecido poucas semanas antes da morte de sua prima, a Rainha Ana. Com a morte de Ana, ser\u00e1 o filho de Sofia, Georg Ludwig, quem assumir\u00e1 o trono da Inglaterra em 1714 como George I.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Voltando no tempo: em 1658, Sofia se casou com Ernst August, Duque de Brunswick-L\u00fcneburg, depois de ter quase casado com o irm\u00e3o dele, um pouco mais velho, Georg Wilhelm (este negociou com os dois, prometendo jamais casar-se para que jamais tivesse herdeiros leg\u00edtimos, garantindo que Ernst August herdaria as terras e os t\u00edtulos que pertenceriam, em princ\u00edpio a ele, Georg). Quatro anos depois, Ernst August se torna Pr\u00edncipe-Administrador de Osnabruque. E, finalmente, com a morte de seu irm\u00e3o mais velho, Johann Friedrich (1625-1679), herda o ducado de Brunswick-L\u00fcneburg, cuja principal cidade era Hannover. Tr\u00eas anos antes de sua morte, Johann Friedrich havia contratado o jovem fil\u00f3sofo Leibniz<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">como conselheiro da corte e bibliotec\u00e1rio. Eis a entrada de Leibniz na hist\u00f3ria dessa fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O jovem Leibniz, que havia se formado em Filosofia em 1662, feito uma forma\u00e7\u00e3o equivalente a mestrado em Direito em 1664 e doutorado em Direito em 1666, trabalhava desde 1668 numa reforma jur\u00eddica para o Pr\u00edncipe-eleitor de Mainz. Foi por conta deste emprego que Leibniz viajou em 1672 para Paris, numa miss\u00e3o diplom\u00e1tica. Logo depois de Leibniz chegar em Paris, por\u00e9m, o Pr\u00edncipe-eleitor de Mainz faleceu. Leibniz decidiu, ent\u00e3o, permanecer em Paris \u2013 ele come\u00e7ara a ficar conhecido por sua m\u00e1quina de calcular, que aprimorava a m\u00e1quina criada por Pascal, incluindo, al\u00e9m de soma e subtra\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m multiplica\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o; al\u00e9m disso, tinha tamb\u00e9m escritos matem\u00e1ticos e jur\u00eddicos que come\u00e7avam a torn\u00e1-lo conhecido. Por\u00e9m, n\u00e3o teria como se manter em Paris sem um emprego. Embora quisesse continuar na Fran\u00e7a, precisou aceitar o convite que recebeu de Johann Friedrich e se tornou conselheiro da corte e bibliotec\u00e1rio em Hannover.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 nessa condi\u00e7\u00e3o que Leibniz conhecer\u00e1 Sofia, com quem desenvolver\u00e1 uma amizade. Assim tamb\u00e9m conheceu a pequena Sophie Charlotte. Sofia e Sophie Charlotte se tornar\u00e3o grandes interlocutoras de Leibniz, em quest\u00f5es filos\u00f3ficas, cient\u00edficas e pol\u00edticas, al\u00e9m de grandes amigas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><strong>1. <\/strong><\/span><b>A troca filos\u00f3fica entre Sophie Charlotte e Leibniz<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lloyd Strickland, um dos pioneiros no estudo da correspond\u00eancia entre Leibniz e as duas Sofias (como ele intitula seu livro: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Leibniz and Two Sophies: The Ph<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00a0 \u00a0 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ilosophical Correspondance [Leibniz e as duas Sofias: a correspond\u00eancia filos\u00f3fica]<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">), Sofia e Sophie Charlotte, destaca que essa correspond\u00eancia n\u00e3o interessou muito os especialistas em Filosofia Seiscentista por tratar, principalmente, de temas pol\u00edticos e fofocas da corte, trazendo temas filos\u00f3ficos em apenas um ter\u00e7o das cartas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acrescento a isso uma quest\u00e3o ainda mais complicada em rela\u00e7\u00e3o a Sophie Charlotte: as principais cartas dela foram queimadas. Restam-nos apenas cinco bilhetes curtos, dirigidos a Leibniz, sem que tenhamos oportunidade de adivinhar o pensamento de Sophie Charlotte.