{"id":480,"date":"2020-03-07T11:13:06","date_gmt":"2020-03-07T14:13:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=480"},"modified":"2020-03-08T13:38:26","modified_gmt":"2020-03-08T16:38:26","slug":"simone-de-beauvoir-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/simone-de-beauvoir-2\/","title":{"rendered":"Simone de Beauvoir"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"font-family: Helvetica\">(1908 &#8211; 1986)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Helvetica\">Heci\u00a0Regina\u00a0Candiani\u00a0\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Doutora em Ci\u00eancias\u00a0Socias\u00a0pela\u00a0Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) &#8211; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1817678625078958\">Lattes\u00a0<\/a><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/PDF-Simone-de-Beauvoir-1.pdf\">PDF &#8211; Simone de Beauvoir<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_481\" aria-describedby=\"caption-attachment-481\" style=\"width: 186px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-481 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/Beauvoir.jpg\" alt=\"\" width=\"186\" height=\"257\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-481\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-family: Helvetica\">Simone de Beauvoir\u00a0em Israel,\u00a01967.\u00a0(Moshe\u00a0Milner\/Wikicommons)\u00a0<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Simone de Beauvoir (Simone\u00a0Lucie\u00a0Ernestine\u00a0Marie Bertrand de Beauvoir) nasceu em Paris, Fran\u00e7a, em 9 de janeiro de 1908 e faleceu na mesma cidade em\u202f14 de abril de 1986, aos 78 anos. Foi criada em\u202fuma abastada fam\u00edlia burguesa que perdeu grande parte de seus recursos financeiros ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial. Seu pai, Georges Bertrand de Beauvoir, era advogado e sua m\u00e3e, Fran\u00e7oise Bertrand de Beauvoir (Brasseur, quando solteira) dedicava-se \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da casa da fam\u00edlia e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das duas filhas, Simone e\u00a0H\u00e9l\u00e8ne\u00a0(Henriette-H\u00e9l\u00e8ne\u00a0Bertrand de Beauvoir, 1910-2001, pintora).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia foi investir em uma forma\u00e7\u00e3o tradicional e burguesa para as filhas e ambas\u00a0foram matriculadas no\u00a0Institut\u00a0Ad\u00e9line\u00a0Desir,\u00a0escola privada exclusivamente para\u00a0meninas\u00a0de sua classe social. Simone de\u00a0Beauvoir\u00a0estudou ali at\u00e9 a\u00a0aprova\u00e7\u00e3o\u00a0no\u00a0<i>baccalaur\u00e9at<\/i>\u00a0de Matem\u00e1tica e Filosofia\u00a0em 1925. Ao contr\u00e1rio de muitas jovens de sua classe social,\u00a0ela\u00a0prosseguiu\u00a0os estudos licenciando-se em\u00a0Letras\u00a0Cl\u00e1ssicas\u00a0no\u00a0Institut\u00a0Sainte-Marie-de-Neuilly\u00a0e Matem\u00e1tica no\u00a0Institut\u00a0Catholique\u00a0de Paris. Em 1927, iniciou\u00a0sua\u00a0forma\u00e7\u00e3o em\u00a0Filosofia na Sorbonne. Em 1929, foi aprovada\u00a0em segundo lugar no\u00a0concurso de\u00a0<i>agr\u00e9gation<\/i>\u00a0em Filosofia\u00a0com uma disserta\u00e7\u00e3o sobre Leibniz. Ela tinha, ent\u00e3o,\u00a021 anos,\u00a0sendo a\u00a0estudante\u00a0mais jovem a obter\u00a0esta\u00a0aprova\u00e7\u00e3o\u00a0e\u00a0a\u00a0se tornar professora de filosofia at\u00e9 ent\u00e3o.\u00a0De 1931 a 1935, ensinou filosofia em liceus femininos\u00a0nas cidades de\u00a0Marselha e Rouen, retornando\u00a0a Paris\u00a0em 1936\u00a0como professora do Liceu Moli\u00e8re.