{"id":59,"date":"2018-08-12T22:48:22","date_gmt":"2018-08-13T01:48:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=59"},"modified":"2022-04-25T17:49:00","modified_gmt":"2022-04-25T20:49:00","slug":"anne-conway","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/anne-conway\/","title":{"rendered":"Anne Conway"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<div class=\"\">\n<div><span style=\"font-family: Helvetica\"><strong>(1631 &#8211; 1679)<\/strong><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong style=\"font-family: Helvetica\">Por Nastassja Pugliese<\/strong><\/div>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Professora adjunta da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e membro do PPGLM do\u00a0Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro\u00a0(UFRJ) &#8211; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3608911193996742\">Lattes<\/a><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/03\/PDF-Anne-Conway.pdf\">PDF &#8211; Anne Conway<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_273\" aria-describedby=\"caption-attachment-273\" style=\"width: 221px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-273 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2019\/08\/Conway_Van_Hoogstraten_Mauritshuis-753x1024-221x300.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2019\/08\/Conway_Van_Hoogstraten_Mauritshuis-753x1024-221x300.jpg 221w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2019\/08\/Conway_Van_Hoogstraten_Mauritshuis-753x1024.jpg 753w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-273\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-family: Helvetica\">\u201cJovem com uma carta\u201d, Samuel van Hoogstrate,\u00a0Royal Cabinet of Paintings, Mauritshuis, The Hague. \u00c9 poss\u00edvel que a jovem retratada seja Anne Conway. Essa imagem aparece na capa da biografia de Conway escrita por Sarah Hutton (2004)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Anne\u00a0Conway\u00a0(1631- 1679), nascida em Londres como Anne\u00a0Finch, foi educada em casa onde recebia tutores que a ensinavam letras cl\u00e1ssicas. Ela\u00a0\u201cpassava a maior parte do seu tempo estudando Latim e Grego, e lendo vorazmente a literatura cl\u00e1ssica e filos\u00f3fica\u201d\u00a0(White 2008 p.5). Anne era irm\u00e3\u00a0mais nova de John\u00a0Finch. Os dois eram muito pr\u00f3ximos e dividiam interesses pela filosofia. Quando John\u00a0Finch\u00a0foi aceito para o\u00a0Christ\u2019s\u00a0College\u00a0em\u00a0Cambridge, continuou o contato com a irm\u00e3\u00a0atrav\u00e9s de cartas. Anne recebia os principais tratados estudados pelo irm\u00e3o em Cambridge e tinha acesso\u00a0\u00e0s discuss\u00f5es intelectuais e a manuscritos de obras importantes do seu tempo (como o\u00a0<i>Principia\u00a0<\/i>de Descartes) atrav\u00e9s desta correspond\u00eancia. Em apoio a Anne e visando desenvolver suas habilidades intelectuais, John\u00a0Finch\u00a0pede a Henry More, tamb\u00e9m um\u00a0<i>fellow<\/i>\u00a0do\u00a0Christ\u2019s\u00a0College, para ser tutor de sua irm\u00e3. More aceita e realiza a instru\u00e7\u00e3o de\u00a0Conway\u00a0atrav\u00e9s de cartas\u00a0e visitas. A troca de correspond\u00eancias leva os dois a tornarem-se amigos. Esta amizade que durou at\u00e9\u00a0o fim de sua vida permitiu\u00a0Conway\u00a0a ter educa\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de excel\u00eancia e a conhecer v\u00e1rios outros intelectuais da\u00a0\u00e9poca.\u00a0Como sua casa era frequentada\u00a0pelos amigos de seu irm\u00e3o,\u00a0Conway\u00a0teve contato com muitos outros pensadores e membros da Escola de Cambridge.\u00a0Atrav\u00e9s de More,\u00a0Conway\u00a0foi apresentada a\u00a0Franciscus\u00a0Mercurius\u00a0van\u00a0Helmont\u00a0(1614-1698), fil\u00f3sofo holand\u00eas estudioso da cabala, do ocultismo renascentista e da tradi\u00e7\u00e3o herm\u00e9tica, que em um esfor\u00e7o conjunto com Henry More (que traduziu a obra do ingl\u00eas para o Latim), organizou a publica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma do\u00a0<i>Principia<\/i>.\u00a0Tamb\u00e9m foi por\u00a0influ\u00eancia\u00a0de van\u00a0Helmont\u00a0que\u00a0Conway\u00a0se converte ao\u00a0Quakerismo\u00a0no fim de\u00a0sua vida. Os\u00a0Quakers\u00a0s\u00e3o um grupo religioso formado por\u00a0crist\u00e3os protestantes que\u00a0possu\u00edam\u00a0posi\u00e7\u00f5es\u00a0pol\u00edticas radicais para a\u00a0\u00e9poca\u00a0e acreditavam que Cristo\u00a0\u00e9\u00a0uma entidade que existe em cada pessoa. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Conway, apesar de n\u00e3o ter cursado a universidade de Cambridge, compartilha com os outros membros do grupo dos\u00a0Platonistas\u00a0de Cambridge o apre\u00e7o pelos problemas da metaf\u00edsica e um interesse na cr\u00edtica\u00a0\u00e0\u00a0religi\u00e3o. Sua obra\u00a0\u00e9\u00a0um exemplo do resgate do neoplatonismo nas discuss\u00f5es metaf\u00edsicas do XVII, oferecendo importantes cr\u00edticas ao cientificismo mecanicista de Descartes, ao materialismo\u00a0Hobbesiano\u00a0e ao monismo\u00a0Espinosista. Entretanto, como diz White (2008):\u00a0\u201cConway\u00a0\u00e9\u00a0mais conhecida por suas eternas dores de cabe\u00e7as que exauriram os recursos da medicina do s\u00e9culo XVII do que por suas contribui\u00e7\u00f5es para a filosofia natural\u201d\u00a0(p.4). Essas dores de cabe\u00e7a tornaram-se famosas, pois ela tentou todos os tipos de tratamento dispon\u00edveis, inclusive os descritos por Boyle. Entre os tratamentos, ela realizou ingest\u00e3o de caf\u00e9, tabaco,\u00a0\u00f3pio, merc\u00fario e uma cirurgia no cr\u00e2nio para aliviar a press\u00e3o.\u00a0Os m\u00e9dicos\u00a0n\u00e3o tiveram coragem de abrir o\u00a0cr\u00e2nio\u00a0de\u00a0Conway\u00a0e cortaram sua jugular. More a acompanhou durante a cirurgia, que ocorreu na Fran\u00e7a, e seu marido, ao tentar se juntar a\u00a0eles,\u00a0\u00e9\u00a0capturado e preso na Fran\u00e7a. Depois de pagar fian\u00e7a, ele consegue se juntar aos dois e ent\u00e3o os\u00a0tr\u00eas voltam para a Inglaterra.\u00a0Suas dores de cabe\u00e7a era\u00a0frequentes e exigiam que ela ficasse em um quarto escuro pela maior parte do tempo. Como\u00a0Conway\u00a0ficou muito doente\u00a0do meio ao\u00a0fim de sua vida, ela\u00a0n\u00e3o sa\u00eda da cama e seu tratado foi escrito em meio a febres e fortes dores no corpo.\u00a0Alguns temas do tratado de\u00a0Conway\u00a0tem liga\u00e7\u00e3o com o extremo sofrimento pelo qual passou, como por exemplo, a no\u00e7\u00e3o de purifica\u00e7\u00e3o pelo sofrimento e pelo pecado, al\u00e9m da defesa da uni\u00e3o do corpo e do esp\u00edrito.\u00a0\u00c9\u00a0esperado que, com os trabalhos de resgate da obra de\u00a0Conway\u00a0e sua inser\u00e7\u00e3o no c\u00e2none filos\u00f3fico,\u00a0a\u00a0 justi\u00e7a\u00a0seja feita para que\u00a0Conway\u00a0torne-se, agora, mais\u00a0conhecida por sua filosofia natural do que por suas dores de cabe\u00e7a.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Obra: temas e conceitos<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A pouca literatura que h\u00e1\u00a0sobre a obra de\u00a0Conway\u00a0pode ser compreendida hoje a partir de quatro eixos tem\u00e1ticos: no\u00e7\u00f5es gerais sobre a obra e o legado de\u00a0Conway\u00a0(White 2008,\u00a0Hutton\u00a02004), cr\u00edticas de\u00a0Conway\u00a0\u00e0\u00a0Descartes (McRobert\u00a02000,\u00a0Couder\u00a0&amp;\u00a0Corse\u00a01996), influ\u00eancia de\u00a0Conway\u00a0na obra de Leibniz (Merchant 1979,\u00a0Mercer\u00a02012), criticas de\u00a0Conway\u00a0a Espinosa (Pugliese\u00a02019) e an\u00e1lises das teses do\u00a0<i>Principia<\/i>\u00a0(Lascano\u00a02013, Duran 1989).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A metaf\u00edsica de\u00a0Conway\u00a0\u00e9\u00a0um exemplo das filosofias de transi\u00e7\u00e3o que s\u00e3o presentes no come\u00e7o da modernidade. O\u00a0<i>Principia<\/i>\u00a0deve ser compreendido dentro deste contexto de transi\u00e7\u00e3o, obra de um tempo em que a filosofia se d\u00e1\u00a0tanto em meio\u00a0\u00e0s cren\u00e7as religiosas quanto em meio aos exerc\u00edcios intelectuais de motiva\u00e7\u00e3o estritamente cient\u00edfica ou filos\u00f3fica.\u00a0Conway, segundo\u00a0McRobert\u00a0(2000):\u00a0\u201capresenta sua filosofia\u00a0como um am\u00e1lgama dos antigos e dos modernos. Entretanto, caracterizar o que ela\u00a0tira de inspira\u00e7\u00e3o dos antigos n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma tarefa f\u00e1cil. Ela\u00a0\u00e9\u00a0um\u00a0Platonista\u00a0mas no sentido mais amplo do Platonismo Renascentista que toma de empr\u00e9stimo com o mesmo grau de entusiasmo tanto dos di\u00e1logos de Plat\u00e3o, as interpreta\u00e7\u00f5es Neoplat\u00f4nicas, quanto do\u00a0misticismo cabal\u00edstico e de v\u00e1rios escritos herm\u00e9ticos\u201d\u00a0(p.23) Seu sistema metaf\u00edsico, apesar dos elementos religiosos que s\u00e3o pr\u00f3prios de\u00a0 tantos outros sistemas metaf\u00edsicos do s\u00e9culo XVII,\u00a0\u00e9\u00a0uma proposta original.