{"id":438,"date":"2020-03-07T02:10:12","date_gmt":"2020-03-07T05:10:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=438"},"modified":"2022-04-25T18:16:31","modified_gmt":"2022-04-25T21:16:31","slug":"emilie-du-chatelet","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/emilie-du-chatelet\/","title":{"rendered":"\u00c9milie du Ch\u00e2telet"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><strong>(1706 &#8211; 1749)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><strong>Por Mitieli Seixas da Silva\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Professora adjunta do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria &#8211;\u00a0<\/span><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6403769121859182\">Lattes<\/a><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/PDF-\u00c9milie-du-Ch\u00e2telet.pdf\">PDF &#8211; \u00c9milie du Ch\u00e2telet<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0nasceu\u00a0Gabrielle\u00a0\u00c9milie\u00a0le\u00a0Tonnelier\u00a0de\u00a0Breteuil\u00a0no dia\u00a017 de dezembro de 1706\u00a0em\u00a0Paris.\u00a0\u00c9milie\u00a0viveu a primeira metade do s\u00e9culo das Luzes, conheceu e\u00a0contribuiu\u00a0para\u00a0a aurora do Iluminismo franc\u00eas. \u00c9 poss\u00edvel encontrar refer\u00eancias \u00e0 sua pessoa como Marquesa\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet, t\u00edtulo adquirido a partir de seu casamento com o\u00a0nobre Marqu\u00eas\u00a0Florent-Claude\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet-Lomont, ou simplesmente como Madame\u00a0ou Marquesa\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet. \u00c9 importante destacar\u00a0que seu nome pode aparecer nos arquivos como \u201cChastelet\u201d,\u00a0com a\u00a0grafia anterior \u00e0 reforma ortogr\u00e1fica do s\u00e9culo XVIII\u00a0na qual o \u201cs\u201d \u00e9 substitu\u00eddo pelo acento\u00a0circunflexo.\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0morreu\u00a0tragicamente\u00a0com 43 anos no dia 10 de setembro de 1749 em\u00a0Lun\u00e9ville,\u00a0na\u00a0corte\u00a0do monarca deposto da Pol\u00f4nia, Rei\u00a0Stanislas\u00a0Leszczynski, pai da rainha da Fran\u00e7a,\u00a0por\u00a0consequ\u00eancia\u00a0de complica\u00e7\u00f5es\u00a0decorrentes\u00a0no parto de sua quarta filha.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_439\" aria-describedby=\"caption-attachment-439\" style=\"width: 231px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-439 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/DuCh\u00e2telet-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/DuCh\u00e2telet-231x300.jpg 231w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/DuCh\u00e2telet.jpg 425w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-439\" class=\"wp-caption-text\">Madame de Chatelet-Lomont (1706-41), de Maurice Quentin de La Tour<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">H\u00e1 alguma controv\u00e9rsia acerca do tipo de educa\u00e7\u00e3o recebida pela menina Gabrielle\u00a0\u00c9milie.\u00a0Na idade adulta\u00a0ela\u00a0lia latim, italiano, ingl\u00eas e\u00a0flamengo, era ex\u00edmia em matem\u00e1tica e geometria, al\u00e9m de ser uma das poucas pessoas na Europa que dominava o c\u00e1lculo\u00a0integral\u00a0(Zinsser, 2007, p. 229). Que estranha conjun\u00e7\u00e3o de fatores pode ter permitido a uma filha da nobreza francesa adquirir todas essas\u00a0habilidades? At\u00e9 a sua mais nova biografia, escrita por Judith P.\u00a0Zinsser\u00a0em\u00a02007, duas hip\u00f3teses estavam colocadas: ou bem\u00a0\u00c9milie\u00a0teve um mentor intelectual\u00a0na inf\u00e2ncia,\u00a0ou bem\u00a0ela frequentou um convento. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia para sustentar o primeiro cen\u00e1rio. Por outro lado, h\u00e1\u00a0ind\u00edcios\u00a0de que,\u00a0em algum momento,\u00a0ela tenha frequentado\u00a0uma casa religiosa.\u00a0Ainda assim,\u00a0n\u00e3o\u00a0\u00e9 poss\u00edvel afirmar que\u00a0essa situa\u00e7\u00e3o\u00a0tenha\u00a0perdurado\u00a0por\u00a0muito tempo de modo a permitir atribuir sua\u00a0ampla\u00a0forma\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o religiosa.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A insufici\u00eancia de elementos para provar quaisquer das possibilidades\u00a0acima\u00a0leva a bi\u00f3grafa\u00a0a\u00a0sugerir\u00a0uma \u201cnova hip\u00f3tese\u201d:\u00a0a de que a educa\u00e7\u00e3o de\u00a0\u00c9milie\u00a0tenha\u00a0simplesmente\u00a0seguido\u00a0alguns dos\u00a0esfor\u00e7os dispensados para educar o filho mais novo do casal\u00a0Tonnelier\u00a0de\u00a0Breteuil.\u00a0Elisabeth-Th\u00e9odore,\u00a0desde o nascimento\u00a0destinado a seguir uma carreira clerical,\u00a0foi\u00a0o \u00fanico\u00a0filho\u00a0educado em casa.\u00a0A\u00a0um futuro cl\u00e9rigo\u00a0era comum reservar\u00a0uma educa\u00e7\u00e3o baseada\u00a0nas humanidades,\u00a0nas\u00a0letras,\u00a0na\u00a0matem\u00e1tica e\u00a0na\u00a0filosofia\u00a0\u2013\u00a0exatamente as habilidades apresentadas pela\u00a0jovem\u00a0\u00c9milie.\u00a0Se somarmos essa possibilidade\u00a0ao acesso livre \u00e0 biblioteca de seu pai, a qual estava fornida\u00a0tanto\u00a0com autores romanos (Virg\u00edlio, C\u00edcero, Lucr\u00e9cio, Hor\u00e1cio),\u00a0quanto\u00a0com as novelas de Paul\u00a0Scarron, as f\u00e1bulas de La Fontaine,\u00a0as obras de Racine e\u00a0Pierre\u00a0Corneille, entre outros autores cl\u00e1ssicos, podemos\u00a0ter alguma luz acerca\u00a0do modo como sua\u00a0mente curiosa\u00a0foi\u00a0desenvolvida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Se a inf\u00e2ncia foi marcada pelo estudo, a juventude de\u00a0\u00c9milie\u00a0seguiu o curso esperado para uma nobre: quando tinha 18 anos seu casamento foi arranjado por seu pai e seu futuro sogro\u00a0com o Marqu\u00eas\u00a0Florent-Claude\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet-Lomont, um coronel do regimento real j\u00e1 na casa dos trinta anos,\u00a0que gozava\u00a0os\u00a0privil\u00e9gios\u00a0de descender de uma das mais antigas linhagens de nobres da\u00a0regi\u00e3o de\u00a0Lorraine.