{"id":2564,"date":"2025-11-04T15:21:38","date_gmt":"2025-11-04T18:21:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=2564"},"modified":"2025-11-04T15:25:52","modified_gmt":"2025-11-04T18:25:52","slug":"2564-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/2564-2\/","title":{"rendered":"F\u00e1tima Mernissi"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>F\u00e1tima Mernissi ou Fatema Mernissi\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>(1940-2015)<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">por Samira Adel Osman,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Docente da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1041503754281830\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/11\/Fatima-Mernissi-ou-Fatema-Mernissi-PDF.docx.pdf\">PDF &#8211; Fatima Mernissi<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure id=\"attachment_2565\" aria-describedby=\"caption-attachment-2565\" style=\"width: 247px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2565\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/11\/image-188x300.png\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/11\/image-188x300.png 188w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2025\/11\/image.png 395w\" sizes=\"(max-width: 247px) 100vw, 247px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2565\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito da Foto: https:\/\/fatemamernissi.com\/selected-photos<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>1.\u201cNasci em um Har\u00e9m\u201d<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fatima Mernissi ou Fatema Mernissi nasceu em 27 de setembro de 1940, na cidade de Fez, e faleceu em 30 de novembro de 2015, em Rabat. A capital do Marrocos foi o local em que Mernissi viveu, trabalhou e lutou at\u00e9 o fim de sua vida intensa, aos 75 anos de idade. Como descreveram seus amigos e admiradores, foi uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">nur<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (luz) \u00e1rabe que se apagou, mas isso n\u00e3o aconteceu com seu legado intelectual e sua voz altiva nos debates sobre o papel e o direito das mulheres no islamismo, al\u00e9m de sua luta incans\u00e1vel pela melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das marroquinas e de outras mulheres do Norte da \u00c1frica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sua fam\u00edlia mu\u00e7ulmana era origin\u00e1ria de Taounate, cidade localizada nas encostas das montanhas do Rife, regi\u00e3o majoritariamente ocupada pelos povos berberes. Dona de grandes propriedades de terras e envolvida em diferentes neg\u00f3cios que multiplicaram sua riqueza, sua fam\u00edlia abastada e tradicional se estabeleceu em Fez, cidade em que Fatima Mernissi nasceu e viveu sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, rodeada por diversos membros de uma fam\u00edlia estendida, que inclu\u00eda av\u00f3s, tios e tias, primos e primas, solteiros, casados, divorciados, vi\u00favos. A casa da fam\u00edlia, o har\u00e9m, marcou a vida de Mernissi, influenciou seus pensamentos e o ativismo social e pol\u00edtico pelos quais ficou conhecida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando Fatima Mernissi nasceu, o Marrocos era uma monarquia governada pelo rei Mohammed V, ainda sob o dom\u00ednio colonial franc\u00eas e espanhol. O surgimento de um movimento nacionalista e independentista, conclu\u00eddo em 1956, permitiu \u00e0 jovem Mernissi ser parte da primeira gera\u00e7\u00e3o de meninas a frequentar a escola, superando a condi\u00e7\u00e3o de analfabetismo das mulheres de sua fam\u00edlia. Seus estudos iniciais come\u00e7aram em uma escola cor\u00e2nica, a qual passou a frequentar aos tr\u00eas anos de idade juntamente aos seus primos; imbu\u00edda pelos ventos modernistas e nacionalistas dessa d\u00e9cada, sua fam\u00edlia a matriculou em uma pioneira escola privada e mista de sua cidade natal para dar continuidade ao ensino b\u00e1sico. O desejo de continuar seus estudos a levou para a capital do pa\u00eds para cursar o ensino m\u00e9dio em uma escola para meninas mantida pelo ainda governo colonial franc\u00eas. Em 1957, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Rabat e formou-se em Ci\u00eancia Pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Beneficiada por uma bolsa em 1960, continuou seus estudos universit\u00e1rios realizando uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia na Sorbonne, em Paris, onde tamb\u00e9m atuou como jornalista. Mudou-se para os Estados Unidos para realizar sua pesquisa de doutoramento, com tese defendida em 1973 na \u00e1rea de Sociologia da Universidade Brandeis, localizada na cidade de Waltham no estado de Massachusetts.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A tese, intitulada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Effects of Modernization on the Male-Female Dynamics in a Muslim Society<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Os efeitos da moderniza\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica masculino-feminina em uma sociedade mu\u00e7ulmana], foi a base para o primeiro livro publicado como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Beyond the Veil: male-female dynamics in modern Muslim society<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Al\u00e9m do v\u00e9u: din\u00e2micas masculino-femininas na moderna sociedade mu\u00e7ulmana]. A primeira edi\u00e7\u00e3o, de 1975, foi reeditada em 1985, na Gr\u00e3-Bretanha, e em 1987, nos Estados Unidos, tornando-se um marco para os estudos sobre o tema das mulheres \u00e1rabes, mu\u00e7ulmanas e do norte da \u00c1frica, ao tratar sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero e religi\u00e3o, e do que mais tarde seria compreendido como o pioneirismo do feminismo isl\u00e2mico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desafiando dogmas, enfrentando a misoginia e denunciando leituras machistas sobre o Islamismo, Mernissi defendeu a religi\u00e3o da qual era parte como um instrumento de direitos e mudan\u00e7as e n\u00e3o como uma forma de opress\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o das mulheres. Mesmo com esse posicionamento desafiador e pol\u00eamico para o per\u00edodo, em uma sociedade ainda arraigada nos valores tradicionais, Mernissi abriu espa\u00e7o para se tornar professora da Faculdade de Letras e Ci\u00eancias Humanas lecionando diversas disciplinas como Sociologia, Metodologia, Psicossociologia, al\u00e9m de atuar como pesquisadora do Instituto Universit\u00e1rio de Pesquisa Cient\u00edfica na Universidade Mohammed V, em Rabat. Lecionou e foi conferencista em diversas universidades, al\u00e9m de consultora da UNESCO.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Soci\u00f3loga, professora, pesquisadora, escritora, ativista, Fatima Mernissi \u00e9 considerada uma das vozes mais influentes da intelectualidade \u00e1rabe, precursora dos estudos feministas isl\u00e2micos e autoridade em hist\u00f3ria isl\u00e2mica, temas aos quais se dedicou por toda sua vida. Conviveu com outras figuras vanguardistas marroquinas, como o intelectual Abdelk\u00e9bir Khatib e o poeta Mohammed Bennis, e influenciou diversas gera\u00e7\u00f5es de mulheres dedicadas aos estudos feministas isl\u00e2micos como Asma Barlas e Asma Lamrabet e de ativistas como Mona Eltahawy.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi n\u00e3o se casou nem teve filhos. Eternizou-se por seu riso, seu carisma, sua ousadia e suas palavras registradas em diversos livros que publicou ao longo de sua vida. Dedicou-se ao movimento feminista isl\u00e2mico e \u00e0 melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres, abordando quest\u00f5es ligadas \u00e0 luta global, interseccional e transnacional. Sua luta pela equidade de direitos das mulheres foi registrada em dezenas de livros, artigos, palestras, entrevistas que produziu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As obras produzidas por Mernissi podem ser agrupadas em tr\u00eas blocos tem\u00e1ticos: o uso pol\u00edtico da religi\u00e3o, o papel das mulheres mu\u00e7ulmanas na hist\u00f3ria e a vis\u00e3o ocidental sobre o har\u00e9m. Ao final da vida esteve dedicada a tratar de temas relacionados \u00e0 internet e \u00e0s mudan\u00e7as provocadas pelo ativismo cibern\u00e9tico em artigos e outras obras que organizou.