{"id":3107,"date":"2026-08-25T17:59:37","date_gmt":"2026-08-25T20:59:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=3107"},"modified":"2026-08-31T09:16:19","modified_gmt":"2026-08-31T12:16:19","slug":"anna-maria-van-schurman","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/anna-maria-van-schurman\/","title":{"rendered":"Anna Maria Van Schurman"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>Anna Maria Van Schurman<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">(1607\u20131678)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Lia Levy<\/span><b>,<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-weight: 400\">Professora Titular do Departamento de Filosofia da UFRGS<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0479739611772285\"><span style=\"font-weight: 400\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2026\/08\/PDF-Anna-Maria-Van-Schurman.docx.pdf\">PDF &#8211; Anna Maria Van Schurman<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3109\" aria-describedby=\"caption-attachment-3109\" style=\"width: 231px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3109\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2026\/08\/unnamed-3-231x300.png\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2026\/08\/unnamed-3-231x300.png 231w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2026\/08\/unnamed-3.png 499w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3109\" class=\"wp-caption-text\"><em>Anna Maria Van Schurman, autorretrato a l\u00e1pis e pastel, c. 1640.<\/em><br \/><em>Rijksmuseum, Amsterd\u00e3 (dom\u00ednio p\u00fablico).<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678), tamb\u00e9m conhecida como Anna Maria Schurmannia (forma latinizada), Anne Marie Van Schurman (grafia francesa) e Anna Maria van Schuurmann (grafia holandesa), \u00e9 uma das figuras mais not\u00e1veis do cen\u00e1rio filos\u00f3fico europeu do s\u00e9culo XVII. Reunia uma combina\u00e7\u00e3o rara de intelig\u00eancia, erudi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, talentos lingu\u00edsticos e aptid\u00e3o art\u00edstica. Fil\u00f3sofa humanista profundamente ligada aos valores calvinistas, foi uma das grandes defensoras da igualdade de capacidade racional entre os sexos e do direito das mulheres a uma educa\u00e7\u00e3o plena, que contemplasse tanto as artes quanto as ci\u00eancias em sua totalidade. Sua defesa, contudo, n\u00e3o se estendia a todas as mulheres, mas \u00e0quelas que dispusessem de meios e tempo para o estudo, condi\u00e7\u00e3o que aplicava igualmente aos homens, operando uma delimita\u00e7\u00e3o de classe e de circunst\u00e2ncia, n\u00e3o de sexo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A quest\u00e3o sobre que esp\u00e9cie de conhecimento cabe \u00e0 criatura racional em sua busca pela gl\u00f3ria de Deus percorre toda a sua produ\u00e7\u00e3o, manifestando-se em g\u00eaneros diversos: a disserta\u00e7\u00e3o escol\u00e1stica, o ensaio filos\u00f3fico-m\u00e9dico, a poesia latina, a autobiografia e a extensa correspond\u00eancia doutrin\u00e1ria. As duas respostas que deu a essa quest\u00e3o, separadas por tr\u00eas d\u00e9cadas e pela ades\u00e3o ao labadismo, dividem seus comentadores at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O prest\u00edgio alcan\u00e7ado entre seus pares, homens e mulheres, foi, no entanto, progressivamente apagado, at\u00e9 que seu nome deixou de despertar a admira\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica que outrora lhe fora concedida.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Vida<\/b><\/p>\n<p><b>1. Biografia<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anna Maria Van Schurman nasceu em 5 de novembro de 1607 em Col\u00f4nia, cidade para onde seus pais, Frederik Van Schurman e Eva von Harff, haviam migrado de Antu\u00e9rpia fugindo da persegui\u00e7\u00e3o aos calvinistas. A fam\u00edlia era patr\u00edcia e bem situada nos c\u00edrculos letrados da aristocracia reformada. A fil\u00f3sofa viveu a maior parte da vida adulta em Utrecht e morreu aos 70 anos em 4 ou 14 de maio de 1678, em Wieuwerd, nas Prov\u00edncias Unidas (atuais Pa\u00edses Baixos) (Irwin, 1989).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Criada ao lado dos irm\u00e3os, recebeu forma\u00e7\u00e3o precoce em latim e humanidades e logo foi tida como prod\u00edgio, reputa\u00e7\u00e3o que sua autobiografia alimenta ao relatar sua inf\u00e2ncia segundo o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">topos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> hagiogr\u00e1fico da crian\u00e7a s\u00e1bia (Van Schurman, 1673, cap. 2; Bulckaert, 2001). Quando tinha onze anos, o pai lhe autorizou os estudos cl\u00e1ssicos e lhe ensinou latim e filosofia diretamente pelos textos de S\u00eaneca, \u00e0 margem das formalidades escolares; seguiram-se os cl\u00e1ssicos e os Padres da Igreja e, depois, Tom\u00e1s de Aquino, Duns Escoto e Durando, leituras que respondem pela familiaridade com o instrumental escol\u00e1stico de que se valeria em sua obra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estimulada pelos pais, para quem a virtude se forja na integra\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e saber, recebeu em casa uma educa\u00e7\u00e3o human\u00edstica completa (das l\u00ednguas \u00e0 metaf\u00edsica, da hist\u00f3ria \u00e0 astronomia, da m\u00fasica \u00e0 pintura), \u00e0 altura do que se ensinava nas academias italianas e francesas, e em contraste com a forma\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica voltada ao casamento que ent\u00e3o se destinava \u00e0 maioria das mulheres (Bullart, 1682).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio da maioria das mulheres de sua classe, optou pelo celibato e n\u00e3o teve filhos. A escolha ecoava a tese estoica de S\u00eaneca sobre a virtude como dom\u00ednio da raz\u00e3o sobre as paix\u00f5es e traduzia sua convic\u00e7\u00e3o de que o casamento, por ela tido como v\u00ednculo mundano, desviaria dos estudos: o celibato era, a seus olhos, condi\u00e7\u00e3o da liberdade intelectual que lhe permitiu destacar-se em filosofia, teologia e l\u00ednguas orientais (Irwin, 1989). Nunca ocupou cargo institucional, pois nenhum lhe era acess\u00edvel, e sua atua\u00e7\u00e3o intelectual deu-se inteiramente pela via da publica\u00e7\u00e3o, da correspond\u00eancia e da participa\u00e7\u00e3o em disputas eruditas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora Gisbertus Voetius, seu mentor em filosofia e teologia, a tenha incentivado ao estudo das l\u00ednguas, foi por m\u00e9rito pr\u00f3prio que superou o mestre, tornando-se poliglota de alcance excepcional: dominava ao menos quatorze l\u00ednguas, entre elas latim, grego, hebraico, \u00e1rabe, aramaico, sir\u00edaco, samaritano, persa e et\u00edope cl\u00e1ssico (ge&#8217;ez). Esse interesse n\u00e3o era um fim em si mesmo, pois se inseria em um projeto de filologia b\u00edblica que recorria \u00e0s l\u00ednguas orientais e a manuscritos antigos para testar tradu\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es da Escritura (Bulckaert, 2001). Com o apoio de Voetius, obteve permiss\u00e3o excepcional para assistir \u00e0s li\u00e7\u00f5es e disputas da Universidade de Utrecht, tornando-se a primeira estudante universit\u00e1ria das Prov\u00edncias Unidas; frequentou as faculdades de Letras, Medicina e Teologia, mas era obrigada a sentar-se em uma cabine de madeira ou atr\u00e1s de uma cortina para permanecer invis\u00edvel aos estudantes do sexo masculino (Van Beek, 2010a).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Seus principais interlocutores filos\u00f3ficos foram Voetius; o te\u00f3logo Andr\u00e9 Rivet, com quem trocou as cartas de que nasceu a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Disserta\u00e7\u00e3o]; e o m\u00e9dico Johan van Beverwijck, organizador da controv\u00e9rsia em que interveio com o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De vitae humanae termino <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Sobre o t\u00e9rmino da vida humana]. A eles se soma, a partir de 1662, Jean de Labadie, ex-jesu\u00edta que liderava um movimento protestante radical e separatista com o prop\u00f3sito de restaurar a pureza da igreja primitiva pela vida comunit\u00e1ria, pela ren\u00fancia aos bens materiais e pela inspira\u00e7\u00e3o direta do Esp\u00edrito Santo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ades\u00e3o de Van Schurman ao labadismo foi precedida por um processo de sete anos: conheceu Labadie em 1662 e com ele manteve correspond\u00eancia regular. Em mar\u00e7o de 1669, publicou um panfleto que denunciava a corrup\u00e7\u00e3o da Igreja Reformada, tornando p\u00fablicas suas novas posi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas; em novembro, vendeu a casa em Utrecht e parte da biblioteca para juntar-se \u00e0 comunidade labadista de Amsterd\u00e3, acompanhando-a nas migra\u00e7\u00f5es seguintes at\u00e9 Wieuwerd, onde viveu at\u00e9 a morte (Irwin, 1989).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>2. Outras atua\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A atua\u00e7\u00e3o de Van Schurman dava-se tamb\u00e9m fora da filosofia. Nas d\u00e9cadas de 1630 e 1640, destacou-se nas artes visuais. Segundo Van Beek (2010a), introduziu o pastel como pr\u00e1tica aut\u00f4noma nas Prov\u00edncias Unidas. Seus autorretratos gravados, enviados a correspondentes, moldavam sua identidade p\u00fablica de intelectual, e a caligrafia que desenvolveu em hebraico, \u00e1rabe, sir\u00edaco e et\u00edope punha a cria\u00e7\u00e3o visual a servi\u00e7o da erudi\u00e7\u00e3o filol\u00f3gica. Foi tamb\u00e9m a primeira mulher holandesa a supervisionar pessoalmente a publica\u00e7\u00e3o de suas obras (Van Beek, 2010a) reivindicava para as mulheres o acesso ao c\u00edrculo completo do conhecimento, incluindo direito e pol\u00edtica, atrav\u00e9s de poemas latinos de virtude c\u00edvica e na ode de 1636. Sua reflex\u00e3o pol\u00edtica, de inspira\u00e7\u00e3o estoica pr\u00f3xima a S\u00eaneca e a Justus Lipsius, defendia o acesso feminino ao c\u00edrculo completo do conhecimento, incluindo direito e pol\u00edtica, e o fazia em poemas latinos de virtude c\u00edvica e na ode de 1636 para a inaugura\u00e7\u00e3o da Universidade de Utrecht, cuja tessitura mitol\u00f3gica afirma a igualdade racional entre os sexos no acesso aos estudos (Spang, 2020). Quanto \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de cargos p\u00fablicos por mulheres, contudo, manteve-se conservadora, ainda que acompanhasse de perto a sorte de Elizabeth Stuart e, sobretudo, de sua filha <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/elisabeth-da-bohemia-epistolografia\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Elisabeth da Bo\u00eamia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, interlocutora privilegiada de Descartes, com quem manteve uma amizade de toda a vida (De Baar, 2021).