{"id":812,"date":"2021-02-17T13:03:11","date_gmt":"2021-02-17T16:03:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=812"},"modified":"2021-02-17T16:50:52","modified_gmt":"2021-02-17T19:50:52","slug":"pensamentos-sobre-a-educacao-das-meninas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/pensamentos-sobre-a-educacao-das-meninas\/","title":{"rendered":"Pensamentos sobre a educa\u00e7\u00e3o das meninas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Por Sarah Bonfim<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mestranda no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da Universidade Estadual de Campinas, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">com\u00a0 est\u00e1gio BEPE\/FAPESP na Universidade de Notre Dame (IN, EUA).\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Bolsista FAPESP, processo n\u00ba 2019\/02493-0 &#8211; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0117787962602105\">Lattes<\/a><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/02\/Pensamento-sobre-a-educacao-das-meninas.pdf\">PFF &#8211; Resenha de &#8220;Pensamentos sobre a educa\u00e7\u00e3o das meninas&#8221;, de Mary Wollstonecraft<\/a><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-826 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/02\/WhatsApp-Image-2021-02-10-at-17.02.50-211x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/02\/WhatsApp-Image-2021-02-10-at-17.02.50-211x300.jpeg 211w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/02\/WhatsApp-Image-2021-02-10-at-17.02.50.jpeg 352w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, Mary. <\/span><strong><i>Thoughts on the Education of Daughters: with Reflections on Female Conduct in the More Important Duties of Life<\/i><\/strong><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Altenmuster: Jazzy Bee, 2018.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> ISBN: 9783849681012.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rebeli\u00e3o, resigna\u00e7\u00e3o, independ\u00eancia e sujei\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o alguns dos temas que figuram nas p\u00e1ginas de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos sobre a Educa\u00e7\u00e3o das Meninas: com reflex\u00f5es sobre a conduta feminina nos mais importantes deveres da vida <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas) lan\u00e7ado pela jovem Mary Wollstonecraft\u00a0 em 1787, que aos seus 28 anos, enfrentava inquieta\u00e7\u00f5es profundas e contradi\u00e7\u00f5es relevantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade e \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de mulher.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Autodidata, ela nasceu em 1759 em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia do extremo leste de Londres. Consoante com a sua classe social, Mary estudou em uma escola para meninas, onde aprendeu apenas o b\u00e1sico: um pouco de aritm\u00e9tica, geografia, um pouco de franc\u00eas, m\u00fasica e dan\u00e7a. A maior parte de seu conhecimento veio atrav\u00e9s das amizades que fez, que possibilitavam acesso a bibliotecas pessoais que fomentaram seu autodidatismo. A sua escrita vem da capacidade de articula\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o em c\u00edrculos politizados ingleses, principalmente dos Dissidentes Racionais \u2013 que consistia em um grupo de republicanos que apoiavam a igualdade e tinham em pauta a escravid\u00e3o, as mulheres e a educa\u00e7\u00e3o (cf. BERG\u00c8S, 2013, p. 5). Como profiss\u00e3o, ela foi tudo que uma mulher poderia ser: professora, acompanhante, tutora e, de modo pioneiro, escritora profissional.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi escrito em seis semanas e vendido a dez guin\u00e9us (MOORE, 1999, p. 9). O texto inaugurou a carreira da autora de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(1792). A obra publicada em 1787 \u00e9 um manual de comportamento feminino, cujo g\u00eanero liter\u00e1rio \u00e9 o de conduta<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">muito difundido na Inglaterra entre 1760-1820 (RODRIGUES, 2010, p. 6). O p\u00fablico-alvo era o de jovens de classe m\u00e9dia, principalmente as mo\u00e7as, e seu objetivo era fomentar comportamentos atrav\u00e9s da apresenta\u00e7\u00e3o de modelos ideais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os livros de literatura de