{"id":685,"date":"2020-10-23T10:12:24","date_gmt":"2020-10-23T13:12:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=685"},"modified":"2022-02-16T20:24:23","modified_gmt":"2022-02-16T23:24:23","slug":"feminismo-educacao-libertaria-e-antifascismo-no-pensamento-de-maria-lacerda-de-moura","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/teorias-feministas\/feminismo-educacao-libertaria-e-antifascismo-no-pensamento-de-maria-lacerda-de-moura\/","title":{"rendered":"Feminismo, educa\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria e antifascismo no pensamento de Maria Lacerda de Moura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(1887 &#8211; 1945)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">                                                                                                                                                                                                                                    <strong>                                                                                                                                                                                                                              Por Camila Jourdan<\/strong>,                                                                                                                                                                                                     Professora do departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) &#8211;<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/3659855873286126\"> lattes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/Verbete-Maria-Lacerda.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PDF &#8211; Maria Lacerda de Moura<img decoding=\"async\" class=\"wp-image-699\" style=\"width: NaNpx\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/Verbete-Maria-Lacerda.pdf\" alt=\"\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Informa\u00e7\u00f5es Biogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria Lacerda de Moura foi uma pensadora anarquista brasileira, feminista e pacifista. Ela nasceu em 1887, na cidade de Manhua\u00e7u, em Minas Gerais, e morreu em 1945, no Rio de Janeiro. Filha de uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, cursou a Escola Normal em Barbacena, tornando-se professora prim\u00e1ria. Seu pai era esp\u00edrita e fortemente anticlerical, a educa\u00e7\u00e3o laica das filhas foi uma prioridade na vida dele e uma influ\u00eancia que Maria Lacerda carregou durante toda vida. Al\u00e9m disso, a fam\u00edlia recebia e ajudava imigrantes pobres. Ainda em Barbacena, enquanto professora, Maria Lacerda desenvolveu um trabalho junto \u00e0s mulheres da regi\u00e3o, organizando mutir\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de casas populares. Tamb\u00e9m nesta \u00e9poca fundou a <em>Liga contra o Analfabetismo<\/em>, onde dava aulas de alfabetiza\u00e7\u00e3o gratuitas para jovens e adultos.  <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"220\" height=\"312\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/maria-lacerda.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-690\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/maria-lacerda.jpg 220w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2020\/10\/maria-lacerda-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No in\u00edcio da d\u00e9cada de 20, Maria Lacerda foi viver em S\u00e3o Paulo, onde teve contato com o movimento oper\u00e1rio anarquista. Em 1921, ela participou da Funda\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Internacional Feminina. Neste per\u00edodo, chegou a participar do movimento sufragista, que abandonou muito rapidamente, considerando que a pauta pelo direito ao voto seria uma pauta burguesa e menos importante diante de outras quest\u00f5es muito mais urgentes que as mulheres enfrentavam na sociedade naquele momento. Assim, ela se torna uma cr\u00edtica do feminismo liberal e \u00e9 considerada tamb\u00e9m uma precursora do chamado anarco-feminismo. Em 1923, Maria Lacerda criou a revista <em>Renascen\u00e7a<\/em>, uma revista de arte e pensamento que contava com a colabora\u00e7\u00e3o de anarquistas, feministas e comunistas brasileiros e estrangeiros. A pensadora tamb\u00e9m contribu\u00eda com artigos para os peri\u00f3dicos anarquistas \u2018A Plebe\u2019 e o \u2018O Combate\u2019. \u00c9 autora de uma extensa obra, com vinte livros publicados, al\u00e9m de conferencista no Brasil e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, educadora libert\u00e1ria e