{"id":642,"date":"2020-10-13T19:47:13","date_gmt":"2020-10-13T22:47:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=642"},"modified":"2022-04-25T18:13:21","modified_gmt":"2022-04-25T21:13:21","slug":"elisabeth-da-bohemia-epistolografia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/elisabeth-da-bohemia-epistolografia\/","title":{"rendered":"Elisabeth da Bohemia: epistolografia e escrita de fil\u00f3sofas mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Carmel da Silva Ramos, Doutoranda do PPGLM\/UFRJ &#8211; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4539225812576986\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lattes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-747\" style=\"width: NaNpx\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/11\/Verbete-Epistolografia.pdf\" alt=\"\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/11\/Verbete-Epistolografia.pdf\">PDF &#8211; Elisabeth da Bohemia: epistolografia<\/a><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"358\" height=\"491\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-662\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/image-1.png 358w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/image-1-219x300.png 219w\" sizes=\"(max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><figcaption>Mulher escrevendo uma carta (c. 1655), por Gerard ter Borch <br>(1617-1681). \u00d3leo sobre painel, 39,.0 x 29.5 cm, Royal Picture <br>Gallery Mauritshuis, Haia.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabe-se que a pintura holandesa do s\u00e9culo XVII possu\u00eda particular predile\u00e7\u00e3o pela representa\u00e7\u00e3o de cenas de interiores. Neste contexto, artistas como Gerard ter Borch (1617\u20131681) e Johannes Vermeer (1632\u20131675) se aprofundaram em retratar personagens femininas: ora desempenhando tarefas dom\u00e9sticas, ora praticando algum instrumento musical, ora, enfim, lendo e escrevendo cartas (Sutton, 2003). A pr\u00e1tica da troca epistolar era uma ocupa\u00e7\u00e3o comum da mulher letrada e, naturalmente, abastada, daquele per\u00edodo hist\u00f3rico e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica espec\u00edfica. Ainda sem poder frequentar a universidade, estas mulheres faziam da correspond\u00eancia seu ambiente de forma\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia: longe dos olhos do mundo, poderiam se fixar naquilo que a carta cont\u00e9m de privado, subvertendo o prop\u00f3sito protocolar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de um g\u00eanero textual em que pudessem dedicar-se livremente \u00e0 reflex\u00e3o filos\u00f3fica (Warren, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste verbete, nos concentraremos na correspond\u00eancia de Elisabeth Simmern van Pallandt (1618\u20131680), tamb\u00e9m conhecida como Elisabeth da Bo\u00eamia, de modo a deduzir algumas hip\u00f3teses referentes \u00e0 carta enquanto forma textual, \u00e0 perspectiva de g\u00eanero a ela inerente e, enfim, a algumas quest\u00f5es metodol\u00f3gicas quanto \u00e0 assun\u00e7\u00e3o de um c\u00e2none e seus operadores de sustenta\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da filosofia. Trata-se de uma correspond\u00eancia que se estende entre os anos de 1643 e 1649 e que tem como interlocutor o fil\u00f3sofo franc\u00eas Ren\u00e9 Descartes (1596\u20131650). Inicialmente motivada pela quest\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o entre a alma e o corpo, o debate \u00e9 rapidamente ampliado para temas relativos \u00e0 moral, \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0 medicina, preenchendo um total de 59 cartas. Originalmente confeccionadas em franc\u00eas, dispomos de uma tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas preparada por In\u00eas Cardoso e Paulo de Jesus e publicada em 2001 pela Celta Editora (ver bibliografia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A carta no s\u00e9culo XVII<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A carta goza, no s\u00e9culo XVII europeu, de um status duplo: ao mesmo tempo que sua confec\u00e7\u00e3o \u00e9 privada, tendo lugar num ambiente dom\u00e9stico, sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9, quando associada \u00e0 filosofia e ao debate intelectual em geral, p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim pode ser classificada, por exemplo, a carta que Galileu Galilei dirige \u00e0 Senhora Cristina de Lorena em 1615 (Galilei, 2009): trata-se de uma longa defesa da possibilidade de compatibiliza\u00e7\u00e3o do sistema copernicano com passagens sens\u00edveis da B\u00edblia que, segundo ele, n\u00e3o admitem sem contradi\u00e7\u00e3o a hip\u00f3tese ptolomaica tradicionalmente aceita. Neste caso, a carta tencionava interferir diretamente nas querelas teol\u00f3gicas as quais Galileu se viu, por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es que escapam \u00e0 pol\u00eamica estritamente filos\u00f3fica (Moss, 1983), integrante. Em 1641, as Medita\u00e7\u00f5es de Ren\u00e9 Descartes s\u00e3o publicadas com um conjunto de sete Obje\u00e7\u00f5es &amp; Respostas anexas, nas quais fil\u00f3sofos, te\u00f3logos e f\u00edsicos da \u00e9poca reagiam \u00e0s teses cartesianas e o pr\u00f3prio autor as respondia em sequ\u00eancia. Este conjunto textual, pensado como complemento necess\u00e1rio ao tratado meditativo, \u00e9 organizado epistolarmente, refletindo o modo como a comunica\u00e7\u00e3o escrita se configurava no per\u00edodo. Os dois exemplos bastam para que possamos inferir a legitimidade da forma epistolar para a discuss\u00e3o filos\u00f3fica e, na mesma medida, para que possamos captar sua orienta\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Que a carta seja um g\u00eanero filos\u00f3fico autorizado \u00e9 confirmado, al\u00e9m disso, por um fator