{"id":434,"date":"2020-03-07T02:01:31","date_gmt":"2020-03-07T05:01:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=434"},"modified":"2022-04-26T18:28:20","modified_gmt":"2022-04-26T21:28:20","slug":"judith-butler","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/judith-butler\/","title":{"rendered":"Judith Butler"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><strong>(1956)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><strong>Por Carla Rodrigues<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Professora adjunta do Departamento de Filosofia da &nbsp;Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) &#8211;&nbsp;<\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1849437854243808\"><span style=\"font-family: Helvetica\">Lattes<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/PDF-Judith-Butler.pdf\">PDF &#8211; Judith Butler<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Judith Butler \u00e9 uma fil\u00f3sofa estadunidense nascida numa fam\u00edlia judia, em Ohio, em 24 de fevereiro de 1956. Sua companheira \u00e9 a cientista pol\u00edtica Wendy Brown (1955). Juntas,&nbsp;elas&nbsp;compartilham a parentalidade&nbsp; de Isaac, homenageado em alguns de seus livros (a dedicat\u00f3ria de&nbsp;<i>Precarious Lif<\/i>e<i>: The Powers of Mourning and Violence<\/i>, por exemplo, diz \u201cPara Isaac, que pensa de outra forma\u201d). Cursou Filosofia na Universidade de Yale, hoje \u00e9 professora de Literatura Comparada no Departamento de Ret\u00f3rica da&nbsp;<a href=\"https:\/\/vcresearch.berkeley.edu\/faculty\/judith-butler\">Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkley<\/a>, onde tamb\u00e9m \u00e9 fundadora do&nbsp;<i>Critical Theory Program<\/i>&nbsp;(Programa de Teoria Cr\u00edtica) e do<a href=\"http:\/\/criticaltheory.berkeley.edu\/\">&nbsp;<i>International Consortium of Critical Theory Programs<\/i><\/a>&nbsp;(Cons\u00f3rcio Internacional de Programas em Teoria Cr\u00edtica).&nbsp;\u00c9 professora titular da c\u00e1tedra Hannah Arendt na&nbsp;<a href=\"https:\/\/egs.edu\/biography\/judith-butler\/\"><i>European Graduate School<\/i>,<\/a> Su\u00ed\u00e7a. Intregra&nbsp;diversas organiza\u00e7\u00f5es sociais, como a&nbsp;<i>American Philosophical Society<\/i>, o&nbsp;<i>Jewish Voice for Peace<\/i>&nbsp;e o&nbsp;<i>Center for Constitutional Rights<\/i>.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-435 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/butler-199x300.jpg\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/butler-199x300.jpg 199w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/butler.jpg 398w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/>Butler \u00e9&nbsp;reconhecida com in\u00fameros pr\u00eamios, destacando-se o Pr\u00eamio Adorno, recebido em Frankfurt, em 2012, pela contribui\u00e7\u00e3o para o feminismo e a \u00e9tica filos\u00f3fica, e o Pr\u00eamio Brudner, na Universidade de Yale, pelos estudos sobre homossexualidade, tema de uni\u00e3o entre sua pesquisa e&nbsp;seu&nbsp;ativismo pol\u00edtico em defesa dos direitos de pessoas gays, l\u00e9sbicas e trans. Seu trabalho mais recente articula teoria cr\u00edtica, \u00e9tica, judaicidade e agudas cr\u00edticas \u00e0 viol\u00eancia do estado de Israel contra o povo palestino. O in\u00edcio do seu interesse por filosofia aconteceu em interlocu\u00e7\u00e3o com o juda\u00edsmo. Na adolesc\u00eancia, teve problemas na escola: no in\u00edcio de&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero: Feminismo e Subvers\u00e3o da Identidade <\/i>(Butler, 1990&nbsp;[2003]),&nbsp;ela relata que&nbsp;desde a inf\u00e2ncia havia descoberto que, se problemas eram inevit\u00e1veis, era melhor ter os problemas que criasse em vez dos que&nbsp;para&nbsp;ela fossem criados. Como uma puni\u00e7\u00e3o&nbsp;por mau comportamento, sua professora sugeriu encaminh\u00e1-la para um aconselhamento com o rabino da comunidade. O que era um incipiente interesse por filosofia cresceu e intensificou seu engajamento em movimentos sociais e pol\u00edticos at\u00e9 chegar \u00e0 Universidade de Yale, onde estudou com Seyla Benhabib e participou da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/Yale-School\"><i>Yale School of Deconstruction<\/i>.<\/a>&nbsp;Foi l\u00e1 que, em 1984, aos 28 anos, defendeu a tese de doutorado&nbsp;<i>Subjects of Desire &#8211; Hegelian Reflections in Twentieth<\/i><i>&nbsp;<\/i><i>-Century France&nbsp;<\/i>(Butler, 1987; 1999).&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\" data-wac-het=\"1\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Principais interlocutores\/as filos\u00f3ficos\/as&nbsp;<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Gosto de propor que Butler \u00e9 uma pensadora em tr\u00e2nsito. Sua primeira pesquisa transita entre a Alemanha de Hegel e a Fran\u00e7a do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, onde, a partir de 1930, fil\u00f3sofos como Jean Wahl, Alexandre Koyr\u00e9, Alexandre Koj\u00e8ve e Jean Hyppolite foram respons\u00e1veis por novas interpreta\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es de Hegel, notadamente da&nbsp;<i>Fenomenologia do Esp\u00edrito<\/i>. Esta primeira gera\u00e7\u00e3o de leitores&nbsp;franceses&nbsp;de Hegel influencia fil\u00f3sofos como Michel Foucault, Jacques Derrida, Jean Paul Sartre e a fil\u00f3sofa Simone de Beauvoir, objetos de sua pesquisa. Em Butler, a quest\u00e3o do sujeito \u00e9 tribut\u00e1ria de pelo menos duas fontes:&nbsp;na&nbsp;sua tese de doutorado, o sujeito do desejo,&nbsp;de&nbsp;Hegel, perturba o sujeito da raz\u00e3o&nbsp;da tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica;&nbsp;em&nbsp;sua interlocu\u00e7\u00e3o com a \u201cvirada lingu\u00edstica\u201d, o sujeito passa a ser compreendido como uma rede aberta a sucessivas interpreta\u00e7\u00f5es. Butler transita novamente, desta vez entre idealismo e&nbsp;o&nbsp;p\u00f3s-estruturalismo&nbsp;do qual se aproximara em Yale, onde foi aluna de Jacques Derrida e Paul De Man.&nbsp;Argumento que h\u00e1 nela um&nbsp;<i>estilo desconstrutivo<\/i>, um modo de leitura dos textos que se vale dos autores para ir al\u00e9m deles, posi\u00e7\u00e3o de leitura resumida na cita\u00e7\u00e3o&nbsp;de&nbsp;Gaiatry Spivak em uma das ep\u00edgrafes de&nbsp;<i>Bodies that matter: On the Discursive Limits of \u201cSex\u201d:<\/i>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Se entendo a desconstru\u00e7\u00e3o, desconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o de um erro, certamente n\u00e3o o erro de outros autores. A cr\u00edtica, na desconstru\u00e7\u00e3o, a mais s\u00e9ria cr\u00edtica na desconstru\u00e7\u00e3o, \u00e9 a cr\u00edtica de algo extremamente valioso, aquilo sem o qual n\u00e3o se pode fazer nada (Spivak&nbsp;<i>apud<\/i>&nbsp;Butler, 1993, p. 27&nbsp;[2019, p.