{"id":1423,"date":"2022-09-24T12:00:00","date_gmt":"2022-09-24T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/?p=1423"},"modified":"2024-03-10T18:43:33","modified_gmt":"2024-03-10T21:43:33","slug":"musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/09\/24\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-1\/","title":{"rendered":"Musas, m\u00fasica e o mundo mental &#8211; parte 1"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1423\" class=\"elementor elementor-1423\" data-elementor-settings=\"{&quot;ha_cmc_init_switcher&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2761c12c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default jltma-glass-effect-no\" data-id=\"2761c12c\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\" data-settings=\"{&quot;_ha_eqh_enable&quot;:false}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-20ef57f jltma-glass-effect-no\" data-id=\"20ef57f\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6f627279 jltma-glass-effect-no elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6f627279\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Jos\u00e9 Fornari &#8211; fornari@unicamp.br<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">24 setembro 2022<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas fundamentais da esp\u00e9cie humana \u00e9 a sua capacidade de filosofar, ou seja, de ter prazer em pensar. A mente humana \u00e9 \u00fanica em estabelecer e ponderar conceitos \u00e9ticos e est\u00e9ticos, cient\u00edficos e art\u00edsticos, lingu\u00edsticos e musicais. Apesar das outras esp\u00e9cies possu\u00edrem formas de comunica\u00e7\u00e3o sonora intrincadas e expressivas, que inferem uma forma de pensamento, estas nunca atingem o grau de requinte sem\u00e2ntico da linguagem ou expressivo da m\u00fasica, o que as deixa definitivamente aqu\u00e9m da capacidade humana de filosofar. Segundo Steven Mithen, em seu livro <em>The Singing Neanderthals<\/em> (2007), uma das conclus\u00f5es mais frustrantes de estudos realizados com outras esp\u00e9cies, mesmo as bem pr\u00f3xima de n\u00f3s (como os gorilas e os chimpanz\u00e9s) \u00e9 o fato de que indiv\u00edduos dessas outras distintas esp\u00e9cies, treinados e devidamente capacitados a se comunicar semanticamente (por exemplo, atrav\u00e9s de linguagens de sinais ou por meio de tabuleiros com s\u00edmbolos) demonstraram uma total aus\u00eancia de questionamentos filos\u00f3ficos. Indiv\u00edduos de outras esp\u00e9cies (e talvez muitos da nossa pr\u00f3pria) podem at\u00e9 ser treinados em formas b\u00e1sicas de linguagem e assim ser capazes de se comunicar semanticamente, o que demonstra uma grande capacidade mental para diversas tarefas executadas por humanos (existem, por exemplo, at\u00e9 <a href=\"https:\/\/youtu.be\/RZ_0ImDYrPY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">orangotangos capazes de dirigir ve\u00edculos<\/a>), por\u00e9m estes nunca demonstram capacidade de ponderar sobre o desconhecido (por exemplo, sobre sua origem, futuro, ideal, etc.). Para estes, n\u00e3o h\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o sem que haja uma necessidade biol\u00f3gica direta e fundamental para tal, como a necessidade de se defender, de se alimentar ou de se reproduzir.&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 543px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/thehumanevolutionblog.files.wordpress.com\/2015\/07\/screen-shot-2015-07-27-at-5-01-58-pm.png?w=400&amp;h=135\" alt=\"Koko, Washoe, and Kanzi: Three Apes with Human Vocabulary\" width=\"533\" height=\"180\"><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/thehumanevolutionblog.com\/2015\/07\/28\/koko-washoe-and-kanzi-three-apes-with-human-vocabulary\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Koko, Washoe, and Kanzi: Three Apes with Human Vocabulary<\/a><\/p><\/div>\n<p>A meu ver, filosofia \u00e9 a atividade humana anterior \u00e0 pr\u00f3pria ci\u00eancia, que se dedica em definir as perguntas fundamentais (tanto objetivas quanto subjetivas) que podem vir a ser posteriormente estudadas pelas ci\u00eancias exatas, humana e biol\u00f3gicas de modo a tentar entender como estas funcionam e quais s\u00e3o as suas implica\u00e7\u00f5es. Para isso, a ci\u00eancia usa recursos da cultura predecessora, da l\u00f3gica, da matem\u00e1tica e da tecnologia. Desse