{"id":2444,"date":"2025-07-17T22:53:47","date_gmt":"2025-07-18T01:53:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2444"},"modified":"2025-07-23T17:18:41","modified_gmt":"2025-07-23T20:18:41","slug":"wendy-brown","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wendy-brown\/","title":{"rendered":"Wendy Brown"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Wendy Brown<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>(1955-)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Franciele Bete Petry,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Professora do Departamento e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da UFSC<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4256510457136696\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/07\/PDF-Wendy-Brown.docx-1.pdf\">Wendy Brown &#8211; PDF<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_2445\" aria-describedby=\"caption-attachment-2445\" style=\"width: 253px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2445\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/07\/unnamed-223x300.jpg\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/07\/unnamed-223x300.jpg 223w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/07\/unnamed-500x673.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/07\/unnamed.jpg 505w\" sizes=\"(max-width: 253px) 100vw, 253px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2445\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wendy Brown \u00e9 uma renomada intelectual norte-americana da Teoria Pol\u00edtica. Brown \u00e9 Professora Em\u00e9rita de Ci\u00eancia Pol\u00edtica na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, e atuou como Professora Visitante em v\u00e1rias universidades nos Estados Unidos, al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es na Europa e em \u00c1frica. Nascida no ano de 1955 na Calif\u00f3rnia, Brown formou-se em Economia e Pol\u00edtica em 1977, pela Universidade da Calif\u00f3rnia, Santa Cruz, e obteve seu doutorado em Filosofia Pol\u00edtica, em 1983, pela Universidade de Princeton. Antes de se tornar Professora em Berkeley, Brown atuou na Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Cruz e no Williams College. Ap\u00f3s sua aposentadoria, passou a atuar como Professora da \u201cUPS Foundation\u201d no Instituto de Estudos Avan\u00e7ados, em Princeton. Brown recebeu diversos pr\u00eamios e, em 2021, foi contemplada com a honraria \u201cThe Berkeley Citation\u201d, a mais alta concedida pela Universidade da Calif\u00f3rnia, Berkeley.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Traduzida para mais de vinte idiomas, a obra de Brown tem sido fundamental nas discuss\u00f5es sobre a pol\u00edtica contempor\u00e2nea. Destacam-se na sua trajet\u00f3ria intelectual as obras <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">States of Injury: Power and Freedom in Late Modernity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Estados de dano: poder e liberdade na modernidade tardia] (1995), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Regulating Aversion: Tolerance in the Age of Identity and Empire<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Regulando a avers\u00e3o: toler\u00e2ncia na era da identidade e do imp\u00e9rio]\u00a0 (2006), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Walled States, Waning Sovereignty<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Estados murados, soberania em decl\u00ednio<\/span><span style=\"font-weight: 400\">] (2010), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos: Neoliberalism\u2019s Stealth Revolution<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Desfazendo o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: a revolu\u00e7\u00e3o silenciosa do neoliberalismo] (2015), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">In the Ruins of Neoliberalism: \u00a0The Rise of Anti-Democratic Politics in the West<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo: a ascens\u00e3o da pol\u00edtica antidemocr\u00e1tica no Ocidente<\/span><span style=\"font-weight: 400\">]<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(2019) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihilistic Times: Thinking with Max Weber<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Tempos niilistas: pensando com Max Weber] (2023). <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m de suas publica\u00e7\u00f5es na forma de livros e artigos, Brown, como intelectual p\u00fablica, tem uma participa\u00e7\u00e3o ativa nos debates atuais por meio de entrevistas e confer\u00eancias, as quais marcam sua presen\u00e7a tamb\u00e9m nas m\u00eddias digitais. Al\u00e9m disso, Brown \u00e9 reconhecida por seu ativismo, especialmente, em defesa da universidade p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar da relev\u00e2ncia das discuss\u00f5es promovidas por Brown, apenas dois de seus livros foram traduzidos e publicados no Brasil at\u00e9 o presente momento: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo: a ascens\u00e3o da pol\u00edtica antidemocr\u00e1tica no Ocidente<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2019) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Estados murados, soberania em decl\u00ednio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2023). A aus\u00eancia de tradu\u00e7\u00f5es de grande parte de sua obra representa um obst\u00e1culo ao aprofundamento do debate no Brasil, especialmente na Teoria Cr\u00edtica e em \u00e1reas como o Direito e a Educa\u00e7\u00e3o, onde suas ideias ressoam fortemente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>1. Percurso te\u00f3rico<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O percurso te\u00f3rico de Wendy Brown, desde o final da d\u00e9cada de 1980, quando publica seu primeiro livro, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Manhood and Politics: A Feminist Reading in Political Theory<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Masculinidade e Pol\u00edtica: Uma Leitura Feminista da Teoria Pol\u00edtica] (1988), at\u00e9 o presente, \u00e9 marcado por uma preocupa\u00e7\u00e3o em compreender os processos que constituem a sociedade contempor\u00e2nea. Por isso, \u00e9 poss\u00edvel observar em sua trajet\u00f3ria intelectual uma abertura te\u00f3rica que se expressa tanto no di\u00e1logo com diferentes autores e autoras quanto na reformula\u00e7\u00e3o e refinamento de seus diagn\u00f3sticos. Tal abertura pode ser explicada, em parte, pelo fato de Brown se vincular \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da Teoria Cr\u00edtica, que, segundo ela, \u201c[&#8230;] submete \u00e0 cr\u00edtica tanto as abordagens e normas das disciplinas tradicionais quanto os poderes e normas que organizam nossa vida\u201d e busca compreender o mundo, examinando criticamente as \u201c[&#8230;] premissas e os poderes que est\u00e3o circulando no conhecimento e nas pr\u00e1ticas humanas existentes\u201d (Brown, 2017, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o trabalho de Brown ganhou destaque por sua contribui\u00e7\u00e3o ao debate sobre o neoliberalismo. Em 2015, a autora