&nbsp;55]).&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Isso que, embora n\u00e3o seja m\u00e9todo, \u00e9 caracter\u00edstica marcante na abordagem p\u00f3s-estruturalista, muitas vezes foi confundido, tamb\u00e9m em outras autoras e autores, com destrui\u00e7\u00e3o ou aniquilamento. O equ\u00edvoco chegou a situar Butler como \u201cm\u00e1 leitora\u201d de Beauvoir,&nbsp;por operar, a partir da leitura de&nbsp;<i>O segundo sexo<\/i>, uma desconstru\u00e7\u00e3o do par sexo\/g\u00eanero,&nbsp;supostamente&nbsp;desconsiderando que&nbsp;o conceito de g\u00eanero n\u00e3o consta na obra da fil\u00f3sofa francesa&nbsp;(Femen\u00edias, 2012).&nbsp;No entanto, n\u00e3o haveria radicalidade do pensamento de Butler sem um duplo gesto: ler Beauvoir com e contra ela. N\u00e3o para critic\u00e1-la \u2013 no sentido vulgar \u2013 mas para fazer da cr\u00edtica filos\u00f3fica ponto de partida para formula\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Assim entendo a postula\u00e7\u00e3o de Butler: \u201cAparentemente, a teoria de Beauvoir trazia consequ\u00eancias radicais, que ela pr\u00f3pria n\u00e3o antecipou\u201d (Butler, 1990, p.&nbsp;112&nbsp;[2003, p.&nbsp;163]).&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Mobilizada pela concep\u00e7\u00e3o de sujeito no existencialismo, Butler estabeleceu um debate produtivo com Beauvoir na primeira parte de&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero<\/i>, publicado em 1990 e, desde ent\u00e3o, um marco para a filosofia feminista. Uma das suas consequ\u00eancias filos\u00f3ficas foi perturbar o conceito de g\u00eanero, sobre o qual teorias feministas pareciam estar assentadas mais ou menos confortavelmente at\u00e9 ali.&nbsp; Embora pudesse parecer que as suas primeiras interroga\u00e7\u00f5es se somassem aos discursos que anunciavam o&nbsp;fim dos movimentos feministas,&nbsp;os desdobramentos dos debates feministas revelam que este gesto inicial de&nbsp;Bulter&nbsp;se mostrar\u00e1 fundamental para a renova\u00e7\u00e3o dos feminismos,&nbsp;com a proposi\u00e7\u00e3o de que deixassem de ser feitos apenas em nome do sujeito mulher.&nbsp;Se compreendermos que o modo como Butler problematiza o conceito de g\u00eanero se insere&nbsp;em um debate filos\u00f3fico can\u00f4nico \u2013 a quest\u00e3o do sujeito \u2013 teremos a dimens\u00e3o da sua contribui\u00e7\u00e3o para a filosofia.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Embora&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero<\/i>&nbsp;(Butler, 1990&nbsp;[2003]) a tenha tornado uma celebridade acad\u00eamica, quando publicado nos EUA, h\u00e1 30 anos, n\u00e3o foi exatamente bem recebido. Butler se dedicou a dialogar com cr\u00edticos, respondendo&nbsp;\u00e0s interpela\u00e7\u00f5es recebidas.&nbsp;Desse&nbsp;empenho&nbsp;vieram&nbsp;tr\u00eas&nbsp;livros:&nbsp;<i>Bodies that matter: On the Discursive Limits of \u201cSex\u201d<\/i>&nbsp;(Butler, 1993&nbsp;[2019]),&nbsp;<i>The Psychic Life of Power<\/i>&nbsp;(Butler, 1997&nbsp;[2017]),&nbsp;<i>Excitable Speech: A Politics of the Performative<\/i>&nbsp;(Butler, 1997).&nbsp;No primeiro, desenvolveu o argumento de que, embora o g\u00eanero seja performativo, os corpos&nbsp;importam&nbsp;nas formas de discrimina\u00e7\u00e3o; no segundo, retomou o problema do sujeito, pensando estruturas de poder que moldam nossa vida ps\u00edquica e sustentam&nbsp; a heteronormatividade; no \u00faltimo, explorou&nbsp;a performatividade da linguagem como pensada por J. Austin e relida por Derrida, origem da no\u00e7\u00e3o de performatividade de g\u00eanero apresentada em&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero.<\/i>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A interlocu\u00e7\u00e3o com teorias feministas&nbsp;levou Butler a transgredir fronteiras disciplinares, transitando, novamente, entre diferentes campos. Antrop\u00f3logas feministas t\u00eam forte presen\u00e7a no pensamento de Butler. Gayle Rubin, por exemplo, \u00e9 fonte da cr\u00edtica de Butler ao estruturalismo de L\u00e9vi-Strauss e \u00e0 centralidade do complexo de \u00c9dipo, em Freud. Rubin escreveu o cl\u00e1ssico&nbsp;<i>The Traffic in Women: Notes on the \u201cPolitical Economy\u201d of Sex&nbsp;<\/i>(1975), onde, de um s\u00f3 golpe, recusa a antropologia de matriz tot\u00eamica na qual Freud baseia o Complexo de \u00c9dipo e a antropologia estruturalista de L\u00e9vi-Strauss, influ\u00eancia expl\u00edcita na psican\u00e1lise de Jacques Lacan.&nbsp;J\u00e1 as investiga\u00e7\u00f5es sobre g\u00eanero da antrop\u00f3loga inglesa Marilyn Strathern (Strathern, 1992) comparecem em&nbsp;<i>Antigone\u2019s Claim: Kinship Between Life and Death<\/i>&nbsp;(Butler, 2000&nbsp;[2014]).&nbsp;Pr\u00f3xima da antropologia feminista,&nbsp;Butler refor\u00e7a suas cr\u00edticas a Jacques Lacan propondo, em certa medida, a possibilidade de&nbsp;diferentes&nbsp;psican\u00e1lises a partir de&nbsp;outra&nbsp;concep\u00e7\u00e3o de simb\u00f3lico.&nbsp;O&nbsp;leque de interlocu\u00e7\u00f5es na psican\u00e1lise se amplia e Butler convoca te\u00f3ricos como Julia Kristeva, Luce Irigaray, Jean Laplanche e Melanie Klein. Em 2003, a publica\u00e7\u00e3o de&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero<\/i>&nbsp;no Brasil foi iniciativa do psicanalista Joel Birman, coordenador da cole\u00e7\u00e3o&nbsp;\u201cSujeito e Hist\u00f3ria\u201d&nbsp;em que o livro foi editado, impulsionando&nbsp;aqui&nbsp;um significativo di\u00e1logo com a teoria psicanal\u00edtica (Porchat, 2007; Greiner, 2016; Fidelis, 2018).&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Embora Hegel nunca perca relev\u00e2ncia, os conceitos de&nbsp;assujeitamento<i>&nbsp;<\/i>e&nbsp;biopol\u00edtica&nbsp;em Michel Foucault se adensam, e ela se aproxima de autores ligados \u00e0 teoria cr\u00edtica, como T. Adorno. A judaicidade&nbsp;\u2013&nbsp;apoiada em Emmanuel L\u00e9vinas, Walter Benjamin, Hannah Arendt ou mesmo Derrida \u2013 vai sendo constitu\u00edda como&nbsp;elemento \u00e9tico-pol\u00edtico. Durante os 20 primeiros anos do s\u00e9culo XXI, Butler agudiza sua cr\u00edtica ao neoliberalismo, em grande medida em interlocu\u00e7\u00e3o com a obra de Wendy Brown. Neste per\u00edodo, publicou 11 livros \u2013 n\u00e3o contabilizando as organiza\u00e7\u00f5es \u2013,&nbsp;sendo&nbsp;o mais recente&nbsp;<i>The Force of Nonviolence: The Ethical in the Political&nbsp;<\/i>(Butler, 2020).