conduta tratavam de assuntos espec\u00edficos, do que era socialmente esperado da mulher. Nesse sentido, o livro da jovem Wollstonecraft, dividido em 20 se\u00e7\u00f5es, n\u00e3o foge do padr\u00e3o. A\u00ed est\u00e3o assuntos como cuidado com as crian\u00e7as, modos, artes, amor, casamento, tratamento dos empregados, dentre outros pontos que eram considerados de responsabilidade feminina. Como pano de fundo destes livros, havia um modelo da \u201cProper Lady\u201d, ou melhor dizendo, uma \u201cSenhora Adequada\u201d. De acordo com Mary Poovey (1984), a \u201cSenhora Adequada\u201d consiste em um estere\u00f3tipo feminino, muito difundido durante os s\u00e9culos XVII e XVIII, no qual algumas propriedades eram consideradas inerentemente femininas, como a mod\u00e9stia, a obedi\u00eancia e a de ser dotada de poucos desejos (POOVEY, 1984, p. 3-4). Al\u00e9m do mais, a essa \u201cSenhora\u201d cabia um c\u00f3digo de moral e sensibilidade cujo controle estaria nas m\u00e3os de seu marido (cf. OLIVEIRA, 2015, p. 76).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 repleto de recomenda\u00e7\u00f5es cujo grau de assertividade varia. Em temas que envolvem comportamentos e recomenda\u00e7\u00f5es acerca do que as crian\u00e7as deveriam aprender, a fil\u00f3sofa \u00e9 mais branda e usa termos como \u201cshould\u201d [deveria] e \u201cmay be\u201d [poderia]: \u201cAs primeiras coisas que as crian\u00e7as <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">deveriam<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ser encorajadas a observar s\u00e3o uma ades\u00e3o estrita \u00e0 verdade, uma submiss\u00e3o adequada aos superiores e condescend\u00eancia com inferiores\u201d (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 5, grifos meus).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, em se tratando da aprendizagem e do desenvolvimento do entendimento das mulheres, Wollstonecraft \u00e9 categ\u00f3rica e suas recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o acompanhadas de imperativos como \u201cmust to\u201d [deve-se]<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">e \u201cthe duty is\u201d [o dever \u00e9]: \u201cMelhorias intelectuais, como o crescimento e a forma\u00e7\u00e3o do corpo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">devem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> ser graduais\u201d (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 5, grifos meus). Tais recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o reiteradas em sua obra mais conhecida, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, de modo repaginado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 importante destacar que, como livro de inaugura\u00e7\u00e3o, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> seguiu um determinado padr\u00e3o de escrita, afinal, Wollstonecraft tinha como objetivo lan\u00e7ar seu nome enquanto escritora e gerar algum dinheiro \u2013 e com ideias muito progressistas talvez isso n\u00e3o acontecesse. No entanto, \u00e9 poss\u00edvel observar que Wollstonecraft j\u00e1 estava em conflito com alguns dos par\u00e2metros sociais delegados \u00e0s mulheres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um exemplo \u00e9 a se\u00e7\u00e3o que, at\u00e9 ent\u00e3o, era in\u00e9dita neste tipo de livro: \u201cSitua\u00e7\u00e3o infeliz de mulheres que, educadas \u00e0 moda [s\u00e3o] deixadas sem heran\u00e7a\u201d. Como as mulheres n\u00e3o tinham acesso \u00e0 propriedade ou \u00e0 heran\u00e7a, ficavam sujeitas, majoritariamente, ao casamento como modo de sustento. Assim, era importante que fossem consideradas um \u201cbom partido\u201d. Contudo, o matrim\u00f4nio deveria estar adequado \u00e0 posi\u00e7\u00e3o social que inclu\u00eda o pagamento de um dote ao pretendente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entretanto, Wollstonecraft trata de mo\u00e7as que receberam uma educa\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia para o seu sexo e, em virtude da falta de um bom dote, n\u00e3o encontram um marido que seja conveniente. A alternativa seria a de encontrar um emprego que as sustentasse, mas, sobre isso, a fil\u00f3sofa diz que para as mulheres, \u201ch\u00e1 poucos modos de ganhar a subsist\u00eancia e eles s\u00e3o muito humilhantes\u201d (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 17). A essas mulheres, caberia apenas \u201cfazer