{"id":2550,"date":"2025-10-13T18:00:37","date_gmt":"2025-10-13T21:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2550"},"modified":"2025-10-13T18:00:37","modified_gmt":"2025-10-13T21:00:37","slug":"anne-carson","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/anne-carson\/","title":{"rendered":"Anne Carson"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Anne Carson<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>(1950-)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Irene Viveiros de Castro,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">doutoranda em filosofia na Universit\u00e9 Toulouse Jean-Jaur\u00e8s e\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">membro do laborat\u00f3rio ERRAPHIS<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4073152824195104\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/Anne-Carson-PDF-.docx.pdf\">PDF &#8211; Anne Carson<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><figure id=\"attachment_2551\" aria-describedby=\"caption-attachment-2551\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2551\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-500x333.jpeg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-800x533.jpeg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-1280x853.jpeg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image-272x182.jpeg 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/10\/image.jpeg 1387w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2551\" class=\"wp-caption-text\">Foto por Jay Dixit. Anne Carson lendo um poema de seu livro Wrong Norma [Norma errada], finalista dos National Book Awards [Pr\u00eamio Nacional do Livro] de 2024, no NYU Skirball Center<\/figcaption><\/figure><b>1. Biografia<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anne Carson \u00e9 \u201cuma dessas pessoas de quem quanto mais vemos, menos sabemos\u201d (Carson, 2023, p. 42). Essa f\u00f3rmula, com a qual ela qualifica o procedimento po\u00e9tico de Safo, designa tamb\u00e9m algo de sua pr\u00f3pria escrita \u2013 embora se trate talvez mais de um desejo do que de uma tend\u00eancia plenamente realizada: desenhar um tra\u00e7o que n\u00e3o fa\u00e7a ver sua autora, que n\u00e3o aponte para nada que estaria no seu \u201cinterior\u201d e cuja face \u201cexterior\u201d dissimularia. Em outras palavras, desfazer a diferen\u00e7a entre o dentro e o fora de quem escreve. Carson confessa sua dificuldade em realizar a plena supress\u00e3o dessa diferen\u00e7a, \u00e0s vezes com certo pesar ou desconforto, mas a sua persist\u00eancia, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apesar <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">ou mesmo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">por causa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> das tentativas de faz\u00ea-los convergir, constitui o tema central de sua po\u00e9tica e de sua reflex\u00e3o te\u00f3rica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Helenista de forma\u00e7\u00e3o, professora de grego, tradutora e, por fim, poeta, Carson \u00e9 conhecida por uma produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se conforma aos g\u00eaneros liter\u00e1rios ou \u00e0s disciplinas estabelecidas. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o Doce-Amargo <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1986 [2022]), seu primeiro e talvez mais famoso livro, \u00e9 um longo ensaio l\u00edrico que tem como ponto de partida e de converg\u00eancia um fragmento de Safo sobre a natureza agridoce e paradoxal do desejo. Seu aclamado romance em verso <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia do vermelho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1998 [2021]) \u00e9 uma vers\u00e3o da Gerioneida, do poeta grego Estes\u00edcoro, em que Geri\u00e3o, o monstro vermelho assassinado brutalmente por H\u00e9racles em seu d\u00e9cimo trabalho, v\u00ea-se deslocado para o tempo presente como um adolescente estadunidense que vive um romance conturbado com o mesmo H\u00e9racles. Por suas tradu\u00e7\u00f5es de Safo e sua vers\u00e3o moderna da Gerioneida, Carson construiu uma certa reputa\u00e7\u00e3o como autora <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">queer<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, e em sua obra trata frequentemente da identidade de g\u00eanero, em particular da feminidade, como um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">problema<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, jogando com a troca de pap\u00e9is e pontos de vista entre figuras masculinas e femininas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sua obra \u00e9 aclamada por sua capacidade de trazer a mitologia, a trag\u00e9dia e o pensamento gregos \u201cde volta \u00e0 vida\u201d, por transport\u00e1-los no espa\u00e7o e no tempo, nem sempre da maneira mais convencional. Nela, as fronteiras disciplinares raramente s\u00e3o respeitadas: sua poesia \u00e9 permeada de erudi\u00e7\u00e3o, com refer\u00eancias a temas e ideias de outros autores; j\u00e1 sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e suas tradu\u00e7\u00f5es parecem carecer do mesmo tipo de rigor filol\u00f3gico que seus colegas exercem. Carson confessa que h\u00e1 \u201cdemais [dela]\u201d (Carson, 1999, p. vii) em seus ensaios te\u00f3ricos, e talvez haja tamb\u00e9m demais dos outros em sua poesia. Ela \u201cse esconde atr\u00e1s dos gregos antigos\u201d, sugere a colega de estudos cl\u00e1ssicos Emily Wilson (2024). Mas, como Safo, quanto mais ela se esconde, mais n\u00f3s leitores enxergamos e menos n\u00f3s sabemos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Seu evidente desconforto ao dar entrevistas e em falar de si n\u00e3o nos impede de, feitas as devidas ressalvas, coletar e compartilhar alguns dados biogr\u00e1ficos a seu respeito. Afinal, mesmo que sua poesia e sua teoria n\u00e3o sejam autobiogr\u00e1ficas \u2013 e Carson repete com frequ\u00eancia seu desgosto pela autobiografia como procedimento de consolida\u00e7\u00e3o de uma identidade pessoal fixa e imut\u00e1vel \u2013, elas est\u00e3o impregnadas de algo seu, seja como \u201cfatos\u201d do mundo que lhe servem de mat\u00e9ria liter\u00e1ria, seja porque ela segue l\u00e1, escondida, atr\u00e1s dos gregos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anne Patricia Carson nasceu em Toronto, no Canad\u00e1, em 21 de junho de 1950, e mudou-se frequentemente durante a inf\u00e2ncia entre diferentes cidades do estado de Ont\u00e1rio, onde seu pai trabalhava como banc\u00e1rio. Foi educada no catolicismo por sua m\u00e3e. Seu primeiro contato com o grego antigo se deu no intervalo do almo\u00e7o no ensino m\u00e9dio, em li\u00e7\u00f5es particulares oferecidas por sua professora de latim. Quando perguntada sobre o que motivou sua paix\u00e3o pelo grego, Carson responde que \u201csimplesmente me parecia ser a melhor l\u00edngua\u201d (Carson <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apud<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Anderson, 2013), mas tamb\u00e9m que parte do seu desejo de aprendizado se devia a uma vontade, at\u00e9 hoje n\u00e3o plenamente realizada, de ser Oscar Wilde (\u201ceducado nos cl\u00e1ssicos, elegante e espirituoso\u201d (Anderson, 2013)).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar do contato e do gosto precoces com e pelo grego antigo, Carson quase desistiu da faculdade de letras devido a, entre outras coisas, um marcante desgosto por John Milton. Durante uma pausa em seus estudos, ingressou em uma escola de design que tinha, novamente para seu desgosto, uma vertente fortemente publicit\u00e1ria, e onde, segundo ela, \u201cpassamos um ano desenhando caixas de cereal. Foi horr\u00edvel. Ent\u00e3o voltei para a universidade e fiz os \u00faltimos dois anos\u201d (Carson, 1997, p. 6). Depois da gradua\u00e7\u00e3o, em 1975-76, passou um ano na Universidade de St. Andrews, na Esc\u00f3cia, estudando m\u00e9trica na poesia grega. Defendeu o doutorado em 1981, no departamento de estudos cl\u00e1ssicos da Universidade de Toronto, com a tese intitulada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Odi et Amo Ergo Sum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, mais tarde transformada em ensaio e publicada como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o Doce-Amargo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> em 1986.