{"id":2407,"date":"2025-06-21T16:04:42","date_gmt":"2025-06-21T19:04:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2407"},"modified":"2025-06-23T13:02:42","modified_gmt":"2025-06-23T16:02:42","slug":"laureana-wright","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/laureana-wright\/","title":{"rendered":"Laureana Wright\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Laureana Wright\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>(1846-1896)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Teresa Rodr\u00edguez,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Instituto de Investigaciones Filos\u00f3ficas\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"https:\/\/www.filosoficas.unam.mx\/sitio\/teresa-rodriguez\"><span style=\"font-weight: 400\">CV<\/span><\/a><\/p>\n<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/06\/Laureana-Wright-PDF.docx.pdf\" class=\"pdfemb-viewer\" style=\"\" data-width=\"max\" data-height=\"max\" data-toolbar=\"bottom\" data-toolbar-fixed=\"off\">Laureana Wright - PDF<\/a>\n<figure id=\"attachment_2409\" aria-describedby=\"caption-attachment-2409\" style=\"width: 270px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2409\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/06\/unnamed-1-221x300.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/06\/unnamed-1-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/06\/unnamed-1.jpg 390w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2409\" class=\"wp-caption-text\">Imagem dispon\u00edvel em : https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Laureana_Wright_de_Kleinhans.JPG?uselang=es#Licencia<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Vida e contexto hist\u00f3rico<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Laureana Wright, poeta, jornalista, feminista e fil\u00f3sofa da educa\u00e7\u00e3o, nasceu em 4 de julho de 1846, em Taxco, no estado de Guerrero, M\u00e9xico, mas passou sua inf\u00e2ncia e vida adulta na Cidade do M\u00e9xico. Sua m\u00e3e era Eulalia Gonz\u00e1lez, mexicana de uma fam\u00edlia rica. Seu pai, Santiago Wright, um propriet\u00e1rio de mina estadunidense, foi o respons\u00e1vel por sua forma\u00e7\u00e3o intelectual. De acordo com Alvarado (2005, p. 14), ela recebeu uma cuidadosa educa\u00e7\u00e3o particular, que consistia em aprender ingl\u00eas e franc\u00eas e os &#8220;primeiros elementos do Iluminismo&#8221; (cf. Bola\u00f1os Cacho, em Murgu\u00eda,1888, p. 314). Por volta de 1865, escreve seus primeiros versos, marcados por seu patriotismo, uma caracter\u00edstica que manteve em alguns de seus outros poemas publicados (cf. Poetas Hispanoam\u00e9ricanos. M\u00e9xico. Primeira edi\u00e7\u00e3o: Bogot\u00e1, Casa Editorial de J. J. P\u00e9rez, 1889). De acordo com Cristina Devereaux, a poesia era o primeiro passo para a vida intelectual p\u00fablica no M\u00e9xico do s\u00e9culo XIX, tanto para homens quanto para mulheres. Em janeiro de 1868, ela se casou com Sebastian Kleinhans, de origem alsaciana. Ela teve uma filha, Margarita. Wright morreu em 22 de setembro de 1896, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de doen\u00e7as.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Laureana Wright defende filosoficamente a educa\u00e7\u00e3o como a via fundamental para a emancipa\u00e7\u00e3o feminina, enfatizando que a igualdade moral e intelectual entre homens e mulheres \u00e9 indiscut\u00edvel. Ela argumenta que somente por meio da participa\u00e7\u00e3o nas esferas educacional e profissional as mulheres poder\u00e3o alcan\u00e7ar a verdadeira liberdade e a justi\u00e7a social. E tudo isso durante o Porfiriato, o longo per\u00edodo da presid\u00eancia de Porfirio Diaz, entre 1876 e 1911.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Durante o Porfiriato, consolidou-se um discurso normativo sobre os pap\u00e9is de g\u00eanero, que atribu\u00eda \u00e0s mulheres um lugar subordinado na ordem social, com base em supostas diferen\u00e7as naturais, intelectuais e morais em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Esse discurso foi articulado em v\u00e1rias frentes &#8211; cient\u00edfica, jur\u00eddica, religiosa e pedag\u00f3gica &#8211; e resultou na promo\u00e7\u00e3o de um ideal feminino centrado na domesticidade, na obedi\u00eancia conjugal, na maternidade e na moralidade crist\u00e3. A figura do &#8220;anjo do lar&#8221;, disseminada na imprensa, na literatura de costumes e em algumas revistas femininas, tornou-se o modelo de feminilidade socialmente aceito (cf. Speckman 2004 e Devereaux 2015).