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b><i>2. Ma wara\u2019al hijab<\/i><\/b><b>: Por tr\u00e1s do v\u00e9u<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde a elabora\u00e7\u00e3o de sua tese de doutorado, F\u00e1tima Mernissi esteve preocupada em compreender a transforma\u00e7\u00e3o do papel das mulheres mu\u00e7ulmanas nas sociedades \u00e1rabes modernas, especialmente no Marrocos. A soci\u00f3loga entendia que a luta pelos direitos das mulheres, como acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade reprodutiva, direitos trabalhistas e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, esbarrava em vis\u00f5es patriarcais, machistas e mis\u00f3ginas regradas pelo Estado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi identificou nessa pesquisa a contradi\u00e7\u00e3o entre o discurso do Estado marroquino p\u00f3s-colonial, que assumia uma agenda moderna baseada na necessidade de escolariza\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que legislava de forma conservadora sobre a fam\u00edlia e o espa\u00e7o dom\u00e9stico, usando os princ\u00edpios religiosos para tratar de casamento, div\u00f3rcio, heran\u00e7a e guarda dos filhos.\u00a0 A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mudawanat al-ahwal al-chakhsiyah,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ou C\u00f3digo de Estatuto Pessoal, promulgado em 1958 no Marrocos, dava a primazia ao homem, reconhecendo-o como chefe da fam\u00edlia respons\u00e1vel pelo sustento familiar, al\u00e9m de autorizar a poligamia e o div\u00f3rcio unilateral. \u00c0s mulheres cabia a obedi\u00eancia ao marido exercendo o papel de esposas, m\u00e3es e donas de casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi argumentava que a supress\u00e3o ou o n\u00e3o reconhecimento dos direitos das mulheres, o poder de pais e maridos sobre esposas e filhas, o confinamento das mulheres ao espa\u00e7o privado e dom\u00e9stico em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos pelos homens eram uma constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que estava respaldada pelos princ\u00edpios religiosos isl\u00e2micos. Na chave do secularismo no Marrocos, na Fran\u00e7a e nos Estados Unidos, que havia formado a jovem Mernissi, desde a participa\u00e7\u00e3o no movimento estudantil at\u00e9 os primeiros anos de seu doutoramento, a religi\u00e3o era entendida como um fator de domina\u00e7\u00e3o masculina, j\u00e1 que era lida como segregadora e mis\u00f3gina. A soci\u00f3loga, influenciada por tais pensamentos, atribu\u00eda ao Isl\u00e3 a forma\u00e7\u00e3o de um sistema pol\u00edtico e social hier\u00e1rquico de autoridade e subordina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dessa forma, enquanto o Estado representava a autoridade sobre a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ummah<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a comunidade isl\u00e2mica, o homem representava a autoridade sobre a fam\u00edlia. Para manter essa ordem social e exercer o poder, os pap\u00e9is de g\u00eanero se estabeleceram na forma da divis\u00e3o sexual do trabalho, da segrega\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o das mulheres ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, por meio de leis baseadas em princ\u00edpios civis e religiosos. \u00c0s mulheres foi imputado<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">o perigo do desequil\u00edbrio dessa ordem e, por isso, precisavam ser controladas, seja pelo confinamento ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, seja pelo velamento ao ocupar o espa\u00e7o p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sexe, Id\u00e9ologie, Islam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sexo, Ideologia e Isl\u00e3], de 1985, Mernissi fez uma an\u00e1lise de como os pap\u00e9is de g\u00eanero estavam intrinsecamente relacionados ao controle, regula\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o da sexualidade feminina. Entendidos como um perigo e um fator de desestabiliza\u00e7\u00e3o da ordem patriarcal, o sexo, o corpo e o desejo feminino necessitavam estar sob controle social e, mais uma vez, o v\u00e9u cumpria uma fun\u00e7\u00e3o. Contra um desejo desenfreado e insaci\u00e1vel, inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o feminina, era necess\u00e1rio velar, submeter, silenciar e tornar reclusas essas mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esses argumentos, apresentados em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Beyond the veil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, causaram in\u00fameras repercuss\u00f5es na sociedade marroquina dos anos 1970 e 1980, mas n\u00e3o intimidaram nem reprimiram as an\u00e1lises de Mernissi. Ainda assim, sua obra de 1986<\/span><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span> <i><span style=\"font-weight: 400\">La femme dans l\u2019inconscient musulman <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[A Mulher no inconsciente mu\u00e7ulmano] foi publicada sob o pseud\u00f4nimo de Fatna Ait el Sabbah, tendo a soci\u00f3loga reivindicado sua autoria muito posteriormente. Seus argumentos sobre o conceito de g\u00eanero no Isl\u00e3 se assemelham no que se refere ao poder e ao temor da sexualidade feminina, e n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar refer\u00eancias diretas ou indiretas \u00e0 sua tese. Analisando o Alcor\u00e3o e os estudos de exegese isl\u00e2mica, Mernissi concluiu que a igualdade de g\u00eanero no Isl\u00e3 n\u00e3o era poss\u00edvel, visto que violava as premissas pelas quais a f\u00e9 estava sustentada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, ela preferiu ouvir o que essas mulheres \u00e1rabes, marroquinas e mu\u00e7ulmanas tinham a dizer sobre sua condi\u00e7\u00e3o, sua luta, seus sonhos e desejos, suas conquistas e decep\u00e7\u00f5es. Elas falavam sobre como entendiam, lidavam ou mesmo reproduziam os pap\u00e9is de g\u00eanero impostos a elas, e como era poss\u00edvel conciliar os seus direitos \u00e0 defesa de sua f\u00e9 e tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Dessa pesquisa sociol\u00f3gica baseada em entrevistas resultaram duas obras: em 1983, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Maroc racont\u00e9 par ses femmes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O Marrocos contado por suas mulheres] e, em 1985, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nis\u00e2&#8217; al-gharb. Dir\u00e2s\u00e2t mayd\u00e2niyya\/Femmes du Gharb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Mulheres do Ocidente. Estudos de Campo]. Diversos artigos e ensaios versaram sobre a quest\u00e3o do trabalho feminino e da condi\u00e7\u00e3o da mulher prolet\u00e1ria, exploradas pelo capitalismo e esquecidas pelo Estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto nas primeiras d\u00e9cadas de seu engajamento pol\u00edtico e intelectual, Fatima Mernissi fez leituras seculares e marxistas de sua sociedade, na d\u00e9cada seguinte, seus escritos e engajamentos seguiram outros caminhos, ao tratar da concilia\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o isl\u00e2mica com a garantia dos direitos das mulheres e desmontar as vis\u00f5es sobre a opress\u00e3o feminina como algo inerente ao Isl\u00e3. Temas como o har\u00e9m, as odaliscas e as fantasias masculinas ocidentais tamb\u00e9m foram abordados pela autora.