{"id":683,"date":"2019-05-08T18:00:59","date_gmt":"2019-05-08T21:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/?p=683"},"modified":"2020-01-19T13:52:21","modified_gmt":"2020-01-19T16:52:21","slug":"19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/05\/08\/19\/","title":{"rendered":"Acordes e Afetos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 8 de\u00a0maio de\u00a02019<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>fornari @ unicamp . br<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>Vimos no artigo anterior o processo de forma\u00e7\u00e3o das tr\u00edades maiores e menores a partir da s\u00e9rie harm\u00f4nica e como isto pode ter influenciado a constata\u00e7\u00e3o de estados afetivos que estes acordes remetem aos ouvintes. Poderia-se argumentar que, apesar da tr\u00edade menor apresentar um menor intervalo entre a fundamental e a ter\u00e7a, esta apresenta em contrapartida um intervalo maior entre sua ter\u00e7a e a sua quinta, o que em termos intervalares faria com que esta se equivalesse \u00e0 tr\u00edade maior. Ocorre que perceptualmente a quinta na tr\u00edade age como uma nota que embasa, sustenta e valida a tonalidade determinada pela sua fundamental, enquanto que a ter\u00e7a da tr\u00edade age como o agente de caracteriza\u00e7\u00e3o, que determina se o modo deste acorde \u00e9 maior ou menor. Como experimento para constatar este fato, \u00e9 interessante utilizar novamente o j\u00e1 citado gerador de tons puros (vers\u00e3o online no link <a href=\"https:\/\/www.szynalski.com\/tone-generator\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.szynalski.com\/tone-generator\/<\/a>) pra criar uma tr\u00edade onde a ter\u00e7a tem a rela\u00e7\u00e3o intervalar ainda menor do que o intervalo de ter\u00e7a menor, de raz\u00e3o 6\/5. Este acorde \u201chiper menor\u201d tem o intervalo de 7\/6 que equivale ao intervalo entre o s\u00e9timo e o sexto harm\u00f4nico da s\u00e9rie harm\u00f4nica (lembrando que o intervalo da ter\u00e7a maior justa \u00e9 dado pela raz\u00e3o 5\/4). No exemplo do artigo anterior, para uma fundamental de 1000Hz, a ter\u00e7a maior equivale ao intervalo de frequ\u00eancia (5\/4)*1000=1250Hz. A ter\u00e7a menor equivale \u00e0 (6\/5)*1000=1200Hz e este intervalo, ainda menor que a ter\u00e7a menor, a (7\/6)*1000 ~ 1166,67Hz. Se o ouvinte iniciar por escutar esta tr\u00edade (1000, 1166,67, 1500Hz) e depois passar para a tr\u00edade menor (1000, 1200, 1500Hz) perceber\u00e1 que esta \u00faltima (que \u00e9 de fato a tr\u00edade menor) escutada nesta sequ\u00eancia ser\u00e1 percebida pelo ouvinte como se fosse a tr\u00edade maior, despertando assim a mesma constata\u00e7\u00e3o afetiva de al\u00edvio, descomplica\u00e7\u00e3o e leveza que a tr\u00edade maior apresenta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 menor. O arquivo de \u00e1udio abaixo demonstra esse efeito, iniciando com o intervalo de quinta (fundamental e quinta, ou seja, 1000 e 1500Hz) e depois inserindo a a ter\u00e7a &#8220;hyper-menor&#8221; (1166,67Hz), seguida pela ter\u00e7a menor (1200Hz) e maior (1250Hz).<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-683-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4.mp3\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4.mp3<\/a><\/audio>\n<p>Este experimento nos leva a perceber a grande influ\u00eancia do nosso referencial cognitivo na maneira como escutamos e entendemos o contexto afetivo musical. No entanto, existem estudos etnomusicol\u00f3gicos que descrevem grupos culturais onde os ouvintes n\u00e3o compartilham da mesma constata\u00e7\u00e3o afetiva do modo menor que a maioria dos ouvintes enculturados pela m\u00fasica ocidental possuem. Alguns povos ao redor do mundo, tais como os que habitam \u00e1reas do sudeste europeu (pen\u00ednsula balc\u00e2nica), partes do norte africano e tamb\u00e9m no oriente m\u00e9dio, n\u00e3o tendem a constatar o modo menor como remetendo \u00e0 melancolia, solenidade ou \u201crumina\u00e7\u00e3o mental\u201d. Isto nos leva a concluir que o fator cultural \u00e9 tamb\u00e9m um elemento fundamental para determinar no ouvinte a constata\u00e7\u00e3o afetiva dos modos musicais, como \u00e9 o caso dos modos maior e menor. Existem estudos estat\u00edsticos de musicologia sistem\u00e1tica que afirmam que na cultura ocidental, grande parte da produ\u00e7\u00e3o musical (entre 65 a 75%, dependendo do g\u00eanero musical) \u00e9 feita em modo maior. David Huron e colegas constataram que o ouvinte ocidental t\u00edpico, ao escutar uma melodia pela primeira vez, tende a