&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Outros autores aparecem de modo mais pontual \u2013 como o soci\u00f3logo Erwing Goffman, influ\u00eancia em&nbsp;<i>Frames of War: When is Life Grievable<\/i><i>?<\/i><i>&nbsp;<\/i>(Butler,<i>&nbsp;<\/i>2009&nbsp;[2015]), o pensador palestino Edward Said, em&nbsp;<i>Parting Ways: Jewishness and the Critique of Zionism&nbsp;<\/i>(Butler, 2012&nbsp;[2017])&nbsp;e&nbsp;o fil\u00f3sofo italiano Giorgio Agamben.&nbsp;Ela tamb\u00e9m transita no pensamento p\u00f3s-colonial, em interlocu\u00e7\u00e3o com Gaiatry Spivak, com quem publica&nbsp;<i>Who signs the nation-state<\/i><i>?<\/i>&nbsp;<i>Language, Politics, Belonging.<\/i>&nbsp;(Butler; Spivak, 2007&nbsp;[2017]). \u00c9 leitora de Frantz Fanon,&nbsp;Homi Bhabha&nbsp;e Achile Mbembe.&nbsp;Sobre a cr\u00edtica da viol\u00eancia de Estado,&nbsp;incorpora muitos aspectos da filosofia de Arendt. Ao recuperar a proposi\u00e7\u00e3o arentiana de binacionalismo&nbsp;(Butler, 2012 [2017]),&nbsp;prop\u00f5e&nbsp;uma sa\u00edda para a viol\u00eancia do estado de Israel contra a Palestina&nbsp;e&nbsp;repete o duplo gesto feito em rela\u00e7\u00e3o a Beauvoir: pensa com e contra Arendt&nbsp;a fim de&nbsp;retomar&nbsp;a fil\u00f3sofa alem\u00e3, com quem discute a no\u00e7\u00e3o de aparecimento ao pensar a performatividade corporal e as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de exposi\u00e7\u00e3o da precariedade (Butler,&nbsp;2015 [2018]).&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>T<\/b><b>emas e conceitos<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">H\u00e1 leitores que se sentem mais confort\u00e1veis em abordar a filosofia de Butler depois de dividir a sua obra em duas partes,&nbsp;deixando para tr\u00e1s os problemas de g\u00eanero,&nbsp;como&nbsp;se, na virada do s\u00e9culo XXI, depois do 11 de setembro, sua filosofia enfim se voltasse para quest\u00f5es \u00e9tico-pol\u00edticas.&nbsp;Na divis\u00e3o, haveria o obst\u00e1culo de compreender g\u00eanero como tema filos\u00f3fico.&nbsp;Recuso&nbsp;a&nbsp;ideia&nbsp;por consider\u00e1-la carregada&nbsp;de&nbsp;pelo menos dois equ\u00edvocos: 1)&nbsp;o abandono dos problemas de g\u00eanero em prol de uma filosofia pol\u00edtica&nbsp;depende&nbsp;da compreens\u00e3o do g\u00eanero como&nbsp;um&nbsp;tema&nbsp;menor; 2)&nbsp;seria preciso&nbsp;sustentar&nbsp;o argumento&nbsp;de que&nbsp;g\u00eanero&nbsp;\u00e9 um tema&nbsp;restrito \u00e0 teoria feminista, oposto&nbsp;do que prop\u00f5e&nbsp;a autora.&nbsp;Na perspectiva que adoto, h\u00e1 pelo menos tr\u00eas movimentos em rela\u00e7\u00e3o ao&nbsp;conceito de g\u00eanero. O primeiro ser\u00e1 rebaix\u00e1-lo como categoria central da teoria feminista pela sua inevit\u00e1vel liga\u00e7\u00e3o com o binarismo da diferen\u00e7a sexual masculino\/feminino.&nbsp;Ela apontar\u00e1 para a&nbsp;heteronormatividade&nbsp;como&nbsp;operador&nbsp;cr\u00edtico&nbsp;das&nbsp;diversas formas de discrimina\u00e7\u00e3o, ampliando a&nbsp;teoria&nbsp;feminista para outros marcadores, como coer\u00eancia corporal, escolha de objeto de desejo, al\u00e9m de&nbsp;ra\u00e7a, em uma interlocu\u00e7\u00e3o com as feministas negras&nbsp;contempor\u00e2neas a ela&nbsp;que estavam formulando a proposi\u00e7\u00e3o de interseccionalidade&nbsp;(Crenshaw,1989). Em um segundo movimento, Butler cria problemas com o conceito de g\u00eanero ao perceber que, embora as teorias feministas tivessem deslocado o fundamento da identidade do sexo para o g\u00eanero, ainda era preciso oferecer a um corpo nascido mulher a garantia da passagem ao g\u00eanero feminino. Tornar-se mulher fechava, assim, a abertura&nbsp;proposta pela&nbsp;filosofia de Beauvoir. O terceiro e \u00faltimo gesto que caber\u00e1 discutir&nbsp;aqui&nbsp;ser\u00e1 a perman\u00eancia do conceito de g\u00eanero \u2013 como&nbsp;categoria central na discuss\u00e3o \u00e9tico-pol\u00edtica sobre que vidas importam.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Depois do 11 de setembro, a obra de Butler ganha novos contornos. Se for verdade que a filosofia nasce do espanto, do trauma, pode ter valor de hip\u00f3tese a ideia de que, assim como as grandes guerras na Europa tiveram imenso impacto na&nbsp;filosofia, sobretudo na Alemanha e na Fran\u00e7a, o 11 de setembro produziu efeito semelhante em fil\u00f3sofos\/as contempor\u00e2neos\/as. Butler, em di\u00e1logo com quest\u00f5es pol\u00edticas do seu tempo, n\u00e3o&nbsp;ficou&nbsp;indiferente \u00e0 guerra dos EUA contra o Iraque e o Afeganist\u00e3o, nem tampouco&nbsp;poderia ter&nbsp;ignorado as&nbsp;consequ\u00eancias das a\u00e7\u00f5es violentas do governo. Assim, se nos anos 1990 tematizou a aus\u00eancia de direito ao luto para a popula\u00e7\u00e3o gay, v\u00edtima do HIV\/Aids,&nbsp;e o&nbsp;&nbsp;descaso em rela\u00e7\u00e3o a essas perdas, a partir de 2001 o tema do luto se expandiu, ganhando densidade e se constituindo como fio condutor em&nbsp;seu pensamento (Rodrigues, 2017).&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Como a maioria dos autores\/as, Butler desenvolve vocabul\u00e1rio pr\u00f3prio, ressignificando termos herdados da tradi\u00e7\u00e3o, ou se valendo de conceitos existentes e promovendo certas tor\u00e7\u00f5es que permitir\u00e3o a costura de um pensamento original.&nbsp;Alguns termos&nbsp;da sua gram\u00e1tica filos\u00f3fica indicam seu tr\u00e2nsito entre diferentes \u00e1reas e quest\u00f5es, como pretendo sugerir a seguir. Diante&nbsp;da impossibilidade de abarcar toda a complexidade da obra, trata-se&nbsp;de&nbsp;apresentar&nbsp;algumas escolhas.