{"id":901,"date":"2021-04-28T15:25:45","date_gmt":"2021-04-28T18:25:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/?page_id=901"},"modified":"2022-04-25T17:52:46","modified_gmt":"2022-04-25T20:52:46","slug":"bell-hooks","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/bell-hooks\/","title":{"rendered":"bell hooks"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns has-1-columns has-desktop-equal-layout has-tablet-equal-layout has-mobile-equal-layout has-default-gap has-vertical-unset\" id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns-78d9ba28\"><div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-columns-overlay\"><\/div><div class=\"innerblocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column\" id=\"wp-block-themeisle-blocks-advanced-column-dbeeac08\">\n<p>(1952 &#8211; 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>Por <strong>Maril\u00e9a de Almeida<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Doutora em Hist\u00f3ria pela Unicamp e autora do pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o brasileira do livro \u201cErguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra\u201d, da feminista estadunidense bell hooks, publicado, em 2019,&nbsp;pela editora Elefante &#8211; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7690414229704018\">Lattes.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-906\" style=\"width: NaNpx\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks.pdf\" alt=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-908\" style=\"width: NaNpx\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks-1.pdf\" alt=\"\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks-1.pdf\">PDF &#8211; bell hooks<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-902 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks-300x286.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"286\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks-300x286.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks-1024x977.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks-768x733.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks-24x24.png 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-content\/uploads\/sites\/178\/2021\/04\/bell-hooks.png 1132w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p>Sem sombra de d\u00favida, bell hooks \u00e9 uma das mais importantes intelectuais da atualidade. Desde a d\u00e9cada de 1980 at\u00e9 os dias atuais,&nbsp;ela j\u00e1 publicou&nbsp;mais de 30 livros em que, por meio de uma linguagem acess\u00edvel, expressa um pensamento complexo, avesso \u00e0s formula\u00e7\u00f5es simplistas. Uma produ\u00e7\u00e3o que denuncia, sem subterf\u00fagios, as at\u00e1vicas conex\u00f5es entre imperialismo econ\u00f4mico, supremacia branca e patriarcado.&nbsp;Suas&nbsp;obras s\u00e3o&nbsp;refer\u00eancias para adensarmos nossa compreens\u00e3o de como as din\u00e2micas de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero se exprimem nas pr\u00e1ticas culturais, acad\u00eamicas, subjetivas e cotidianas. Diante de uma pensadora t\u00e3o singular, perguntamos: de que forma os temas de suas an\u00e1lises e seu estilo narrativo foram sendo constru\u00eddos em sua trajet\u00f3ria intelectual?<\/p>\n\n\n\n<p>Angulada por essa quest\u00e3o, neste verbete descrevo de forma panor\u00e2mica a vida e a obra de bell hooks, especialmente no que tange \u00e0 sua trajet\u00f3ria intelectual e aos processos pelos quais ela se torna bell hooks.&nbsp;Para tanto, o verbete est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes. A primeira percorre&nbsp;aspectos biogr\u00e1ficos, focalizando sua rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento, espa\u00e7o escolar e o ambiente universit\u00e1rio. A segunda articula a obra de bell hooks&nbsp; com a&nbsp; emerg\u00eancia, nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, dos feminismos negros. A terceira parte descreve temas e abordagens que s\u00e3o recorrentes em seus livros como&nbsp; cr\u00edtica \u00e0 pr\u00e1xis pedag\u00f3gica, cr\u00edtica \u00e0&nbsp; produ\u00e7\u00e3o cultural, reflex\u00f5es sobre espiritualidade, amor e autoestima e as din\u00e2micas de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trajet\u00f3ria escolar e acad\u00eamica&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gloria Jean Watkins \u00e9 o nome de batismo de bell hooks. Ela nasceu em 1952, em Hopkinsville, uma pequena cidade segregada do estado de Kentucky, no sul dos Estados Unidos. Ela