{"id":417,"date":"2019-02-13T18:00:01","date_gmt":"2019-02-13T20:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/?p=417"},"modified":"2021-04-29T23:09:12","modified_gmt":"2021-04-30T02:09:12","slug":"7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/02\/13\/7\/","title":{"rendered":"Da tecnologia \u00e0 expectativa musical"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 13 de\u00a0fevereiro\u00a0de\u00a02019<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 12pt\">fornari @ unicamp . br<\/span><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>A tecnologia musical comercialmente disponibilizada na segunda metade do s\u00e9culo 20 DC, como mencionada no artigo anterior, foi amplamente utilizada na m\u00fasica formal, descendente de uma tradi\u00e7\u00e3o erudita, embasada em trabalhos te\u00f3ricos, conceitos filos\u00f3ficos e est\u00e9ticos, conforme observa-se na produ\u00e7\u00e3o de Edgard Var\u00e8se, Iannis Xenakis, Karlheinz Stockhausen entre tantos outros. Esta \u00e9 normalmente chamada de m\u00fasica eletroac\u00fastica. No entanto, estes recursos tecnol\u00f3gicos tamb\u00e9m foram utilizados pela m\u00fasica popular, ou seja, a forma musical normalmente associada \u00e0 poesia (que constitui as can\u00e7\u00f5es), \u00e0 dan\u00e7a e ao mercado consumidor que, direta ou indiretamente, guia ou influencia o seu desenvolvimento.<\/p>\n<div id=\"attachment_428\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-428\" class=\" wp-image-428\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/02\/electroacoustica-music-studio-300x245.jpg\" alt=\"\" width=\"551\" height=\"452\" \/><p id=\"caption-attachment-428\" class=\"wp-caption-text\">Estudio de m\u00fasica eletroac\u00fastica.<br \/>Fonte: <a href=\"http:\/\/sme.amuz.krakow.pl\/english\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/sme.amuz.krakow.pl\/english\/<\/a><\/p><\/div>\n<p>A m\u00fasica popular normalmente dispensa maiores formaliza\u00e7\u00f5es, como a utiliza\u00e7\u00e3o de nota\u00e7\u00f5es musicais mais completas e abrangentes; valendo-se, quando muito, de melodias com cifras para registrar sua produ\u00e7\u00e3o, o que facilita o seu alcance e dispers\u00e3o comunit\u00e1ria. Por estar mais atrelada \u00e0 sociedade, esta espelha de forma bem mais evidente os fatores, processos e inquieta\u00e7\u00f5es socioculturais da sua comunidade de origem. Dentre estes, o g\u00eanero musical mais relevante e ub\u00edquo \u00e9 o Rock, que surgiu na segunda metade do s\u00e9culo 20 DC e se ramificou em muitos subg\u00eaneros contempor\u00e2neos. Este tem origem tipicamente urbana e foi influenciado tanto por g\u00eaneros afro-americanos quanto por g\u00eaneros de tradi\u00e7\u00e3o europeia. Em rela\u00e7\u00e3o aos g\u00eaneros afro-americanos, tem-se, entre outros, a influ\u00eancia do Blues (originado no s\u00e9culo 19 DC, no sul dos EUA, apresentando can\u00e7\u00f5es com melodia improvisada e estruturas harm\u00f4nicas simples e c\u00edclicas) e o Jazz (tamb\u00e9m originado no final do s\u00e9culo 19 DC, na regi\u00e3o de New Orleans, posteriormente evoluindo para um g\u00eanero virtuos\u00edstico, geralmente instrumental, com harmonia complexa, onde novas melodias s\u00e3o criadas atrav\u00e9s do seu processo caracter\u00edstico de improvisa\u00e7\u00e3o guiada pela estrutura harm\u00f4nica). Em rela\u00e7\u00e3o aos g\u00eaneros de tradi\u00e7\u00e3o europeia, tem-se, entre outros, a influ\u00eancia do Folk (m\u00fasica folcl\u00f3rica) e do Country (a m\u00fasica caipira americana, originada no sul dos EUA).<\/p>\n<div id=\"attachment_429\" style=\"width: 599px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-429\" class=\" wp-image-429\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/02\/rock-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"589\" height=\"338\" \/><p id=\"caption-attachment-429\" class=\"wp-caption-text\">Casais dan\u00e7ando ao som do <em>Rock and Roll<\/em> dos anos 1960.