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{}\" data-wac-het=\"1\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Desejo<\/b><b>&nbsp;e<\/b><b>&nbsp;reconhecimento<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">No pref\u00e1cio para&nbsp;<i>Subjects of desire<\/i>, Butler apresenta sua pesquisa como \u201cquestionamento sobre o percurso do desejo, os trajetos de um sujeito desejante, sem nome e sem g\u00eanero em virtude de sua universalidade abstrata\u201d (Butler,&nbsp;1987, p. xix). Era uma indica\u00e7\u00e3o da sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica: uma investiga\u00e7\u00e3o permanente do problema filos\u00f3fico e pol\u00edtico da concep\u00e7\u00e3o de um sujeito universal abstrato, sem g\u00eanero, corporalidade, sexualidade, ra\u00e7a, etnia, religi\u00e3o, local de nascimento, idade e quantos outros tantos marcadores for preciso adicionar para compreender que&nbsp;a&nbsp;categoria&nbsp;existe apenas&nbsp;para&nbsp;produzir o&nbsp;apagamento de todas as formas de vida que n\u00e3o alcan\u00e7am o estatuto da universalidade. Nesse percurso, Hegel, lido como aquele que introduziu o desejo como problema filos\u00f3fico, ter\u00e1 protagonismo inicial. O sujeito da&nbsp;<i>Fenomenologia do esp\u00edrito<\/i>, argumenta Butler, quer conhecer a si mesmo e encontrar no \u201ceu\u201d a totalidade de seu mundo exterior. De maneira interessada, ela vai \u00e0 recep\u00e7\u00e3o francesa de Hegel para localizar o momento em que o desejo \u00e9 tomado como ponto de partida e&nbsp;de&nbsp;reformula\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. No pref\u00e1cio \u00e0 segunda edi\u00e7\u00e3o de&nbsp;<i>Subjects of Desire<\/i>, ela rev\u00ea a apresenta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio trabalho, agora definido como \u201cuma indaga\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da rela\u00e7\u00e3o entre desejo e reconhecimento\u201d (Butler,&nbsp;1999, p. viii). Aqui, creio que Butler nos autoriza a sustentar esta articula\u00e7\u00e3o entre desejo e reconhecimento que encontramos numa camada de interpreta\u00e7\u00e3o de&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero&nbsp;<\/i>(BUTLER, 1990&nbsp;[2003]) nem sempre percebida por leituras,&nbsp;por vezes apressadas ou mesmo interessadas em situ\u00e1-lo como exclusivamente voltado a criticar a teoria feminista e, em substitui\u00e7\u00e3o,&nbsp;inaugurar&nbsp;a teoria&nbsp;<i>queer<\/i><i>&nbsp;<\/i>(Rodrigues, 2019).&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A hip\u00f3tese que defendo \u00e9 que o ponto central de sua interpela\u00e7\u00e3o aos feminismos est\u00e1 ecoando&nbsp;a quest\u00e3o&nbsp;do sujeito,&nbsp; desestabilizado pelo desejo e, com isso, desestabilizador da universalidade abstrata do sujeito da raz\u00e3o; sujeito cuja sustenta\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica se enfraquece diante da alteridade, problema \u00e9tico-pol\u00edtico a perpassar a trajet\u00f3ria de Butler. Trata-se, portanto, de quest\u00e3o de natureza filos\u00f3fica, cujas formula\u00e7\u00f5es&nbsp;se entrela\u00e7am&nbsp;\u00e0&nbsp;sua&nbsp;abordagem hegeliana e&nbsp;aos desdobramentos&nbsp;do&nbsp;que chama de \u201cquest\u00f5es p\u00f3s-hegelianas\u201d (Butler, 2005, p. 26). O problema do reconhecimento se modifica, sendo pensando agora em outra chave: o que determina a condi\u00e7\u00e3o de possibilidade do reconhecimento?&nbsp;A esta indaga\u00e7\u00e3o se soma&nbsp;o conceito foucaultiano de assujeitamento, incidindo no debate pol\u00edtico sobre os fatores sociais, culturais e econ\u00f4micos que permitem o aparecimento de determinados sujeitos e n\u00e3o de outros. \u00c9&nbsp;importante mencionar aparecimento como um termo tomado da leitura de Hannah Arendt.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Desejo e reconhecimento s\u00e3o termos que comparecer\u00e3o principalmente no debate inicial de&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero<\/i>, notadamente no cap\u00edtulo 1, \u201cSujeios do&nbsp;sexo\/g\u00eanero\/desejo\u201d, onde est\u00e1 o endere\u00e7amento \u00e0 teoria feminista e o questionamento das \u201cmulheres\u201d como sujeito do feminismo. Tratava-se de pensar os limites de fazer o feminismo em nome da mulher como categoria universal abstrata, retomando um problema caro \u00e0 teoria feminista: lutar por incluir a mulher como parte do sujeito universal abstrato ou pelo reconhecimento da mulher como&nbsp;<i>sujeita<\/i>, ou seja, marcada por sexo e g\u00eanero, abrindo espa\u00e7o para a emerg\u00eancia de outros sujeitos de direitos?&nbsp;(Scott,&nbsp;1988; 1999).&nbsp;&nbsp;Butler segue Beauvoir muito de perto&nbsp;na percep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de que o sujeito universal abstrato esteve colapsado ao masculino&nbsp;(Butler, 1990,&nbsp;p.&nbsp;15-16&nbsp;[2003, p.31).&nbsp;Na mobiliza\u00e7\u00e3o do tema do desejo em<i>&nbsp;<\/i><i>Problemas de G\u00eanero<\/i>, este comparece de modo amb\u00edguo, tanto desfazendo o binarismo do par sexo\/g\u00eanero quanto servindo \u00e0 cr\u00edtica da coer\u00eancia entre sexo biol\u00f3gico, g\u00eanero social e desejo sexual. A tr\u00edade funciona para incluir o desejo \u2013 elemento de desestabiliza\u00e7\u00e3o \u2013 na configura\u00e7\u00e3o dos sujeitos.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{}\" data-wac-het=\"1\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>I<\/b><b>dentidade<\/b><b>&nbsp;e<\/b><b>&nbsp;performatividade de g\u00eanero&nbsp;<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Se o sujeito do desejo \u00e9 aquele que n\u00e3o cabe numa identidade est\u00e1vel, e se o que interessa a Butler \u00e9 o ponto deste abalo, ali onde h\u00e1 uma fenda aberta para a rela\u00e7\u00e3o com a alteridade, ent\u00e3o seu modo de pensar a identidade estar\u00e1 afetado pela quest\u00e3o que enuncia em&nbsp;<i>Subjects of desire<\/i>: \u201cqual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre desejo e reconhecimento e a que se deve que a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito suponha uma rela\u00e7\u00e3o radical e constitutiva com a alteridade?\u201d (Butler, 1999, p. xiv). O problema \u00e9 dirigido \u00e0s teorias feministas e a dificuldade de estabilizar a mulher numa categoria de sujeito universal abstrato. Havia, argumentava Butler, um paradoxo em preconizar a liberdade das mulheres&nbsp;<i>em nome<\/i>&nbsp;da alteridade e, ao mesmo tempo, exigir que, para obterem reconhecimento, fossem configuradas numa identidade est\u00e1vel e universal&nbsp;(Riley, 1988).