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1980, obteve um cargo de professora assistente na Universidade de Princeton, mas n\u00e3o conseguiu a titularidade (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tenure<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">) devido ao car\u00e1ter insuficientemente monogr\u00e1fico e algo \u201cpeculiar\u201d de sua pesquisa de doutorado (como sugere Emily Wilson, 2024), deixando o departamento de estudos cl\u00e1ssicos um ano ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, em 1987. Desde ent\u00e3o \u2013 embora hoje esteja aposentada da carreira universit\u00e1ria \u2013, passou por diversas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior nos Estados Unidos e no Canad\u00e1, onde lecionou grego, estudos cl\u00e1ssicos e poesia, entre elas McGill, Universidade de Michigan, Universidade de Nova York, Cornell e a Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1984, publicou sua poesia pela primeira vez: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Canicula di Anna<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, poema adaptado de um livro ilustrado que comp\u00f4s com recortes de revistas de avi\u00e3o, feito no retorno de uma viagem \u201chorr\u00edvel\u201d a Roma (republicado em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Plainwater<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c1gualisa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], 1995b [2025]). \u201cNingu\u00e9m gostou desses desenhos\u201d, conta, e por isso come\u00e7ou a publicar apenas as legendas que os acompanhavam (Carson, 2001b). Nos anos 1980, por\u00e9m, Carson publicava mais artigos e ensaios acad\u00eamicos do que poesia; aos poucos, foi deixando sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em segundo plano e, nos anos 1990 come\u00e7o dos anos 2000, publicou ao todo cinco colet\u00e2neas de ensaios e poesia (e muitos ensaios-poemas). Foi tamb\u00e9m nesse per\u00edodo que lan\u00e7ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia do vermelho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, o longo ensaio te\u00f3rico <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Economy of the Unlost: Reading Simonides of Keos with Paul Celan <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Economia do que n\u00e3o se perde: lendo Sim\u00f4nides de C\u00e9os com Paul Celan] (1999) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A beleza do marido: Um ensaio ficcional em 29 tangos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(2001 [2024]). Nessa mesma \u00e9poca, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o Doce-Amargo <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">adquiriu leitores fora da comunidade de estudos cl\u00e1ssicos, entrando para a lista da Modern Library de 100 melhores livros de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, e Carson firmou sua reputa\u00e7\u00e3o como poeta e ensa\u00edsta de renome. Entre 1996 e 2002, recebeu ao todo oito pr\u00eamios de literatura, entre eles o Lannan Literary Award de poesia e os pr\u00eamios T. S. Eliot e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Los Angeles Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A beleza do marido<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, al\u00e9m das bolsas Guggenheim, MacArthur e Rockefeller Bellagio Center.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um deslocamento se opera em torno do ano 2000 na produ\u00e7\u00e3o de Carson, quando ela passa a priorizar a poesia-ensaio, a performance e a tradu\u00e7\u00e3o. Entre 2001 e 2015, traduziu pe\u00e7as de S\u00f3focles, Eur\u00edpides e \u00c9squilo, al\u00e9m dos fragmentos de Safo. Em paralelo \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es mais filologicamente rigorosas, come\u00e7ou a lan\u00e7ar vers\u00f5es menos ortodoxas de trag\u00e9dias gregas, entre elas sua c\u00e9lebre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Antigonick <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Antigotriz] (2012 [2023]), tradu\u00e7\u00e3o da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ant\u00edgona<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de S\u00f3focles. Essa mudan\u00e7a foi marcada, em particular, por uma parceria com seu marido e colaborador Robert Currie: \u201cEu estava entediada com o meu trabalho, de modo geral\u201d, disse Carson \u00e0 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">New York Times Magazine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, \u201cE ele disse, \u2018Vamos colocar gente dan\u00e7ando nisso a\u00ed\u2019. E assim fizemos\u201d (Carson <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apud<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Anderson, 2013) Desde ent\u00e3o, Currie a ajuda a transformar poemas, tradu\u00e7\u00f5es e vers\u00f5es de trag\u00e9dias em performances cenogr\u00e1ficas, colaborando na imagina\u00e7\u00e3o espacial de sua poesia, fazendo com que seus textos ganhem corpo e movimento em performances e a ajudando a formatar e publicar seus livros ilustrados (como o epit\u00e1fio-acorde\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nox<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, escrito ap\u00f3s a morte de seu irm\u00e3o em 2000 e publicado em 2010).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson acumula pr\u00eamios por suas tradu\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es; ademais, em 2020, recebeu o pr\u00eamio Princesa de Ast\u00farias de literatura, em 2021 o pr\u00eamio PEN\/Nabokov para feitos em literatura internacional e em 2025 o pr\u00eamio Hadada da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Paris Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> pelo conjunto de sua obra. Atualmente, divide seu tempo entre os Estados Unidos e a Isl\u00e2ndia e, em 2024, revelou ter sido diagnosticada com a doen\u00e7a de Parkinson e ter se matriculado em aulas de boxe para ajudar a preservar o controle sobre seus movimentos e estimular sua capacidade de aten\u00e7\u00e3o. Menos ativa do que antes, Carson segue publicando: em 2024, lan\u00e7ou a colet\u00e2nea de textos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Wrong Norma<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Norma errada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], e ainda neste ano de 2025 publicou diversos ensaios e poemas em revistas como a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">London Review of Books<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Paris Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>2. M\u00e9todo<\/b><\/p>\n<p><b>2.1. Interdisciplinaridade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A interdisciplinaridade, ou o transbordamento de fronteiras entre g\u00eaneros liter\u00e1rios, \u00e9 central para entender a obra de Carson. Em uma entrevista concedida a John D\u2019Agata em 1997 (apenas a segunda de sua carreira), Carson diz que separa sua produ\u00e7\u00e3o \u201ccriativa\u201d de sua produ\u00e7\u00e3o \u201cacad\u00eamica\u201d, reservando uma mesa de trabalho distinta para cada uma; posteriormente, ela conta transitar livremente entre as duas mesas, levando frases e ideias de uma para a outra (Carson, 2003).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Formas e limites, em suas diversas itera\u00e7\u00f5es, aparecem insistentemente em sua escrita. Al\u00e9m de configurar sua rela\u00e7\u00e3o com a forma liter\u00e1ria, o \u201ctransbordamento\u201d constitui uma figura \u00e0 parte em sua obra. Uma das primeiras preocupa\u00e7\u00f5es de Carson em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o Doce-Amargo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 entender a natureza dos limites do sujeito er\u00f3tico \u00e0 luz da possibilidade de sua dissolu\u00e7\u00e3o. Como veremos, o desejo \u00e9 compreendido como habitando o espa\u00e7o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">entre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> o amante e o amado; quando dois buscam ser um, mas antes que o sejam. Assim, quando falamos em transbordamento ou dissolu\u00e7\u00e3o de limites, o movimento ao qual aludimos \u00e9 sempre interceptado ou interrompido pelo caminho (isto \u00e9, ele nunca \u00e9 plenamente realizado): o desejo deixaria de existir se os amantes se dissolvessem um no outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse \u201cespa\u00e7o intersticial\u201d reaparece, de diferentes maneiras, ao longo da obra de Carson, e \u00e9 uma imagem particularmente apta para nos ajudar a entender sua tarefa como tradutora. D\u2019Agata, em uma resenha de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Men in the Off Hours<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Homens nas horas vagas] (2000), caracteriza o h\u00edbrido ensaio-poesia de Carson como uma forma de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tradu\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: \u201cum livro que, no fim das contas, n\u00e3o \u00e9 de poesia em si, mas de tradu\u00e7\u00e3o \u2013 entre l\u00ednguas, entre identidades e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, entre g\u00eaneros\u201d (D\u2019Agata, 2000). Poder\u00edamos acrescentar, ecoando a descri\u00e7\u00e3o do of\u00edcio que Carson faz em sua entrevista na Lannan Foundation em 2001, que o objetivo da tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suprimir a diferen\u00e7a entre as l\u00ednguas ou criar uma terceira l\u00edngua que sirva de suplemento \u00e0 descontinuidade aparente das duas primeiras, instaurando entre elas uma continuidade homog\u00eanea, mas sim habitar esse espa\u00e7o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">entre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> as duas l\u00ednguas onde \u00e9 poss\u00edvel manter as duas lado a lado em seu campo de vis\u00e3o, ainda que brevemente. Uma outra maneira de dizer que \u00e9 preciso manter as duas mesas separadas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">e<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> seguir passando frases de uma \u00e0 outra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>2.2. Fragmento e erro<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando Carson fala da influ\u00eancia de sua forma\u00e7\u00e3o em estudos cl\u00e1ssicos sobre sua poesia, h\u00e1 um ponto que retorna insistentemente: o estado fragment\u00e1rio e lacunar