<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/thedailyhang.com\/2018\/09\/19\/doin-the-twist-wednesday\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/thedailyhang.com\/2018\/09\/19\/doin-the-twist-wednesday\/<\/a><\/p><\/div>\n<p>O Rock \u00e9 originado do termo \u201c<i>Rock and Roll<\/i>\u201d, ou seja, \u201cbalan\u00e7ar e rolar\u201d, referindo-se \u00e0 maneira, naquela \u00e9poca considerada fren\u00e9tica, dos jovens dos anos 1950, de dan\u00e7arem ao som daquele ent\u00e3o novo g\u00eanero musical. Em termos estruturais, o Rock parece ter herdado a simplicidade harm\u00f4nica caracter\u00edstica do Blues (mais especificamente, do <i>Rhythm and Blues<\/i>, ou R&amp;B, um estilo de Blues urbano que \u00e9 mais ritmado e com andamento mais acelerado), a quase total aus\u00eancia de improvisa\u00e7\u00e3o do Folk e do Country e a explora\u00e7\u00e3o de novas sonoridades do Jazz, sendo que, ao inv\u00e9s de novas melodias, como no caso da improvisa\u00e7\u00e3o jazz\u00edstica, o Rock explorou novos timbres musicais, onde o seu \u00edcone \u00e9 a guitarra el\u00e9trica; o instrumento musical mais representante deste g\u00eanero musical, que apenas apresenta a sua sonoridade caracter\u00edstica atrav\u00e9s do amparo de recursos tecnol\u00f3gicos (amplificador, auto-falante, efeitos, distor\u00e7\u00f5es, etc.).<\/p>\n<p><iframe title=\"Fender Modern Player Short Scale Stratocaster &amp; Telecaster electric guitar review demo\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Eik8Goy_8yQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Enquanto a m\u00fasica popular utilizou a tecnologia para enriquecer a sua tradi\u00e7\u00e3o musical, tornando a sua est\u00e9tica mais embasada e potencializada, a m\u00fasica eletroac\u00fastica utilizou tais recursos tecnol\u00f3gicos para explorar novos horizontes est\u00e9ticos. Para tanto, distanciou-se intencionalmente da tradi\u00e7\u00e3o tonal ou modal que caracteriza a m\u00fasica que vinha se desenvolvendo e ramificando, num cont\u00ednuo hist\u00f3rico, desde a antiguidade. Com este rompimento, o g\u00eanero erudito contempor\u00e2neo tamb\u00e9m se distanciou do p\u00fablico comum, uma vez que o ouvinte, sem pr\u00e9vias refer\u00eancias cognitivas, que o habilitasse a entender e a apreciar o significado musical de uma obra deste g\u00eanero, como ocorre naturalmente no caso da m\u00fasica tonal, passou a percebe-la como um tipo de inc\u00f3gnita sonora. No entanto, para os compositores de tais obras (e seus seguidores), as tais refer\u00eancias cognitivas j\u00e1 estavam dispon\u00edveis, uma vez que estes tinham conhecimento \u00e0 priori da sua estrutura\u00e7\u00e3o composicional, o que os permitia entender e assim apreciar tais composi\u00e7\u00f5es. Esta distonia entre ouvintes leigos e iniciados, que de certa forma j\u00e1 existia entre m\u00fasica erudita tonal e a popular ou folcl\u00f3rica, aumentou gigantescamente, o que deve ter deixado perplexos tanto os compositores contempor\u00e2neos, que n\u00e3o entendiam o porqu\u00ea de suas composi\u00e7\u00f5es serem descartadas pelo p\u00fablico geral, quanto os ouvintes leigos, que n\u00e3o tinham conhecimento pr\u00e9vio suficiente para entender porqu\u00ea algu\u00e9m comporia algo aparentemente t\u00e3o anti-musical, ou seja, sem um significado est\u00e9tico acess\u00edvel e portanto aceit\u00e1vel. Nesse per\u00edodo, pouco ainda se sabia sobre os processos cognitivos de entendimento musical, o que s\u00f3 veio a ser esmiu\u00e7ado posteriormente, pela psicologia da m\u00fasica, pela cogni\u00e7\u00e3o musical e posteriormente pela neuroci\u00eancia. Eram ignorados fatos relevantes do modo como nossa percep\u00e7\u00e3o musical \u00e9 de fato processada. Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos tamb\u00e9m forneceram ferramentas para que a musicologia nesse per\u00edodo pudesse iniciar a investiga\u00e7\u00e3o dos processos mentais e cerebrais que regem a identifica\u00e7\u00e3o de aspectos musicais dos quais significados emergem e emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o evocadas.<\/p>\n<p><iframe title=\"Film Scoring 101 - Atonality and Clusters\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qmCeA96lJ4s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Leonard Meyer, fil\u00f3sofo e te\u00f3rico musical, publicou em 1956 um livro seminal, intitulado \u201c<i>Emotion and Meaning in Music<\/i>\u201d, onde \u00e9 abordada a quest\u00e3o da expectativa em m\u00fasica e a sua rela\u00e7\u00e3o com o significado musical, conforme anteriormente destacado por Eduard Hanslick. Meyer aplicou princ\u00edpios da Gestalt e do pragmatismo de Charles Sanders Peirce pra estudar como a mente do ouvinte processa a informa\u00e7\u00e3o musical ao tentar predizer futuros eventos musicais enquanto escuta uma pe\u00e7a musical. Este processo gera emo\u00e7\u00f5es que podem ser satisfat\u00f3rias ou n\u00e3o, de acordo com