\u00a0Dessa uni\u00e3o, nasceram\u00a0tr\u00eas filhos: Gabrielle-Pauline\u00a0(1726),\u00a0Florent-Louis\u00a0(1727)\u00a0e Victor-Esprit\u00a0(1733). Seu \u00faltimo filho\u00a0com o Marqu\u00eas\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet, contudo, morreu ainda beb\u00ea. Sabe-se que os anos que passaram entre o seu casamento e a morte de seu terceiro filho foram anos dedicados \u00e0 fam\u00edlia e, nas\u00a0suas pr\u00f3prias\u00a0palavras,\u00a0\u201c\u00e0s coisas fr\u00edvolas\u201d vividas na corte:\u00a0ao\u00a0teatro,\u00a0\u00e0\u00a0\u00f3pera e\u00a0ao\u00a0jogo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:720,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Obra: temas e conceitos<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">O ano de 1733\u00a0marca uma importante reviravolta na vida de\u00a0\u00c9milie, pois ocorrem\u00a0seu reencontro com Voltaire e sua decis\u00e3o de dedicar-se novamente ao estudo da natureza,\u00a0sob a tutela do\u00a0acad\u00eamico\u00a0Pierre-Louis\u00a0Moreau\u00a0de\u00a0Maupertuis.\u00a0Com o mestre, e em seguida com o pupilo Alexis-Claude\u00a0Clairaut,\u00a0ela\u00a0dedicou-se a estudar\u00a0os fundamentos da filosofia\u00a0natural: a\u00a0geometria,\u00a0a\u00a0matem\u00e1tica\u00a0e\u00a0o\u00a0c\u00e1lculo integral.\u00a0O trabalho \u00e1rduo nos fundamentos da\u00a0ci\u00eancia\u00a0mostrou-se\u00a0particularmente \u00fatil\u00a0quando,\u00a0<i>circa<\/i>\u00a01736,\u00a0\u00c9milie\u00a0come\u00e7a a interessar-se\u00a0mais entusiasticamente pelo sistema de mundo newtoniano. Ora, defender\u00a0esse sistema de mundo significava, entre outros desafios,\u00a0nem sempre cient\u00edficos,\u00a0confrontar a mec\u00e2nica universal cartesiana, amplamente aceita na Fran\u00e7a de Du\u00a0Ch\u00e2telet.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Seu reencontro com Voltaire em 1733 \u00e9 marcado pela m\u00fatua admira\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00c9 verdade que\u00a0eles\u00a0mantiveram um relacionamento\u00a0rom\u00e2ntico\u00a0nos primeiros anos de sua amizade. Contudo, \u00e9 certamente errado\u00a0reduzir\u00a0a esp\u00e9cie de coopera\u00e7\u00e3o estabelecida entre os dois a\u00a0este\u00a0tipo de\u00a0relacionamento.\u00a0Por conta do constante perigo enfrentado por Voltaire na Paris de\u00a01735, devido \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de suas\u00a0<i>Cartas Filos\u00f3ficas\u00a0<\/i>em 1734,\u00a0Madame\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0decide\u00a0abandonar sua vida\u00a0\u201cmundana\u201d\u00a0e ir viver com Voltaire no\u00a0Ch\u00e2teau\u00a0de\u00a0Cirey, um castelo modesto no campo,\u00a0de propriedade, e com a anu\u00eancia,\u00a0de seu marido.\u00a0Os anos\u00a0em\u00a0Cirey\u00a0foram de\u00a0intenso\u00a0florescimento intelectual e cient\u00edfico para a marquesa\u00a0e seu\u00a0<i>entourage<\/i>, composto\u00a0por intelectuais, cientistas,\u00a0damas, nobres,\u00a0poetas e fil\u00f3sofos.\u00a0Neste local,\u00a0\u00c9milie\u00a0e Voltaire montaram uma biblioteca e um laborat\u00f3rio\u00a0onde\u00a0ela\u00a0escreveu\u00a0suas\u00a0<i>Institutions<\/i><i>\u00a0de\u00a0<\/i><i>physique<\/i>\u00a0e\u00a0ele seus\u00a0<i>Elementos da Filosofia de Newton<\/i><i>.<\/i><i>\u00a0<\/i>A amizade, a admira\u00e7\u00e3o\u00a0e o\u00a0interc\u00e2mbio intelectual com Voltaire\u00a0duraram\u00a0at\u00e9 sua morte em 1749. Felizmente, as cartas\u00a0(n\u00e3o todas)\u00a0e os escritos de ambos fil\u00f3sofos,\u00a0recuperados,\u00a0funcionam como testemunho dessa colabora\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A marquesa foi uma mulher do seu tempo e, como tal, era ciente de seu valor.\u00a0Em uma carta ao Rei Frederico da Pr\u00fassia,\u00a0encontramos um registro\u00a0dessa autoconsci\u00eancia:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Eu sou minha pr\u00f3pria pessoa e sou a \u00fanica respons\u00e1vel por mim mesma e por tudo o que sou, o que digo e o que fa\u00e7o. Podem\u00a0existir metaf\u00edsicos e fil\u00f3sofos cujo conhecimento seja maior do que o meu. Ocorre que eu ainda n\u00e3o os encontrei. Mas, mesmo eles, s\u00e3o apenas fracos seres humanos com falhas, e quando conto meus talentos, eu penso que posso dizer que n\u00e3o sou inferior a nenhum deles. (Du\u00a0Ch\u00e2telet<i>\u00a0apud\u00a0<\/i>Hagengruber<i>,\u00a0<\/i>2012,1, p. 2, tradu\u00e7\u00e3o\u00a0minha)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:720,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A tentativa de reconstruir o c\u00e2none da hist\u00f3ria da filosofia a partir da contribui\u00e7\u00e3o das\u00a0fil\u00f3sofas\u00a0esbarra\u00a0em in\u00fameras dificuldades.\u00a0Dentre elas,\u00a0contamos\u00a0dificuldades em\u00a0localizar os textos, atribuir-lhes\u00a0autoria\u00a0e\u00a0legitimar formas narrativas\u00a0n\u00e3o convencionais. A obra da\u00a0Marquesa\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0n\u00e3o \u00e9 imune a esses\u00a0obst\u00e1culos. Em primeiro lugar,\u00a0alguns\u00a0de seus\u00a0textos foram\u00a0publicados anonimamente (por exemplo,\u00a0<i>Disserta\u00e7\u00e3o sobre a natureza e a propaga\u00e7\u00e3o do fogo<\/i>),\u00a0outros publicados apenas postumamente (a tradu\u00e7\u00e3o e o coment\u00e1rio ao\u00a0<i>Principia\u00a0<\/i>do Newton) e outros sequer foram\u00a0devidamente\u00a0localizados.\u00a0Os arquivos Voltaire em S\u00e3o Petersburgo podem trazer novos textos\u00a0de\u00a0sua autoria\u00a0(Hagengruber, 2012,1). Em segundo lugar, como estamos tratando da obra de uma fil\u00f3sofa e cientista cujo trabalho acontecia\u00a0<i>em<\/i>\u00a0e\u00a0<i>a partir<\/i>\u00a0de uma rede de colabora\u00e7\u00e3o intelectual, nem sempre \u00e9 evidente separar o que \u00e9 o resultado de uma simples fonte de inspira\u00e7\u00e3o e o\u00a0que\u00a0pode ter sido, de fato, escrito em\u00a0conjunto. Da\u00ed que alguns textos atribu\u00eddos a Voltaire,\u00a0como os\u00a0<i>Elementos da filosofia de Newton<\/i>, podem ter a pena da marquesa.\u00a0De fato,\u00a0de\u00a0<i>Sobre<\/i><i>\u00a0a liberdade\u00a0<\/i>j\u00e1 sabemos que foi escrito por Du\u00a0Ch\u00e2telet.