do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">corpus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> antigo. O t\u00eanue equil\u00edbrio da converg\u00eancia-divergente (do amante e do amado, das duas l\u00ednguas) tem como condi\u00e7\u00e3o a estrutura fragment\u00e1ria do texto. O que poderia ser contingente (a saber, a degrada\u00e7\u00e3o, pelo tempo, de um arquivo) se torna assim necess\u00e1rio \u00e0 maneira como Carson entende a linguagem e a escrita. Como os textos gregos que estudou, seus ensaios liter\u00e1rios e sua poesia tamb\u00e9m possuem uma estrutura algo fragment\u00e1ria; isso se deve, diz Carson, a uma predile\u00e7\u00e3o maior pelos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fatos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do que pelas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">est\u00f3rias<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e tem por consequ\u00eancia uma ren\u00fancia \u00e0 forma narrativa (Carson, 1997). \u00c9 o caso de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia do vermelho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A beleza do marido<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, dos ensaios e poemas de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Plainwater, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">entre outros. A narrativa seria plena de conjuntivos que restringiriam as possibilidades de encadeamento dos fatos e Carson prefere imaginar sua poesia como uma forma de pintura (talvez n\u00e3o por acaso tenha come\u00e7ado fazendo livros ilustrados): sobre a superf\u00edcie da pintura, \u00e9 poss\u00edvel colocar fatos lado a lado sem encade\u00e1-los em uma narrativa e sem submet\u00ea-los \u00e0 unidade do sujeito que a enuncia. Seu objetivo, repetido desde o pr\u00f3logo de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> at\u00e9 suas entrevistas mais recentes, \u00e9 nunca deixar o pensamento estagnar, manter a aten\u00e7\u00e3o em movimento e jamais prend\u00ea-la a um \u00fanico ponto fixo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segue-se dessa l\u00f3gica do fragmento que palavras e coisas s\u00e3o fatos de igual valor \u2013 ou, como diz Helena Martins, que \u201ca linguagem e\u0301 ali submetida ao mesmo tipo de horizontalidade com que se deflaciona o sujeito falante\u201d (2018, p. 721). Dentre esses fatos do mundo est\u00e3o tamb\u00e9m temas de sua vida pessoal (destitu\u00eddos aqui de car\u00e1ter autobiogr\u00e1fico ou auto-te\u00f3rico no sentido comum dos termos) e fatos do que Carson chama de \u201ccontexto acad\u00eamico\u201d. Assim, aos que pretendem separar em definitivo poesia e teoria, Carson responde que, para ela, \u201cO projeto de pensar \u00e9 uma coisa s\u00f3 na minha cabe\u00e7a, uma tentativa de entender o mundo, ent\u00e3o posso muito bem usar todos os contextos dispon\u00edveis. Os contextos acad\u00eamicos est\u00e3o dispon\u00edveis porque est\u00e3o prontos; eles s\u00e3o dados pelo mundo\u201d (Carson, 2003, p. 14).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse cen\u00e1rio em que a autora e os fatos dados pelo mundo se encontram em uma rela\u00e7\u00e3o de horizontalidade, \u00e9 dif\u00edcil alcan\u00e7ar a objetividade que se espera de um pesquisador em estudos cl\u00e1ssicos \u2013 e este \u00e9, em certo sentido, o objeto das cr\u00edticas que recebeu de parte de seus leitores helenistas. Nesse contexto, podemos entender a \u201cNota sobre o m\u00e9todo\u201d com que Carson abre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Economy of the Unlost<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, onde confessa sua dificuldade em situar-se na \u201cpaisagem objetiva da ci\u00eancia e dos fatos\u201d (1999, p. vii), pois essa visada objetiva implicaria que ela se retirasse como um dos fatos do mundo, que ela deixasse de fazer idas e vindas entre o que est\u00e1 dentro e o que est\u00e1 fora de si.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O m\u00e9todo singular de Carson distingue-se daquele das ci\u00eancias humanas, sobretudo l\u00e1 onde imitam as ci\u00eancias exatas em sua busca pela verdade. Ela diz considerar a poesia como uma forma de pensamento (Carson, 2003, p. 14), mas \u00e9 importante levar em conta que, em seu pensamento-poesia, o equ\u00edvoco tem um lugar central (ver, em especial, seu \u201cEnsaio sobre aquilo em que eu mais penso\u201d, 2000 [2023]). Esse apre\u00e7o pelo erro a situa em deslocamento com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. Afinal, se, como defendeu Jacques Derrida, a tarefa da filosofia sempre foi subordinar a escrita a uma presen\u00e7a que se encontra fora dela (ver, por exemplo, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Farm\u00e1cia de Plat\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">), ent\u00e3o uma escritora e poeta como Carson \u2013 algu\u00e9m que coloca o equ\u00edvoco e o diferimento constitutivos da escrita <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">antes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">no lugar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do pensamento, que faz da escrita <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">o lugar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do pensamento \u2013 n\u00e3o poderia se ver como fil\u00f3sofa; ao menos n\u00e3o inequivocamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ater-se aos fatos e \u00e0s \u201cpequenas coisas\u201d \u00e9 parte de sua estrat\u00e9gia de luta contra os clich\u00eas, isto \u00e9, contra as formas fixas que herdamos do sentido comum: \u201cAcho que essa \u00e9 a tarefa de um escritor: perceber as pequenas coisas. Porque perceber as grandes coisas \u00e9 para pessoas como Descartes, e eu n\u00e3o consigo fazer isso, mas perceber as pequenas coisas faz diferen\u00e7a\u201d (Carson, 2024e). O equ\u00edvoco como m\u00e9todo serve para desfazer essas formas; para colocar o pensamento em movimento <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">em torno<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de formas j\u00e1 existentes que o mundo lhe oferece como fatos. Seu pensamento-escrita, movido pelos fatos do mundo, interessa-se pelo singular e nunca pelo geral, e tem como objetivo, justamente, desfazer as generalidades como formas fixas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>2.3. Influ\u00eancias e colabora\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse sentido, posto que j\u00e1 estamos nos perguntando sobre a rela\u00e7\u00e3o de Carson com a filosofia, poder\u00edamos dizer que ela tem um pensamento \u201cmenor\u201d no sentido de Deleuze e Guattari (\u00e9 minoria quem ocupa uma l\u00edngua ou um lugar aos quais \u00e9 estrangeiro; ver, principalmente, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kafka: Por uma literatura menor<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">). Carson n\u00e3o parece t\u00e3o interessada em estabelecer filia\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas ou te\u00f3ricas de modo geral. Apesar disso, poder\u00edamos afirmar, \u00e0 sua revelia, mas com alguma convic\u00e7\u00e3o, haver uma forte resson\u00e2ncia do pensamento estruturalista e p\u00f3s-estruturalista na sua obra, em particular pela influ\u00eancia n\u00edtida que ela deve a Roland Barthes (\u00e0 sua vertente que Haroldo de Campos chamava \u201cdionis\u00edaca\u201d). Fazer da escrita o lugar do pensamento e do desejo, pensar a transpar\u00eancia ou dissolu\u00e7\u00e3o do autor (e do Eu em geral) e confundir de prop\u00f3sito cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria com cita\u00e7\u00e3o s\u00e3o parte do que permite a Carson fundir os gregos com a vanguarda art\u00edstica e te\u00f3rica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Interpreta\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, quando perguntada sobre quem seria sua maior influ\u00eancia, ela responde sem hesitar: Homero. E, sobre suas demais leituras, acrescenta: \u201cexistem outras pessoas, mas Homero \u00e9 primordial\u201d (Carson, 1997, p. 14). Descrevemos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o Doce-Amargo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> como uma reflex\u00e3o em torno de um verso de Safo, e deve-se notar que a poesia de Safo, em particular seu fragmento 31, retorna como pe\u00e7a central de diversos ensaios seus. Mas suas influ\u00eancias liter\u00e1rias tampouco se restringem \u00e0 Gr\u00e9cia antiga e, no que tange autores de l\u00edngua inglesa, podemos atribuir um certo protagonismo a Virginia Woolf, assim como a Emily Dickinson e Emily Bront\u00eb, que t\u00eam uma import\u00e2ncia not\u00e1vel em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia do vermelho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e \u201cThe Glass Essay\u201d [O ensaio de vidro] (em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Glass, Irony and God<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Vidro, ironia e Deus], 1995a [2021]).