publicou o livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0[Desfazendo o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, no qual o neoliberalismo \u00e9 apresentado como uma racionalidade pol\u00edtica por meio de uma reflex\u00e3o conduzida em estreito di\u00e1logo com a heran\u00e7a foucaultiana. Depois, em 2019, veio \u00e0 p\u00fablico a obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a qual incorpora a perspectiva neomarxista \u00e0 formula\u00e7\u00e3o anterior. O tema do neoliberalismo e sua rela\u00e7\u00e3o com a democracia, no entanto, n\u00e3o se tornaram importantes para a autora apenas recentemente. Desde o in\u00edcio dos anos 2000, Brown se dedica a compreender as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade neoliberal e seus efeitos para a democracia, como se pode observar j\u00e1 na sua obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Edgework: Essays on Knowledge and Politics<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Edgework<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: ensaios sobre conhecimento e pol\u00edtica], publicada em 2005.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na literatura sobre a obra da autora, uma recente e importante publica\u00e7\u00e3o foi organizada por Amy Allen e Eduardo Mendieta em 2022. Trata-se do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Power, Neoliberalism, and the Reinvention of Politics: The Critical Theory of Wendy Brown<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Poder, neoliberalismo e a reinven\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica], que re\u00fane textos de diferentes autores e autoras sobre o pensamento de Brown, incluindo dois escritos dela pr\u00f3pria (\u201cThinking Together: Reply to Critics\u201d e \u201cWhat Is Left of Freedom?\u201d [O que resta da liberdade?]). Segundo Amy Allen e Eduardo Mendieta, no texto de introdu\u00e7\u00e3o desse livro, seria poss\u00edvel observar algumas caracter\u00edsticas centrais na teoria de Brown: primeiro, um ecletismo que permite \u00e0 autora pensar a partir de diferentes tradi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, esquemas e abordagens; segundo, sua an\u00e1lise negativista centrada em compreender as rela\u00e7\u00f5es de poder, domina\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a, etc., mais do que em apresentar programas normativos positivos; terceiro, sua orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tico-pol\u00edtica que dirige a cr\u00edtica a diagn\u00f3sticos do mundo atualmente existente e, por fim, o car\u00e1ter feminista presente em sua abordagem. Este \u00faltimo, embora seja importante e presente em suas obras, \u00e9 um tema secund\u00e1rio nos trabalhos de Brown, como ela mesma reconhece em uma entrevista ao jornal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">El Pa\u00eds<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> conferida em setembro de 2023 ao afirmar: \u201cEscrevi um livro sobre feminismo \u2014 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Manhood and Politics<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1988). E o feminismo \u00e9 um tema secund\u00e1rio na maioria dos meus livros, simplesmente n\u00e3o \u00e9 o tema principal. H\u00e1 tantas pessoas escrevendo sobre feminismo que deixo isso para elas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A caracteriza\u00e7\u00e3o feita por Allen e Mendieta aponta adequadamente para o compromisso que permeia a obra de Brown e se expressa na busca pela compreens\u00e3o das complexas din\u00e2micas sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais que nada t\u00eam de transparentes. H\u00e1 um esfor\u00e7o grande em capturar movimentos n\u00e3o lineares, simult\u00e2neos e aparentemente contradit\u00f3rios. O conjunto de sua obra expressa esse movimento: Brown \u00e9 uma intelectual p\u00fablica que se faz presente no debate por meio de uma produ\u00e7\u00e3o bastante org\u00e2nica, constitu\u00edda, como mencionado, por confer\u00eancias, entrevistas, al\u00e9m de livros, cap\u00edtulos e artigos, os quais mostram o esfor\u00e7o constante da autora em afinar seus diagn\u00f3sticos pol\u00edticos. Como explicam Allen e Mendieta, ao longo de sua trajet\u00f3ria, a autora se dedicou \u00e0 reflex\u00e3o sobre v\u00e1rios temas: teoria pol\u00edtica, g\u00eanero, cr\u00edtica do poder, forma\u00e7\u00e3o da subjetividade, abordados a partir do di\u00e1logo com diversos autores, tais como Marx, Weber, Nietzsche, Freud, Arendt, intelectuais da Escola de Frankfurt, Foucault e Derrida, os quais s\u00e3o criticamente apropriados para os fins almejados pelos projetos te\u00f3ricos da pr\u00f3pria autora. Assim, Brown se arrisca em levar adiante uma cr\u00edtica que n\u00e3o ir\u00e1 contar com o porto seguro de uma \u00fanica teoria. Seu uso te\u00f3rico plural das contribui\u00e7\u00f5es de diferentes autores permite a ela explorar com originalidade seus interesses, analisando e negando, quando necess\u00e1rio, elementos das pr\u00f3prias teorias que a apoiam, at\u00e9 porque, como ela afirma (Brown, 2022b), essas mesmas tradi\u00e7\u00f5es herdadas est\u00e3o vinculadas ao masculinismo, branquitude, colonialismo e antropocentrismo, posi\u00e7\u00f5es por ela criticadas. Essa forma de se apropriar da tradi\u00e7\u00e3o com foco na cr\u00edtica da sociedade contempor\u00e2nea est\u00e1 no cerne do que Brown considera a Teoria Cr\u00edtica, uma \u201cpr\u00e1tica heterodoxa de engajamento\u201d (2015, p. 78, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Considerando essa carater\u00edstica presente no desenvolvimento te\u00f3rico de Brown, pode-se apontar algumas transi\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas importantes. De acordo com Allen e Mendieta, haveria uma leve mudan\u00e7a de foco na obra da autora em 2006, com a publica\u00e7\u00e3o do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Regulating Aversion<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, quando ela passa a se ocupar com \u201cuma cr\u00edtica incisiva \u00e0s sociedades capitalistas neoliberais realmente existentes na modernidade tardia\u201d, nas quais o autoritarismo vai se intensificando (Allen; Mendieta, 2022, p. 4, tradu\u00e7\u00e3o nossa). Complementando o coment\u00e1rio dos autores, cabe lembrar que o tema do neoliberalismo e sua amea\u00e7a \u00e0s sociedades democr\u00e1ticas j\u00e1 vinha sendo discutido por Brown anos antes, como, por exemplo, no artigo \u201cNeo-Liberalism and the End of Liberal Democracy\u201d [Neo-liberalismo e o fim da democracia liberal], de 2003, que seria republicado, posteriormente, como cap\u00edtulo do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Edgework<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda segundo Allen e Mendieta, outra mudan\u00e7a nos estudos de Brown ocorreria com a publica\u00e7\u00e3o de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Estados murados, soberania em decl\u00ednio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, em 2010, obra em que a autora apresenta um diagn\u00f3stico sobre a emerg\u00eancia de muros e limites para