cresceu em uma fam\u00edlia de classe trabalhadora: seu pai era zelador e sua m\u00e3e dona de casa. Al\u00e9m dos pais, ela foi criada com cinco irm\u00e3s e um irm\u00e3o. A escolha do pseud\u00f4nimo bell hooks \u00e9 uma homenagem \u00e0 sua bisav\u00f3 Bell Blair Hooks, conhecida dentro da fam\u00edlia pela sua coragem de dizer a verdade. Uma mulher de l\u00edngua afiada, sem papas na l\u00edngua. Quando bell hooks come\u00e7a escrever, ela adota o nome da bisav\u00f3 como uma forma de reivindicar esse legado, j\u00e1 que desde a inf\u00e2ncia hooks tamb\u00e9m gostava de expressar suas ideias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nascer mulher negra no sul do Estados Unidos, na d\u00e9cada de 1950, em um contexto de segrega\u00e7\u00e3o racial e em uma fam\u00edlia de dom\u00ednio patriarcal, significa vir ao mundo em um tempo e um espa\u00e7o, nos quais as oportunidades de exist\u00eancia para mulheres negras estavam limitadas ao trabalho dom\u00e9stico (seja dentro ou fora de casa), casamento e filhos. Em termos profissionais, garotas que gostavam de ler e estudar, como hooks,&nbsp; poderiam ser professoras. Em <em>Wounds of Paisson: a writting life <\/em>(1997), livro de mem\u00f3rias que narra sua rela\u00e7\u00e3o amorosa com a escrita, hooks conta que ser professora naquele contexto significava optar por uma vida celibat\u00e1ria. O magist\u00e9rio era visto como algo quase sacerdotal.&nbsp; A mulher que optava pela carreira de professora renunciava \u00e0 vida amorosa e \u00e0 vida sexual.&nbsp; De um modo geral, as meninas n\u00e3o eram estimuladas a desenvolver o intelecto, j\u00e1 que, conforme afirmava o pai de bell hooks, \u201cos homens n\u00e3o gostam de mulheres que falam o que pensam\u201d (HOOKS,1997). Quando crian\u00e7a, por ser uma menina que expressava seus pensamentos, hooks costumava ser punida no ambiente familiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para construir a minha voz eu tinha que falar \u2013 e falar foi o que fiz \u2013 lan\u00e7ando-me para dentro e para fora de conversas e di\u00e1logos de gente grande, respondendo a perguntas que n\u00e3o eram dirigidas a mim, fazendo perguntas sem-fim, discursando. Nem preciso dizer que as puni\u00e7\u00f5es para esses atos discursivos eram infinitas. Elas tinham o prop\u00f3sito de silenciar \u2013 a crian\u00e7a, mais particularmente a menina. Se eu fosse um menino, eles teriam me encorajado a falar, acreditando que assim, algum dia, eu poderia ser chamado para pregar&#8221;. (HOOKS, 2019a, p. 32)\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se no espa\u00e7o familiar seu intelecto era observado com desconfian\u00e7a e muitas vezes era alvo de puni\u00e7\u00f5es. Foi na escola segregada, onde&nbsp;estudou durante a inf\u00e2ncia, que bell hooks encontrou professoras negras que valorizavam sua intelig\u00eancia. Ela conta que para aquelas professoras, a boa educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava ligada \u00e0 mera transmiss\u00e3o de conte\u00fados e a prepara\u00e7\u00e3o dos estudantes para&nbsp;o exerc\u00edcio de uma profiss\u00e3o (HOOKS, 2020, p.23). Ao contr\u00e1rio, hooks experimentou uma forma\u00e7\u00e3o que incentivava simultaneamente o intelecto e o compromisso com a justi\u00e7a social, especialmente a igualdade racial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Naquela \u00e9poca, ir \u00e0 escola era pura alegria. Eu adorava ser aluna. Adorava aprender. A escola era o lugar do \u00eaxtase \u2013 do prazer e do perigo. Ser transformada por ideias novas era puro prazer\u201d (HOOKS, 2013, p.11)<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da adolesc\u00eancia a rela\u00e7\u00e3o de bell hooks com a escola transforma-se. A escola deixa de ser um lugar onde ela se sente potente. Isso ocorre quando ela&nbsp; passa a frequentar uma escola dessegregada. O que isso significa?&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, entre 1876 e 1965, nos estados do Sul existiam as chamadas \u201cJim Crow\u201d, leis que oficializaram o sistema de segrega\u00e7\u00e3o racial,&nbsp; separando negros e brancos nos assentos de trens, nos bebedouros, nas escolas. Era chamada a doutrina do separado, por\u00e9m \u201cigual\u201d. Tudo isso servia para manter as pessoas negras em posi\u00e7\u00f5es subordinadas, negando-lhes acesso a n\u00edveis razo\u00e1veis de educa\u00e7\u00e3o e emprego. O movimento pelos direitos civis, protagonizado pelo movimento negro estadunidense, teve in\u00edcio nos anos de 1950 e sua luta colocou fim nas legisla\u00e7\u00f5es segregacionistas, o que levou \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es afirmativas para popula\u00e7\u00e3o negra estadunidense (CASHMORE, 2000, p.505-508).