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Beauvoir iniciou\u00a0a publica\u00e7\u00e3o de\u00a0seus\u00a0textos liter\u00e1rios e filos\u00f3ficos\u00a0durante a Segunda Guerra Mundial\u00a0e, em 1945, ap\u00f3s o fim da guerra, fundou, junto com Jean-Paul Sartre\u00a0e Maurice\u00a0Merleau-Ponty, entre outros intelectuais,\u00a0a revista\u00a0<i>Les<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Temps<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Modernes<\/i>,\u00a0dedicada a temas liter\u00e1rios e pol\u00edticos. Na revista, que foi publicada ininterruptamente de\u00a0outubro de\u00a01945 a\u00a0meados de\u00a02019, Beauvoir\u00a0atuou como editora,\u00a0tradutora\u00a0e, posteriormente, membro do conselho editorial at\u00e91986.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Suas principais influ\u00eancias\u00a0filos\u00f3ficas\u00a0foram:\u00a0Hegel, Husserl, Heidegger, Marx, Descartes e\u00a0Bergson.\u00a0Os\u00a0principais interlocutores\u00a0contempor\u00e2neos de Beauvoir\u00a0foram\u00a0os fil\u00f3sofos\u00a0Maurice Merleau-Ponty\u00a0e\u00a0Jean-Paul Sartre. Os tr\u00eas intelectuais se conheceram\u00a0quando eram estudantes de Filosofia nos anos 1920.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Helvetica\">Obra: temas e conceitos\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Fil\u00f3sofa, ativista,\u00a0feminista,\u00a0autora de fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o,\u00a0Simone de Beauvoir\u00a0produziu uma vasta obra composta\u00a0por\u00a0ensaios,\u00a0tratados,\u00a0uma pe\u00e7a de teatro, um\u00a0manifesto,\u00a0romances, contos,\u00a0novelas,\u00a0relatos de viagem,\u00a0mem\u00f3rias, cartas, di\u00e1rios e\u00a0reportagens.\u00a0Sua\u00a0ampla produ\u00e7\u00e3o textual, sua liga\u00e7\u00e3o intelectual e afetiva com Jean-Paul Sartre, bem como o contexto hist\u00f3rico e intelectual franc\u00eas em meados do s\u00e9culo XX, marcado por uma forte resist\u00eancia \u00e0 atua\u00e7\u00e3o das mulheres na esfera p\u00fablica\u00a0fizeram com que, por muito tempo,\u00a0Simone de\u00a0Beauvoir\u00a0n\u00e3o fosse considerada\u00a0fil\u00f3sofa.\u00a0Entretanto, ap\u00f3s sua morte, em 1986,\u00a0e mais especificamente\u00a0a\u00a0partir dos anos\u00a01990,\u00a0com\u00a0a publica\u00e7\u00e3o de textos in\u00e9ditos da autora\u00a0e a libera\u00e7\u00e3o do acesso a seus manuscritos para pesquisa, tem havido um renovado interesse em\u00a0seu pensamento, especialmente por parte de\u00a0fil\u00f3sofas feministas. Esses novos estudos,\u00a0ainda\u00a0em curso,\u00a0t\u00eam\u00a0servido\u00a0n\u00e3o apenas para\u00a0reafirmar\u00a0a import\u00e2ncia de\u00a0suas\u00a0contribui\u00e7\u00f5es\u00a0para\u00a0o\u00a0existencialismo, a\u00a0fenomenologia\u00a0e\u00a0a filosofia\u00a0feminista, mas\u00a0tamb\u00e9m t\u00eam sido importantes para\u00a0demonstrar a especificidade do projeto intelectual de Beauvoir, em que a\u00a0\u00e9tica,\u00a0a\u00a0pol\u00edtica\u00a0e\u00a0a teoria feminista\u00a0s\u00e3o\u00a0temas centrais, e conceitos como\u00a0situa\u00e7\u00e3o,\u00a0liberdade,\u00a0ambiguidade\u00a0e\u00a0o Outro\u00a0s\u00e3o trabalhados de maneira bastante original.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Helvetica\">Primeiros ensaios\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Um dos campos em que a contribui\u00e7\u00e3o de Simone de Beauvoir para o existencialismo tem sido mais amplamente estudada \u00e9 o campo da \u00e9tica. Esse tema, que perpassa toda a\u00a0obra de Simone de Beauvoir, \u00e9 trabalhado filosoficamente pela autora\u00a0particularmente em seus primeiros ensaios filos\u00f3ficos, escritos nos anos 1940, na esteira do fim da Segunda Guerra Mundial. Os dilemas \u00e9ticos que a guerra imp\u00f4s \u00e0 Europa e, particularmente \u00e0 Fran\u00e7a, que com a ocupa\u00e7\u00e3o nazista se viu\u00a0confrontada com quest\u00f5es como a resist\u00eancia, o colaboracionismo,\u00a0os sentidos do desengajamento ou da \u201cneutralidade\u201d pol\u00edtica,\u00a0a legitimidade ou n\u00e3o da viol\u00eancia contra invasores e colaboracionistas, a responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o aos outros indiv\u00edduos, est\u00e3o claramente presentes nesses ensaios.