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>3. \u201cLevantar os v\u00e9us com os quais nossos contempor\u00e2neos disfar\u00e7am o passado&#8230;\u201d<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A escolha por viver no Marrocos teve impacto no pensamento intelectual de Mernissi. Convivendo com reformistas isl\u00e2micos, a soci\u00f3loga mergulhou nos<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">estudos religiosos para compreender que o Isl\u00e3 n\u00e3o era mis\u00f3gino ou sexista. Considerando que a mensagem divina do Isl\u00e3 \u00e9 inquestion\u00e1vel, n\u00e3o se poderia dizer o mesmo sobre as interpreta\u00e7\u00f5es humanas a que esteve sujeita a f\u00e9 ao longo da hist\u00f3ria. Juntamente com outras lideran\u00e7as religiosas, Mernissi passou a defender a diferen\u00e7a entre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sharia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (o conjunto de leis) e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fiqh<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (escolas de jurisprud\u00eancia), assim como no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ijtihad<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a liberdade de pensamento, argumento e racioc\u00ednio permitida a todo crente estudioso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto os defensores do pensamento machista e mis\u00f3gino usavam a religi\u00e3o isl\u00e2mica para secundarizar e reprimir as mulheres, Mernissi buscou nos mesmos princ\u00edpios religiosos os argumentos para desbancar essa tese. Em 1986 publicou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">L\u2019amour dans le pays musulmans<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O amor nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos] <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">no qual apareceram as primeiras contraposi\u00e7\u00f5es \u00e0 sua pr\u00f3pria tese no que se refere \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de que o Islamismo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">per se<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> era o motivo da opress\u00e3o feminina.\u00a0 Mernissi dedicou-se a estudar o Islamismo acessando as fontes religiosas e muitas fontes hist\u00f3ricas, para desvendar como essa concep\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda \u00e0 medida que a f\u00e9 isl\u00e2mica se expandia e se consolidava, e n\u00e3o como algo inerente a ela. Essas primeiras ideias ganharam f\u00f4lego na obra seguinte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1987 com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Harem Politique: le Proph\u00e8te et les femmes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O Har\u00e9m pol\u00edtico: o Profeta e as mulheres], a soci\u00f3loga conseguiu dois feitos: desmistificar que o Isl\u00e3 fosse por princ\u00edpio uma religi\u00e3o mis\u00f3gina e atrair, por esse motivo, a ira de lideran\u00e7as religiosas e do governo do Marrocos. O livro foi proibido em seu pa\u00eds e em outros pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, como o Ir\u00e3. Nessa obra, Mernissi fez uma investiga\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise aprofundada do texto sagrado, o Alcor\u00e3o, e dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hadiths<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, compila\u00e7\u00e3o de ditos e feitos do Profeta Maom\u00e9 recolhidos ap\u00f3s sua morte. A soci\u00f3loga, como mulher e mu\u00e7ulmana, se atribu\u00eda o direito de analisar historica e metodologicamente cada uma dessas fontes, interpret\u00e1-las \u00e0 luz de suas pr\u00f3prias opini\u00f5es, para compreender como certas alega\u00e7\u00f5es correspondiam aos interesses contempor\u00e2neos dos usos da religi\u00e3o para dominar e controlar as mulheres. Em alguns casos, contestou a autenticidade e validade de muitos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hadiths <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">que tratavam de sua subordina\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi partiu do princ\u00edpio que o Profeta n\u00e3o defendia a exclus\u00e3o das mulheres e nem seu confinamento pois, contrariamente, elas foram figuras de destaque nos prim\u00f3rdios do Isl\u00e3, se envolveram na vida pol\u00edtica, deram suporte \u00e0 prega\u00e7\u00e3o religiosa e tamb\u00e9m foram \u00e0 guerra para defender a f\u00e9 e a nova ordem social que estava surgindo no s\u00e9culo VII na Ar\u00e1bia. Em entrevista, Mernissi afirmava que o Profeta era uma pessoa maravilhosa, que amava e respeitava as mulheres e uma inspira\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter e conduta para os mu\u00e7ulmanos do presente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o como entender a vis\u00e3o mis\u00f3gina do Isl\u00e3 e uma concep\u00e7\u00e3o do papel inferiorizado das mulheres nos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos? Para F\u00e1tima Mernissi, a resposta n\u00e3o estava na religi\u00e3o, nos seus princ\u00edpios e preceitos, mas sim na forma como vis\u00f5es tradicionalistas sobre o Islamismo foram concebidas para encarcerar as mulheres no espa\u00e7o privado e subordin\u00e1-las \u00e0 autoridade masculina. Mernissi recuou nos s\u00e9culos para localizar essas interpreta\u00e7\u00f5es e alcan\u00e7ou os primeiros sucessores do Profeta, o estabelecimento dos califados, a afirma\u00e7\u00e3o do poder masculino para o silenciamento e reclus\u00e3o das mulheres. Aos olhos de Mernissi, o Profeta era um revolucion\u00e1rio, ao contr\u00e1rio de seus sucessores que mantinham posturas retr\u00f3gradas e conservadoras, influenciando a forma como o Isl\u00e3 se expandiu e se estabeleceu para al\u00e9m da Ar\u00e1bia do s\u00e9culo VII.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em tempos modernos n\u00e3o foi diferente, j\u00e1 que a persist\u00eancia de uma vis\u00e3o tradicionalista e deturpada dos textos isl\u00e2micos por autoridades religiosas masculinas<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> tr<\/span><span style=\"font-weight: 400\">atou de excluir as mulheres da vida p\u00fablica e limitar seus direitos em nome da religi\u00e3o. Misoginia e sexismo n\u00e3o eram inerentes ao Isl\u00e3; antes foram a forma e o meio utilizados pelo poder masculino para afirmar seu poder sobre as mulheres. E \u00e9 nessa luta contempor\u00e2nea que a soci\u00f3loga centrou seus esfor\u00e7os: melhorar a vida e a conquista de direitos pelas mulheres usando a religi\u00e3o em seu favor. Nesse sentido, o feminismo defendido por ela passou a ser identificado como isl\u00e2mico, uma leitura dentro da realidade e das tradi\u00e7\u00f5es culturais, sendo uma forma de confrontar acusa\u00e7\u00f5es de que se tratava de importa\u00e7\u00e3o de modelos ocidentais incompat\u00edveis com a manuten\u00e7\u00e3o da f\u00e9 religiosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi, em certa medida, tamb\u00e9m responsabilizou as mulheres pela opress\u00e3o sofrida, ao afirmar que elas cometeram o erro de permitir aos homens controlar a hist\u00f3ria e a mem\u00f3ria. Era necess\u00e1rio recuperar esse protagonismo feminino, n\u00e3o como contraposi\u00e7\u00e3o ao masculino, mas como parte da constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, para al\u00e9m de fronteiras de g\u00eanero. Essa investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ganhou maior f\u00f4lego em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sultanes oubli\u00e9es:<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">femmes chefs d&#8217;\u00c9tat en Islam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sultanas Esquecidas: mulheres chefes de Estado no Isl\u00e3] de 1990.