companhia a um primo mais velho\u201d ou, o que \u00e9 ainda pior, \u201cviver com estranhos\u201d (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 17). Nesse caso, diz Wollstonecraft:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Acima dos servos, e ainda considerada por eles como espi\u00e3, e sempre lembrada sobre a sua inferioridade quando conversa com os seus superiores se ela n\u00e3o pode ser condescendente para bajular, n\u00e3o tem chance de ser uma das favoritas; (&#8230;), e [se] por um momento esquece seu estado subordinado, ela certamente ser\u00e1 lembrada disso. (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 17)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outras possibilidades de sustento seriam a profiss\u00e3o de professora ou tutora de meninas. Ambas s\u00e3o desagrad\u00e1veis, pois, a primeira \u00e9 a de um \u201cservente qualquer com mais trabalho\u201d e a segunda ocupa-se de lidar com uma m\u00e3e ignorante que busca resultados r\u00e1pidos na educa\u00e7\u00e3o de seus filhos (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 18). As profiss\u00f5es que cabem \u00e0s mulheres, portanto, n\u00e3o lhe oferecem o sustento suficiente e, mais importante, s\u00e3o altamente desvalorizadas. O resultado \u00e9 a falta de status social \u2013 negado a uma mulher independente e s\u00f3 parcialmente disponibilizado para a mulher em um bom casamento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A religi\u00e3o possui um importante papel neste livro. Na se\u00e7\u00e3o \u201cRespeito ao domingo\u201d [\u201cObservance of the Sunday\u201d], Wollstonecraft argumenta sobre a import\u00e2ncia de guardar esse dia, com o objetivo de \u201cdescansar o corpo\u201d e \u201cacalmar a mente da busca muito ansiosa pelas sombras desta vida, que, receio, muitas vezes obscurecem a perspectiva de futuro e fixam nossos pensamentos na terra\u201d (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 31). Neste sentido, o fato de respeitar o terceiro mandamento crist\u00e3o n\u00e3o serve apenas como um ritual religioso, mas tem motivos racionais, como \u00e9 o caso de acalmar a mente e, sobretudo, serenar as paix\u00f5es que afugentam a alma de pensamentos mais elevados. Uma mente calma e tranquila \u00e9 importante para se alcan\u00e7ar o aperfei\u00e7oamento racional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O tema da educa\u00e7\u00e3o nos escritos de Wollstonecraft, que \u00e9 inaugurado em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, torna a fil\u00f3sofa uma importante porta-voz dos direitos das mulheres e a instaura em um lugar privilegiado, cuja extens\u00e3o da obra vai para al\u00e9m dos mares ingleses. Contudo, Wollstonecraft n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a escrever sobre educa\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XVIII ou antes disso. O que faz, ent\u00e3o, a escrita dela se sobressair?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com Jane Moore (1999), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 uma obra contextual, isto \u00e9, consoante com o seu tempo e marcada por um contexto hist\u00f3rico e social determinado. Al\u00e9m do mais, serve aos membros de uma nova classe social que surge na Inglaterra: comerciantes, advogados, engenheiros e profissionais liberais que s\u00e3o categorias masculinas e que ocupavam o espa\u00e7o p\u00fablico, deixando em casa suas esposas e filhas. Era preciso, portanto, construir um imagin\u00e1rio sobre os novos atores sociais. \u00c0s mulheres, serviria o mito de \u201cbonecas ornamentais\u201d cuja fraqueza f\u00edsica e a beleza deveriam ser o objetivo no \u00e2mbito dom\u00e9stico e, caberia a elas, no \u00e2mbito p\u00fablico, a inutilidade (MOORE, 1999, p. 9). Al\u00e9m disso, para que essas mulheres pudessem ter acesso aos materiais de forma\u00e7\u00e3o, era preciso que elas soubessem ler (RODRIGUES, 2010, p. 4).