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 dif\u00edcil determinar uma hierarquia entre suas refer\u00eancias liter\u00e1rias e te\u00f3ricas, e elas s\u00e3o mais do que poder\u00edamos enumerar aqui antes que esta lista se tornasse cansativa. No mais, talvez Carson preferisse que fal\u00e1ssemos em seus \u201ccolaboradores\u201d \u2013 Carson e Currie ministraram juntos, na Universidade de Nova York, uma aula sobre colabora\u00e7\u00e3o art\u00edstica intitulada \u201cThe Ego Circus [O circo do Ego]\u201d. Suas colabora\u00e7\u00f5es incluem diversos espet\u00e1culos com a companhia de dan\u00e7a de Merce Cunningham, uma leitura de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Antigonick <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">com <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/judith-butler\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Judith Butle<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">r como Creonte, colabora\u00e7\u00f5es com a artista visual Kim Anno, performances com Laurie Anderson e Lou Reed, entre outras. Gosto de especular tamb\u00e9m que suas colabora\u00e7\u00f5es se estendem aos ensaios e poemas em que \u00e9 a \u00fanica autora oficial, e que entre seus colaboradores poder\u00edamos encontrar os j\u00e1 mencionados Barthes e Woolf, al\u00e9m de Cy Twombly, Marcel Proust e Paul Celan. Como os dan\u00e7arinos, esses autores, em sua heterogeneidade e incompatibilidade, est\u00e3o a\u00ed colocando seu pensamento e sua escrita em movimento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>3. Temas e conceitos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora este seja um verbete para uma enciclop\u00e9dia de mulheres na filosofia, Carson n\u00e3o parece estar <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">no seu devido lugar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> em nossa disciplina. Os tr\u00eas temas de seu pensamento que apresentaremos aqui \u2013 a saber, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">o desejo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">a diferen\u00e7a sexual<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">a tradu\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u2013 se encontram ligados por uma mesma imagina\u00e7\u00e3o espacial, ou uma mesma topologia, daquilo que chamamos anteriormente de um espa\u00e7o intersticial ou um entre-dois. Assim, se Carson pensa sobre a diferen\u00e7a sexual, sobre a linguagem e sobre os limites dos sujeitos, ela o faz a partir de seu deslocamento (isto \u00e9, de um lugar <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">equ\u00edvoco<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">); deslocamento este que \u00e9 disciplinar, lingu\u00edstico e de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nosso foco ser\u00e1 em seus ensaios mais explicitamente acad\u00eamicos, onde muitas das ideias que ser\u00e3o desdobradas em sua poesia, seus ensaios liter\u00e1rios e suas tradu\u00e7\u00f5es-vers\u00f5es s\u00e3o apresentadas de maneira mais expl\u00edcita e com um mais longo desenvolvimento. Apesar do enfoque na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, procuraremos indicar, o m\u00e1ximo poss\u00edvel, onde esses temas e problemas reaparecem ao longo de toda sua obra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>3.1. Desejo<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o Doce-Amargo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> come\u00e7a com uma medita\u00e7\u00e3o sobre o fragmento 130 de Safo: \u201cEros mais uma vez afrouxa-membros me torce \/ doce-amargo, imposs\u00edvel de resistir, criatura a roubar\u201d (Safo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apud<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Carson, 2022a, s.p.). O adjetivo \u201cdoce-amargo\u201d, nos diz Carson, n\u00e3o descreve uma hist\u00f3ria de amor (primeiro era doce, depois se fez amargo), mas sim o instante do desejo. Nesse \u201cinstante paradoxal\u201d, doce e amargo convergem. Ao mesmo tempo, o amante busca trazer o amado para dentro de si, para suprir a falta que o coloca em movimento, e \u00e9 lembrado intensamente de que \u201cdois n\u00e3o s\u00e3o um\u201d (Carson, 2022a, s.p.). Em outras palavras, Eros coloca a integridade do amante em perigo, amea\u00e7ando derret\u00ea-lo em desejo, submetendo-o ao excesso e ao \u201cataque\u201d das emo\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m o recorda paradoxalmente da solidez de seus limites; isto \u00e9, de que ele n\u00e3o pode se tornar um com o amado. Essencial na din\u00e2mica do desejo er\u00f3tico \u00e9 o equil\u00edbrio entre os limites e o movimento para ultrapass\u00e1-los e suprimi-los.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 preciso ressaltar que o objeto do ensaio de Carson n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o desejo como experi\u00eancia f\u00edsica ou metaf\u00edsica, mas sobretudo o que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">se escreveu<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> sobre o desejo. Ele repousa, portanto, sobre a tese de que escrever \u00e9 indissoci\u00e1vel da limita\u00e7\u00e3o e da determina\u00e7\u00e3o; isto \u00e9, da diferencia\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 (o que sou eu, o que \u00e9 meu) e o que n\u00e3o \u00e9 (o que n\u00e3o \u00e9 meu, o que eu n\u00e3o sou). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> nos conta uma esp\u00e9cie de mito de origem do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">discreto<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: na linguagem, o discreto nasceria com a introdu\u00e7\u00e3o da escrita, que, entre outras coisas, direcionaria a aten\u00e7\u00e3o daquele que l\u00ea e escreve para o seu interior e romperia, assim, a continuidade entre dentro e fora estabelecida pelos fluxos sonoros. Os limites da escrita se refletiriam sobre o sujeito, que veria com maior nitidez a diferen\u00e7a entre o que \u00e9 dele e o que n\u00e3o \u00e9. Dessa diferen\u00e7a, surgem a obstru\u00e7\u00e3o e o diferimento do desejo que reconhecemos na poesia grega.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eros existe porque existem os limites e porque podemos, gra\u00e7as \u00e0 diferen\u00e7a que o limite instaura entre o que somos e o que n\u00e3o somos, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">alcan\u00e7ar <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">reach<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">), isto \u00e9, mover-nos do nosso estado atual de falta (nega\u00e7\u00e3o como forma de determina\u00e7\u00e3o) em dire\u00e7\u00e3o a uma completude poss\u00edvel ou imagin\u00e1ria. Esse movimento paradoxal (pois sempre fracassa) se encontra no desejo amoroso, mas tamb\u00e9m no desejo de conhecer que move o pensamento, e deriva de uma caracter\u00edstica da l\u00edngua e da escrita; a saber, da equivocidade inerente do signo lingu\u00edstico e da met\u00e1fora. Jogos de palavras evidenciam primeiro essa equivocidade: sob um mesmo significante, pairam duas imagens ou significados distintos. A possibilidade de colocar em foco duas imagens incongruentes, diz Carson, \u00e9 extremamente er\u00f3tica. A met\u00e1fora funciona por um mesmo mecanismo: o movimento do sentido literal ao sentido figurado depende de uma semelhan\u00e7a (sempre incompleta) entre um significado e um significante que n\u00e3o lhe pertence. Assim, a met\u00e1fora nos faz ver a congru\u00eancia poss\u00edvel no sentido figurado, sem que a sua incongru\u00eancia com o sentido literal suma do nosso horizonte: converg\u00eancia e diverg\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As ideias de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o Doce-Amargo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ecoam por todo o pensamento de Carson. Em sua poesia-ensaio, o desejo se manifesta de formas diversas: em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia do vermelho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a hist\u00f3ria de Geri\u00e3o e seu amor por H\u00e9racles se entrela\u00e7a com uma complexa reflex\u00e3o sobre a fun\u00e7\u00e3o dos adjetivos na determina\u00e7\u00e3o (e na libera\u00e7\u00e3o) dos limites do Ser. Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O m\u00e9todo Albertine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2014 [2017a]), essa mesma din\u00e2mica topol\u00f3gica do desejo se aprofunda e acompanhamos a tentativa imposs\u00edvel de Marcel de manter Albertine cativa por meio de diversos artif\u00edcios, entre eles os adjetivos. \u201cDescria\u00e7\u00e3o: de que modo mulheres como Safo, <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/filosofas\/marguerite-porete\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Marguerite Porete<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/simone-weil\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Simone Weil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> contam de Deus\u201d<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(2005 [2023]) prop\u00f5e uma medita\u00e7\u00e3o sobre o amor divino e o impulso de desfazer o Eu. Em \u201cAnthropology of Water\u201d [Antropologia da \u00e1gua] (1995b [2025]), o desejo se entrela\u00e7a indissoluvelmente \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de uma identidade de g\u00eanero, regendo uma troca intermin\u00e1vel de posi\u00e7\u00f5es e perspectivas; por fim, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A beleza do marido <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">investiga a rela\u00e7\u00e3o entre mentira e desejo.