{"id":1000,"date":"2019-11-27T21:03:11","date_gmt":"2019-11-28T00:03:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/?p=1000"},"modified":"2019-12-12T06:04:37","modified_gmt":"2019-12-12T09:04:37","slug":"36","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/11\/27\/36\/","title":{"rendered":"Complica\u00e7\u00e3o, complexidade e criatividade musical"},"content":{"rendered":"<p><strong>Parte 1<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Jos\u00e9 Fornari (Tuti) \u2013 27 de novembro de 2019<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>fornari @ unicamp . br<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Na semana passada assisti um filme brit\u00e2nico, lan\u00e7ado recentemente. O nome do filme \u00e9 <i>Yesterday<\/i> e se refere \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wXTJBr9tt8Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">famosa can\u00e7\u00e3o dos Beatles<\/a>. Este misto de fantasia e com\u00e9dia rom\u00e2ntica (conto a seguir apenas a sinopse oficial, portanto sem correr risco de <i>spoilers<\/i>) conta a est\u00f3ria de um m\u00fasico an\u00f4nimo, desses que tocam em pra\u00e7as, feiras e esta\u00e7\u00f5es (em Ingl\u00eas, esse tipo de artista de rua \u00e9 chamado de \u201c<i>starving musician<\/i>\u201d, ou \u201cm\u00fasico faminto\u201d). Ap\u00f3s um inexplic\u00e1vel e breve apag\u00e3o mundial, este passa a ser o \u00fanico m\u00fasico no mundo que lembra dos Beatles e de suas can\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s perceber isso, ele passa a tocar o repert\u00f3rio dos Beatles como se fossem suas pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es, o que lhe confere s\u00fabito e estrondoso sucesso midi\u00e1tico. Esta fic\u00e7\u00e3o se baseia na conjectura de que existe um valor hed\u00f4nico absoluto e intr\u00ednseco, atrelado \u00e0 uma obra art\u00edstica (no caso, \u00e0s can\u00e7\u00f5es dos Beatles), que pode ser detectado e apreciado pela maioria dos ouvintes, independente de sua familiaridade com a m\u00fasica e o seu contexto sociocultural.<\/p>\n<p><iframe title=\"Yesterday (2019) - Movie Trailer\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ry9honCV3qc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Lembrei de um tipo de brincadeira (que foi para mim, tamb\u00e9m um interessante experimento social relacionado \u00e0 m\u00fasica) promovida por volta de 2015, pela equipe do programa <i>Tonight Show<\/i> apresentado pelo comediante estadunidense Jimmy Fallon. Eles colocaram o U2, a famosa banda irlandesa de Rock, para tocar anonimamente (todos disfar\u00e7ados) numa esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 em Nova York. As pessoas passavam por eles, que tocavam as famosas m\u00fasicas do U2, e n\u00e3o se importavam tanto assim com a m\u00fasica, que aquele grupo an\u00f4nimo tocava surpreendentemente t\u00e3o bem. Somente quando eles removeram os disfarces foi que o p\u00fablico se alvoro\u00e7ou e passou a se entusiasmar com o espet\u00e1culo.<\/p>\n<p><iframe title=\"U2 Busks in NYC Subway in Disguise\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aluYo-FSqiw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Este experimento contraria a premissa da fic\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica acima citada (apesar de que eu gostei do filme e o recomendo, especialmente aos m\u00fasicos). O experimento com o U2 tocando disfar\u00e7ado corrobora minha conjectura de que, apesar do valor est\u00e9tico intr\u00ednseco de uma can\u00e7\u00e3o, em termos de sua boa forma e estrutura, tanto musical quanto po\u00e9tica, seu aspecto sociocultural \u00e9 tamb\u00e9m um fator determinante para que ocorra a aceita\u00e7\u00e3o devocional de uma can\u00e7\u00e3o ou m\u00fasico, pelas grandes massas. Por\u00e9m, n\u00e3o basta fama para criar mais fama. Se assim fosse, a industria cultural fonogr\u00e1fica n\u00e3o teria maiores dificuldades em gerar sucessos.