\u00a0Por fim,\u00a0Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0manteve intensa\u00a0atividade\u00a0intelectual,\u00a0documentada atrav\u00e9s de cartas, poemas e dedicat\u00f3rias,\u00a0com\u00a0um amplo conjunto de personalidades. Al\u00e9m de\u00a0Voltaire,\u00a0encontramos cartas\u00a0trocadas com os\u00a0mestres\u00a0Maupertuis,\u00a0Clairaut\u00a0e\u00a0K\u00f6nig, com os nobres\u00a0Duque de\u00a0Richelieu, Rei\u00a0Stanislau\u00a0Leszczynski\u00a0e o Rei Frederico da Pr\u00fassia, al\u00e9m de condes,\u00a0damas\u00a0e\u00a0outros\u00a0acad\u00eamicos.\u00a0H\u00e1 registros de todas essas rela\u00e7\u00f5es.\u00a0Nessa\u00a0abundante\u00a0correspond\u00eancia, encontramos\u00a0reflex\u00f5es\u00a0sobre o amor, a vida e a morte, sobre a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o das mulheres\u00a0e, sobretudo,\u00a0sobre suas descobertas filos\u00f3ficas e cient\u00edficas. Por tudo isso,\u00a0reconhecemos\u00a0a amplitude de seus interesses, a pot\u00eancia de\u00a0sua obra\u00a0e,\u00a0vai sem dizer,\u00a0sua relev\u00e2ncia filos\u00f3fica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u00c9 na\u00a0metade da d\u00e9cada de 1730 que\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0volta seus\u00a0olhos\u00a0para a populariza\u00e7\u00e3o\u00a0da filosofia de Newton\u00a0na Fran\u00e7a\u00a0e\u00a0\u00e9 nesta \u00e9poca\u00a0tamb\u00e9m\u00a0que podemos localizar seus primeiros escritos filos\u00f3ficos e cient\u00edficos. Em 1737, a marquesa submete anonimamente um texto para concorrer ao pr\u00eamio da\u00a0<i>Academia Real de Ci\u00eancias da Fran\u00e7a<\/i>. Sua\u00a0<i>Disserta\u00e7\u00e3o sobre a natureza e a propaga\u00e7\u00e3o do fogo\u00a0<\/i>n\u00e3o vence o pr\u00eamio principal, mas \u00e9 um dos cinco ensaios publicados.\u00a0Este\u00a0\u00e9\u00a0o texto que, uma d\u00e9cada mais tarde, ser\u00e1 comentado por Kant em seu ensaio, tamb\u00e9m\u00a0de estreia,\u00a0<i>Pensamento sobre o verdadeiro valor das for\u00e7as vivas<\/i>.\u00a0Em 1738, o\u00a0<i>Journal<\/i><i>\u00a0<\/i><i>des<\/i><i>\u00a0<\/i><i>S<\/i><i>\u00e7<\/i><i>avans<\/i><i>\u00a0<\/i>aceita\u00a0sua resenha<i>\u00a0<\/i>do\u00a0<i>Elementos da filosofia de Newton\u00a0<\/i>e uma primeira vers\u00e3o n\u00e3o autorizada e incompleta de seu livro\u00a0<i>Institutions<\/i><i>\u00a0de\u00a0<\/i><i>Physique<\/i><i>\u00a0<\/i>aparece em Amsterdam.\u00a0\u00c9\u00a0prov\u00e1vel que\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0tenha finalizado sua tradu\u00e7\u00e3o (com modifica\u00e7\u00f5es\u00a0importantes) da\u00a0<i>F\u00e1bula das Abelhas<\/i>\u00a0de Bernard de\u00a0Mandeville\u00a0ainda em 1738\u00a0(Gottmann, 2012).\u00a0\u00a0Al\u00e9m disso,\u00a0data de 1739\u00a0o\u00a0ensaio\u00a0<i>Sobre<\/i><i>\u00a0a \u00f3tica<\/i>, embora esse manuscrito tenha sido considerado perdido por alguns s\u00e9culos at\u00e9 ser encontrado nos arquivos da Universidade de Basel em 2006 (Nagel, 2012;\u00a0Gessell, 2019).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A\u00a0apari\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>Institutions<\/i><i>\u00a0de\u00a0<\/i><i>physique<\/i><i>\u00a0<\/i>em 1740\u00a0simboliza o ingresso de\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0no circuito filos\u00f3fico \u201cdas grandes quest\u00f5es\u201d. Esse texto \u00e9, por excel\u00eancia,\u00a0um tratado sobre\u00a0os fundamentos da\u00a0f\u00edsica, o que significava,\u00a0\u00e0\u00a0sua\u00a0\u00e9poca, um tratado em\u00a0<i>filosofia natural<\/i>.\u00a0Ele cont\u00e9m, portanto, a exposi\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o de temas como os princ\u00edpios do conhecimento humano, a exist\u00eancia de Deus, os elementos da mat\u00e9ria, a natureza dos corpos e de seu movimento. Para discuti-los, s\u00e3o apresentados os conceitos de for\u00e7a, gravita\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o, bem como s\u00e3o\u00a0apresentadas e\u00a0discutidas as teorias de Descartes, Leibniz e Newton. O tratado \u00e9, sem d\u00favida, uma tentativa de popularizar a filosofia de Isaac Newton para o p\u00fablico europeu, em especial, para o p\u00fablico franc\u00eas. Mas ele \u00e9 mais do que isso: ao\u00a0passo\u00a0em que apresenta a filosofia de Newton,\u00a0Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0esfor\u00e7a-se por\u00a0fornecer-lhe fundamentos\u00a0<i>filos\u00f3fico<\/i><i>s<\/i>\u00a0a partir da\u00a0filosofia de Leibniz.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Como testemunha o\u00a0<i>Pref\u00e1cio\u00a0<\/i>do editor\u00a0na primeira edi\u00e7\u00e3o do tratado, o livro estava pronto para publica\u00e7\u00e3o em setembro de 1738.\u00a0Contudo,\u00a0a\u00a0pedido da pr\u00f3pria autora, o editor teve que cancelar sua impress\u00e3o. O contato com a filosofia de Leibniz\u00a0ocorrera atrav\u00e9s de manuscritos enviados a Voltaire pelo Rei Frederico da Pr\u00fassia, por volta de 1736 (Iltis, 1977), mas \u00e9\u00a0a partir da estada de Samuel\u00a0K\u00f6nig\u00a0em\u00a0Cirey\u00a0no ano de 1739 que\u00a0\u00c9milie\u00a0se v\u00ea\u00a0convicta\u00a0da filosofia\u00a0leibniziana.\u00a0Samuel\u00a0K\u00f6nig\u00a0foi\u00a0instru\u00eddo por\u00a0Johann Bernoulli em Basel e em 1735 pelo disc\u00edpulo de Leibniz em\u00a0Marburg, o\u00a0famoso\u00a0fil\u00f3sofo Christian Wolff.\u00a0A inscri\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>princ\u00edpio de raz\u00e3o suficiente<\/i><i>\u00a0<\/i>de Leibniz no programa de tornar compreens\u00edveis as ideias de Newton\u00a0\u00e9 vista\u00a0pela historiografia como representando\u00a0a\u00a0coroa\u00e7\u00e3o de seu projeto\u00a0filos\u00f3fico deste per\u00edodo: para al\u00e9m de ensinar seu filho li\u00e7\u00f5es sobre f\u00edsica, o prop\u00f3sito declarado no\u00a0<i>Pref\u00e1cio\u00a0<\/i>da obra,\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0estaria\u00a0realizando\u00a0uma tarefa pr\u00f3xima \u00e0quela que Descartes havia\u00a0empreendido\u00a0um s\u00e9culo antes, a saber, a de fundamentar a ci\u00eancia na metaf\u00edsica (ver:\u00a0Iltis, 1977;\u00a0Hagengruber, 2012,1;\u00a0Detflesen,\u00a02014). Desse modo, se o prop\u00f3sito de Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0\u00e9, ao menos em parte, equivalente \u00e0quele de Descartes,\u00a0ela compreendia que\u00a0\u00e0 explica\u00e7\u00e3o\u00a0dos fen\u00f4menos f\u00edsicos\u00a0deveria ser acrescentada\u00a0a elucida\u00e7\u00e3o de\u00a0seu fundamento.