<\/span><\/p>\n<p><b>3.2. Diferen\u00e7a sexual<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1990, Carson publicou \u201cDesejo e sujeira: uma fenomenologia da polui\u00e7\u00e3o feminina na Antiguidade\u201d, posteriormente republicado em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Men in the Off Hours<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (e traduzido para o portugu\u00eas brasileiro na colet\u00e2nea <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sobre aquilo em que eu mais penso: Ensaios<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 2023). Trata-se de uma investiga\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica e hist\u00f3rica sobre o imagin\u00e1rio da mulher na antiguidade grega, onde Carson reflete sobre a hip\u00f3tese de que a mulher seria tida ali como uma figura poluente, sempre \u00e0 beira do transbordamento. Isto \u00e9, como criaturas que n\u00e3o seriam capazes de controlar seus pr\u00f3prios limites (ou, simplesmente, de controlar a si mesmas).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em \u201cO g\u00eanero do som\u201d, publicado em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Vidro, ironia e Deus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> em 1995, encontramos um prolongamento dessa mesma tese, com uma investiga\u00e7\u00e3o sobre como a voz feminina parece tamb\u00e9m ser concebida como uma forma de transbordamento. A falta de autocontrole (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sophrosyne<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">) das mulheres sobre suas emo\u00e7\u00f5es se refletiria em uma incapacidade de participar do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">logos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">; isto \u00e9, de fazer discursos e ju\u00edzos racionais, de emitir algo mais que sons e gritos. Mulheres colocariam para fora coisas que deveriam ficar contidas, ou que s\u00f3 poderiam ser ditas depois de passarem pelo \u201cmecanismo de dissocia\u00e7\u00e3o que os gregos chamavam de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sophrosyne<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d (Carson, 1995a, p. 128). \u00c9 como se mulheres escrevessem em seu exterior, em seu corpo (como no caso da histeria tal como descrita por Freud e Breuer), sinais de seu interior, invertendo sem autoriza\u00e7\u00e3o a ordem estabelecida pelos limites.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cDesejo e sujeira\u201d encerra com a men\u00e7\u00e3o a Safo com a qual abrimos este verbete;\u00a0 \u00a0 \u00a0 cita\u00e7\u00e3o extra\u00edda de uma an\u00e1lise de seu fragmento 31, em que Carson conclui que o poema, que trata de uma cerim\u00f4nia de casamento e desvelamento da noiva (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">anakalypteria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">), um ritual de simult\u00e2nea sacraliza\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o dos seus limites, n\u00e3o s\u00f3 refor\u00e7a aquilo que aprendemos com os gregos sobre as mulheres como tamb\u00e9m faz explodir os limites da pr\u00f3pria autora. Safo, nos diz Carson, situa \u201csuas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es \u2013 emo\u00e7\u00f5es extremamente \u00edntimas e devidamente escondidas \u2013 no instante singular mais extraordin\u00e1rio de exposi\u00e7\u00e3o da vida de uma mulher, torcendo assim o sentido do ritual em dire\u00e7\u00e3o a si mesma\u201d (Carson, 2023, p. 42). A consequ\u00eancia desse transbordamento expl\u00edcito \u00e9 a transpar\u00eancia da autora: mesmo tendo colocado para fora o que tinha dentro de si, feita transparente, Safo n\u00e3o se revela. Assim, da supress\u00e3o do limite entre dentro e fora que Carson diz desejar no fim de \u201cO g\u00eanero do som\u201d, n\u00e3o se segue uma continuidade homog\u00eanea ou uma correspond\u00eancia inequ\u00edvoca, mas sim uma nova diferen\u00e7a: a autora est\u00e1 sempre fora de alcance.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em uma entrevista de 2004 a seu amigo Will Aitken, Carson conta que seus trinta anos foram marcados por uma intensa desidentifica\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero feminino. Ela agrega: \u201cN\u00e3o existe uma palavra para o g\u00eanero \u2018flutuante\u2019 no qual todos gostar\u00edamos de repousar. O neutro aparece (&#8230;) mas isso n\u00e3o d\u00e1 tanto conta da situa\u00e7\u00e3o, porque voc\u00ea n\u00e3o se sente neutro, voc\u00ea se sente simplesmente errado.\u201d (Carson, 2004). Ser mulher parece conferir a Carson um sentido agudo de que toda identidade implica um desvio e que ela mesma n\u00e3o se encontra do lado da norma, e sim de sua transgress\u00e3o. Nesse sentido, ela toma a figura da mulher que encontra no imagin\u00e1rio mis\u00f3gino da antiguidade e incorpora a invers\u00e3o ou explos\u00e3o dos limites que a caracterizam em sua pr\u00f3pria escrita, como o fez tamb\u00e9m Safo, fazendo ver como o deslocamento intr\u00ednseco \u00e0 figura algo monstruosa da mulher (deslocamento com rela\u00e7\u00e3o a si mesma) \u00e9 a \u00fanica forma poss\u00edvel de entender e viver o g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson investiga ainda a figura da \u201cfalsa mulher\u201d em \u201cDescria\u00e7\u00e3o\u201d, e seu poema \u201cStanzas, sexes, seduction\u201d [Estrofes, sexos, sedu\u00e7\u00e3o] (2005) \u00e9 uma bela reflex\u00e3o sobre o sentimento de inadequa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Ela joga com a multiplica\u00e7\u00e3o e a troca de perspectivas e de corpos em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Norma Jeane Baker of Troy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Norma Jeane Baker de Troia] (2019), sua vers\u00e3o da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Helena<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de Eur\u00edpides em que Helena \u00e9 Marilyn Monroe (e Monroe \u00e9 Truman Capote), bem como em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O m\u00e9todo Albertine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Considero, por\u00e9m, que uma de suas reflex\u00f5es mais profundas sobre o g\u00eanero se d\u00e1 em \u201cAnthropology of Water\u201d, na parte do ensaio intitulada \u201cJust for the Thrill: Na Essay on the Difference Between Women and Men\u201d [S\u00f3 pelo barato: um ensaio sobre a diferen\u00e7a entre mulheres e homens].\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 por esse t\u00edtulo que decidi dar o nome desta subse\u00e7\u00e3o de \u201cdiferen\u00e7a sexual\u201d. A tentativa da parte de Carson de fazer ver a diferen\u00e7a ou descontinuidade entre homens e mulheres \u00e9 realizada por meio de uma troca de posi\u00e7\u00f5es ou uma converg\u00eancia for\u00e7ada, ao modo da met\u00e1fora em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, de dois pontos de vista (exterior e interior, homem e mulher). Assim, a diferen\u00e7a sexual em seu sentido comum, aquela que conhecemos bem e que serve para fundamentar uma identidade, continuidade e coer\u00eancia entre sexo, g\u00eanero e desejo (como bem mostrou Judith Butler em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Problemas de g\u00eanero<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">), esconde uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">outra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> diferen\u00e7a sexual: g\u00eanero, sexo e desejo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">como<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> diferen\u00e7a (e uma alus\u00e3o ao pensamento de <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/luce-irigaray\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Luce Irigaray<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> pode muito bem ser entendida aqui). Terminamos por n\u00e3o saber <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">qual<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> era a diferen\u00e7a entre homens e mulheres, nem se a narradora era efetivamente uma mulher verdadeira, mas entendemos que algo nos escapou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>3.3. Tradu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cVaria\u00e7\u00f5es sobre o direito de permanecer calado\u201d (2016 [2023]) \u00e9 um t\u00edtulo inesperado para um ensaio sobre tradu\u00e7\u00e3o. Se dissemos na segunda se\u00e7\u00e3o deste verbete que a tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o procura encontrar ou estabelecer uma continuidade, e nem uma converg\u00eancia, entre duas l\u00ednguas, mas sim instalar-se na diverg\u00eancia e no espa\u00e7o (vazio?) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">entre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> elas, \u00e9 porque a tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode se separar do que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">resta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e do que permanece, portanto, intraduz\u00edvel. Intraduz\u00edvel n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de original, nem de essencial ou de mais verdadeiro. N\u00e3o \u00e9 intraduz\u00edvel o que s\u00f3 se faz presente pela media\u00e7\u00e3o. Essa coisa que sobra, que permanece em sil\u00eancio \u2013 seja o sil\u00eancio das lacunas nos fragmentos gregos, seja o sil\u00eancio das palavras divinas cujo sentido n\u00e3o podemos conhecer, seja aquele dos gritos que escapam ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">logos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u2013 fascina Carson, que busca uma pr\u00e1tica de tradu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reduza o sil\u00eancio ao clich\u00ea, que n\u00e3o insira uma narrativa nas lacunas. Ela chama essa pr\u00e1tica de \u201ccat\u00e1strofe\u201d: destruir para que as palavras possam interromper-se em tr\u00e2nsito.