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">No primeiro deles, intitulado\u00a0\u201cPirro\u00a0e\u00a0Cineias\u201d\u00a0e publicado em 1944,\u00a0Beauvoir ir\u00e1 abordar justamente o sentido da a\u00e7\u00e3o\u00a0individual. Para que agir? \u00c9 a pergunta que ela se prop\u00f5e a analisar.\u00a0Para ela, a \u00fanica justificativa da a\u00e7\u00e3o \u00e9 a liberdade, ampliar os limites da liberdade humana. \u201cDistingui dois aspectos da liberdade: ela \u00e9 a pr\u00f3pria modalidade da exist\u00eancia que, por bem ou por mal, de uma maneira ou de outra, retoma por sua conta tudo que lhe vem de fora; esse movimento interior \u00e9 indivis\u00edvel, logo total em cada um. Em compensa\u00e7\u00e3o, as possibilidades concretas que se abrem para as pessoas s\u00e3o desiguais\u201d (Beauvoir, 2010, p. 540). O fato de existirem desigualdades entre as pessoas faz com que a a\u00e7\u00e3o realmente \u00e9tica seja, ent\u00e3o, n\u00e3o apenas aquela que visa ampliar a liberdade do sujeito, mas\u00a0que se paute pelo compromisso em ampliar tamb\u00e9m a\u00a0liberdade dos\u00a0outros. Beauvoir evoca, assim, a ideia de que liberdade e \u00e9tica se unem por meio da responsabilidade do sujeito com os demais indiv\u00edduos e por um objetivo maior do que sua pr\u00f3pria exist\u00eancia, o objetivo de\u00a0\u201cliberar a liberdade\u201d (Beauvoir, 2010a, p.\u00a0540).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Esse debate \u00e9\u00a0retomado pela autora\u00a0em\u00a0seus\u00a0ensaios\u00a0subsequentes,\u00a0publicados na revista\u00a0<i>Les<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Temps<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Modernes<\/i><i>:<\/i>\u00a0\u201cIdealismo moral e realismo pol\u00edtico\u201d (1945),\u00a0\u201cO existencialismo e a sabedoria das na\u00e7\u00f5es\u201d (1945, t\u00edtulo do ensaio e do livro que re\u00fane os textos, 1965a\u00a0[1948])\u00a0e \u201cOlho por olho\u201d (1946)\u00a0e\u00a0<i>Por uma moral da ambiguidade<\/i>\u00a0(2005 [1947]).\u00a0Para Beauvoir, a ambiguidade \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o inerente a todos os indiv\u00edduos em sua rela\u00e7\u00e3o com os outros, isso porque, embora\u00a0sejamos, em nossa consci\u00eancia,\u00a0sujeitos livres, nas rela\u00e7\u00f5es nos vemos\u00a0objetificados\u00a0pelos outros.\u00a0Essa amb\u00edgua condi\u00e7\u00e3o de\u00a0sujeitos\/objetos\u00a0\u00e9 relevante para compreender as quest\u00f5es essenciais da a\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9tica, como a ideia de que os fins justificam os meios (Beauvoir nos diz que n\u00e30) e como podemos agir eticamente quando estamos diante de um mundo marcado pela viol\u00eancia e mesmo diante de um opressor.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Helvetica\">O segundo sexo\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Um\u00a0dos motivos\u00a0para\u00a0o tardio\u00a0reconhecimento acad\u00eamico\u00a0e p\u00fablico\u00a0de Simone de Beauvoir como fil\u00f3sofa foi\u00a0o fato de que ela\u00a0n\u00e3o adotou em seu trabalho a\u00a0metodologia\u00a0de constru\u00e7\u00e3o de um sistema filos\u00f3fico, que ela considerava\u00a0abstrata\u00a0e\u00a0universalizante. Sua op\u00e7\u00e3o, em termos\u00a0metodol\u00f3gicos,\u00a0foi\u00a0buscar\u00a0analisar criticamente o conhecimento constru\u00eddo\u00a0sobre os temas de seu interesse e, a partir dessa cr\u00edtica, analisar as experi\u00eancias vividas das pessoas diretamente implicadas na quest\u00e3o.