quantitativo: aquele que deseja ter acesso ao pensamento de autores cl\u00e1ssicos dos seiscentos, tais como Leibniz e o pr\u00f3prio Descartes, ter\u00e3o de se haver com os diversos tomos preenchidos por correspond\u00eancias que ocupam as edi\u00e7\u00f5es de suas obras completas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A carta permite, al\u00e9m disso, que assuntos cotidianos e biogr\u00e1ficos sejam inseridos em grau de igualdade com a discuss\u00e3o filos\u00f3fica, forjando um estilo em que teoria e pr\u00e1tica se fundem. Ao mesmo tempo que est\u00e1 apta a abrigar discuss\u00f5es de ordem teol\u00f3gica, a carta pode fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre o estado de sa\u00fade de um indiv\u00edduo, suas atividades pol\u00edticas, sua genealogia familiar ou mesmo suas paix\u00f5es secretas: quer dizer, pode abordar a vida humana. Segundo Pierre-Fran\u00e7ois Moreau (Moreau, 1994, p.380), a idade cl\u00e1ssica reconhece ao menos tr\u00eas maneiras distintas de tematizar a vida humana, a saber, a biografia do her\u00f3i, que tem em Plutarco seu propulsor e que se caracteriza por tomar um homem emp\u00edrico \u2013 Alexandre, Mois\u00e9s, An\u00edbal \u2013 como centro da vida; o caractere, iniciado por Teofrasto e desenvolvido no s\u00e9culo XVII por La Bruy\u00e8re, em que um indiv\u00edduo \u00e9 abstra\u00eddo de suas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas para sintetizar um modelo moral fundado numa paix\u00e3o fundamental e, por fim, o tratamento en physicien (AT XII, 326) das paix\u00f5es, cuja refer\u00eancia mais long\u00ednqua talvez seja Arist\u00f3teles, mas que tem em Descartes, Hobbes e Spinoza suas vers\u00f5es modernas, que procura descrever os movimentos an\u00edmicos e corporais que encaminham \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma paix\u00e3o em si mesma, sem recurso a sua performance num personagem ou modelo ideal. \u00c9 necess\u00e1rio se perguntar em qual destas tr\u00eas abordagens a carta se inscreve, e talvez possamos dizer, sobretudo considerando o exemplo concreto que analisaremos em seguida, que a carta \u00e9 capaz de acomodar as tr\u00eas vias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00edntima conex\u00e3o discursiva entre a carta e o tratamento de temas existenciais ser\u00e1, inclusive, retomada pela literatura do s\u00e9culo XVIII: o romance epistolar richardsoniano, segundo Diderot em seu Elogio de Richardson, produz uma esp\u00e9cie de modelo de natureza humana para que o leitor, sensibilizado pelo retrato ali desenvolvido, possa imit\u00e1-lo a fim de tornar-se similarmente virtuoso. Ainda segundo Diderot, antes de Richardson, a forma romanesca relatava t\u00e3o somente um \u201ctecido de acontecimentos quim\u00e9ricos e fr\u00edvolos, cuja leitura era perigosa para o gosto e para os costumes\u201d (Diderot, 1791): est\u00e1 posto, assim, o entrela\u00e7amento entre est\u00e9tica e moral. A carta \u00e9, afinal de contas, um retrato da alma: topos antigo que ecoa em As liga\u00e7\u00f5es perigosas, outro romance epistolar, de Chordelos de Laclos (Laclos, 2012, p. 427). Na linha de desenvolvimento hist\u00f3rico que n\u00e3o separa filosofia e literatura, a carta certamente representa um passo importante e talvez essencial para a conquista da forma do romance tal como conhecemos hoje (Watt, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A correspond\u00eancia de Elisabeth<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A converg\u00eancia das perspectivas p\u00fablica e privada, bem como a particular dimens\u00e3o moral da correspond\u00eancia, se exprimem de modo exemplar no caso das mulheres fil\u00f3sofas: complementados, \u00e9 certo, pela perspectiva de g\u00eanero. Para demonstr\u00e1-lo, seguiremos o caso particular da correspond\u00eancia de Elisabeth da Bo\u00eamia com Ren\u00e9 Descartes \u2013 um denso di\u00e1logo que se estende entre os anos de 1643 a 1649.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra que Elisabeth nos transmitiu \u00e9 uma esp\u00e9cie de tratado polif\u00f4nico (Versini, 1979), escrito a quatro m\u00e3os, em que ela e Descartes discursam sobre temas relativos \u00e0 vida humana. N\u00e3o por acaso, seu di\u00e1logo \u00e9 iniciado justamente com uma obje\u00e7\u00e3o de Elisabeth quanto \u00e0 possibilidade de intera\u00e7\u00e3o entre a alma e o corpo (Cardoso, 2001, p.29). Se Descartes descreve, nas Medita\u00e7\u00f5es, duas subst\u00e2ncias n\u00e3o apenas distintas, mas tamb\u00e9m contr\u00e1rias, uma cujo atributo principal \u00e9 o pensamento e outra a extens\u00e3o, como \u00e9 poss\u00edvel supor que haja algo como o movimento volunt\u00e1rio, quer dizer, uma determina\u00e7\u00e3o direta da alma sobre o corpo? Como pode ser que haja rela\u00e7\u00e3o causal sem um m\u00ednimo de comunidade de ess\u00eancias? Este primeiro t\u00f3pico discutido na correspond\u00eancia nos informa quanto ao conjunto de temas que ser\u00e3o recorrentemente ali esmiu\u00e7ados: dizem respeito, quanto ao conte\u00fado, ao que pode ser remetido n\u00e3o apenas \u00e0 alma ou ao corpo separadamente, mas \u00e0 sua uni\u00e3o. A partir da teoria cartesiana das no\u00e7\u00f5es primitivas, a mesma hip\u00f3tese pode ser aplicada para pensar a natureza da forma textual de seu di\u00e1logo. Os elementos relativos \u00e0 no\u00e7\u00e3o primitiva de uni\u00e3o s\u00f3 podem ser compreendidos abstendo-se de meditar e de conhecer, apostando no horizonte da \u201cvida e das conversa\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias\u201d (Cardoso, 2001, p. 37). Ora, o que s\u00e3o as cartas sen\u00e3o um registro das viv\u00eancias individuais, promovido enquanto conversa\u00e7\u00e3o entre dois indiv\u00edduos? H\u00e1, portanto, um encontro entre a forma da carta e o conte\u00fado da discuss\u00e3o ali travada particularmente