demarcar as fronteiras de uma almejada soberania nacional em um contexto de ascens\u00e3o do capitalismo global. Esse<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">diagn\u00f3stico ganharia mais for\u00e7a em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> com a discuss\u00e3o sobre o entrela\u00e7amento do neoliberalismo com o autoritarismo, cujos desdobramentos a autora seguiria explorando em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Allen; Mendieta, 2022, p. 5). Allen e Mendieta destacam como centrais na concep\u00e7\u00e3o de neoliberalismo de Wendy Brown, especialmente a partir do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Estados Murados, soberania em decl\u00ednio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, as seguintes ideias: o eclipse do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">homo politicus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> pelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">homo oeconomicus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que denota a redu\u00e7\u00e3o do \u00e2mbito pol\u00edtico ao econ\u00f4mico; o sujeito neoliberal isolado, que experimenta estados afetivos singulares, inclusive como nega\u00e7\u00e3o de direitos, sem conseguir conect\u00e1-los a sua dimens\u00e3o social, o que proporcionar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es para o surgimento tanto de uma pol\u00edtica autorit\u00e1ria, antidemocr\u00e1tica, que seria uma esp\u00e9cie de \u201cpol\u00edtica antipol\u00edtica\u201d, quanto de uma concep\u00e7\u00e3o de liberdade com essas mesmas fei\u00e7\u00f5es (Allen; Mendieta, 2022, p. 5).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora atentas \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es na obra de Brown, as indica\u00e7\u00f5es feitas por Allen e Mendieta n\u00e3o d\u00e3o destaque ao fato de que n\u00e3o h\u00e1 apenas mudan\u00e7as de foco ao longo do trabalho da autora, como h\u00e1, ainda, reformula\u00e7\u00f5es no pr\u00f3prio diagn\u00f3stico, especialmente sobre o neoliberalismo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o central expressa nos textos de Brown que segue orientando seu trabalho ao longo do tempo, a saber: os rumos da democracia no Ocidente, tema que a leva \u00e0 busca pela compreens\u00e3o do modo como a sociedade vai se transformando e, progressivamente, perdendo as condi\u00e7\u00f5es de possibilidade de governo e soberania do povo. Esse tema ir\u00e1 exigir um olhar tanto para a dimens\u00e3o social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica, quanto cultural, em que a forma\u00e7\u00e3o da subjetividade ganha contornos cada vez mais afastados da ideia de uma liberdade compat\u00edvel com a soberania. O interesse pela forma como o neoliberalismo atravessa o campo da subjetividade leva Brown a se dedicar, tamb\u00e9m, \u00e0 reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre forma\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e educa\u00e7\u00e3o, algo dif\u00edcil de se encontrar nas teorias pol\u00edticas, mas vital para se compreender as possibilidades de renova\u00e7\u00e3o da democracia na atualidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>2. Cr\u00edtica ao neoliberalismo e sua amea\u00e7a \u00e0 democracia<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como mencionado, desde os anos 2000, Brown se dedica \u00e0 reflex\u00e3o sobre o neoliberalismo e suas implica\u00e7\u00f5es na sociedade contempor\u00e2nea, especialmente nas sociedades democr\u00e1ticas liberais. Em 2003, no artigo \u201cNeo-liberalism and the End of Liberal Democracy\u201d, o qual tem origem em uma confer\u00eancia realizada pela autora no mesmo ano, Brown defende que o neoliberalismo deve ser compreendido como uma racionalidade pol\u00edtica, em clara refer\u00eancia \u00e0 concep\u00e7\u00e3o formulada por Foucault. Ao buscar diferentes sentidos comumente vinculados ao termo \u201cneoliberalismo\u201d &#8211; como a recusa do Estado de bem-estar keynesiano, a irrestrita liberdade de mercado, as pol\u00edticas aplicadas ao Terceiro Mundo que intensificaram sua pauperiza\u00e7\u00e3o ou, ainda, sua associa\u00e7\u00e3o a formas de governo autorit\u00e1rias, desp\u00f3ticas ou mesmo corruptas -, a autora constata que, em geral, ele denota um conjunto de pol\u00edticas econ\u00f4micas com efeitos sociais e pol\u00edticos, desconsiderando que h\u00e1 uma racionalidade organizando essas mesmas pol\u00edticas e expandindo-as para al\u00e9m da esfera econ\u00f4mica. Brown tamb\u00e9m adverte que essas acep\u00e7\u00f5es mais ordin\u00e1rias costumam negligenciar o que h\u00e1 de novo no neoliberalismo, que n\u00e3o se reduz a uma mera renova\u00e7\u00e3o da economia pol\u00edtica liberal cl\u00e1ssica. Por fim, ressalta o elemento pol\u00edtico presente no neoliberalismo que, tamb\u00e9m no Primeiro Mundo, em especial nos Estados Unidos, provocou a eros\u00e3o de pr\u00e1ticas e institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas liberais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na reformula\u00e7\u00e3o do texto que integra o livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Edgework<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, formado por v\u00e1rios ensaios da autora, Brown adota o termo \u201cneoliberalismo\u201d, em vez de utilizar a forma anterior hifenizada, e explora, seguindo a formula\u00e7\u00e3o de Foucault, a concep\u00e7\u00e3o de racionalidade pol\u00edtica em seus desdobramentos, os quais caracterizar\u00e3o a novidade do fen\u00f4meno. O neoliberalismo, ao instaurar uma governamentalidade, amplia a normatividade que rege a esfera econ\u00f4mica para outros \u00e2mbitos: para a vida pol\u00edtica, social e cultural, para as institui\u00e7\u00f5es legais e pol\u00edticas do Estado e, tamb\u00e9m, para os sujeitos, concebidos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">homo oeconomicus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. As consequ\u00eancias dessa invas\u00e3o neoliberal nas diferentes esferas t\u00eam algo em comum, a saber, a eros\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es e princ\u00edpios democr\u00e1ticos liberais, sobretudo, uma ressignifica\u00e7\u00e3o de valores como a liberdade, igualdade, autonomia e soberania popular. A nova forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica neoliberal estabelece, assim, uma governan\u00e7a por meio de normas. Segundo Brown, tal forma\u00e7\u00e3o se torna poss\u00edvel porque envolve a produ\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os formados a partir do modelo do indiv\u00edduo empreendedor, porque a sociedade civil se reduz ao exerc\u00edcio do empreendedorismo e o Estado passa a se portar como firma \u201ccujos produtos s\u00e3o sujeitos individuais racionais, uma economia expandida, seguran\u00e7a nacional e poder global\u201d (Brown, 2005, p. 57, tradu\u00e7\u00e3o nossa).