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Assim,\u00a0o\u00a0encontro com a filosofia de Leibniz e sua\u00a0ado\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio de raz\u00e3o suficiente\u00a0representam\u00a0n\u00e3o apenas a rejei\u00e7\u00e3o da mec\u00e2nica celeste cartesiana, mas, em particular, a rejei\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica cartesiana\u00a0como fundamento da f\u00edsica\u00a0(para uma vis\u00e3o\u00a0diferente\u00a0ver\u00a0Detlefsen, 2014).\u00a0A prop\u00f3sito do papel do\u00a0<i>princ\u00edpio de raz\u00e3o suficiente,\u00a0<\/i>encontramos:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">As ideias do Sr. Leibniz em metaf\u00edsica s\u00e3o ainda pouco conhecidas na Fran\u00e7a, mas elas certamente merecem ser [melhor conhecidas]. Apesar das descobertas desse grande homem, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que restam ainda muitas coisas obscuras em [sua] metaf\u00edsica; mas, parece-me que com\u00a0o princ\u00edpio de raz\u00e3o suficiente, ele forneceu uma b\u00fassola capaz de nos guiar atrav\u00e9s da areia movedi\u00e7a dessa ci\u00eancia. (Zinsser, 2009,\u00a0p. 123, tradu\u00e7\u00e3o\u00a0minha)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">O impacto\u00a0de seu\u00a0<i>Instituitions<\/i>\u00a0pode ser medido pelo fato de que em 1741\u00a0o secret\u00e1rio da\u00a0<i>Academia Real de Ci\u00eancias<\/i><i>\u00a0da Fran\u00e7a<\/i>,\u00a0Jean-Jacques\u00a0Dortous\u00a0de\u00a0Mairan,\u00a0lhe dedica uma carta resposta. Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0havia criticado sua posi\u00e7\u00e3o sobre as for\u00e7as vivas e, nesta carta,\u00a0o acad\u00eamico resolve\u00a0abertamente\u00a0defender-se. A disputa\u00a0torna-se\u00a0p\u00fablica e rende uma r\u00e9plica\u00a0da marquesa. Nesse mesmo ano,\u00a0<i>Instituitions<\/i><i>\u00a0<\/i>\u00e9\u00a0publicado\u00a0em Amsterdam e Londres,\u00a0e not\u00edcias sobre seu livro aparecem em jornais de Floren\u00e7a e Bruxelas. Em 1742 \u00e9 publicada uma segunda edi\u00e7\u00e3o\u00a0revisada e ampliada\u00a0e sua fama alcan\u00e7a a Alemanha.\u00a0No ano seguinte, sua obra \u00e9 traduzida para o alem\u00e3o e para o italiano. Em 1744, uma nova edi\u00e7\u00e3o de\u00a0seu primeiro escrito\u00a0\u00e9 publicada em Paris, a qual ser\u00e1 comentada na disserta\u00e7\u00e3o inaugural de Immanuel Kant dois anos mais tarde,\u00a0mesmo\u00a0ano em que Madame\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0\u00e9 eleita para a\u00a0<i>Accademia<\/i><i>\u00a0<\/i><i>delle<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Scienze<\/i><i>\u00a0<\/i><i>di<\/i><i>\u202f<\/i><i>Bologna<\/i>.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">J\u00e1 gozando de certa fama,\u00a0\u00c9milie\u00a0decide\u00a0empreender\u00a0o seu\u00a0trabalho\u00a0mais ambicioso: a tradu\u00e7\u00e3o e o coment\u00e1rio do\u00a0<i>Philosophiae<\/i><i>\u00a0<\/i><i>naturalis<\/i><i>\u00a0p<\/i><i>rincipia<\/i><i>\u00a0<\/i><i>mathematica<\/i><i>\u00a0<\/i>de Isaac Newton.\u00a0Trata-se, at\u00e9 nossos dias, da\u00a0\u00fanica tradu\u00e7\u00e3o\u00a0completa\u00a0dos\u00a0<i>Principia<\/i>\u00a0em franc\u00eas.\u00a0\u00c9milie\u00a0termina\u00a0a tradu\u00e7\u00e3o em 1745 em Paris,\u00a0ocupando-se\u00a0da revis\u00e3o e\u00a0do\u00a0coment\u00e1rio at\u00e9 seus \u00faltimos dias de vida.\u00a0Em uma carta de 13 de abril\u00a0de 1747 ao matem\u00e1tico franciscano Fran\u00e7ois\u00a0Jacquier,\u00a0\u00c9milie\u00a0escreve: \u201cEu continuo muito ocupada com\u00a0<i>o meu Newton<\/i>. Ele est\u00e1 na prensa. Estou revisando as provas, o que \u00e9 muito chato, e trabalhando no coment\u00e1rio, o que \u00e9 muito dif\u00edcil.\u201d (Zinsser, 2009, p. 254,\u00a0<i>tradu\u00e7\u00e3o e\u00a0<\/i><i>grifo\u00a0<\/i><i>meu<\/i>).\u00a0Cerca de um ano mais tarde, na corte do Rei\u00a0Stanislas\u00a0em\u00a0Lun\u00e9ville,\u00a0\u00c9milie\u00a0apaixona-se por Saint-Lambert, amor que\u00a0lhe\u00a0render\u00e1 uma gravidez tardia.\u00a0Em Paris,\u00a0j\u00e1 gr\u00e1vida e impondo-se uma rotina de muitas horas de trabalho di\u00e1rio\u00a0(como\u00a0descrito\u00a0na carta a Saint-Lambert de 21 de maio de 1749),\u00a0\u00c9milie\u00a0\u00e9\u00a0assistida por\u00a0Clairaut,\u00a0a fim de terminar as se\u00e7\u00f5es de matem\u00e1tica de seu coment\u00e1rio. Por esse motivo, \u00e9 somente cerca de tr\u00eas meses antes da data prevista para o parto que Madame\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0cumpre a vontade de seu marido (e de seus amigos mais pr\u00f3ximos) e viaja para a corte do Rei\u00a0Stanislas\u00a0em\u00a0Lun\u00e9ville\u00a0a fim de\u00a0preparar-se\u00a0para o parto de sua quarta filha.\u00a0Nessa \u00e9poca, como encontramos registrado em uma carta a Madame de\u00a0Boufflers\u00a0(3 de abril de\u00a01749,\u00a0Zinsser, 2009, p. 258),\u00a0\u00c9milie\u00a0temia por sua vida\u00a0e\u00a0por n\u00e3o conseguir finalizar \u201co seu Newton\u201d, pois sabia do perigo que seu parto representava.\u00a0Como sabemos, a\u00a0hist\u00f3ria\u00a0pessoal\u00a0n\u00e3o termina com um final feliz, pois Madame\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet, de fato, vem a falecer\u00a0no dia 10 de setembro de 1749\u00a0de uma embolia pulmonar, seis dias ap\u00f3s dar \u00e0 luz.\u00a0Contudo,\u00a0o\u00a0\u201cseu\u00a0Newton\u201d\u00a0foi finalizado e\u00a0permanece\u00a0at\u00e9 hoje\u00a0como\u00a0um desafio para todos e todas que querem compreender a hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na modernidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A tradu\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>Principia\u00a0<\/i>para a l\u00edngua francesa tem valor hist\u00f3rico e cient\u00edfico evidente.\u00a0Mas, o que torna o Newton de\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0uma obra que merece ser estudada\u00a0<i>filosoficamente<\/i>?