digno de nota, e que poderia explicar, por exemplo, a aus\u00eancia de um exame mais acurado dos temas pr\u00e1ticos nas demais obras cartesianas que n\u00e3o adotam o estilo epistolar. Pode ser que a forma textual mais compat\u00edvel com os temas existenciais n\u00e3o seja a de um tratado filos\u00f3fico formal: para tanto, a carta parece ser um ambiente discursivo mais produtivo (Ramos, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dimens\u00e3o da vida, tanto na forma quanto no conte\u00fado, ser\u00e1 complementada por um tom m\u00e9dico, curiosamente j\u00e1 presente tamb\u00e9m na primeira carta de Elisabeth a Descartes. Ao fim da carta de 6\/16 de maio de 1643, Elisabeth classifica Descartes como \u201co melhor m\u00e9dico para a minha alma\u201d (Cardoso, 2001, p. 30). N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender o estado melanc\u00f3lico em que ela se encontra: exilada na Holanda, sua fam\u00edlia vive um per\u00edodo de extrema instabilidade econ\u00f4mica, o que a for\u00e7a a desempenhar fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas mediadoras, por exemplo, para tentar retirar seu irm\u00e3o da pris\u00e3o (Shapiro, 2007, p. 13.). Estes \u201cinimigos dom\u00e9sticos\u201d (Cardoso, 2001, p. 61) a fazem, inclusive, experimentar uma s\u00e9rie de indisposi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. V\u00edtima de uma tosse seca e de uma febre lenta, sua fr\u00e1gil constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica contrasta com o vigor de suas capacidades intelectuais. Atuando como um m\u00e9dico informal de Elisabeth \u2013 e pode ser que o registro da informalidade seja aqui o mais adequado, tanto no que se refere \u00e0 compreens\u00e3o da medicina no cartesianismo quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perspectiva engendrada pela carta (Ramos, 2017) \u2013, Descartes desenvolver\u00e1 uma patologia e uma terap\u00eautica de seu caso. Embora a melancolia seja associada, nos demais textos de Descartes, \u00e0 extrema insensibilidade e inconsci\u00eancia da uni\u00e3o da alma com o corpo (Darriulat, 1996), no caso de Elisabeth ela parece se inscrever no quadro de uma tristeza profunda, que consiste na representa\u00e7\u00e3o constante de imagens desagrad\u00e1veis ao esp\u00edrito (Ramos, 2017, p. 109.). Para dela se recuperar, Descartes insiste numa s\u00e9rie de rem\u00e9dios ora dirigidos ao corpo, ora \u00e0 alma. Os rem\u00e9dios corporais apoiam-se na manuten\u00e7\u00e3o de uma dieta regulada, na pr\u00e1tica de exerc\u00edcios, nos banhos nas \u00e1guas medicinais e at\u00e9 mesmo no uso da t\u00e9cnica da sangria. Os an\u00edmicos, considerados mais eficazes, consistem na persuas\u00e3o da arquitetura inerentemente saud\u00e1vel do corpo humano, o emprego resoluto da virtude e a busca pela contempla\u00e7\u00e3o de imagens e eventos agrad\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00e9tica quanto \u00e0 efic\u00e1cia desses rem\u00e9dios, Elisabeth prefere, em contrapartida, o poder terap\u00eautico da escrita das cartas e do exerc\u00edcio filos\u00f3fico que dela obt\u00e9m. Em 22 de junho de 1645, ela classifica a leitura e escrita de cartas para Descartes como um \u201cant\u00eddoto para a melancolia\u201d (Cardoso, 2001, p. 64.). Neste aspecto, o recurso \u00e0 imagem hist\u00f3rica do melanc\u00f3lico pode nos encaminhar a conclus\u00f5es inesperadas. No problema XXX atribu\u00eddo a Arist\u00f3teles (Arist\u00f3teles, 1998) e nas cartas de pseudo-Hip\u00f3crates acerca de Dem\u00f3crito (Hip\u00f3crates, 2011), o melanc\u00f3lico \u00e9 tomado como um indiv\u00edduo de exce\u00e7\u00e3o, que normalmente manifesta habilidades art\u00edsticas, pol\u00edticas e filos\u00f3ficas. A escrita como terap\u00eautica antimelanc\u00f3lica \u00e9 um motivo que surge, tamb\u00e9m no s\u00e9culo XVII, no best-seller A anatomia da melancolia de Robert Burton (Burton, 2011-2013). No Pref\u00e1cio deste texto, assinado como Dem\u00f3crito J\u00fanior, Burton n\u00e3o cessa de repetir sua condi\u00e7\u00e3o de melanc\u00f3lico que lan\u00e7a m\u00e3o da escrita como uma maneira de se desvencilhar de seu estado. H\u00e1 em Elisabeth, portanto, algo como uma expans\u00e3o da figura\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica do melanc\u00f3lico para incluir a mulher: indiv\u00edduo de exce\u00e7\u00e3o e que exerce a escrita e reflex\u00e3o filos\u00f3fica como cura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a morte de Descartes em 1650, Pierre Chanut \u2013 esp\u00e9cie de funcion\u00e1rio intermedi\u00e1rio da rainha Cristina da Su\u00e9cia \u2013 escreve para Elisabeth solicitando a publica\u00e7\u00e3o de sua correspond\u00eancia com Descartes. Embora n\u00e3o tenhamos a resposta de Elisabeth, a r\u00e9plica de Chanut nos faz crer em sua recusa. Soma-se a isso o fato de sua troca epistolar s\u00f3 ter efetivamente sido disseminada em 1879 por iniciativa de Foucher de Careil. Apesar dos esfor\u00e7os de Elisabeth para manter sua correspond\u00eancia oculta, o que se deduz, por exemplo, de sua insist\u00eancia para que seu interlocutor as mantenha \u201csem divulgar publicamente\u201d (Cardoso, 2001, p. 30) e, mais ainda, da proposta de criptograf\u00e1-las (Cardoso, 2001, p.124), Descartes envia \u00e0 Cristina, sem pedir permiss\u00e3o, uma c\u00f3pia de suas cartas com Elisabeth em torno do tema do soberano bem. Estas diferentes atitudes podem ser compreendidas a partir de variadas frentes: seja atentando para o conte\u00fado propriamente biogr\u00e1fico e terap\u00eautico das cartas, seja a partir da perspectiva de g\u00eanero, que condena esta mulher do s\u00e9culo XVII \u2013 e essa talvez seja uma quest\u00e3o para as mulheres de variados per\u00edodos hist\u00f3ricos \u2013 a uma invisibilidade e discri\u00e7\u00e3o no que tange \u00e0s suas compet\u00eancias intelectuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 certo que Elisabeth manifesta, ao longo dos quase sete anos de conversa, uma n\u00edtida consci\u00eancia de g\u00eanero. Ela confessa, em maio de 1645, ter um corpo \u201cimbu\u00eddo duma grande parte das fraquezas do meu sexo\u201d (Cardoso, 2001, p. 58); em junho do mesmo ano, se ressente da \u201cmaldi\u00e7\u00e3o de meu sexo\u201d (Cardoso, 2001, p. 64.), que a impede de fazer uma viagem a Egmond e, em dezembro de 1649, menciona com admira\u00e7\u00e3o a rainha Cristina da Su\u00e9cia \u2013 outra fil\u00f3sofa com quem Descartes se correspondeu e que, inclusive, encontrou pessoalmente \u2013, classificando-a como uma \u201cpessoa t\u00e3o acabada\u201d, que \u201clivrou o nosso sexo da imputa\u00e7\u00e3o de imbecilidade e de fraqueza que os Srs. pedantes lhe costumavam dar\u201d (Cardoso, 2001, p. 169.). Elisabeth se impressiona com a capacidade de Cristina para desempenhar, ao mesmo tempo, tarefas filos\u00f3ficas e pol\u00edticas: duas obriga\u00e7\u00f5es que ela mesma gostaria de poder executar com mais tempo e afinco. Ao longo de sua correspond\u00eancia com Descartes, a encontramos \u00e0s voltas com um desejo de instru\u00e7\u00e3o, constantemente impedido seja por sua posi\u00e7\u00e3o social enquanto mulher, seja pelas atividades pol\u00edticas que lhe cumprem exercer. A uma certa altura, queixa-se de ter sido interrompida sete vezes desde que se prestara a escrever sua carta a Descartes (Cardoso, 2001, p.91), al\u00e9m de revelar que \u201ca vida que sou obrigada a levar n\u00e3o me deixa tempo dispon\u00edvel suficiente para adquirir um h\u00e1bito de medita\u00e7\u00e3o segundo as vossas regras\u201d (Cardoso, 2001, p. 34.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este desejo por dedicar-se aos estudos \u00e9 confirmado por uma consulta a sua biografia: Elisabeth dominava uma diversidade de l\u00ednguas \u2013 grego, latim, franc\u00eas, alem\u00e3o e ingl\u00eas \u2013, conhecia matem\u00e1tica \u2013 parte de sua correspond\u00eancia com Descartes em 1643 \u00e9 dedicada \u00e0 discuss\u00e3o de um problema matem\u00e1tico \u2013, temas filos\u00f3ficos \u2013 com especial interesse pela vida humana e suas paix\u00f5es, como \u00e9 poss\u00edvel deduzir de sua correspond\u00eancia com outros interlocutores e do fato de aprovar a leitura conjunta com Descartes do De vita beata de S\u00eaneca \u2013 e pol\u00edtica \u2013 em 1646, delibera com Descartes a respeito de algumas m\u00e1ximas de O Pr\u00edncipe de Maquiavel. Apesar de ter recebido, em 1633, uma proposta de casamento do rei Wladislav da Pol\u00f4nia, Elisabeth jamais se casou, tampouco teve filhos, falecendo aos 61 anos em 1680 como abadessa de um convento luterano em Herford, do qual j\u00e1 era membro desde 1660. Podemos conjecturar se, como abadessa, Elisabeth finalmente recuperou o tempo que suas obriga\u00e7\u00f5es lhe roubaram. Seja como for, a inscri\u00e7\u00e3o em sua l\u00e1pide a celebrava em sua virtude e erudi\u00e7\u00e3o, ambas cultivadas \u201cpara al\u00e9m da condi\u00e7\u00e3o de seu sexo\u201d (Shapiro, 2007, p. 16).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A identidade cultural da mulher do s\u00e9culo XVII, definida segundo a pena masculina, envolve um elogio a caracter\u00edsticas como o sil\u00eancio, a paci\u00eancia, a discri\u00e7\u00e3o, a piedade, a mod\u00e9stia e a castidade: em suma, \u00e0 passividade contrastante com o dinamismo masculino (Keeble, 1994, p. 96.). Assim, apesar de atestado seu saber, s\u00e3o frequentes as senten\u00e7as de auto humilha\u00e7\u00e3o pronunciadas por Elisabeth: seus questionamentos s\u00e3o frequentemente introduzidos por pedidos de desculpas e pelo refor\u00e7o de sua ignor\u00e2ncia, estupidez e indocilidade (Cardoso, 2001, p. 29). Certamente estes recursos podem ser compreendidos tamb\u00e9m como artif\u00edcios de polidez \u2013 outro aspecto importante da correspond\u00eancia \u00e9 a busca por este distanciamento, articulado de modo curioso \u00e0s confiss\u00f5es existenciais \u2013, mas as mesmas senten\u00e7as podem ser reenviadas \u00e0 perspectiva de g\u00eanero, no que deixam transparecer a necessidade de manuten\u00e7\u00e3o da mod\u00e9stia e demais caracter\u00edsticas tidas como femininas. Al\u00e9m disso, Elisabeth procura se restringir \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de objetora e de aprendiz: no mais das vezes, colocando problemas ao inv\u00e9s de apresentando uma teoria de pr\u00f3prio punho. Pode ser que o respeito \u00e0s virtudes femininas a tenha impedido de lan\u00e7ar-se de modo mais aut\u00f4nomo ao confronto com Descartes, mas \u00e9 tamb\u00e9m verdade que, enquanto objetora, era incans\u00e1vel. Mesmo assim, o contexto de discuss\u00e3o n\u00e3o pode ser t\u00e3o facilmente reduzido a uma ocasi\u00e3o de silenciamento, o que pode ser explicado devido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas ali em marcha. Embora fosse mulher, Elisabeth era uma princesa, o que exigia, da parte de Descartes, um tratamento formalizado respectivamente a esta posi\u00e7\u00e3o. A conflu\u00eancia da posi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e de hierarquia social desloca a orienta\u00e7\u00e3o da conversa, que poderia se dar em termos verticalizados, mas que parece experimentar algum grau de horizontalidade (Ostrowiecki, 2016). Talvez seja forte dizer que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de igualdade no di\u00e1logo, mas h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de paridade que permitem a participa\u00e7\u00e3o ativa de Elisabeth e, em algum sentido, uma subvers\u00e3o das qualidades atribu\u00eddas \u00e0 mulher no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Questionamentos metodol\u00f3gicos e constru\u00e7\u00e3o do