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em escritos posteriores, Brown segue discutindo o neoliberalismo e o situa mais claramente como uma racionalidade entre outras que coexistem, embora ele se apresente como predominante. Em 2006, no artigo \u201cAmerican Nightmare: Neoliberalism, Neoconservatism, and De-Democratization\u201d [Pesadelo norte-americano: neoliberalismo, neoconservadorismo e desdemocratiza\u00e7\u00e3o], Brown examina a conex\u00e3o entre duas racionalidades que aparentemente se op\u00f5e, a neoliberal e a neoconservadora, mas que operam conjuntamente, canibalizando a democracia. Utilizando o Estado a seu favor, ambas enfraquecem a democracia e tornam dif\u00edcil a emerg\u00eancia de uma contrarracionalidade alternativa. Brown argumenta que o neoliberalismo, por articular o sentido do pol\u00edtico e do social, e a pr\u00f3pria subjetividade, a partir de uma racionalidade econ\u00f4mica, \u00e9 capaz de usurpar outras racionalidades mais democr\u00e1ticas (Brown, 2006a, p. 693). No contexto democr\u00e1tico em que o neoliberalismo se desenvolve, n\u00e3o h\u00e1 um compromisso efetivo com a realiza\u00e7\u00e3o de ideais de igualdade, universalismo, liberdade e autonomia pol\u00edtica, cidadania, bem p\u00fablico, entre outras. Esse vocabul\u00e1rio, por\u00e9m, \u00e9 mantido, mas esvaziado da carga herdada da tradi\u00e7\u00e3o liberal. Se o neoliberalismo parte de crit\u00e9rios econ\u00f4micos que, de certa forma, aparentam ser neutros do ponto de vista moral, abre-se a\u00ed um espa\u00e7o para a atua\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que aspiram \u00e0 moraliza\u00e7\u00e3o do estado, que ser\u00e1 bem aproveitada pelo neoconservadorismo. Apesar dos obst\u00e1culos observados, uma poss\u00edvel oposi\u00e7\u00e3o ao neoliberalismo \u00e9 visualizada por Brown por meio da defesa de uma contrarracionalidade, ideia que j\u00e1 aparecia no texto \u201cNeoliberalism and the End of Liberal Democracy\u201d. Uma racionalidade alternativa deveria disputar a hegemonia liberal e sua produ\u00e7\u00e3o de uma ordem normativa atuante em diferentes esferas, incluindo a forma\u00e7\u00e3o de uma subjetividade antidemocr\u00e1tica. N\u00e3o \u00e9 por acaso que Brown publicar\u00e1 v\u00e1rios textos sobre educa\u00e7\u00e3o, dimens\u00e3o fundamental, por um lado, para a articula\u00e7\u00e3o institucional de valores alternativos \u00e0 racionalidade neoliberal e, por outro, para uma forma\u00e7\u00e3o subjetiva distinta. Debatendo principalmente o ensino superior, Brown publica os seguintes textos: \u201cNeoliberalized Knowledge\u201d [Conhecimento neoliberalizado] (2011), \u201cThe End of Educated Democracy\u201d [O fim da democracia educada] (2011), que se torna, depois, com pequenas altera\u00e7\u00f5es, um cap\u00edtulo do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, \u201cThe Vocation of the Public University\u201d [A voca\u00e7\u00e3o da universidade p\u00fablica] (2017), republicado na colet\u00e2nea <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Idea of the University: Histories and Contexts<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A ideia de universidade: hist\u00f3rias e contextos] (2019), e o cap\u00edtulo \u201cConhecimento\u201d do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihilistic Times: Thinking with Max Weber<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2023).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Brown aprofundar\u00e1 a reflex\u00e3o sobre o neoliberalismo na obra de 2015, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Embora a autora mantenha seu ponto de partida amparado em Foucault, ela apontar\u00e1 limita\u00e7\u00f5es e anacronismos na abordagem do fil\u00f3sofo. Os principais problemas da leitura foucaultiana, segundo ela, estariam no tratamento insuficiente tanto das consequ\u00eancias neoliberais para a democracia, quanto em uma certa recusa do fil\u00f3sofo em incorporar elementos da cr\u00edtica de Marx em suas an\u00e1lises. Brown, por sua vez, explorar\u00e1, como ela pr\u00f3pria assume, com mais for\u00e7a do que Foucault, a concep\u00e7\u00e3o do neoliberalismo como racionalidade pol\u00edtica. Nesta obra, mais do que diagnosticar meros deslocamentos dos princ\u00edpios democr\u00e1ticos liberais no contexto da sociedade neoliberal, como havia feito anteriormente, Brown defende que ocorre uma transforma\u00e7\u00e3o substantiva desses princ\u00edpios. Para a autora, o neoliberalismo estaria \u201c[&#8230;] convertendo o car\u00e1ter, o significado e o funcionamento distintamente <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">pol\u00edticos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> dos elementos constitutivos da democracia em elementos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">econ\u00f4micos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d (Brown, 2015, p. 17, tradu\u00e7\u00e3o nossa). A governan\u00e7a neoliberal, ao fundir a linguagem do mundo empresarial \u00e0 pol\u00edtica, dissemina o modelo do mercado para as outras esferas, que t\u00eam seu car\u00e1ter alterado. Ocorre, assim, conforme a autora, um fen\u00f4meno de economiza\u00e7\u00e3o que reorienta normativamente as diferentes esferas da vida. Uma das principais express\u00f5es dessa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">homo politicus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">homo oeconomicus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a qual tem implica\u00e7\u00f5es s\u00e9rias para a democracia na medida em que o exerc\u00edcio da liberdade nas esferas pol\u00edticas e sociais \u00e9 comprometido, assim como o da soberania. E esse \u00e9, segundo Brown, um paradoxo da governan\u00e7a neoliberal, pois ao mesmo tempo em que o neoliberalismo defende a liberdade, seja do mercado, dos pa\u00edses ou dos indiv\u00edduos, ele destr\u00f3i as condi\u00e7\u00f5es para seu exerc\u00edcio pleno.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Brown ressalta a maneira pela qual o modelo de capital humano, que orienta a forma\u00e7\u00e3o da subjetividade neoliberal, transforma a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo consigo pr\u00f3prio e com sua liberdade, e tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o entre Estado e cidadania. Para a autora, h\u00e1 uma reconfigura\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio dos cidad\u00e3os. Com o neoliberalismo, eles passam a ser empreendedores de si, respons\u00e1veis pelos investimentos que fazem em si mesmos e por aquilo que alcan\u00e7am ou deixam de alcan\u00e7ar. Deixam de ser, portanto, cidad\u00e3os que, por meio de sua soberania, podem participar da vida pol\u00edtica. Desse modo, os assuntos relacionados ao \u00e2mbito do p\u00fablico v\u00e3o perdendo tal car\u00e1ter, as fun\u00e7\u00f5es do Estado, reduzidas \u00e0 normatividade do mercado, j\u00e1 n\u00e3o buscam assegurar princ\u00edpios fundamentais da democracia e cidadania, como a igualdade e a liberdade. Por meio da reconfigura\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio, as perdas sofridas em rela\u00e7\u00e3o aos direitos e ao acesso aos bens p\u00fablicos acabam sendo justificadas pela necessidade de crescimento econ\u00f4mico. Tamb\u00e9m a educa\u00e7\u00e3o, no contexto neoliberal, se transforma. Brown analisa mais especificamente o caso do ensino