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A\u00a0pensadora deu um importante passo nesse sentido\u00a0e estabeleceu as bases de seu m\u00e9todo\u00a0em sua obra filos\u00f3fica\u00a0mais conhecida:\u00a0<i>O segundo sexo<\/i>. Hoje um texto can\u00f4nico da filosofia feminista,\u00a0<i>O segundo sexo<\/i>\u00a0foi escrito\u00a0a partir de uma extensa pesquisa iniciada em\u00a01946 e\u00a0conclu\u00eddo em\u00a01949.\u00a0Mas o texto n\u00e3o foi pensado pela autora como\u00a0uma\u00a0obra feminista em si. O que Beauvoir tinha em mente era apresentar uma\u00a0discuss\u00e3o, com base no existencialismo, na fenomenologia e no marxismo,\u00a0sobre a\u00a0condi\u00e7\u00e3o das mulheres nas sociedades ocidentais em meados do s\u00e9culo XX, o livro traz como centrais os conceitos de situa\u00e7\u00e3o e\u00a0de Outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">O conceito de situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental no existencialismo e se refere\u00a0basicamente\u00a0ao fato de estarmos posicionados no tempo, no espa\u00e7o e em rela\u00e7\u00e3o com os outros sobre condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas\u00a0que n\u00e3o escolhemos nem controlamos (nossa nacionalidade, etnia,\u00a0idade, classe social, educa\u00e7\u00e3o,\u00a0o sexo que nos \u00e9 atribu\u00eddo j\u00e1 nas primeiras semanas de gesta\u00e7\u00e3o,\u00a0nossas limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, os valores vigentes no momento hist\u00f3rico em que vivemos, as conting\u00eancias da exist\u00eancia).\u00a0A situa\u00e7\u00e3o expressa o lugar social de indiv\u00edduos ou de coletividades.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Beauvoir inicia seu texto identificando\u00a0a\u00a0situa\u00e7\u00e3o\u00a0das mulheres\u00a0como uma situa\u00e7\u00e3o\u00a0de aprisionamento em uma condi\u00e7\u00e3o de\u00a0inferioriza\u00e7\u00e3o:\u00a0as mulheres t\u00eam suas a\u00e7\u00f5es no mundo limitadas, s\u00e3o relegadas \u00e0 alteridade absoluta, a condi\u00e7\u00e3o de Outro, e essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 produzida e sustentada, nas sociedades ocidentais patriarcais,\u00a0pelo modo como as mulheres s\u00e3o retratadas pela\u00a0ci\u00eancia, a hist\u00f3ria e a psican\u00e1lise. Todo conhecimento produzido historicamente sobre as mulheres convergiu para um ponto que consistiu em justificar, a partir das diferen\u00e7as biol\u00f3gicas, um lugar secund\u00e1rio para as mulheres na\u00a0vida\u00a0social.\u00a0Essa justifica\u00e7\u00e3o\u00a0se sustenta por meio de uma\u00a0s\u00e9rie de mitos\u00a0sobre a\u00a0biologia,\u00a0o\u00a0psiquismo e\u00a0o\u00a0papel\u00a0intelectual, social e\u00a0econ\u00f4mico\u00a0das mulheres.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u00c0s mulheres \u00e9 reservado um lugar secund\u00e1rio n\u00e3o porque elas sejam inferiores aos homens, mas porque o poder de determinar o que significa ser mulher\u00a0e o que significa ser homem est\u00e1 nas m\u00e3os dos homens.\u00a0Retomando a ideia da ambiguidade do sujeito, Beauvoir nos diz que nenhum\u00a0sujeito\u00a0define a si mesmo como Outro. Porque essa defini\u00e7\u00e3o exige uma\u00a0objetifica\u00e7\u00e3o\u00a0que nunca pode recair sobre o pr\u00f3prio sujeito.