<\/p>\n<p>No K-pop, por exemplo, o famoso g\u00eanero de m\u00fasica pop coreano, adolescentes com grande potencial para se tornarem celebridades deste g\u00eanero s\u00e3o selecionados por empres\u00e1rios (que, em teoria sabem as qualidades que estes indiv\u00edduos devem possuir) e s\u00e3o literalmente criados em cativeiros de luxo, com o prop\u00f3sito de se tornarem grandes sucessos. No entanto, nem sempre isto ocorre. Mesmo tendo sido escolhidas por profissionais da \u00e1rea, e diariamente treinados em diversas \u00e1reas de relev\u00e2ncia (canto, dan\u00e7a, m\u00fasica, moda, esportes, etiqueta, etc.), existe uma chance significativa de que, apesar de todo o esfor\u00e7o de ambos os lados, o investimento seja em v\u00e3o (h\u00e1 inclusive muitos casos de candidatos e at\u00e9 de celebridades do K-pop, que cometem suic\u00eddio, por n\u00e3o aguentarem a intensa press\u00e3o a qual s\u00e3o submetidos). Por alguma raz\u00e3o inexplic\u00e1vel, aquele indiv\u00edduo, com todos os potenciais inatos e devidos treinamentos (ou seja, com todo o <i>nurture<\/i>que se pode ter e aparentemente tamb\u00e9m com o<i> nature<\/i>) pode simplesmente n\u00e3o despertar a aten\u00e7\u00e3o esperada do p\u00fablico-alvo e assim n\u00e3o se torne uma celebridade desta m\u00fasica pop. Por \u201c<i>nurture<\/i>\u201d (nutrir) quero me referir a todo o aparato de apoio que t\u00e9cnica e recursos podem oferecer. Por \u201c<i>nature<\/i>\u201d (natureza) me refiro ao potencial intr\u00ednseco e inato de sucesso, que est\u00e1 l\u00e1 dentro daquele indiv\u00edduo, como que escondido. O \u201caparente\u201d colocado na frente do <i>nature<\/i>, como escrevi acima, foi intencional. A pr\u00e1tica mostra que, apesar de toda extensa experi\u00eancia e corpo de profissionais, ningu\u00e9m sabe ao certo quando um indiv\u00edduo possui esta ess\u00eancia em seu \u00e2mago, este carisma, este \u201c<i>nature<\/i>\u201d que garantir\u00e1 seu sucesso. O \u201c<i>nurture<\/i>\u201d apenas ir\u00e1 surtir efeito se o inef\u00e1vel e indefin\u00edvel <i>nature<\/i> estiver presente Tanto artista quanto obra de sucesso tem que ter em si o potencial que \u00e9 dado pelo <i>nature<\/i> e que pode ser decomposto no que eu chamo aqui de \u201ccriatividade musical\u201d.<\/p>\n<p><iframe title=\"Dark And Disturbing Things You Never Knew About K-Pop\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/49cbmtnRKCA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Ao que me parece, existem 3 est\u00e1gios da criatividade musical. Estes est\u00e3o relacionados aos modos de intera\u00e7\u00e3o com a arte musical, que s\u00e3o: 1) aprecia\u00e7\u00e3o, 2) performance e 3) composi\u00e7\u00e3o. A grande maioria das pessoas interage com a m\u00fasica apenas no primeiro est\u00e1gio; a aprecia\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do ato de escutar m\u00fasica. Neste est\u00e1gio apreciamos a m\u00fasica como quem aprecia uma est\u00f3ria que nos \u00e9 contada, participando ativamente da narrativa de modo pessoal e subjetivo, atrav\u00e9s das identifica\u00e7\u00f5es, expectativas, antecipa\u00e7\u00f5es, constata\u00e7\u00f5es e surpresas que ocorrem automaticamente e inexoravelmente (a menos que n\u00e3o estejamos conscientes ou prestando aten\u00e7\u00e3o) enquanto apreciamos m\u00fasica. Atrav\u00e9s dessa interpreta\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma da estrutura musical, fortemente atrelado ao tempo, o ouvinte estabelece o que chamo aqui de significado musical.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1000-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/1.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/1.mp3\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/1.mp3<\/a><\/audio>\n<p><strong><span style=\"font-size: 12pt\">Exemplo de \u00e1udio contendo uma poss\u00edvel quebra de expectativa.