\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Para compreender esse ponto, a\u00a0entrada \u201cFilosofia de Newton ou\u00a0Newtonismo\u201d da\u00a0<i>Enciclop\u00e9dia<\/i><i>\u00a0<\/i>de Diderot e D\u2019Alembert pode nos ajudar. A\u00a0<i>Enciclop\u00e9dia<\/i><i>\u00a0<\/i>foi um empreendimento monumental levado a cabo gra\u00e7as ao esfor\u00e7o\u00a0de\u00a0Denis\u00a0Diderot e\u00a0Jean\u00a0le\u00a0Rond d\u2019Alembert,\u00a0compreendendo\u00a0um\u00a0total\u00a0de\u00a035 volumes\u00a0nos quais se\u00a0pretendia reunir todo o conhecimento humano.\u00a0Na entrada citada acima, D\u2019Alembert descreve algumas maneiras pelas quais a express\u00e3o\u00a0<i>filosofia newtoniana<\/i>\u00a0pode ser entendida e conclui que na\u00a0<i>Enciclop\u00e9dia<\/i><i>\u00a0<\/i>trata-se de\u00a0consider\u00e1-la na medida em que\u00a0\u201co novo sistema que ele\u00a0[Newton]\u00a0fundou sobre esses\u00a0[novos]\u00a0princ\u00edpios, e as novas explica\u00e7\u00f5es dos fen\u00f4menos por ele deduzidas\u201d\u00a0contribuem para a filosofia\u00a0(Diderot &amp;\u00a0D\u2019Alembert, 2015, p. 75). Na sequ\u00eancia, D\u2019Alembert cita\u00a0algumas obras\u00a0que tentaram tornar a filosofia de Newton mais acess\u00edvel e, dentre estas, enumera \u201co coment\u00e1rio que nos foi deixado pela senhora marquesa\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet, com uma tradu\u00e7\u00e3o da obra\u201d\u00a0(<i>Idem<\/i>,\u00a0p. 76).\u00a0Note-se que o Newton de Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0\u00e9 citado, em primeiro lugar, pelo valor de seu\u00a0<i>Coment\u00e1rio\u00a0<\/i>e n\u00e3o apenas por ser uma tradu\u00e7\u00e3o do texto em franc\u00eas.\u00a0Ora, se os enciclopedistas dizem que ir\u00e3o tratar a express\u00e3o \u201cfilosofia de Newton\u201d como sin\u00f4nimo das contribui\u00e7\u00f5es deste cientista para a filosofia na medida em que ele funda um novo sistema a partir de certos princ\u00edpios, ent\u00e3o,\u00a0podemos ler a\u00a0contribui\u00e7\u00e3o\u00a0<i>para a filosofia<\/i>\u00a0do\u00a0<i>Coment\u00e1rio<\/i>\u00a0de Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0como uma tentativa de\u00a0<i>justificar<\/i>\u00a0o m\u00e9todo que permite a Newton\u00a0\u201cfundar um novo sistema do mundo a partir de certos princ\u00edpios\u201d.\u00a0E como ocorreria essa justifica\u00e7\u00e3o? Em primeiro lugar,\u00a0pelo delineamento dos\u00a0<i>fundamentos<\/i>\u00a0desse m\u00e9todo.\u00a0Em segundo lugar, com\u00a0o pr\u00f3prio sistema de mundo\u00a0sendo\u00a0colocado\u00a0\u00e0 prova para\u00a0<i>resolver<\/i>\u00a0<i>problemas<\/i>\u00a0<i>cient\u00edficos<\/i>.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A estrutura do\u00a0<i>Coment\u00e1rio\u00a0<\/i>de\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0parece seguir exatamente esse plano. A primeira parte \u00e9 dedicada a\u00a0uma\u00a0<i>Exposi\u00e7\u00e3o sumarizada do sistema do mundo<\/i>, contendo uma\u00a0<i>Introdu\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0aos avan\u00e7os cient\u00edficos em astronomia at\u00e9 Newton, bem como\u00a0uma exposi\u00e7\u00e3o\u00a0do modo\u00a0atrav\u00e9s do\u00a0qual\u00a0a teoria de Newton explica fen\u00f4menos\u00a0como o movimento dos astros, o avan\u00e7o e recuo das mar\u00e9s, a \u00f3rbita dos cometas, o achatamento da Terra\u00a0nos polos\u00a0etc.\u00a0Nessa primeira parte, ao mesmo tempo em que vemos ser descrita, por exemplo,\u00a0a\u00a0hist\u00f3ria\u00a0dos avan\u00e7os cient\u00edficos em astronomia, encontramos\u00a0as ideias de Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0acerca da sobreviv\u00eancia de hip\u00f3teses no progresso cient\u00edfico,\u00a0do papel da matem\u00e1tica e dos primeiros princ\u00edpios no estabelecimento de algo como ci\u00eancia,\u00a0do que conta como verdade etc. (Du\u00a0Ch\u00e2telet, 1759.\u00a0Para uma vis\u00e3o geral consultar o \u00cdndice no Tomo II).\u00a0Por isso, podemos afirmar encontrar\u00a0em seu\u00a0<i>Coment\u00e1rio<\/i>, uma\u00a0<i>epistemologia\u00a0<\/i>ou um\u00a0<i>discurso sobre o m\u00e9todo cient\u00edfico.\u00a0<\/i>Al\u00e9m dessa primeira parte dedicada ao p\u00fablico\u00a0leigo,\u00a0n\u00e3o versado em matem\u00e1tica,\u00a0Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0oferece\u00a0ainda\u00a0uma se\u00e7\u00e3o intitulada\u00a0<i>Solu\u00e7\u00e3o Anal\u00edtica<\/i>,\u00a0na qual\u00a0enfrenta\u00a0problemas\u00a0derivados da teoria newtoniana\u00a0utilizando\u00a0uma das t\u00e9cnicas mais sofisticadas da matem\u00e1tica de sua \u00e9poca, a saber, o c\u00e1lculo integral (Zinsser,\u00a02009; Hermann, 2008). Nessa segunda parte,\u00a0a fil\u00f3sofa\u00a0complementa\u00a0a seu modo\u00a0a teoria de Newton\u00a0a partir de demonstra\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">O\u00a0<i>Coment\u00e1rio<\/i><i>\u00a0engendra<\/i><i>\u00a0<\/i>muitas perguntas filosoficamente relevantes:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"font-family: Helvetica\">i) Quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas do<i>m\u00e9todo cient\u00edfico<\/i>para a fil\u00f3sofa?\u00a0\u00a0<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: Helvetica\">ii) Ad\u00e9cada que separa a<i>Institutions<\/i><i>\u00a0<\/i>do\u00a0<i>Coment\u00e1rio\u00a0<\/i>produz mudan\u00e7a em sua concep\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, em especial, no que concerne ao que serve de\u00a0<i>fundamento<\/i>\u00a0para a ci\u00eancia?\u00a0\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">iii)\u00a0Por que\u00a0a marquesa\u00a0compreende ser necess\u00e1rio oferecer uma prova\u00a0<i>anal\u00edtica\u00a0<\/i>aos problemas suscitados pelo sistema de mundo newtoniano? Que tipo de papel uma prova como essa\u00a0pode ter\u00a0na ci\u00eancia experimental?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Ap\u00f3s a prematura\u00a0morte\u00a0de\u00a0\u00c9milie,\u00a0sua \u00faltima obra\u00a0ficou por algum tempo esquecida\u00a0e s\u00f3 foi publicada\u00a0em 1759, sob a aprova\u00e7\u00e3o de\u00a0Clairaut.\u00a0Tiveram o mesmo destino os seus\u00a0<i>Discurso sobre a felicidade<\/i>\u00a0(onde figuram\u00a0reflex\u00f5es sobre a condi\u00e7\u00e3o feminina),<i>\u00a0<\/i><i>Sobre<\/i><i>\u00a0a liberdade<\/i><i>\u00a0<\/i>(primeiramente atribu\u00eddo a Voltaire), a tradu\u00e7\u00e3o da\u00a0<i>F\u00e1bula das Abelhas<\/i>, seu\u00a0<i>Coment\u00e1rio sobre a B\u00edblia<\/i>\u00a0e quem sabe quantos outros escritos.