militante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ela foi extremamente ativa como intelectual em uma \u00e9poca na qual a participa\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade era fortemente questionada, sobretudo se tratando de uma mulher livre, que lutava contra todas as opress\u00f5es e defendia que as mulheres podiam e deviam pensar por si mesmas. Se casou aos 17 anos com Carlos Ferreira de Moura, de quem veio a se separar em 1927. Nunca teve filhos biol\u00f3gicos, acredita-se que era est\u00e9ril. Por\u00e9m, ela adotou um menino, seu sobrinho, e uma menina, ambos \u00f3rf\u00e3os. Em sua obra, questionou fortemente a maternidade compuls\u00f3ria e o casamento, que acreditava matar o amor. Foi vegetariana por toda a sua vida, o que tamb\u00e9m n\u00e3o era nada comum na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre 1928 e 1937, viveu em uma comunidade agr\u00edcola autogerida em Guararema, interior de S\u00e3o Paulo, cuja forma\u00e7\u00e3o era de anarquistas e desertores espanh\u00f3is, franceses e italianos da Primeira Guerra Mundial. Nesta comunidade, ela vivenciou o amor livre e plural que defendia, mas a experi\u00eancia comunal sofreu repress\u00e3o da ditadura do Estado Novo, e teve que ser desfeita. Neste per\u00edodo, Maria Lacerda chega a ter sua pris\u00e3o decretada pela ditadura Vargas, tendo que ficar foragida por um tempo. \u00c9 este contexto de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a leva para o Rio de Janeiro, ao final da d\u00e9cada de 30.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O per\u00edodo final da sua vida \u00e9 marcado pelo retorno ao espiritualismo, Maria Lacerda se afasta um pouco da reflex\u00e3o sobre a luta social e se aproxima mais da defesa de uma religiosidade interior. Faleceu em 20 de mar\u00e7o de 1945, aos 58 anos, no seu apartamento na Ilha do Governador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Suas principais influ\u00eancias foram: Maria Montessori; S\u00e9bastien Faure; Leon Tolst\u00f3i; Emma Goldman; Paul Robin; Francisco Ferrer y Guardia; Ellen Key; Han Ryner; Kropotkin e Jos\u00e9 Oiticica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, falar de Maria Lacerda de Moura como uma fil\u00f3sofa \u00e9 um grande desafio porque, apesar da vasta produ\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica, a autora n\u00e3o \u00e9 sequer mencionada em estudos especificamente sobre o anarquismo ou o feminismo no Brasil. Mesmo sua contribui\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica \u00e9 largamente desconsiderada. Esse apagamento hist\u00f3rico, apesar da grande import\u00e2ncia da sua obra, se deve em ampla medida ao car\u00e1ter desviante de seu pensamento. Mesmo sendo influenciada por v\u00e1rias correntes consagradas entre a intelectualidade engajada do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, Maria Lacerda de Moura sempre fez quest\u00e3o de manter sua total independ\u00eancia intelectual, n\u00e3o se vinculando jamais completamente a nenhuma dessas correntes. Ademais, ser mulher<ins>,<\/ins> anarquista e feminista nunca foi f\u00e1cil pra ningu\u00e9m em nenhuma \u00e9poca. Como ela mesma afirmou sobre si: \u201csou uma grande indesej\u00e1vel\u201d. Individualista<a href=\"#_ftn1\"><ins>[1]<\/ins><\/a> demais para o pensamento dominante comunista; pacifista demais para as principais abordagens anarquistas; antiliberal demais para o feminismo reinante na \u00e9poca, Maria Lacerda de Moura acaba por cunhar um pensamento pr\u00f3prio e original, extremamente atual, apesar das tem\u00e1ticas engajadas nas lutas da \u00e9poca, mas cujas principais bases e conceitos podem ser resgatados para a reflex\u00e3o no momento presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma educa\u00e7\u00e3o libertadora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma posi\u00e7\u00e3o que Maria Lacerda sustentou durante toda sua vida foi a de que o caminho para mudar a sociedade seria a educa\u00e7\u00e3o. Uma transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, como a autora defendia, seria apenas poss\u00edvel pela a\u00e7\u00e3o educativa. Ela acreditava que uma revolu\u00e7\u00e3o nos valores e nas mentes seria condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a revolu\u00e7\u00e3o social n\u00e3o-violenta. Mas, para isso, seria preciso que a escola n\u00e3o fosse opressora nem baseada no sistema de recompensas e castigos. Seria preciso ainda banir todo militarismo e a religi\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. A escola deveria agir como uma c\u00e9lula transformadora da sociedade, a