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em trabalho de grande pesquisa e rigor hist\u00f3rico, com acesso \u00e0s fontes isl\u00e2micas e aos comp\u00eandios dos historiadores \u00e1rabes diretamente do original, Mernissi apresentou uma hist\u00f3ria desconhecida ao p\u00fablico ocidental e apagada no mundo isl\u00e2mico. As mulheres, rainhas, sultanas ou cortes\u00e3s, de diferentes etnias, sunitas e xiitas, atuaram ao longo da hist\u00f3ria do Islamismo n\u00e3o como mera coadjuvantes ou consortes. Quando n\u00e3o estavam ocupando cargos pol\u00edticos, se enredavam em intrigas pelo poder. Interferiam na sucess\u00e3o, protagonizavam disputas, apoiavam governantes, participavam de rebeli\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda que esteja baseada na trajet\u00f3ria das mulheres mu\u00e7ulmanas governantes, a obra n\u00e3o \u00e9 apenas uma recupera\u00e7\u00e3o dessas protagonistas apagadas ou esquecidas pela hist\u00f3ria oficial. \u00c9 tamb\u00e9m uma an\u00e1lise sobre os motivos desse apagamento que pretendeu confinar as mulheres ao espa\u00e7o dom\u00e9stico e ao esquecimento. O poder, entendido como prerrogativa masculina, encontrou respaldo em uma interpreta\u00e7\u00e3o dos textos sagrados negacionistas da ideia do poder e da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres desde os prim\u00f3rdios do Isl\u00e3.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na perspectiva de uma interpreta\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3 por autoridades religiosas a servi\u00e7o de uma elite estabelecida no poder, Mernissi tamb\u00e9m analisou a suposta incompatibilidade da religi\u00e3o com a democracia. Em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La Peur-Modernit\u00e9: conflit islam d\u00e9mocratie<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O medo da modernidade: conflito entre o Isl\u00e3 e a democracia]<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">publicado em 1992, a autora se aprofundou na psique de homens e mulheres mu\u00e7ulmanos e no medo real da mudan\u00e7a social e da cria\u00e7\u00e3o de novos paradigmas com a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mundo do trabalho e na arena p\u00fablica. As ideias de liberdade, individualismo, subjetividade s\u00e3o estranhas e estrangeiras em uma sociedade baseada na vida familiar, coletiva e comunit\u00e1ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na obra publicada no ano seguinte (1983), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Women&#8217;s Rebellion and Islamic Memory<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A rebeli\u00e3o das mulheres e a mem\u00f3ria isl\u00e2mica], Mernissi retomou os argumentos sobre as interpreta\u00e7\u00f5es tradicionalistas da hist\u00f3ria e da teologia isl\u00e2mica, buscando nos exemplos do passado os argumentos para romper com a concep\u00e7\u00e3o da subordina\u00e7\u00e3o das mulheres. Al\u00e9m de investigar e evidenciar a hist\u00f3ria das mulheres esquecidas, marginalizadas, apagadas no pensamento isl\u00e2mico, nos textos sagrados e na mem\u00f3ria coletiva, Mernissi demonstrou como essas narrativas e interpreta\u00e7\u00f5es foram elaboradas, fixadas e transmitidas para atribuir \u00e0s mulheres um \u00fanico papel e as alijar de todo e qualquer protagonismo. Assim, se desde os prim\u00f3rdios da religi\u00e3o havia-se atribu\u00eddo \u00e0s mulheres um papel, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">como\u00a0 responsabilizar sua f\u00e9 pela condi\u00e7\u00e3o das mulheres nos pa\u00edses isl\u00e2micos? Mernissi responde que n\u00e3o se trata de insubordina\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios religiosos que teriam colocado as mulheres em condi\u00e7\u00f5es de inferioridade, mas \u00e0queles que sequestraram a f\u00e9 para fins pr\u00f3prios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A revers\u00e3o desse quadro n\u00e3o se daria apenas reescrevendo o passado. Seria necess\u00e1rio levantar o v\u00e9u que disfar\u00e7ava o passado e obscurecia o presente, para fazer soprar um vento que inflasse as velas e fizesse com que as mulheres assumissem o tim\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o aos novos mundos, afirmava de forma po\u00e9tica e apaixonada a soci\u00f3loga. Mernissi via na juventude marroquina, as Sherazades e os Simbads modernos, a possibilidade de superar o medo da modernidade ao abra\u00e7arem os dois mundos: a mesquita (tradi\u00e7\u00e3o) e o sat\u00e9lite (modernidade digital).<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>4. \u201cDescreva-me seu har\u00e9m e eu lhe direi quem voc\u00ea \u00e9\u201d<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A persist\u00eancia da figura de Sherazade como o sonho er\u00f3tico do Ocidente \u00e9 arrebatada por Mernissi em suas obras dedicadas ao tema do har\u00e9m. Quando Mernissi publicou em 1994 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dreams of Trespass. Tales of a Harem Girlhood<\/span><\/i> <span style=\"font-weight: 400\">[Sonhos de Transgress\u00e3o. Minha vida de menina no har\u00e9m], traduzido para mais de vinte idiomas, ela n\u00e3o imaginava o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">frisson<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> que a obra causaria, mal disfar\u00e7ado pelos sorrisos ir\u00f4nicos dos jornalistas, cada vez que era pronunciada a palavra har\u00e9m. Reconhecida e consagrada como uma intelectual e ativista no Marrocos, Mernissi ultrapassou as fronteiras de seu pa\u00eds, tornando-se conhecida mundialmente a partir dessa obra, inclusive no Brasil, sendo a primeira da autora publicada no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Considerada um misto de autobiografia e fic\u00e7\u00e3o, Fatima Mernissi debru\u00e7ou-se sobre os muros do har\u00e9m para tratar da dimens\u00e3o f\u00edsica e imagin\u00e1ria do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hudud<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, os limites fronteiri\u00e7os entre o l\u00edcito e o il\u00edcito, o permitido e o proibido, a pureza e o pecado. Mernissi tratou de temas cotidianos analisando a vida das mulheres de sua fam\u00edlia, de diferentes gera\u00e7\u00f5es, idades e status social, bem como fez an\u00e1lises sociol\u00f3gicas da estrutura de poder e restri\u00e7\u00f5es da sociedade patriarcal marroquina no limiar das mudan\u00e7as em processamento nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Contrariamente \u00e0 vis\u00e3o de que essas mulheres estavam inexoravelmente presas ao har\u00e9m, oprimidas de tal forma que mal percebiam a opress\u00e3o sofrida, Mernissi considerava que elas eram transgressoras a sua maneira e, usando uma forma narrativa entre o maravilhoso e o anal\u00edtico, a soci\u00f3loga apresenta o pensamento e a a\u00e7\u00e3o de mulheres analfabetas, mas que agiam com sabedoria e poder que ultrapassavam os papeis de g\u00eanero a elas designados. Para Mernissi, foram essas mulheres que a ensinaram a ser feminista e transgredir o que a sociedade marroquina havia reservado a todas elas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A recep\u00e7\u00e3o e a repercuss\u00e3o de sua obra, pelos motivos distintos da inten\u00e7\u00e3o da autora, levaram Mernissi a se dedicar ao mesmo tema do har\u00e9m em duas obras seguintes: em 1988, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00cates-vous vaccin\u00e9 contre le Harem?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Voc\u00ea est\u00e1 vacinado contra o har\u00e9m?] e, em 2001, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Scheherazade Goes West. Different Cultures, Different Harem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sherazade vai para o Ocidente. Diferentes culturas, diferentes har\u00e9ns] que recebeu o t\u00edtulo franc\u00eas <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Harem et l\u00b4Occident Europ\u00e9en <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[O har\u00e9m e o ocidente europeu], sendo reeditado em 2003 como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Harem et L\u00b4Occident <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[O har\u00e9m e o ocidente]. Mernissi queria entender o que havia por tr\u00e1s dos sorrisos jocosos do jornalista e se fez a seguinte pergunta: qual era a diferen\u00e7a entre o har\u00e9m real, o har\u00e9m de sua inf\u00e2ncia<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">e o har\u00e9m do imagin\u00e1rio ocidental?