modo, a filosofia n\u00e3o tem a finalidade de responder as perguntas que formula, da mesma forma que as ci\u00eancias n\u00e3o t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o ou sequer a capacidade de explicar a ess\u00eancia dos fen\u00f4menos que estuda. A filosofia se dedica a ponderar sobre a ess\u00eancia dos fen\u00f4menos e conceitos, enquanto que a ci\u00eancia trata de estudar sua fun\u00e7\u00e3o e modelar seu comportamento. Por exemplo, n\u00e3o se sabe qual \u00e9 a ess\u00eancia da gravidade, mas h\u00e1 muitos s\u00e9culos a ci\u00eancia vem estudando e sabendo cada vez mais sobre o seu comportamento e a sua atua\u00e7\u00e3o. Pelo menos desde a &#8220;Lei da gravita\u00e7\u00e3o universal&#8221;, de Isaac Newton, publicada a mais de tr\u00eas s\u00e9culos, at\u00e9 a recente medi\u00e7\u00e3o das &#8220;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ondas gravitacionais<\/a>&#8220;, em 2017, pelo LIGO (<em>Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory<\/em>) a ci\u00eancia sabe cada vez mais sobre como a gravidade se comporta, mas bem pouco (ou quase nada) sobre a sua ess\u00eancia (e o mesmo vale, entre outras, para a mat\u00e9ria, a luz, o tempo e espa\u00e7o e para a nossa consci\u00eancia ou mente).<\/p>\n<p>Desde os tempos da Gr\u00e9cia antiga (talvez at\u00e9 antes disso), a filosofia parece ter naturalmente se dividido em duas correntes principais, aqui, por simplicidade, chamadas de: Idealismo e Realismo. Em linhas gerais, o idealismo defende a ideia de que n\u00e3o temos acesso direto \u00e0 verdadeira realidade constituinte do mundo (no caso, &#8220;mundo&#8221; aqui se refere a tudo que existe, ou seja, o universo, tanto objetivo quanto subjetivo, extr\u00ednseco ou intrinseco). J\u00e1 o realismo defende que a realidade \u00e9 exatamente como a observamos e interagimos; que n\u00e3o existe algo de misterioso ou intang\u00edvel por tr\u00e1s daquilo que observamos, medimos e manipulamos, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 uma &#8220;metaf\u00edsica&#8221; (significando a verdadeira realidade por tr\u00e1s da &#8220;f\u00edsica&#8221; que percebemos). A famosa pintura &#8220;Escola de Atenas&#8221; (<em>Scuola di Atene<\/em>, de 1510)&nbsp; do pintor renascentista italiano Rafael, descreve bem esta dualidade filos\u00f3fica, com diversos grandes pensadores (entre muitos outros, S\u00f3crates, Pit\u00e1goras, Bo\u00e9cio, Di\u00f3genes, Arquimedes, Ptolomeu, Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles).&nbsp; No centro desta pintura, est\u00e3o Plat\u00e3o, em vermelho, representando o idealismo, apontando para cima, referindo-se \u00e0 metaf\u00edsica por tr\u00e1s da f\u00edsica, e Arist\u00f3teles, em azul, representando o realismo, com o gesto de m\u00e3o para baixo, referindo-se \u00e0 exist\u00eancia apenas da f\u00edsica.<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.mundoeducacao.uol.com.br\/mundoeducacao\/2020\/08\/escola-de-atenas.jpg\" alt=\"O plano central do afresco Escola de Atenas apresenta Plat\u00e3o, o pai do idealismo, apontando para o \u201cmundo das ideias\u201d.\" width=\"600\" height=\"334\"><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/idealismo.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O plano central do afresco &#8220;Escola de Atenas&#8221; apresenta \u00e0 esquerda Plat\u00e3o, o pai do idealismo, apontando para o \u201cmundo das ideias\u201d ao lado de Arist\u00f3teles.<\/a><\/p><\/div>\n<p>A exist\u00eancia de um mundo al\u00e9m do f\u00edsico, um mundo das id\u00e9ias, ou como \u00e9 aqui chamado, um &#8220;mundo mental&#8221;, do qual a realidade como a percebemos deriva e depende, foi defendido por Plat\u00e3o e muitos outros pensadores idealistas, ao longo da hist\u00f3ria, tais como: <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Vasubandhu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vasubandhu<\/a>, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Utpaladeva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Utpaladeva<\/a>, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Immanuel_Kant\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kant<\/a>, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gottfried_Wilhelm_Leibniz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leibniz<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Arthur_Schopenhauer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Schopenhauer<\/a> e