partir da qual se poderia incentivar a reconstru\u00e7\u00e3o valorativa de outros \u00e2mbitos. Dessa forma, transformar a escola, para que ela n\u00e3o reproduzisse as hierarquias socais e se transformasse em agente criativo da transforma\u00e7\u00e3o, seria o passo fundamental de qualquer processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 importante ressaltar que a educa\u00e7\u00e3o naquele momento n\u00e3o era destinada a todas as parcelas da sociedade, havia grande distin\u00e7\u00e3o social no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, como ainda h\u00e1 hoje, mas a grande massa de trabalhadores assalariados era composta por crian\u00e7as, mulheres e homens, aos quais a instru\u00e7\u00e3o b\u00e1sica era simplesmente negada. Neste sentido, Maria Lacerda defendeu uma educa\u00e7\u00e3o que fosse universal e igualit\u00e1ria como modo de resist\u00eancia. Ela acreditava no poder libertador da educa\u00e7\u00e3o racional e integral. Para a pensadora, a educa\u00e7\u00e3o deveria guiar-se pelos seguintes princ\u00edpios: contato com a natureza; n\u00e3o explorar ningu\u00e9m; ser solid\u00e1rio com os demais; amar a liberdade e cultivar a paci\u00eancia. A escola deveria incorporar esses valores nas suas pr\u00e1ticas e no seu cotidiano, educando pelo exemplo. Al\u00e9m disso, para ela, seria fundamental respeitar a espontaneidade e a individualidade das crian\u00e7as na rela\u00e7\u00e3o de ensino-aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria Lacerda foi uma das grandes defensoras da educa\u00e7\u00e3o mista entre meninas e meninos, e que tamb\u00e9m conjugasse a forma\u00e7\u00e3o para trabalho intelectual com a forma\u00e7\u00e3o para o trabalho manual, de modo que estes se completassem sem fortalecer castas pensantes em detrimento dos trabalhadores. Isso seria importante para que a escola n\u00e3o fosse uma simples reprodutora dos valores burgueses. Maria Lacerda acreditava na revolu\u00e7\u00e3o social e, por isso, acreditava que o futuro seria de uma sociedade de trabalhadores igualit\u00e1rios. Neste sentido, a escola deveria expressar essa realidade porvir, ensinando a todos que o trabalho manual e o intelectual n\u00e3o se separam, de mesma forma que as pessoas n\u00e3o devem ser cindidas entre mentes-brilhantes e corpos-explorados. A pensadora, portanto, acreditava que essa seria a verdadeira educa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria: a educa\u00e7\u00e3o intelectual-profissional, pela qual toda escola seria ao mesmo tempo laborat\u00f3rio e oficina para a autonomia. Seu pensamento \u00e9, neste sentido, profundamente inspirador, pois a pensadora prop\u00f5e uma abordagem da educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o separe mente e corpo, estabelecendo a jun\u00e7\u00e3o do trabalho manual com o trabalho intelectual, em uma maneira integralizada de tratar as pessoas, que se preocupe com o indiv\u00edduo como um todo. Al\u00e9m disso, a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria incentivar a obedi\u00eancia e a submiss\u00e3o, ao contr\u00e1rio, a educa\u00e7\u00e3o que ela defende \u00e9 aquela que pode ser um modo de incentivar a insubmiss\u00e3o criativa e os questionamentos constantes, entendidos por ela como engrenagem da constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos e da transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m de uma educa\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria, que n\u00e3o se fundasse na autoridade centralizada do professor em sala de aula; que considerasse a viv\u00eancia particular de cada estudante na constru\u00e7\u00e3o dos saberes; que recusasse o sistema de puni\u00e7\u00f5es e recompensas, com castigos e notas e que fosse de fato igualit\u00e1ria entre classe e g\u00eaneros, Maria Lacerda salientou em toda sua obra a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o das mulheres para sua liberta\u00e7\u00e3o intelectual e financeira. A mulher teria o seu desenvolvimento intelectual negado e diminu\u00eddo em todos os n\u00edveis da educa\u00e7\u00e3o e, por isso, se tornaria uma presa f\u00e1cil do patriarcado. Seria fundamental que a luta feminista levasse em conta a necessidade de uma educa\u00e7\u00e3o racional para meninas, que cultivasse valores tidos como exclusivamente masculinos, como a reflex\u00e3o cr\u00edtica, a coragem e a liberdade, e que n\u00e3o se fundasse na manuten\u00e7\u00e3o do papel da maternidade como centro da vida das mulheres. In\u00fameras vezes a autora ressalta que \u2018ser m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 uma profiss\u00e3o\u2019 e que as meninas teriam seu desenvolvimento negado porque a sociedade colocaria a maternidade como objetivo \u00faltimo da sua exist\u00eancia, educando-as para serem enfeites ou servas cuidadoras dos homens. Maria Lacerda procura ressaltar que a maternidade precisa deixar de ter este papel central na educa\u00e7\u00e3o das meninas para que as mulheres ganhem de fato um estatuto social como, antes de tudo, pessoas<ins>,<\/ins> e n\u00e3o cuidadoras ou enfeites passivos (<em>Cf.