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Obra<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os temas de que se ocupou organizam-se em torno de quatro n\u00facleos, que ordenam tamb\u00e9m a exposi\u00e7\u00e3o que se segue: a aptid\u00e3o intelectual das mulheres e a legitimidade de seu acesso ao estudo, de que trata a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, nascida da troca epistolar com Rivet e redigida a partir de 1637; a natureza e a finalidade do conhecimento humano, tema da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria seu melioris partis electio <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">[Eucleria, ou a escolha da melhor parte] (1673 e 1685), que circulou em c\u00f3pias manuscritas antes de ser impressa, e do debate interpretativo que suscitou; os limites do saber criado diante da provid\u00eancia divina, objeto do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De vitae humanae termino<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1639), interven\u00e7\u00e3o na controv\u00e9rsia epistolar organizada por Van Beverwijck; e a exegese das Escrituras fundada no dom\u00ednio das l\u00ednguas originais, que atravessa os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Opuscula<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Obras menores] (1648) e os manuscritos do per\u00edodo labadista. Esses quatro n\u00facleos convergem, na fase final, para a quest\u00e3o epistemol\u00f3gica de saber que esp\u00e9cie de conhecimento conduz efetivamente a Deus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A produ\u00e7\u00e3o de Van Schurman deve ser lida \u00e0 luz de uma trajet\u00f3ria que transitou entre a filosofia, a cultura acad\u00eamica e a devo\u00e7\u00e3o m\u00edstica, e que se consolidou menos nas obras impressas do que na circula\u00e7\u00e3o intensa de cartas e manuscritos: nenhum de seus escritos maiores come\u00e7ou como livro. Aos t\u00edtulos principais somam-se produ\u00e7\u00f5es de menor extens\u00e3o ou de circula\u00e7\u00e3o restrita: a ode inaugural de 1636 para a Universidade de Utrecht, tratados teol\u00f3gicos e um conjunto expressivo de contribui\u00e7\u00f5es hoje perdidas ou destru\u00eddas, entre elas escritos metaf\u00edsicos e uma gram\u00e1tica do et\u00edope (Van Beek, 2010a).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra assim distribu\u00edda, de contornos amplos e desiguais, reparte-se em dois per\u00edodos, e a virada labadista \u00e9 o que os separa. Em 1669, ao aderir formalmente ao movimento e ao reavaliar sua erudi\u00e7\u00e3o em favor da f\u00e9, Van Schurman decidiu publicar a primeira parte da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1673) e queimar grande parte de sua correspond\u00eancia, gesto que a literatura atribui ora ao prop\u00f3sito de evitar a adula\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma, ora \u00e0 condena\u00e7\u00e3o da vaidade intelectual que passou a reconhecer nos escritos da primeira fase (Roothaan, 1996). A maior parte do que escreveu depois disso circulou apenas em manuscrito, prolongando a pr\u00e1tica epistolar da primeira fase, e s\u00f3 veio a p\u00fablico ap\u00f3s sua morte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>1. A <\/b><b><i>Dissertatio<\/i><\/b><b>: estrutura e alcance<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio de ingenii muliebris ad doctrinam et meliores litteras aptitudine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Disserta\u00e7\u00e3o sobre a aptid\u00e3o do engenho feminino para o conhecimento e para as belas letras] \u00e9 uma das duas principais obras da fil\u00f3sofa. Nasceu do interc\u00e2mbio epistolar entre Van Schurman e Andr\u00e9 Rivet sobre a legitimidade da educa\u00e7\u00e3o feminina, do qual apresenta uma vers\u00e3o sistematizada, em estilo ret\u00f3rico cl\u00e1ssico e na forma silog\u00edstica, reunindo argumentos filos\u00f3ficos em favor do direito feminino ao estudo das letras, das artes e das ci\u00eancias. Depois de uma vers\u00e3o em franc\u00eas, n\u00e3o autorizada e distribu\u00edda na Fran\u00e7a (1638), foi publicada oficialmente em latim, em 1641, pela oficina dos Elzevier.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fil\u00f3sofa segue o modelo escol\u00e1stico da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">quaestio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, em vers\u00e3o simplificada com cinco partes: (a) formula\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Num Foeminae Christianae conveniat studium litterarum?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Conv\u00e9m \u00e0 mulher crist\u00e3 o estudo das belas letras?], \u00e0 qual responde positivamente; (b) defini\u00e7\u00e3o dos termos; (c) argumentos favor\u00e1veis; (d) obje\u00e7\u00f5es e refuta\u00e7\u00f5es; e (e) conclus\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Define quatro termos centrais: o sujeito (a mulher crist\u00e3 de confiss\u00e3o e pr\u00e1tica), o objeto (as letras, que abrangem l\u00ednguas, hist\u00f3ria e todas as disciplinas, superiores e inferiores), o estudo (aplica\u00e7\u00e3o atenta da mente) e o convir (o que \u00e9 pr\u00f3prio e decente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o do sujeito). Imp\u00f5e, todavia, tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es: a mulher deve ter intelig\u00eancia mediana e inclina\u00e7\u00e3o ao saber; dispor de meios e tempo, isenta de obriga\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas pesadas (de prefer\u00eancia com servos); e o estudo deve ter como fim a gl\u00f3ria de Deus e a salva\u00e7\u00e3o da alma, n\u00e3o a vangl\u00f3ria (Van Schurman, 1641, pp. 9\u201314; Manson, 2023). Assim conclui que as mulheres crist\u00e3s aristocr\u00e1ticas n\u00e3o apenas podem, mas devem se dedicar ao estudo das letras, e que os pais t\u00eam o dever de iniciar essa educa\u00e7\u00e3o desde a inf\u00e2ncia (Van Schurman, 1641, p. 36).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O argumento central da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> fundamenta-se na premissa teol\u00f3gica de que as mulheres, por serem seres humanos, foram criadas \u00e0 imagem de Deus e, consequentemente, possuem a mesma natureza e capacidade racional que os homens (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">p. 15). Van Schurman sustenta que a forma do ser humano \u00e9 a alma racional, que n\u00e3o possui sexo. Portanto, o conhecimento \u00e9 uma categoria neutra e universal: se o intelecto \u00e9 o que distingue o humano dos animais, restringir o saber a um g\u00eanero \u00e9 negar a plena humanidade desse grupo (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">pp. 35\u201336). Ela define a l\u00f3gica como a &#8220;chave de todas as ci\u00eancias&#8221;, instrumento indispens\u00e1vel para alcan\u00e7ar a verdade e a retid\u00e3o moral (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">p. 13).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra utiliza o rigoroso m\u00e9todo escol\u00e1stico, recorrendo a silogismos, apelos \u00e0 raz\u00e3o, \u00e0 autoridade (Arist\u00f3teles, S\u00eaneca, entre outros) e ao senso comum: apresenta catorze argumentos favor\u00e1veis formalmente estruturados (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">pp. 14\u201328), em sua maioria na forma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Barbara<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, o modo silog\u00edstico universal afirmativo da primeira figura, e cinco obje\u00e7\u00f5es, todas refutadas (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, pp. 29\u201336). A op\u00e7\u00e3o pela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">quaestio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e pelo silogismo n\u00e3o \u00e9 meramente estil\u00edstica: ao dominar essa ferramenta, a fil\u00f3sofa demonstra, no ato mesmo de argumentar, que uma mulher pode operar nos mesmos termos rigorosos dos doutores universit\u00e1rios (Zirbel, 2021).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O argumento da virtude percorre v\u00e1rios dos demais: o estudo n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio nem conquista mundana, mas obriga\u00e7\u00e3o moral, pois a alma racional cultiva a virtude ao cultivar o conhecimento. A tese de S\u00eaneca de que a virtude n\u00e3o conhece classe nem sexo \u00e9 invocada no argumento VII para demonstrar que as mulheres s\u00e3o aptas a ela (Van Schurman, 1641, p. 21). Negar-lhes o acesso ao saber \u00e9, portanto, negar-lhes o pleno exerc\u00edcio da vida virtuosa e, na perspectiva teol\u00f3gica da autora, um caminho para Deus (Larsen, 2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A segunda condi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, restringe o escopo da defesa: aplica-se n\u00e3o \u00e0s mulheres em geral, mas \u00e0quelas da aristocracia crist\u00e3 que dispusessem de meios e tempo (Irwin, 1989). Como observa Clarke (2013), essa restri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 perif\u00e9rica ao argumento, mas estrutural e sim\u00e9trica: o mesmo princ\u00edpio exclu\u00eda os homens sem recursos ou absorvidos por ocupa\u00e7\u00f5es, de modo que o crit\u00e9rio de exclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de sexo, mas de condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Isso distingue Van Schurman tanto das feministas posteriores, que reivindicavam educa\u00e7\u00e3o universal, quanto de contempor\u00e2neos como Poulain de la Barre (1673). N\u00e3o desmente, contudo, o car\u00e1ter inovador que a literatura atribui \u00e0 sua obra no quadro da<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Querelle des Femmes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Querela das Mulheres] do s\u00e9culo XVII. Ao romper com a tradi\u00e7\u00e3o de focar na superioridade de um sexo ou em listas de mulheres ilustres, Van Schurman integra, ao lado de <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/marie-de-jars-de-gournay\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Marie de Gournay<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, Poulain de la Barre e <\/span><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/mary-astell\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Mary Astell<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> (cujas posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o convergem inteiramente), o conjunto de autoras e autores que introduzem no debate uma esp\u00e9cie de feminismo l\u00f3gico-filos\u00f3fico at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dito (Dorlin, 2000 apud Zirbel, 2021).