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">H\u00e1\u00a0tamb\u00e9m quem defenda que\u00a0Leibniz tomou o conceito de\u00a0m\u00f4nada\u00a0de empr\u00e9stimo de Giordano Bruno, mas\u00a0\u00e9\u00a0bem mais prov\u00e1vel que a influ\u00eancia tenha vindo de\u00a0Conway, atrav\u00e9s de van\u00a0Helmont\u00a0(Courdet\u00a01995). Uma evid\u00eancia clara\u00a0\u00e9\u00a0uma carta de Leibniz a Burnet onde explica as diferen\u00e7as entre sua filosofia e a de Locke. Nela, Leibniz confessa:\u00a0\u201cminha filosofia se aproxima muito mais daquela da finada Lady\u00a0Conway\u201d\u00a0(Nicolson\u00a01992 p.456).\u00a0Para\u00a0Leibniz, as m\u00f4nadas s\u00e3o entes vivos e\u00a0perceptivos\u00a0que agem em vista de uma causa final (Popkin\u00a0p.117) E como\u00a0Leibniz,\u00a0Conway\u00a0utiliza o conceito de m\u00f4nada para indicar um conjunto de atividades de um ser individual que\u00a0est\u00e1\u00a0em constantemente em processo de\u00a0mudan\u00e7a.\u00a0Ainda que Leibniz, procure conjugar o vitalismo com as explica\u00e7\u00f5es mecanicistas (Popkin\u00a0p.117), atrav\u00e9s do conceito de subst\u00e2ncia individual,\u00a0Conway\u00a0defende o monismo substancial.\u00a0O conceito de\u00a0subst\u00e2ncia\u00a0de\u00a0Conway, entretanto, n\u00e3o reflete o de\u00a0Leibniz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A metaf\u00edsica de\u00a0Conway, expressa\u00a0nos\u00a0<i>Principia<\/i>,\u00a0\u00e9\u00a0uma alternativa ao racionalismo nascente no s\u00e9culo XVII. Segundo\u00a0Popkin\u00a0(1991),\u00a0Conway\u00a0e os\u00a0Platonistas\u00a0de Cambridge fazem parte da\u00a0\u201cterceira for\u00e7a no pensamento do s\u00e9culo XVII\u201d, sendo as duas primeiras, o racionalismo e o empirismo. O\u00a0<i>Principia<\/i>\u00a0\u00e9\u00a0um tratado dividido em 8 cap\u00edtulos que\u00a0seguem a ordem de dedu\u00e7\u00e3o\u00a0metaf\u00edsica tradicional. Ele inicia com um cap\u00edtulo sobre Deus e seus atributos que d\u00e1\u00a0os fundamentos para os cap\u00edtulos seguintes: um cap\u00edtulo sobre as criaturas, outro sobre a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e as criaturas e um outro sobre a necessidade de se conceber um ente intermedi\u00e1rio entre Deus e as criaturas (Cristo). Da\u00ed\u00a0o tratado segue para a defini\u00e7\u00e3o dos movimentos no interior da subst\u00e2ncia a partir da media\u00e7\u00e3o do ente intermedi\u00e1rio, at\u00e9\u00a0chegar\u00a0a\u00a0individua\u00e7\u00e3o dos seres. O\u00a0\u00faltimo e um\u00a0dos mais importantes cap\u00edtulos\u00a0\u00e9\u00a0um posicionamento frente as quest\u00f5es do s\u00e9culo XVII e, mais especificamente,\u00a0\u00e9\u00a0onde se encontram suas cr\u00edticas a Descartes, Hobbes e Espinosa. Assim, a ordem de dedu\u00e7\u00e3o come\u00e7a desde o ente mais perfeito e imut\u00e1vel para a deriva\u00e7\u00e3o dos seres imperfeitos que s\u00e3o constitu\u00eddos pela mudan\u00e7a e pelo movimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Um dos principais temas do tratado de\u00a0Conway\u00a0\u00e9\u00a0a no\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o, que\u00a0\u00e9\u00a0uma opera\u00e7\u00e3o fundante da individua\u00e7\u00e3o e um atributo principal das criaturas.\u00a0Conway\u00a0considera que o movimento\u00a0\u00e9\u00a0da natureza das criaturas e argumenta que, em um processo de transforma\u00e7\u00e3o para uma maior ou menor perfei\u00e7\u00e3o, as criaturas s\u00e3o constitu\u00eddas pelo movimento que sucede de suas opera\u00e7\u00f5es (Conway\u00a01996 p14). Estas transforma\u00e7\u00f5es que ocorrem nas criaturas n\u00e3o s\u00e3o, no entanto, fruto de um mecanismo causal determinado. Ao contr\u00e1rio, estas transforma\u00e7\u00f5es, constituintes do processo de individua\u00e7\u00e3o, s\u00e3o fruto da transforma\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria em esp\u00edrito e vice-versa. Ou seja, a mudan\u00e7a\u00a0\u00e9\u00a0caracter\u00edstica intr\u00ednseca da mat\u00e9ria, fazendo parte de sua natureza.\u00a0Conway\u00a0defende o princ\u00edpio vitalista de que a mat\u00e9ria\u00a0\u00e9\u00a0vivente, n\u00e3o sendo, portanto, inerte. H\u00e1\u00a0v\u00e1rios argumentos em\u00a0Conway\u00a0que interessam para a\u00a0compreens\u00e3o da filosofia no come\u00e7o da modernidade. A caracteriza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria e sua rela\u00e7\u00e3o com o pensamento\u00a0\u00e9\u00a0um dos temas mais ricos para contextualiza\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de sua obra. Entretanto, nos deteremos aqui nos fundamentos iniciais do\u00a0<i>Principia<\/i><i>\u00a0<\/i>para\u00a0que, como uma primeira introdu\u00e7\u00e3o, seja poss\u00edvel estabelecer as bases de sua metaf\u00edsica. Vejamos, portanto, as defini\u00e7\u00f5es iniciais de\u00a0Conway: sua metaf\u00edsica da subst\u00e2ncia e a divis\u00e3o tripartite do ser como fundamento para o seu conceito de