{"id":1447,"date":"2022-10-02T12:06:32","date_gmt":"2022-10-02T15:06:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/?p=1447"},"modified":"2024-03-10T18:47:07","modified_gmt":"2024-03-10T21:47:07","slug":"musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/10\/02\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-2\/","title":{"rendered":"Musas, m\u00fasica e o mundo mental \u2013 parte 2"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1447\" class=\"elementor elementor-1447\" data-elementor-settings=\"{&quot;ha_cmc_init_switcher&quot;:&quot;no&quot;}\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-551ff442 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default jltma-glass-effect-no\" data-id=\"551ff442\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\" data-settings=\"{&quot;_ha_eqh_enable&quot;:false}\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7f233f jltma-glass-effect-no\" data-id=\"7f233f\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4f65a8b4 jltma-glass-effect-no elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4f65a8b4\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"text-align: right\">Jos\u00e9 Fornari &#8211; fornari@unicamp.br<\/p><p style=\"text-align: right\">02 outubro 2022<\/p><p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/09\/24\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">link para a parte 1<\/a><\/p><p>Na virada do mil\u00eanio, um filme chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, tanto do p\u00fablico quanto da cr\u00edtica. <em>The Matrix<\/em> (1999) cativou tanto pelos efeitos especiais revolucion\u00e1rios quanto pela densa argumenta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. A trama aponta para o &#8220;<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/mito-caverna.htm#:~:text=Mito%20da%20Caverna%20ou%20Alegoria,seu%20livro%20%E2%80%9CA%20Rep%C3%BAblica%E2%80%9D.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mito da caverna<\/a>&#8221; de Plat\u00e3o, que tenta descrever atrav\u00e9s desta famosa par\u00e1bola, o idealismo plat\u00f4nico, de como estamos afastados da verdadeira realidade e o que percebemos e atuamos \u00e9 como que um <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Simulacra_and_Simulation\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">simulacro<\/a>; no caso deste filme, uma simula\u00e7\u00e3o computacional (argumento tamb\u00e9m defendido por diversos pensadores atuais, como professor de filosofia de Oxford, <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nick_Bostrom\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nick Bostrom<\/a> que considera, em sua &#8220;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Simulation_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hip\u00f3tese da simula\u00e7\u00e3o<\/a>&#8220;, a enorme possibilidade de j\u00e1 estarmos vivendo numa simula\u00e7\u00e3o).<\/p><p><iframe title=\"Morpheus explains what is real\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t-Nz6us7DUA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p><p>Em 2005, um ensaio peculiar, de uma \u00fanica p\u00e1gina, foi publicado na renomada revista cient\u00edfica <em>Nature<\/em>, com o t\u00edtulo &#8220;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/436029a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>The mental Universe<\/em><\/a>&#8220;. O autor, Richard Conn Henry, f\u00edsico e astr\u00f4nomo, defendeu aberta e diretamente que vivemos num universo que n\u00e3o \u00e9 essencialmente f\u00edsico (feito de mat\u00e9ria e energia) mas puramente mental. Este ensaio inicia com a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: &#8220;A \u00fanica realidade [que existe] \u00e9 mente e observa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m [nossas] observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o de coisas [materiais]&#8221; (&#8220;<em>The only reality is mind and observations, but observations are not of things&#8221;<\/em>). O autor explica que o universo \u00e9 qu\u00e2ntico, portanto imaterial e se assemelha mais com uma mente do que com uma m\u00e1quina. No\u00a0livro &#8220;<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Our_Mathematical_Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Our Mathematical Universe<\/em><\/a>&#8221; (2014), o cosm\u00f3logo Max Tegmark defende que conceitos materiais, como \u00e1tomos, c\u00e9lulas ou estrelas s\u00e3o redundantes uma vez que s\u00e3o apenas percebidos atrav\u00e9s