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sabemos o quanto ela instigou Leibniz a desenvolver pontos de seus pensamentos e a explicar melhor sua Filosofia, principalmente em debates mediados por ela e que envolviam tamb\u00e9m John Toland (1670-1722) ou Francis Mercury van Helmont (1614-1698). Para n\u00e3o falar o debate que Leibniz desenvolve com Pierre Bayle em seus <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ensaios de teodiceia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1710), \u00fanico livro publicado em vida pelo fil\u00f3sofo e que o tornou bastante conhecido na \u00e9poca: o livro foi concebido, segundo o pr\u00f3prio Leibniz, a partir do di\u00e1logo que mantinha com a rainha Sophie Charlotte (embora publicado somente ap\u00f3s a morte prematura dela). \u00c9 verdade que a hip\u00f3tese de Lloyd Strickland \u00e9 que a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Teodiceia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi escrita por inspira\u00e7\u00e3o de outras obras de Bayle, e n\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dicion\u00e1rio hist\u00f3rico-cr\u00edtico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> que Sophie Charlotte conhecia bem. Os livros de Bayle, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">R\u00e9ponse<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">aux questions d\u2019um provincial<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Resposta \u00e0s quest\u00f5es de um provincial<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (1706) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Entretiens de Maxime et de Th\u00e9miste<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Conversas entre Maxime e Th\u00e9miste<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (1707), publicados somente depois da morte de Sophie Charlotte, \u00e9 que teriam verdadeiramente inspirado Leibniz a escrever os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ensaios de teodiceia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Mas<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 o pr\u00f3prio Leibniz quem atribui sua inspira\u00e7\u00e3o maior para a escrita da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Teodiceia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> a seu di\u00e1logo com Sophie Charlotte \u2013 fiquemos com essa afirma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sabemos que Sophie Charlotte estimulou Leibniz a desenvolver temas como a rela\u00e7\u00e3o entre os sentidos e os objetos externos, a infinita variedade de seres existentes, o princ\u00edpio de uniformidade (\u201c\u00e9 tudo como aqui em toda parte e sempre\u201d, afirmar\u00e1 Leibniz citando a pe\u00e7a de teatro \u201cArlequim, imperador da lua\u201d, da Comedia dell\u2019arte, apresentada a primeira vez em mar\u00e7o de 1687), entre outros. Mas a pergunta que fica \u00e9: o que, desses debates mediados e desse est\u00edmulo, poderia ser aproximado do pensamento de Sophie Charlotte? \u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um esbo\u00e7o da filosofia de Sophie Charlotte uma vez que perdemos seus escritos para o fogo? \u00c9 poss\u00edvel delinear o pensamento de Sophie Charlotte atrav\u00e9s do pensamento de Leibniz ou da \u201cvoz\u201d de Leibniz nesse di\u00e1logo epistolar?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais de uma vez me esforcei para entender o que seria o pensamento de Sophie Charlotte a partir daquilo que permaneceu intacto nessa correspond\u00eancia entre ela e Leibniz, ou seja, a partir de cartas de Leibniz. Mas precisamos confessar que se trata de um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o. E que talvez n\u00e3o seja o caminho mais frut\u00edfero para compreender a grandeza e a for\u00e7a desta jovem rainha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"> As cartas filos\u00f3ficas de Sophie Charlotte foram queimadas por ela ser rainha. As rainhas, nesse tempo, n\u00e3o eram apenas \u201cadere\u00e7os\u201d da corte, elas tinham poder pol\u00edtico e desenvolviam projetos pr\u00f3prios. Um exemplo: a transforma\u00e7\u00e3o do Eleitorado de Brandemburg em reino, que contou fortemente com o papel de Sophie Charlotte e de sua m\u00e3e Sofia, que no outono de 1700 viajaram para Aachen, Bruxelas e Holanda para pressionar pela eleva\u00e7\u00e3o de Frederico III, marido de Sophie Charlotte, a rei. Elas conseguiram: em 1701 \u201cnasce\u201d o reino da Pr\u00fassia. Sophie Charlotte se transforma em rainha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rainha: o mesmo atributo que levou Sophie Charlotte a ter suas cartas mergulhadas no fogo, pode nos dar a ver o que seria essa filosofia. \u00c9 em seu papel como rainha e no legado desse papel para a hist\u00f3ria que podemos buscar desenhar a filosofia de Sophie Charlotte.