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto de transforma\u00e7\u00f5es, bell hooks frequenta o High School, dessegregado. O per\u00edodo \u00e9 narrado por ela como um per\u00edodo de profunda tristeza, j\u00e1 que os estudantes negros sofriam um racismo sist\u00eamico dentro do espa\u00e7o escolar.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Durante a profunda tristeza dos meus anos de adolescente, era frequente eu me ver em uma aula de Hist\u00f3ria, no fim da tarde, chorando silenciosamente. Ao meu redor, estudantes e professor fingiam n\u00e3o notar. O ensino m\u00e9dio havia sido dessegregado recentemente. Para alcan\u00e7ar esse objetivo, estudantes negros eram for\u00e7ados a se levantar mais cedo que o de costume e ir de \u00f4nibus para escola \u201cbranca\u201d, onde ser\u00edamos amontoados no gin\u00e1sio e obrigados a esperar que os estudantes brancos chegassem e entrassem na escola primeiro. Pela l\u00f3gica da supremacia branca, era assim que se mantinha a paz. [&#8230;] N\u00e3o era de se espantar, ent\u00e3o, que, em uma sala de aula s\u00f3 de pessoas brancas, com apenas dois estudantes negros, ningu\u00e9m quisesse reconhecer meus sentimentos, meu sofrimento&#8221; (HOOKS, 2020, p. 128-129).<\/p>\n\n\n\n<p>A escola&nbsp; transformou-se&nbsp; no lugar que minava a sua autoestima intelectual.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1970, com dezoito anos de idade, hooks ingressa&nbsp;na&nbsp;Universidade de Stanford, na Calif\u00f3rnia, para estudar L\u00edngua inglesa. No espa\u00e7o universit\u00e1rio,&nbsp; ela tamb\u00e9m encontra um ambiente hostil para pessoas negras, especialmente para as mulheres, conforme detalha:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Precisamos de mais relatos autobiogr\u00e1ficos da primeira gera\u00e7\u00e3o de estudantes negros que ingressaram em escolas e universidades predominante brancas. Imagine como \u00e9 ter aulas com um professor que n\u00e3o acredita que voc\u00ea \u00e9 totalmente humano. Imagine como \u00e9 ter aulas com professores que acreditam pertencer a uma ra\u00e7a superior e sentem que n\u00e3o deveriam ter de se rebaixar dando aulas para estudantes que eles consideram incapazes de aprender. Em geral, sab\u00edamos quais professores brancos nos odiavam e evit\u00e1vamos suas aulas, a menos que elas fossem absolutamente imprescind\u00edveis. Como a maioria de n\u00f3s chegou \u00e0 faculdade na esteira de uma poderosa luta antirracista por direitos civis, sab\u00edamos que encontrar\u00edamos aliados nessa luta \u2013 e, de fato, encontramos. Notadamente, o machismo confesso de meus professores era mais duro que seu racismo velado&#8221;&nbsp; (hooks, 2020, p. 24).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No auge do movimento feminista, em 1973, bell hooks finaliza a gradua\u00e7\u00e3o e, em 1976, conclui o mestrado em ingl\u00eas na Universidade de Wisconsin-Madison. Em 1983, ap\u00f3s anos lecionando e escrevendo, finda seu doutorado em Literatura&nbsp; pela Universidade da Calif\u00f3rnia, com uma tese sobre Toni Morrison intitulada <em>Keeping a hold on life: reading Toni Morrison\u00b4s fiction. <\/em>&nbsp;Como professora universit\u00e1ria, ela atuou em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es: Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, Universidade da Calif\u00f3rnia, Yale, Orbelim College, City College de Nova York, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os anos 1970 e 1980, assim como outras intelectuais e ativistas negras dos Estados Unidos e da Am\u00e9rica Latina, hooks presencia, dentro do movimento negro, dominado pelos homens, a nega\u00e7\u00e3o do machismo, e no movimento feminista, dominado pelas mulheres brancas, a nega\u00e7\u00e3o do racismo. Essa dupla nega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se expressava nas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas. A indigna\u00e7\u00e3o sobre o silenciamento das experi\u00eancias de mulheres negras foi central para que ela definisse seus interesses de&nbsp; pesquisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A esse respeito, em 1981, \u00e9 exemplar a publica\u00e7\u00e3o do seu primeiro livro: <em>E eu n\u00e3o sou uma mulher? Mulheres negras e o feminismo, <\/em>cuja<em> <\/em>&nbsp;pesquisa e escrita foram realizadas durante a gradua\u00e7\u00e3o. O t\u00edtulo do livro recupera a pergunta proferida por Sojourner Truth \u2013 abolicionista e oradora \u2013 que, no s\u00e9culo XIX, defendeu que a todas as mulheres, incluindo as negras, fosse dado o direito de voto, j\u00e1 que na \u00e9poca a discuss\u00e3o inclu\u00eda apenas as mulheres brancas e os homens negros.