{"id":507,"date":"2019-03-13T18:00:33","date_gmt":"2019-03-13T21:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/?p=507"},"modified":"2020-01-19T13:42:40","modified_gmt":"2020-01-19T16:42:40","slug":"11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/03\/13\/11\/","title":{"rendered":"Ouvir para escutar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 13 de\u00a0mar\u00e7o de\u00a02019<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 12pt\">fornari @ unicamp . br<\/span><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>M\u00fasica \u00e9 uma arte sonora e como tal depende, direta ou indiretamente, do sentido da audi\u00e7\u00e3o para ser identificada e apreciada. Existem dois verbos principais no Portugu\u00eas que expressam a capacidade mental de coletar informa\u00e7\u00f5es sonoras: Ouvir e Escutar. A etimologia de ambas vem do Latim, onde \u201couvir\u201d vem de \u201c<i>audire<\/i>\u201d, ou seja, \u201cperceber atrav\u00e9s da audi\u00e7\u00e3o\u201d, enquanto que \u201cescutar\u201d vem de \u201c<i>auscultare<\/i>\u201d, que significa \u201couvir com aten\u00e7\u00e3o\u201d. Desse modo, todo \u201cescutar\u201d \u00e9 tamb\u00e9m \u201couvir\u201d, por\u00e9m nem todo \u201couvir\u201d \u00e9 \u201cescutar\u201d.<\/p>\n<p><iframe title=\"OUVIR OU ESCUTAR\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BxE09WE_i2s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Escutar \u00e9 o processo auditivo primordial, anterior \u00e0 consci\u00eancia, onde as ondas de compress\u00e3o e expans\u00e3o do ar, ou de outro meio el\u00e1stico por onde estas se propagam, constituem a \u201cpress\u00e3o ac\u00fastica\u201d que transmitem a informa\u00e7\u00e3o sonora. Na orelha, esta informa\u00e7\u00e3o passa por 3 est\u00e1gios de transdu\u00e7\u00e3o: 1) de press\u00e3o ac\u00fastica para vibra\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas (no t\u00edmpano), 2) de vibra\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas para varia\u00e7\u00f5es de press\u00e3o hidr\u00e1ulica (dos l\u00edquidos internos da c\u00f3clea) e finalmente 3) de varia\u00e7\u00f5es de press\u00e3o hidr\u00e1ulica para sinais el\u00e9tricos, constitu\u00eddos pelos \u201cpotenciais de a\u00e7\u00e3o\u201d disparados pela movimenta\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas ciliadas na membrana basilar, dentro da c\u00f3clea. No primeiro est\u00e1gio de transdu\u00e7\u00e3o, as ondas sonoras s\u00e3o captadas pelo pavilh\u00e3o de cada orelha (tamb\u00e9m chamada de \u201cpina\u201d) que cumprem a fun\u00e7\u00e3o de filtros que variam sua \u201cfun\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia\u201d (a representa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o entre a entrada e a sa\u00edda de um sistema) de acordo com a posi\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fonte sonora. Deste modo, as pinas colaboram no processo de localiza\u00e7\u00e3o espacial da fonte sonora. Em seguida, as ondas sonoras entram pelo canal auditivo que possui uma frequ\u00eancia de resson\u00e2ncia centrada entre 2 e 4 kHz, amplificando e, desse modo, privilegiando esta regi\u00e3o do espectro de frequ\u00eancia sonoro que \u00e9 especialmente importante para o reconhecimento e o entendimento da fala humana. No segundo est\u00e1gio as ondas sonoras colidem contra o t\u00edmpano; uma membrana c\u00f4ncava e m\u00f3vel, que vibra em decorr\u00eancia da varia\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sonora. Esta membrana est\u00e1 acoplada a 3 ossos em sequ\u00eancia (martelo, bigorna e estribo) que cumprem a fun\u00e7\u00e3o de amplificar mecanicamente a vibra\u00e7\u00e3o do t\u00edmpano. Existem 2 m\u00fasculos tensores que s\u00e3o ativados quando a intensidade sonora \u00e9 muito forte (minimizando a intensidade desta vibra\u00e7\u00e3o e assim protegendo a integridade da audi\u00e7\u00e3o). Um deles est\u00e1 acoplado no in\u00edcio da orelha m\u00e9dia (o t\u00edmpano) e o outro no seu final (o estribo), onde a vibra\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica finalmente chega \u00e0 orelha interna. No terceiro est\u00e1gio as vibra\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas chegam ao vest\u00edbulo. Esta \u00e9 uma estrutura r\u00edgida, formada por um \u00fanico osso que cont\u00eam, num de seus extremos, os \u201ccanais semicirculares\u201d que fazem parte dos sensores corporais para a perce\u00e7\u00e3o de localiza\u00e7\u00e3o (posi\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a) e acelera\u00e7\u00e3o espacial (deslocamento da cabe\u00e7a), possibilitando assim ao indiv\u00edduo perceber a sua