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>2. A <\/b><b><i>Eukleria<\/i><\/b><b>: quadro conceitual e argumento filos\u00f3fico<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As duas partes da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a primeira publicada em 1673 e a segunda postumamente em 1685, constituem a segunda obra principal da fil\u00f3sofa e a mais complexa. \u00c9 o \u00fanico escrito explicitamente autobiogr\u00e1fico de Van Schurman e a primeira autobiografia em latim de uma mulher nas Prov\u00edncias Unidas (Van Beek, 2010a).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A primeira parte re\u00fane o esbo\u00e7o biogr\u00e1fico e a justifica\u00e7\u00e3o da convers\u00e3o; a segunda acompanha seus \u00faltimos dias na comunidade labadista e aprofunda a defesa do abandono da erudi\u00e7\u00e3o mundana em favor da f\u00e9 m\u00edstica. A primeira parte circulou em c\u00f3pias manuscritas antes e depois de sua publica\u00e7\u00e3o, e foi lida e aprovada por Leibniz e por importantes l\u00edderes pietistas (Larsen, 2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra surgiu da necessidade de responder \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de fanatismo e desregramento moral, algumas especialmente ofensivas e mis\u00f3ginas, que se seguiram \u00e0 sua ades\u00e3o ao labadismo e \u00e0 ren\u00fancia \u00e0 filosofia acad\u00eamica que antes defendera. Mas o texto ultrapassou rapidamente o teor da defesa pessoal para constituir uma obra filos\u00f3fico-teol\u00f3gica de pleno direito (De Baar et al., 1996).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O t\u00edtulo remete ao epis\u00f3dio evang\u00e9lico de Marta e Maria (Lucas 10, 38\u201342), em que Maria, por ter escolhido sentar-se aos p\u00e9s de Jesus em vez de servir \u00e0 mesa, recebeu o elogio de haver \u201cescolhido a melhor parte\u201d (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">melioris partis electio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">). Van Schurman faz dessa cena o n\u00facleo estruturante de seu argumento: toda a obra demonstra que sua escolha foi an\u00e1loga \u00e0 de Maria (Van Beek, 2010a).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Diferentemente da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> funde narrativa autobiogr\u00e1fica, tratado espiritual e argumento filos\u00f3fico em um \u00fanico movimento discursivo. Seu quadro conceitual desloca o eixo da filosofia humanista cl\u00e1ssica para a espiritualidade afetiva, nutrida pela m\u00edstica renana (Johannes Tauler), pela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">devotio moderna<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [devo\u00e7\u00e3o moderna] (Tom\u00e1s de Kempis) e pelas correntes do pietismo protestante entrela\u00e7adas ao labadismo. Conceitos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">amor Dei<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [amor de Deus], <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">cognitio experimentalis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [conhecimento por experi\u00eancia], <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">unio cum Deo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [uni\u00e3o com Deus] e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">vanitas studiorum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [vaidade dos estudos] atravessam todas essas tradi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podendo ser atribu\u00eddos a uma linhagem exclusiva (Roothaan, 1996).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O argumento filos\u00f3fico central, embora inserido em um quadro teol\u00f3gico mais amplo, \u00e9 epistemol\u00f3gico: para Van Schurman, o conhecimento verdadeiro de Deus n\u00e3o se alcan\u00e7a pela raz\u00e3o discursiva, mas apenas pela <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">cognitio experimentalis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ou seja, pelo conhecimento \u00edntimo e afetivo dado na experi\u00eancia direta do amor divino (Van Schurman, 1673, pp. 30, 33, 39). Mesmo a menor dessas experi\u00eancias, sustenta, proporciona uma compreens\u00e3o das Escrituras mais verdadeira e profunda do que todo o dom\u00ednio erudito da l\u00edngua sagrada em que foram escritas (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, pp. 30\u201332).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A raz\u00e3o da diferen\u00e7a est\u00e1 no modo de acesso, e a fil\u00f3sofa a explica por uma imagem: as ci\u00eancias que versam sobre a vida humana (metaf\u00edsica, f\u00edsica, \u00e9tica) s\u00e3o como mapas, que representam a verdade sem lhe dar acesso; o conhecimento pela f\u00e9 equivale a respirar o ar puro ou a caminhar por prados f\u00e9rteis, percep\u00e7\u00e3o imediata que dispensa fundamentos externos (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, pp. 39 ss.). N\u00e3o se trata, pois, de um saber mais bem fundamentado, mas de um fundamento de outra natureza (Larsen, 2022). A invers\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 deliberada: o que ali era instrumento privilegiado torna-se, aqui, obst\u00e1culo \u00e0 forma mais alta do saber, e a ci\u00eancia puramente te\u00f3rica e acad\u00eamica passa a ser considerada \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idololatria eruditionis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d [idolatria da erudi\u00e7\u00e3o] (Van Schurman, 1673, p. 78), que Roothaan (1996) aproxima da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">vanitas studiorum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O segundo eixo da obra \u00e9 a doutrina do \u201c\u00fanico necess\u00e1rio\u201d (Van Schurman, 1673, pp. 30\u201332): a dedica\u00e7\u00e3o excessiva aos estudos n\u00e3o \u00e9 apenas desvio moral, mas equ\u00edvoco filos\u00f3fico, a saber, tratar o saber como fim em si mesmo (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, p. 70). A escala de valores \u00e9 severa: a uni\u00e3o da alma com Deus \u00e9 o \u00fanico fim \u00faltimo, e o termo do percurso \u00e9 o abandono do eu na plena frui\u00e7\u00e3o de sua bondade infinita; todo conhecimento que n\u00e3o serve a esse fim \u00e9 vaidade, incluindo, explicitamente, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">idem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, p. 78).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A obra deixa em suspenso uma tens\u00e3o que a literatura tem tomado como sua marca: para denunciar a vaidade da erudi\u00e7\u00e3o, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> recorre precisamente \u00e0s ferramentas que denuncia. A convers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apresentada como arrebatamento, mas como decis\u00e3o fundada em raz\u00f5es expl\u00edcitas; a exposi\u00e7\u00e3o vale-se da t\u00e9cnica escol\u00e1stica da pol\u00eamica e de centenas de cita\u00e7\u00f5es de autoridades; e o resultado converte as intui\u00e7\u00f5es de Jean de Labadie em um sistema teol\u00f3gico coerente e defens\u00e1vel (De Baar et al., 1996). Esse procedimento reproduz, de modo invertido, o da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: se l\u00e1 o silogismo, ao ser exercido, comprovava aquilo que afirmava, aqui \u00e9 a compet\u00eancia acad\u00eamica que se p\u00f5e a servi\u00e7o da tese de sua pr\u00f3pria insufici\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>3. Outros escritos<\/b><\/p>\n<p><b>3.1. <\/b><b><i>De vitae humanae termino\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ensaio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De vitae humanae termino <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">foi publicado em 1639 na terceira e \u00faltima parte da controv\u00e9rsia epistolar sobre a dura\u00e7\u00e3o da vida, organizada pelo m\u00e9dico Johan van Beverwijck no g\u00eanero da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">quaestio epistolaris<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [quest\u00e3o epistolar]. Discutia-se se a dura\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 fixada por decreto divino ou pass\u00edvel de prolongamento por fatores naturais. Van Schurman foi a \u00fanica mulher entre os participantes, inclus\u00e3o que atesta o reconhecimento de sua autoridade intelectual (Van Beek, 2018).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sua interven\u00e7\u00e3o desloca a quest\u00e3o da causalidade m\u00e9dica para a rela\u00e7\u00e3o entre conhecimento humano, provid\u00eancia divina e prud\u00eancia moral: o t\u00e9rmino da vida s\u00f3 \u00e9 conhecido por Deus, e toda pretens\u00e3o da raz\u00e3o humana de calcul\u00e1-lo excede os limites do saber criado. Essa ignor\u00e2ncia, todavia, n\u00e3o conduz ao fatalismo, pois o cuidado com a sa\u00fade ret\u00e9m valor como exig\u00eancia de prud\u00eancia. Van Schurman formula, assim, uma posi\u00e7\u00e3o que concilia provid\u00eancia e responsabilidade humana, recusando tanto a passividade fatalista quanto a confian\u00e7a excessiva na arte m\u00e9dica (Larsen, 2016).