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O sistema educacional porfiriano, embora promovesse a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria para ambos os sexos, diferenciava claramente o conte\u00fado e os objetivos da educa\u00e7\u00e3o feminina. As meninas eram preparadas para serem m\u00e3es, esposas e guardi\u00e3s do lar, por meio de mat\u00e9rias pr\u00e1ticas como costura, civilidade, religi\u00e3o e trabalho dom\u00e9stico. As mulheres de classe m\u00e9dia, na maioria das vezes, ingressavam na escola normal para se tornarem professoras, uma das poucas profiss\u00f5es reconhecidas como &#8220;naturais&#8221; para elas, juntamente com a enfermagem e a costura. O trabalho feminino remunerado fora de casa era admitido apenas como uma necessidade econ\u00f4mica e era tolerado desde que n\u00e3o implicasse uma transgress\u00e3o moral ou uma amea\u00e7a \u00e0 ordem familiar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em n\u00edvel legal, o C\u00f3digo Civil e outras disposi\u00e7\u00f5es legais refletiam a hierarquia entre os c\u00f4njuges. A mulher casada estava sujeita ao marido. Embora o div\u00f3rcio por motivos graves tenha sido introduzido, o casamento continuou sendo uma institui\u00e7\u00e3o desigual. Um exemplo eloquente \u00e9 a &#8220;Epistola de Melchor Ocampo&#8221;, leitura obrigat\u00f3ria nas cerim\u00f4nias de casamento civil, que enunciava a obedi\u00eancia feminina como um dever natural e divino, frente ao dever masculino de prote\u00e7\u00e3o (cf. Garc\u00eda Pe\u00f1a 2001).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entretanto, esses discursos normativos foram contestados por v\u00e1rios setores. Nos setores populares, a crescente industrializa\u00e7\u00e3o atraiu as mulheres para o trabalho nas f\u00e1bricas, especialmente nas ind\u00fastrias t\u00eaxtil e de tabaco. Em algumas f\u00e1bricas, havia a figura do leitor em voz alta, que permitia algum acesso a leituras formativas e materiais impressos. Esse contexto deu origem a uma incipiente consci\u00eancia de classe entre as mulheres trabalhadoras, algumas das quais, como Juana Bel\u00e9n Guti\u00e9rrez de Mendoza, envolveram-se em lutas sociais a partir de uma perspectiva cr\u00edtica da ordem patriarcal de domina\u00e7\u00e3o (Devereaux, 2015).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em outros setores sociais, como as classes m\u00e9dia e alta, algumas mulheres tinham acesso a seus pr\u00f3prios meios de express\u00e3o, como revistas escritas por elas e para elas. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Violetas del An\u00e1huac<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, dirigida por Laureana Wright, \u00e9 o exemplo mais not\u00e1vel desse esfor\u00e7o de express\u00e3o. Wright tamb\u00e9m deu in\u00edcio a uma genealogia de mulheres mexicanas ilustres em sua obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mujeres notables mexicanas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mulheres not\u00e1veis mexicanas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], como uma estrat\u00e9gia para legitimar a presen\u00e7a feminina na hist\u00f3ria nacional, e defendeu a educa\u00e7\u00e3o das mulheres, sua capacidade intelectual e seu direito de participar da vida p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><b>Obra<\/b><\/p>\n<p><b>1. Literatura, jornalismo e hist\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apreciada pelos mais renomados c\u00edrculos culturais e liter\u00e1rios do M\u00e9xico do s\u00e9culo XIX, Wright foi membro ou membro honor\u00e1rio das sociedades &#8220;Netzahualcoyotl&#8221;, &#8220;El Provenir&#8221;, &#8220;Liceo Hidalgo&#8221; e &#8220;Liceo Altamirano&#8221;. Isso supunha uma reconhecimento p\u00fablico como escritora de prosa e verso, de acordo com Bola\u00f1o. Seus artigos foram publicados na maioria dos jornais do M\u00e9xico. Seu seman\u00e1rio feminista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Violetas del An\u00e1huac<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> se destaca entre as publica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca. Ele foi editado por Wright e, posteriormente, por Mateana Murgu\u00eda. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Violetas del An\u00e1huac <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">come\u00e7ou a ser publicado em dezembro de 1887, mas foi em janeiro de 1888 que apareceu com esse nome (antes era intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Las Hijas del An\u00e1huac<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">As filhas do An\u00e1huac]<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">). Era um jornal liter\u00e1rio, &#8220;escrito por senhoras&#8221;, no qual Laureana Wright atuava como diretora liter\u00e1ria, publicado todos os domingos. Foi subsidiado pelo governo. De acordo com Alvarado, o seman\u00e1rio &#8220;manteve a posi\u00e7\u00e3o ambivalente de seus predecessores, sempre oscilando entre preservar ou transformar o estere\u00f3tipo feminino, manteve uma linha editorial muito mais coerente e progressista do que outras publica\u00e7\u00f5es relacionadas&#8221; (Alvarado, 2005, p. 20). Por meio de seus v\u00e1rios artigos, o seman\u00e1rio questionava &#8220;o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">modus vivendi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> das mulheres mexicanas, propondo, quase obsessivamente, a educa\u00e7\u00e3o feminina como o \u00fanico ve\u00edculo para a transforma\u00e7\u00e3o desejada&#8221; (Idem, p. 20).