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda assim, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 uma obra que deve ser considerada nos estudos feministas, uma vez que, apesar da sua forma ser conservadora, seu conte\u00fado possui elementos que destoam do tradicionalismo esperado. Por exemplo, na se\u00e7\u00e3o de \u201cLeitura\u201d, Wollstonecraft afirma que ler \u00e9 a atividade racional que mais deve ser empregada por aqueles que desejam alimentar o entendimento (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 13). Al\u00e9m do mais, \u00e9 importante que as mulheres sejam cr\u00edticas e saibam formar uma opini\u00e3o por si mesmas \u2013 sem ficar apenas repetindo vagos elogios ou opini\u00f5es sobre grandes autores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora a mod\u00e9stia possa impedir que as pessoas compartilhem, eu gostaria que todos tentassem formar uma opini\u00e3o por si mesmos sobre um autor. Muitos est\u00e3o t\u00e3o ansiosos por terem uma reputa\u00e7\u00e3o de bom gosto que apenas elogiam os autores cujo m\u00e9rito \u00e9 incontest\u00e1vel. Estou farta de ouvir a sublimidade de Milton, a eleg\u00e2ncia e harmonia de Pope e o g\u00eanio original e inexplorado de Shakespeare. Essas observa\u00e7\u00f5es superficiais s\u00e3o feitas por alguns que nada sabem da natureza e n\u00e3o poderiam sequer entrar no esp\u00edrito desses autores ou entend\u00ea-los. (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 13)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pairava no ar a ideia, certo senso comum, de que as mulheres n\u00e3o seriam competentes intelectualmente \u2013 que a fil\u00f3sofa rebate. Escritores como Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), por exemplo, difundiam preconceitos acerca da raz\u00e3o feminina, afirmando que a natureza haveria estabelecido uma suposta diferen\u00e7a entre homens e mulheres e, deste modo, a raz\u00e3o feminina seria de ordem pr\u00e1tica, tendo que se ocupar de assuntos desta categoria (cf. ROUSSEAU, 2014, p. 547). Logo, j\u00e1 em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Wollstonecraft antecipa o que faria extensivamente na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: criticar esse tipo de teoria educacional voltada para as meninas, reivindicando uma educa\u00e7\u00e3o justa, porque completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m de argumentos, h\u00e1 ainda um recurso textual mais sutil para demonstrar a capacidade racional das mulheres: a escrita em primeira pessoa. Jane Moore destaca este fato: enquanto escritores como Jean-Jacques Rousseau e John Gregory (1724-1773) afirmam que as mulheres ou seriam incapazes ou deveriam \u201cperformar\u201d essa incapacidade quando em presen\u00e7a de homens, Wollstonecraft quebra esses dois padr\u00f5es. N\u00e3o s\u00f3 demonstra eloqu\u00eancia e ironia, como tamb\u00e9m capacidade intelectual suficiente para construir pensamentos abstratos e raciocinar \u2013 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">tal<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">como um homem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Ao escrever deste modo, Wollstonecraft demonstra rebeldia em sua prosa autodidata (MOORE, 1999, p. 11).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Este testemunho intelectual, em que vida e obra se mesclam no decorrer da narrativa, \u00e9 marca do trabalho te\u00f3rico de Wollstonecraft. A sua experi\u00eancia enquanto mulher, somada ao pensamento filos\u00f3fico d\u00e3o um tom pol\u00eamico aos seus escritos, mas, mais do que isso, demonstram a materialidade de sua teoria, a urg\u00eancia de quem vive no pr\u00f3prio corpo os dilemas que teoriza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 quem caracterize <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> como uma avalia\u00e7\u00e3o racional da vida da fil\u00f3sofa, de sua experi\u00eancia enquanto mulher (cf. MOORE, 1999, p. 16), sobretudo quando analisado em conjunto com sua biografia. O que n\u00e3o se pode deixar de observar \u00e9 que <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 uma obra paradoxal, assim como o curso da vida ordin\u00e1ria. Ao mesmo tempo em que a religi\u00e3o tem um papel importante na obra, ensinando mulheres certo apego aos dogmas religiosos como forma de conforto e esperan\u00e7a, o que ocasionalmente recai em resigna\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m questionamentos e novas coloca\u00e7\u00f5es que s\u00e3o provocativas ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">status quo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: seriam as mulheres diferentes dos homens aos olhos de Deus?