mais recentemente <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timothy_Sprigge\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Timothy Sprigge<\/a>. No lado oposto, os pensadores que defendem o realismo, posteriormente chamado de &#8220;materialismo&#8221; e mais recentemente, de &#8220;fisicalismo&#8221; (termo cunhado por <a href=\"https:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/neurath\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Otto Neurath<\/a>) vem desde <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Aristotle\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arist\u00f3teles<\/a> (chamado de &#8220;pai do realismo&#8221;), <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Francis_Bacon\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Francis Bacon<\/a>, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Max_Weber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Max Weber<\/a>, e at\u00e9 <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Bertrand_Russell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bertrand Russell<\/a>, fundador da chamada &#8220;filosofia anal\u00edtica&#8221;, que utiliza o formalismo da l\u00f3gica e da matem\u00e1tica para embasar pondera\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas. Interessante notar que seu orientador, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alfred_North_Whitehead\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Whitehead<\/a>, com quem Russell escreveu <em>Principia Mathematica<\/em>, uma das obras mais importantes da filosofia anal\u00edtica, foi um importante fil\u00f3sofo idealista. Al\u00e9m da similaridade com Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles (que foi seu disc\u00edpulo), um outro caso parecido, pelo menos a meu ver, tratando da diferen\u00e7a de entendimento sobre o conceito de mente, ocorreu entre Sigmund Freud e seu disc\u00edpulo, Carl Jung. Freud, de vi\u00e9s notadamente realista, considerava a mente como uma atividade puramente cerebral de cada indiv\u00edduo. J\u00e1 Jung, com pensamento notadamente idealista, defendia a exist\u00eancia de uma mente estendida, que permeia toda a humanidade, por ele chamada de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Collective_unconscious\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">inconsciente coletivo<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jungcurrents.com\/wp-content\/uploads\/2010\/06\/freud-jung.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"277\"><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/jungcurrents.com\/jung-descends-into-the-collective-unconscious\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Freud e Jung, em 1909<\/a><\/p><\/div>\n<p>Devido ao seu aspecto reducionista, que descarta a exist\u00eancia de uma metaf\u00edsica intang\u00edvel por\u00e9m interveniente \u00e0 nossa realidade perceptual, o pensamento filos\u00f3fico realista se tornou mais adequado \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o, sendo mais f\u00e1cil de ser definido pela l\u00f3gica e modelado pela matem\u00e1tica. Al\u00e9m disso, ao que se sup\u00f5e, a lenta e penosa separa\u00e7\u00e3o do estado e da igreja no ocidente, juntamente com os traumas advindos do seu prolongado dom\u00ednio social durante todo o per\u00edodo medieval e at\u00e9 mesmo moderno (para se ter uma ideia, no Brasil, a cria\u00e7\u00e3o do estado laico s\u00f3 foi promulgada em 1890) tamb\u00e9m incentivou o realismo\/materialismo\/fisicalismo filos\u00f3fico a se tornar a fundamenta\u00e7\u00e3o norteadora da ci\u00eancia atual e at\u00e9 mesmo de parte significativa das artes, como a m\u00fasica, especialmente em termos de sua teoria, do seu ensino e da sua an\u00e1lise.