<\/span><\/p>\n<p><b>2. Mulheres poderosas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A proximidade e a amizade com Leibniz foram, com certeza, fundamentais na vida de Sophie Charlotte e no desenvolvimento de suas ideias, mas n\u00e3o devemos deixar passar em branco o enorme papel que desempenharam as mulheres poderosas de quem Sophie Charlotte descendia. A come\u00e7ar por sua m\u00e3e, Sofia, cuja filosofia \u00e9 hoje negligenciada, mas que teve um papel important\u00edssimo para a filha, introduzindo-a ao mundo da Filosofia, n\u00e3o apenas atrav\u00e9s dos textos, mas tamb\u00e9m das amizades, com Leibniz, com John Toland, com Francis Mercury van Helmont, por exemplo. M\u00e3e e filha dividiam a aten\u00e7\u00e3o desses pensadores, compartilhavam ideias e interpreta\u00e7\u00f5es, dialogavam sobre todos esses assuntos, al\u00e9m dos assuntos pol\u00edticos, claro. Haveria uma correspond\u00eancia entre as duas ou as trocas se davam apenas nas conversas em encontros pessoais? N\u00e3o sabemos.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">A maior parte das cartas dessas duas fil\u00f3sofas que foram preservadas s\u00e3o parte da correspond\u00eancia de Leibniz. Pelas cartas a Leibniz, vemos que Sofia (a m\u00e3e) prop\u00f5e a hip\u00f3tese da materialidade da mente, por exemplo (Lloyd Strickland sugere que Sofia tem essa interpreta\u00e7\u00e3o materialista da mente e analisa<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> \u00a0 \u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0profundamente essa hip\u00f3tese em seu artigo sobre a filosofia de Sofia).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m de ser filha de Sofia, Sophie Charlotte era sobrinha de <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/elisabeth-da-bohemia-epistolografia\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Elisabeth da Bo\u00eamia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, cuja concep\u00e7\u00e3o materialista da alma come\u00e7a a ser reconhecida no s\u00e9culo XX, sobretudo a partir dos trabalhos de interpreta\u00e7\u00e3o da fil\u00f3sofa Lisa Shapiro. Elisabeth deixou de ser vista como pupila de Descartes, para passar ao rol de fil\u00f3sofas bem recentemente. A afirma\u00e7\u00e3o de que Elisabeth da Bo\u00eamia tem uma concep\u00e7\u00e3o materialista da alma est\u00e1 em disputa ainda hoje, mas j\u00e1 n\u00e3o se questiona o fato de que ela apresenta um pensamento filos\u00f3fico pr\u00f3prio nas cartas que trocou com Descartes \u2013 um de seus maiores admiradores. Sofia muitas vezes intermediou a entrega dessas cartas e tinha a irm\u00e3 mais velha como um exemplo. Stickland sugere inclusive que essa seria uma das raz\u00f5es para Sofia restringir seus pensamentos filos\u00f3ficos \u00e0s cartas com Leibniz, a exemplo do que sua irm\u00e3 Elisabeth fez no di\u00e1logo com Descartes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sophie Charlotte era sobrinha tamb\u00e9m de Louise Holandine, pintora que se formou com <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Giuliano Periccioli, Sienese e\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gerard_van_Honthorst\"><span style=\"font-weight: 400\">Gerard van Honthorst<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Era uma retratista, tendo feito inclusive autorretratos. Algumas de suas obras est\u00e3o hoje em museus alem\u00e3es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que Sophie Charlotte tinha uma ascend\u00eancia de mulheres poderosas em sentido amplo. Nunca \u00e9 demais mencionar: o<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">acesso dessas mulheres \u00e0 filosofia, pintura, literatura, l\u00ednguas, matem\u00e1ticas se dava por sua origem nobre \u2013 h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, claro. H\u00e1 mulheres que estavam ligadas de maneira mais pr\u00f3xima a alguns fil\u00f3sofos hoje can\u00f4nicos, e por isso tiveram acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, como<\/span> <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/damaris-cudworth-masham\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Damaris Cudworth Mashan<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, filha de Ralph Cudworth e muito pr\u00f3xima de Locke, mas ainda assim Lady Mashan estava ligada \u00e0 nobreza europeia. Naturalmente, num per\u00edodo em que as mulheres eram proibidas de frequentar universidades, poucas <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">tinham direito a uma educa\u00e7\u00e3o formal; a condi\u00e7\u00e3o de nobre e o papel que as nobres tinham nas cortes