&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Assim, Butler articula dois problemas: a pol\u00edtica feminista centrada no conceito de g\u00eanero estaria condenada a se manter presa \u00e0 diferen\u00e7a sexual&nbsp;do&nbsp;binarismo masculino\/feminino, que apenas substituiria o par homem\/mulher; o g\u00eanero&nbsp;estaria&nbsp; destitu\u00eddo, assim como o sexo, do fundamento ontol\u00f3gico&nbsp;da identidade, j\u00e1 que a&nbsp;substitui\u00e7\u00e3o de sexo natural por g\u00eanero constru\u00eddo seria&nbsp;apenas&nbsp;uma transfer\u00eancia&nbsp;da natureza&nbsp;para a cultura.&nbsp;Butler pretende recuperar atributos como instabilidade, expropria\u00e7\u00e3o e deslocamento, que perturbam a pretensa estabilidade da identidade (de g\u00eanero). Emerge da\u00ed a proposi\u00e7\u00e3o de performatividade de g\u00eanero,&nbsp;desdobramento&nbsp;da radicaliza\u00e7\u00e3o da ruptura de Beauvoir com o essencialismo biologizante: \u201cN\u00e3o se nasce mulher, torna-se\u201d ganha em Butler novos contornos (Rodrigues, 2020). A performatividade de g\u00eanero&nbsp;seria ent\u00e3o o&nbsp;deslocamento da identidade de g\u00eanero, sendo a primeira indica\u00e7\u00e3o de elementos inst\u00e1veis e artificiais que nos constituem, e a segunda exig\u00eancia de elementos est\u00e1veis e naturais atrelados \u00e0 compreens\u00e3o metaf\u00edsica do humano. Com a proposi\u00e7\u00e3o de performatividade de g\u00eanero, h\u00e1 o que chamo, ainda que provisoriamente, de \u201cvirada normativa\u201d, a partir da qual&nbsp;as&nbsp;normas&nbsp;sociais, inclusive as&nbsp;de g\u00eanero, ficam esvaziadas de sua fundamenta\u00e7\u00e3o na natureza (homem\/mulher) ou na cultura masculino\/feminino).&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">O&nbsp;paradigma da artificialidade da liga\u00e7\u00e3o entre sexo anat\u00f4mico biol\u00f3gico e identidade de g\u00eanero&nbsp;ser\u00e1 a&nbsp;<i>drag queen<\/i>. Ao performatizar um g\u00eanero feminino, ela representa elementos tidos como femininos, artificializ\u00e1veis em qualquer corpo. A aus\u00eancia de fundamento natural para o g\u00eanero deu margem \u00e0 compreens\u00e3o da sua performatividade como mero ato de vontade individual, equivocada e oposta ao modo como Butler critica o g\u00eanero. Para ela, o \u201cproblema do g\u00eanero\u201d \u00e9 tom\u00e1-lo como elemento que previamente definiria a exist\u00eancia, que mesmo n\u00e3o estando mais&nbsp; determinada pelo sexo, passaria a estar \u201cdecidida pelo g\u00eanero\u201d (Butler, 1993, p. x&nbsp;[2018, p.&nbsp;11]).&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">H\u00e1 um ponto crucial: estamos submetidos \u00e0s normas de g\u00eanero, escritas e n\u00e3o escritas. Se, pensando com Foucault, o sujeito depende da obedi\u00eancia \u00e0 norma para se assujeitar; pensando com a releitura p\u00f3s-estruturalista da teoria da performatividade da linguagem, as normas dependem do ato performativo para serem reiteradas.&nbsp;Uma vez que&nbsp;&nbsp;sexo e g\u00eanero n\u00e3o podem mais ser fundamentos para&nbsp;a&nbsp;identidade,&nbsp;e&nbsp;as normas s\u00e3o uma repeti\u00e7\u00e3o estilizada de atos, o gesto pol\u00edtico que interessa destacar em Butler \u00e9 o esvaziamento do fundamento da norma:&nbsp;&nbsp;nem natureza, nem cultura. Ou ainda, a admiss\u00e3o de que a transgress\u00e3o da norma est\u00e1 inscrita na sua concep\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Foram&nbsp;muitas cr\u00edticas \u00e0 performatividade de g\u00eanero: 1)&nbsp;seria&nbsp;&nbsp;mero ato de vontade do indiv\u00edduo liberal, e portanto sem pot\u00eancia de transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&nbsp;(Braidotti, 2006); 2)&nbsp;&nbsp;seria uma forma de ignorar a materialidade dos corpos,&nbsp;quest\u00e3o que&nbsp;que&nbsp;vem tanto&nbsp;do&nbsp;pensamento materialista quanto das teorias sociol\u00f3gicas de g\u00eanero, mesmo aquelas que, n\u00e3o necessariamente tribut\u00e1rias do materialismo, entendem que o argumento do sexo anat\u00f4mico biol\u00f3gico pesa sobre os corpos das mulheres como fator de limita\u00e7\u00e3o das suas possibilidades sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sexuais;&nbsp;3) a&nbsp;perfomatividade de g\u00eanero&nbsp;estaria esvaziando a identidade de g\u00eanero e&nbsp;a reivindica\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria na pol\u00edtica; 4) a performatividade seria&nbsp; acess\u00edvel apenas \u00e0&nbsp;<i>drag queen<\/i><i>&nbsp;<\/i>e a outras formas de encena\u00e7\u00e3o, confundindo performance com performatividade&nbsp;(Preciado, 2014).&nbsp;Como consequ\u00eancia, a&nbsp;&nbsp;materialidade dos corpos&nbsp;tornou-se&nbsp;ponto de partida para o desenvolvimento de uma interseccionalidade radical&nbsp;na sua concep\u00e7\u00e3o de&nbsp;&nbsp;corpo. Butler&nbsp;rebaixa a centralidade da categoria g\u00eanero como instrumento de cr\u00edtica \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es na vida social, cultural e econ\u00f4mica, propondo a heteronormatividade como elemento que constr\u00f3i, orienta, oprime e constrange essa materialidade. A vulnerabilidade, a precariedade do corpo, assujeitado a diversas formas de poder, se desdobrar\u00e1 em outros conceitos, sem que&nbsp;suas&nbsp;suas&nbsp;formula\u00e7\u00f5es \u00e9tico-pol\u00edticas&nbsp;abandonem o g\u00eanero como categoria \u00fatil de an\u00e1lise.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Luto<\/b><b>&nbsp;e<\/b><b>&nbsp;precariedade<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A primeira investida de Butler na distribui\u00e7\u00e3o desigual do luto p\u00fablico \u00e9 uma breve men\u00e7\u00e3o, em&nbsp;<i>Problemas de G\u00eanero<\/i>, ao n\u00e3o reconhecimento, pelo servi\u00e7o de sa\u00fade nos EUA, do valor das vidas de homens gays v\u00edtimas do HIV\/Aids no in\u00edcio dos anos 1980. No mesmo livro, come\u00e7a um debate com as concep\u00e7\u00f5es de luto em Freud, desenvolvido&nbsp;posteriormente&nbsp;no cap\u00edtulo \u201cViolence, Mourning, Politics\u201d de&nbsp;<i>Precarious Life: The Powers of Mourning and Violence<\/i>&nbsp;(Butler, 2004; 2019), com imensa import\u00e2ncia nas formula\u00e7\u00f5es sobre a resposta b\u00e9lica dos EUA depois do 11 de setembro. O tema do luto se abre em duas dire\u00e7\u00f5es: 1) o luto como condi\u00e7\u00e3o do despossu\u00eddo (<i>dispossessed<\/i>), condi\u00e7\u00e3o comum a todo corpo vivente marcado pela experi\u00eancia de finitude e de perda; 2) o direito ao luto como pol\u00edtica de reconhecimento, direito que divide os corpos entre os que importam e os que pesam, separa vidas viv\u00edveis e vidas mat\u00e1veis.