\u00a0\u201cPor que as mulheres n\u00e3o contestam a soberania do macho? Nenhum sujeito se define imediata e espontaneamente como o\u00a0inessencial; n\u00e3o \u00e9 o Outro que se definindo como Outro define o Um; ele \u00e9 posto como Outro pelo Um definindo-se como Um. Mas para que o Outro n\u00e3o se transforme no Um \u00e9 preciso que se sujeite a esse ponto de vista alheio\u201d (Beauvoir, 2009a, p. 18).\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Hist\u00f3rica, social, cultural\u00a0e politicamente, as\u00a0mulheres\u00a0s\u00e3o\u00a0retratadas\u00a0como seres\u00a0essencialmente biol\u00f3gicos\u00a0e submetido \u00e0s leis da natureza\u00a0em contraposi\u00e7\u00e3o aos\u00a0homens\u00a0como seres\u00a0da raz\u00e3o, do conhecimento, e capazes de transcender sua\u00a0biologia.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">\u00c9 nesse sentido que a fil\u00f3sofa escreve\u00a0no texto\u00a0que \u201cNingu\u00e9m nasce mulher: torna-se mulher\u201d (Beauvoir,\u00a02009a, p. 361). Beauvoir explica\u00a0o sentido de sua frase nos par\u00e1grafos seguintes, especificando que a f\u00eamea humana n\u00e3o \u00e9 dotada\u00a0\u201cnaturalmente\u201d\u00a0de caracter\u00edsticas\u00a0como \u201cmisteriosos instintos\u00a0[que]\u00a0a destinem imediatamente \u00e0 passividade, ao coquetismo, \u00e0 maternidade\u201d (Beauvoir, 2009a, p. 361), mas que essas atribui\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o socialmente associadas \u00e0 feminilidade, s\u00e3o impostas ou ensinadas \u00e0 menina j\u00e1 nos primeiros anos de vida.\u00a0Essas imposi\u00e7\u00f5es e essa mistifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 \u201cser mulher\u201d\u00a0constituem\u00a0as bases da opress\u00e3o patriarcal, que submete as mulheres \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de\u00a0Outro\u00a0limitando\u00a0sua liberdade\u00a0de a\u00e7\u00e3o, de escolha, e\u00a0a possibilidade de que ela defina\u00a0a si mesma.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Um\u00a0dos\u00a0aspectos\u00a0importantes\u00a0\u00e9 que neste livro\u00a0Beauvoir estabelece a import\u00e2ncia de retratar e analisar as experi\u00eancias vividas pelas mulheres como parte de seu m\u00e9todo, dando a essas experi\u00eancias sua\u00a0dimens\u00e3o filos\u00f3fica e pol\u00edtica. Ela\u00a0se baseia em\u00a0conversas, di\u00e1rios e\u00a0narrativas\u00a0de mulheres sobre suas\u00a0experi\u00eancias\u00a0concretas para refletir sobre as formas e as consequ\u00eancias da\u00a0opress\u00e3o\u00a0patriarcal, da inf\u00e2ncia at\u00e9 a velhice.\u00a0Com isso, ela\u00a0mostra n\u00e3o apenas o impacto da opress\u00e3o patriarcal sobre\u00a0a vida concreta das mulheres\u00a0como apresenta as bases para a supera\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de inferioridade a elas imposta.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Pol\u00eamico ainda hoje, 70 anos depois\u00a0de sua publica\u00e7\u00e3o original,\u00a0<i>O segundo sexo<\/i>\u00a0tornou-se uma obra feminista\u00a0devido \u00e0 grande pot\u00eancia pol\u00edtica inerente ao pr\u00f3prio conceito de situa\u00e7\u00e3o. Em sociedades profundamente marcadas por desigualdades e injusti\u00e7as,\u00a0\u00e9 inevit\u00e1vel que a discuss\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos e grupos se torne uma discuss\u00e3o sobre poder.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A vitalidade do conceito de situa\u00e7\u00e3o, a\u00a0escolha metodol\u00f3gica por privilegiar as experi\u00eancias vividas bem como o modo como Beauvoir apresenta seu discurso em\u00a0<i>O segundo sexo<\/i>\u00a0s\u00e3o aspectos\u00a0que evidenciam a liga\u00e7\u00e3o de Beauvoir com a fenomenologia. Essas caracter\u00edsticas\u00a0e\u00a0o retorno ao\u00a0conceito de\u00a0Outro\u00a0ir\u00e3o marcar\u00a0tamb\u00e9m\u00a0outro de seus\u00a0textos\u00a0mais importantes:\u00a0<i>A velhice<\/i><i>\u00a0<\/i>(1990a [1970]).