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 ainda um forte apelo, que se inaugura nesta obra, que \u00e9 o fortalecimento da raz\u00e3o pelas mulheres. Ao passo que uma \u201cSenhora Adequada\u201d deveria estar atenta aos mandos de seus pares masculinos, para Wollstonecraft, seu modelo de \u201cProper Lady\u201d<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 o da mulher que possui a capacidade de pensar por si mesma. De acordo com ela, uma mulher racional n\u00e3o fugiria de seu papel social \u2013 de esposa, m\u00e3e e cuidadora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nenhum emprego da mente tem desculpa suficiente para negligenciar os deveres dom\u00e9sticos, e n\u00e3o posso conceber que eles sejam incompat\u00edveis. Uma mulher pode se preparar para ser a companheira e amiga de um homem sensato e, ainda, saber como cuidar de sua fam\u00edlia. (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 14)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro ponto importante a destacar, certa marca progressista que j\u00e1 se faz vis\u00edvel, \u00e9 a opini\u00e3o de Wollstonecraft sobre o casamento. Na se\u00e7\u00e3o \u201cMatrim\u00f4nio\u201d, a fil\u00f3sofa destaca que \u00e9 importante que as mulheres n\u00e3o se casem muito jovens, pois o casamento precoce \u00e9 empecilho para o aperfei\u00e7oamento. Ela afirma que, caso as mulheres nascessem apenas para \u201cnutrir, propagar-se e apodrecer\u201d (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 23), tal como os animais, quanto mais cedo a cria\u00e7\u00e3o acabasse, melhor. No entanto, como as mulheres t\u00eam uma alma, esta deve ser alimentada (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 23). Assim, quando uma mulher se casa muito jovem, ela direciona seus esfor\u00e7os para agradar ao seu marido e enfraquece suas possibilidades de desenvolvimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na juventude, uma mulher se esfor\u00e7a para agradar o outro sexo, geralmente, a fim de se casar, e esse esfor\u00e7o invoca todos os seus poderes. Se ela teve uma educa\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel, o fundamento est\u00e1 apenas estabelecido, porque a mente ainda n\u00e3o chegou \u00e0 maturidade e n\u00e3o deve ser absorvida pelos cuidados dom\u00e9sticos antes que quaisquer h\u00e1bitos sejam corrigidos. (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 23)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na vis\u00e3o da inglesa, o matrim\u00f4nio perde sua aura de institui\u00e7\u00e3o sagrada e necess\u00e1ria para as mulheres e se torna um projeto a dois, no qual ambos importam e n\u00e3o apenas a parte masculina, tal como era difundido na \u00e9poca. O casamento tamb\u00e9m \u00e9 o espa\u00e7o de desenvolvimento do orgulho pr\u00f3prio. \u00c9 importante que esse orgulho seja um apre\u00e7o por si, ou seja, que a mulher saiba impor suas vontades diante das do seu companheiro, bem como diferenciar uma ofensa de um desacordo e n\u00e3o se ofender por pouco, sabendo dialogar consigo e com o outro (WOLLSTONECRAFT, 2018, p. 24).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre as contradi\u00e7\u00f5es presentes no texto de Wollstonecraft, Patr\u00edcia Rodrigues (2010) afirma que esta quest\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m de ordem contextual, pois \u00e9 experimentada por boa parte das mulheres do s\u00e9culo XVIII. As revolu\u00e7\u00f5es que se ambientaram neste per\u00edodo ofertavam liberdade e surgimento de novos costumes. No entanto, essas ofertas eram mais vantajosas e maiores apenas para a parte masculina da sociedade, pois a quest\u00e3o feminina n\u00e3o era negoci\u00e1vel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas inglesas destemidas atravessaram o Canal e experimentaram, em primeira m\u00e3o, os eventos e as consequ\u00eancias da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Gravando suas impress\u00f5es em cartas, mem\u00f3rias e prosa publicada, elas desenvolveram, a partir da ideologia inicial da revolu\u00e7\u00e3o \u2013 o grito de guerra de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">libert\u00e9, igualit\u00e9, fraternit\u00e9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u2013, uma nova vis\u00e3o tanto do governo ideal quanto da natureza e [do] papel das mulheres. No entanto, a sociedade inglesa, altamente conservadora, n\u00e3o estava muito aberta a negocia\u00e7\u00f5es sobre a quest\u00e3o feminina. (RODRIGUES, 2010, p. 3)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Esta mulher, resultado deste embara\u00e7o social do qual surgiam concomitantemente novos direitos e formas de opress\u00e3o, pairava sobre o imagin\u00e1rio de Wollstonecraft.