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Num segundo est\u00e1gio de aprofundamento, tem-se a performance, onde o indiv\u00edduo aprende a tocar um instrumento musical, ou a cantar (ou mesmo a assobiar) e assim este se torna um \u201cm\u00fasico\u201d. Este interpreta um discurso de eventos sonoros organizados numa sequ\u00eancia ao longo do tempo. A pequena (quase que impercept\u00edvel) varia\u00e7\u00e3o do momento de ocorr\u00eancia de cada nota e a sua dura\u00e7\u00e3o (bem como a varia\u00e7\u00e3o de sua intensidade, se bem que esta, segundo artigo de Daniel Levitin, tem menor impacto expressivo) est\u00e3o diretamente relacionadas ao aspecto criativo da performance, ou seja, a interpreta\u00e7\u00e3o expressiva de uma pe\u00e7a musical. Na performance n\u00e3o basta tocar as notas certas nos momentos, dura\u00e7\u00f5es e intensidades certos. \u00c9 tamb\u00e9m fundamental interpreta-las atrav\u00e9s da inser\u00e7\u00e3o de pequenas varia\u00e7\u00f5es (nuances) destas 3 vari\u00e1veis, para assim poder acrescentar um significado expressivo, que \u00e9 pr\u00f3prio de cada m\u00fasico e chega a identificar o m\u00fasico pelo p\u00fablico ouvinte, atrav\u00e9s do que se chama de seu \u201cestilo musical\u201d.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1000-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/b32v-original-score.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/b32v-original-score.mp3\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/b32v-original-score.mp3<\/a><\/audio>\n<p><strong><span style=\"font-size: 12pt\">Beethoven : 32 Variations in C minor, WoO 80 (primeiros 8 compassos). Execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, sem interpreta\u00e7\u00e3o humana, como est\u00e1 originalmente escrita na partitura.\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1000-3\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/b32v.mp3?_=3\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/b32v.mp3\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/11\/b32v.mp3<\/a><\/audio>\n<p><span style=\"font-size: 12pt\"><strong>Beethoven : 32 Variations in C minor, WoO 80 (primeiros 8 compassos). Execu\u00e7\u00e3o com interpreta\u00e7\u00e3o humana, conforme extra\u00edda de um arquivo MIDI, no link <a href=\"http:\/\/www.kunstderfuge.com\/beethoven\/variations.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.kunstderfuge.com\/beethoven\/variations.htm<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p>Poucos s\u00e3o os que chegam ao terceiro est\u00e1gio da criatividade musical, onde o indiv\u00edduo se aventura a criar as estruturas sonoras que comp\u00f5em uma sequ\u00eancia de eventos que ser\u00e1 depois interpretada pelos m\u00fasicos e apreciada pelos ouvintes; a composi\u00e7\u00e3o musical. Diferentemente da performance e da aprecia\u00e7\u00e3o, a composi\u00e7\u00e3o ocorre em tempo diferido, ou seja, a estrutura musical \u00e9 criada pelo compositor em tempo e ordem distintos daquilo que esta ser\u00e1 posteriormente executada e escutada. Isto habilita o compositor a ter uma perspectiva atemporal de sua obra, como um escritor, que pode escrever ou refazer o seu texto em velocidade e ordem diferentes do que este ser\u00e1 posteriormente lido (como estou fazendo agora, enquanto escrevo este texto) ou mesmo no caso de um programador, que cria e depura um c\u00f3digo que desenvolve, em ordem e velocidade diferente da que este ser\u00e1 posteriormente executado pelo processador de um computador.<\/p>\n<p><iframe title=\"Beethoven : 32 Variations in C minor, WoO 80 (Andor Foldes)\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gPG31OT1mY0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Penso assim que a criatividade musical ocorre de modo particular, em cada um dos est\u00e1gios acima mencionados. No <u>ouvinte<\/u>, o processo criativo ocorre de modo\u00a0<u>involunt\u00e1rio<\/u>, onde este \u00e9 atrelado \u00e0 sua bagagem sociocultural. Seu impacto \u00e9 <u>subjetivo e simult\u00e2neo<\/u>, ou seja, ocorre apenas para si, ao ouvir com aten\u00e7\u00e3o (ou seja, escutar) e assim ser capaz de identificar o conte\u00fado emocional da obra e at\u00e9 mesmo ser por este afetado (os quais ocorrem independentemente). No <u>m\u00fasico<\/u>, a criatividade ocorre de modo\u00a0<u>semi volunt\u00e1rio<\/u>, onde este \u00e9 fruto da sua pr\u00e1tica musical baseada em repeti\u00e7\u00f5es