orienta\u00e7\u00e3o corporal e manter o seu equil\u00edbrio. No outro extremo do vest\u00edbulo, tem-se a c\u00f3clea, onde ocorre a percep\u00e7\u00e3o do som. O estribo, ao vibrar, colide contra uma abertura no vest\u00edbulo, na regi\u00e3o da c\u00f3clea, chamada de \u201cjanela oval\u201d, que transmite a vibra\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica para o meio l\u00edquido (perilinfa e endolinfa) do interior da c\u00f3clea. Interessante destacar como a percep\u00e7\u00e3o de posicionamento e deslocamento corporal (associada \u00e0 dan\u00e7a) \u00e9 processada t\u00e3o perto da percep\u00e7\u00e3o sonora (associada \u00e0 m\u00fasica). Sons muito intensos acabam tamb\u00e9m estimulando os canais semicirculares, o que faz com que sua percep\u00e7\u00e3o seja intensificada. Talvez por isso tendemos a aumentar o volume quando gostamos de uma m\u00fasica que estamos escutando, ou algumas vezes tendemos a balan\u00e7ar a cabe\u00e7a em movimento sincronizado ao seu andamento.<\/p>\n<p><iframe title=\"De la cochl\u00e9e aux cellules cili\u00e9es : R Pujol, S Blatrix\" width=\"700\" height=\"525\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RWjv-NZJLm8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A c\u00f3clea \u00e9 uma estrutura espiralada, com formato e tamanho similar ao do conhecido molusco \u201ccaracol de jardim\u201d, onde a base da c\u00f3clea \u00e9 mais larga e o seu topo \u00e9 mais estreito. Dentro da c\u00f3clea, em toda a sua extens\u00e3o longitudinal, existe uma estrutura chamada \u201cmembrana basilar\u201d, onde est\u00e3o as c\u00e9lulas ciliadas. Estes s\u00e3o neur\u00f4nios mecanorreceptores adaptados que respondem com sinais el\u00e9tricos (potenciais de a\u00e7\u00e3o) quando estimulados mecanicamente. A membrana basilar tamb\u00e9m tem formato de cunha e se extende longitudinalmente por toda a c\u00f3clea, por\u00e9m esta \u00e9 mais fina e r\u00edgida na base da c\u00f3clea (onde a c\u00f3clea \u00e9 mais larga), e vai se tornando mais larga e flex\u00edvel na medida em que se aproxima do topo da c\u00f3clea, onde seu canal \u00e9 mais estreito. Isto contribui para a discrimina\u00e7\u00e3o de frequ\u00eancias componentes do som, de acordo com a regi\u00e3o da membrana basilar que est\u00e1 sendo excitada. Sons graves s\u00e3o percebidos no topo da c\u00f3clea, onde a membrana basilar \u00e9 mais larga e flex\u00edvel (e com mais c\u00e9lulas ciliadas). Sons agudos s\u00e3o percebidos na regi\u00e3o inicial da c\u00f3clea, onde a membrana basilar \u00e9 mais estreita e r\u00edgida (e com menos c\u00e9lulas ciliadas). Isto permite a decomposi\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o sonora em seus componentes em frequ\u00eancia, chamados de parciais ou harm\u00f4nicos. Parciais distintos (com frequ\u00eancias distintas), s\u00e3o percebidos em regi\u00f5es distintas da membrana basilar, que se organiza assim como um teclado de piano ao reverso (que inicia no mais agudo e vai at\u00e9 o mais grave), o que constitui o que \u00e9 conhecido como organiza\u00e7\u00e3o \u201ctonot\u00f3pica\u201d da c\u00f3clea.<\/p>\n<p><iframe title=\"2-Minute Neuroscience: The Cochlea\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WeQluId1hnQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o tonot\u00f3pica \u00e9 transmitida discriminadamente atrav\u00e9s do nervo auditivo at\u00e9 o c\u00e9rebro, que processa este est\u00edmulo neural como sensa\u00e7\u00e3o sonora. A primeira regi\u00e3o cerebral que recebe esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u201ctronco cerebral\u201d, onde est\u00e3o os 2 \u201cn\u00facleos cocleares\u201d. Estes recebem a informa\u00e7\u00e3o tonot\u00f3pica, onde existe um mapeamento por regi\u00e3o similar ao da membrana basilar. \u00c9 interessante notar que a informa\u00e7\u00e3o sonora discriminada por frequ\u00eancia \u00e9 um fator crucial para a detec\u00e7\u00e3o da tonalidade musical sem refer\u00eancia externa (capacidade esta conhecida por \u201couvido absoluto\u201d, ou &#8220;<em>perfect pitch<\/em>&#8220;). No entanto, apesar de todos os ouvintes estarem equipados com este processamento cerebral, apenas uma notada minoria da popula\u00e7\u00e3o ret\u00e9m a capacidade do ouvido absoluto, segundo alguns estudos, ap\u00f3s uma certa idade pr\u00e9 verbal. Isto nos leva a supor que o \u201couvido absoluto\u201d seja de fato um fen\u00f4meno de ordem cognitiva ao inv\u00e9s de fisiol\u00f3gica. Este \u00e9 um assunto instigante e extenso que ser\u00e1 futuramente tratado com maiores detalhes.<\/p>\n<p><iframe title=\"Perfect Pitch: The World&#039;s Greatest Ear!!