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com Bola\u00f1o (seu contempor\u00e2neo e bi\u00f3grafo), &#8220;Laureana se distingue em seus escritos por suas ideias altamente progressistas e liberais, por suas caracter\u00edsticas muito ousadas e por suas conclus\u00f5es filos\u00f3ficas; qualidades que, se em um homem s\u00e3o plaus\u00edveis, em uma mulher s\u00e3o suficientes para torn\u00e1-la grande&#8221; (Bola\u00f1os Cacho, em Murgu\u00eda 1888, p. 314). Al\u00e9m de sua atividade liter\u00e1ria e jornal\u00edstica, ela esteve envolvida nos movimentos ma\u00e7\u00f4nico e esp\u00edrita no M\u00e9xico do s\u00e9culo XIX. Seu trabalho tamb\u00e9m se estendeu \u00e0 hist\u00f3ria das mulheres. Laureana Wright trabalhou em uma s\u00e9rie de biografias de mulheres mexicanas intitulada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mujeres notables mexicanas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Algumas foram publicadas em seu seman\u00e1rio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Violetas del An\u00e1huac<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Outras foram escritas especificamente para o livro publicado postumamente em 1910. Um total de 116 mulheres est\u00e1 listado em quatro t\u00edtulos que correspondem mais ou menos \u00e0 ordem cronol\u00f3gica (distribu\u00eddos da seguinte forma: 30 mulheres pr\u00e9-hisp\u00e2nicas, 27 do per\u00edodo colonial, 17 do per\u00edodo da independ\u00eancia e 42 contempor\u00e2neas a Wright). Entre elas, Sor Juana In\u00e9s \u00e9 um dos poucos nomes reconhecidos. Outra \u00e9 Carmen Romero Rubio de D\u00edaz, esposa do ent\u00e3o presidente do M\u00e9xico, Porfirio D\u00edaz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O objetivo da obra, de acordo com Wright, \u00e9 o seguinte: &#8220;fi\u00e9is ao nosso programa de tornar todas as mulheres mexicanas contempor\u00e2neas not\u00e1veis conhecidas por nossos compatriotas, para que se possa honrar e imitar seu glorioso exemplo, sentimos a necessidade de usar o direito que nossa qualidade de cronistas nos confere&#8221; (em Monges, 1997, p. 358). Graciela Monges afirma: &#8220;isso torna expl\u00edcito que a obra foi escrita por uma mulher para outras mulheres, com o objetivo de \u2018honrar e imitar\u2019 esses exemplos e mostrar o que as mulheres podem alcan\u00e7ar&#8221; (Idem, p.358). De acordo com Devereaux, ao escrever as biografias, Wright pretendia neutralizar a desigualdade de g\u00eanero que ela via na hist\u00f3ria do M\u00e9xico escrita por seus contempor\u00e2neos, na qual as mulheres n\u00e3o estavam presentes. Para tanto, ela n\u00e3o hesitou em realizar pesquisas de arquivo que lhe permitiriam combater o apagamento hist\u00f3rico das mulheres:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Se, a fim de alcan\u00e7ar nosso objetivo de exaltar nosso sexo por seus feitos, tiv\u00e9ssemos nos limitado \u00e0s cr\u00f4nicas oficiais nesta, como em outras \u00e9pocas, n\u00e3o ter\u00edamos obtido nada; pois, infelizmente, a hist\u00f3ria de nossa p\u00e1tria, \u00e0s vezes omitida, \u00e0s vezes negligenciada, e mais geralmente tornada superficial e resumida, especialmente quando se trata dos feitos c\u00edvicos que as mulheres, embora privadas do direito de cidadania, realizaram; nossa hist\u00f3ria, dizemos, quase como regra geral, mal menciona tais feitos, se n\u00e3o os silencia completamente <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Wright, 1910, p. 273).<\/span><\/p>\n<p><b>2. Teoria da educa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O \u00edmpeto pela educa\u00e7\u00e3o encontrado em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Violetas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 consistente com dois outros ensaios de Wright: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La emancipaci\u00f3n de la mujer por medio del est\u00fadio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (A emancipa\u00e7\u00e3o da mulher pelo estudo) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Educaci\u00f3n err\u00f3nea de la mujer y medios pr\u00e1cticos paa corregirla<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (A educa\u00e7\u00e3o err\u00f4nea da mulher e os meios pr\u00e1ticos de corrigi-la). O primeiro foi publicado em 1891 (Imprenta Nueva) e o segundo, um ano depois. De acordo com Alvarado, ela pode ser considerada, com base nesses ensaios, como uma te\u00f3rica da educa\u00e7\u00e3o feminina. Os ensaios s\u00e3o &#8220;os primeiros do g\u00eanero escritos por uma mexicana&#8221; (Alvarado 2005, p. 22). Neles, ela argumenta que homens e mulheres possuem a mesma capacidade intelectual e que, portanto, as mulheres podem estudar e exercer qualquer profiss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A seguir, concentro-me em seus trabalhos publicados que refletem sua posi\u00e7\u00e3o sobre a educa\u00e7\u00e3o da mulher mexicana. Nesse sentido, suas ideias sobre a igualdade entre os sexos e a educa\u00e7\u00e3o das mulheres constituem um campo pioneiro na reflex\u00e3o filos\u00f3fica mexicana que s\u00f3 recentemente foi reconhecido e est\u00e1 come\u00e7ando a ser estudado.