<\/em>: MOURA, 1923; MOURA, 1924).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Reflex\u00f5es sobre o Fascismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Talvez a caracter\u00edstica mais atual do pensamento de Maria Lacerda de Moura seja a sua abordagem do fascismo presente em <em>Fascismo, o filho dileto da igreja e do capital<\/em> (1935). Nesta obra, a pensadora defende que o sistema capitalista \u00e9 sempre j\u00e1 potencialmente fascista e pretende ao mesmo tempo demonstrar sua rela\u00e7\u00e3o interna com a institui\u00e7\u00e3o religiosa, a igreja e o clero, que ela diferencia do que seria um sentido profundo de religiosidade e do pr\u00f3prio Cristo. Para ela, a igreja seria o verdadeiro anticristo. Assim, ela pretende mostrar como capitalismo; igreja e fascismo se fortalecem ao longo da hist\u00f3ria, associando os princ\u00edpios do nazismo com os da inquisi\u00e7\u00e3o e o \u00f3dio \u00e0 racionalidade e \u00e0 ci\u00eancia. Al\u00e9m disso, ela ressalta mais uma vez a import\u00e2ncia do dom\u00ednio da educa\u00e7\u00e3o para que esse projeto se torne poss\u00edvel:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vem de longe a alian\u00e7a entre o altar e o trono: a Igreja sabe contar com o fator tempo para sugestionar o subconsciente e apoderar-se da raz\u00e3o, falseando o racioc\u00ednio at\u00e9 o obscurecimento absoluto da reflex\u00e3o. Para isso, reivindicou sempre o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Foi atrav\u00e9s da escola que chegou a reduzir a raz\u00e3o humana \u00e0 express\u00e3o de zero. (1935, p.14)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra analisa o racismo escravocrata da igreja, o terror e a viol\u00eancia contidos nas escrituras selecionadas pelos Conc\u00edlios. Particularmente, Maria Lacerda ressalta as execu\u00e7\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es e o machismo presentes no Antigo Testamento, al\u00e9m de como estes aspectos se perpetuariam na cultura moderna, no \u00f3dio e culpabiliza\u00e7\u00e3o das mulheres, na legitima\u00e7\u00e3o da tortura e dos assassinatos em nome de Deus. A pensadora mostra como o Estado totalit\u00e1rio fascista faz uso desses elementos religiosos disseminados pela educa\u00e7\u00e3o no imagin\u00e1rio popular de maneira a perpetuar e expandir seu poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A autora vai do macro ao micro, passando das rela\u00e7\u00f5es entre Estado e Igreja, no cerne do fascismo, para a rela\u00e7\u00e3o entre a hipocrisia contida na defesa da fam\u00edlia tradicional e o militarismo ditatorial. Maria Lacerda de Moura retoma o culto ao autoritarismo e ao Estado no cerne do fascismo, citando os ditos de Mussolini pelos quais, no fascismo, o Estado e o povo se tornariam equivalentes. O fascismo seria constitu\u00eddo pelas for\u00e7as burguesas e capitalistas em seu aspecto mais degenerado, o capitalismo esgotado traria \u00e0 tona o fascismo, mas essas for\u00e7as j\u00e1 estariam presentes em seu cerne. \u201cAs \u2018massas\u2019 fascistas, racistas ou integralistas saem da pequena burguesia inconsciente e insatisfeita, comprada pelo capitalismo, ou saem dos ex-combatentes da grande guerra.\u201d (1935, p.107) Outra formula\u00e7\u00e3o muito boa, e bastante atual, aparece na explica\u00e7\u00e3o que a autora fornece da equival\u00eancia entre fascismo e \u2018Estado no qual a pol\u00edcia tem poderes de governo\u2019. Um elemento fundamental do fascismo seria o poder conferido \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a. Al\u00e9m disso, o fascismo teria uma dimens\u00e3o espetacular, por meio do culto emocionado de s\u00edmbolos militares de guerra acompanhado da empolga\u00e7\u00e3o discursiva por meio da orat\u00f3ria de l\u00edderes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, ela defende ainda uma resist\u00eancia est\u00e9tica ao fascismo por meio da arte. A arte semearia a alegria e o esp\u00edrito de revolta incompat\u00edveis com a mediocridade fascista em todos os \u00e2mbitos da vida, de tal modo que n\u00e3o seria preciso se filiar a uma