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O poema que Carson escreve como pr\u00f3logo a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Antigonick<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, \u201ca tarefa de quem traduz Ant\u00edgona\u201d, termina com uma promessa:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">talvez conhe\u00e7a aquele poema de Ingeborg Bachmann<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">de seus \u00faltimos anos de vida que come\u00e7a com<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu perco meus gritos\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">cara Ant\u00edgona<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">tomo como a tarefa de quem traduz<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">impedir que jamais perca os seus gritos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (Carson, 2017b).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Talvez os gritos de Ant\u00edgona sejam intraduz\u00edveis, como os de Cassandra (ver \u201cCassandra Float Can\u201d, 2016; Martins e Britto, 2024, sugerem \u201cCassandra flutuar pode\u201d como apenas uma das muitas tradu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para esse t\u00edtulo). Mas a resposta do tradutor ao que escapa e ao que se emudece n\u00e3o \u00e9 permanecer, ele tamb\u00e9m, calado, mas fazer coexistir, atrav\u00e9s da cat\u00e1strofe e da demoli\u00e7\u00e3o, aquilo que n\u00e3o existe com o que existe.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que n\u00e3o existe, o que n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed e que \u00e9, portanto, invis\u00edvel, se assemelha \u00e0 imagem fora de alcance, desejada pelo amante em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Essa coisa n\u00e3o existente se faz presente no limite do existente, naquilo que determina a descontinuidade entre ele e o que o circunda. Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Economy of the Unlost<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Carson investiga a aliena\u00e7\u00e3o (forma de estranhamento, deslocamento e desequil\u00edbrio) na linguagem po\u00e9tica de Sim\u00f4nides de C\u00e9os e de Paul Celan. Segundo Carson, quando Sim\u00f4nides comp\u00f5e sua poesia, em particular seus epit\u00e1fios, ele n\u00e3o s\u00f3 faz ver o que n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 (ver o invis\u00edvel), como tamb\u00e9m nos faz <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">n\u00e3o <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">ver o que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">est\u00e1 <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">l\u00e1 (1999, p. 62). A coexist\u00eancia do vis\u00edvel e do invis\u00edvel \u2013 e, poder\u00edamos acrescentar, da palavra que fala e da que permanece calada, escondendo algo que n\u00e3o podemos conhecer \u2013 n\u00e3o \u00e9 um caminho de m\u00e3o \u00fanica. A efic\u00e1cia po\u00e9tica de Sim\u00f4nides n\u00e3o est\u00e1 na sua capacidade de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fazer ver<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> os mortos, de devolver a eles a palavra, mas de interromper a fala dos vivos fazendo aparecer, entre n\u00f3s, o seu sil\u00eancio (ver tamb\u00e9m Martins, 2023).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Traduzir \u00e9 uma tal tarefa: fazer coexistir o que n\u00e3o existe (o resto, o intraduz\u00edvel) com o que existe, mas sem traz\u00ea-lo \u00e0 exist\u00eancia Deixar que a palavra se emude\u00e7a ou se interrompa em tr\u00e2nsito \u00e9 uma maneira de deixar aberta a possibilidade de alcan\u00e7ar, isto \u00e9, de mover-se em dire\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel sem atualiz\u00e1-lo: \u201cDiante de uma palavra que interrompe a si mesma, dentro desse sil\u00eancio, temos a sensa\u00e7\u00e3o de que algo passou por n\u00f3s e seguiu adiante, de que alguma possibilidade se libertou\u201d (Carson, 2023, p. 169). Paradoxalmente, se o nosso olhar e nosso pensamento seguem em movimento, acompanhando essa flecha que passou por n\u00f3s e seguiu, \u00e9 porque terminamos olhando para a quietude (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">stillness<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ver Carson, 2021b), ou para o espa\u00e7o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">entre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> dois pontos, onde o movimento ocorreu, ocorre ou ocorrer\u00e1. Poder\u00edamos dizer, enfim, que o objetivo de Carson como tradutora, poeta e ensa\u00edsta \u00e9 relatar esse movimento, e que a cat\u00e1strofe, na tradu\u00e7\u00e3o, pareceu-lhe o m\u00e9todo adequado para essa tarefa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p><b>Livros e tradu\u00e7\u00f5es de Anne Carson em ingl\u00eas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bruno, R., Carson, A. e Eur\u00edpides (2021). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Euripides, The Trojan Women: a comic<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova York: New Directions.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (1986 [1998]) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros the bittersweet: an essay<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Dalkey Archive. Normal, Illinois: Dalkey Archive Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (1992). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Short talks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. London, Ontario: Brick Books.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (1995a) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Glass, irony, and God<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova York: New Directions.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (1995b [2000]) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Plainwater: essays and poetry<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o Vintage Contemporaries. Nova York: Vintage Contemporaries.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (1998) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiography of red: a novel in verse<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova York: Alfred A. Knopf.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (1999). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Economy of the unlost: reading Simonides of Keos with Paul Celan.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Princeton: Princeton University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2000 [2001]) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Men in the off hours.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o Vintage Contemporaries. Nova York: Vintage Contemporaries.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2001a [2002]) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The beauty of the husband: a fictional essay in 29 tangos.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o Vintage Contemporaries. Nova York: Vintage Contemporaries.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2005) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Decreation: poetry, essays, opera.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Nova York: Alfred K. Knopf.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2010a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nox<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: New Directions.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2010b) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Na Oresteia: Agamemnon by Aiskhylos: Elektra by Sophokles: Orestes by Euripides.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Nova York: Farrar, Straus and Giroux.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2013). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Red doc&gt;.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> London: Cape Poetry.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2014). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Albertine workout<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Nova York: New Directions.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Float.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Nova York: Alfred A. Knopf.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2019a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Norma Jeane Baker of Troy: a version of Euripides\u2019s Helen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Londres: Oberon books.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2021a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">H of H playbook.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Nova York: New Directions.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2021b) Stillness. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Critical Inquiry<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 48(1), p. 1-22.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2024a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Wrong Norma.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Nova York: New Directions.