<\/span><\/p>\n<p><b>2.1. <\/b><b><i>A emancipa\u00e7\u00e3o da mulher por meio do estudo<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em seu ensaio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La emancipaci\u00f3n de la mujer por medio del estudio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Laureana Wright analisa a situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das mulheres e prop\u00f5e a educa\u00e7\u00e3o como o caminho para sua emancipa\u00e7\u00e3o. Na primeira parte, ela descreve como a opress\u00e3o das mulheres existe desde a antiguidade, apoiada tanto em mitologias quanto na interpreta\u00e7\u00e3o de textos religiosos:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Depois que o homem encontrou maneiras de transmitir seu pensamento \u00e0 posteridade, todas as tradi\u00e7\u00f5es dos povos atribuem \u00e0 mulher uma origem inferior ou derivada da do homem. Sem ir muito longe, temos duas das mais conhecidas: a mitologia, que dominou a civiliza\u00e7\u00e3o antiga, e a B\u00edblia, que dominou a civiliza\u00e7\u00e3o moderna. A primeira, depois de apresentar Pandora criada pelos deuses de segunda ordem, faz recair sobre ela a culpa de todos os males disseminados sobre a terra, porque ela teve a curiosidade fatal de abrir a caixa trai\u00e7oeira que lhe foi dada por J\u00fapiter. A segunda d\u00e1 \u00e0 mulher uma origem mais grosseira e humilhante, negando-lhe at\u00e9 mesmo a terra, a m\u00e3e comum de todos os produtos animados ou inanimados do globo; fazendo-a brotar do pr\u00f3prio corpo do homem que ela deveria criar, de quem deveria ser\u00a0 m\u00e3e e que, sem ela, n\u00e3o poderia existir de forma alguma no futuro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Wright, 2005, p. 38).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wright nega qualquer base leg\u00edtima para essa domina\u00e7\u00e3o, argumentando que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a moral ou intelectual entre homens e mulheres, mas uma imposi\u00e7\u00e3o baseada na for\u00e7a e na nega\u00e7\u00e3o de direitos. Essa situa\u00e7\u00e3o foi perpetuada pela falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, que condenou as mulheres a uma vida de obedi\u00eancia ao pai ou ao marido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Destaca-se a influ\u00eancia dos intelectuais franceses no pensamento de Wright, como Michelet, Girardin e Pelletan, que, segundo ela, defendem a igualdade da mulher. Ela argumenta que a emancipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o busca ocupar espa\u00e7os masculinos, como o militar, mas obter acesso \u00e0 esfera intelectual. Ela rejeita a ideia de que diferen\u00e7as anat\u00f4micas impliquem desigualdade intelectual. Para sustentar seu argumento, menciona exemplos de mulheres not\u00e1veis, como Sor Juana In\u00e9s de la Cruz, Safo e Teresa de Jesus, e destaca o papel das mulheres no poder, como Isabela de Castela, demonstrando que, em igualdade de condi\u00e7\u00f5es, elas n\u00e3o s\u00e3o inferiores aos homens. Ela tamb\u00e9m destaca a participa\u00e7\u00e3o das mulheres em lutas sociais, como a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, para demonstrar seu compromisso com a justi\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na segunda parte, Wright refuta tr\u00eas obje\u00e7\u00f5es comuns levantadas pelos homens contra a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres. A primeira \u00e9 que a mulher, como o pilar da fam\u00edlia, deve viver sob a vigil\u00e2ncia do homem para garantir a moralidade e a ordem &#8220;porque suas falhas s\u00e3o de graves consequ\u00eancias no lar, j\u00e1 que ela pode levar sua trai\u00e7\u00e3o t\u00e3o longe a ponto de fazer com que o marido enganado d\u00ea seu nome a um estranho e coloque o beijo paterno na testa da crian\u00e7a esp\u00faria, simbolizando sua desonra&#8221; (Idem, p. 51). Wright argumenta que a conduta feminina deve ser regida por sua pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o, o que lhe dar\u00e1 dignidade e autonomia moral:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">A isso