superior, que, em vez de proporcionar conhecimentos e forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, se dirige, sobretudo, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o. De acordo com a autora;<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Assim, no imagin\u00e1rio \u201cpol\u00edtico\u201d neoliberal, que tomou um rumo responsabilizador, n\u00e3o somos mais criaturas dotadas de autonomia moral, liberdade ou igualdade. N\u00e3o escolhemos mais nossos fins ou os meios para alcan\u00e7\u00e1-los. Nem mesmo somos mais criaturas movidas pelo interesse, buscando incessantemente nossa pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a interpreta\u00e7\u00e3o do \u201chomo oeconomicus\u201d como capital humano deixa para tr\u00e1s n\u00e3o apenas o \u201chomo politicus\u201d, mas a pr\u00f3pria humanidade <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(Brown, 2015, p. 42, tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como consequ\u00eancia da dissolu\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio democr\u00e1tico, a pr\u00f3pria visualiza\u00e7\u00e3o de alternativas \u00e0 racionalidade neoliberal \u00e9 ofuscada. Na \u00faltima se\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, chamada \u201cDesespero: um outro mundo \u00e9 poss\u00edvel?\u201d, Brown nomeia esse fen\u00f4meno de \u201cdesespero civilizat\u00f3rio\u201d, o qual \u00e9 aprofundado pelo neoliberalismo e deve, segundo ela, ser combatido pela esquerda pol\u00edtica. Isso exigiria enfrentar o cen\u00e1rio de perda da confian\u00e7a no poder do conhecimento, da raz\u00e3o e da vontade para deliberar e construir uma exist\u00eancia comum. Insistir, ainda, contra o anti-humanismo neoliberal, no projeto de uma sociedade diferente, em que os indiv\u00edduos possam ter uma vida em comum, boa e com liberdade. Para Brown, qualquer alternativa poss\u00edvel ao mundo organizado segundo a racionalidade neoliberal passaria pela insist\u00eancia na pol\u00edtica, nas pr\u00e1ticas e institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, e no conhecimento humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Brown ir\u00e1 refinar seu diagn\u00f3stico sobre o neoliberalismo, revisando elementos de suas leituras anteriores. Em 2018, ela publica \u201cNeoliberalism\u2019s Frankenstein: Authoritarian Freedom in Twenty-First Century \u201cDemocracies\u201d [O Frankenstein do neoliberalismo: liberdade autorit\u00e1ria nas \u201cdemocracias\u201d do s\u00e9culo XXI]. Esse texto seria transformado, no mesmo ano, em um cap\u00edtulo do livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Authoritarianism: Three Inquiries in Critical Theory<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Autoritarismo: tr\u00eas investiga\u00e7\u00f5es na Teoria Cr\u00edtica], o qual re\u00fane, tamb\u00e9m, contribui\u00e7\u00f5es de Peter E. Gordon and Max Pensky. Outra publica\u00e7\u00e3o desse per\u00edodo \u00e9 o texto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Neoliberalism\u2019s Scorpion Tail<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A cauda de escorpi\u00e3o do neoliberalismo], o qual foi parcialmente incorporado \u00e0 obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e publicado, posteriormente, como cap\u00edtulo da colet\u00e2nea <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mutant Neoliberalism: Market Rule and Political Rupture<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Neoliberalismo mutante: dom\u00ednio de mercado e ruptura pol\u00edtica] (2020), composta por ensaios de v\u00e1rios autores e autoras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 no livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, lan\u00e7ado em 2019, que Brown examinar\u00e1 com maior profundidade o desenvolvimento do neoliberalismo realmente existente, considerando, agora, o \u00e2mbito da moral como um elemento interno a ele, e n\u00e3o mais como uma racionalidade distinta que operava de forma simbi\u00f3tica. Com isso, Brown pretende explicar de que forma a cultura antidemocr\u00e1tica tem sido produzida pelo neoliberalismo, alcan\u00e7ando com seu diagn\u00f3stico tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o afetiva que se materializa em fen\u00f4menos culturais como o ressentimento e o niilismo. Para isso, a autora ir\u00e1 rever sua concep\u00e7\u00e3o de neoliberalismo como uma racionalidade pol\u00edtica, incorporando \u00e0 sua an\u00e1lise de influ\u00eancia foucaultiana tamb\u00e9m a abordagem neomarxista. Em sua reformula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, Brown, mobiliza o pensamento de te\u00f3ricos neoliberais como Hayek e Friedman para compreender como opera, no interior do neoliberalismo, a associa\u00e7\u00e3o entre princ\u00edpios do mercado e da moral que resultaria em uma cultura antidemocr\u00e1tica. Por\u00e9m, ressalta a autora, o neoliberalismo realmente existente, assim como os t\u00edtulos dos textos anteriores sugeriam, \u00e9 uma criatura frankensteiniana, e sua obra busca investigar como ela veio a se constituir.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com Brown, e diferentemente de sua leitura anterior, tanto o \u00e2mbito do social quanto do pol\u00edtico s\u00e3o atacados em uma din\u00e2mica interna do neoliberalismo. Para sustentar sua posi\u00e7\u00e3o, a autora parte da defesa de que a igualdade pol\u00edtica \u00e9 a base da democracia e sua \u00fanica condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Quando n\u00e3o h\u00e1 igualdade, sejam quais forem os motivos para isso \u2013 exclus\u00e3o, disparidades sociais, manipula\u00e7\u00f5es em sistemas eleitorais, etc. \u2013 o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">demos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> fica impossibilitado de governar. \u00c9 no \u00e2mbito do social, situado entre o Estado e a vida pessoal, que a justi\u00e7a pode ser reivindicada, que a cidadania pode ser exercida, que direitos existem e bens p\u00fablicos s\u00e3o ofertados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Brown encontra, sobretudo no pensamento de Hayek, uma base te\u00f3rica que legitimaria o ataque ao social e ao pol\u00edtico. Isso se deve ao fato de que o autor defende que o mercado e a moral tradicional seriam esferas capazes de promover espontaneamente a justi\u00e7a. Por essa raz\u00e3o, n\u00e3o apenas a sociedade n\u00e3o cumpriria uma fun\u00e7\u00e3o relevante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a, como tamb\u00e9m a interfer\u00eancia do Estado e da pol\u00edtica seria nociva ao desenvolvimento daquela ordem espont\u00e2nea. Para que esta possa ser garantida, assegurando a realiza\u00e7\u00e3o da liberdade individual, Hayek defende a extens\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da esfera pessoal. Esse \u00e9 um elemento crucial, na leitura de Brown, para se entender o desenvolvimento do neoliberalismo contempor\u00e2neo, que n\u00e3o se realizou exatamente conforme as pretens\u00f5es dos te\u00f3ricos neoliberais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na leitura de Brown, o neoliberalismo realmente existente provoca