indiv\u00edduo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A metaf\u00edsica de Anne\u00a0Conway, expressa em seu\u00a0<i>Principia\u00a0<\/i><i>Philosophiae<\/i>,\u00a0\u00e9\u00a0estruturada\u00a0segundo um realismo moral de inspira\u00e7\u00e3o neoplat\u00f4nica (Hutton\u00a02004). Ou seja, a totalidade do que existe\u00a0\u00e9\u00a0dividida em tr\u00eas grupos distintos de seres: as esp\u00e9cies inferiores, as esp\u00e9cies mediadoras e as esp\u00e9cies superiores. Tal divis\u00e3o tripartite do ser no interior da natureza se segue da defini\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncia que\u00a0\u00e9, por sua vez,\u00a0\u00fanica e, ao mesmo tempo, mut\u00e1vel segundo a hierarquia de perfei\u00e7\u00e3o\u00a0de seus seres. No que\u00a0diz respeito a sua concep\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncia,\u00a0Conway\u00a0concebe um monismo\u00a0anti-cartesiano\u00a0e com uma aceita\u00e7\u00e3o ambivalente da teoria da subst\u00e2ncia de Espinosa.\u00a0Conway\u00a0procura mostrar, contra Espinosa, que apesar da natureza ser constitu\u00edda de uma s\u00f3\u00a0subst\u00e2ncia, Deus n\u00e3o participa dessa subst\u00e2ncia e nem a subst\u00e2ncia pode ser identificada com Deus. Ou seja,\u00a0Conway\u00a0argumenta que Deus e a subst\u00e2ncia n\u00e3o s\u00e3o id\u00eanticos, apesar de defender o monismo.\u00a0Conway\u00a0concebe um monismo no qual Deus age como causa transitiva\u00a0das criaturas e, portanto, n\u00e3o pode ser completamente identificado com a subst\u00e2ncia e nem pode ser considerado como uma subst\u00e2ncia separada.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A dificuldade que a tese de\u00a0Conway\u00a0enfrenta\u00a0\u00e9\u00a0a seguinte: ao conceber Deus como causa transitiva as criaturas, Deus\u00a0as causa\u00a0sem ser causado por elas. Mas se esse\u00a0\u00e9\u00a0o caso, ent\u00e3o as criaturas s\u00e3o exteriores a Deus e Deus deveria ser considerado uma subst\u00e2ncia separada. Para solucionar esse problema,\u00a0Conway\u00a0precisa conceber a subst\u00e2ncia de modo que ela n\u00e3o seja completamente exterior a Deus. Portanto,\u00a0Conway\u00a0concebe a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e a subst\u00e2ncia de modo tal que eles compartilham propriedades. Deus tem certos atributos que, ao agir como causa, esses atributos passam para os efeitos.\u00a0Estes efeitos, no entanto, n\u00e3o\u00a0se mant\u00e9m\u00a0em Deus, mas por compartilhar propriedades, devem ser considerados, sob certo sentido, em unidade com a divindade. Com essa condi\u00e7\u00e3o,\u00a0Conway\u00a0ent\u00e3o defende que Deus e subst\u00e2ncia possuem uma certa\u00a0unidade\u00a0mas n\u00e3o s\u00e3o completamente id\u00eanticos. As caracter\u00edsticas compartilhadas, segundo\u00a0Conway, s\u00e3o o esp\u00edrito e a bondade. O esp\u00edrito\u00a0\u00e9\u00a0o atributo atrav\u00e9s do qual a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e a subst\u00e2ncia\u00a0\u00e9\u00a0explicada. J\u00e1\u00a0o atributo da bondade, tem a fun\u00e7\u00e3o operativa de justificar a estrutura ontol\u00f3gica no\u00a0interior da natureza. Apesar de Deus ser um agente livre e sua exist\u00eancia ser necess\u00e1ria, a vontade do ente perfeito n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0indiferente, mas guiada pela bondade (Conway\u00a01996 p.16).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Conway\u00a0oferece\u00a0tr\u00eas\u00a0conceitos\u00a0para explicar a\u00a0rela\u00e7\u00e3o\u00a0entre Deus e a subst\u00e2ncia:\u00a0o da\u00a0vontade,\u00a0o da\u00a0luz e\u00a0o de\u00a0vida.\u00a0O conceito de luz, inspirado na Cabala, ajuda na constru\u00e7\u00e3o do argumento da uni\u00e3o parcial entre Deus e a subst\u00e2ncia. Este conceito, diferente dos outros dois por ser metaf\u00f3rico, n\u00e3o permite uma explica\u00e7\u00e3o exaustiva\u00a0e n\u00e3o dissolve os paradoxos metaf\u00edsicos com os quais\u00a0Conway\u00a0se depara, mas ilustra o argumento e nos permite elencar os problemas que ainda precisam ser tratados e estudados com mais detalhes. No primeiro cap\u00edtulo do\u00a0<i>Principia<\/i>,\u00a0Conway\u00a0concebe Deus como\u00a0\u201c\u00a0a\u00a0mais intensa e infinita luz\u201d\u00a0(Conway\u00a01996, p.10). Pela intensidade de sua luz e\u00a0atrav\u00e9s de um ato de benevol\u00eancia\u00a0\u201cpara o benef\u00edcio das criaturas (a fim de que houvesse espa\u00e7o para elas), ele diminuiu o grau m\u00e1ximo de sua luz intensa\u201d. Atrav\u00e9s deste ato, um lugar se abriu, onde foi poss\u00edvel o surgimento de v\u00e1rios mundos. A met\u00e1fora procura ilustrar que Deus e a subst\u00e2ncia (e nela, a multiplicidade de criaturas) podem