responderemos que, se o homem de hoje pode se contentar em desempenhar o papel de carcereiro no casamento, se ele se satisfaz com a posse de um corpo aut\u00f4mato e uma intelig\u00eancia morta, e se ele julga a mulher incapaz de guardar e preservar sua honra ilesa, ele fez mal em abolir o sistema de trancas e grades, pois com elas ele poderia evitar uma tarefa t\u00e3o dolorosa e degradante. Se, ao contr\u00e1rio, ele aspira possuir uma alma que o compreenda e um cora\u00e7\u00e3o que o ame, deve considerar que a tutela da mulher n\u00e3o \u00e9 melhor desempenhada por ningu\u00e9m al\u00e9m dela mesma; que sua conduta depende da educa\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 dada e da dignidade, do conhecimento e da moral que lhe s\u00e3o incutidos; que nunca seria a opress\u00e3o e a ignor\u00e2ncia que lhe mostrariam o caminho para sua pr\u00f3pria perfectibilidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Idem).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A segunda obje\u00e7\u00e3o \u00e9 o medo de que as mulheres percam seu charme ou pare\u00e7am rid\u00edculas em profiss\u00f5es consideradas masculinas, como medicina ou direito. Wright afirma que essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 algo passageiro e que, com o tempo, a presen\u00e7a das mulheres nesses campos ser\u00e1 aceita como normal, assim como outros avan\u00e7os que foram inicialmente rejeitados. A terceira obje\u00e7\u00e3o argumenta que as mulheres n\u00e3o querem a emancipa\u00e7\u00e3o, o que Wright compara \u00e0 resist\u00eancia inicial dos homens aos movimentos de independ\u00eancia e liberdade na Europa e na Am\u00e9rica. Ela argumenta que o desejo de emancipa\u00e7\u00e3o surge do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e da vontade de superar os obst\u00e1culos impostos pela sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para concluir, Wright comemora os avan\u00e7os no M\u00e9xico, destacando mulheres como Matilde Montoya e Luc\u00eda Tagle, que romperam barreiras ao ingressar na Faculdade de Medicina e na Escola de Com\u00e9rcio, respectivamente. Ela argumenta que somente por meio do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e da participa\u00e7\u00e3o na esfera profissional as mulheres podem alcan\u00e7ar a igualdade e a justi\u00e7a social, reivindicando assim seus direitos e sua dignidade:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">[&#8230;] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">somente quando a mulher estiver em p\u00e9 de igualdade com o homem em termos de conhecimento \u00e9 que ela poder\u00e1 erguer sua voz, at\u00e9 hoje desautorizada, e dizer a ele: &#8220;Eu exijo de voc\u00ea minha reivindica\u00e7\u00e3o social e civil; eu exijo de voc\u00ea meus direitos naturais de cuidar de mim mesma e de meus principais deveres, que s\u00e3o os da fam\u00edlia, de cuja educa\u00e7\u00e3o, dirigida por mim, depende a s\u00f3lida cultura das gera\u00e7\u00f5es futuras. Conhe\u00e7o o lugar que devo ocupar; n\u00e3o sou a escrava, mas sim a lideran\u00e7a da humanidade. Em suma, como pai, voc\u00ea deve dar a mim a mesma educa\u00e7\u00e3o que a meus irm\u00e3os; como marido, a igualdade de poder que, em todos os aspectos, me corresponde<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">&#8221; (Idem, p. 59).<\/span><\/p>\n<p><b>2.2. <\/b><b><i>Educa\u00e7\u00e3o err\u00f4nea das mulheres e meios pr\u00e1ticos para corrigi-la<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ensaio \u00e9 dividido em 22 cap\u00edtulos nos quais Wright apresenta, como Eug\u00e8ne Pelletan em sua obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La madre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A m\u00e3e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] (publicada na Fran\u00e7a em 1865 e traduzida para o espanhol em 1875 por Mariano Blanch em Barcelona), v\u00e1rios modelos de mulheres. No primeiro cap\u00edtulo, intitulado &#8220;La mujer contempor\u00e1nea&#8221; [A mulher contempor\u00e2nea], ele relata os avan\u00e7os que o s\u00e9culo XIX proporcionou \u00e0s mulheres, mas estabelece que a \u00fanica maneira de alcan\u00e7ar a verdadeira igualdade com os homens \u00e9 por meio da educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 qual elas t\u00eam direito. Um direito que deve ser exigido. As acusa\u00e7\u00f5es \u00e0s mulheres de que s\u00e3o incapazes do esclarecimento ou s\u00e3o retr\u00f3gradas n\u00e3o se devem \u00e0 sua natureza intelectual, mas a v\u00edcios em sua educa\u00e7\u00e3o, que Wright descreve nos doze cap\u00edtulos seguintes. Ali, ela apresenta uma s\u00e9rie de pequenas hist\u00f3rias que adaptam a obra de Pelletan e retratam mulheres infelizes por causa de uma educa\u00e7\u00e3o ausente ou deficiente: a mulher