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Publicada em 1970, esta obra\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 dividida\u00a0em duas partes. Na primeira, o tema \u00e9 analisado\u00a0de fora,\u00a0pelo conhecimento formal da\u00a0biologia,\u00a0da etnografia,\u00a0da hist\u00f3ria e\u00a0da sociologia; a\u00a0segunda parte trata da velhice como experi\u00eancia vivida.\u00a0Dessa forma, a autora nos mostra como o\u00a0envelhecimento\u00a0\u00e9, antes de uma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou intelectual, um processo cont\u00ednuo da exist\u00eancia e\u00a0uma transforma\u00e7\u00e3o pessoal que n\u00e3o se explica apenas por quest\u00f5es biol\u00f3gicas:\u00a0\u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o no modo como somos\u00a0objetificados\u00a0nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais,\u00a0nas\u00a0circunst\u00e2ncias econ\u00f4mica e\u00a0no contexto\u00a0familiar.\u00a0A autora investiga ainda, nesse texto, como o processo de envelhecimento n\u00e3o tem as mesmas consequ\u00eancias e sentidos nas experi\u00eancias de homens e mulheres e de pessoas de classes sociais diferentes.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Helvetica\">Para al\u00e9m dos textos filos\u00f3ficos\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Embora conhecida e estudada principalmente por\u00a0<i>O segundo sexo<\/i>,\u00a0nem o feminismo nem a filosofia de Simone de Beauvoir se esgotam com essa obra. Em rela\u00e7\u00e3o ao feminismo, estima-se (Z\u00e9phir,\u00a01984, p. 144)\u00a0que, entre\u00a01949\u00a0e\u00a01979, Beauvoir produziu mais de 150 textos feministas, incluindo a\u00ed\u00a0artigos e\u00a0entrevistas.\u00a0Em \u00e0 rela\u00e7\u00e3o ao debate mais estritamente filos\u00f3fico, al\u00e9m dos primeiros ensaios e dos dois tratados j\u00e1 mencionados, a autora produziu cerca de mais duas dezenas de ensaios e artigos\u00a0publicados principalmente na revista\u00a0<i>Les<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Temps<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Modernes<\/i>. Nesses textos, ela tratou, por exemplo,\u00a0de temas como\u00a0o pensamento de grupos pol\u00edticos privilegiados\u00a0em\u00a0<i>O pensamento de direita, hoje<\/i>\u00a0(1967 [1955]), a\u00a0\u00e9tica e\u00a0a\u00a0sexualidade em \u201cDeve-se queimar Sade\u201d (1964 [1955]).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Al\u00e9m dos textos formal e explicitamente pol\u00edticos, entretanto,\u00a0Beauvoir\u00a0fez amplo uso da filosofia para o embasamento e a argumenta\u00e7\u00e3o de toda a sua produ\u00e7\u00e3o textual. Quando escreve\u00a0sobre o racismo nos Estados Unidos em\u00a0<i>Am\u00e9rica dia a dia\u00a0<\/i>(1963\u00a0[1948]), fam\u00edlia, g\u00eanero e poder em sua pe\u00e7a <i>Les<\/i><i>\u00a0<\/i><i>bouches<\/i><i>\u00a0<\/i><i>inutiles<\/i>\u00a0(1945),\u00a0colonialismo em\u00a0<i>Pour<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Djamila<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Boupacha<\/i>\u00a0(1960),\u00a0por exemplo, ela mobiliza temas e reflex\u00f5es filos\u00f3ficas que\u00a0ainda requerem an\u00e1lises mais detalhadas.