ser vistas como sendo um\u00a0\u00fanico espectro de luz, onde Deus\u00a0\u00e9\u00a0o grau mais intenso do espectro e as criaturas s\u00e3o a parte mais fraca do espectro. Ou seja, as criaturas se misturam com as sombras (a aus\u00eancia de luz) e Deus\u00a0\u00e9\u00a0o espa\u00e7o mais luminoso do espectro; mas tanto\u00a0criaturas quanto criador\u00a0fazem parte do mesmo feixe de luz. Com esta met\u00e1fora,\u00a0Conway\u00a0procura mostrar a continuidade entre Deus e subst\u00e2ncia de modo que sua metaf\u00edsica n\u00e3o leve ao dualismo. Para\u00a0Conway, portanto, h\u00e1\u00a0uma\u00a0\u00fanica subst\u00e2ncia com os atributos mat\u00e9ria e esp\u00edrito, mas criada por um deus transcendente. A mat\u00e9ria, para\u00a0Conway\u00a0\u00e9\u00a0a forma do esp\u00edrito quando sua luz fica escassa. J\u00e1\u00a0o esp\u00edrito\u00a0\u00e9\u00a0a parte com mais intensidade no espectro de luz. Assim, Deus e subst\u00e2ncia partilham o mesmo atributo: o esp\u00edrito, ilustrado por ela com a met\u00e1fora da luz.\u00a0Conway\u00a0ilustra a rela\u00e7\u00e3o entre\u00a0Deus e subst\u00e2ncia com a met\u00e1fora da luz e o esp\u00edrito como atributo partilhado.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Al\u00e9m disso, a\u00a0metaf\u00edsica de\u00a0Conway\u00a0\u00e9\u00a0fundada em valores que, como primitivos\u00a0metaf\u00edsicos, determinam a hierarquia dos seres.\u00a0Ou seja, ao estabelecer que o mais alto grau de\u00a0perfei\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0o fim para o qual tendem todas as criaturas, ela consegue,\u00a0a partir de uma\u00a0vis\u00e3o\u00a0teleol\u00f3gica,\u00a0estruturar e definir tr\u00eas tipos de movimento: (1) a in\u00e9rcia, representada pela aus\u00eancia completa de movimento, (2) o movimento em dire\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0\u00a0perfei\u00e7\u00e3o,\u00a0(3) o movimento que pode ir em dire\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0\u00a0perfei\u00e7\u00e3o ou para longe dela. Estes tr\u00eas movimentos, que cumprem um papel mais geral de serem princ\u00edpios de transforma\u00e7\u00e3o da realidade, funcionam como crit\u00e9rios de distin\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas tipos de ser: o ser da\u00a0esp\u00e9cie superior, o ser da esp\u00e9cie mediadora e os seres inferiores. Com essa divis\u00e3o,\u00a0Conway\u00a0justifica o movimento no interior da subst\u00e2ncia. Estas distin\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m deixam claro que a metaf\u00edsica de\u00a0Conway\u00a0carrega influ\u00eancias neoplat\u00f4nicas.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">A teoria da individua\u00e7\u00e3o de\u00a0Conway, por sua vez,\u00a0\u00e9\u00a0t\u00e3o radical quanto\u00a0contra-intuitiva. Dado que os indiv\u00edduos da esp\u00e9cie inferior s\u00e3o partes da subst\u00e2ncia\u00a0\u00fanica, e dado que os indiv\u00edduos s\u00e3o parte de um mesmo n\u00edvel hier\u00e1rquico, ent\u00e3o os indiv\u00edduos podem transformar-se\u00a0uns nos outros sem que isso implique em uma mudan\u00e7a na subst\u00e2ncia. Os seres da esp\u00e9cie inferior podem transformar-se em outros de acordo com sua capacidade de desenvolver sua perfei\u00e7\u00e3o.\u00a0Conway, como afirma\u00a0Duran (1989), concebeu uma teoria que permite a continuidade entre os seres humanos e outras criaturas n\u00e3o-vivas:\u00a0\u201cn\u00e3o h\u00e1\u00a0linha demarcat\u00f3ria clara para\u00a0Conway\u00a0ente o humano e o n\u00e3o-humano, o vivente e o n\u00e3o-vivente. (\u2026) Ela defende que, por grada\u00e7\u00f5es, um humano pode se transformar em uma mosca\u201d\u00a0(Duran, 1989, p.69). Nesse contexto da individua\u00e7\u00e3o, o processo de transforma\u00e7\u00e3o e de mudan\u00e7a\u00a0\u00e9\u00a0anterior as ess\u00eancias e a institui\u00e7\u00e3o de um ser individual. Ou seja, os indiv\u00edduos s\u00e3o caracterizados por transforma\u00e7\u00f5es que variam de acordo com sua capacidade\u00a0de a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1\u00a0um crit\u00e9rio de identidade individual que seja anterior ao estado das transforma\u00e7\u00f5es atuais de um indiv\u00edduo. Al\u00e9m disso, essas transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3\u00a0s\u00e3o poss\u00edveis porque os indiv\u00edduos fazem parte de uma s\u00f3\u00a0subst\u00e2ncia e porque s\u00e3o constitu\u00eddos de uma pluralidade de corpos.