&nbsp; Desse modo, hooks atualiza o questionamento de Truth para tornar vis\u00edvel em seu trabalho as experi\u00eancias das mulheres negras durante escravid\u00e3o, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da mulheridade negra, o sexismo do homem negro, o racismo dentro do movimento feminista e o envolvimento das mulheres negras com o feminismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O pensamento de bell hooks e a emerg\u00eancia&nbsp; do feminismo negro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;As motiva\u00e7\u00f5es que levaram hooks a escrever e publicar seu primeiro livro est\u00e3o inseridas em um contexto mais amplo de emerg\u00eancia, nos anos de 1970 e 1980, do <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/feminismo-negro\/\">feminismo negro<\/a> nos Estados Unidos e na Am\u00e9rica Latina. Naquele momento, a luta pol\u00edtica envolvia simultaneamente a disputa pelos espa\u00e7os editoriais e acad\u00eamicos.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, o mercado editorial dos Estados Unidos encontrou&nbsp; um&nbsp; novo nicho:&nbsp; a experi\u00eancia da mulher negra, focalizando sobretudo no per\u00edodo da escravid\u00e3o. V\u00e1rios desses trabalhos, escritos por pessoas brancas, refor\u00e7avam estere\u00f3tipos como, por exemplo, a&nbsp;for\u00e7a da mulher negra, baseada na premissa de que as mulheres negras conseguem contornar o impacto da opress\u00e3o sexista ao serem fortes.&nbsp; Segundo bell hooks, essa tend\u00eancia que,&nbsp; come\u00e7ou no movimento feminista, de romantizar a vida das mulheres negras, refletiu-se na cultura como um todo.&nbsp; A esse respeito, hooks afirma que \u201cser forte diante da opress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o mesmo que super\u00e1-la\u201d e feministas negras compreenderam que precisavam produzir narrativas outras e ao mesmo tempo recuperar uma tradi\u00e7\u00e3o feminina negra de an\u00e1lise da realidade.&nbsp; Sojourner Truth, Mary Church Terrel, Ana Julia Cooper, Amanda Berry Smith, entre outras mulheres que tiveram atua\u00e7\u00e3o no passado, tiveram seus trabalhos revisitados pelas feministas negras nos anos de 1970 e 1980, conforme fez bell hooks.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Escrever e publicar em formatos variados era parte integrante&nbsp; da batalha. Destaca-se, na d\u00e9cada de 1970, a antologia coordenada por Toni Cade Bambara com ensaios e poesias de autoras como Audre Lorde, Alice Walker, Frances Beale, Carole Brown, entre outras. \u00c9 importante destacar a publica\u00e7\u00e3o, em 1978, do livro <em>Black Macho and Myth of Super Woman<\/em>,<em> <\/em>de Michele Wallace. Nesse mesmo per\u00edodo, emerge o Coletivo Combahee River, uma organiza\u00e7\u00e3o feminista negra e l\u00e9sbica ativa em Boston, com atua\u00e7\u00e3o entre os anos de 1974 e 1980. Essa organiza\u00e7\u00e3o entendia o feminismo negro como o movimento pol\u00edtico importante para combater as m\u00faltiplas e simult\u00e2neas opress\u00f5es que as mulheres negras&nbsp;enfrentavam.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1980, as publica\u00e7\u00f5es seguem em escala crescente.&nbsp; Destacam-se os trabalhos de: Barbara Christian \u2013 <em>Black Women Novelists<\/em> (1980);&nbsp;Angela Davis \u2013 <em>Women, Race &amp; Class<\/em> (1981); Paula Gidding \u2013 <em>When and Where I Enter<\/em>: the impact of Black Women on sex and Race in America&nbsp;(1984); Alice Walker \u2013 <em>In Search of Our Mothers Gardens<\/em>: Womanist Prose (1983); Barbara Smith \u2013 <em>Home Girls:<\/em> A Black Feminist Anthology&nbsp;(1983); Audre Lorde \u2013 <em>Sister Outsider<\/em>: Essays and Speeches (1984); Guy-Sheftall Beverly &#8211; <em>Words in the fire<\/em>: an anthology of African- American Feminist Thought (1992). A lista \u00e9 imensa, mas a pequena amostra permite visualizarmos as condi\u00e7\u00f5es&nbsp; hist\u00f3ricas&nbsp;em que o pensar e o escrever de bell hooks est\u00e1 inserido.