facultava a essas mulheres o acesso a tantos conhecimentos. Mas para al\u00e9m dessa quest\u00e3o de classe, o que suas reflex\u00f5es e obras provam \u00e9 que as mulheres tinham, e sempre tiveram, as mesmas capacidades intelectuais dos homens. Essas rainhas, princesas, nobres, gra\u00e7as a seu acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, demonstravam na pr\u00e1tica o que as fil\u00f3sofas argumentavam desde o s\u00e9culo XV na chamada querela das mulheres (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">querelle des femmes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">). Com efeito, a \u201cquerela das mulheres\u201d opunha mis\u00f3ginos e feministas desde o s\u00e9culo XV, com a publica\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A cidade das damas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de<\/span> <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/cristina-de-pizan\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Christine de Pisan<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, em 1405, mas ganhou for\u00e7a durante o s\u00e9culo XVII. O privil\u00e9gio de classe de rainhas, princesas e mulheres ligadas \u00e0 nobreza lhes dava acesso a um mundo proibido para a maioria das mulheres, e isso evidenciava as capacidades intelectuais das mulheres, como reivindicavam os feministas ou proto-feministas envolvidos na querela.<\/span><\/p>\n<p><b>3. Sophie Charlotte: uma pol\u00edtica como filosofia pr\u00e1tica?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A leitura can\u00f4nica que se fez de Sophie Charlotte a descreve como \u201cpupila\u201d, disc\u00edpula, patronesse, incentivadora de Leibniz. Em resumo: ela s\u00f3 existe, nessa narrativa, como algu\u00e9m que esteve vinculada a Leibniz. Eventualmente se fala de seu not\u00f3rio entusiasmo pela filosofia<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">e de seu senso de humor, assim como de sua incr\u00edvel capacidade de leitura e de manter conversa\u00e7\u00f5es sobre qualquer assunto. \u00c9 assim descrita por John Toland (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">An account of the Courts of Prussia and Hanover [Um relato das Cortes da Pr\u00fassia e de Hanover] <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1705) e tamb\u00e9m por seu neto, Frederico II, rei da Pr\u00fassia (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e9moires pour servir a l\u2019 histoire de Brandembourg<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mem\u00f3rias para a hist\u00f3ria de Brandemburgo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], 1750).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas j\u00e1 \u00e9 sabido tamb\u00e9m que um escrito contempor\u00e2neo de Sophie Charlotte a descreve como \u201cRainha-fil\u00f3sofa\u201d. Ora, por que este n\u00e3o se tornou o aposto mais reconhecido ou a melhor descri\u00e7\u00e3o de Sophie Charlotte? Parece \u00f3bvio, mas n\u00e3o custa lembrar que as mulheres lutaram por s\u00e9culos para serem reconhecidas como sujeitos racionais, como pensadoras, fil\u00f3sofas, t\u00e3o capazes quanto os homens, como fica evidente pela \u201cquerela das mulheres\u201d mencionada antes; al\u00e9m disso, vale lembrar tamb\u00e9m a misoginia presente no chamado c\u00e2none filos\u00f3fico nas hist\u00f3rias escritas durante o s\u00e9culo XIX, que somente h\u00e1 algumas d\u00e9cadas vem sendo questionadas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo sendo rainha de um dos maiores imp\u00e9rios do XVIII, Sophie Charlotte teve sua exist\u00eancia e seu reconhecimento vinculados a um fil\u00f3sofo can\u00f4nico. A \u00fanica vantagem disso seria termos acesso aos seus textos e suas ideias, reunidos na troca de cartas com Leibniz e compiladas por Onno Klopp na segunda metade do XIX. Todavia, como j\u00e1 mencionamos, nossa rainha-fil\u00f3sofa n\u00e3o p\u00f4de nos legar nenhum texto escrito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Resta-nos conjecturar suas ideias a partir de sua participa\u00e7\u00e3o ativa em debates com Leibniz, mas tamb\u00e9m com John Toland e Francis Mercury van Helmont. No caso de Toland, Sofia o recebeu em Hannover em 1702, mas foi aconselhada a n\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">o manter l\u00e1, por ser uma autor ate\u00edsta e ela estar esperando ser reconhecida como herdeira do trono ingl\u00eas. Sophie Charlotte ent\u00e3o o recebe em julho de 1702 e promove debates entre Toland e Leibniz: \u201cO Sr. Leibniz \u00e9 a \u00fanica companhia que tenho aqui no momento. Eu o fa\u00e7o discutir um pouco com Toland.