ignorante, indolente, atrabili\u00e1ria, contraproducente, inexperiente, fan\u00e1tica, indulgente, presun\u00e7osa, fr\u00edvola, namoradeira ou t\u00edmida \u00e9 contrastada com a mulher esclarecida, dom\u00e9stica, digna, a esposa, a m\u00e3e, a artista e artes\u00e3, a cientista e, finalmente, a mulher perfeita. Este ensaio termina com dois cap\u00edtulos dedicados \u00e0 leitura e aos livros, as chaves para a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher. De acordo com Wright:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Est\u00e1 reservado \u00e0 mulher contempor\u00e2nea provar que nosso sexo n\u00e3o \u00e9, como comumente se acredita, nem incapaz de receber o esclarecimento que lhe \u00e9 transmitido nem refrat\u00e1rio ao progresso, mas sofre de uma infinidade de v\u00edcios de educa\u00e7\u00e3o, que tentarei analisar na medida do poss\u00edvel em outros cap\u00edtulos, e que s\u00e3o apenas a prole do pouco cultivo que at\u00e9 agora foi concedido \u00e0 sua intelig\u00eancia. As institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas libertaram ostensivamente as mulheres; na pr\u00e1tica, elas s\u00f3 podem ser libertadas pelas institui\u00e7\u00f5es \u00edntimas do lar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Wright, 2005, p. 63).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na concep\u00e7\u00e3o de Laureana Wright, a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres anda de m\u00e3os dadas com seu prop\u00f3sito ou miss\u00e3o na sociedade. Com rela\u00e7\u00e3o a essa posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um v\u00ednculo com o romantismo social que surgiu na Fran\u00e7a anos antes. O romantismo social \u00e9 uma corrente caracterizada pela vis\u00e3o de que a igualdade entre os dois sexos deve ser completa, entretanto isso anda de m\u00e3os dadas com a concep\u00e7\u00e3o do papel das mulheres como redentoras da humanidade por meio de suas inclina\u00e7\u00f5es sentimentais. Por exemplo, Saint-Simon e seus seguidores reconhecem a mulher em todos os cargos e dignidades, idealizando-a como figura-chave na transforma\u00e7\u00e3o moral, especificamente como &#8220;M\u00e3e&#8221;. Autores como Pelletan mostram uma contradi\u00e7\u00e3o: embora se admita a igualdade entre homens e mulheres, considera-se que a educa\u00e7\u00e3o feminina deve se concentrar no fortalecimento dessas fun\u00e7\u00f5es familiares e na garantia de sua independ\u00eancia econ\u00f4mica em casos de abandono ou viuvez.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em &#8220;<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La mujer atrabiliaria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">&#8221; [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A mulher atrabili\u00e1ria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] Wright retorna a essa contradi\u00e7\u00e3o entre natureza e educa\u00e7\u00e3o, que ela parece herdar do romantismo social. Por um lado, n\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a anat\u00f4mica que justifique a distin\u00e7\u00e3o entre as capacidades de homens e mulheres; por outro lado, Wright afirma que\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">a mulher, mais do que o homem, tem em si as faculdades de sutileza, perseveran\u00e7a e abnega\u00e7\u00e3o, que lhe d\u00e3o a propens\u00e3o de levar suas paix\u00f5es e sentimentos ao m\u00e1ximo. \u00c9 por isso que t\u00e3o frequentemente a vemos quase exagerar em qualquer caminho que siga, e por isso acalentamos a firme esperan\u00e7a de que, no dia em que ela for emancipada do obscurantismo em que geralmente vegeta, no dia em que receber uma educa\u00e7\u00e3o perfeita, ela levar\u00e1 ao exagero o que \u00e9 ben\u00e9fico em todos os sentidos, como at\u00e9 agora levou ao exagero o que \u00e9 prejudicial<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Idem, p. 71).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para remediar essa situa\u00e7\u00e3o, Wright prop\u00f5e, em primeiro lugar, uma educa\u00e7\u00e3o baseada na raz\u00e3o que a liberte de sua condi\u00e7\u00e3o de serva e a eleve &#8220;<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ao posto de soberana na miss\u00e3o comum de esposa e m\u00e3e que a natureza lhe atribuiu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">&#8221; (Idem, p. 95). Com isso, ela estaria no mesmo n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o e liberdade que o homem com quem estabeleceria &#8220;a<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> igualdade e a harmonia no casamento<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">&#8221; (Idem).\u00a0 Al\u00e9m disso, a educa\u00e7\u00e3o a capacitar\u00e1 a exercer qualquer profiss\u00e3o para que ela possa ser economicamente independente &#8220;<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sem a necessidade de apelar para o casamento como \u00fanico meio de subsist\u00eancia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">&#8221; (Idem).