c\u00e2none<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a publica\u00e7\u00e3o, entre os anos de 1987 e 1995, dos quatro volumes que comp\u00f5em A History of Women Philosophers (Waithe, 1987-1995) \u2013 iniciativa coordenada por Mary E. Waithe \u2013, as possibilidades de leitura da hist\u00f3ria da filosofia foram expandidas. A compila\u00e7\u00e3o permitiu o acesso aos textos de in\u00fameras mulheres que outrora se situavam \u00e0 margem daquilo que se constituiu historicamente como o c\u00e2none filos\u00f3fico ocidental \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o composto por uma longa s\u00e9rie de figuras masculinas em disputa. Proporcionado o acesso aos textos, faltava, no entanto, acrescentar uma reflex\u00e3o metodol\u00f3gica: para incluir as vozes das mulheres, n\u00e3o bastava simplesmente anexar uma segunda pilha de livros \u00e0 anterior, entre outras raz\u00f5es devido \u00e0 particularidade de sua escrita e argumenta\u00e7\u00e3o (Hagengruber, 2015 e Shapiro, 2004). Era necess\u00e1rio questionar a estrutura mesma da tradi\u00e7\u00e3o tal como se apresentava, propondo uma reescritura do c\u00e2none. Segundo Hagengruber (2015), tra\u00e7ar uma hist\u00f3ria da filosofia sob a \u00f3tica feminina culmina mesmo na forma\u00e7\u00e3o de um c\u00e2none alternativo, a ser compreendido tanto como uma hist\u00f3ria de resist\u00eancia quanto de contribui\u00e7\u00f5es originais. As implica\u00e7\u00f5es de tal debate para o \u00e2mbito do ensino est\u00e3o sendo aos poucos incorporadas \u00e0 realidade pedag\u00f3gica da filosofia tal como desenvolvida no Brasil, conforme \u00e9 poss\u00edvel constatar a partir da reflex\u00e3o proposta por Nastassja Pugliese (2019) e in\u00fameras pesquisadoras e pesquisadores que tomaram como tarefa a desconstru\u00e7\u00e3o do c\u00e2none tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num de seus trabalhos metodol\u00f3gicos, Martial Gueroult (1974) procurava distinguir entre duas abordagens poss\u00edveis em hist\u00f3ria da filosofia: a vertical e a horizontal. A escola horizontal \u00e9 essencialmente hist\u00f3rica: interessada no movimento das ideias ao longo do tempo, guia um olhar sempre externo \u00e0 obra nela mesma. A conex\u00e3o das ideias com o tempo, seus aspectos culturais, sociol\u00f3gicos, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, est\u00e9ticos, etc. s\u00e3o relevantes nesta pesquisa. O historiador vertical, por outro lado, se encerra nos objetos que constituem esta hist\u00f3ria \u2013 as \u201cgrandes filosofias\u201d (Gueroult, 1974, p. 9) que s\u00e3o, segundo Gueroult, eternas. Os sistemas ou doutrinas s\u00e3o como constru\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas no interior das quais o historiador vertical pode caminhar, contemplando suas engrenagens ocultas. A fun\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo \u00e9, al\u00e9m da reconstru\u00e7\u00e3o argumentativa, se perguntar por que, no caso de Spinoza, uma demonstra\u00e7\u00e3o foi preferida em rela\u00e7\u00e3o a outra \u2013 ou bem as raz\u00f5es de uma demonstra\u00e7\u00e3o aparecer no esc\u00f3lio ao inv\u00e9s de na proposi\u00e7\u00e3o principal. Trata-se de uma visada interna, na medida em que procura se concentrar na economia do texto. Gueroult op\u00f5e, enfim, hist\u00f3ria e filosofia, singularidade e eternidade, demarcando, como um soberano, um territ\u00f3rio de dentro e de fora, o que o permite separar texto e contexto. N\u00e3o parece poss\u00edvel, para ele, encontrar uma concilia\u00e7\u00e3o entre os dois mundos: \u00e9 necess\u00e1rio optar, caso se queira fazer filosofia, pela via vertical, tamb\u00e9m denominada por ele de an\u00e1lise das estruturas. Este \u00e9 o m\u00e9todo com o qual, afinal de contas, Gueroult se debru\u00e7ou sobre as obras dos fil\u00f3sofos can\u00f4nicos. Uma breve considera\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o gueroultiana do problema deixa transparecer o modo como ele se sustenta supondo a evid\u00eancia e a regularidade de uma s\u00e9rie de suportes interpretativos \u2013 autor, texto filos\u00f3fico, argumento, doutrina \u2013 que, acredito, n\u00e3o s\u00e3o \u00f3bvios, e devem ser no m\u00ednimo reformulados caso queiramos reintroduzir as vozes femininas na hist\u00f3ria da filosofia. Spinoza, Descartes, Fichte, Malebranche: n\u00e3o \u00e9 gratuito que Gueroult tenha se dedicado a estudar apenas autores homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso Elisabeth parece exemplar para questionarmos os limites dos operadores hermen\u00eauticos com os quais seguimos trabalhando. Elisabeth n\u00e3o escreveu uma medita\u00e7\u00e3o, um tratado ou um discurso: sua obra, como vimos, s\u00e3o suas cartas, principalmente aquelas trocadas com Descartes. Al\u00e9m disso, no interior delas, n\u00e3o adota a posi\u00e7\u00e3o de autoria \u2013 n\u00e3o parece se endere\u00e7ar a Descartes, como o fazem os objetores das Obje\u00e7\u00f5es &amp; Respostas, tendo em mente um sistema ou doutrina filos\u00f3fica bem-acabada. Em seu texto, os dados biogr\u00e1ficos se apresentam em grau de igualdade ao que poderia ser classificado como uma discuss\u00e3o propriamente filos\u00f3fica. Cartas podem ser considerados textos filos\u00f3ficos? Tendo em conta que Elisabeth n\u00e3o escreveu as cartas pensando em public\u00e1-las e que, mais do que isso, n\u00e3o autorizou sua divulga\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a morte de Descartes, pode-se afirmar que h\u00e1, neste caso, a assinatura da autora necess\u00e1ria para conferir legitimidade \u00e0 obra? H\u00e1 uma doutrina em suas interroga\u00e7\u00f5es ou argumento em suas declara\u00e7\u00f5es autobiogr\u00e1ficas? Parece que tais no\u00e7\u00f5es simplesmente fracassam para classific\u00e1-la. E talvez por uma raz\u00e3o simples: n\u00e3o foram elas forjadas \u00e0 