\u201d \u2013 afirma ela em uma carta citada por Stickland (p.19). Essas conversas e a diferen\u00e7a de perspectiva entre os dois resultaram<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> \u00a0 \u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0num per\u00edodo bastante produtivo para ambos. Toland publicou em 1704, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Letters to Serena<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cartas para Serena<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], em cujo pref\u00e1cio afirma que Serena\/Sophie Charlotte, \u00e9 uma \u201cSenhora de uma vasta b\u00fassola de conhecimento\u201d. Leibniz tamb\u00e9m foi estimulado por esse di\u00e1logo: tendo recebido o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dicion\u00e1rio hist\u00f3rico cr\u00edtico <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">de Pierre Bayle antes de sua partida de Berlim, passou a preparar um material para as discuss\u00f5es posteriores nas audi\u00eancias com Sophie Charlotte. A presen\u00e7a de Sophie Charlotte na vida de Leibniz \u00e9 t\u00e3o importante que depois da morte repentina dela, quando estava de visita em Hannover, enquanto ele estava em Berlim, Leibniz passa bastante tempo sem escrever para ningu\u00e9m e dedica a Sophie Charlotte um poema. Mais tarde, confessar\u00e1 a Damaris Mashan, com quem tamb\u00e9m se correspondeu:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Esta grande Princesa tinha, para mim, bondades infinitas: a ela agradava estar informada de minhas especula\u00e7\u00f5es, ela inclusive as aprofundava; e eu a deixava a par do que me vinha de sua parte, e que eu tinha a honra de responder. Talvez jamais se tenha visto uma Rainha t\u00e3o perfeita e t\u00e3o fil\u00f3sofa ao mesmo tempo. Julgai, Madame, que prazer eu devo ter tido por estar sempre perto de uma Princesa como esta e de ser encorajado pelo ardor que ela testemunhava pelo conhecimento da verdade. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Leibniz a Damaris C. Mashan, 10\/7\/1705, Klopp X, p.287)<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A morte de Sophie Charlotte foi devastadora para Leibniz:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">a morte da Rainha da Pr\u00fassia causou uma longa interrup\u00e7\u00e3o em minha correspond\u00eancia e em minhas medita\u00e7\u00f5es. (&#8230;) que surpresa a minha e de toda Berlim quando soubemos da morte dela! Foi um golpe particularmente para mim que, em meio \u00e0 infelicidade geral, sofri uma perda particular. (&#8230;) Fiquei muito perturbado com essa fatalidade (&#8230;).<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Leibniz a Damaris Cudworth Mashan, 10\/7\/1705, Klopp X, p.287-288).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m desses debates filos\u00f3ficos criados por Sophie Charlotte, podemos v\u00ea-la como algu\u00e9m que se preocupou com a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento na pr\u00e1tica. Ela tem um papel fundamental no projeto, primeiro, de um Observat\u00f3rio em Berlim e, depois, pelas conversas com Leibniz, na transforma\u00e7\u00e3o desse projeto em algo ainda mais grandioso: a cria\u00e7\u00e3o da Academia de Ci\u00eancias de Berlim, que existe at\u00e9 hoje.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O projeto de um Observat\u00f3rio era iniciativa de Sophie Charlotte, como Leibniz soube em 1697. A deriva\u00e7\u00e3o desse projeto para a cria\u00e7\u00e3o da Academia de Ci\u00eancias de Berlim foi a ocasi\u00e3o para o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o intensa e pr\u00f3xima entre Sophie Charlotte e Leibniz \u2013 que viajou in\u00fameras vezes para Berlim, a convite de Sophie Charlotte. Em 1700, finalmente, o ent\u00e3o Pr\u00edncipe Eleitor de Brandemburg aprova a funda\u00e7\u00e3o dessa Sociedade. Apenas em 11 de Julho de 1700 a Academia de Ci\u00eancias de Berlim foi oficialmente fundada, tendo Leibniz como seu presidente vital\u00edcio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A promo\u00e7\u00e3o de debates filos\u00f3ficos, n\u00e3o como uma audi\u00eancia passiva, mas como quem tem um interesse genu\u00edno em compreender alguns pontos, como a rela\u00e7\u00e3o entre os sentidos e os objetos externos, a infinita variedade de seres existentes e o princ\u00edpio