&nbsp; Ao longo de suas obras, ela dialoga com essa produ\u00e7\u00e3o feminista negra. Nota-se que, dos livros mencionados, apenas dois foram traduzidos e publicados no Brasil: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/mulheres-raca-e-classe\/\"><em>Mulheres, ra\u00e7a e classe <\/em>de Angela Davis<\/a> (2016) e <em>Irm\u00e3 outsider<\/em>: <em>ensaios e confer\u00eancias<\/em> de Audre Lorde (2019).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de discuss\u00e3o conceitual, a partir da d\u00e9cada de 1990, a&nbsp; no\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia torna-se tema central para os feminismos. Isso porque a chamada terceira <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/ondas-do-feminismo\/\">onda do feminismo<\/a>, marcada pela reivindica\u00e7\u00e3o das feministas negras, latinas e ind\u00edgenas, entre outras, questionava, sobretudo, a naturaliza\u00e7\u00e3o do sujeito mulher em torno das experi\u00eancias das mulheres brancas de classe m\u00e9dia. A discuss\u00e3o girava em torno de duas quest\u00f5es: quem pode narrar as experi\u00eancias e o problema a respeito da essencializa\u00e7\u00e3o dos sujeitos e de suas pr\u00e1ticas, ou seja, a ideia de que os sujeitos n\u00e3o precedem \u00e0s experi\u00eancias, mas s\u00e3o constitu\u00eddos por meio de pr\u00e1ticas discursivas e n\u00e3o discursivas. (PERPICH, 2010, p. 13-34).&nbsp; A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 a seguinte: por acaso a experi\u00eancia da opress\u00e3o confere uma compet\u00eancia especial sobre o direito de falar da opress\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esse debate, bell hooks, em <em>Ensinando a transgredir: a educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade<\/em>, publicado nos EUA em 1994,&nbsp; realiza&nbsp; autocr\u00edtica&nbsp; e aponta caminhos sobre os usos da experi\u00eancia. Para tanto, ela narra que, quando come\u00e7ou a lecionar, ficou grata ao descobrir a express\u00e3o \u201cautoridade da experi\u00eancia\u201d nos escritos feministas. Isso&nbsp; porque a express\u00e3o permitiu que ela narrasse as experi\u00eancias das mulheres negras, algo que sentia falta desde sua gradua\u00e7\u00e3o. hooks sabia que a realidade das mulheres negras estava sendo exclu\u00edda e que n\u00e3o havia corpo te\u00f3rico que ela pudesse invocar para comprovar sua alega\u00e7\u00e3o. Assim,&nbsp; hooks afirma que, na d\u00e9cada 1980, quando \u201cningu\u00e9m queria ouvir falar da desconstru\u00e7\u00e3o da mulher negra como categoria de an\u00e1lise\u201d, a&nbsp; ideia de \u201cautoridade da experi\u00eancia\u201d favoreceu que ela ganhasse ouvintes ao publicar <em>Ain\u00b4t I a Woman; Black Women and Feminism<\/em>. (hooks, 2013, p. 122).&nbsp; Apesar desse percurso, hooks reconhece que o termo \u201cautoridade da experi\u00eancia\u201d pode ser usado com um vi\u00e9s autorit\u00e1rio e essencialista, conforme detalha:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Hoje me sinto perturbada pelo termo \u201cautoridade da experi\u00eancia\u201d e tenho aguda consci\u00eancia de como ele \u00e9 usado para silenciar e excluir.&nbsp; Mas quero dispor de uma express\u00e3o que afirme o car\u00e1ter especial daqueles modos de conhecer radicados na experi\u00eancia. Sei que a experi\u00eancia pode ser um meio de conhecimento e pode informar o modo como sabemos o que sabemos. Embora me oponha a qualquer pr\u00e1tica essencialista que construa a identidade de maneira monol\u00edtica exclusiva, n\u00e3o quero abrir m\u00e3o do poder da experi\u00eancia como ponto de vista a partir do qual pode-se fazer uma an\u00e1lise ou formular uma teoria.&nbsp;Eu me perturbo, por exemplo, quando todos os cursos sobre hist\u00f3ria ou literaturas negras em algumas faculdades e universidades s\u00e3o dados unicamente por professores brancos; me perturbo n\u00e3o porque penso que eles n\u00e3o conseguem conhecer essas realidades, mas sim porque as conhecem de modo diferente. [&#8230;] Esse ponto de vista privilegiado n\u00e3o pode ser adquirido por meio de livros, tampouco pela observa\u00e7\u00e3o distanciada e pelo estudo de uma determinada realidade. Para mim esse ponto de vista privilegiado n\u00e3o nasce da \u201cautoridade da experi\u00eancia\u201d, mas sim da paix\u00e3o da experi\u00eancia, da paix\u00e3o da lembran\u00e7a&#8221; (HOOKS, 2013, p. 122-123).