o contexto musical. Segundo Meyer, emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o geradas quando uma tend\u00eancia de resposta a uma a\u00e7\u00e3o \u00e9 inibida. Meyer menciona em seu livro 4 abordagens ou conceitua\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas do significado musical: Absolutista (cujo significado \u00e9 dado pelo contexto da obra), Referencialista (cujo significado est\u00e1 nas refer\u00eancias externas \u00e0 obra), Formalista (cujo significado est\u00e1 no entendimento intelectual da obra), Expressionista (cujo significado est\u00e1 na emo\u00e7\u00e3o evocada pela obra). Estes conceitos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente excludentes. Meyer particularmente declara ter um posicionamento est\u00e9tico tendendo mais para o absolutista e expressionista. Seguindo esta categoriza\u00e7\u00e3o, os g\u00eaneros de m\u00fasica popular, como o Rock, parecem tender \u00e0s abordagens referencialista e expressionista, j\u00e1 que suas composi\u00e7\u00f5es, em sua larga maioria, s\u00e3o can\u00e7\u00f5es tonais. Estas possuem letra com significados sem\u00e2nticos externos \u00e0 estrutura musical, que \u00e9 tonal e simples, normalmente voltadas \u00e0 expressar quest\u00f5es afetivas pessoais e inquieta\u00e7\u00f5es sociais. J\u00e1 a m\u00fasica eletroac\u00fastica erudita, contempor\u00e2nea ao Rock, parece ter adotado uma abordagem absolutista e formalista, uma vez que a sua est\u00e9tica d\u00e1 mostras de ser auto-referenciada e end\u00f3gena, ou seja, baseada em si mesma, de onde grande parte da satisfa\u00e7\u00e3o do ouvinte parece advir da sua capacidade de desvendar o caminho cognitivo para o entendimento intelectual da estrutura da obra. [1,2]<\/p>\n<div id=\"attachment_430\" style=\"width: 353px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-430\" class=\"wp-image-430\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/02\/meyer.jpg\" alt=\"\" width=\"343\" height=\"515\" \/><p id=\"caption-attachment-430\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro de Leonard Meyer, &#8220;<em>Emotion and meaning in music<\/em>&#8220;.<\/p><\/div>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>[1] Leonard Meyer &#8211; Part I. Notes by David Huron.\u00a0https:\/\/csml.som.ohio-state.edu\/Music829D\/Notes\/Meyer1.html<\/p>\n<p>[2] Felicia E. Kruse. \u201cEmotion in Musical Meaning: A Peircean Solution to Langer&#8217;s Dualism\u201d Transactions of the Charles S Peirce Society 41(4):762-778. October 2005. DOI: 10.2979\/TRA.2005.41.4.762<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Como citar este artigo:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cDa tecnologia \u00e0 expectativa musical\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. ISSN 2526-6187. Data da publica\u00e7\u00e3o: 13 de fevereiro de 2019. Link: https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/02\/13\/7\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/02\/13\/7\/\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Da tecnologia \u00e0 expectativa musical\"><p>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 13 de\u00a0fevereiro\u00a0de\u00a02019 fornari @ unicamp . br A tecnologia musical comercialmente disponibilizada na segunda metade do s\u00e9culo 20 DC, como mencionada no artigo anterior, foi amplamente utilizada na m\u00fasica formal, descendente de uma tradi\u00e7\u00e3o erudita, embasada em trabalhos te\u00f3ricos, conceitos filos\u00f3ficos e est\u00e9ticos, conforme observa-se na produ\u00e7\u00e3o de Edgard Var\u00e8se, Iannis Xenakis, Karlheinz Stockhausen [&hellip;]<\/p>\n<\/a>","protected":false},"author":389,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[69,7,10,25,11,14,3,2,18,17,13,5],"class_list":{"0":"post-417","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-musicologia","7":"tag-jose-eduardo-fornari-novo-junior","8":"tag-blog","9":"tag-blogs","10":"tag-da-tecnologia-a-expectativa-musical","11":"tag-jose-fornari","12":"tag-josefornari","13":"tag-musica","14":"tag-musicologia","15":"tag-nics","16":"tag-tuti","17":"tag-tutifornari","18":"tag-unicamp","19":"h-entry","20":"hentry"},"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/389"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=417"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1322,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417\/revisions\/1322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}