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Euripides (2008). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Grief lessons: four plays<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de Anne Carson. Nova York: New York Review Books.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Euripides (2020) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Bakkhai<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Anne Carson. Nova York: New Directions.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sappho (2002). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">If not, winter: fragments of Sappho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Anne Carson. Nova York: Random House.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3focles (2001) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Electra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Anne Carson. Nova York: Oxford University Press.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3focles (2012). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Antigonick<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Anne Carson, ilustra\u00e7\u00f5es de Bianca Stone, design de Robert Currie. Tarset: Bloodaxe.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3focles (2015). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Antigone.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> London: Oberon Books.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Livros e tradu\u00e7\u00f5es de Anne Carson em portugu\u00eas<\/b><\/p>\n<p><b>No Brasil<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2017a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O m\u00e9todo Albertine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Vilma Ar\u00eaas e Fernando Guimar\u00e3es. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Jabuticaba.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2017b). \u201cA tarefa de quem traduz ant\u00edgona\u201d, In: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">3 traduc\u0327o\u0303es para o \u201ctask of the translator\u201d da Antigonick de Anne Carson<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Ismar Tirelli Neto. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/escamandro\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/escamandro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.wordpress.com\/2017\/01\/13\/3-traducoes-para-o-task-of-the-translator-da-antigonick-de-anne-carson\/. Acesso em 26 de setembro de 2025.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2021c). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia do vermelho: um romance em versos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Ismar Tirelli Neto. S\u00e3o Paulo: Editora 34.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2022a)\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros o doce-amargo: um ensaio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Vers\u00e3o digital]. Tradu\u00e7\u00e3o de Julia Raiz. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2022b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Falas curtas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Laura Erber e S\u00e9rgio Flaksman. Belo Horizonte: Relic\u00e1rio<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2023). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sobre aquilo em que eu mais penso: ensaios<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Organiza\u00e7\u00e3o de Danilo Hora e Sofia Nestrovski e tradu\u00e7\u00e3o de Sofia Nestrovski. S\u00e3o Paulo: Editora 34.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2024b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Emanuela Siqueira e Julia Raiz. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Em Portugal<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2017c). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Autobiografia do vermelho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Concha e Ricardo Marques. Lisboa: n\u00e3o (edi\u00e7\u00f5es).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2019b).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Tatiana Faia. Lisboa: n\u00e3o (edi\u00e7\u00f5es).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2021d).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Vidro, ironia e Deus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Tatiana Faia. Lisboa: n\u00e3o (edi\u00e7\u00f5es).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2024c). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eros, amargo e doce, um ensaio.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Tradu\u00e7\u00e3o de Tatiana Faia. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2025).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c1gualisa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Rui Cascais Parada. Lisboa: n\u00e3o (edi\u00e7\u00f5es).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3focles e Carson, A. (2023). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Antigotriz<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Isabel Lopes. Lajes do Pico: Companhia das Ilhas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Algumas entrevistas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (1997). A ___ with Anne Carson. [Entrevista concedida a John D\u2019Agata] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Iowa Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 27 (2), 1997, pp. 1-22.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Carson, A. (2001b). Anne Carson with Brighde Mullins: readings &amp; conversations. [Entrevista a Brighde Mullins] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Lannan Foundation<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Mar\u00e7o de 2001. Recuperado de:\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/lannan.org\/media\/anne-carson-with-brighde-mullins?utm_source=chatgpt.com\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/lannan.org\/media\/anne-carson-with-brighde-mullins<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 25 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2003). Gifts and questions. [Entrevista a Kevin McNeilly] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Canadian Literature<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> n. 176, Spring 2003, pp. 12-27.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2004). Anne Carson: the art of poetry no. 88. [Entrevista a Will Aitken] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Paris Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 171 Fall 2004. Recuperado de:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.theparisreview.org\/interviews\/5420\/the-art-of-poetry-no-88-anne-carson\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.theparisreview.org\/interviews\/5420\/the-art-of-poetry-no-88-anne-carson<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 25 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2012). An interview with Anne Carson. [Entrevista concedida a Eleanor Wachtel] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Brick: A Literary Journal<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 89. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/brickmag.com\/an-interview-with-anne-carson\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/brickmag.com\/an-interview-with-anne-carson\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 25 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2021e). Anne Carson punches a hole through Greek myth. [Entrevista concedida a Tacita Dean] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Interview Magazine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Dezembro de 2021. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.interviewmagazine.com\/culture\/anne-carson-punches-a-hole-through-greek-myth\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.interviewmagazine.com\/culture\/anne-carson-punches-a-hole-through-greek-myth#<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 25 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2024d). \u201cThrowing yourself into the dark\u201d: a conversation with Anne Carson. [Entrevista concedida a Kate Dwyer] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Paris Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Abril de 2024. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.theparisreview.org\/blog\/2024\/04\/17\/throwing-yourself-into-the-dark-a-conversation-with-anne-carson\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.theparisreview.org\/blog\/2024\/04\/17\/throwing-yourself-into-the-dark-a-conversation-with-anne-carson\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 25 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Carson, A. (2024e). Anne Carson: life is not fair. [Entrevista concedida a Linn Ullmann] <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Louisiana Channel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Setembro de 2024. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/channel.louisiana.dk\/video\/anne-carson-life-is-not-fair\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/channel.louisiana.dk\/video\/anne-carson-life-is-not-fair<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 25 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Algumas performances<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Arquivo com algumas leituras e performances de Anne Carson em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Louisiana Channel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/channel.louisiana.dk\/artists\/anne-carson\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/channel.louisiana.dk\/artists\/anne-carson<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 26 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rideout, C. (2012). The kinaesthetics of poetry: on Anne Carson and the dancer I never was. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Fiddlehead<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/thefiddlehead.ca\/content\/kinaesthetics-poetry-anne-carson-and-dancer-i-never-was\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/thefiddlehead.ca\/content\/kinaesthetics-poetry-anne-carson-and-dancer-i-never-was<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 26 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">London Review. (2024) Wrong Norma: Anne Carson, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Simon McBurney, Ben Whishaw, and\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Robert Currie<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">London Review Bookshop<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 26 de junho de 2024. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LF-1Nt_zurA\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LF-1Nt_zurA<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 26 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CCCB (2025). Anne Carson: Performance recital. Centro de cultura contempor\u00e0nia de Barcelona. 12 de maio de 2025. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.cccb.org\/en\/multimedia\/videos\/anne-carson\/247924\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.cccb.org\/en\/multimedia\/videos\/anne-carson\/247924<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 26 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Literatura secund\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p><b>Livros, colet\u00e2neas e n\u00fameros especiais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Special Issue: Anne Carson. (2003) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Canadian Literature<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 176, Spring.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Coles, E. S. (2023). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anne Carson: the glass essayist<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Oxford: Oxford University Press, 2023.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jansen, L. (ed.). (2022). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anne Carson: antiquity<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. London: Bloomsbury Academic.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ruprecht, L. A. (2022). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reach without grasping: Anne Carson\u2019s classical desires<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Lanham: Lexington Books.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wilkison, J. M. (Ed.). (2015). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anne Carson: ecstatic lyre<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Ann Arbor: University of Michigan Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigos e outros<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anderson, S. (2013). The inscrutable brilliance of Anne Carson. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">New York Magazine, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">14 de mar\u00e7o de 2013. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2013\/03\/17\/magazine\/the-inscrutable-brilliance-of-anne-carson.html?smid=url-share\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.nytimes.com\/2013\/03\/17\/magazine\/the-inscrutable-brilliance-of-anne-carson.html?smid=url-share<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 26 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Butler, J. (2012). Can\u2019t stop screaming. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Public Books<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 5 de setembro de 2012. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.publicbooks.org\/cant-stop-screaming\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.publicbooks.org\/cant-stop-screaming\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Acesso em 26 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">D\u2019Agata, J. (2000). Review: Men in the off hours. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Boston Review<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 1\u00ba de junho de 2000. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.bostonreview.net\/articles\/john-dagata-review-men-hours\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bostonreview.net\/articles\/john-dagata-review-men-hours\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 26 de setembro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fernandes, R. Z. (2024). Erudic\u0327a\u0303o e amadorismo: notas sobre o ensaio e o poema-ensaio em Anne Carson. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Alea<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 26(3), pp. 1-17.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jennings, C. (2001). The Erotic poetics of Anne Carson. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">University of Toronto Quarterly<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 70(4), pp. 923-936.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Martins, H. F. (2018). Escrever de volta: Anne Carson, Emily Dickinson. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Remate de Males<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 38(2), p. 703\u2013725.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Martins, H. F. (2022). Variations on the task of the translator: on translation as catastrophe and as equivocation. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Perspectives, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">31(1), pp. 16-30.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Martins, H. F. (2023). Paul Val\u00e9ry e Anne Carson em torno do que n\u00e3o existe. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O que nos faz pensar<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 31(53), p. 220-238.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Martins, H., &amp; Britto, P. H. (2024). Um poema como nota de tradu\u00e7\u00e3o n\u2019As bacantes de Anne Carson.\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cadernos De Tradu\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">,\u00a044(1), 1\u201319.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Moreira, I. C. M. (2019). Traduc\u0327a\u0303o e comenta\u0301rio: Anne Carson e seus espelhamentos ensai\u0301sticos a\u0300s traduc\u0327o\u0303es de trage\u0301dias gregas. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Urdimento &#8211; Revista de Estudos em Artes Ce\u0302nicas, 2(35),<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> p. 249-262.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nascimento, J. R. (2022). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Que tipo de withness comtitude seria essa? <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Traduzindo os ensaios de Anne Carson. 2022. Tese (Doutorado em Estudos Litera\u0301rios) \u2013 Programa de Po\u0301s-Graduac\u0327a\u0303o em Letras, Universidade Federal do Parana\u0301, Curitiba, 2022.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rae, I. (2000). Dazzling hybrids. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Canadian Literature<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 166, Autumn 2000, pp. 17-41.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rae, I. (2011). Verglas: narrative technique in Anne Carson\u2019s \u201cThe Glass Essay\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ESC: English Studies in Canada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 37(3-4), pp. 163-186.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Viveiros de Castro, I. (2025). Transbordamentos: a feminidade equ\u00edvoca de Anne Carson. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eutomia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 36(1) p. 33-53.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wilson, E. (2024). Fox and hedgehog: the myths of Anne Carson. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Nation<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Junho de 2024. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.thenation.com\/article\/culture\/anne-carson-wrong-norma\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.thenation.com\/article\/culture\/anne-carson-wrong-norma\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> Acesso <\/span><span style=\"font-weight: 400\">em 26 de setembro de 2024.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anne Carson (1950-) por Irene Viveiros de Castro, doutoranda em filosofia na Universit\u00e9 Toulouse Jean-Jaur\u00e8s e\u00a0 membro do laborat\u00f3rio ERRAPHIS<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2550","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2550"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2550\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2554,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2550\/revisions\/2554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}