\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t3Cb1qwCUvI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o cerebral dos n\u00facleos cocleares s\u00e3o realizados alguns processamentos iniciais da informa\u00e7\u00e3o sonora, como a detec\u00e7\u00e3o de sua intensidade e da sua dura\u00e7\u00e3o. Desta regi\u00e3o, o est\u00edmulo sonoro \u00e9 transmitido simultaneamente para 2 vias neurais; a via prim\u00e1ria e a via reticular (ou, n\u00e3o espec\u00edfica). A via prim\u00e1ria \u00e9 espec\u00edfica para a audi\u00e7\u00e3o (ou seja, n\u00e3o recebe informa\u00e7\u00e3o de qualquer outro sentido a n\u00e3o ser da c\u00f3clea) e trata do processamento r\u00e1pido da informa\u00e7\u00e3o auditiva, onde o est\u00edmulo sonoro chega ao c\u00f3rtex auditivo via \u201cn\u00facleo geniculado medial\u201d; uma \u00e1rea do \u201ct\u00e1lamo\u201d (regi\u00e3o cerebral profunda, situada em cada um dos hemisf\u00e9rios cerebrais, que participa da regula\u00e7\u00e3o de atividades motoras, informa\u00e7\u00f5es sensoriais, consci\u00eancia, ciclo do sono e estado de alerta) e que realiza o processamento da informa\u00e7\u00e3o sonora. Nesta via neural \u00e9 processado o estado de alerta e o despertar do ouvinte atrav\u00e9s de um est\u00edmulo sonoro (como no caso de um indiv\u00edduo que est\u00e1 dormindo e subitamente \u00e9 acordado pelo som de um alarme) bem como a identifica\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o sonora atrav\u00e9s de seu contraste com a informa\u00e7\u00e3o armazenada na mem\u00f3ria do ouvinte. A via reticular trata do processamento n\u00e3o espec\u00edfico da informa\u00e7\u00e3o sonora. Esta envia a informa\u00e7\u00e3o sonora para \u00e1reas multisensoriais do t\u00e1lamo que a redireciona simultaneamente: 1) para o c\u00f3rtex (que participa do processamento de atividades relacionadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia, e do estado de vig\u00edlia e alerta); 2) para o sistema l\u00edmbico (que participa da gera\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es) e 3) para o hipot\u00e1lamo (que participa da regula\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es vegetativas corporais e da regula\u00e7\u00e3o hormonal).<\/p>\n<div id=\"attachment_523\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-523\" class=\"wp-image-523 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/03\/sensacao-e-percepcao-consciente.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/03\/sensacao-e-percepcao-consciente.jpg 600w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/03\/sensacao-e-percepcao-consciente-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-523\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.cochlea.eu\/po\/cerebro-auditivo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.cochlea.eu\/po\/cerebro-auditivo<\/a><\/p><\/div>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o sonora est\u00e1 assim mais relacionada com a a\u00e7\u00e3o de \u201couvir\u201d e \u00e9 majoritariamente processada pela via neural prim\u00e1ria, enquanto que a percep\u00e7\u00e3o sonora est\u00e1 mais relacionada com a a\u00e7\u00e3o de \u201cescutar\u201d onde a informa\u00e7\u00e3o sonora \u00e9 processada simultaneamente tanto pelas vias prim\u00e1ria quanto pela reticular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>[1] <a href=\"http:\/\/www.cochlea.eu\/en\/auditory-brain\">http:\/\/www.cochlea.eu\/en\/auditory-brain<\/a> \/\/ <a href=\"http:\/\/www.cochlea.eu\/po\/cerebro-auditivo\">http:\/\/www.cochlea.eu\/po\/cerebro-auditivo<\/a><\/p>\n<p>[2] Video about Hearing and How it Works <a href=\"https:\/\/youtu.be\/flIAxGsV1q0\">https:\/\/youtu.be\/flIAxGsV1q0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Como citar este artigo:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cOuvir para escutar\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. ISSN 2526-6187. Data da publica\u00e7\u00e3o: 13 de mar\u00e7o de 2019. Link: https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/03\/13\/11\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/03\/13\/11\/\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Ouvir para escutar\"><p>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 13 de\u00a0mar\u00e7o de\u00a02019 fornari @ unicamp . br M\u00fasica \u00e9 uma arte sonora e como tal depende, direta ou indiretamente, do sentido da audi\u00e7\u00e3o para ser identificada e apreciada. Existem dois verbos principais no Portugu\u00eas que expressam a capacidade mental de coletar informa\u00e7\u00f5es sonoras: Ouvir e Escutar. 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