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi considerou que o har\u00e9m ocidental foi criado a partir de uma vis\u00e3o fant\u00e1stica da obra <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">As Mil e Uma Noites<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, dos relatos de viajantes europeus e das demais vis\u00f5es orientalistas que projetaram no har\u00e9m oriental o sonho de lux\u00faria, prazer e deleite que as mulheres confinadas poderiam concretizar para o homem europeu. A soci\u00f3loga considerava que esta era uma imagem degradante para retratar a mulher \u00e1rabe e mu\u00e7ulmana, desnudada, sensualizada, sexualizada e reduzida a mero objeto de prazer. Imagens de mulheres l\u00e2nguidas foram eternizadas na pintura de um orientalista como Jean Dominique Ingr\u00e8s ou de um modernista como Henri Matisse. Depois foram transferidas para o cinema hollywoodiano com as odaliscas seduzindo sheikhs em dan\u00e7as do ventre erotizantes. Sherazade, s\u00e1bia e inteligente, havia sido reduzida a uma figura sedutora e sem c\u00e9rebro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi n\u00e3o deixou de considerar que os sentidos do har\u00e9m eram poliss\u00eamicos e denunciou a inten\u00e7\u00e3o de confinamento a que as mulheres estiveram submetidas nesse espa\u00e7o, na perspectiva de uma sociedade patriarcal e machista, ao mesmo tempo em que havia a possibilidade de transgredir e resistir. O outro sentido, o har\u00e9m da fantasia do prazer ocidental, tamb\u00e9m se baseava na l\u00f3gica de uma domina\u00e7\u00e3o das mulheres, dessa vez pela vis\u00e3o orientalista e colonialista tanto perpetrada pelo poder masculino como pelo feminismo ocidental que negavam a essas mulheres qualquer ag\u00eancia ou transgress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, Mernissi criou outro sentido para a palavra \u201char\u00e9m\u201d. Ela denominou \u201char\u00e9m mental\u201d a forma como a cultura ocidental, tamb\u00e9m patriarcal e mis\u00f3gina, encarcerava as mulheres, n\u00e3o em um espa\u00e7o f\u00edsico e restritivo, mas no s\u00edmbolo e no significado do manequim 38. A imposi\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o de beleza, criado pela m\u00eddia, pela moda e pela publicidade, confinou as mulheres ocidentais a um paradoxo ainda mais cruel: est\u00e3o presas ao espa\u00e7o temporal no qual n\u00e3o \u00e9 permitido envelhecer, perder a beleza e o vi\u00e7o da juventude. As mulheres ocidentais, sem v\u00e9u e fora do har\u00e9m, sofrem as mesmas restri\u00e7\u00f5es das mulheres orientais confinadas no har\u00e9m e cobertas por v\u00e9us obscurantistas. No final, trata-se da mesma luta contra a opress\u00e3o de g\u00eanero que as mulheres t\u00eam sofrido ao longo de sua hist\u00f3ria, seja descoberta, seja velada.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>5. \u201cO sil\u00eancio \u00e9 o verdadeiro v\u00e9u\u201d\u00a0<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fatima Mernissi acreditava na for\u00e7a transformadora das mulheres, desde que elas tivessem espa\u00e7o e oportunidade para atuar, se expressar e tomar as r\u00e9deas de suas vidas. Sua maior inspira\u00e7\u00e3o tinha<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> sid<\/span><span style=\"font-weight: 400\">o suas av\u00f3s, tias e m\u00e3e que lutaram ao seu modo contra a opress\u00e3o, os limites impostos a elas, as restri\u00e7\u00f5es que deveriam aceitar, as proibi\u00e7\u00f5es que cerceavam seus sonhos e sua sa\u00edda para o mundo. Ao seu ver, foram essas mulheres que lhes ensinaram a ser feministas e a alcan\u00e7ar outro<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">lugar nessa sociedade \u00e0<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">qual<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">pertenciam e precisavam transformar. Mernissi atribui \u00e0s m\u00e3es a for\u00e7a motriz poderosa e progressista da mudan\u00e7a, ao incentivar as filhas a romperem com os limites do espa\u00e7o dom\u00e9stico, a se educarem e alcan\u00e7arem sonhos por vezes imposs\u00edveis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao final da d\u00e9cada de 1980, com uma carreira j\u00e1 consolidada, a soci\u00f3loga quis fazer a diferen\u00e7a em sua sociedade, assumindo o papel do intelectual org\u00e2nico gramsciniano. Al\u00e9m de continuar pesquisando e escrevendo sobre temas das mulheres, quest\u00f5es de g\u00eanero, opress\u00e3o feminina e atuar como consultora e pesquisadora da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), Mernissi envolveu-se diretamente em a\u00e7\u00f5es concretas para contribuir com a transforma\u00e7\u00e3o dessas vidas, procurando estar o mais pr\u00f3xima poss\u00edvel dessas mulheres. O coletivo \u201cMulheres, Fam\u00edlias e Crian\u00e7as\u201d, grupo de pesquisa multidisciplinar liderado por Mernissi, engajou-se no debate sobre direitos das mulheres que culminou em 2004 nas reformas da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mudawanat<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A soci\u00f3loga passou a conviver com mulheres pobres da cidade e do campo que, ainda que analfabetas, carregavam conhecimentos e experi\u00eancias de vida para al\u00e9m dos bancos escolares e dos livros. Mernissi as ouvia, registrava suas hist\u00f3rias, agia como interlocutora, aconselhava, questionava, provocava \u00e0 reflex\u00e3o e, sobretudo, demonstrava pelas hist\u00f3rias que coletava que essas mulheres tinham muito a dizer e a ensinar. N\u00e3o poderiam mais ser caladas ou permanecer silenciadas; usando ou n\u00e3o o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hijab,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> elas tinham muito a dizer e ensinar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tendo a soci\u00f3loga como interlocutora, essas mulheres camponesas ou tecel\u00e3s puderam falar sobre suas vidas, casamentos e filhos, as expectativas de futuro, sobretudo para as meninas; divagar sobre a inf\u00e2ncia e a mem\u00f3ria constru\u00edda sobre a inf\u00e2ncia e um passado nost\u00e1lgico; analisar os novos espa\u00e7os onde passaram a viver e atuar como a cidade, o trabalho e a escola. Mais ainda: elas testemunharam na passagem do tempo as transforma\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas do Marrocos e como elas afetaram a condi\u00e7\u00e3o da mulher marroquina na luta cotidiana por dignidade, autonomia e direitos. Contra a vis\u00e3o cristalizada de uma mulher \u00e1rabe-mu\u00e7ulmana e submissa, a hist\u00f3ria dessas mulheres e suas vis\u00f5es de mundo rompem com a vis\u00e3o estereotipada sobre elas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi foi al\u00e9m da escrita e da den\u00fancia. Ela participou ativamente de projetos cujo objetivo estava centrado na alfabetiza\u00e7\u00e3o de mulheres marginalizadas em comunidades rurais, bairros perif\u00e9ricos e pris\u00f5es. Acreditando que essas mulheres j\u00e1 eram inteligentes, bastava a elas ter acesso \u00e0 leitura e escrita de textos. Al\u00e9m de ampliar o conhecimento, ao se apropriar de textos sagrados, jur\u00eddicos e filos\u00f3ficos,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">essas mulheres teriam o material necess\u00e1rio para lutar contra o silenciamento, a opress\u00e3o e a viol\u00eancia de g\u00eanero. Ler, questionar, refletir levaria a uma independ\u00eancia intelectual e \u00e0 ruptura com formas sist\u00eamicas do discurso da legitimidade da domina\u00e7\u00e3o masculina e mis\u00f3gina sobre as mulheres, justificadas pelos textos religiosos em suas interpreta\u00e7\u00f5es masculinas restritivas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi se envolveu em diferentes projetos dessa natureza. Em 1996, ela conheceu o projeto \u201cCaravanas do Livro\u201d, idealizado pela livreira e ativista Jamila Hassoune, que consistia em levar caixas de livros para escolas rurais localizadas nas montanhas do Atlas. Fatima Mernissi chamou essas caixas de \u201cbibliotecas voadoras\u201d em alus\u00e3o aos m\u00edticos tapetes voadores, que passaram a incluir tamb\u00e9m filmes, pe\u00e7as de teatro e novas tecnologias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa ideia foi expandida para as \u201cCaravanas C\u00edvicas\u201d que visavam a engajar diferentes membros da sociedade civil e internacional, entre escritores, educadores, editores, ativistas, m\u00e9dicos, advogados, na alfabetiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o feminina marginalizada. Para dar mais concretude a essas a\u00e7\u00f5es e expandir seu alcance, foi criado ainda o projeto \u201cSinergia C\u00edvica\u201d, pelo qual Mernissi se comprometia a ministrar oficinas de escrita para os membros desse coletivo em troca de estabelecer uma ponte entre as pessoas marginalizadas e o mundo cultural.