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, era fundamental para o feminismo negro produzir conceitos que tornassem vis\u00edvel a singularidade das mulheres negras. Em 1970, por exemplo, Frances Beale criou o conceito \u201cDouble Jeopardy\u201d [Dupla Amea\u00e7a] para descrever como as opress\u00f5es de ra\u00e7a e g\u00eanero se mesclam nas experi\u00eancias das mulheres negras. (BEALE, 1970). Em 1989, a jurista Kimberl\u00e9 Crenshaw cunhou o conceito <em>interseccionalidade<\/em>&nbsp; para descrever as v\u00e1rias maneiras com que ra\u00e7a e g\u00eanero interagem formando uma dimens\u00e3o&nbsp; m\u00faltipla&nbsp; das experi\u00eancias das mulheres negras no mercado de trabalho, explorando os v\u00e1rios modos como a intersec\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a e g\u00eanero moldam de maneira estrutural os aspectos da viol\u00eancia contra as mulheres negras. (CRENSHAW,1989). Vale a pena dizer que a abordagem&nbsp;interseccional tem sido usada por mulheres negras h\u00e1 muito tempo, sem que a pr\u00e1tica fosse nomeada desse modo. No Brasil, autoras como <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/lelia-gonzalez\/\">L\u00e9lia Gonzalez<\/a>, Beatriz Nascimento, Luiza Bairros, Helena Theodoro, Sueli Carneiro, entre outras, tamb\u00e9m chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a especificidade das mulheres negras, articulando ra\u00e7a, classe, g\u00eanero e sexualidade em suas cria\u00e7\u00f5es conceituais. Apesar de bell hooks n\u00e3o usar o conceito <em>interseccionalidad<\/em>e em seus trabalhos, ela segue uma tradi\u00e7\u00e3o feminista negra de analisar como as din\u00e2micas de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero se articulam. Para isso, ela usa a no\u00e7\u00e3o <em>imperialist white capitalist supremacist patriarchy<\/em> [ <em>patriarcado imperialista da supremacia capitalista branca<\/em>].<\/p>\n\n\n\n<p>O percurso realizado at\u00e9 aqui permite visualizarmos que o <em>tornar-se bell hooks<\/em> insere-se em um contexto vigoroso de produ\u00e7\u00e3o dos feminismos negros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Temas e abordagens&nbsp; recorrentes&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em seus trabalhos, bell hooks mostra como as dimens\u00f5es subjetivas est\u00e3o articuladas \u00e0s quest\u00f5es estruturais como racismo, capitalismo, imperialismo, patriarcado. Isso favorece que ela mobilize in\u00fameros debates. Por isso, \u00e9 uma tarefa \u00e1rdua mapear temas recorrentes em sua obra. Desse modo, apenas para fins did\u00e1ticos, divido sua produ\u00e7\u00e3o em quatro eixos anal\u00edticos:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>Cr\u00edtica \u00e0 pr\u00e1xis pedag\u00f3gica<\/li><li>Cr\u00edtica \u00e0&nbsp; produ\u00e7\u00e3o cultural<\/li><li>Reflex\u00f5es sobre espiritualidade, amor e autoestima<\/li><li>Din\u00e2micas de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante salientar que \u00e9 comum ela retomar experi\u00eancias em livros diferentes.&nbsp;Isso para dizer que esses eixos tem\u00e1ticos s\u00e3o encontrados de forma transversal em in\u00fameras de suas obras. Mas h\u00e1 livros em que bell hooks trata especificamente de alguns desses temas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a cr\u00edtica \u00e0 pr\u00e1xis pedag\u00f3gica, hooks realiza essas an\u00e1lises sobretudo&nbsp; na&nbsp;chamada trilogia do ensino: <em>Ensinando a transgredir: educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade<\/em> (EUA:1994\/Brasil:2013); <em>Ensinando Comunidade: uma pedagogia da esperan\u00e7a<\/em> (EUA:2003\/Brasil: no prelo pela editora Elefante); <em>Ensinando pensamento cr\u00edtico: sabedoria pr\u00e1tica<\/em> (EUA:2010\/Brasil:2020). Nesses trabalhos, destaca-se a inspira\u00e7\u00e3o&nbsp; de Paulo Freire em suas reflex\u00f5es. Repetidas vezes bell hooks narra como o seu encontro te\u00f3rico com o educador brasileiro foi uma esp\u00e9cie de epifania, especialmente quando ela se torna professora. Isso explica-se devido ao seu desejo de construir pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas democr\u00e1ticas que valorizem a diferen\u00e7a, sem fugir dos conflitos, mas fundadas no respeito \u00e0 dignidade humana.&nbsp; Isso n\u00e3o significa que hooks n\u00e3o realize cr\u00edticas ao sexismo presente na obra de Freire.&nbsp; A esse respeito, hooks declarou: \u201c A presen\u00e7a de Paulo Freire me inspirou. N\u00e3o que eu n\u00e3o visse um comportamento sexista da parte dele.