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>3.2. Os <\/b><b><i>Opuscula<\/i><\/b><b> e os manuscritos do per\u00edodo labadista<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Opuscula<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1648) reuniram em volume \u00fanico as principais publica\u00e7\u00f5es da fil\u00f3sofa at\u00e9 ent\u00e3o (a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De vitae humanae termino<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, poemas e cartas), apresentadas pela autora por meio do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">topos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> da mod\u00e9stia, como correspond\u00eancia privada divulgada por terceiros. A obra constitui a primeira colet\u00e2nea sistem\u00e1tica dos escritos de Van Schurman e atesta seu prest\u00edgio institucional e internacional. Cont\u00e9m textos em hebraico, grego, latim e franc\u00eas, em prosa e verso, e foi prefaciada por Friedrich Spanheim, catedr\u00e1tico de Teologia da Universidade de Leiden. Recebeu diversas reedi\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es e, em 1658, foi inclu\u00edda no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Index Librorum Prohibitorum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [\u00cdndice de Livros Proibidos] da Igreja Cat\u00f3lica. Van Beek (2010a) afirma que a inclus\u00e3o, devida ao protestantismo da autora, n\u00e3o prejudicou a circula\u00e7\u00e3o da obra nas Prov\u00edncias Unidas, antes ampliou seu alcance internacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A singularidade dos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Opuscula<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> reside em fazer da pluralidade lingu\u00edstica um instrumento intelectual. O uso do hebraico e do grego inscreve a fil\u00f3sofa tanto na tradi\u00e7\u00e3o exeg\u00e9tica reformada quanto no ideal humanista do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ad fontes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [\u00e0s fontes], segundo o qual o acesso \u00e0s l\u00ednguas originais \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de rigor hermen\u00eautico. Da\u00ed sua busca pelo dom\u00ednio do \u00e1rabe, do sir\u00edaco, do samaritano e do et\u00edope cl\u00e1ssico, ou seja, o ge&#8217;ez, l\u00edngua lit\u00fargica da Abiss\u00ednia crist\u00e3, e n\u00e3o, como o termo ent\u00e3o sugeria, uma designa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica para os povos africanos de pele escura (Teles, 1660; Lowe, 2007).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os manuscritos labadistas incluem as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Tabulae theologiae<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [T\u00e1buas Teol\u00f3gicas], poemas did\u00e1ticos e cartas doutrin\u00e1rias que circulavam como tratados teol\u00f3gicos informais (Van Beek, 2010a).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>4. Obras p\u00f3stumas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As edi\u00e7\u00f5es p\u00f3stumas da obra de Van Schurman refletem tanto o esfor\u00e7o dos seguidores em preservar seu legado teol\u00f3gico quanto o interesse cont\u00ednuo de novas gera\u00e7\u00f5es de eruditos. A segunda parte da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1685) completa o relato de sua vida at\u00e9 os \u00faltimos dias na comunidade labadista, ao passo que o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mysterium magnum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Magno mist\u00e9rio] (1699) inscreve suas preocupa\u00e7\u00f5es escatol\u00f3gicas sobre o Reino de Cristo no pensamento pietista europeu (Irwin, 1989).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A difus\u00e3o prosseguiu ao longo do s\u00e9culo XVIII. Em 1728, publicaram-se as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Geleerde Brieven<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cartas eruditas], que re\u00fanem sua correspond\u00eancia intelectual; em 1730, a tradu\u00e7\u00e3o francesa dessas cartas por Madame de Zoutelandt; e, em 1732, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uitbreiding over de drie eerste capittels van Genesis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Coment\u00e1rio sobre os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis], que re\u00fane poemas did\u00e1ticos at\u00e9 ent\u00e3o manuscritos, entre eles o c\u00e2ntico sobre o \u201ccasamento espiritual\u201d, imagem central da devo\u00e7\u00e3o labadista que descreve a uni\u00e3o m\u00edstica entre a alma e Cristo. Por fim, em 1749, os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Opuscula<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foram reeditados em Leipzig (Larsen, 2016).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>5. As duas fases: continuidade e ruptura no debate interpretativo<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os escritos de Van Schurman gravitam em torno de uma mesma quest\u00e3o: a natureza do conhecimento e seu prop\u00f3sito. Em ambas as fases, a fil\u00f3sofa sustenta que a finalidade do conhecimento \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus, mas d\u00e1 respostas distintas quanto \u00e0 natureza do conhecimento que permite alcan\u00e7ar esse fim. A controv\u00e9rsia entre os comentadores tem um ponto de apoio textual preciso, e conv\u00e9m enunci\u00e1-lo antes das posi\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao refutar a obje\u00e7\u00e3o de que seria in\u00fatil instruir mulheres impedidas de ocupar cargos p\u00fablicos, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1641) sustenta que o conhecimento te\u00f3rico aperfei\u00e7oa o ser humano mesmo sem aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica: o saber, nesse sentido, \u00e9 fim em si mesmo. Na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1673), por\u00e9m, Van Schurman denomina equ\u00edvoco filos\u00f3fico exatamente essa f\u00f3rmula: tratar o saber como fim em si mesmo. A mesma proposi\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, defendida e condenada pela mesma autora em momentos distintos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A inflex\u00e3o, contudo, \u00e9 menos radical do que a coincid\u00eancia das palavras sugere. Em 1641, \u201cfim em si mesmo\u201d qualifica o saber em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 utilidade civil: o estudo n\u00e3o precisa justificar-se por um cargo. Mas permanece ordenado ao mesmo fim \u00faltimo, pois o terceiro crit\u00e9rio da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> exige que se estude para a gl\u00f3ria de Deus e a salva\u00e7\u00e3o da alma. Rigorosamente, a f\u00f3rmula de 1673 n\u00e3o contradiz a de 1641: condena tratar o saber como fim \u00faltimo, coisa que a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> nunca afirmara. \u00c9 nesse intervalo estreito que as duas correntes interpretativas se separam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para uma das correntes, a coincid\u00eancia confirma a unidade do projeto: o fim \u00faltimo nunca mudou, e a fase labadista apenas radicaliza uma subordina\u00e7\u00e3o j\u00e1 presente em 1641. N\u00e3o houve abandono da raz\u00e3o, mas redirecionamento das habilidades lingu\u00edsticas e l\u00f3gicas de Van Schurman para a teologia e a piedade crist\u00e3. A fase final seria o amadurecimento de uma busca vital\u00edcia por integrar rigor intelectual e f\u00e9, uma unidade indissoci\u00e1vel entre os discursos religioso e filos\u00f3fico (Irwin, 1977, 1980, 1991; Roothaan, 1996; Larsen, 2016, 2022; Lee, 2007, 2014).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a outra, a perman\u00eancia do fim \u00faltimo \u00e9 compat\u00edvel com uma mudan\u00e7a de projeto, e \u00e9 essa mudan\u00e7a que importa. O que se altera n\u00e3o \u00e9 o prop\u00f3sito do conhecimento, mas o tipo de conhecimento. Em 1641, o acesso a Deus d\u00e1-se pelas obras da cria\u00e7\u00e3o e pelas letras que as decifram; em 1673, a via discursiva \u00e9 declarada incapaz e substitu\u00edda por uma percep\u00e7\u00e3o imediata, com o correspondente deslocamento do vocabul\u00e1rio, das autoridades e dos interlocutores. Essa mudan\u00e7a manifestou-se tamb\u00e9m em atos concretos de ren\u00fancia: a venda da casa e de parte da biblioteca, a destrui\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia e o afastamento p\u00fablico da defesa anterior da educa\u00e7\u00e3o feminina (Van Beek, 2010a; Clarke, 2013; Usakiewicz, 2019). Trata-se de uma tese sobre a mudan\u00e7a de projeto, e n\u00e3o de um ju\u00edzo sobre o decl\u00ednio intelectual da autora, leitura pr\u00f3pria dos cat\u00e1logos setecentistas e da historiografia oitocentista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ambas as leituras, contudo, t\u00eam apoio textual e convergem em dois pontos. O primeiro \u00e9 que o fim \u00faltimo, a gl\u00f3ria de Deus, permanece o mesmo, ainda que se redefina o tipo de conhecimento requerido para alcan\u00e7\u00e1-lo: o dom\u00ednio das ci\u00eancias humanas d\u00e1 lugar \u00e0 experi\u00eancia direta da divindade (Roothaan, 1996). O segundo \u00e9 que a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> forneceu as ferramentas liter\u00e1rias e l\u00f3gicas que, d\u00e9cadas depois, tornaram poss\u00edvel a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, o que se verifica no pr\u00f3prio recurso \u00e0 t\u00e9cnica escol\u00e1stica para denunciar a erudi\u00e7\u00e3o (Irwin, 1989).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A virada labadista permanece, assim, o ponto nevr\u00e1lgico da discuss\u00e3o sobre a unidade da obra, e a tens\u00e3o entre f\u00e9 e raz\u00e3o que ela evidencia \u00e9 lida ora como abandono da raz\u00e3o em favor da f\u00e9, ora como culmin\u00e2ncia de um projeto em que o saber \u00e9 finalmente integrado \u00e0 piedade pr\u00e1tica. Essa mesma alternativa, abandono ou culmin\u00e2ncia, reaparecer\u00e1, n\u00e3o como problema exeg\u00e9tico, mas como argumento de exclus\u00e3o na hist\u00f3ria da recep\u00e7\u00e3o de sua obra.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Posteridade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A reputa\u00e7\u00e3o de Van Schurman como fil\u00f3sofa apoiou-se em sua participa\u00e7\u00e3o na Rep\u00fablica das Letras, espa\u00e7o autodeclarado de igualdade de m\u00e9rito, mas de composi\u00e7\u00e3o quase inteiramente masculina, no qual a entrada das mulheres dependia de mentores, e na sub-rede que as eruditas ent\u00e3o desenvolveram, a Rep\u00fablica das Letras das Mulheres (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Respublica Litteraria Mulierum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">) (Larsen, 2008; Pal, 2012).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Celebrada como \u201cD\u00e9cima Musa\u201d e \u201cEstrela de Utrecht\u201d, Van Schurman figurou em cat\u00e1logos de mulheres s\u00e1bias. Marie de Gournay (1634) a incluiu como \u00fanica contempor\u00e2nea, ainda antes da publica\u00e7\u00e3o de suas primeiras obras impressas. Na Inglaterra, Samuel Torshell publicou em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The womans glorie<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A gl\u00f3ria da mulher] (1645) a primeira tradu\u00e7\u00e3o parcial ao ingl\u00eas de seus argumentos sobre a educa\u00e7\u00e3o feminina, consolidando seu papel de autoridade educacional fora dos Pa\u00edses Baixos; Pierre Gassendi, por sua vez, tomou-a como exemplo supremo em sua defesa da igualdade intelectual entre os sexos (Bullart, 1682).