de uniformidade, e certamente estabelecer concep\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias a respeito das discord\u00e2ncias entre Leibniz e Pierre Bayle, ou Leibniz e John Toland, pode ser vista como uma caracter\u00edstica marcante de Sophie Charlotte. Al\u00e9m disso, ela atuou de maneira pr\u00e1tica para a promo\u00e7\u00e3o do conhecimento na Pr\u00fassia, n\u00e3o apenas atrav\u00e9s desses debates com pensadores, cuja amizade compartilhava tamb\u00e9m com sua m\u00e3e, nos sal\u00f5es do castelo, mas principalmente com a cria\u00e7\u00e3o da Academia de Ci\u00eancias de Berlim. Em sua curta vida, Sophie Charlotte, a rainha-fil\u00f3sofa, legou \u00e0 Alemanha essa sociedade cient\u00edfica existente at\u00e9 hoje.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ELIAS, Norbert. A sociedade de corte: investiga\u00e7\u00e3o sobre a sociologia da realeza e da aristocracia de corte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">HOLBORN, Hajo. A History of Modern Germany. 1648-1840. New Jersey: Princeton University Press, 1982.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">LACERDA, Tessa. \u201cA imagina\u00e7\u00e3o no di\u00e1logo entre Leibniz e Sophie Charlotte\u201d, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cadernos Espinosanos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(USP), v. 42, p. 77-97, 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">LACERDA, Tessa. \u201cSophie Charlotte, the modern woman and the reason of reason\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">In <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">PEIXOTO, K.; LOPES, C.; PRICLADNITZKY, P. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Latin American Perspectives on Women Philosophers in Modern History<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 1. ed. Cham: Springer, v. 1., 184 p., 2022.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">LACERDA, Tessa. \u201cCorpo e pol\u00edtica: uma leitura sobre Elisabeth da Bo\u00eamia\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">In <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">AGGIO, Juliana; FAUSTINO, Silvia; ARA\u00daJO, Carolina e SOMBRA, Laurenio (orgs.) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fil\u00f3sofas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1. ed. Curitiba: Kotter Editorial, 2021. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">LEIBNIZ, G. W. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">In<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> KLOPP, Onno (ed.). (1873) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Die werke von Leibniz<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Hanover: Klindworth.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SHAPIRO, Lisa. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The correspondence between Princess Elisabeth of Bohemia and Ren\u00e9 Descartes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Chicago\/London: The University of Chicago Press, 2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SHAPIRO, Lisa. \u201cPrincess Elizabeth and Descartes: the union of soul and body and the practice of philosophy\u201d, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">British Journal for the History of Philosophy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 2008.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">STICKLAND, Lloyd. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Leibniz and Two Sophies: The Philosophical Correspondence. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Toronto: Iter Inc. Centre for Reformation and Renaissance Studies, 2011.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">STICKLAND, Lloyd. \u201cThe Philosophy of Sophie, Electress of Hanover\u201d, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hypatia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">vol. 24, no. 2, Spring 2009.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sophie Charlotte von Hannover; Sophia Charlotte;\u00a0 Sophie Charlotte von Brunswick-Luneberg;\u00a0 Sophie Charlotte von Brunswick-L\u00fcneberg (1668-1705) Tessa Moura Lacerda Professora de<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2302","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2302"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2331,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2302\/revisions\/2331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}