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Sobre o luto como experi\u00eancia de despossess\u00e3o, observo que a fil\u00f3sofa se vale da ambiguidade do termo&nbsp;<i>dispossessed<\/i>: despossu\u00eddo \u00e9 quem n\u00e3o tem posses,&nbsp;perde o&nbsp;direito \u00e0 terra e est\u00e1 obrigado a vender sua for\u00e7a de trabalho para sobreviver. O despossu\u00eddo est\u00e1 \u00e0 margem, destitu\u00eddo das condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia. A estes&nbsp;significados Butler acrescenta a despossess\u00e3o como perda de si, articulada com a instabilidade provocada pelo desejo na forma\u00e7\u00e3o do eu: \u201cSomos desfeitos uns pelos outros. E, se n\u00e3o o somos, estamos perdendo alguma coisa. Esse parece claramente ser o caso com o luto, mas s\u00f3 porque j\u00e1 era o caso com o desejo\u201d (Butler, 2004, p. 23&nbsp;[ 2019, p.&nbsp;44]). A condi\u00e7\u00e3o de despossu\u00eddo opera como fundamento negativo para o restabelecimento de uma&nbsp;universalidade n\u00e3o excludente, n\u00e3o mais marcada por qualquer elemento a partir do qual se possa voltar a fechar o universal apenas para uns poucos.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">J\u00e1 a abordagem do luto como um direito \u00e9 tribut\u00e1ria tamb\u00e9m do modo como Butler interpreta Ant\u00edgona, trag\u00e9dia de S\u00f3focles em que a personagem reivindica cumprir rituais f\u00fanebres para o irm\u00e3o, Polinices, a quem Creonte havia proibido o enterro por ter lutado contra Tebas. Butler percebe que o clamor de Ant\u00edgona implicava um duplo gesto: reconhecer o valor da vida do irm\u00e3o e ser reconhecida na&nbsp;<i>p\u00f3lis<\/i>. A condi\u00e7\u00e3o de enlut\u00e1vel que nos separa entre humanos e inumanos ganha ainda mais import\u00e2ncia em&nbsp;<i>Frames of War<\/i>&nbsp;(Butler, 2009; 2015), articulando-se com a condi\u00e7\u00e3o de precariedade dos viventes. Vida e morte ser\u00e3o compreendidas como categorias relacionais e o valor atribu\u00eddo a uma vida est\u00e1 diretamente ligado ao modo como a enlutamos.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\" data-wac-het=\"1\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Por fim, a precariedade ser\u00e1 um elemento central na sua cr\u00edtica \u00e0 racionalidade neoliberal, reunindo a materialidade dos corpos com a vida&nbsp; ps\u00edquica&nbsp; do&nbsp; poder,&nbsp; a&nbsp; reivindica\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es&nbsp; materiais&nbsp; com&nbsp; o&nbsp; confronto \u00e0s formas de sujei\u00e7\u00e3o.&nbsp; Se todo sujeito est\u00e1 exposto \u00e0 morte, a precariedade \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de possibilidade da vida e&nbsp; induzida por pol\u00edticas de discrimina\u00e7\u00e3o, que funcionam separando&nbsp;a&nbsp;vida natural sem valor&nbsp;da&nbsp;vida simb\u00f3lica com valor. A distribui\u00e7\u00e3o desigual do luto p\u00fablico \u00e9 compreendida, assim, como um sintoma \u2013 nem todas as vidas s\u00e3o iguais \u2013 e como uma pol\u00edtica de indu\u00e7\u00e3o de precariedades a certas formas de vida em que operam marcadores interseccionais&nbsp;que fundamentam&nbsp;discrimina\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e viol\u00eancia.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{}\" data-wac-het=\"1\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Bibliografia<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>P<\/b><b>rincipais obras e tradu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">ATHANASIOU, Athena; BUTLER, Judith. (2013)&nbsp;<i>Dispossession: The Performative in the Political<\/i>. Cambridge: Polity Press.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BUTLER, Judith. (1987).&nbsp;<i>Subjects of desire: Hegelian reflections in twenty-century France<\/i>. New York: Columbia University Press.&nbsp;1a.&nbsp;edi\u00e7\u00e3o. (1999, 2a.&nbsp;edi\u00e7\u00e3o).&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (1990).&nbsp;<i>Gender trouble: feminism and the subversion of identity<\/i>.&nbsp;New York:&nbsp;Routledge.&nbsp;1a. Edi\u00e7\u00e3o 2a. Edi\u00e7\u00e3o 1999.&nbsp;[(2003).&nbsp;<i>Problemas de g\u00eanero: feminismo e subvers\u00e3o da identidade.&nbsp;<\/i>Tradu\u00e7\u00e3o Renato Aguiar. Revis\u00e3o t\u00e9cnica Joel Birmann. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">_____________. (1993). <i>Bodies that matter: On the Discursive Limits of \u2018Sex\u2019<\/i>, London: Routledge.&nbsp;[(2019)&nbsp;<i>Corpos que pesam<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o Veronica Daminelli e Daniel Yago Fran\u00e7oli. Revis\u00e3o t\u00e9cnica Daniel Yago Fran\u00e7oli, Carla Rodrigues e Pedro Taam.&nbsp;S\u00e3o Paulo: N-1&nbsp;Edi\u00e7\u00f5es.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (1997)&nbsp;<i>Excitable Speech: A Politics of the Performative<\/i>. New York: Routledge.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (1997)&nbsp;<i>The Psychic Life of Power: Theories in Subjection<\/i>.&nbsp;California: Stanford&nbsp;University&nbsp;Press.&nbsp;[(2017)&nbsp;<i>A vida ps\u00edquica do poder: teorias da sujei\u00e7\u00e3o<\/i>.&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o&nbsp;Rogerio&nbsp;Bettoni. Belo Horizonte:&nbsp;Aut\u00eantica&nbsp;Editora.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2000)&nbsp;<i>Antigone\u2019s Claim: Kinship Between Life and Death<\/i>.&nbsp;New York: Columbia&nbsp;University&nbsp;Press. [(2014)&nbsp;<i>O clamor de Ant\u00edgona: parentesco entre a vida e a morte<\/i>.&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o&nbsp;Andr\u00e9&nbsp;Checinel.&nbsp;Florian\u00f3polis:&nbsp;Editora&nbsp;da UFSC.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2004)&nbsp;<i>Precarious Life: The Power of Mourning and Violence.&nbsp;<\/i>London: Verso. [&nbsp;(2018)&nbsp;<i>Vida prec\u00e1ria<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o Andreas Lieber. Revis\u00e3o t\u00e9cnica Carla Rodrigues.&nbsp;Belo Horizonte:&nbsp;Aut\u00eantica&nbsp;Editora.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2005)&nbsp;<i>Giving an Account of Oneself: a critique of ethical violence<\/i>.&nbsp;New York:&nbsp;Fordham&nbsp;University&nbsp;Press. [(2015)&nbsp;<i>Relatar a si mesmo: cr\u00edtica da viol\u00eancia \u00e9tica.&nbsp;<\/i>Tradu\u00e7\u00e3o&nbsp;Rogerio&nbsp;Bettoni. Belo Horizonte:&nbsp;Aut\u00eantica&nbsp;Editora.