\u00a0Conway\u00a0concebe a tese de que as criaturas podem modificar-se e transformar-se umas nas outras. Esse argumento da transmuta\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma alternativa &#8211; ainda que\u00a0contra-intuitiva\u00a0&#8211;\u00a0\u00e0s dificuldades decorrentes dos crit\u00e9rios de identidade na individua\u00e7\u00e3o no contexto de uma metaf\u00edsica monistas. O argumento da transmuta\u00e7\u00e3o de\u00a0Conway\u00a0leva\u00a0\u00e0s\u00a0\u00faltimas consequ\u00eancias a tese de que os indiv\u00edduos s\u00e3o modifica\u00e7\u00f5es da subst\u00e2ncia\u00a0\u00fanica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">H\u00e1\u00a0muito o que ser pesquisado sobre a filosofia de\u00a0Conway\u00a0e sua rela\u00e7\u00e3o com os c\u00edrculos intelectuais do s\u00e9culo XVII.\u00a0Conway\u00a0\u00e9\u00a0uma das primeiras mulheres a publicar filosofia em l\u00edngua inglesa e, certamente, uma das primeiras a escrever sobre Espinosa. O resgate de seu breve tratado de metaf\u00edsica e tamb\u00e9m do conjunto de sua correspond\u00eancia traz uma compreens\u00e3o mais rica e justa dos debates filos\u00f3ficos do s\u00e9culo XVII. Esta narrativa sobre o come\u00e7o da modernidade em que Anne\u00a0Conway\u00a0aparece como protagonista nos permite tra\u00e7ar os argumentos\u00a0anti-mecanicistas, a\u00a0defesa do vitalismo, e as teses monistas do come\u00e7o da modernidade e capturar de modo mais preciso as discuss\u00f5es filos\u00f3ficas da\u00a0\u00e9poca. Uma revis\u00e3o da metaf\u00edsica produzida no XVII que ignore a contribui\u00e7\u00e3o de\u00a0Conway\u00a0\u00e9\u00a0uma revis\u00e3o certamente incompleta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">[Texto adaptado pela autora de seu cap\u00edtulo\u00a0\u201cO\u00a0<i>Principia\u00a0<\/i>de Anne\u00a0Conway: metaf\u00edsica\u00a0neoplat\u00f4nica no s\u00e9culo\u00a0XVII\u201d\u00a0presente em\u00a0<i>Vozes Femininas na Filosofia<\/i>\u00a0(org.) Schmidt, A.,\u00a0Secco, G. &amp;\u00a0Zanuzzi, I. ED. UFRGS. Porto Alegre: 2018).]\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559685&quot;:360,&quot;335559737&quot;:720,&quot;335559740&quot;:360,&quot;335559991&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Bibliografia<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Obra<\/b><b>s de\u00a0<\/b><b>Conway<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Tradu<\/b><b>\u00e7\u00e3<\/b><b>o para o Latim:<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"http:\/\/dev.cambridge-platonism.divinity.cam.ac.uk\/view\/texts\/diplomatic\/Conway1690\">http:\/\/dev.cambridge-platonism.divinity.cam.ac.uk\/view\/texts\/diplomatic\/Conway1690<\/a>\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Tradu<\/b><b>\u00e7\u00f5<\/b><b>es para o Ingl<\/b><b>\u00ea<\/b><b>s:\u00a0<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">CONWAY Anne.\u00a0(1992)\u00a0<i>The Conway Letters:\u00a0<\/i><i>the<\/i><i>\u00a0Correspondence of Anne,\u00a0<\/i><i>Viscountess<\/i><i>\u00a0Conway, Henry More and their Friends, 1642-1684<\/i>, ed. Marjorie Nicolson and Sarah Hutton. Oxford, Clarendon Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">CONWAY, Anne.\u00a0(1996)<i>\u00a0<\/i><i>The Principles of the Most Ancient and Modern Philosophy.\u00a0<\/i>Translated &amp; Edited by Allison P.\u00a0Coudert\u00a0&amp; Taylor Corse. Cambridge Texts in the History of Philosophy. Cambridge University Press.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">CONWAY, Anne.\u00a0(1998)\u00a0<i>The Principles of the Most Ancient and Mode<\/i><i>rn Philosophy.<\/i>\u00a0Edited and with an introduction by Peter\u00a0Loptson. Second Edition. Scholar&#8217;s facsimiles &amp; reprints.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Excertos<\/b><b>\u00a0<\/b><b>em<\/b><b>\u00a0<\/b><b>Ingl<\/b><b>\u00ea<\/b><b>s<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">ATHERTON, Margaret\u00a0(ed.)\u00a0(1994). Women Philosophers of the Early Modern Period.\u00a0Indianapolis:\u00a0Hackett\u00a0Publishing\u00a0Company.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Tradu<\/b><b>\u00e7\u00e3<\/b><b>o para o Portugu<\/b><b>\u00ea<\/b><b>s<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">CONWAY, Anne.\u00a0(2010)\u00a0<i>Os Princ<\/i><i>\u00ed<\/i><i>p<\/i><i>ios da Filosofia Mais Antiga e Moderna<\/i>. tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0Maria\u00a0Leonor\u00a0Telles. Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Tradu<\/b><b>\u00e7\u00e3<\/b><b>o para o Espanhol<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">ORIO\u00a0de MIGUEL, Bernardino\u00a0(ed.)\u00a0(2004).\u00a0<i>La Filosofi<\/i><i>\u00e1\u00a0<\/i><i>de Lady Anne\u00a0<\/i><i>Conway<\/i><i>,\u00a0<\/i><i>un<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Proto-Leibniz<\/i><i>:\u00a0<\/i><i>\u201c<\/i><i>Principia<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Philosophiae<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Antiquissimae<\/i><i>\u00a0et\u00a0<\/i><i>Recentissimae<\/i>. Valencia: Editorial de la UPV.