\u201d (HOOKS, 2013, p. 80)<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 cr\u00edtica cultural, hooks aborda a tem\u00e1tica&nbsp; em pelo menos quatro obras. Duas publicadas no Brasil<em>: Anseios: ra\u00e7a, g\u00eanero e pol\u00edticas culturais<\/em> (EUA:1990\/Brasil:2019); <em>Olhares negros: ra\u00e7a e representa\u00e7\u00e3o<\/em> (EUA:1992\/Brasil:2019). Duas publicadas nos EUA: <em>Art on mind<\/em>:<em> visual politics<\/em> (EUA:1995); <em>Reel to real: race, sex, and class at the movies<\/em> (EUA:1996). Nessas obras, bell hooks faz an\u00e1lises contundentes, chamando aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de descolonizarmos nosso olhar e nosso desejo. Ao mesmo, ela n\u00e3o poupa cr\u00edticas \u00e0 ind\u00fastria cultural, bem como n\u00e3o \u00e9 condescendente com aquelas produ\u00e7\u00f5es negras que, em seu entender, refor\u00e7am estere\u00f3tipos. Madonna, Spike Lee, Wim Wenders e, mais recentemente, Beyonce, entre tantos outros, s\u00e3o objetos de suas an\u00e1lises. As lentes anal\u00edticas de hooks est\u00e3o ancoradas na cr\u00edtica radical ao imperialismo, \u00e0 supremacia branca e ao patriarcado. Como cr\u00edtica cultural, ela ensina que \u00e9 poss\u00edvel&nbsp; examinar um trabalho sem destru\u00ed-lo, demonstrando que criticar \u00e9 colocar a produ\u00e7\u00e3o cultural em perspectiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro eixo tem\u00e1tico recorrente nas obras de bell hooks diz respeito \u00e0s an\u00e1lises sobre amor, espiritualidade e autoestima. Sobre o amor destaca-se a triologia: <em>All About Love: New Vision <\/em>(EUA:2000\/ Brasil:2021);<em> Salvation: Black People and Love <\/em>(EUA: 2001)<em> e Communion: the female search for love<\/em> (EUA:2002). Sobre a autoestima, ela detalha o tema no livro<em> <\/em><em>Rock my soul<\/em><strong>:<\/strong> <em>Black People and Self-Steem<\/em><em> <\/em>(EUA:2003).<em> <\/em>A preocupa\u00e7\u00e3o com a espiritualidade atravessa in\u00fameros de seus escritos, mas hooks aborda o tema especialmente nos livros em que trata sobre amor, educa\u00e7\u00e3o e autoestima. Valendo-se desses tr\u00eas temas, hooks realiza uma cr\u00edtica singular sobre os modos de subjetiva\u00e7\u00e3o capitalistas focalizados no individualismo, no hedonismo e na competi\u00e7\u00e3o. Amor, espiritualidade e autoestima s\u00e3o abordados como pr\u00e1ticas pol\u00edticas em que o cuidado de si n\u00e3o est\u00e1 apartado do cuidado com a coletividade&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto eixo de an\u00e1lise, ou seja, as din\u00e2micas de ra\u00e7a, classe e g\u00eanero, n\u00e3o diz respeito a um tema espec\u00edfico, mas refere-se a uma abordagem que atravessa todos os seus livros; n\u00e3o sendo por acaso que ela cunha o conceito de <em>patriarcado capitalista supremacista branco imperialista<\/em><strong> <\/strong>[imperialist white supremacist capitalist patriarchy) para descrever como as opress\u00f5es de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero est\u00e3o interligadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os seus trabalhos, hooks detalha como essas din\u00e2micas interferem at\u00e9 mesmo em quest\u00f5es subjetivas como na capacidade de expor ideias e criar, nas configura\u00e7\u00f5es de feminilidade e masculinidade, nas teoriza\u00e7\u00f5es feministas e nas rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos com os espa\u00e7os f\u00edsicos e subjetivos. S\u00e3o in\u00fameras obras: <em>E eu n\u00e3o sou uma mulher?<\/em> <em>Mulheres negras e o feminismo<\/em> (EUA:1981\/Brasil:2019<em>)<\/em>;<em> Teoria feminista; da margem ao centro<\/em> (EUA:1984\/Brasil:2019); <em>Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra<\/em> (EUA:1989\/Brasil:2019<em>); O feminismo \u00e9 para todo mundo<\/em> (EUA:2000\/Brasil:2018); <em>We real cool<\/em>: <em>black Men and masculinity<\/em> (EUA: 2004); <em>The will to change<\/em>: <em>men, masculinity, and love<\/em> (EUA:2004); <em>Belonging: a culture of place<\/em> (EUA:2009); <em>Appalachian elegy: poetry and place<\/em> (EUA:2012); <em>Writing beyond race<\/em>: <em>living theory and practice <\/em>(EUA:2013). E os infantis publicados no Brasil: <em>Meu cabelo \u00e9 de rainha<\/em> (EUA:1999\/Brasil: 2019); <em>Minha dan\u00e7a tem hist\u00f3ria<\/em> (EUA:2002\/Brasil:2019).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de bell hooks convoca a repensar o mundo \u00e0 nossa volta e as nossas a\u00e7\u00f5es. S\u00e3o teoriza\u00e7\u00f5es constru\u00eddas rente ao corpo, em que forma e conte\u00fado est\u00e3o a servi\u00e7o das transforma\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. Ela consegue denunciar opress\u00f5es sem resvalar para manique\u00edsmos e essencialismos. Uma pr\u00e1tica narrativa que, mesmo tratando de assuntos complexos, convida para a conversa e o para o encontro. Na leitura de suas obras, percorremos caminhos dolorosos e prazerosos dessa encruzilhada que \u00e9 <em>tornar-se bell hooks<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BAMBARA Toni Cade (ed) .