\u00a0Al\u00e9m disso,\u00a0ela\u00a0produziu v\u00e1rios romances de car\u00e1ter claramente metaf\u00edsico como\u00a0<i>A convidada<\/i>\u00a0(1985 [1943]),\u00a0<i>O sangue dos outros<\/i>\u00a0(1990b\u00a0[1945]) e\u00a0<i>Todos os homens s\u00e3o mortais<\/i>\u00a0(1995 [1946]) nos quais temas como o Outro e a ambiguidade do sujeito ganham concretude nas situa\u00e7\u00f5es vividas pelas\u00a0personagens. Em suas mem\u00f3rias\u00a0(publicadas\u00a0originalmente entre\u00a01958\u00a0e 1970)\u00a0e em\u00a0<i>Os mandarins<\/i>\u00a0(1965b\u00a0[1954]),\u00a0Beauvoir n\u00e3o s\u00f3 discute alguns dos conceitos filos\u00f3ficos de sua obra como apresenta um v\u00edvido retrato da hist\u00f3ria\u00a0e dos conflitos intelectuais da Fran\u00e7a em meados do s\u00e9culo XX.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Todas essas caracter\u00edsticas peculiares da produ\u00e7\u00e3o intelectual da autora bem como\u00a0sua\u00a0metodologia particular\u00a0chamam a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a compreens\u00e3o e an\u00e1lise do trabalho filos\u00f3fico de Beauvoir passa, necessariamente, pela an\u00e1lise de seu papel como\u00a0intelectual p\u00fablica\u00a0preocupada principalmente\u00a0com a maneira como as marcas sociais da alteridade se entrecruzam na experi\u00eancia individual e coletiva. Sua preocupa\u00e7\u00e3o com a compreens\u00e3o de como diversas situa\u00e7\u00f5es influenciam o acesso a privil\u00e9gios,\u00a0a experi\u00eancia de\u00a0opress\u00e3o\u00a0e\u00a0a experi\u00eancia fenomenol\u00f3gica e pol\u00edtica do corpo\u00a0\u00e9 profundamente\u00a0relevante para os dias atuais.\u00a0As pesquisas sobre o pensamento de Simone de Beauvoir\u00a0na atualidade t\u00eam se concentrado em tr\u00eas principais linhas: a compreens\u00e3o de sua\u00a0metodologia filos\u00f3fica, a an\u00e1lise de seus textos filos\u00f3ficos e dos aspectos filos\u00f3ficos de seus textos liter\u00e1rios e memorial\u00edsticos, importante para a compreens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre\u00a0filosofia e a literatura e ainda, a\u00a0recep\u00e7\u00e3o de sua obra em diversos pa\u00edses e\u00a0culturas. Esta \u00faltima linha de pesquisa se concentra, principalmente, em\u00a0<i>O segundo sexo<\/i>.\u00a0Al\u00e9m disso, as\u00a0pesquisas sobre a biografia de Beauvoir tamb\u00e9m t\u00eam sido importantes para a compreens\u00e3o da trajet\u00f3ria das mulheres na hist\u00f3ria da filosofia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:0,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: Helvetica\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Obras de Simone de Beauvoir\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Beauvoir, S. de\u00a0(1945).\u00a0<i>Les\u00a0<\/i><i>bouches<\/i><i>\u00a0<\/i><i>inutiles<\/i><i>\u00a0\u2013 pi\u00e8ce\u00a0<\/i><i>en<\/i><i>\u00a0deux\u00a0<\/i><i>actes<\/i><i>\u00a0et\u00a0<\/i><i>huit<\/i><i>\u00a0tableaux<\/i>.\u00a0Paris: Gallimard.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (1960).\u00a0Pour\u00a0Djamila\u00a0Boupacha.\u00a0<i>Le Monde<\/i>, 2\u00a0juin, p.\u00a05.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______\u00a0(1963).\u00a0<i>A Am\u00e9rica dia a dia<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Em\u00edlia Rodrigues. Lisboa: Arc\u00e1dia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (1964).\u00a0Faut-il\u00a0br\u00fbler\u00a0Sade. In Beauvoir, S.de.\u00a0<i>Privil\u00e8ges<\/i>.\u00a0Paris: Gallimard.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______\u00a0(1965a).\u00a0<i>O existencialismo e a sabedoria das na\u00e7\u00f5es<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Bruno da Ponte e Manuel de Lima. Lisboa: Editorial\u00a0Minotauro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">_____ (1965b).