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Literatura<\/b><b>\u00a0<\/b><b>Secund<\/b><b>\u00e1<\/b><b>ria<\/b><b>:\u00a0<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">BROAD, Jacqueline.\u00a0(2003)\u00a0<i>Women Philosophers of the Seventeenth Century<\/i>. Cambridge University Press.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">COLIE, Rosalie L.\u00a0(1963)\u00a0\u2018Spinoza in England, 1665-1730\u2019.\u00a0In\u00a0<i>Proceedings of the American Philosophical Society<\/i>. Vol. 107, No.3 (Jun.), pp.183-219.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">COURDET, A.\u00a0\u00a0(1995)\u00a0<i>Leibniz and the Kabbalah.<\/i>\u00a0International Archives of the History of Ideas. Springer.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">DETLEFSEN, Karen.\u00a0(2018)\u00a0\u2018Cavendish and Conway on the Individual Human Mind\u2019.\u00a0In\u00a0<i>Philosophy of Mind in the Early Modern and Modern Ages.\u00a0<\/i>Edited by Rebecca Copenhaver. Routledge.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">DURAN, Jane.\u00a0(1989)\u00a0\u00a0\u201cAnne\u00a0Viscountess\u00a0Conway: A Seventeenth Century Rationalist\u201d\u00a0in\u00a0<i>Hy<\/i><i>patia.<\/i>\u00a04 (1) 64-79.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">EBBERSMEYER, Sabrina. (ed.)\u00a0(2012)\u00a0<i>Emotional Minds:\u00a0<\/i><i>the<\/i><i>\u00a0Passions and the Limits of Pure Inquiry in Early Modern Philosophy<\/i>. de Gruyter.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">FRANKEL,\u00a0Louis. (1991)\u00a0\u201cAnne Finch,\u00a0Viscountess\u00a0Conway\u201d\u00a0In.\u00a0<i>A History of Women Philosophers: Modern W<\/i><i>omen Philosophers, 1600-1900<\/i>. Ed. Mary Ellen\u00a0Waithe. Boston: Kluwer Academic Publishers.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">HAGENGRUBER,\u00a0Ruth.\u00a0(2015)\u00a0\u201cCutting through the Veil of Ignorance: Rewriting the History of Philosophy\u201d.\u00a0<i>The Monist<\/i>, 98 (1): 34-42.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">HUTTON, Sarah.\u00a0(2004)<i>\u00a0Anne Conway<\/i><i>\u00a0A Woman Philosopher.\u00a0<\/i>Cambridge University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">________. (1984)\u00a0\u2018Reason and Revelation in the Cambridge Platonists, and the Reception of Spinoza&#8217;. In\u00a0Gr\u00fcnder\u00a0&amp;\u00a0Schmidt-Biggemann\u00a0(ed.)\u00a0<i>Spinoza in der\u00a0<\/i><i>Fr<\/i><i>\u00fc<\/i><i>hzeit<\/i><i>\u00a0Seiner\u00a0<\/i><i>Religi<\/i><i>\u00f6<\/i><i>sen<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Wirkung<\/i>. Verlag.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">LASCANO,\u00a0Marcy P.\u00a0(2013)\u00a0\u201cAnne Conway: Bodies in the Spiritual World\u201d.\u00a0<i>Philosophy Compas<\/i>s 8 (4): 327-336.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">LEECH, David.\u00a0(2018)\u00a0\u201cSome Reflections of the Category\u00a0\u2018Cambridge Platonism\u2019\u201d.\u00a0In:\u00a0<i>The Cambridge\u00a0<\/i><i>Platonist<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Research<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Group<\/i>\u00a0(<a href=\"http:\/\/cprg.hypotheses.org\/517\">http:\/\/cprg.hypotheses.org\/517<\/a>), publicado em 29 de dezembro de 2017 e acessado em 7 de Fevereiro de 2018.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">McROBERT,\u00a0Jennifer.\u00a0(2000)\u00a0\u201cAnne Conway\u2019s Vitalism and Her Critique of Descartes\u201d.\u00a0In<i>\u00a0International Philosophi<\/i><i>cal Quarterly<\/i>\u00a040 (1) :\u00a021-35.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">______.\u00a0(2000a)\u00a0\u2018Anne Conway\u2019s Vitalism and her Critique of Descartes\u2019\u00a0in\u00a0<i>International Philosophical Quarterly<\/i>, 40 (1): 21-35.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">MERCER,\u00a0Christia.\u00a0(2012)\u00a0\u201cKnowledge and Suffering in Early Modern Philosophy:\u00a0G.W.Leibniz\u00a0and Anne Conway\u201d. In\u00a0Ebbersmeyer, Sabrina. (ed.)\u00a0<i>Emotional Minds:\u00a0<\/i><i>the<\/i><i>\u00a0Passions and the Limits of Pure Inquiry in Early Modern Philosophy<\/i>. de Gruyter.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">MERNCHANT, Carolyn.\u00a0(1979)\u00a0\u201cThe Vitalism of Anne Conway: its impact on Leibniz\u2019s concept of the monad\u201d.\u00a0<i>Journal of the History of Philosophy<\/i>. Volume 17, Number 3, July,\u00a0pp. 255-269.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">O&#8217;NEIL,\u00a0Eileen.