luz dos textos dos homens? N\u00e3o \u00e9, ainda, a no\u00e7\u00e3o mesma de c\u00e2none uma das respons\u00e1veis por esta exclus\u00e3o, na medida em que tem por princ\u00edpio selecionar determinados testemunhos em detrimento de outros? A discuss\u00e3o sobre a reescritura do c\u00e2none, reconhecida sua import\u00e2ncia e urg\u00eancia, parece ainda manter a evid\u00eancia deste operador: \u00e9 preciso se perguntar, em \u00faltima an\u00e1lise, se o c\u00e2none n\u00e3o tem por fun\u00e7\u00e3o inescap\u00e1vel excluir. Incluir os textos de algumas destas mulheres nas bibliografias dos cursos de filosofia exige que nossas categorias interpretativas sejam elas mesmas ou abandonadas ou, no m\u00ednimo, radicalmente revisadas. O que este processo de resgate envolve \u00e9 nada menos do que uma redefini\u00e7\u00e3o daquilo que classicamente compreendemos e perpetuamos sob o nome de filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arist\u00f3teles. (1998) O homem de g\u00eanio e a melancolia. Problema XXX, 1. Introdu\u00e7\u00e3o e notas de Jackie Pigeaud. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aucante, V. (2006). La philosophie m\u00e9dicale de Descartes. Paris : PUF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Burton, R. (2011-2013). A anatomia da melancolia (I-IV). Tradu\u00e7\u00e3o de Guilherme Gontijo Flores. Curitiba: Editora UFPR.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cardoso, A. Ferreira. M.L.R. (org.). (2001). Medicina dos Afetos. Correspond\u00eancia entre Descartes e a Princesa Elisabeth da Bo\u00e9mia. Tradu\u00e7\u00e3o de In\u00eas Cardoso e Paulo de Jesus. Revis\u00e3o cient\u00edfica por Adelino Cardoso e Maria Lu\u00edsa Ribeiro Ferreira. Oeiras: Celta Editora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descartes, R. (1996). \u0152uvres de Descartes (12 vols). Publi\u00e9es par Charles Adam et Paul Tannery. Paris : Librairie Philosophique J. Vrin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Darriulat, J. (1996). Descartes et la m\u00e9lancolie. Revue Philosophique de la France et de l&#8217;\u00c9tranger, 186, (4), pp. 465-486. Recuperado de:&nbsp;&nbsp; https:\/\/www.jstor.com\/stable\/41097758. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diderot, D. (1791). \u00c9loge de Richardson, auteur des romans de Pam\u00e9la, de Clarisse et de Grandisson. [E-book vers\u00e3o online ou PDF E-book]. Recuperado de: https:\/\/fr.wikisource.org\/wiki\/\u00c9loge_de_Richardson. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Galilei, G. (2009). Ci\u00eancia e f\u00e9. Organiza\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Arthur R. do Nascimento. S\u00e3o Paulo: Editora UNESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gueroult, M. (1969). The History of Philosophy as a Philosophical Problem. The Monist, 53 (4), pp. 563-587). Recuperado de:&nbsp; https:\/\/www.jstor.com\/stable\/27902147. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (1974). La m\u00e9thode en histoire de la philosophie. Philosophiques, 1, (1), pp. 7-19. Recuperado de: : https:\/\/id.erudit.org\/iderudit\/203001ar. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (1979). Philosophie de l\u2019histoire de la philosophie. Paris : Aubier Montaigne.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hagengruber, R. (2015). Cutting Through the Veil of Ignorance: Rewriting the History of Philosophy. The Monist, 98, pp. 34-42. Recuperado de:&nbsp; https:\/\/doi.org\/10.1093\/monist\/onu005. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hip\u00f3crates. (2011). Sobre o riso e a loucura. Organiza\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Rog\u00e9rio de Campos. S\u00e3o Paulo: Hedra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Keeble, N.H. (1994). The Cultural Identity of Seventeenth-Century Woman. A reader. London: Routledge. Recuperado de: https:\/\/doi.org\/10.4324\/9780203203293. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Laclos, C. (2012). Les liaisons dangereuses. Barcelone: \u00c9ditions Gallimard.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Moreau, P.F. (1994). Spinoza. L\u2019exp\u00e9rience et l\u2019\u00e9ternit\u00e9. Paris : PUF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Moss, J. D. (1983). \u201cGalileo&#8217;s Letter to Christina: Some Rhetorical Considerations\u201d. Renaissance Quarterly, Vol. 36, No. 4, pp. 547-576. Recuperado de: https:\/\/doi.org\/10.2307\/2860733. Acesso em: 24\/08\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ostrowiecki, H.B. (2016) \u201cIgnorant and intractable\u201d. Elisabeth in her Letters to Descartes\u201d. Arts et Savoirs, 6. Recuperado de: http:\/\/aes.revues.org\/736. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pugliese, N. (2019) \u201cA Quest\u00e3o do C\u00e2none no Ensino da Hist\u00f3ria da Filosofia\u201d. O que nos faz pensar, Rio de Janeiro, v.28, n.45, p.402-413, jul.-dez.2019. Recuperado de: https:\/\/doi.org\/10.32334\/oqnfp.2019n45a672. Acesso em: 24\/08\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ramos, C.S. (2017) Conservar a vida e n\u00e3o temer a morte: filosofia pr\u00e1tica na correspond\u00eancia entre Descartes e Elisabeth. (Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o L\u00f3gica e Metaf\u00edsica, Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ). Recuperado de: https:\/\/ppglm.files.wordpress.com\/2008\/12\/dissertac3a7c3a3o-carmel-ramos.pdf. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Shapiro, L. (2004). Some Thoughts on the Place of Women in Early Modern Philosophy. Alanen, L. Witt, C. (eds.). Feminist Reflections on the History of Philosophy, pp. 219-250. Netherlands: Kluwer Academic Publishers. Recuperado de: https:\/\/doi.org\/10.1007\/1-4020-2489-4_12. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sutton, P.C. (ed.) (2003). Love Letters: Dutch Genre Paintings in the Age of Vermeer. London : Frances Lincoln.