organiza\u00e7\u00e3o ou partido, que se julgariam donos da verdade, para combater o fascismo, seria poss\u00edvel fazer isso enquanto indiv\u00edduo e em todos os aspectos da nossa vida. Recusar a busca por poder e o esp\u00edrito de autoridade seria recusar colaborar com os princ\u00edpios do fascismo disseminados pela sociedade. A quest\u00e3o da recusa aqui \u00e9 fundamental, cada qual poderia ser uma resist\u00eancia ao fascismo na medida em que recusasse reproduzir instrumental e cegamente seus princ\u00edpios, negando-se a exercer o papel de pol\u00edcia ali mesmo onde se encontra. Maria Lacerda de Moura chama isso de \u2018nova t\u00e1tica revolucion\u00e1ria\u2019 por meio da resist\u00eancia ativa e da n\u00e3o-coopera\u00e7\u00e3o. Seria imposs\u00edvel combater o fascismo realmente por meio de um Estado e da guerra, porque estes meios apenas fortaleceriam elementos fascistas, o verdadeiro combate ao fascismo seria n\u00e3o-estatal e se daria por \u201cum individualismo do esp\u00edrito livre associado a um comunismo de m\u00e3os\u201d, isto \u00e9, do trabalho, o que para a autora seria incompat\u00edvel com os princ\u00edpios do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Mulher \u00e9 uma degenerada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria Lacerda de Moura \u00e9 a grande precursora do anarco-feminismo no Brasil. O pensamento feminista da autora \u00e9 extremamente atual, pois questiona os pressupostos do patriarcado, colocando em xeque a maternidade compuls\u00f3ria e a base dos comportamentos impostos \u00e0s mulheres ainda hoje, sendo precursora tamb\u00e9m no que se refere \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es quanto ao prazer, a liberdade sexual e o direito ao pr\u00f3prio corpo , bem como <s>su<\/s>a suposta determina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica das mulheres. De fato, Maria Lacerda \u00e9 ainda hoje uma voz importante na cr\u00edtica ao determinismo biol\u00f3gico dos pap\u00e9is de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pensadora recusou as evid\u00eancias, que se propunham cient\u00edficas do come\u00e7o do s\u00e9culo 20, e que pretendiam provar a superioridade biol\u00f3gica masculina. Que ela tivesse que dialogar com tantos absurdos mostra como eram fortes os preconceitos na \u00e9poca. Neste ponto, ela ataca diretamente autores como Miguel Bombarda, Cesare Lombroso e Gugliemo <del>Gugliemo <\/del>Ferrero (<em>em:<\/em> MOURA, 1924)<del><a href=\"#_msocom_1\">[An1]<\/a>&nbsp;<\/del>, em suas observa\u00e7\u00f5es preconceituosas sobre o corpo da mulher e a defini\u00e7\u00e3o do feminino a partir da centralidade do \u00fatero. Eram comuns naquela \u00e9poca argumentos eugenistas, bem como an\u00e1lises anat\u00f4micas enquanto determinantes do car\u00e1ter, da personalidade e do comportamento humano. Assim, a posi\u00e7\u00e3o dominante contra o feminismo e a participa\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade fundava-se em teorias que se passavam por ci\u00eancia oficial, mesmo que n\u00e3o tivessem nenhuma base emp\u00edrica. Uma boa parte delas nos aparece hoje simplesmente como contrassensos. Maria Lacerda questionou a suposta inferioridade cerebral da mulher, refutando a rela\u00e7\u00e3o entre o tamanho do c\u00e9rebro e a intelig\u00eancia. Todo seu argumento neste sentido vai na dire\u00e7\u00e3o de mostrar que a inferioridade da mulher \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, fruto do machismo e da recusa \u00e0 educa\u00e7\u00e3o aos quais s\u00e3o submetidas as mulheres, e n\u00e3o algo natural ou biol\u00f3gico. Os homens teriam interesse em conservar a heteronomia das mulheres para manter sua domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o; para se manterem no papel de chefes da casa e provedores; para serem servidos em todos os sentidos. E as mulheres, muitas vezes por comodismo pregui\u00e7oso, por uma educa\u00e7\u00e3o que incentiva a submiss\u00e3o e por n\u00e3o perceberem o qu\u00e3o danoso isso seria para suas vidas, se conservariam tamb\u00e9m neste lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ela tamb\u00e9m questionou o feminismo liberal por n\u00e3o acolher mulheres negras e pobres. Maria Lacerda denunciou a hipocrisia da sociedade burguesa que proibia as mulheres brancas da classe alta de trabalhar, enquanto explorava o trabalho das mulheres prolet\u00e1rias. Ela ressaltou que a educa\u00e7\u00e3o da mulher deveria prepar\u00e1-la para sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia (<em>Cf.:<\/em> MOURA, 1921; MOURA, 1924). Maria Lacerda de Moura critica