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O trabalho foi amplificado para al\u00e9m de seu pa\u00eds, atingindo outras regi\u00f5es do Norte da \u00c1frica, por meio do projeto \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Karawan<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, palavra de origem \u00e1rabe para designar um programa itinerante de educa\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e registro de situa\u00e7\u00f5es sobre os direitos humanos e das mulheres nessa regi\u00e3o. Unindo associa\u00e7\u00f5es e pessoas da sociedade civil interessadas em mudan\u00e7as sociais, Mernissi engajou-se em seus \u00faltimos anos de vida na cria\u00e7\u00e3o dessas redes para democratizar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e equalizar os recursos intelectuais e materiais entre todos. A soci\u00f3loga instigava a elite intelectual marroquina a assumir seu papel de vanguarda para realizar mudan\u00e7as efetivas na sociedade, pois n\u00e3o bastava identificar as ra\u00edzes do atraso. Era necess\u00e1rio agir para extirp\u00e1-las e a palavra, falada, lida, escrita, era a melhor arma para alcan\u00e7ar essa transforma\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, Mernissi estava preocupada com a preserva\u00e7\u00e3o do modo de vida e com o patrim\u00f4nio cultural da produ\u00e7\u00e3o de tapetes realizada pelas mulheres em suas mais diferentes gera\u00e7\u00f5es, estabelecidas nos lugares mais rec\u00f4nditos do pa\u00eds. Junto com a professora Najia Boudali, Mernissi tinha dois objetivos centrais <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">nessa a\u00e7\u00e3o, que era um bra\u00e7o das \u201cCaravanas C\u00edvicas\u201d. Um era pragm\u00e1tico: melhorar a renda dessas mulheres tapeceiras selecionando suas melhores produ\u00e7\u00f5es para serem expostas em vendas familiares e atrair diretamente poss\u00edveis compradores para essa venda sem intermedi\u00e1rios, assim mitigando a falta de oportunidades econ\u00f4micas e o fluxo migrat\u00f3rio. Outro, mais ousado, era reconectar as tecel\u00e3s com seu saber ancestral, valorizando a t\u00e9cnica, o saber fazer e os padr\u00f5es que conectavam um conhecimento milenar com os interesses mais sofisticados mundo afora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A soci\u00f3loga afirmava que a participa\u00e7\u00e3o no mundo, por menor que fosse, tinha a capacidade de efetuar mudan\u00e7as. Entre livros e tapetes voadores, a soci\u00f3loga fez a diferen\u00e7a para a vida dessas mulheres, mas certamente elas fizeram o mesmo por Mernissi.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b><i>6. Hudud:<\/i><\/b><b> Fronteiras Transgredidas<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre muitas entrevistas que concedeu e programas nos quais participou, Mernissi foi questionada por que, ap\u00f3s ter vivido em outros pa\u00edses como Fran\u00e7a e Estados Unidos, retornara para o Marrocos para viver, lecionar e militar \u201capesar de todas as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade das mulheres\u201d, segundo o jornalista. Ao que ela respondia de um jeito irreverente, e ao mesmo tempo firme, que era tanto pela beleza inquestion\u00e1vel de seu pa\u00eds como pelos impactos que sua a\u00e7\u00e3o como mulher intelectual e ativista poderia causar em sua sociedade. Mernissi afirmava que qualquer coisa que dissesse ou publicasse em sua terra natal logo estaria sendo comentada no meio intelectual ou no \u201cmercado de peixes\u201d, com pessoas especializadas ou comuns se posicionando a favor ou contra ela, provocando debates e troca de ideias. Fatima Mernissi queria deixar sua marca no mundo e fazer a diferen\u00e7a na sociedade com a qual estava \u201cligada umbilicalmente\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De renome mundial, ela era vista como uma celebridade em seu pa\u00eds, apesar de tantas censuras, pol\u00eamicas e proibi\u00e7\u00f5es. Internacionalmente, e em conjunto com a m\u00e9dica eg\u00edpcia <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/o-feminismo-de-nawal-el-saadawi\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Nawal el Saadawi<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e a ativista iraniana Mahnaz Afkhami, engajou-se na incorpora\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es de g\u00eanero e do papel das mulheres nos estudos sobre o Oriente M\u00e9dio, n\u00e3o como tema secund\u00e1rio ou acess\u00f3rio, mas essencial para uma perspectiva positivamente transformadora da sociedade isl\u00e2mica. Foi membro do Grupo de S\u00e1bios da Uni\u00e3o Europeia para o Di\u00e1logo entre Povos e Culturas visando a essas aproxima\u00e7\u00f5es interculturais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A trajet\u00f3ria acad\u00eamica, ativista e engajada de Fatima Mernissi foi reconhecida ainda em vida. Pelo seu trabalho de promo\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo entre culturas em 2003 foi agraciada, juntamente com Susan Sontag na categoria Literatura, com o Pr\u00eamio Pr\u00edncipe das Ast\u00farias, tendo concorrido com outras 42 indica\u00e7\u00f5es, entre elas a do peruano Alfredo Bryce-Echenique e a do eg\u00edpcio Nagib Mahfuz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No ano seguinte recebeu, em conjunto com o fil\u00f3sofo s\u00edrio Sadik Al-Asm e o pensador iraniano Abdolkarim Soroush, o Pr\u00eamio Erasmus Pr\u00edncipe Bernhard por sua contribui\u00e7\u00e3o para as artes e as ci\u00eancias sociais na categoria Religi\u00e3o e Modernidade. Em 2005 recebeu o Pr\u00eamio Mediterr\u00e2neo Liter\u00e1rio Franc\u00eas. Em 2011 comp\u00f4s a Lista Global do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Guardian<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> das \u201c100 Mulheres mais importantes: Ativistas e Campanhas\u201d e, em 2013, integrou a lista das \u201c100 Mulheres mais influentes do mundo \u00e1rabe\u201d, organizada pela revista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Arabian Business<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diversas homenagens foram feitas a ela em obitu\u00e1rios como no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Guardian<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Arab Weekly<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Liberation<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Morocco World News,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> que a descreveram como uma figura importante, influente, potente, poderosa, marcante, c\u00e9lebre, um \u00edcone da literatura feminista isl\u00e2mica e da luta pelos direitos das mulheres. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The New York Times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> a chamou de \u201cFundadora do Feminismo Isl\u00e2mico\u201d, embora ela mesma n\u00e3o tenha reivindicado essa posi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Logo ap\u00f3s seu falecimento foram criadas C\u00e1tedras em sua homenagem, como a da Universidade Mohammed V em Rabat, onde Mernissi lecionou entre 1974 e 1981, por sugest\u00e3o de sua colega e disc\u00edpula Asma Lamrabet; no Centro de Especializa\u00e7\u00e3o em G\u00eanero, Diversidade e Interseccionalidade da Universidade Livre de Bruxelas; na Universidade Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (UNAM). Foram criados o pr\u00eamio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fatima Mernissi Book Award <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">para estudos de g\u00eanero pela MESA (Middle East Studies Organization) e a Bolsa Fatima Mernissi pelo Instituto Africano de Sharjah. Em 2022, o Correio Magrebino estampou um selo em sua homenagem e foi lan\u00e7ado o filme intitulado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fatema, la Sultane inoubliable <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Fatima, a sultana inesquec\u00edvel], dirigido por Mohammed Abderrahman Tazi e Karima Sa\u00efdi. Diversos dicion\u00e1rios biogr\u00e1ficos e enciclop\u00e9dias mant<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00eam <\/span><span style=\"font-weight: 400\">o verbete Fatima Mernissi.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a historiadora e ativista Latifa El Bouhsini, Mernissi foi a intelectual feminista que tornou o seu pa\u00eds, o Marrocos, famoso.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>7. Tornando o Marrocos famoso: obras de Fatima Mernissi<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mernissi escreveu muitas obras em forma de livros e artigos, originalmente em ingl\u00eas ou franc\u00eas, depois traduzidas para o \u00e1rabe por ela mesma. Tamb\u00e9m h\u00e1 tradu\u00e7\u00f5es para mais de vinte l\u00ednguas e publica\u00e7\u00e3o em diferentes pa\u00edses, incluindo o Brasil, alcan\u00e7ando um p\u00fablico local, regional e internacional. Em nosso pa\u00eds, Mernissi \u00e9 conhecida e mobilizada em estudos sobre mulheres mu\u00e7ulmanas, mas ainda n\u00e3o se concretizaram em estudos acad\u00eamicos que analisem suas obras, concep\u00e7\u00f5es e teorias, com exce\u00e7\u00e3o, e de forma parcial, de uma disserta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A listagem apresentada abaixo mant\u00e9m o t\u00edtulo no idioma original da publica\u00e7\u00e3o e acrescenta a vers\u00e3o em outra l\u00edngua quando \u00e9 diferente.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>7.1. Para ler tudo\u00a0<\/b><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1983). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Maroc racont\u00e9 par ses femmes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Casablanca: \u00c9ditions Le Fennec, [Republicado (1991). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le monde n&#8217;est pas un harem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Parol\u00e9s des femmes du Maroc.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Paris: Albin Michel]. [(1989). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Doing daily battle<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Interviews with Moroccan women. New Brunswick: Rutgers University Press].<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1984). L<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">&#8216;amour dans les pays musulmans. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Paris: Jeune Afrique.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">[(2008). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">El amor en el Islam. A trav\u00e9s del espejo del textos antiguos.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Madrid: Aguilar].<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1985a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nis\u00e2&#8217; al-gharb. Dir\u00e2s\u00e2t mayd\u00e2niyya<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\/<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Femmes du Gharb<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Rabat: Soci\u00e9t\u00e9 marocaine des \u00e9diteurs r\u00e9unis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1985b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sexe, id\u00e9ologie, Islam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Casablanca: \u00c9ditions Maghr\u00e9bines.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1987a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Beyond the veil: male-female dynamics in modern muslim society<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Revised edition. Bloomington, Indiana: Indiana University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1987b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le harem politique: le Proph\u00e8te et les femmes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Albin Michel.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">[(1991). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The veil and the male elite: a feminist interpretation of women\u00b4s rights in Islam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Perseus Books Publishing, 1991].\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1988). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Charazad laysat maghribiya\/Shahrazad n&#8217;est pas marocaine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: autrement, elle serait salari\u00e9e. Casablanca: Le Fennec.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1990). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sultanes oubli\u00e9es: femmes chefs d&#8217;\u00c9tat en Islam. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Paris: Albin Michel \/ \u00c9ditions Le Fennec<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">1990. [(1993). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The forgotten queens of Islam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Cambridge: Polity Press].<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1992). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La peur-modernit\u00e9: conflit islam-d\u00e9mocratie. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Paris:<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Albin Michel \/\u00c9ditions Le Fennec. [(1992). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Islam and Democracy: fear of the modern world.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Massachussets: Addison Wesley\/Perseus].<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1994). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dreams of Trespass. Tales of a Harem Girlhood. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Massachussets: Addison Wesley, 1994. [(1996). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">R\u00eaves de femmes: Une enfance au harem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Albin Michel].<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1996). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Women&#8217;s Rebellion and Islamic Memory. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">London: Zed Books<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1997). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Les A\u00eft-D\u00e9brouille. ONGs rurales du Haut Atlas. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Casablanca: \u00c9ditions Le Fennec<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1998). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00cates-vous vaccin\u00e9 contre le harem? <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Casablanca: \u00c9ditions Le Fennec.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(2001). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Scheherazade goes West<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Different cultures, different harem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Washington Square Press, 2001. [(2001) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Le Harem et l\u00b4Occident<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Albin Michel].<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (2003). The Satellite, the Prince and Sheherazade: The Rise of Women as Communicators in Digital Islam. Recuperado de <\/span><a href=\"https:\/\/www.arabmediasociety.com\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.arabmediasociety.com<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 01 de outubro de 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. Dirig\u00e9 par. (2004). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Les Sindbads marocains<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Voyage dans le Maroc civique<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Rabat: \u00c9ditions Marsam.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (2004). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Un libro para la paz<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Madrid: El Aleph.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (2007). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0 quoi r\u00eavent les jeunes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">? Rabat: \u00c9ditions Marsam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">SABBAH, F. (pseud\u00f4nimo). (1986). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">La femme dans l\u2019inconscient musulman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Paris: Albin Michel. [(1984). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Woman in the muslim unconscious<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Pergamon Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>7.2. Para ler em Portugu\u00eas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (1996). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sonhos de Transgress\u00e3o. Minha Vida de Menina num Har\u00e9m<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Sussekind. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (2001). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Har\u00e9m e o Ocidente. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">Alfragide: ASA Editores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">(2024). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sultanas Esquecidas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mulheres Chefes de Estado no Isl\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Mar\u00edlia Scalzo. Rio de Janeiro: Tabla.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MERNISSI, F. (2025). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Har\u00e9m Pol\u00edtico: O Profeta e as Mulheres<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tradu\u00e7\u00e3o de Mar\u00edlia Scalzo. Rio de Janeiro: Tabla.<\/span><\/p>\n<p><b>7.3. Para saber mais<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Fateema Mernissi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Eqbal Ahmad Lecture. Hampshire College, 12 de mar\u00e7o de 2002. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=eyZ1HlX1lxk\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=eyZ1HlX1lxk<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Acesso em 01 de outubro de 2025.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Fatema, la Sultane inoubliable<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Dire\u00e7\u00e3o: Mohammed Abderrahman Tazi e Karima Sa\u00efdi, 2022. <\/span><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/pt\/title\/tt14771414\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.imdb.com\/pt\/title\/tt14771414\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Remembering Islamic Feminist Fatema Mernissi. Recuperado de <\/span><a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2015\/12\/10\/459223430\/remembering-islamic-feminist-fatema-mernissi\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.npr.org\/2015\/12\/10\/459223430\/remembering-islamic-feminist-fatema-mernissi#<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> Acesso em 26 de outubro de 2025.<\/span><\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">AMMAMOU, H. (2019). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fatima Mernissi: figure emble\u0301matique d&#8217;une fe\u0301ministe en terre d&#8217;Islam.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Casablanca: Centre Culturel du Livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">BADRAN, M. (2009). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Feminism in Islam. Secular and religious convergences<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. London: Oneworld Publications.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">CORREA, G. M. R. (2020).\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Simone de Beauvoir e Fatima Mernissi: Percep\u00e7\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o feminina no s\u00e9culo XX a partir das mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia destas intelectuais feministas<\/span><\/i><b>. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0(Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Instituto de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro). Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/sucupira-legado.capes.gov.br\/sucupira\/public\/consultas\/coleta\/trabalhoConclusao\/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&amp;id_trabalho=9534416\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/sucupira-legado.capes.gov.br\/sucupira\/public\/consultas\/coleta\/trabalhoConclusao\/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&amp;id_trabalho=9534416<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 03 de outubro de 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">OSMAN, S. A. Pref\u00e1cio. (2024). In: Mernissi, F. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sultanas esquecidas: Mulheres chefes de Estado no Isl\u00e3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Rio de Janeiro: Tabla.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">MOALLEN, M. &amp; BACCHETA, P. (edited by). (2025). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fatema Mernissi. For our times<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. New York: Syracuse University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">RHOUNI, R. (2010). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Secular and Islamic feminist critiques in the work of Fatima Mernissi<\/span><\/i><b>. <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Leiden &amp; Boston: Brill.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">RHOUNI, R. (2017). Between feminism and Islam: Fatima Mernissi and her legacy. In: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Journal of Gender and Culture<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">2<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1), p. 1-20. Recuperado de:\u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/samyuktajournal.in\/journal\/index.php\/sgc\/article\/view\/128\/132\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/samyuktajournal.in\/journal\/index.php\/sgc\/article\/view\/128\/132<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> . Acesso em 03 de outubro de 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">WADUD, A. (2017).\u00a0 Fatima Mernissi: a complex trajectory. In: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Journal of Gender and Culture<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">2<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1), p. 21-26. Recuperado de: <\/span><a href=\"https:\/\/samyuktajournal.in\/journal\/index.php\/sgc\/article\/view\/128\/132\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/samyuktajournal.in\/journal\/index.php\/sgc\/article\/view\/128\/132<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> . Acesso em 03 de outubro de 2025.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1tima Mernissi ou Fatema Mernissi\u00a0 (1940-2015) \u00a0 por Samira Adel Osman, Docente da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo Lattes \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-2564","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2564"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2564\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2569,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2564\/revisions\/2569"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}