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2009)&nbsp;<i>Frames of War: When Is Life&nbsp;<\/i><i>Grievable<\/i><i>?&nbsp;<\/i>New York: Verso. [(2015)&nbsp;<i>Quadros de Guerra: quando a vida \u00e9 pass\u00edvel de luto?<\/i>&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o S\u00e9rgio Lamar\u00e3o e Arnaldo Cunha. Revis\u00e3o t\u00e9cnica Carla Rodrigues. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2012)&nbsp;<i>Parting<\/i><i>&nbsp;<\/i><i>Ways<\/i><i>:&nbsp;<\/i><i>jewishness<\/i><i>&nbsp;<\/i><i>and<\/i><i>&nbsp;<\/i><i>the<\/i><i>&nbsp;critique&nbsp;<\/i><i>of<\/i><i>&nbsp;<\/i><i>Zionism<\/i>. New York: Columbia&nbsp;University&nbsp;Press. [(2017)&nbsp;<i>Caminhos divergentes: judaicidade e cr\u00edtica do sionismo<\/i>.&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o&nbsp;Rogerio&nbsp;Bettoni. S\u00e3o Paulo:&nbsp;Boitempo.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2014)&nbsp;<i>Undoing gender<\/i>. New York: Routledge.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2015)&nbsp;<i>Notes Toward a Performative Theory of Assembly<\/i>.&nbsp;London: Harvard&nbsp;University&nbsp;Press. [(2018) Corpos em alian\u00e7a e a pol\u00edtica das ruas: notas sobre uma teoria performativa de assembleia. Tradu\u00e7\u00e3o Fernanda Miguens. Revis\u00e3o t\u00e9cnica: Carla Rodrigues. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2015)&nbsp;<i>Senses of the Subject<\/i>. New York: Fordham University Press.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2020)&nbsp;<i>The Force of Nonviolence: the Ethical in the Political&nbsp;<\/i>London: Verso<i>.&nbsp;<\/i>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BUTLER, Judith; SPIVAK,&nbsp;Gaiatry. (2007)&nbsp;<i>Who Sings the Nation-State?&nbsp;<\/i><i>Language, Politics, Belonging<\/i>. Chicago: Chicago University Press. [(2017)&nbsp;<i>Quem canta o Estado-Na\u00e7\u00e3o? L\u00edngua, pol\u00edtica, pertencimento.&nbsp;<\/i>Tradu\u00e7\u00e3o Vanderlei J. Zacchi e Sandra Goulart Almeida.&nbsp;Bras\u00edlia: Editora da Universidade de Bras\u00edlia.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\" data-wac-het=\"1\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Literatura secund\u00e1ria<\/b>&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BAKKER, Thais de. (2017)&nbsp;<i>O estado-na\u00e7\u00e3o a partir da filosofia de Judith Butler: Reflex\u00f5es sobre processos de congrega\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/i>Mestrado Filosofia. Orienta\u00e7\u00e3o Carla Rodrigues. UFRJ, Rio de Janeiro.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BEAUVOIR, Simone de.&nbsp;(1949)&nbsp;<i>Le&nbsp;<\/i><i>deuxieme<\/i><i>&nbsp;<\/i><i>sexe<\/i><i>: Les&nbsp;<\/i><i>faits<\/i><i>&nbsp;et les&nbsp;<\/i><i>mythes<\/i><i>.&nbsp;<\/i>Paris: Gallimard.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BENHABIB,&nbsp;Seyla; BUTLER, Judith; CORNELL,&nbsp;Drucila; FRASER, Nancy.&nbsp;(2018)&nbsp;<i>Debates feministas \u2013 um interc\u00e2mbio filos\u00f3fico<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o Fernanda Ver\u00edssimo. S\u00e3o Paulo : Unesp.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BENTO, Berenice. (2006; 2014)&nbsp;<i>A reinven\u00e7\u00e3o do corpo: g\u00eanero e sexualidade na experi\u00eancia transexual.<\/i>&nbsp;Garamond, Rio de Janeiro; EDUFRN, Natal.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BRAIDOTTI,&nbsp;Rosi&nbsp;(2006), Transpositions: On Nomadic Ethics.&nbsp;Cambridge: Polity Press.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BUTLER, Judith.&nbsp;(2019)&nbsp;Entrevista para a revista Margem Esquerda. Margem Esquerda, n. 33.&nbsp; S\u00e3o Paulo,&nbsp;Boitempo Editorial.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">_________. (2019)&nbsp;Precisamos parar o ataque a ideologia de g\u00eanero. Observat\u00f3rio&nbsp;de Sexualidade e Pol\u00edtica SPW.&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o: Sonia Corr\u00eaa e Carla Rodrigues.&nbsp;&lt;<a href=\"http:\/\/twixar.me\/j9VK\">http:\/\/twixar.me\/j9VK<\/a>&gt;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BUTLER, Judith; FRASER, Nancy. (2017) Meramente Cultural. Tradu\u00e7\u00e3o Al\u00e9xia Bretas.&nbsp;&nbsp;<i>Id\u00e9ias<\/i>, 7(2), 227-248.&nbsp;[&nbsp;(1997) Merely Cultural.&nbsp;<i>Social Text,<\/i>&nbsp;<i>vol. 15<\/i>, n. 3-4, p. 265-277.&nbsp;]&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">CRENSHAW,&nbsp;Kimberl\u00e9&nbsp;W.&nbsp;(1989)&nbsp;Demarginalizing the intersection of race and sex; a black feminist critique of discrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics.&nbsp;University&nbsp;of&nbsp;Chicago Legal&nbsp;Forum, pp. 139-167.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">DEMETRI, Felipe. (2018)&nbsp;<i>Corpos despossu\u00eddos: vulnerabilidade em Judith Butler.<\/i>&nbsp;Mestrado Psicologia. Orienta\u00e7\u00e3o Maria Juracy&nbsp;Toneli. UFSC, Santa Catarina.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">FEMEN\u00cdAS,&nbsp;Mar\u00eda&nbsp;Luisa (2012). A cr\u00edtica de Judith Butler a Simone de Beauvoir. Revista&nbsp;Sapere&nbsp;Aude&nbsp;, vol. 3, n. 6, Belo Horizonte. pp.310-339.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">FRASER, Nancy.&nbsp;(2009)&nbsp;Feminism, capitalism and the cunning of history.&nbsp;New&nbsp;Left&nbsp;Review, n. 56. [O feminismo, o capitalismo e a ast\u00facia da hist\u00f3ria. Tradu\u00e7\u00e3o Anselmo da Costa Filho e S\u00e1vio Cavalcante. Media\u00e7\u00f5es, Londrina, v. 14, n. 2, p. 11-33, jul.\/dez.]&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">FIDELIS, KAIO (2018). A carta\/letra entre Derrida e Lacan. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Psicologia. Orienta\u00e7\u00e3o Angela&nbsp;Vorcaro,&nbsp;co-orienta\u00e7\u00e3o&nbsp;Alice Serra. UFMG, Minas Gerais.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">GREINER, Christine (organizadora). (2016)&nbsp;<i>Leituras de Judith Butler.<\/i>&nbsp;&nbsp;S\u00e3o Paulo :&nbsp;Annablume.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">PRECIADO, Paul B.&nbsp; (2014) Manifesto&nbsp;contrassexual. Pr\u00e1ticas subversivas de identidade sexual. Tradu\u00e7\u00e3o Maria Paula Gurgel Ribeiro. S\u00e3o Paulo : N-1 Edi\u00e7\u00f5es. 2a. edi\u00e7\u00e3o 2017.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">PORCHAT, Patr\u00edcia. (2007)&nbsp;<i>G\u00eanero, psican\u00e1lise e Judith Butler: do transexualismo \u00e0 pol\u00edtica.