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m do mais, Wollstonecraft n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de nutrir em suas leitoras uma vida imagin\u00e1ria, digna dos contos de fadas. Ao tratar de assuntos como casamento e vida financeira, a fil\u00f3sofa adquiria um tom sincero e direto, cuja franqueza alertava as meninas que em sonhos como o casamento perfeito se escondiam fatos como submiss\u00e3o e decep\u00e7\u00f5es amorosas (MOORE, 1999, p. 15).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em termos pr\u00e1ticos, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 um livro obsoleto para os dias atuais. Ainda assim, \u00e9 uma rica fonte de elementos que constitu\u00edam as expectativas acerca do comportamento feminino no s\u00e9culo XVIII, cuja extens\u00e3o pode ser vista at\u00e9 hoje em revistas femininas que apresentam modelos \u201cadequados\u201d de como se comportar em determinadas situa\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, quando comparado no horizonte dos escritos de Wollstonecraft, pode-se enxergar nele o g\u00e9rmen de uma escritora que adotaria em sua prosa a rebeldia de uma mulher inconformada com o que lhe era oferecido,\u00a0 embora ainda muito imersa em seu contexto hist\u00f3rico para poder antever mulheres em mais espa\u00e7os para al\u00e9m do dom\u00e9stico. Anos mais tarde, ela escreveria na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Posso provocar risadas ao lan\u00e7ar uma insinua\u00e7\u00e3o que pretendo desenvolver no futuro, mas eu realmente acredito que as mulheres devem ter representantes, em vez de serem governadas arbitrariamente, sem qualquer participa\u00e7\u00e3o direta nas delibera\u00e7\u00f5es do governo. (WOLLSTONECRAFT, 2016, p. 190)\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das limita\u00e7\u00f5es de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 a de n\u00e3o oferecer alternativas para a educa\u00e7\u00e3o das meninas, em meio \u00e0s cr\u00edticas e recomenda\u00e7\u00f5es oferecidas, al\u00e9m de apenas acrescentar elementos e n\u00e3o substituir as \u00fanicas fun\u00e7\u00f5es femininas: a de esposa e m\u00e3e (RODRIGUES, 2010, p. 12). Junto com esses pap\u00e9is, sucede-se uma imagem de mulher como companheira do homem \u2013 e n\u00e3o como uma pessoa suficiente por si mesma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma possibilidade de pensar as raz\u00f5es de Wollstonecraft n\u00e3o ter ido mais longe em suas proposi\u00e7\u00f5es \u00e9 colocada por Nancy Hirschmann e Emily Regier (2019), como uma liberdade de subjetividade [subjectivity freedom] cujo horizonte de possibilidades \u00e9 \u201cinevitavelmente produzido pelo[s] costume[s], ideologia, lei, linguagem e outras forma\u00e7\u00f5es sociais\u201d (2019, p. 656). Deste modo, Wollstonecraft n\u00e3o estaria totalmente livre das constru\u00e7\u00f5es patriarcais.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quanto a essas limita\u00e7\u00f5es, minha contribui\u00e7\u00e3o passa pelo sentido de que mais uma vez as contradi\u00e7\u00f5es sociais e hist\u00f3ricas, somadas \u00e0s inquieta\u00e7\u00f5es internas de Wollstonecraft, colaborariam para que ela pudesse ser descompassada em suas afirma\u00e7\u00f5es. H\u00e1 que se considerar ainda que talvez sua juventude a impedisse de enxergar e compreender determinadas incoer\u00eancias sociais e pessoais. No decorrer de sua carreira, \u00e9 poss\u00edvel observar que Wollstonecraft n\u00e3o apenas aperfei\u00e7oava seus escritos bem como a si mesma. Assim, \u00e9 ineg\u00e1vel seu compromisso com a sua teoria. Aos seres humanos perfect\u00edveis, inclusive a si mesma, cabe a busca pela perfei\u00e7\u00e3o racional e moral.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A recep\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos sobre a Educa\u00e7\u00e3o das Meninas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi moderada, tendo uma reimpress\u00e3o, apenas uma resenha em um jornal (RODRIGUES, 2010, p. 8) e poucas tradu\u00e7\u00f5es ou edi\u00e7\u00f5es de qualidade da obra. A sua tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas seria um importante passo para proporcionar \u00e0s leitoras e leitores do Brasil, e de outros pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa, a chance de conhecer melhor Mary Wollstonecraft, cuja obra n\u00e3o se limita ao livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. No mais, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Pensamentos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> pode ser considerado como um not\u00e1vel come\u00e7o para o desenvolvimento de uma cr\u00edtica feminista, al\u00e9m de ser a primeira pe\u00e7a do mosaico da carreira de uma potente fil\u00f3sofa do s\u00e9culo XVIII.