de modelos matem\u00e1ticos, o quais s\u00e3o idealiza\u00e7\u00f5es, ou seja, padr\u00f5es mentais. Em 2021, o artigo &#8220;<em><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2104.03902\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The autodidactic universe<\/a><\/em>&#8220;, do f\u00edsico te\u00f3rico Stephon Alexander e colegas, mostra como as leis da f\u00edsica se manifestam de modo equivalente a um modelo computacional de rede neural em aprendizado, ou seja, como que formando <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/318758489_Habit_as_a_Connecting_Nature_Mind_and_Culture_in_CS_Peirce's_Semiotic_Pragmaticism\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">h\u00e1bitos peirceanos<\/a> de um mundo mental. Em suma, na esfera da f\u00edsica, que tenta descrever o comportamento macrosc\u00f3pico e microsc\u00f3pico do universo, o fisicalismo parece estar cada vez mais em conflito devido \u00e0 incapacidade de explicar os fen\u00f4menos cientificamente observados atualmente.<\/p><div style=\"width: 568px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.themarginalian.org\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/stephonalexander1-1.jpg?resize=680%2C466&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"558\" height=\"382\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/www.themarginalian.org\/2019\/03\/25\/the-jazz-of-physics-stephon-alexander\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Stephon Alexander<\/a><\/p><\/div><p>O mesmo ocorre na esfera do mundo subjetivo. A esperan\u00e7a de que o atual processo cient\u00edfico tradicional, norteado pelo pensamento fisicalista (em grande parte, ainda na <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Term_logic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">l\u00f3gica aristot\u00e9lica<\/a>), ser\u00e1 capaz de explicar nossos processos cognitivos, como a identifica\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o, a inten\u00e7\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia (atividades qualitativas normalmente atribu\u00eddas \u00e0 no\u00e7\u00e3o de mente), parece cada vez mais distante. Segundo a neurocientista <a href=\"https:\/\/youtu.be\/Z4unUBGJs_k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sarah Durston<\/a>, at\u00e9 recentemente supunha-se que, conforme a tecnologia fosse avan\u00e7ando, a neuroci\u00eancia seria capaz de explicar cada vez mais sobre os processos qualitativos da mente humana. Por\u00e9m, ap\u00f3s quase meio s\u00e9culo de evolu\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica (por exemplo, o MRI &#8211; de <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetic_resonance_imaging\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Magnetic Resonance Imaging<\/em><\/a> &#8211; foi inventado no final da d\u00e9cada de 1970) a neuroci\u00eancia parece cada vez mais distante de responder formalmente (ou seja, de modo quantitativo) os processos qualitativos que constituem a mente humana. Outra neurocientista, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UyyjU8fzEYU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jill Bolte Taylor<\/a>, autora do livro <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/My_Stroke_of_Insight\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>My stroke of insight<\/em><\/a> (2008) conta neste a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, com um severo <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Aneurisma_cerebral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aneurisma cerebral<\/a> que momentaneamente &#8220;desligou&#8221; todo o processamento do hemisf\u00e9rio esquerdo de seu c\u00e9rebro, o que a fez experimentar um profundo sil\u00eancio mental, como nunca antes tinha sentido, seguido por uma enorme sensa\u00e7\u00e3o de paz, felicidade e uni\u00e3o com todo o universo, que Taylor considera como tendo sido equivalente ao <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nirvana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nirvana<\/a>. Experimentos recentes da neuroci\u00eancia com alucin\u00f3genos (como o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/N,N-Dimethyltryptamine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DMT<\/a> e o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lysergic_acid_diethylamide\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LSD<\/a>), que s\u00e3o conhecidos por provocarem uma imensa atividade mental (como