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Versini, L. (1979) Le Roman \u00c9pistolaire . Paris, PUF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Waithe, M. E. (ed.). (1987-1995) A History of Women Philosophers, vols. I-IV. Dordrecht: Kluwer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Warren, K.J. (ed.). (2009). An Unconventional History of Western Philosophy. Conversations between Men and Women Philosophers. Lanham, Maryland: Rowman &amp; Littlefield Publishers, Inc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Watt, I. (2010) A ascens\u00e3o do romance: estudos sobre Defoe, Richardson e Fielding. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Correspond\u00eancia entre Elisabeth e Descartes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a. Em portugu\u00eas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cardoso, A. Ferreira. M.L.R. (org.). (2001). <em>Medicina dos Afetos. Correspond\u00eancia entre Descartes e a Princesa Elisabeth da Bo\u00e9mia<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de In\u00eas Cardoso e Paulo de Jesus. Revis\u00e3o cient\u00edfica por Adelino Cardoso e Maria Lu\u00edsa Ribeiro Ferreira. Oeiras: Celta Editora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>b. Em ingl\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bohemia, P.E. Descartes, R. (2007). <em>The correspondence between Princess Elisabeth of Bohemia and Ren\u00e9 Descartes<\/em>. Edited and translated by Lisa Shapiro. Chicago &amp; London: The University of Chicago Press.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>c. Em franc\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descartes, R. (1935) <em>Lettres sur la morale : Correspondance avec la princesse \u00c9lisabeth, Chanut et la reine Christine<\/em>. Texte revu et pr\u00e9sent\u00e9 par Jacques Chevalier. Paris: Boivin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (1989). <em>Correspondance avec \u00c9lisabeth et autres lettres<\/em>. Introduction, bibliographie et chronologie de Jean Marie Beyssade et Michelle Beyssade. Paris: GF Flammarion.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (1996). <em>\u0152uvres de Descartes <\/em>(12 vols). Publi\u00e9es par Charles Adam et Paul Tannery. Paris : Librairie Philosophique J. Vrin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (2013). <em>Correspondance 2. <\/em><em>\u0152uvres compl\u00e8tes VIII<\/em>. Sous la direction de Jean-Marie Beyssade et Denis Kambouchner. \u00c9dit\u00e9e et annot\u00e9e par Jean-Robert Armogathe. Paris: Gallimard.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (2018). <em>Correspondance avec \u00c9lisabeth de Boh\u00eame et Christine de Su\u00e8de<\/em>. \u00c9dition de Jean-Robert Armogathe. Paris: Gallimard.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Literatura secund\u00e1ria sobre mulheres e epistolografia no s\u00e9culo XVII<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>a. Epistolografia no s\u00e9culo XVII<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Belgioioso, G. (2018). Le statut de la correspondance dans la premi\u00e8re moiti\u00e9 du XVIIe si\u00e8cle et la correspondance cart\u00e9sienne. <em>Modernos &amp; Contempor\u00e2neos &#8211; International Journal of Philosophy<\/em>, 1(2). Recuperado de https:\/\/www.ifch.unicamp.br\/ojs\/index.php\/modernoscontemporaneos\/article\/view\/3260. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dibon, P. (1976). Les \u00e9changes \u00e9pistolaires dans l&#8217;Europe savante du XVIIe si\u00e8cle. <em>Revue de synth\u00e8se<\/em>, nos 81-82, pp. 31-50.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (1978). Communication in the Respublica literaria of the 17th century. <em>Respublica literarum. Studies in the classical tradition<\/em>, I, pp. 43-55.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Goodman, D. (1994). <em>The Republic of Letters. A Cultural History of the French Enlightenment<\/em>. Ithaca and London: Cornell University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pal, C. (2012). Republic of Women: Rethinking the Republic of Letters in the Seventeenth Century. New York\/Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Waquet, F. (1989). Qu&#8217;est-ce que la R\u00e9publique des Lettres ? Essai de s\u00e9mantique historique. <em>Biblioth\u00e8que de l&#8217;\u00c9cole des chartes<\/em>, t. 147, pp. 473-502.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (1997). Bots, H. <em>La R\u00e9publique des lettres<\/em>. Paris : Belin, Bruxelles : De Boeck.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>b. Vida e obra de Elisabeth da Bo\u00eamia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alanen, L. (2004). Descartes and Elisabeth: A Philosophical Dialogue?. Alanen, L. Witt, C. (eds). <em>Feminist Reflections on the History of Philosophy<\/em>. New York\/Dordrecht: Kluwer, pp. 193\u2013218. Recuperado de: https:\/\/www.springer.com\/gp\/book\/9781402024887. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creese, Anna. (1993). <em>The letters of Elisabeth, Princess Palatine: A seventeenth century correspondence<\/em>. Princeton: PhD dissertation, Ann Arbor: UMI 9328035.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Delphine, C. (2010). \u00ab Il l&#8217;\u00e9coute et il parle \u00bb. La correspondance entre Descartes et \u00c9lisabeth : une rencontre originale. <em>Psychanalyse<\/em>, 3 (19), pp. 107-117. Recuperado de: https:\/\/www.cairn.info\/revue-psychanalyse-2010-3-page-107.htm. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foucher de Careil, A. (1862). <em>Descartes et la Princesse Palatine, ou de l&#8217;influence du cart\u00e9sianisme sur les femmes au XVIIe si\u00e8cle<\/em>. Paris: Auguste Durand. Recuperado de: https:\/\/gallica.bnf.fr\/ark:\/12148\/bpt6k65054b. Acesso em: 20\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus, P. B. M. DE. (2016). Descartes e a correspond\u00eancia com Elisabeth: os antecedentes do <em>Tratado das paix\u00f5es<\/em>. <em>Revista de Filosofia Moderna e Contempor\u00e2nea<\/em>. 