a separa\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos colocada como possibilidades para o ser feminino na \u00e9poca: por um lado, a \u201cmelindrosa\u201d, mulher enfeite; por outro, a m\u00e3e dona de casa cuidadora; por outro ainda, a prostituta ou a mulher prolet\u00e1ria, sendo que uma n\u00e3o se confundia com a outra e cada uma sofria uma opress\u00e3o pr\u00f3pria. Se compararmos com a situa\u00e7\u00e3o atual, o que vemos \u00e9 que estes estere\u00f3tipos est\u00e3o longe de desaparecer, e que a explora\u00e7\u00e3o das mulheres n\u00e3o deixou de existir nos termos que havia antes, mas sofreu especializa\u00e7\u00f5es em rea\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00f3prias tentativas de emancipa\u00e7\u00e3o. \u00c9 comum vermos hoje uma mesma mulher acumulando todas essas fun\u00e7\u00f5es e sofrendo com todos os estere\u00f3tipos, tentando ser ao mesmo tempo uma m\u00e3e e dona de casa excepcional; uma profissional competente na sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o; al\u00e9m de manter-se sempre bela e arrumada, desej\u00e1vel e sexualmente ativa. Resulta disso mulheres super exploradas, estressadas e culpadas, pois precisam ser sempre mais, verdadeiras super-humanas acumulando todas as fun\u00e7\u00f5es e, ainda assim, objetificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para ela, a opress\u00e3o objetificadora da mulher seria a base de outras opress\u00f5es, como a de classe.<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> Neste sentido, a autora opera uma articula\u00e7\u00e3o bastante original entre feminismo e anticapitalismo. Por um lado, a submiss\u00e3o das mulheres seria fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem capitalista, e por isso seria ainda sustentada pela religi\u00e3o, pelo Estado e pela ci\u00eancia da \u00e9poca. Por outro lado, a ordem capitalista seria fundamental para a continua\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o sobre as mulheres, de tal modo que a emancipa\u00e7\u00e3o total das mulheres s\u00f3 seria poss\u00edvel em outra ordem social e, por isso, o feminismo deveria ser sempre tamb\u00e9m necessariamente revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perguntam-me o que penso a respeito da emancipa\u00e7\u00e3o feminina. Para mim, \u00e9 mais um elo na emancipa\u00e7\u00e3o humana. A organiza\u00e7\u00e3o social de preju\u00edzos e privil\u00e9gios, baseada no capital e no sal\u00e1rio, na explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, civiliza\u00e7\u00e3o industrial-burgueza, nunca emancipar\u00e1 nem ao homem (\u2026), nem \u00e0 mulher.<br>Dentro da sociedade capitalista a mulher \u00e9 duas vezes escrava: \u00e9 a \u2018protegida\u2019, a tutelada, a \u2018pupila\u2019 do homem, a criatura domesticada por um \u2018senhor\u2019 cioso, e, ao mesmo tempo, \u00e9 escrava social de uma sociedade baseada no dinheiro e nos privil\u00e9gios mantidos pela autoridade do Estado e pela for\u00e7a armada para defender o poder, a autoridade, a propriedade privada, o patriotismo monet\u00e1rio.<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/strong>Maria Lacerda foi uma grande cr\u00edtica da fam\u00edlia tradicional como c\u00e9lula da opress\u00e3o social. Para ela, o amor s\u00f3 pode ser plenamente vivido fora do casamento, de maneira livre e plural. Ela desenvolveu reflex\u00f5es extremamente avan\u00e7adas sobre este tema. O amor seria a principal for\u00e7a que motivaria o ser humano e, portanto, n\u00e3o deveria ser submetido por nada. Maria Lacerda entendia que o amor seria justamente o afeto capaz de romper com o princ\u00edpio do ego e, por isso, seria contradit\u00f3rio com o ci\u00fame. O amor plural seria aquele que se divide com mais de uma pessoa, sem possessividade e sem, no entanto, perder sua ess\u00eancia. A pensadora equaciona o amor ao princ\u00edpio m\u00e1ximo da vida e, por isso, acredita que este sentimento \u00e9 capaz de romper com as conven\u00e7\u00f5es sociais e outras amarras que limitam o indiv\u00edduo e seu pleno desenvolvimento. Ela \u00e9 inspirada neste ponto pelas reflex\u00f5es de Han Ryner, fil\u00f3sofo do amor plural e libert\u00e1rio. A fidelidade n\u00e3o teria, para a pensadora, nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a monogamia, que seria de fato uma maneira de manter as mulheres como propriedades dos homens, at\u00e9 porque n\u00e3o valia de fato para estes \u00faltimos <em>(Cf.:<\/em> MOURA, 1933). Neste sentido, ser fiel significa ser sincero, e isso inclui n\u00e3o ser hip\u00f3crita sustentando uma exclusividade