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O prest\u00edgio de Van Schurman, todavia, n\u00e3o resistiu \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es intelectuais dos s\u00e9culos XVIII a XX, e o zelo editorial de seus seguidores contribuiu para esse processo. As <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Geleerde Brieven<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1728), editadas cinquenta anos ap\u00f3s sua morte, deslocaram sua imagem p\u00fablica de fil\u00f3sofa sistem\u00e1tica para a de modelo de virtude feminina erudita. \u00c9 nesse mesmo registro que os cat\u00e1logos alem\u00e3es setecentistas a reposicionaram de \u201cfil\u00f3sofa\u201d a \u201csanta\u201d (Larsen, 2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A virada do s\u00e9culo XIX consumou o apagamento ao refundar a filosofia como disciplina universit\u00e1ria masculina, seguindo as teleologias de Tiedemann e Tennemann, historiografias que tornaram a escol\u00e1stica calvinista seiscentista alheia ao c\u00e2none (Waithe, 1991; Wandall, 2025). Esse reposicionamento consolidou-se na biografia de Pope-Hennessy (1909), cujo t\u00edtulo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anna Van Schurman: artist, scholar, saint<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Anna Van Schurman: artista, erudita, santa], serviria para desqualificar sua produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica como misticismo irracional, despojando-a do estatuto de erudita (Larsen, 2016).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Essa exclus\u00e3o deu-se por tr\u00eas vias convergentes: a metodol\u00f3gica, que rejeitou o m\u00e9todo escol\u00e1stico como arcaico; a biogr\u00e1fica, que leu o labadismo como abandono da raz\u00e3o (vers\u00e3o depreciativa, desmentida pela voca\u00e7\u00e3o asc\u00e9tica despertada aos onze anos com a leitura dos m\u00e1rtires, na edi\u00e7\u00e3o de Haemstede e Foxe de 1612); e a pol\u00edtica, que, ao masculinizar a filosofia, tamb\u00e9m se op\u00f4s \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o feminina (O&#8217;Neill, 1998). Como resultado, entre a morte de Van Schurman e o s\u00e9culo XX, sua presen\u00e7a no c\u00e2none filos\u00f3fico tornou-se praticamente nula (Dykeman, 1999).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A recupera\u00e7\u00e3o foi gradual. Os estudos ganharam f\u00f4lego apenas na d\u00e9cada de 1980 nos Pa\u00edses Baixos e nos anos 1990 nos Estados Unidos, impulsionados por uma gera\u00e7\u00e3o de pesquisadoras que integraram Van Schurman ao debate sobre a hist\u00f3ria das mulheres e a filosofia moderna. Entre elas, destacam-se Irwin (1977, 1980), a quem se deve a primeira defesa da continuidade entre as duas fases; O&#8217;Neill (1998), pelo diagn\u00f3stico que converteu o apagamento das fil\u00f3sofas modernas em problema historiogr\u00e1fico que representa uma grande perda para a filosofia; Van Beek (2010a), pelas pesquisas em fontes prim\u00e1rias; Roothaan (1996), pela an\u00e1lise da reforma da filosofia proposta pela autora; Waithe (1991), pela consolida\u00e7\u00e3o de seu lugar no c\u00e2none das mulheres fil\u00f3sofas; e De Baar et al. (1996), pelo mapeamento de suas redes de interlocu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A recupera\u00e7\u00e3o, todavia, permanece incompleta: faltam edi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, tradu\u00e7\u00f5es e bases de dados (Zorrilla, 2022). Em l\u00edngua portuguesa, a lacuna \u00e9 ainda maior: n\u00e3o h\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o integral de nenhuma das obras, e os estudos se resumem aos trabalhos de Spang (2020) e Zirbel (2021), cuja import\u00e2ncia merece ser sublinhada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A compreens\u00e3o do pensamento de Van Schurman exige interpretar suas respostas dificilmente concili\u00e1veis sobre que tipo de conhecimento cabe \u00e0 criatura racional e qual conduz efetivamente a Deus. \u00c9 essa tens\u00e3o, mais do que qualquer das duas respostas isoladamente, que a literatura recente tem tomado como o problema central de sua obra. Nela se deixam ver, em um mesmo percurso, o alcance e os limites do argumento escol\u00e1stico em favor da educa\u00e7\u00e3o feminina, o deslocamento de um crit\u00e9rio discursivo para um crit\u00e9rio experiencial de conhecimento de Deus, e o mecanismo pelo qual uma fil\u00f3sofa reconhecida por seus pares veio a ser convertida pela historiografia em figura devocional. Ler as duas fases como um \u00fanico problema, e n\u00e3o escolher entre elas, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para restitu\u00ed-la ao lugar que ocupou em seu tempo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>1. Obras e Tradu\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p><b>1.1. Obras publicadas em vida<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1636). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Inclytae et antiquae urbi Trajectinae nova academia nuperrime donatae gratulatur Anna Maria a Schurman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Ana Maria Van Schurman parabeniza a ilustre e antiga cidade de Trajectum pela recente inaugura\u00e7\u00e3o de uma nova academia]. Utrecht: Aegidius &amp; Petrus Roman. (Poema escrito em homenagem \u00e0 Universidade de Utrecht e lido pela fil\u00f3sofa na inaugura\u00e7\u00e3o da Universidade.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1639a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De vitae humanae termino. Epistola totius disputationis terminus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sobre o t\u00e9rmino da vida humana. Carta que \u00e9 o encerramento de toda esta disputa]. In Beverwijck, J. van (org.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Epistolica quaestio de vitae termino, fatali an mobili? Cum doctorum responsis. Pars tertia, et ultima, nunc primum edita. Seorsim accedit [nobilissimae et doctissimae virginis] Annae Mariae a Schurman de eodem argumento epistola, totius disputationis terminus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Quest\u00e3o epistolar sobre o termo da vida: fatal ou m\u00f3vel? Com as respostas dos doutos. Parte terceira e \u00faltima, agora publicada pela primeira vez. Junta-se \u00e0 parte uma ep\u00edstola da nobil\u00edssima e dout\u00edssima donzela Anna Maria van Schurman sobre o mesmo assunto, termo de toda a disputa]. Lugduni Batavorum [Leiden]: Ex officina Ioannis Maire.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1641). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio de ingenii muliebris ad doctrinam et meliores litteras aptitudine<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Disserta\u00e7\u00e3o sobre a aptid\u00e3o do engenho feminino para o conhecimento e para as belas letras]. Lugduni Batavorum [Leiden]: Ex officina Elseviriorum. (Edi\u00e7\u00e3o publicada sob a supervis\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o de Van Schurman.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1642). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Vraeghbrief, waerom de Heere Christus, daer hy ongeneselijcke sieckten, soo met een woordt, so met aenraken genas, des blindens oogen met slick, en speecksel gestreken heeft?<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Carta em que se pergunta por que raz\u00e3o o Senhor Cristo, que curava mol\u00e9stias incur\u00e1veis tanto por uma palavra quanto pelo toque, untou os olhos do cego com lodo e saliva?]. In Beverwijck, J. van, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Schat der ongesontheit: aenhangsel van brieven<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Tesouro das enfermidades: ap\u00eandice de cartas] (pp. 121-124). Amsterdam: J. Schipper.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1648). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Opuscula Hebr\u00e6a, Gr\u00e6ca, Latina, Gallica. Prosaica &amp; Metrica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Obras menores em hebraico, grego, latim e franc\u00eas: em prosa e verso]. Lugduni Batavorum [Leiden]: Ex officina Elseviriorum.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1669). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pens\u00e9es d&#8217;A. M. de Schurman sur la reformation necessaire \u00e0 present \u00e0 l&#8217;Eglise de Christ<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Pensamentos de A. M. de Schurman sobre a reforma necess\u00e1ria no presente \u00e0 Igreja de Cristo]. Amsterdam: Jacob van Velsen.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1672). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Verklaringe van de suyverheit des geloofs<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Declara\u00e7\u00e3o sobre a pureza da f\u00e9]. Herford: s.n.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1673). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria seu melioris partis electio: pars prima<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Eucleria, ou a escolha da melhor parte: primeira parte]. Altona: Cornelis van der Meulen.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>1.2. Tradu\u00e7\u00f5es e edi\u00e7\u00f5es publicadas em vida<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1636). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Op het sermoen ghedaen voor d&#8217;inleydinghe vande academie van Utrecht<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sobre o discurso proferido na cerim\u00f4nia de inaugura\u00e7\u00e3o da Academia de Utrecht]. In Voetius, G., <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sermoen van de nutticheydt der academien ende scholen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Serm\u00e3o sobre a utilidade das academias e escolas]. Utrecht: Aegidius &amp; Petrus Roman. (Tradu\u00e7\u00e3o em holand\u00eas do poema lido pela fil\u00f3sofa na inaugura\u00e7\u00e3o da Universidade.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1638). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Amica dissertatio inter Annam Mariam Schurmanniam et Andr. Rivetum de capacitate ingenii muliebris ad scientias<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Amig\u00e1vel disserta\u00e7\u00e3o entre Anna Maria Van Schurman e Andr\u00e9 Rivet sobre a capacidade do engenho feminino para as ci\u00eancias]. Paris: s.n. (Edi\u00e7\u00e3o incompleta e publicada sem autoriza\u00e7\u00e3o e conhecimento de Van Schurman; n\u00e3o considerada aqui como a primeira edi\u00e7\u00e3o da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dissertatio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1639b). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Paelsteen van den tijd onses levens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O limite do tempo de nossas vidas]. Dordrecht: Jasper Gorissz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1644). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De vitae humanae termino<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sobre o t\u00e9rmino da vida humana]. Rotterdam: s.n.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1645). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The letters touching this argument between Andreas Rivet, and Anna Maria \u00e0 Schurman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [As cartas que tratam deste tema entre Andreas Rivet e Anna Maria \u00e0 Schurman]. In Torshell, S., <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The womans glorie: a treatise asserting the due honour of that sexe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A gl\u00f3ria da mulher: um tratado que reivindica a devida honra para esse sexo] (cap. III, pp. 34\u201394). Londres: G. M. for John Bellamie.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1646). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Question cel\u00e8bre s&#8217;il est n\u00e9cessaire ou non que les filles soient s\u00e7avantes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [C\u00e9lebre quest\u00e3o sobre se \u00e9 ou n\u00e3o necess\u00e1rio que as mo\u00e7as sejam instru\u00eddas]. Tradu\u00e7\u00e3o de Guillaume Colletet. Paris: Rolet le Duc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1659). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The learned maid; or, whether a maid may be a scholar?: a logick exercise written in Latine by that incomparable virgin Anna Maria \u00e0 Schurman of Utrecht. With some epistles to the famous Gassendus and others<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A jovem erudita; ou, pode uma mulher ser s\u00e1bia?: exerc\u00edcio l\u00f3gico em latim da incompar\u00e1vel virgem Anna Maria van Schurman, de Utrecht, acrescido de algumas ep\u00edstolas ao c\u00e9lebre Gassendi e a outros]. Tradu\u00e7\u00e3o de Clement Barksdale. Londres: John Redmayne.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1665). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De vitae humanae termino<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sobre o t\u00e9rmino da vida humana]. In Beverwijck, J. van (org.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Epistolica quaestiones cum doctorum responsis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Quest\u00e3o epistolar com as respostas dos doutos] (pp. 1\u201314). Dordrecht: Rudolph a Nuyssel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1675). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Heylige lof-sangen ter eeren Gods, tot heerlijkheid van Jesus Christus, en tot vertroostinge en vreugde van sijn Kerk<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Santos c\u00e2nticos de louvor a Deus, para a gl\u00f3ria de Jesus Cristo, e para o consolo e alegria de sua Igreja]. Amsterdam: Jacob van Velzen. (Inclui as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Bedenckingen van A. M. Van Schurman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Reflex\u00f5es de A. M. Van Schurman], pp. 326\u2013331, base do futuro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mysterium magnum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 1699.)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>1.3. Edi\u00e7\u00f5es p\u00f3stumas e tradu\u00e7\u00f5es modernas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1684). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria, of uitkiezing van het beste deel. Eerste deel<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Eucleria, ou a escolha da melhor parte. Primeira parte]. Amsterdam: Jacob van Velde. (Vers\u00e3o em holand\u00eas da primeira parte da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de 1673.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1685). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eukleria seu melioris partis electio: pars secunda, historiam vitae ejus usque ad mortem persequens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Eucleria, ou a escolha da melhor parte: segunda parte, que d\u00e1 continuidade \u00e0 hist\u00f3ria de sua vida at\u00e9 a morte]. Amstelodami [Amsterd\u00e3]: Jacob van de Velde.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1699). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mysterium magnum, oder grosses Geheimn\u00fcs: das ist:ein sehr herrliches und im heiligen Wort Gottes wohlgegr\u00fcndetes Bedencken uber die Zukunft des Reichs Christi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Magno mist\u00e9rio, ou grande segredo: trata-se de uma reflex\u00e3o magn\u00edfica e bem fundamentada na sagrada Palavra de Deus sobre o futuro do Reino de Cristo]. Wesel-Duisburg; Franckfurt: Andreas Luppius.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1728). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Geleerde brieven van de edele, deugt- en konstryke juffrouw, Anna Maria van Schuurman: gewisselt met de geleerde en beroemde heeren Samuel Rachelius [&#8230;] en Johan van Beverwijck<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cartas eruditas da nobre, virtuosa e art\u00edstica senhorita Anna Maria van Schuurman: trocadas com os eruditos e ilustres senhores Samuel Rachelius (&#8230;) e Johan van Beverwijck]. Amsterdam: Johannes van Septeren.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1730). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Lettres de la tr\u00e8s fameuse demoiselle Anne-Marie Schurmans, academicienne de la fameuse Universite d&#8217;Vtrecht: traduites du holandois par Madame De Zoutelandt<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Cartas da mui c\u00e9lebre senhorita Anne-Marie Schurmans, acad\u00eamica da c\u00e9lebre Universidade de Utrecht: traduzidas do holand\u00eas pela Senhora De Zoutelandt]. Paris: Rebuff\u00e9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1732). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Uitbreiding over de drie eerste capittels van Genesis: beneffens een vertoog van het geestelyk huwelyk van Christus met de gelovigen<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Coment\u00e1rio sobre os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis: acompanhado de uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o casamento espiritual de Cristo com os fi\u00e9is]. Groningen: Jacob Sipkes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1749). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Opuscula Hebraea Latina Graeca et Gallica prosaica et metrica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Obras menores em hebraico, latim, grego e franc\u00eas, em prosa e verso]. Ed. de Dorothea Loeberia. Lipsiae [Leipzig]: Mich. Carol. Frid. Mvlleri.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (1998). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Whether a Christian woman should be educated and other writings from her intellectual circle<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Se uma mulher crist\u00e3 deveria ser educada e outros escritos de seu c\u00edrculo intelectual]. Ed. e trad. Joyce L. Irwin. Chicago: University of Chicago Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (2013). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cOver God\u201d: een onbekend florilegium van Anna Maria van Schurman (ca. 1625)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [\u201cSobre Deus\u201d: um floril\u00e9gio desconhecido de Anna Maria van Schurman (ca. 1625)]. Van Beek, P. (org.). Ridderkerk: Provily Pers. (Schurmanniana, 1). (Manuscrito redigido por volta de 1625, n\u00e3o publicado em vida.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (2018). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The correspondence of Anna Maria Van Schurman<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A correspond\u00eancia de Anna Maria Van Schurman]. Recuperado de: http:\/\/emlo-portal.bodleian.ox.ac.uk\/collections\/?catalogue=anna-maria-van-schurman (IISH). Acesso em: 30 maio 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Schurman, A. M. (2022). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Correspondance: 1607<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u2013<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">1678<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Correspond\u00eancia: 1607\u20131678]. Ed. de Constant Venesoen. Paris: Classiques Garnier.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>2. Literatura Secund\u00e1ria<\/b><\/p>\n<p><b>2.1. Fontes de \u00e9poca<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bullart, I. (1682). Anna Maria Schurmans. In <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Acad\u00e9mie des Sciences et des Arts: contenant les vies, et les eloges historiques des hommes illustres, qui ont excell\u00e9 en ces professions depuis environ quatre si\u00e8cles parmy diverses nations de l&#8217;Europe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Academia de Ci\u00eancias e das Artes: contendo as vidas e os elogios hist\u00f3ricos de homens ilustres que se destacaram nessas profiss\u00f5es h\u00e1 cerca de quatro s\u00e9culos entre diversas na\u00e7\u00f5es da Europa] (v. 2, pp. 228\u2013232). Amsterdam: Elzevier.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Gournay, M. de. (1634). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Les advis, ou, les presens de la demoiselle de Gournay<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Os conselhos, ou os presentes da senhorita de Gournay]. Paris: Jean Du-Bray.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Haemstede, A. van, &amp; Foxe, J. (1612). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De historie der marteren: die om het ghetuygenisse der evangelischer waerheyt haar bloed gestort hebben<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A hist\u00f3ria dos m\u00e1rtires: que, pelo testemunho da verdade evang\u00e9lica, derramaram o seu sangue]. Dordrecht: Jasper Troyen; Erfgenamen van Jan Canin.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Poulain de la Barre, F. (1673). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">De l&#8217;\u00e9galit\u00e9 des deux sexes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Da igualdade dos dois sexos]. Paris: Jean Du Puis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Teles, B. (1660). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Historia geral de Ethiopia a Alta, ou Preste Joam, e do que nella obraram os padres da Companhia de Jesus: composta na mesma Ethiopia, pelo Padre Manoel d&#8217;Almeyda<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Coimbra: Na Officina de Manoel Dias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Torshell, S. (1645). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The womans glorie: a treatise asserting the due honour of that sexe, and directing wherein that honour consists: dedicated to the young princesse, Elizabeth her highnesse<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A gl\u00f3ria da mulher: um tratado que reivindica a devida honra para esse sexo e indica em que consiste tal honra; dedicado \u00e0 jovem princesa Elizabeth, Sua Alteza]. Londres: G. M. for John Bellamie. Recuperado de: https:\/\/name.umdl.umich.edu\/A62975.0001.001 (Early English Books Online). Acesso em: 30 maio 2025.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>2.2. Estudos<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bulckaert, B. (2001). Une lettre de l&#8217;humaniste Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678) sur l&#8217;acc\u00e8s des femmes au savoir [Uma carta da humanista Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678) sobre o acesso das mulheres ao saber]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Clio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">13<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, pp. 167\u2013183. DOI: 10.4000\/clio.141. Recuperado de: http:\/\/journals.openedition.org\/clio\/141. Acesso em: 30 maio 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Clarke, D. M. (2013). Anna Maria Van Schurman and women&#8217;s education [Anna Maria Van Schurman e a educa\u00e7\u00e3o das mulheres]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Revue Philosophique de la France et de l&#8217;\u00c9tranger<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">138<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (3), pp. 347\u2013360. DOI: 10.3917\/rphi.133.0347.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Baar, M. P. A., L\u00f6wensteyn, M., Monteiro, M., &amp; Sneller, A. A. (orgs.). (1996). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Choosing the better part: Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Escolhendo a parte melhor: Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678)]. Dordrecht: Kluwer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Baar, M. (2021). Elisabeth of Bohemia&#8217;s lifelong friendship with Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678) [A amizade de toda uma vida entre Elisabeth da Bo\u00eamia e Anna Maria Van Schurman]. In Ebbersmeyer, S., &amp; Hutton, S. (orgs.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Elisabeth of Bohemia (1618\u20131680): a philosopher in her historical context<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Elisabeth da Bo\u00eamia (1618\u20131680): uma fil\u00f3sofa em seu contexto hist\u00f3rico] (pp. 33\u201349). Cham: Springer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dorlin, E. (2000). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">L&#8217;\u00e9vidence de l&#8217;\u00e9galit\u00e9 des sexes. Une philosophie oubli\u00e9e du XVIIe si\u00e8cle<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A evid\u00eancia da igualdade dos sexos: uma filosofia esquecida do s\u00e9culo XVII]. Paris: L&#8217;Harmattan.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dykeman, T. B. (1999). Anna Van Schurman (1607\u20131678). In Wilson, K. M., &amp; Warnke, F. J. (orgs.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The neglected canon: nine women philosophers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [O c\u00e2none negligenciado: nove fil\u00f3sofas] (pp. 115\u2013141). Cambridge: Cambridge University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irwin, J. (1977). Anna Maria Van Schurman: from feminism to pietism [Anna Maria Van Schurman: do feminismo ao pietismo]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Church History<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">46<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1), pp. 48\u201362.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irwin, J. (1980). Anna Maria van Schurman: the star of Utrecht (1607\u20131678) [Anna Maria van Schurman: a estrela de Utrecht (1607\u20131678)]. In Brink, J. R. (org.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Female scholars: a tradition of learned women before 1800<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Mulheres eruditas: uma tradi\u00e7\u00e3o de mulheres doutas antes de 1800] (pp. 68\u201385). Montreal: Eden Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irwin, J. (1989). Anna Maria Van Schurman: learned woman of Utrecht [Anna Maria Van Schurman: a mulher erudita de Utrecht]. In Wilson, K. M. &amp; Warnke, F. J. (orgs.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Women writers of the seventeenth century<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Escritoras do s\u00e9culo XVII] (pp. 164\u2013185). Atenas\/Londres: The University of Georgia Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Irwin, J. (1991). Anna Maria Van Schurman and Antoinette Bourignon: contrasting examples of seventeenth-century pietism [Anna Maria Van Schurman e Antoinette Bourignon: exemplos contrastantes do pietismo seiscentista]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Church History<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">60<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (3), pp. 301\u2013315.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Larsen, A. R. (2008). A women&#8217;s republic of letters: Anna Maria Van Schurman, Marie de Gournay, and female self-representation in relation to the public sphere [Uma rep\u00fablica feminina das letras: Anna Maria Van Schurman, Marie de Gournay e a autorrepresenta\u00e7\u00e3o feminina em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera p\u00fablica]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Early Modern Women: An Interdisciplinary Journal<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">3<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, pp. 105\u2013126.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Larsen, A. R. (2016). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anna Maria Van Schurman, &#8216;The Star of Utrecht&#8217;: the educational vision and reception of a savante<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Anna Maria Van Schurman, &#8216;A Estrela de Utrecht&#8217;: a vis\u00e3o educacional e a recep\u00e7\u00e3o de uma s\u00e1bia]. Londres: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Larsen, A. R. (2022). \u201cKill off this Hydra&#8217;s Head\u201d: the emergence of theologian Anna Maria Van Schurman as religious polemicist [\u201cCorte a cabe\u00e7a desta Hidra\u201d: o surgimento da te\u00f3loga Anna Maria Van Schurman como polemista religiosa]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cahiers de Recherches M\u00e9di\u00e9vales et Humanistes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">43<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, pp. 333\u2013355. DOI: 10.48611\/isbn.978-2-406-13326-1.p.0333.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lee, B. K. (2007). \u201cI wish to be nothing\u201d: the role of self-denial in the mystical theology of Anna Maria van Schurman [\u201cDesejo ser nada\u201d: o lugar da ren\u00fancia de si na teologia m\u00edstica de Anna Maria van Schurman]. In Brown, S. (org.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Women, gender and radical religion in early modern Europe<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Mulheres, g\u00eanero e religi\u00e3o radical na Europa da modernidade inicial] (pp. 189-216). Leiden: Brill.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lee, B. K. (2014). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sacrifice and delight in the mystical theologies of Anna Maria Van Schurman and Madame Jeanne Guyon<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Sacrif\u00edcio e deleite nas teologias m\u00edsticas de Anna Maria Van Schurman e Madame Jeanne Guyon]. Notre Dame: University of Notre Dame Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Lowe, K. (2007). &#8216;Representing&#8217; Africa: ambassadors and princes from Christian Africa to Renaissance Italy and Portugal, 1402\u20131608 [A representa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica: embaixadores e pr\u00edncipes da \u00c1frica crist\u00e3 na It\u00e1lia e Portugal renascentistas, 1402\u20131608]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Transactions of the Royal Historical Society<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">17<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, pp. 101\u2013128.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Manson, M. (2023). Early modern European women and the philosophy of education: Van Schurman, Pascal, Maintenon and Astell [Mulheres europeias da modernidade inicial e a filosofia da educa\u00e7\u00e3o: Van Schurman, Pascal, Maintenon e Astell]. In Detlefsen, K., &amp; Shapiro, L. (orgs.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Routledge handbook of women and early modern European philosophy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Manual Routledge de mulheres e filosofia europeia da modernidade inicial] (pp. 324\u2013336). Londres: Routledge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O&#8217;Neill, E. (1998). Disappearing ink: early modern women philosophers and their fate in history [Tinta apagada: as fil\u00f3sofas da modernidade inicial e seu destino na hist\u00f3ria]. In Kourany, J. A. (org.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Philosophy in a feminist voice: critiques and reconstructions<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Filosofia em voz feminista: cr\u00edticas e reconstru\u00e7\u00f5es] (pp. 17\u201362). Princeton: Princeton University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pal, C. (2012). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Republic of women: rethinking the Republic of Letters in the seventeenth century<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Rep\u00fablica de mulheres: repensando a Rep\u00fablica das Letras no s\u00e9culo XVII]. Cambridge: Cambridge University Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pope-Hennessy, U. (1909). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anna Van Schurman: artist, scholar, saint<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Anna Van Schurman: artista, erudita, santa]. Londres: Longmans, Green and Company.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Roothaan, A. (1996). Anna Maria van Schurman&#8217;s &#8216;reformation&#8217; of philosophy [A &#8216;reforma&#8217; da filosofia de Anna Maria van Schurman]. In De Baar, M. P. A., L\u00f6wensteyn, M., Monteiro, M., &amp; Sneller, A. A. (orgs.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Choosing the better part: Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Escolhendo a parte melhor: Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678)] (pp. 103\u2013116). Dordrecht; Boston; Londres: Kluwer Academic Publishers.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Spang, M. (2020). Antropologia de g\u00eanero e mitologia em Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678): uma an\u00e1lise do poema latino de inaugura\u00e7\u00e3o da universidade de Utrecht. In F\u00e1vero, A. A., Paviani, J., &amp; Rajobac, R. (orgs.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">V\u00ednculos filos\u00f3ficos: homenagem a Luiz Carlos Bombassaro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (pp. 399\u2013410). Caxias do Sul: EDUCS.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Usakiewicz, J. (2019). Anna Maria van Schurman (1607\u20131678) \u2013 Ocellus Niderland\u00f3w [Anna Maria van Schurman (1607\u20131678) \u2013 a joia dos Pa\u00edses Baixos]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Studia z Historii Filozofii<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">1<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (10), pp. 171\u2013192. DOI: 10.12775\/szhf.2019.010.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Beek, P. (2010a). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The first female university student: Anna Maria Van Schurman (1636)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [A primeira estudante universit\u00e1ria: Anna Maria Van Schurman (1636)]. Utrecht: Igitur.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Van Beek, P. (2018). \u1f69\u03c2 \u1fe5\u03cc\u03b4\u03bf\u03bd \u1f10\u03bd \u1f00\u03ba\u03ac\u03bd\u03b8\u03b1\u03b9\u03c2 \u2013 As a rose among the thorns: Anna Maria van Schurman and her correspondences in Greek [Como uma rosa entre os espinhos: Anna Maria van Schurman e sua correspond\u00eancia em grego]. In P\u00e4ll, J., &amp; Volt, I. (orgs.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hellenostephanos. Humanist Greek in early modern Europe: learned communities between Antiquity and contemporary culture<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Hellenostephanos. O grego humanista na Europa da modernidade inicial: comunidades eruditas entre a Antiguidade e a cultura contempor\u00e2nea] (pp. 414\u2013437). Tartu: University of Tartu Press.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Waithe, M. E. (1991). Anna Maria van Schurman 1607\u20131678. In Waithe, M. E. (org.), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A history of women philosophers: volume III: modern women philosophers, 1600\u20131900<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Uma hist\u00f3ria das fil\u00f3sofas: volume III: fil\u00f3sofas modernas, 1600\u20131900] (pp. 210\u2013211). Dordrecht: Kluwer Academic Publishers.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wandall, A.-S. S. (2025). How female intellectuals stopped being philosophers: on Anna Maria Van Schurman in the catalogues of learned women [Como as intelectuais deixaram de ser fil\u00f3sofas: sobre Anna Maria Van Schurman nos cat\u00e1logos de mulheres eruditas]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hypatia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 40 (1). DOI: 10.1017\/hyp.2024.5.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Zirbel, I. (2021). Provar algo n\u00e3o significa convencer o p\u00fablico: li\u00e7\u00f5es de pensadoras \u201cfeministas\u201d do s\u00e9culo XVII. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cadernos de \u00c9tica e Filosofia Pol\u00edtica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">39<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (2), pp. 190\u2013202. DOI: 10.11606\/issn.1517-0128.v39i2p190-202.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Zorrilla, N. (2022). The exclusion of early modern women philosophers from the canon: causes and counteractive strategies from the digital humanities [A exclus\u00e3o das fil\u00f3sofas modernas do c\u00e2none: causas e estrat\u00e9gias de contraposi\u00e7\u00e3o a partir das humanidades digitais]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hypatia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">37<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (1), pp. 177\u2013186.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>3. Outros Materiais<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Brand\u00e3o, L. (2024). Os mil e um talentos de Anna Maria Van Schurman. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Comunidade Cultura e Arte<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, 12 fev. 2024. Recuperado de: https:\/\/comunidadeculturaearte.com\/os-mil-e-um-talentos-de-anna-maria-van-schurman\/. Acesso em: 27 jul. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Camargo, P. (s.d.). Magdalena van Passe &amp; Anna Maria Van Schurman [V\u00eddeo]. Canal Top100Elas, YouTube, 6 min. Recuperado de: https:\/\/youtu.be\/w3Oj75E5m3I?feature=shared. Acesso em: 27 jul. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Center for the History of Women Philosophers and Scientists. (s.d.). Anna Maria Van Schurman. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">History of women philosophers and scientists<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Hist\u00f3ria de fil\u00f3sofas e cientistas]. Universidade de Paderborn. Recuperado de: https:\/\/historyofwomenphilosophers.org\/project\/directory-of-women-philosophers\/schurman-anna-maria-van-1607-1678\/. Acesso em: 27 jul. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ch\u00e2telet, D. (s.d.). Van Schurman (1607\u20131678). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Project Vox<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Duke University. Recuperado de: https:\/\/projectvox.org\/van-schurman-1607-1678\/. Acesso em: 27 jul. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Baar, M. (2014). Schurman, Anna Maria van. In <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Online dictionary of Dutch women<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Dicion\u00e1rio on-line de mulheres holandesas]. Huygens Institute. Recuperado de: https:\/\/resources.huygens.knaw.nl\/vrouwenlexicon\/lemmata\/en. Acesso em: 27 jul. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Encyclopedia.com. (s.d.). Van Schurmann, Anna Maria (1607\u20131678). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Women in world history: a biographical encyclopedia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Mulheres na hist\u00f3ria mundial: uma enciclop\u00e9dia biogr\u00e1fica]. Recuperado de: https:\/\/www.encyclopedia.com\/women\/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps\/van-schurmann-anna-maria-1607-1678. Acesso em: 27 jul. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Klenz, M. (2017). The delicate hand: female engravers [A m\u00e3o delicada: gravuristas femininas]. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Early Modern Women: Lives, Texts, Objects<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Recuperado de: https:\/\/martinevanelk.wordpress.com\/2017\/02\/22\/the-delicate-hand-female-engravers\/. Acesso em: 30 maio 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Larsen, A. R., &amp; Lee, B. K. (2018). Anna Maria Van Schurman. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Oxford bibliographies in Renaissance and Reformation<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Bibliografias Oxford em Renascimento e Reforma]. DOI: 10.1093\/obo\/9780195399301-0399.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">The Editors of Encyclopaedia Britannica. (s.d.). Anna Maria Van Schurman. 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Recuperado de: http:\/\/emlo-portal.bodleian.ox.ac.uk\/wemlo\/. Acesso em: 30 jun. 2024.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pesquisa e a reda\u00e7\u00e3o deste verbete recorreu \u00e0 assist\u00eancia de ferramentas de Intelig\u00eancia Artificial Generativa (IAG) em estrito acordo com as boas pr\u00e1ticas de pesquisa acad\u00eamica e normas de uso \u00e9tico respons\u00e1vel dessas ferramentas estabelecidas pelo CNPq ( Portaria CNPq n\u00ba 2.664\/2026, Cap. III, Art. 9\u00ba, inciso I, al\u00ednea &#8216;c&#8217;). Nesse sentido, declaro o uso de duas ferramentas de IAG como apoio: o NotebookLM do Google, como assistente para an\u00e1lise da bibliografia pessoalmente levantada e selecionada, visando obter uma vis\u00e3o panor\u00e2mica do conhecimento sobre Anna Maria van Schurman dispon\u00edvel nas fontes selecionadas ; e o Claude (Anthropic), como assistente de reda\u00e7\u00e3o para diagn\u00f3stico de tens\u00f5es de conte\u00fado e equil\u00edbrio formal entre as se\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de revis\u00e3o ortogr\u00e1fica, gramatical, de estilo e formata\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas. Este uso n\u00e3o envolveu a incorpora\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de textos gerados; cada resultado foi analisado e autorizado por mim, de modo que me declaro inteiramente respons\u00e1vel pelo conte\u00fado final e pelo uso \u00e9tico das ferramentas.<\/span><\/p>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anna Maria Van Schurman (1607\u20131678) &nbsp; Lia Levy, Professora Titular do Departamento de Filosofia da UFRGS Lattes PDF &#8211; Anna<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-3107","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3107"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3107\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3116,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/3107\/revisions\/3116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}