de gestos musicais, onde o m\u00fasico vai desenvolvendo em si mesmo como que pequenos reflexos condicionados de modo a ser capaz de interpretar posteriormente, numa performance ao vivo ou sess\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o, as mesmas sequ\u00eancias musicais previamente programadas por ele, que s\u00e3o voluntariamente escolhidas mas executadas de modo autom\u00e1tico e com a expressividade (dada pela modula\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00f5es quase impercept\u00edveis do momento, dura\u00e7\u00e3o e intensidade de cada nota executada) que ele pr\u00f3prio considera correto, ou do modo que foi solicitado a realizar). Seu impacto \u00e9\u00a0<u>objetivo e semi simult\u00e2neo<\/u>, ou seja, \u00e9 programado durante o ensaio mas ocorre na performance tanto para si quanto para os outros que o escutam, seja durante sua performance ou a grava\u00e7\u00e3o de sua performance. No <u>compositor<\/u>, a criatividade ocorre de modo\u00a0<u>volunt\u00e1rio<\/u>, onde este projeta a macroestrutura musical e normalmente deixa indica\u00e7\u00f5es do modo como quer que a microestrutura interpretativa, a cargo de ser executada durante a performance, seja desenvolvida. Seu impacto <u>objetivo e diferido<\/u>, ou seja, muitas vezes constru\u00edda e revisitada em ordem e dura\u00e7\u00e3o de tempo totalmente descorrelacionados daqueles que a composi\u00e7\u00e3o musical ap\u00f3s finalizada ser\u00e1 interpretada pelos m\u00fasicos e escutada pelos ouvintes. Estes constituem, pelo menos em parte, o que eu chamei acima de \u201c<i>nature<\/i>\u201d da criatividade musical, o \u00e2mago da complexa estrutura tripartite que, se adequadamente moduladas, permitem com que uma composi\u00e7\u00e3o e\/ou interpreta\u00e7\u00e3o musical venha a se tornar um sucesso, para uma grande quantidade de ouvintes, e reverenciada por futuras gera\u00e7\u00f5es de ouvintes.<\/p>\n<p>Irei para por aqui, pois este artigo j\u00e1 passou bastante do tamanho m\u00e1ximo adequado para um blog. No pr\u00f3ximo artigo, continuarei esta interessante discuss\u00e3o sobre criatividade musical. Tratarei da influ\u00eancia da complexidade na criatividade musical, sob a \u00f3tica da est\u00e9tica experimental, conforme definida por Gustav T. Fechner. Falarei sobre a famosa curva psicof\u00edsica de Wundt e Berlyne que relaciona a novidade com a complexidade (n\u00e3o apenas em m\u00fasica mas para todas as formas de comunica\u00e7\u00e3o). Por fim, acrescentarei um novo conceito que acho importante e que me parece ter ainda passado desapercebido pelas discuss\u00f5es dessa \u00e1rea de estudos, que \u00e9 o conceito de \u201ccomplica\u00e7\u00e3o musical\u201d. Terminarei fazendo um contraponto entre complica\u00e7\u00e3o e complexidade, e como a diferencia\u00e7\u00e3o entre ambos os conceitos parece, a meu ver, influenciar decisivamente a criatividade musical; do ouvinte, do interprete e do compositor, e assim influenciar o interesse ou a indiferen\u00e7a a uma obra musical por sua audi\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como citar este artigo:<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cComplica\u00e7\u00e3o, complexidade e criatividade musical \u2013 parte 1\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. ISSN 2526-6187. Data da publica\u00e7\u00e3o: 27 de novembro de 2019. Link: <span class=\"edit-post-post-link__link-prefix\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/11\/27\/<\/span><span class=\"edit-post-post-link__link-post-name\">36<\/span><span class=\"edit-post-post-link__link-suffix\">\/<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/11\/27\/36\/\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Complica\u00e7\u00e3o, complexidade e criatividade musical\"><p>Parte 1 Jos\u00e9 Fornari (Tuti) \u2013 27 de novembro de 2019 fornari @ unicamp . br Na semana passada assisti um filme brit\u00e2nico, lan\u00e7ado recentemente. O nome do filme \u00e9 Yesterday e se refere \u00e0 famosa can\u00e7\u00e3o dos Beatles. 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