\u00a0Em 1778, Voltaire se muda para a R\u00fassia,\u00a0leva consigo sua biblioteca e, com ela,\u00a0os escritos de\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet. Hoje, apenas um estudo sistem\u00e1tico nesses arquivos, bem como nos arquivos de outros fil\u00f3sofos que\u00a0participavam de\u00a0seu c\u00edrculo\u00a0intelectual,\u00a0pode garantir uma vis\u00e3o\u00a0completa\u00a0de sua obra.\u00a0Du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0n\u00e3o\u00a0foi\u00a0apenas uma tradutora, matem\u00e1tica e cientista, mas,\u00a0como testemunham\u00a0seus trabalhos e registros epistolares, uma fil\u00f3sofa.\u00a0Como espero ter mostrado, seus\u00a0escritos em filosofia natural\u00a0despontam como\u00a0promissores. Por\u00a0tudo isso,\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u00a0merece ser estudada\u00a0pela filosofia.\u00a0Resta-nos\u00a0fazer-lhe\u00a0justi\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Obras, literatura secund\u00e1ria e outros materiais<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Obras de\u00a0<\/b><b>\u00c9milie<\/b><b>\u00a0<\/b><b>du<\/b><b>\u00a0<\/b><b>Ch\u00e2telet<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Algumas obras de\u00a0<\/b><b>\u00c9milie<\/b><b>\u00a0<\/b><b>du<\/b><b>\u00a0<\/b><b>Ch\u00e2telet<\/b><b>\u00a0dispon\u00edveis\u00a0<\/b><b><i>online<\/i><\/b><b>:<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><i>Dissertation sur la nature et la propagation du feu<\/i><i>\u00a0<\/i>(1752)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile\u00a0dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no Google Books:\u00a0<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=LSQ4TjYQqBIC&amp;hl=pt-BR&amp;pg=PP9#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=LSQ4TjYQqBIC&amp;hl=pt-BR&amp;pg=PP9#v=onepage&amp;q&amp;f=false<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><i>Institutions<\/i><i>\u00a0de\u00a0<\/i><i>Physique<\/i>\u00a0(1740)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no site da\u00a0Gallica\u00a0(Biblioteca online da Biblioteca Nacional da Fran\u00e7a):\u00a0<a href=\"https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k75646k\">https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k75646k<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile\u00a0dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no site\u00a0<i>Women in Science<\/i>:\u00a0<a href=\"http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Object\/C-46-1\/institutions-de-physique-1740--\/\">http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Object\/C-46-1\/institutions-de-physique-1740&#8211;\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><i>Institutions physiques<\/i>\u00a0(1742)\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile\u00a0dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no Google Books:\u00a0<a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=Ero1AAAAcAAJ&amp;hl=pt-BR&amp;pg=PP11#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=Ero1AAAAcAAJ&amp;hl=pt-BR&amp;pg=PP11#v=onepage&amp;q&amp;f=false<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><i>Essai<\/i><i>\u00a0<\/i><i>sur<\/i><i>\u00a0<\/i><i>l\u2019Optique<\/i><i>\u00a0<\/i>(Descoberto em 2006)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Transcri\u00e7\u00e3o por equipe do Project Vox:\u00a0<a href=\"http:\/\/projectvox.org\/du-chatelet-1706-1749\/texts\/essai-sur-l%27optique\">http:\/\/projectvox.org\/du-chatelet-1706-1749\/texts\/essai-sur-l%27optique<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0Bryce\u00a0Gessel\u00a0(2019).\u00a0<i>Project Vox.\u00a0<\/i>Durham, NC: Duke University Libraries:\u00a0<a href=\"http:\/\/projectvox.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DuChatelet_Essay-on-Optics.pdf\">http:\/\/projectvox.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DuChatelet_Essay-on-Optics.pdf<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><i>Discours<\/i><i>\u00a0<\/i><i>sur<\/i><i>\u00a0<\/i><i>le<\/i><i>\u00a0<\/i><i>bonheur<\/i><i>\u00a0<\/i>(1779)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no site da\u00a0Gallica:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k64858651\">https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k64858651<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Tradu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rio dos\u00a0<i>Princ\u00edpios<\/i><i>\u00a0<\/i>de Isaac Newton\u00a0(1759)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no site da\u00a0Gallica:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Tomo I:\u00a0<a href=\"https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k1040149v\">https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k1040149v<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Tomo II:\u00a0<a href=\"https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k1040150h\">https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k1040150h<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile\u00a0dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no site\u00a0<i>Women in Science<\/i>:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Tomo I:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u00a0<a href=\"http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Object\/C-46-E\/principes-mathematiques-de-le-philosophie-naturelle-book-1--\/\">http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Object\/C-46-E\/principes-mathematiques-de-le-philosophie-naturelle-book-1&#8211;\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Tomo II:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Object\/C-46-F\/principes-mathematiques-de-le-philosophie-naturelle-book-2--\/\">http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Object\/C-46-F\/principes-mathematiques-de-le-philosophie-naturelle-book-2&#8211;\/<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><i>Doutes<\/i><i>\u00a0<\/i><i>sur<\/i><i>\u00a0<\/i><i>les<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Religions<\/i><i>\u00a0<\/i><i>R\u00e9v\u00e9l\u00e9es<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Adress\u00e9es<\/i><i>\u00a0\u00e0 Voltaire\u00a0<\/i>(1792)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fac-s\u00edmile dispon\u00edvel\u00a0<i>online\u00a0<\/i>no site da\u00a0Gallica:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u00a0<a href=\"https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k399843\">https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k399843<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Sele\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de obras de\u00a0<\/b><b>\u00c9milie<\/b><b>\u00a0<\/b><b>du<\/b><b>\u00a0<\/b><b>Ch\u00e2telet<\/b><b>\u00a0para o ingl\u00eas:<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Du Ch\u00e2telet,\u00a0\u00c9.