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Obras Citadas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Berg\u00e8s, Sandrine. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The Routledge Guidebook to Wollstonecraft\u2019s <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">A Vindication of the Rights of Woman. London &amp; New York: Routledge, 2013.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Brody, Miriam. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft: Mother of women&#8217;s rights.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Oxford &amp; Nova York: Oxford University Press, 2000.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hirschmann, Nancy J., e Emily F. Regier. \u201cMary Wollstonecraft, Social Constructivism, and the Idea of Freedom.\u201d <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Politics &amp; Gender<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (15), 2019, pp. 645-670.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Moore, Jane. \u201cEarly Rebellion: Thoughts on the Education of Daughters, Mary: A Fiction, and the &#8220;The Cave of Fancy&#8221;.\u201d In: Moore, J. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Mary Wollstonecraft<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Liverpool: Liverpool University Press, 1999, pp. 9-23<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Oliveira, D\u00e9bora A. de. \u201cMary Wollstonecraft: Conformidade e Rebeli\u00e3o em Thoughts on the Education of Daughters.\u201d. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Revista \u00c1rtemis,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> jan-julho 2015, pp. 73-81.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Poovey, Mary. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">The \u201cProper Lady\u201d and the Woman Writer: Ideology as Style in the Works of Mary Wollstonecraft, Mary Shelley, and Jane Austen.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Chicago and London: The University of Chicago Press, 1984.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rodrigues, Patr\u00edcia. \u201cFemale Education in the Eighteenth-Century: The Contribution of Mary Wollstonecraft&#8217;s &#8220;Thoughts on the Education of Daughters&#8221;. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">International Journal of Arts and Sciences<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (3(16)), 2010, pp. 202-216.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rousseau, Jean-Jacques. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Em\u00edlio ou da Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> 4. Tradu\u00e7\u00e3o: Roberto Leal Ferreira. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wollstonecraft, Mary. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Reivindica\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2016.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">______.<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Thoughts on the Education of Daughters<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">: with Reflections on Female Conduct in the More Important Duties of Life<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Altenmuster: Jazzy Bee, 2018.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> ISBN: 9783849681012.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sarah Bonfim Mestranda no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Filosofia da Universidade Estadual de Campinas, com\u00a0 est\u00e1gio BEPE\/FAPESP na Universidade<\/p>\n","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-812","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=812"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":829,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/812\/revisions\/829"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}