&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, os avan\u00e7os cient\u00edficos contempor\u00e2neos, em especial no que concerne a realidade objetiva (com o advento da f\u00edsica relativ\u00edstica, seguido da f\u00edsica qu\u00e2ntica) e a realidade subjetiva (com os avan\u00e7os da psicologia, da cogni\u00e7\u00e3o e posteriormente da neuroci\u00eancia) trouxeram cada vez mais inquietantes evid\u00eancias (em termos de constata\u00e7\u00f5es emp\u00edricas misteriosas) que t\u00eam desafiado a base fisicalista da ci\u00eancia. A <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Spacetime\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">curvatura do tempo-espa\u00e7o<\/a>, comprovado pela relatividade, o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Entrela%C3%A7amento_qu%C3%A2ntico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrela\u00e7amento qu\u00e2ntico<\/a>, comprovado pela mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Problema_dif%C3%ADcil_da_consci%C3%AAncia#:~:text=A%20exist%C3%AAncia%20do%20%22problema%20dif%C3%ADcil,nossas%20qualidades%20subjetivas%20de%20experi%C3%AAncia.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">problema dif\u00edcil da consci\u00eancia<\/a> (que elude a neuroci\u00eancia a explicar como quantidades de processamento neural comp\u00f5em qualidades perceptuais), s\u00e3o apenas alguns exemplos dos muitos mist\u00e9rios que se manifestam e aglutinam na ci\u00eancia atual, ainda que exaustivamente comprovados e replicados por experimentos cient\u00edficos, mas que parecem imposs\u00edveis de serem explicados pela ci\u00eancia embasada no reducionismo <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fisicalismo#:~:text=objetivos%20deste%20artigo.-,Fisicalismo%20Redutivo,um%20fisicalista%20deve%20ser%20reducionista.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fisicalista<\/a>. Isso tem trazido um ressurgimento do pensamento filos\u00f3fico idealista, por\u00e9m desta vez embasado no rigor sistem\u00e1tico do processo anal\u00edtico. An\u00e1logo ao que ocorre com o eixo magn\u00e9tico terrestre, que a cada intervalo de dezenas ou centenas de milhares de anos, misteriosamente inverte de polaridade (ver <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Geomagnetic_reversal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>geomagnetic reversal<\/em><\/a>) talvez, na micro escala da nossa breve sociedade humana, estejamos prestes a presenciar uma invers\u00e3o no polo filos\u00f3fico que norteia a nossa ci\u00eancia e arte, indo do atual fisicalismo a uma vertente mais formal de idealismo. Com isto, talvez, perguntas fundamentais e aparentemente insol\u00faveis, como as que mencionei acima e tantas outras, que pululam tanto na ci\u00eancia quanto nas artes, possam, quem sabe, vir a ser desvendadas, talvez at\u00e9 de forma \u00f3bvia e ululante. Este artigo pretende discorrer sobre as quest\u00f5es relacionadas a este vi\u00e9s que tocam em particular a &#8220;arte das musas&#8221;, a m\u00fasica, e suas elusivas e intang\u00edveis abstra\u00e7\u00f5es no omnipresente mundo mental.&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/10\/02\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pr\u00f3xima parte<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p><\/p>\n<div style=\"width: 1930px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jimfriedrich.files.wordpress.com\/2020\/04\/fullsizeoutput_84d6.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\"><p class=\"wp-caption-text\">A dan\u00e7a da morte<a href=\"https:\/\/jimfriedrich.com\/2020\/04\/03\/dancing-with-death-mortality-in-cinema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> (<em>The Dance of Death in The Seventh Seal<\/em>) <\/a><\/p><\/div>\n<hr>\n<p><strong>Como citar este artigo:<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cMusas, m\u00fasica e o mundo mental &#8211; parte 1\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. Data da publica\u00e7\u00e3o: 24 de setembro de 2022. Link: https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/09\/24\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-1\/<\/p>\n<p><\/p>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/09\/24\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-1\/\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Musas, m\u00fasica e o mundo mental &#8211; parte 1\"><p>Jos\u00e9 Fornari &#8211; fornari@unicamp.br 24 setembro 2022 Uma das caracter\u00edsticas fundamentais da esp\u00e9cie humana \u00e9 a sua capacidade de filosofar, ou seja, de ter prazer em pensar. A mente humana \u00e9 \u00fanica em estabelecer e ponderar conceitos \u00e9ticos e est\u00e9ticos, cient\u00edficos e art\u00edsticos, lingu\u00edsticos e musicais. 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