4, (1), pp. 84-100. Recuperado de: https:\/\/doi.org\/10.26512\/rfmc.v4i1.12536. Acesso em: 02.07.2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kolesnik-Antoine, D. Pellegrin, M.-F. (ed). (2014). <em>\u00c9lisabeth de Boh\u00eame face \u00e0 Descartes : deux philosophes ?<\/em>. Paris : Vrin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lloyd, G. (2008). The Philosopher and the Princess. Descartes and the Philosophical Life. <em>Providence Lost<\/em>, pp.160-191. Cambridge &amp; London: Harvard University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nye, A. (1996). Polity and Prudence: The Ethics of Elisabeth, Princess Palatine. McAlister, L.L. (ed.). <em>Hypatia\u2019s Daughters<\/em>. Bloomington: Indiana University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ostrowiecki, H.B. (2016) \u201cIgnorant and intractable\u201d. Elisabeth in her Letters to Descartes\u201d. Arts et Savoirs, 6. Recuperado de: http:\/\/aes.revues.org\/736. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Project Vox team. (2019). Princess Elisabeth of Bohemia, Countess Palatine, Abbess of Herford. <em>Project Vox<\/em>. Duke University Libraries. Recuperado de: http:\/\/projectvox.org\/princess-elisabeth-1618-1680. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ramos, C.S. (2017) <em>Conservar a vida e n\u00e3o temer a morte: filosofia pr\u00e1tica na correspond\u00eancia entre Descartes e Elisabeth<\/em>. (Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o L\u00f3gica e Metaf\u00edsica, Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ). Recuperado de: https:\/\/ppglm.files.wordpress.com\/2008\/12\/dissertac3a7c3a3o-carmel-ramos.pdf. Acesso em: 01\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rodis-Lewis, G. (1999). Descartes et les femmes: l&#8217;exceptionnel rapport de la princesse Elisabeth. Totaro, P. (ed). <em>Donna Filosofia e cultura nel seicento<\/em>. Rome: Consiglio Nazionale delle recherche, pp. 155\u201372.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Schmaltz, Tad. (2019). Princess Elisabeth of Bohemia on the Cartesian Mind: Interaction, Happiness, Freedom. O\u2019Neill, e. Lascano, M. (eds). <em>Feminist History of Philosophy: The Recovery and Evaluation of Women&#8217;s Philosophical Thought<\/em>. Dordrecht: Springer, pp. 155-173. Recuperado de: 10.1007\/978-3-030-18118-5_7. Acesso em: 02\/07\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Shapiro, L. (1999). Princess Elizabeth and Descartes: The union of soul and body and the practice of philosophy. <em>British Journal of the History of Philosophy<\/em>, 7 (3), 503-520. Recuperado de: https:\/\/lisacshapiro.files.wordpress.com\/2012\/04\/shapiro-elizabethdescartesonunion.pdf. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (2014). Elisabeth, Princess of Bohemia. Zalta, E.N. (ed.). <em>The Stanford Encyclopedia of Philosophy<\/em>. Recuperado de: https:\/\/plato.stanford.edu\/archives\/win2014\/entries\/elisabeth-bohemia. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. (2019). Princess Elisabeth of Bohemia as a Cartesian. Schmaltz, T. Nadler, S. (ed). <em>Oxford Handbook of Descartes and Cartesianism<\/em>. Oxford, Oxford University Press, pp. 287-302. Recuperado de: https:\/\/lisacshapiro.files.wordpress.com\/2019\/11\/shapiro-published.pdf. Acesso em: 02\/07\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Soares, A. G. T. de. (2018). A emerg\u00eancia da terceira no\u00e7\u00e3o primitiva na correspond\u00eancia com Elisabeth. <em>Modernos &amp; Contempor\u00e2neos &#8211; International Journal of Philosophy<\/em>. 1(2), pp. 130-146. Recuperado de https:\/\/www.ifch.unicamp.br\/ojs\/index.php\/modernoscontemporaneos\/article\/view\/3263. Acesso em: 02\/07\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Teixeira, L. (1990). <em>Ensaio sobre a moral de Descartes<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Brasiliense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tollefson, D. (1999). Princess Elisabeth and the Problem of Mind-Body Interaction. <em>Hypatia,<\/em> <em>14<\/em> (3), pp. 59\u201377.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zendler, B. (1989). The Three Princesses. <em>Hypatia<\/em>, 4 (1), pp.&nbsp; 28\u201363. Recuperado de:&nbsp; https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1527-2001.1989.tb00866.x. Acesso em: 02\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>c. Fil\u00f3sofas do s\u00e9culo XVII<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atherton, M. (ed.). (1994). <em>Women Philosophers of the Early Modern Period<\/em>. Indianapolis\/Cambridge: Hackett Publishing Company.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Broad, J. (2002). <em>Women Philosophers of the Seventeenth Century<\/em>. Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Harth, E. (1992). <em>Cartesian Women: Versions and Subversions of Rational Discourse in the Old Regime<\/em>. 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Lanham, Maryland: Rowman &amp; Littlefield Publishers, Inc.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carmel da Silva Ramos, Doutoranda do PPGLM\/UFRJ &#8211; Lattes PDF &#8211; Elisabeth da Bohemia: epistolografia Sabe-se que a pintura<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-642","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=642"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/642\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":748,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/642\/revisions\/748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}