um desmantelamento da sociedade de diferentes formas: epistemologicamente, negando a exist\u00eancia dessa \u00faltima; politicamente, dissolvendo ou privatizando o Estado social; legalmente, apelando \u00e0 liberdade para contestar demandas por igualdade, direitos sociais, etc; eticamente, opondo justi\u00e7a social a valores tradicionais; culturalmente, provocando a desmassifica\u00e7\u00e3o em suas formas contempor\u00e2neas de empreendedoriza\u00e7\u00e3o e capitaliza\u00e7\u00e3o humana. No \u00e2mbito pol\u00edtico, o ataque ocorre por sua separa\u00e7\u00e3o da possibilidade do exerc\u00edcio da soberania. Conforme Brown, \u201c[&#8230;] o pol\u00edtico identifica um teatro de delibera\u00e7\u00f5es, poderes, a\u00e7\u00f5es e valores no qual a exist\u00eancia comum \u00e9 pensada, moldada e governada\u201d (Brown, 2019a, p. 68). Ele \u00e9 tamb\u00e9m permeado por poderes e pela disputa entre diferentes for\u00e7as e valores (sociais, econ\u00f4micos, culturais, religiosos). Com o neoliberalismo, por\u00e9m, o \u00e2mbito pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 extinto, mas parasitado, abrindo espa\u00e7o para o surgimento e expans\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas n\u00e3o democr\u00e1ticas e antidemocr\u00e1ticas &#8211; o que teria impulsionado a emerg\u00eancia dos movimentos populistas de direita vistos na atualidade. A \u00eanfase na garantia de direitos individuais, por exemplo, expressa, de acordo com Brown, a expans\u00e3o da moralidade crist\u00e3 conservadora<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">que, uma vez dissociada da tradi\u00e7\u00e3o e impulsionada pelo mercado, passa a ser politizada. Emerge, assim, uma cultura antidemocr\u00e1tica vinculada a um duplo sentido de privatiza\u00e7\u00e3o: a na\u00e7\u00e3o \u00e9 reconfigurada como fam\u00edlia e empresa privada, rejeitando-se a ordem p\u00fablica, secular e democr\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa cultura antidemocr\u00e1tica seria refor\u00e7ada, ainda, pela intensifica\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos como o ressentimento e o niilismo que ganham lugar no contexto neoliberal, ativando a dimens\u00e3o afetiva dos sujeitos. Partindo das ideias de Nietzsche e Marcuse, Brown assume que o niilismo contempor\u00e2neo se relaciona, por um lado, \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o e trivializa\u00e7\u00e3o dos valores, por outro, \u00e0 economiza\u00e7\u00e3o abrangente que faz do pr\u00f3prio indiv\u00edduo um capital, submetendo-o a constantes c\u00e1lculos de investimento. Acionando processos de dessublima\u00e7\u00e3o, o niilismo alivia a consci\u00eancia e a desobriga moralmente, permitindo que a vontade de pot\u00eancia se manifeste com intensidade. Isso se mostraria, por exemplo, na agressividade dos discursos e pr\u00e1ticas da extrema direita, os quais se nutrem, ainda, do ressentimento da perda de poder historicamente associado \u00e0 masculinidade branca. \u00c9 por isso que o niilismo, na leitura de Brown, n\u00e3o apresenta uma for\u00e7a mobilizadora antidemocr\u00e1tica apenas nos indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m na moralidade tradicional, que exibe sem constrangimentos seus privil\u00e9gios e poderes. Aprofundando esse processo, os efeitos econ\u00f4micos neoliberais aumentam as desigualdades de acesso e hierarquias de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">status<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, minando, assim, o valor da igualdade pol\u00edtica que seria vital \u00e0 democracia. Brown conclui o livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> com essa discuss\u00e3o, questionando como a afetividade que tem sido mobilizada pela direita poderia ser transformada pelo campo da esquerda. A resposta da autora ser\u00e1 constru\u00edda posteriormente, especialmente na sua obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihilistic Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, publicada em 2023. Antes, por\u00e9m, dessa publica\u00e7\u00e3o, Brown produziu textos como \u201cWhy Democracy is so Hard\u201d [Por que a democracia \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil?] (2020) e \u201cWhat is Left of Freedom?\u201d [O que resta da liberdade?] (2022), abordando as possibilidades de enfrentamento da hegemonia neoliberal por meio da pol\u00edtica e da reconfigura\u00e7\u00e3o da ideia de liberdade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esses temas ser\u00e3o retomados em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihilistic Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, livro em que Brown busca inspira\u00e7\u00e3o em Weber para repensar a esfera pol\u00edtica e tamb\u00e9m a da ci\u00eancia, considerando o contexto do neoliberalismo e da cultura niilista contempor\u00e2nea. Na interpreta\u00e7\u00e3o de Brown, a delimita\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o das esferas seria importante para enfrentar o niilismo que amea\u00e7a a democracia. A esfera da pol\u00edtica \u00e9 compreendida como um campo de luta por valores. Nesse sentido, a ideia weberiana de voca\u00e7\u00e3o se torna central na reflex\u00e3o da autora, pois permite compreender como a figura dos l\u00edderes pol\u00edticos, dotados de carisma e responsabilidade, poderia mobilizar os sujeitos para a defesa de determinadas vis\u00f5es de futuro. Essas vis\u00f5es envolvem valores que n\u00e3o podem mais ser fundamentados somente em bases racionais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Contudo, a pol\u00edtica n\u00e3o se identifica, na leitura de Brown, ao espa\u00e7o do debate acad\u00eamico, o qual, por sua vez, tampouco pode ser um \u00e2mbito de luta por valores, ou seja, pol\u00edtico. Na academia, os valores devem ser analisados e criticados, constituindo-se em objetos da reflex\u00e3o, diferentemente da esfera pol\u00edtica, em que eles s\u00e3o objeto de disputa. \u00c9 por meio da disputa pol\u00edtica, a qual pode contar com o apoio do conhecimento cr\u00edtico produzido na academia, que se abre espa\u00e7o para a reconfigura\u00e7\u00e3o da liberdade. Como se pode observar nas obras anteriores, Brown \u00e9 cr\u00edtica da forma pela qual a liberdade se realizou, sobretudo, pelo seu car\u00e1ter individual e autorit\u00e1rio, e defende a necessidade de um outro desenvolvimento em que ela possa se conectar \u00e0 justi\u00e7a social e \u00e0 soberania do povo, adquirindo express\u00e3o na vida democr\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar da influ\u00eancia de Weber nas formula\u00e7\u00f5es de Brown apresentadas em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihilistic Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a autora \u00e9 cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a algumas posi\u00e7\u00f5es sustentadas por ele. Desse modo, ela n\u00e3o subscreve a ideia, por exemplo, de que o conhecimento acad\u00eamico deva ser neutro em rela\u00e7\u00e3o aos valores, pois, para Brown, resguardar a esfera acad\u00eamica significaria assumir uma responsabilidade em produzir conhecimento voltado para as