irreal. O desejo por outra pessoa n\u00e3o deveria ser ofensivo, nem significaria a morte do amor entre um casal. O mais importante seria a disposi\u00e7\u00e3o de ambos para n\u00e3o se magoarem e para estabelecerem acordos bons para os envolvidos, de forma que mesmo praticando o amor plural, nenhuma das pessoas amadas sofresse preju\u00edzos quanto aos sentimentos devotados. Assim,Maria Lacerda de Moura critica o mito do amor rom\u00e2ntico, que teria sido t\u00e3o nefasto para as mulheres, e a busca por um \u00fanico parceiro em uma vida monog\u00e2mica, que seria uma forma de domina\u00e7\u00e3o. Isso estaria no cerne da educa\u00e7\u00e3o afetiva da mulher, que a levaria a acreditar nessa perspectiva do \u201c\u00fanico grande amor\u201d. Assim, a mulher se tornaria presa cativa na fam\u00edlia tradicional, enquanto os homens seriam incentivados a ter v\u00e1rias experi\u00eancias e expandir suas possibilidades. A mulher se tornaria assim um sat\u00e9lite de um homem, girando sua exist\u00eancia em torno dele de modo submisso sem buscar estudar, viajar e desenvolver-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OBRAS DE MARIA LACERDA DE MOURA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Em torno da Educa\u00e7\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Teixeira, 1918.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Renova\u00e7\u00e3o.<\/em> Belo Horizonte: Athene, 1919.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>A Mulher Brasileira e o Problema Trabalhista<\/em>. Juiz de Fora, [s\/n], 1920.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>O Problema da Educa\u00e7\u00e3o<\/em>. Santos: A Tribuna, 1921.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de <em>A Fraternidade e a Escola<\/em>. S\u00e3o Paulo: Uni\u00e3o dos Trabalhadores Gr\u00e1ficos, 1922.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>A Mulher e a Ma\u00e7onaria<\/em>. S\u00e3o Paulo: Globo, 1922.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>A Mulher \u00e9 uma Degenerada?<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulista, 1924. (Reimpresso por: Tenda de Livros em 2018) Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/tendadelivros.org\/marialacerdademoura\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/MulherDegenerada_final_OK.pdf\">https:\/\/tendadelivros.org\/marialacerdademoura\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/MulherDegenerada_final_OK.pdf<\/a> Acessado em: 08\/07\/2020<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>A Mulher Moderna e seu Papel na Sociedade Atual e na Forma\u00e7\u00e3o da Civiliza\u00e7\u00e3o Futura.<\/em> Santos: [s\/n], 1923.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Li\u00e7\u00f5es de Pedagogia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Condor, 1926.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Religi\u00e3o do Amor e da Beleza<\/em>. S\u00e3o Paulo: Condor, 1926.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>De Amundsen a Del Prete<\/em>. S\u00e3o Paulo: O Combate, 1928.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Civiliza\u00e7\u00e3o: Tronco de Escravos<\/em>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1931.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Clero e Estado<\/em>. Rio de Janeiro: Liga Anticlerical, 1931.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Amai e n\u00e3o vos Multipliqueis.<\/em> Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1932.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Servi\u00e7o Militar Obrigat\u00f3rio para a Mulher? Recuso-me!<\/em> S\u00e3o Paulo: A Sementeira, 1933. (Reimpresso por Op\u00fasculo Libert\u00e1rio, 1999)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Han Hyner e o Amor Plural. <\/em>S\u00e3o Paulo: Unitas, 1933.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Ferrer, o Clero Romano e a Educa\u00e7\u00e3o Laica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Paulista, 1934.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de<em>. Clero e Fascismo: Horda de Embrutecedores<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Paulista, 1934.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOURA, Maria Lacerda de. <em>Fascismo, Filho dileto da Igreja e do Capital.<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora Paulista, 1935. (Relan\u00e7ado em 2013) Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.anarquista.net\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Fascismo-filho-da-igreja-e-do-capital-de-Maria-Lacerda-de-Moura-Livro.pdf\">https:\/\/www.anarquista.net\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Fascismo-filho-da-igreja-e-do-capital-de-Maria-Lacerda-de-Moura-Livro.pdf<\/a>&nbsp; Acessado em: 08\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><ins>MOURA, M.L. \u201cFeminismo? Caridade?