\u00a0<i>Os mandarins<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio de Souza. S\u00e3o Paulo: Difus\u00e3o\u00a0Europ\u00e9ia\u00a0do Livro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______\u00a0(1967)\u00a0<i>O pensamento de direita hoje<\/i>.\u00a0Rio de Janeiro: Paz e Terra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (1985).\u00a0<i>A convidada<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Vitor Ramos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______\u00a0(1990a).\u00a0<i>A velhice<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Helena Franco Monteiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (1990b).\u00a0<i>O sangue dos outros<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0Heloysa\u00a0de Lima Dantas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (1995).\u00a0<i>Todos os homens s\u00e3o mortais<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______\u00a0(2005).\u00a0<i>Por uma moral da ambiguidade, seguido de\u00a0<\/i><i>Pirro<\/i><i>\u00a0e\u00a0<\/i><i>Cine<\/i><i>i<\/i><i>as<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Marcelo Jacques de Moraes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______\u00a0(2009a).\u00a0<i>O segundo sexo<\/i>.\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Milliet.\u00a0Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2009b).\u00a0<i>Mem\u00f3rias de uma mo\u00e7a bem-comportada<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2010a).\u00a0<i>A for\u00e7a da idade<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______(2010b).\u00a0<i>A for\u00e7a\u00a0<\/i>das<i>\u00a0coisas<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Literatura\u00a0secund\u00e1ria\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Burawoy, M (2010). As antinomias do feminismo: Beauvoir encontra\u00a0Bourdieu. In:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Burawoy, M.\u00a0<i>O marxismo encontra\u00a0<\/i><i>Bourdieu<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o de Fernando Rog\u00e9rio Jardim. Campinas, SP: Editora da Unicamp, pp. 131-158.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Candiani, H.R. (2018).\u00a0<i>Na tessitura da situa\u00e7\u00e3o: a trama das opress\u00f5es na obra de Simone de Beauvoir<\/i>. (Tese de Doutorado, Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP). Recuperado de http:\/\/repositorio.unicamp.br\/jspui\/handle\/REPOSIP\/332410. Acesso em 19 ago. 2019.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Chaperon, S\u00a0(1999).\u00a0Au\u00ea\u00a0sobre O Segundo Sexo.\u00a0<i>Cade<\/i><i>r<\/i><i>nos\u00a0<\/i><i>Pagu<\/i>. v.12, pp. 37-53.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______ (2000). A segunda Simone de Beauvoir,\u00a0<i>Novos Estudos\u00a0<\/i><i>Cebrap<\/i>, n\u00ba 57, p.103-123.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Cyfer, I\u00a0(2015). Afinal, o que \u00e9 uma mulher? Simone de Beauvoir e \u201ca quest\u00e3o do sujeito\u201d na teoria cr\u00edtica feminista.\u00a0<i>Lua Nova<\/i>, n\u00ba 94, S\u00e3o Paulo, pp. 41-77.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Daigle, C\u00a0(2014).\u00a0Pensando com Simone de Beauvoir e para al\u00e9m,\u00a0<i>Sapere<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Aude<\/i>,\u00a0Belo Horizonte, v.5 \u2013 n.9, pp.\u00a0381-392.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Gunella, E. J. (2014).\u00a0<i>Ontologia e \u00c9tica n&#8217;O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir<\/i>. (Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas, Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, SP). Recuperado de https:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/8\/8133\/tde-12122014-195339\/pt-br.php. 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