\u00a0(2019).\u00a0<i>Reason, Illusion and Passion. Philosophical Works.<\/i>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o\u00a0de\u00a0Kirk Watson. (Kindle Edition)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Zinsser, J. (Ed.) (2009)\u00a0<i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0Du Ch\u00e2telet: Selected Philosophical and Scientific Writings.\u00a0<\/i>Tradu\u00e7\u00e3o\u00a0de\u00a0Isabelle\u00a0Bour\u00a0e Judith Zinsser. Chicago: University of Chicago Press.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Ainda n\u00e3o h\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o das obras de\u00a0<\/b><b>\u00c9milie<\/b><b>\u00a0<\/b><b>du<\/b><b>\u00a0<\/b><b>Ch\u00e2telet<\/b><b>\u00a0<\/b><b>para\u00a0<\/b><b>o portugu\u00eas.<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Literatura<\/b><b>\u00a0<\/b><b>secund\u00e1ria<\/b><b>\u00a0<\/b><b>sugerida<\/b><b>:<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Arianrhod, R. (2012)\u00a0<i>Seduced by Logic:\u00a0<\/i><i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0du Ch\u00e2telet, Mary Somerville and the Newtonian Revolution.\u00a0<\/i>New York, NY: Oxford University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Bodanis, D. (2009).\u00a0<i>Passionate Minds:\u00a0<\/i><i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0du Ch\u00e2telet, Voltaire, and the Great Love Affair of the Enlightenment<\/i>. [vers\u00e3o\u00a0Kindle]\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Brading, K.\u00a0(2019).\u00a0<i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0du Ch\u00e2telet and the Foundations of Physical Science<\/i>. Routledge Focus. New York and London: Routledge.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Detlefsen,\u00a0K. (2018 Winter Edition).\u00a0&#8220;\u00c9milie\u00a0du Ch\u00e2telet&#8221;,\u202fThe Stanford Encyclopedia of Philosophy.\u00a0Zalta,\u00a0E.\u00a0N. (ed.).\u00a0Recuperado de:\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/plato.stanford.edu\/archives\/win2018\/entries\/emilie-du-chatelet\/\">https:\/\/plato.stanford.edu\/archives\/win2018\/entries\/emilie-du-chatelet\/<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2019). Du Ch\u00e2telet and Descartes on the Roles of Hypothesis and Metaphysics in Natural Philosophy. In O\u2019Neill, E.\u00a0Lascano, M. P. (Ed.)\u00a0<i>Feminist History of Philosophy: The Recovery and Evaluation of Women\u2019s Philosophical Thought.\u00a0<\/i>Springer. [E-book\u00a0Kindle]\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Diderot, D., D\u2019Alembert, J. R. (2015).\u00a0<i>Enciclopedia<\/i><i>, ou Dicion\u00e1rio razoado das ci\u00eancias, das artes e dos of\u00edcios.\u00a0<\/i>Tradu\u00e7\u00e3o de Pedro Paulo Pimenta e Maria das Gra\u00e7as de Souza.\u00a0Vol. 3. S\u00e3o Paulo:\u00a0Editora\u00a0Unesp.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Gottmann, F. (2012). Du Ch\u00e2telet, Voltaire, and the Transformation of Mandeville\u2019s Fable.\u00a0<i>History of European Ideas\u00a0<\/i>38, No.2: 218-232.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Hagengruber, R. (Ed.) (2012). Emilie Du Ch\u00e2telet between Leibniz and Newton. New York: Springer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2012,1)\u00a0\u00c9milie\u00a0du Ch\u00e2telet between Leibniz and Newton: The Transformation of Metaphysics. In\u00a0Hagengruber, R (Ed.)\u00a0<i>Emilie Du Ch\u00e2telet between Leibniz and Newton<\/i>.\u00a0(pp. 1-60)\u00a0New York: Springer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2019).\u00a0<i>Emilie du Ch\u00e2telet und die deutsche\u00a0<\/i><i>Aufkl\u00e4rung<\/i><i>.\u00a0<\/i>Wiesbaden: Springer VS.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Herman,\u00a0C. (2008) La\u00a0traduction\u00a0et les\u00a0commentaires\u00a0des Principia de Newton par\u00a0\u00c9milie\u00a0du Ch\u00e2telet,\u00a0<i>Bibnum<\/i>.\u00a0\u00a0Recuperado\u00a0de:\u00a0<a href=\"http:\/\/journals.openedition.org\/bibnum\/722\">http:\/\/journals.openedition.org\/bibnum\/722<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Hutton, S. (2012) Between Newton and Leibniz:\u00a0\u00c9milie\u00a0du Ch\u00e2telet and Samuel Clarke.\u00a0In\u00a0Hagengruber, R (Ed.)\u00a0<i>Emilie Du Ch\u00e2telet between Leibniz and Newton<\/i>. (pp. 77-96) New York: Springer\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2004)\u00a0\u00c9milie\u00a0du Ch\u00e2telet\u2019s Institutions de physique as a document in the history of French Newtonianism.\u00a0<i>Studies in history and philosophy of science\u00a0<\/i>35: 515-531.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Iltis, C.\u00a0(1977). Madame du Ch\u00e2telet\u2019s Metaphysics and Mechanics.\u00a0<i>Studies in history and philosophy<\/i><i>\u00a0<\/i><i>of science\u00a0<\/i>8, no. 1:29\u201348.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Jorati, J. (2019). Du Ch\u00e2telet on Freedom, Self-Motion, and Moral Necessity.\u00a0<i>Journal of the History of Philosophy\u00a0<\/i>57, No. 2:255-280.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Locqueneux, R. (1995). Les Institutions de physique de Madame du Ch\u00e2telet\u00a0ou\u00a0d\u2019un\u00a0trait\u00e9\u00a0de\u00a0paix\u00a0entre Descartes, Leibniz et Newton.\u00a0<i>Revue du Nord<\/i>\u00a077, no. 312: 859-892. DOI: https:\/\/doi.org\/10.3406\/rnord.1995.5053\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Lu-Adler, H. (2018) Between Du Ch\u00e2telet\u2019s Leibniz Exegesis and Kant\u2019s Early Philosophy: A Study of Their Responses to the\u00a0<i>vis viva\u00a0<\/i>Controversy.