vis\u00f5es, sinestesias, intensifica\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00f5es, etc.) t\u00eam paradoxalmente sido atualmente comprovado que tais subst\u00e2ncias na verdade diminuem a atividade cerebral. O mesmo ocorre em estados mentais alterados por sonhos intensos, medita\u00e7\u00e3o profunda ou at\u00e9 asfixia induzida. Nessas condi\u00e7\u00f5es mentais alteradas, onde a consci\u00eancia tem uma enorme exuber\u00e2ncia e profus\u00e3o de experi\u00eancias qualitativas,\u00a0 o c\u00e9rebro se encontra quantitativamente (em termos de atividade neural) bem menos ativo do que no seu estado normal, de vig\u00edlia. Isto contradiz a no\u00e7\u00e3o fisicalista de que a atividade mental qualitativa est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 atividade quantitativa cerebral. Tal evid\u00eancia vem sendo repetida por diversos estudos cient\u00edficos, como por: <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/221808942_Neural_Correlates_of_the_Entheogen_State_as_Determined_by_fMRI_Studies_with_Psilocybin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carhart-Harris e colegas<\/a>, no caso de alucin\u00f3genos; e <a href=\"https:\/\/research.monash.edu\/en\/persons\/jennifer-windt\/publications\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jennifer Windt<\/a>, no caso de sonhos e medita\u00e7\u00e3o. O mesmo tamb\u00e9m vem sendo estudado para casos de <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0028393215302360\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">experi\u00eancias m\u00edsticas<\/a> ap\u00f3s acidentes cerebrais (como o caso acima citado, de Jill Bolte Taylor, entre outros) e <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140673601071008\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NDA<\/a> (<em>Near Death Experiences<\/em>, ou &#8220;experi\u00eancias pr\u00f3ximas da morte&#8221;). Em suma, como explicar pelo fisicalismo cient\u00edfico que em momentos em que o c\u00e9rebro est\u00e1 quase que ausente de atividade neural, a mente est\u00e1 extremamente ativa, com percep\u00e7\u00f5es, concep\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es profundamente significativas?<\/p><div style=\"width: 270px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/content.time.com\/time\/2008\/time_100_2008\/jill_bolte_taylor.jpg\" alt=\"dek\" width=\"260\" height=\"320\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"http:\/\/content.time.com\/time\/specials\/2007\/article\/0,28804,1733748_1733754_1735155,00.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jill Bolte Taylor<\/a><\/p><\/div><p>Existem diversas propostas atuais para novos <em>frameworks<\/em> filos\u00f3ficos que possam orientar a ci\u00eancia de modo a permitir que esta eventualmente avance o conhecimento humano em quest\u00f5es fronteiri\u00e7as fundamentais, tanto objetivas (dos enigmas do microcosmos qu\u00e2ntico aos do macrocosmos relativista) bem como sobre o universo subjetivo da mente e de sua emergente consci\u00eancia. Ao que eu saiba, o pesquisador atual que tem mais advogado esta frente, formalmente organizando estas propostas, desde a antiguidade at\u00e9 a atualidade, bem como propondo a sua s\u00edntese, \u00e9 <a href=\"https:\/\/en.wikiquote.org\/wiki\/Bernardo_Kastrup\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bernardo Kastrup<\/a>, doutor em filosofia e tamb\u00e9m doutor em ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o. Sua argumenta\u00e7\u00e3o vai no sentido de propor um <em>framework<\/em> idealista para uma nova filosofia da ci\u00eancia, que Kastrup chama de &#8220;idealismo anal\u00edtico&#8221;. A meu ver, Kastrup prop\u00f5e uma retomada do pensamento metaf\u00edsico por\u00e9m com o rigor anal\u00edtico da l\u00f3gica e da matem\u00e1tica, se afastando simultaneamente tanto do fisicalismo quanto do &#8220;pampsiquismo&#8221; (<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Panpsychism\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>panpsychism<\/em><\/a>), uma corrente filos\u00f3fica que muitas vezes \u00e9 confundida com o idealismo, ao sugerir a exist\u00eancia fragmentada da consci\u00eancia em cada part\u00edcula f\u00edsica que comp\u00f5e o universo f\u00edsico. O idealismo anal\u00edtico \u00e9 baseado na seguinte argumenta\u00e7\u00e3o (conforme eu entendi, do <a href=\"https:\/\/youtube.com\/playlist?list=PL64CzGA1kTzi085dogdD_BJkxeFaTZRoq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">curso online de idealismo anal\u00edtico<\/a>). Existe apenas