<strong> The black Woman an antology<\/strong>. New York: Washington Square Press, 1970.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BEALE, Frances. Double Jeopardy: to be black and female. In: <strong>The black Woman an antology<\/strong>. New York: Washington Square Press, 1970, p. 109-122. <strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CASHMORE, Ellis. Jim Crow. In: <strong>Dicion\u00e1rio de rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Selo Negro, 2000, p. 505-508<\/p>\n\n\n\n<p>CRENSHAW, Kimberle W<strong>. <\/strong>\u201cDemarginalizing the intersection of race and sex; a black feminist critique of discrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics\u201d<strong>. Legal Forum, <\/strong>University of Chicago, 1989 [1981], p. 139-167.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>DAVIDSON, Maria del Guadalupe; YANCY, George. <strong>Critical Perspectives on bell hooks<\/strong>. New York and London: Routledge, 2013.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>hooks, bell. <strong>Erguer a voz<\/strong>: pensar como feminista, pensar como negra. Tradu\u00e7\u00e3o de C\u00e1tia<\/p>\n\n\n\n<p>Bocai\u00fava Maringolo. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2019a.<\/p>\n\n\n\n<p>_____. <strong>Olhares negros<\/strong>: ra\u00e7a e representa\u00e7\u00e3o. Tradu\u00e7\u00e3o de Stephanie Borges. S\u00e3o Paulo:<\/p>\n\n\n\n<p>Elefante, 2019b.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>_____. <strong>Anseios: <\/strong>&nbsp;ra\u00e7a, g\u00eanero e pol\u00edticas p\u00fablicas. Tradu\u00e7\u00e3o Jamille Pinheiro. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2019c.<\/p>\n\n\n\n<p>_____. <strong>Ensinando pensamento cr\u00edtic<\/strong>o: sabedoria pr\u00e1tica. Tradu\u00e7\u00e3o: Bhuvi Libanio. S\u00e3o Paulo:Elefante, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>_____.<strong>Teoria feminista: d<\/strong>a margem ao centro. Tradu\u00e7\u00e3o Rainer Patriota. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>_____.<strong>Ensinando a transgredir<\/strong><em>: <\/em>a educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica da Liberdade. S\u00e3o Paulo: Editora Martins Fontes, 2013.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>_____. <strong>O feminismo \u00e9 para todo mundo<\/strong>: pol\u00edticas arrebatadoras. Tradu\u00e7\u00e3o: Ana Luiza Lib\u00e2neo. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>_____.<strong>E eu n\u00e3o sou uma mulher?<\/strong>&nbsp; Mulheres negras e o feminismo. Tradu\u00e7\u00e3o Bhuvi Lib\u00e2nio.&nbsp; Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>___. <strong>Rock my soul:<\/strong> Black People and Self-Steem. New York: Washington Square Press, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>_____. <strong>All about love<\/strong>: New visions. New York: William Morrow, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>_____.&nbsp;<strong>Wounds of&nbsp;Passion<\/strong>: a writting life. New York: New York and London: Routledge, 1997.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>PERPICH, Diane. \u201cBlack Feminism, Poststructuralism, and the Contested character of experience.\u201d In: DAVIDSON, Maria del Guadalupe, Kathryn T. Gines, and Donna-Dale L. Marcano Eds.&nbsp;<strong>Convergences<\/strong>: Black Feminism and Continental Philosophy. Albany: State&nbsp;University of New York Press, 2010, p. 13-34.<\/p>\n\n\n\n<p>SMITH, Barbara. <strong>Home Girls:<\/strong> a feminist Antology. New York: Women of Color Press, 1983.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":360,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"class_list":["post-901","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/901","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/360"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=901"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/901\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1294,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/901\/revisions\/1294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/mulheresnafilosofia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}