<\/i>&nbsp;Doutorado Psicologia. Miriam&nbsp;Debieux&nbsp;Rosa. USP, S\u00e3o Paulo.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">RILEY, Denise.&nbsp;(1988)&nbsp;<i>\u201cAm I that name?\u201d Feminism and the Category of \u201cWo-men\u201d in History<\/i>.&nbsp;Basingstoke, UK: Macmillan.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">RODRIGUES, Carla. (2012) Ant\u00edgona: lei do singular, lei no singular.&nbsp;<i>Sapere<\/i><i>&nbsp;<\/i><i>Aude<\/i><i>.<\/i>&nbsp;<i>V. 3,&nbsp;<\/i>32-54. &lt;&nbsp;http:\/\/periodicos.pucminas.br\/index.php\/SapereAude\/article\/view\/3500&gt;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2012) Performance, g\u00eanero, linguagem e alteridade: J. Butler leitora de J. Derrida.<i>&nbsp;<\/i><i>Sexualidad<\/i><i>,&nbsp;<\/i><i>Salud<\/i><i>&nbsp;y&nbsp;<\/i><i>Sociedad<\/i><i>&nbsp;\u2013 Revista&nbsp;<\/i><i>Latinoamericana<\/i><i>. Num. 10,&nbsp;<\/i>140-164<i>.&nbsp;&nbsp;<\/i>&lt;&nbsp;https:\/\/doi.org\/10.1590\/S1984-64872012000400007&gt;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2017)&nbsp;A fun\u00e7\u00e3o do luto na filosofia pol\u00edtica de Judith Butler. In: Adriano Correia, Rafael Haddock-Lobo, C\u00edntia Vieira da Silva. (Org.). Deleuze, desconstru\u00e7\u00e3o e alteridade. S\u00e3o Paulo:&nbsp;Anpof, v. 1, p. 329-340.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______________. (2019) Para al\u00e9m do g\u00eanero: anota\u00e7\u00f5es sobre a recep\u00e7\u00e3o da obra de Butler no Brasil.&nbsp;<i>Em Constru\u00e7\u00e3o &#8211; Arquivos de Espistemologia Hist\u00f3rica e Estudos da Ci\u00eancia. Vol. 5.<\/i>, 59-72. &lt;&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.12957\/emconstrucao.2019.40523\">https:\/\/doi.org\/10.12957\/emconstrucao.2019.40523<\/a>&gt;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">____________. (2020) Ser e devir: Butler leitora de Beauvoir.&nbsp;<i>Cadernos&nbsp;<\/i><i>Pagu<\/i><i>&nbsp;no.56 Campinas&nbsp; 2019,&nbsp;&nbsp;<\/i><i>Epub<\/i><i>, 2020. &lt;<\/i>https:\/\/doi.org\/10.1590\/18094449201900560005&gt;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">RODRIGUES, Carla, LOBATO, Emilia. (2020) Os feminismos e seus sujeitos.<i>&nbsp;<\/i><i>Princ\u00edpios<\/i><i>&nbsp;\u2013&nbsp;<\/i><i>Revista<\/i><i>&nbsp;de Filosofia. V. 2,<\/i>&nbsp;43-65.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">RUBIN, Gayle. (1975)&nbsp;<i>The Traffic in Women: Notes on the \u201cPolitical Economy\u201d of Sex.&nbsp;<\/i>New York:&nbsp;Monthly&nbsp;Review Press.<i>&nbsp;<\/i>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">SANTOS,&nbsp;Djamila&nbsp;Ribeiro. (2015) Simone de Beauvoir e Judith Butler: aproxima\u00e7\u00f5es e distanciamentos e os crit\u00e9rios da a\u00e7\u00e3o&nbsp;pol\u00edtica.Mestrado&nbsp;em Filosofia.&nbsp;Unifesp, S\u00e3o Paulo.&nbsp;Orienta\u00e7\u00e3o&nbsp;Edson&nbsp;Teles.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">SCOTT, Joan. (1988). The Sears case.&nbsp;In.&nbsp;<i>Gender and the politics of history<\/i>. New York: Columbia University Press.\u202f&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">__________. (1999).&nbsp;<i>The conundrum of eq<\/i>uality.\u202fInstitute for Advanced Study,&nbsp;Princeton.&nbsp;School&nbsp;of&nbsp;Social Science (2005)&nbsp;<i>O enigma da igualdade<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de J\u00f3&nbsp;Klanovicz&nbsp;e Susana&nbsp;Born\u00e9o&nbsp;FunckRev.&nbsp;Estud. Fem.\u202f[online].&nbsp; vol.13, n.1, pp.11-30. &lt;<a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/ref\/article\/view\/S0104-026X2005000100002\/7778\">https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/ref\/article\/view\/S0104-026X2005000100002\/7778<\/a>&gt;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">STRATHERN,&nbsp;Marilyn. (1992)&nbsp;<i>Reproducing the Future: Anthropology, Kinship, and the New Reproductive Technologies<\/i>.&nbsp;New York:&nbsp;Routledge.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">TORRANO, Luisa Helena.\u202f(2010) O campo da ambival\u00eancia. Poder, sujeito, linguagem e o legado de Michel&nbsp;Foucalt&nbsp;na filosofia de Judith Butler.&nbsp; Mestrado em Filosofia, USP, S\u00e3o Paulo. Orienta\u00e7\u00e3o Vladimir&nbsp;Safatle.&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">WITTIG, Monique.&nbsp;(1993)&nbsp;One is not born a woman. In:&nbsp;Abelove, H.;&nbsp;Barale, M. A.; Halperin, D.&nbsp;<i>The lesbian and gay studies reader<\/i>.&nbsp;Routdlege,&nbsp;&nbsp;Nova&nbsp;York,&nbsp;pp.103-115.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{}\" data-wac-het=\"1\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Outras refer\u00eancias<\/b>&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">AGAMBEN, Giorgio; BUTLER, Judith.&nbsp;Eichmann, Law and Justice \u2013 EGS.&nbsp;[https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PL26C9B3E2F04B71E2] Acesso em 28\/02\/2020.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BUTLER, Judith. Judith Butler e a Teoria Queer. [https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TyIAeedhKgc&amp;amp;t=2270s] Acesso em 28\/02\/2020.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BUTLER, Judith. Caminhos divergentes (Confer\u00eancia completa). [https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hfSH4lAbyq4] Acesso em 28\/02\/2020.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BUTLER, Judith; TAYLOR,&nbsp;Sunaura. Examined Life.&nbsp;[https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=k0HZaPkF6qE] Acesso em&nbsp;28\/02\/2020.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">FRATESCHI, Yara. (2018) Butler, Davis e Fraser: feminismo e democracia.&nbsp;[<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=R5Z9srVsCaU\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=R5Z9srVsCaU<\/a>]&nbsp;Acesso&nbsp;em&nbsp;28\/02\/2020.&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1956) Por Carla Rodrigues Professora adjunta do Departamento de Filosofia da &nbsp;Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) &#8211;&nbsp;Lattes PDF<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-434","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=434"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1308,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/434\/revisions\/1308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}