\u201d Em: <em>O Combate<\/em>, 1928<\/ins><ins>. Dispon\u00edvel em: <\/ins><a href=\"https:\/\/www.nodo50.org\/insurgentes\/textos\/mulher\/10feminismocaridade.htm\"><ins>https:\/\/www.nodo50.org\/insurgentes\/textos\/mulher\/10feminismocaridade.htm<\/ins><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><ins>Acessado em: 08\/08\/2020.<\/ins><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LITERATURA SECUND\u00c1RIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEITE, Miriam L. Moreira. <em>Outra face do feminismo: Maria Lacerda de Moura.<\/em> S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEITE, Miriam L. Moreira.<em> Maria Lacerda de Moura, uma feminista ut\u00f3pica.<\/em> Florian\u00f3polis: Editora Mulheres, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RAGO, Margareth. <em>Do cabar\u00e9 ao lar: a utopia da cidade disciplinar: Brasil: 1890-1930<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra, 1997; 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OUTRAS FONTES RELEVANTES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERRAZ, Ana L\u00facia; LEITE, Miriam Moreira. <em>Maria Lacerda de Moura: Trajet\u00f3ria de Uma Rebelde<\/em>. S\u00e3o Paulo, Laborat\u00f3rio de Imagem e Som em Antropologia\u200a\/\u200aUniversidade de S\u00e3o Paulo, 2002. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/35898796\">https:\/\/vimeo.com\/35898796<\/a> Acessado em: 08\/07\/2020.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>Anarquismo individualista \u00e9 uma corrente dentro do anarquismo, que n\u00e3o se iguala ao individualismo liberal, porque a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduo, neste caso, \u00e9 completamente distinta. Mas que tamb\u00e9m n\u00e3o se iguala ao anarquismo coletivista. Trata-se de uma filosofia bastante complexa, seu principal defensor expl\u00edcito foi Max Stirner, atrav\u00e9s da interpreta\u00e7\u00e3o que ele faz de Nietzsche<em>.<\/em> A no\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduo por ele sustentada n\u00e3o se op\u00f5e ao coletivo exatamente, mas se aproxima do que alguns autores chamam de \u2018singularidade\u2019. Por isso os anarco individualistas pensam uma outra forma de coletividade, e n\u00e3o s\u00e3o contra livres associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias tempor\u00e1rias, desde que elas n\u00e3o se transformem em microestados, suprimindo as diversidades. Max Stirner influenciou fortemente autores que foram fundamentais para o pensamento de Maria Lacerda de Moura, particularmente Emma Goldman. Importante destacar que a pr\u00f3pria Maria Lacerda de Moura se auto-intitulava uma anarquista individualista, como podemos ver, por exemplo, em: \u201cSou indesej\u00e1vel, estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja p\u00e3o para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino \u00e0 alegria de viver na expans\u00e3o de todas as for\u00e7as interiores, num sentido mais alto \u2013 para uma limita\u00e7\u00e3o cada vez mais ampla da sociedade sobre o indiv\u00edduo.\u201d (MOURA, <em>O Combate<\/em>, 1928)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Ver, por exemplo, o seguinte artigo: MOURA, M. L. \u201cA emancipa\u00e7\u00e3o feminina\u201d. <em>O Combate.<\/em> N\u00famero 4604. S\u00e3o Paulo: 12\/01\/1928.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> MOURA, M. L. \u201cA emancipa\u00e7\u00e3o feminina\u201d. <em>O Combate.<\/em> N\u00famero 4604. S\u00e3o Paulo: 12\/01\/1928, p.03. (Citado em: LEITE, Miriam L. Moreira. <em>Outra face do feminismo: Maria Lacerda de Moura<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica,1984, p.214.)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<a href=\"#_msoanchor_1\">[An1]<\/a>Incluir primeiros nomes e, preferencialmente, refer\u00eancias dessas fontes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(1887 &#8211; 1945) Por Camila Jourdan, Professora do departamento de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":353,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-685","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=685"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/685\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1210,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/685\/revisions\/1210"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}