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora existam v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es para a chamada &#8220;ontologia contradit\u00f3ria&#8221; de Wright (a posi\u00e7\u00e3o de que a mulher \u00e9 igual ao homem, mas ao mesmo tempo seu papel principal \u00e9 o de esposa e m\u00e3e), por exemplo, Devereaux se refere \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria como mesti\u00e7a &#8211; sempre entre dois mundos, o da Europa e o do M\u00e9xico, o da conquista espanhola e o dos astecas, o da intelectual p\u00fablica e o da dona de casa &#8211; \u00e9 poss\u00edvel explicar suas contradi\u00e7\u00f5es por meio de uma rede de interlocu\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica pr\u00f3xima ao romantismo social franc\u00eas. Isso implica que Wright adere a uma ampla rede te\u00f3rica com a qual ela tenta refutar seus contempor\u00e2neos que se op\u00f5em \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o feminina.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em suma, Laureana Wright foi uma importante escritora e jornalista mexicana do s\u00e9culo XIX, cuja obra reflete uma postura filos\u00f3fica progressista para sua \u00e9poca e local de resid\u00eancia. Sua participa\u00e7\u00e3o em c\u00edrculos culturais e liter\u00e1rios reconhecidos, bem como em publica\u00e7\u00f5es, demonstra seu compromisso com a emancipa\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o das mulheres. Em seus textos, ela defendeu a igualdade intelectual entre homens e mulheres e argumentou que a opress\u00e3o feminina era resultado de uma educa\u00e7\u00e3o deficiente, e n\u00e3o de uma incapacidade natural.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Seu jornal semanal &#8220;Violetas del An\u00e1huac&#8221;, dirigido em colabora\u00e7\u00e3o com outras mulheres, promoveu a educa\u00e7\u00e3o das mulheres como uma ferramenta fundamental para a transforma\u00e7\u00e3o social. Wright abordou o papel das mulheres na sociedade e a necessidade de uma educa\u00e7\u00e3o racional para sua emancipa\u00e7\u00e3o, inspirada pelo &#8220;romantismo social&#8221; europeu, especialmente pela obra de Eug\u00e8ne Pelletan.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wright se posicionou como uma te\u00f3rica da educa\u00e7\u00e3o feminina, argumentando que a libera\u00e7\u00e3o das mulheres deveria se basear em seu desenvolvimento intelectual e no reconhecimento de sua igualdade quanto \u00e0s capacidades. Ela defendeu um equil\u00edbrio entre a vida dom\u00e9stica e a independ\u00eancia profissional, buscando uma transforma\u00e7\u00e3o social na qual as mulheres seriam as protagonistas de seu pr\u00f3prio destino.<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p><b>Obras:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wright, L., y L. Alvarado. (2005) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Educaci\u00f3n y superaci\u00f3n femenina en el siglo XIX: dos ensayos de Laureana Wright<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. M\u00e9xico: UNAM, 2005. Versi\u00f3n pdf: <\/span><a href=\"https:\/\/www.iisue.unam.mx\/publicaciones\/libros\/educacion-y-superacion-femenina-en-el-siglo-xix-dos-ensayos-de-laureana-wright\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.iisue.unam.mx\/publicaciones\/libros\/educacion-y-superacion-femenina-en-el-siglo-xix-dos-ensayos-de-laureana-wright<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wright, L. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mujeres Notables Mexicanas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. M\u00e9xico (1910). Acceso en 4 de diciembre de 2023. <\/span><a href=\"https:\/\/mexicana.cultura.gob.mx\/en\/repositorio\/detalle?id=_suri:DGB:TransObject:5bce59897a8a0222ef15e606\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/mexicana.cultura.gob.mx\/en\/repositorio\/detalle?id=_suri:DGB:TransObject:5bce59897a8a0222ef15e606<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><b>Literatura secundaria:<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Devereaux Ram\u00edrez, C. (2015). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Occupying Our Space. The Mestiza Rhetorics of Mexican Women Journalists and Activists<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1875-1942. Phoenix: The University of Arizona Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Garc\u00eda Pe\u00f1a, A. L. (2001).\u00a0 \u201cEl dep\u00f3sito de las esposas. Aproximaciones a una historia jur\u00eddico-social\u201d en Cano G. y G. Jos\u00e9 Valenzuela, coords. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cuatro estudios de g\u00e9nero en el M\u00e9xico urbano del siglo\u00a0XIX. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e9xico: Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico, Programa Universitario de Estudios de G\u00e9nero-Miguel \u00c1ngel Porr\u00faa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hern\u00e1ndez Aquino, G. (2014). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La idea de lo femenino en M\u00e9xico en el Siglo XIX<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Disertaci\u00f3n de Maestr\u00eda, Facultad de Filosof\u00eda y Letras, UNAM. <\/span><a href=\"https:\/\/ru.dgb.unam.mx\/handle\/20.500.14330\/TES01000709602\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/ru.dgb.unam.mx\/handle\/20.500.14330\/TES01000709602<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acceso en 19 de marzo de 2024<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Infante Vargas<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, L. (2001).\u00a0 \u201cIgualdad intelectual y g\u00e9nero en Violetas del An\u00e1huac. Peri\u00f3dico literario redactado por se\u00f1oras, 1887-1889\u201d en Cano G. y G. Jos\u00e9 Valenzuela, coords. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cuatro estudios de g\u00e9nero en el M\u00e9xico urbano del siglo\u00a0XIX. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e9xico: Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico, Programa Universitario de Estudios de G\u00e9nero-Miguel \u00c1ngel Porr\u00faa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Murgu\u00eda de Aveleyra, M .&#8221;Laureana Wright de Kleinhans&#8221;, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Violetas del Anahuac<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Mexico, June 10, 1888: 314-315 <\/span><a href=\"https:\/\/hndm.iib.unam.mx\/consulta\/publicacion\/visualizar\/558075bf7d1e63c9fea1a484?pagina=558a32d17d1ed64f168b5992&amp;palabras=VIOLETAS%3Banahuac&amp;anio=1888&amp;mes=06&amp;dia=10&amp;coleccion=\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/hndm.iib.unam.mx\/consulta\/publicacion\/visualizar\/558075bf7d1e63c9fea1a484?pagina=558a32d17d1ed64f168b5992&amp;palabras=VIOLETAS%3Banahuac&amp;anio=1888&amp;mes=06&amp;dia=10&amp;coleccion=<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Monges, G. (1997).\u00a0 \u201cEl g\u00e9nero biogr\u00e1fico en Mujeres notables mexicanas de Laureana Wright de Kleinhans\u201d. En <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Las voces olvidadas: antolog\u00eda cr\u00edtica de narradoras mexicanas nacidas en el siglo XIX<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Edited by Domenella, Ana Rosa, y Nora Pasternac, 357-78. M\u00e9xico: El Colegio de M\u00e9xico, 1997. <\/span><a href=\"https:\/\/muse.jhu.edu\/pub\/320\/oa_edited_volume\/chapter\/2572947\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/muse.jhu.edu\/pub\/320\/oa_edited_volume\/chapter\/2572947<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pelletan, E. (1875). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La madre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Barcelona: Mir\u00f3 y Comp.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">P\u00e9rez, L.M.\u00a0\u00a0and J. Rivas Groot. (1889). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Poetas Hispano-Americanos.\u00a0M\u00e9xico: entrega primera<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Bogot\u00e1:\u00a0Casa Editorial\u00a0de\u00a0J. J.\u00a0P\u00e9rez.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Picard, R. (1947). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">El Romanticismo Social<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Mexico: FCE.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Speckman Guerra, E. (2004). \u201cGabriela Cano y Georgette Jos\u00e9 Valenzuela (coordinadoras), Cuatro estudios de g\u00e9nero en el M\u00e9xico urbano del siglo XIX\u201d.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Estudios de Historia Moderna y Contempor\u00e1nea de M\u00e9xico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 28, 28, pp. 227-235 DOI:https:\/\/doi.org\/10.22201\/iih.24485004e.2004.028.3107.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<p class=\" has-text-align-right eplus-wrapper\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Carolina Ara\u00fajo<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laureana Wright\u00a0 (1846-1896) Teresa Rodr\u00edguez, Instituto de Investigaciones Filos\u00f3ficas\u00a0 Universidad Nacional Aut\u00f3noma de M\u00e9xico CV Vida e contexto hist\u00f3rico Laureana<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2407","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2407"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2407\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2424,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2407\/revisions\/2424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}