quest\u00f5es urgentes da sociedade contempor\u00e2nea, preservando, em certo sentido, o v\u00ednculo iluminista da universidade com o ideal de emancipa\u00e7\u00e3o. Se o conceito de voca\u00e7\u00e3o weberiano \u00e9 frut\u00edfero para a pol\u00edtica, no \u00e2mbito acad\u00eamico ele tenderia a intensificar o niilismo que pretende combater, uma vez que atribui \u00e0 atitude de professores um car\u00e1ter asc\u00e9tico e comprometido com o desencantamento e racionaliza\u00e7\u00e3o do mundo, em vez de mobilizar elementos que impulsionam o conhecimento na dire\u00e7\u00e3o de um projeto de futuro vi\u00e1vel e democr\u00e1tico. Assim, a delimita\u00e7\u00e3o da esfera acad\u00eamica cumpriria a tarefa de proteger o conhecimento, o ensino e a pesquisa de demandas externas, como as neoliberais, assegurando que as universidades fortale\u00e7am seu v\u00ednculo com a democracia. Por meio da forma\u00e7\u00e3o de uma cidadania consciente e da produ\u00e7\u00e3o de um conhecimento cr\u00edtico, elas poderiam contribuir com o fortalecimento da democracia, auxiliando os sujeitos a enfrentar os problemas relativos \u00e0 viabilidade de uma exist\u00eancia compartilhada e de projetos de futuro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo da trajet\u00f3ria intelectual de Brown, a preocupa\u00e7\u00e3o com a democracia \u00e9 constante e a impulsiona na busca de diagn\u00f3sticos cada vez mais afinados \u00e0 complexidade da sociedade contempor\u00e2nea. As mudan\u00e7as na compreens\u00e3o do neoliberalismo se conectam a essa tentativa de combater as din\u00e2micas que atuam contra a democracia e suas fontes de renova\u00e7\u00e3o. \u00c9 curioso notar como a pr\u00f3pria linguagem utilizada por Brown, especialmente nos t\u00edtulos de seus textos, expressa a apreens\u00e3o multifacetada do neoliberalismo ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Entre sonhos ruins e pesadelos, imagens de Frankenstein e cauda de escorpi\u00e3o, al\u00e9m de ru\u00ednas, as met\u00e1foras utilizadas por Brown revelam o imagin\u00e1rio pol\u00edtico assombrado pela constante amea\u00e7a de um colapso democr\u00e1tico. Sua obra constitui, assim, uma refer\u00eancia fundamental para o enfrentamento das quest\u00f5es que comprometem a viabilidade de nosso futuro, impelindo-nos a construir um mundo onde a democracia ainda possa ter lugar.<\/span><\/p>\n<p><b>Obras de Wendy Brown<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (1988). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Manhood and Politics: A Feminist Reading in Political Theory<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Totowa: Rowman &amp; Littlefield.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2001). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Politics Out of History<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Princeton: Princeton University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2003). Neo-liberalism and the End of Liberal Democracy. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Theory &amp; Event<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 7, n. 1. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/dx.doi.org\/10.1353\/tae.2003.0020\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/dx.doi.org\/10.1353\/tae.2003.0020<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2005). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Edgework: Essays on Knowledge and Politics<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Princeton: Princeton University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2006a). American Nightmare: Neoconservatism, Neoliberalism, and De-Democratization, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Political Theory<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 34, n. 6. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/0090591706293016\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/doi.org\/10.1177\/0090591706293016<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2006b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Regulating Aversion: Tolerance in the Age of Empire and Identity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Princeton: Princeton University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2008). \u201cWith Reason on Our Side&#8230;\u201d <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Theory &amp; Event<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 11, n. 4. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/muse.jhu.edu\/article\/257573\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/muse.jhu.edu\/article\/257573<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2011a). Neoliberalized Knowledge. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">History of the Present<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 1, n. 1. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.5406\/historypresent.1.1.0113\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/doi.org\/10.5406\/historypresent.1.1.0113<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2011b). The End of Educated Democracy. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Representations<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 116, n. 1. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/10.1525\/rep.2011.116.1.19\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.jstor.org\/stable\/10.1525\/rep.2011.116.1.19<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2015). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Undoing the Demos: Neoliberalism\u2019s Stealth Revolution<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Zone Books.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2017). Interview \u2013 Wendy Brown. Entrevista concedida a Alvina Hoffmann. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">E-International Relations<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.e-ir.info\/2017\/04\/25\/interview\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.e-ir.info\/2017\/04\/25\/interview\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2018a). Neoliberalism\u2019s Frankenstein: Authoritarian Freedom in Twenty-First Century Democracies. In: BROWN, Wendy; GORDON, Peter E.; PENSKY, Max. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Authoritarianism: Three Inquiries in Critical Theory<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Chicago: University of Chicago Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2018b). Neoliberalism\u2019s Frankenstein: Authoritarian Freedom in Twenty-First Century Democracies. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Critical Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v.1, n. 1. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1215\/26410478-1.1.60\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/doi.org\/10.1215\/26410478-1.1.60<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2019). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nas ru\u00ednas do neoliberalismo: a ascens\u00e3o da pol\u00edtica antidemocr\u00e1tica no Ocidente<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Mario A. Marino, Eduardo Altheman S. Santos. S\u00e3o Paulo: Politeia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2020a). Neoliberalism\u2019s Scorpion Tail. In: CALLISON, William; MANFREDI, Zachary. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mutant Neoliberalism: Market Rule and Political Rupture<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Fordham University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2020b). \u201cWhy is Democracy So Hard?\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Politics and Society<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 48, n. 4. Dispon\u00edvel em: https:\/\/doi.org\/10.1177\/0032329220962655. 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2021). O Frankenstein do neoliberalismo: liberdade autorit\u00e1ria nas \u201cdemocracias\u201d do s\u00e9culo XXI. In: ALBINO, Chiara; OLIVEIRA, Jainara; MELO, Mariana. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Neoliberalismo, neoconservadorismo e crise em tempos sombrios<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Recife: Editora Seriguela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2019b). The Vocation of the Public University. In: BHATTACHARYA, Debaditya. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Idea of the University. Histories and Contexts<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2022a). Thinking Together: Reply to Critics. In: ALLEN, Amy; MENDIETA, Eduardo<\/span><b>. <\/b><i><span style=\"font-weight: 400\">Power, Neoliberalism, and the Reinvention of Politics: The Critical Theory of Wendy Brown<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Pennsylvania: The Pennsylvania State University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2022b). Rights Without Bounds: An Interview with Wendy Brown. Entrevista concedida a Rafael Khachaturian. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissent Magazine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 23 mar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.dissentmagazine.org\/online_articles\/rights-without-bounds-wendy-brown\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.dissentmagazine.org\/online_articles\/rights-without-bounds-wendy-brown\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2022c). What Is Left of Freedom? In: ALLEN, Amy; MENDIETA, Eduardo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Power, Neoliberalism, and the Reinvention of Politics: The Critical Theory of Wendy Brown<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Pennsylvania: The Pennsylvania State University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2023a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nihilistic Times: Thinking with Max Weber<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Cambridge\/Massachusetts\/London: The Belknap Press of Harvard University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2023b). Wendy Brown, Philosopher: \u201cInstead of being so reactive to everything the right says or does, the left needs to set out its own vision\u201d. Entrevista concedida a Iker Seisdedos. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">El Pa\u00eds<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 27 set. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/english.elpais.com\/culture\/2023-09-27\/wendy-brown-philosopher-instead-of-being-so-reactive-to-everything-the-right-says-or-does-the-left-needs-to-set-out-its-own-vision.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/english.elpais.com\/culture\/2023-09-27\/wendy-brown-philosopher-instead-of-being-so-reactive-to-everything-the-right-says-or-does-the-left-needs-to-set-out-its-own-vision.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy (2023). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Estados Murados, soberania em decl\u00ednio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Mariana Strassacapa. S\u00e3o Paulo: Kazimira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BROWN, Wendy; FORST, Rainer (2014). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Power of Tolerance. A Debate<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Columbia University Press.<\/span><\/p>\n<p><b>Literatura secund\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">ALLEN, Amy; MENDIETA, Eduardo (2022). Introduction. In: ALLEN, Amy; MENDIETA, Eduardo. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Power, Neoliberalism, and the Reinvention of Politics: The Critical Theory of Wendy Brown<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Pennsylvania: The Pennsylvania State University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PETRY, Franciele Bete (2024). A voca\u00e7\u00e3o da universidade p\u00fablica contempor\u00e2nea a partir da cr\u00edtica de Wendy Brown<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">. Revista Inter-A\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Goi\u00e2nia, v. 49, n. 2, p. 1228-1244. DOI: 10.5216\/ia.v49i2.78993. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/revistas.ufg.br\/interacao\/article\/view\/78993\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/revistas.ufg.br\/interacao\/article\/view\/78993<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">PETRY, Franciele Bete (2025). Neoliberalismo e universidade p\u00fablica contempor\u00e2nea: contribui\u00e7\u00f5es da cr\u00edtica de Wendy Brown. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Trans\/Form\/A\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Mar\u00edlia, SP, v. 48, p. e025052. DOI: 10.1590\/0101-3173.2025.v48.n4.e025052. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/revistas.marilia.unesp.br\/index.php\/transformacao\/article\/view\/16818\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/revistas.marilia.unesp.br\/index.php\/transformacao\/article\/view\/16818<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">VERBICARO, Loiane Prado; PONTES, Juliana F. (2021). Resenha do livro \u201cNas Ru\u00ednas do Neoliberalismo: a ascens\u00e3o da pol\u00edtica antidemocr\u00e1tica no Ocidente\u201d, de Wendy Brown. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas: Mulheres na Filosofia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, v. 7, n. 2. Dispon\u00edvel em:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/resenhas\/resenha-de-nas-ruinas-do-neoliberalismo-a-ascensao-da-politica-antidemocratica-no-ocidente-de-wendy-brown\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/resenhas\/resenha-de-nas-ruinas-do-neoliberalismo-a-ascensao-da-politica-antidemocratica-no-ocidente-de-wendy-brown\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 29 mar. 2025.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wendy Brown (1955-) Franciele Bete Petry, Professora do Departamento e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da UFSC \u00a0Lattes Wendy<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2444","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2444"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2463,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2444\/revisions\/2463"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}