\u00a0(1998)\u00a0\u201cDisappearing Ink. Early Modern Women Philosophers and their Fate in History\u201d. In J.A.\u00a0Kourany\u00a0(ed.)\u00a0<i>Philosophy<\/i><i>\u00a0in a\u00a0<\/i><i>Feminist<\/i><i>\u00a0Voice: Critiques and Reconstructions<\/i>, Princeton: Princeton University Press.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">POPKIN, Richard.\u00a0(1991)\u00a0<i>The Third Force in Seventeenth Century Thought<\/i>. Brill.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">POPKIN, Richard.\u00a0(1990)\u00a0\u2018The Spiritualistic\u00a0Cosmologies of Henry More and Anne Conway\u2019.\u00a0In S.\u00a0Hutton\u00a0(ed.),\u00a0<i>Henry More (1614-1687): Tercentenary Studies<\/i>, Dordrecht: Kluwer\u00a0pp. 98\u2013113.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">POPKIN, Richard.\u00a0(1984)\u00a0\u2018Spinoza\u2019s Relations with the Quakers in Amsterdam\u2019.<i>\u00a0<\/i><i>Quaker History<\/i>\u00a0Vol.73 (Spring), pp.14-28.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">PUGLIESE, Nastassja.\u00a0(2018)\u00a0\u201cO\u00a0<i>Principia\u00a0<\/i>de Anne\u00a0Conway: metaf\u00edsica\u00a0neoplat\u00f4nica no s\u00e9culo\u00a0XVII\u201d\u00a0em\u00a0<i>Vozes Femininas na Filosofia<\/i>\u00a0(org.) Schmidt, A.,\u00a0Secco, G. &amp;\u00a0Zanuzzi, I. ED. UFRGS.\u00a0Porto Alegre.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">PUGLIESE, Nastassja.\u00a0(2019)\u00a0\u201cMonism and Individuation in Anne Conway as a critique of Spinoza\u201d. In\u00a0<i>British Journal for the History of Philosophy.\u00a0<\/i><i>Special Issue<\/i><i>: Women Philosophers in Ear<\/i><i>ly Modern Philosophy<\/i>. guest Editors Ruth\u00a0Hagengruber\u00a0and Sarah Hutton. Volume 27, Number 4 (July) 771-785.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">THOMAS, Emily.\u00a0(2017)\u00a0\u2018Time, space, and process in Anne Conway\u2019.\u00a0<i>British Journal for the History of Philosophy<\/i>: 1-21.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">VIENNE\u00a0Y.\u00a0(1997)\u00a0\u201cIntroduction\u201d.\u00a0In\u00a0<i>The<\/i><i>\u00a0Cambridge Platonists in Philosophical Context. Politics, Metaphysics and Religion.<\/i>\u00a0Ed by G.A. Rogers, J. M. Vienne, Y.C.\u00a0Zarka, International Archives of the History of Philosophy.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\" data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><b>Outros materiais:\u00a0<\/b>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">V\u00eddeo da apresenta\u00e7\u00e3o de Nastassja\u00a0Pugliese\u00a0no\u00a0Dutch\u00a0Seminar\u00a0&#8211;\u00a0<i>E<\/i><i>arly<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Modern<\/i><i>\u00a0<\/i><i>Philosophy<\/i>\u00a0em 2018:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QZv36_2Xs80&amp;list=PLGs_mpVpZS7uD-PidbghgSB_m5pkKEsuf&amp;index=9&amp;t=0s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QZv36_2Xs80&amp;list=PLGs_mpVpZS7uD-PidbghgSB_m5pkKEsuf&amp;index=9&amp;t=0s<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><i>Project Vox<\/i>\u00a0sobre\u00a0Conway:\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/projectvox.org\/conway-1631-1679\/\">https:\/\/projectvox.org\/conway-1631-1679\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Verbete\u00a0da\u00a0<i>Stanford Encyclopedia of Philosophy<\/i>\u00a0escrito\u00a0por Sarah Hutton:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/conway\/\">https:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/conway\/<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\">Na\u00a0<i>Encyclopedia of Concise Concepts<\/i>\u00a0do\u00a0<i>Center for the History of Women Philosophers and Scientists<\/i>\u00a0h\u00e1\u00a0tr\u00eas\u00a0verbetes\u00a0sobre\u00a0Conway:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Helvetica\"><a href=\"https:\/\/historyofwomenphilosophers.org\/ecc\/#hwps\">https:\/\/historyofwomenphilosophers.org\/ecc\/#hwps<\/a>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span data-ccp-props=\"{&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559740&quot;:360}\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1631 &#8211; 1679) Por Nastassja Pugliese Professora adjunta da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e membro do PPGLM do\u00a0Departamento de Filosofia da<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-59","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/59","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/59\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2083,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/59\/revisions\/2083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}