uma \u00fanica mente universal (que eu chamo aqui de &#8220;mundo mental&#8221;) com suas pr\u00f3prias (intr\u00ednsecas) regularidades e padr\u00f5es (ou excita\u00e7\u00f5es), similares \u00e0s nossas ideias e emo\u00e7\u00f5es. Estes padr\u00f5es mentais comp\u00f5em tudo que existe e \u00e9 percebido, seja na forma de mat\u00e9ria ou de energia (e que percebemos e atuamos como sendo o mundo f\u00edsico). Os seres vivos s\u00e3o &#8220;dissocia\u00e7\u00f5es&#8221; (ou &#8220;<em>alters<\/em>&#8220;) do mundo mental, mas que nele habitam e atuam, e por este s\u00e3o afetados (j\u00e1 que mesmo dissociados, ainda assim s\u00e3o parte integrante deste, similar \u00e0 diferentes parti\u00e7\u00f5es do mesmo HD\u00a0 de um computador), mas que percebem conscientemente outros alters e demais padr\u00f5es (objetos inanimados, mat\u00e9ria, energia, etc.) somente atrav\u00e9s dos sentidos (vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, olfato, tato, paladar, etc.), como padr\u00f5es extr\u00ednsecos.<\/p><div style=\"width: 391px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/324342683\/figure\/fig1\/AS:613500468613121@1523281318760\/An-idealist-framework-in-a-nutshell_W640.jpg\" alt=\"\" width=\"381\" height=\"400\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/324342683_The_Next_Paradigm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">An idealist framework in a nutshell<\/a><\/p><\/div><p>Nesta perspectiva, ser\u00edamos como que identidades dissociadas do mundo mental; de um modo simplista ou at\u00e9 exagerado, similar aos casos cl\u00ednicos de DID (<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dissociative_identity_disorder\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Dissociative Identity Disorder<\/em><\/a>) antes conhecido como os casos de &#8220;m\u00faltipla personalidade&#8221;. Para mim, este parece ter sido o caso de muitos artistas geniais, como o grande poeta da l\u00edngua portuguesa,\u00a0 Fernando Pessoa e as suas &#8220;dissociadas&#8221; <a href=\"https:\/\/comunidadeculturaearte.com\/fernando-pessoa-e-as-mascaras\/#:~:text=Fernando%20Pessoa%20multiplicou%2Dse%20em,%C3%A9%2C%20a%20cada%20obra%20po%C3%A9tica.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00e1scaras po\u00e9ticas<\/a>. Como eu disse, casos de DID s\u00e3o exemplos extremos. Por\u00e9m, de modo mais brando, todos n\u00f3s temos epis\u00f3dios similares a dissocia\u00e7\u00f5es, seja em momentos de <em>insight, inspira\u00e7\u00e3o, <\/em>ou <a href=\"https:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/abduction\/peirce.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abdu\u00e7\u00e3o<\/a>, em sonhos ou mesmo em vig\u00edlia, quando ideias nos ocorrem subitamente como se tivessem vindo de outra mente. M\u00fasicos e demais artistas criadores conhecem este fen\u00f4meno de perto. Na pr\u00f3xima parte deste artigo eu irei tratar especificamente do conceito est\u00e9tico; das musas das artes e da m\u00fasica (a &#8220;arte das musas&#8221;) como poss\u00edveis processos emergentes do mundo mental.<\/p><p>At\u00e9 l\u00e1!<\/p><div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/4\/40\/Baldassare_Peruzzi_-_Dance_of_Apollo_and_the_Muses.jpg\/800px-Baldassare_Peruzzi_-_Dance_of_Apollo_and_the_Muses.jpg?20210905142412\" alt=\"File:Baldassare Peruzzi - Dance of Apollo and the Muses.jpg\" width=\"800\" height=\"336\" \/><p class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Baldassare_Peruzzi_-_Dance_of_Apollo_and_the_Muses.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">Dance of Apollo and the Muses. Baldassare Peruzzi<\/a><\/p><\/div><hr \/><p><strong>Como citar este artigo:<\/strong><\/p><p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cMusas, m\u00fasica e o mundo mental \u2013 parte 2\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. Data da publica\u00e7\u00e3o: 02 de outubro de 2022. Link: https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/10\/02\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-2\/<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2022\/10\/02\/musas-musica-e-o-mundo-mental-parte-2\/\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Musas, m\u00fasica e o mundo mental \u2013 parte 2\"><p>Jos\u00e9 Fornari &#8211; fornari@unicamp.br 02 outubro 2022 link para a parte 1 Na virada do mil\u00eanio, um filme chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, tanto do p\u00fablico quanto da cr\u00edtica. 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