\u00a0<i>Logical Analysis &amp; History of Philosophy<\/i>\u00a021: 177-194.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Terrall, M.\u00a0(1995). Emilie du Ch\u00e2telet and the gendering of science.\u00a0<i>History<\/i><i>\u00a0<\/i><i>of<\/i><i>\u00a0Science\u00a0<\/i>33, no.\u00a03:283\u2013310\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Voltaire (2015).\u00a0<i>Elementos da Filosofia de Newton.\u00a0<\/i>Tradu\u00e7\u00e3o de Maria das Gra\u00e7as de Souza.\u00a02 ed. Campinas, SP:\u00a0Editora\u00a0da\u00a0Unicamp.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Zinsser,\u00a0J.\u00a0P.\u00a0(2014)\u00a0<i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0du and the Enlightenment\u2019s\u00a0<\/i><i>Querelle<\/i><i>\u00a0des femmes.\u00a0<\/i>In Smith, H. L. (Ed.),\u00a0<i>Challenging\u00a0<\/i><i>Orthodoxiers<\/i><i>:\u00a0<\/i><i>the<\/i><i>\u00a0Social and Cultural Worlds of Early Modern Women\u00a0<\/i>(pp. 123-146)<i>.\u00a0<\/i>Burlington, VT: Ashgate Publishing Limited.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______\u00a0(2006).\u00a0<i>Emilie\u00a0<\/i><i>d<\/i><i>u Ch\u00e2telet: Daring Genius of the Enlightenment<\/i>. New York: Penguin Books.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2001) Translating Newton\u2019s Principia: The Marquise Du Ch\u00e2telet\u2019s Revisions and Additions for a French Audience.\u00a0<i>Notes &amp; Records of The Royal Society<\/i>\u00a055: 227-245. DOI: 10.1098\/rsnr.2001.0140\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (1998)\u00a0<i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0du Ch\u00e2telet: genius, gender, and intellectual authority.\u00a0<\/i>In Smith, H. L. (Ed.),\u00a0<i>Women writers and the early modern British political tradition<\/i><i>\u00a0<\/i>(pp. 168-190)<i>.\u00a0<\/i>Cambridge: Cambridge University Press.<i>\u00a0<\/i>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Waithe, M. E. (1991)\u00a0<i>A History of Women Philosophers, 1600-1900.\u00a0<\/i>Vol. III. Springer\u00a0Science+Business\u00a0Media, BV.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Winter, U. (2012).\u00a0<i>From Translation to Philosophical Discourse \u2013\u00a0<\/i><i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0du Ch\u00e2telet\u2019s Commentaries on Newton and Leibniz.<\/i>\u00a0In\u00a0Hagengruber, R. (Ed.) (2012). Emilie Du Ch\u00e2telet between Leibniz and Newton.\u00a0(pp. 173-206) New York: Springer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Para uma\u00a0bibliografia\u00a0completa, consultar:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Rodrigues, A. (2012).\u00a0<i>\u00c9milie<\/i><i>\u00a0du Ch\u00e2telet, a bibliography.\u00a0<\/i>In\u00a0Hagengruber, R. (Ed.) (2012). Emilie Du Ch\u00e2telet between Leibniz and Newton. (pp. 207-246) New York: Springer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:720}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Outras fontes:<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Archives\u00a0\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/c18.net\/edc\/aedc_pages.php?nom=bib_1\">https:\/\/c18.net\/edc\/aedc_pages.php?nom=bib_1<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Project VOX, entrada \u201c\u00c9milie\u00a0du\u00a0Ch\u00e2telet\u201d:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"http:\/\/projectvox.org\/du-chatelet-1706-1749\/\">http:\/\/projectvox.org\/du-chatelet-1706-1749\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Women in Science:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Biography\/C-4A-0\/marquise-du-chtelet\/\">http:\/\/womeninscience.history.msu.edu\/Biography\/C-4A-0\/marquise-du-chtelet\/<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Projeto\u00a0\u201cDu Ch\u00e2telet\u2019s Foundations of Physics\u201d no site\u00a0<i>History of Women Philosophers and Scientist<\/i><i>s<\/i>:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/historyofwomenphilosophers.org\/project\/du-chatelets-foundations-of-physics\/\">https:\/\/historyofwomenphilosophers.org\/project\/du-chatelets-foundations-of-physics\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Edi\u00e7\u00e3o colaborativa e cr\u00edtica\u00a0<i>online<\/i>\u00a0da\u00a0<i>Enciclop\u00e9dia<\/i>\u00a0de Diderot e D\u2019Alembert:\u00a0<a href=\"http:\/\/enccre.academie-sciences.fr\/encyclopedie\/\">http:\/\/enccre.academie-sciences.fr\/encyclopedie\/<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Entrada \u201cNewtonismo\u201d:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"http:\/\/enccre.academie-sciences.fr\/encyclopedie\/article\/v11-495-0\/\">http:\/\/enccre.academie-sciences.fr\/encyclopedie\/article\/v11-495-0\/<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u201cThe Voltaire Library\u201d no site da Biblioteca Nacional da R\u00fassia:\u00a0<a href=\"http:\/\/nlr.ru\/voltaire?l=eng\">http:\/\/nlr.ru\/voltaire?l=eng<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u201cLa\u00a0Biblioth\u00e8que\u00a0de Voltaire\u201d<i>\u00a0<\/i>sitiado na Biblioteca Nacional da Fran\u00e7a, dispon\u00edvel na\u00a0Gallica:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/gallica.bnf.fr\/dossiers\/html\/dossiers\/Voltaire\/\">https:\/\/gallica.bnf.fr\/dossiers\/html\/dossiers\/Voltaire\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Informa\u00e7\u00f5es sobre o\u00a0Ch\u00e2teau\u00a0de\u00a0Cirey:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/www.chateaudecirey.com\/\">https:\/\/www.chateaudecirey.com\/<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/www.visitvoltaire.com\/people_in_emilie_life.htm#eighthlink\">https:\/\/www.visitvoltaire.com\/people_in_emilie_life.htm#eighthlink<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:720,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1706 &#8211; 1749) Por Mitieli Seixas da Silva\u00a0 Professora adjunta do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-438","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=438"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/438\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":546,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/438\/revisions\/546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}