interpret\u00e1-la como se esta fosse em modo maior, at\u00e9 que este tenha uma constata\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel de que a melodia \u00e9 de fato em modo menor (por exemplo, a ocorr\u00eancia de um intervalo de ter\u00e7a menor com a fundamental), onde somente a partir deste momento, este ouvinte t\u00edpico da cultura ocidental mudar\u00e1 sua interpreta\u00e7\u00e3o mel\u00f3dica para o modo menor. A rela\u00e7\u00e3o entre os intervalos e as tr\u00edades maior e menor forma a base da m\u00fasica tonal europ\u00e9ia, que se amalgamou, segundo Joshua Albrecht, por volta do s\u00e9culo 16 DC, a partir dos 7 modos gregos (explicados no roteiro 17) de onde descendem os 2 principais modos musicais da atualidade: o maior e o menor.<\/p>\n<p>No entanto, existem outros dois tipos de tr\u00edades que podem ser geradas a partir de intervalos consecutivos de ter\u00e7as. A tr\u00edade criada a partir de 2 intervalos de ter\u00e7a menor \u00e9 chamada de \u201ctr\u00edade diminuta\u201d e a tr\u00edade formada a partir de 2 intervalos de ter\u00e7a maior \u00e9 chamada de \u201ctr\u00edade aumentada\u201d.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-689\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades-1-1024x133.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"91\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades-1-1024x133.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades-1-300x39.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades-1-768x100.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades-1-700x91.png 700w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-683-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades.mp3\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4triades.mp3<\/a><\/audio>\n<p>O que se percebe \u00e9 que, para o ouvinte enculturado na tradi\u00e7\u00e3o musical europ\u00e9ia, a tr\u00edade diminuta soa ainda mais melanc\u00f3lica do que a tr\u00edade menor, chegando mesmo a representar sentimentos extremos como o de \u201ctrag\u00e9dia\u201d ou \u201cterror\u201d. Isto se deve ao fato de que esta tr\u00edade apresenta 2 ter\u00e7as menores e estes intervalos juntos geram, entre as notas extremas desta tr\u00edade, o j\u00e1 mencionado \u201cintervalo do diabo\u201d; o tr\u00edtono. O tr\u00edtono \u00e9 um intervalo de 6 semitons (por exemplo, entre F e B) que representa em si uma grande tens\u00e3o, Iniciando com a nota F, a nota B superior (que com esta forma um tr\u00edtono) equivaleria ao 11<sup>o<\/sup>harm\u00f4nico de F. Interessante notar que o tr\u00edtono \u00e9 sim\u00e9trico, ocorrendo exatamente no meio da escala crom\u00e1tica (ou seja, o intervalo de 6 semitons dos 12 semitons que comp\u00f5em a oitava). Assim, se iniciarmos o tr\u00edtono a parir de B, este tamb\u00e9m formar\u00e1 um tr\u00edtono com seu F superior e este equivaler\u00e1 a seu 11<sup>o<\/sup>harm\u00f4nico. Este intervalo musical representa uma dist\u00e2ncia cognitiva muito grande entre ambas as notas que formam este intervalo. Por este motivo o tr\u00edtono normalmente representa uma tens\u00e3o que pede por uma resolu\u00e7\u00e3o, ou seja, um rearranjo de suas notas constituintes de modo a minimizar esta tens\u00e3o, por exemplo, deslocando ambas as notas um semitom em sentidos contr\u00e1rios, por exemplo, de F e B (tr\u00edtono) indo para E e C (que \u00e9 o intervalo de sexta menor, ou ter\u00e7a maior invertida), ou de F e B indo para F# e Bb (intervalo de ter\u00e7a maior). O arquivo de \u00e1udio abaixo demonstra essas duas resolu\u00e7\u00f5es, na ordem em que s\u00e3o citadas acima.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-696\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes-1024x113.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"77\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes-1024x113.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes-300x33.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes-768x84.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes-700x77.png 700w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-683-3\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/wav\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes.wav?_=3\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes.wav\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/tritono2resolucoes.wav<\/a><\/audio>\n<p>No caso da tr\u00edade aumentada, tem-se 2 intervalos consecutivos de ter\u00e7a maior. Por exemplo, em C-E-G#, tem-se a ter\u00e7a maior entre C e E e outra ter\u00e7a maior entre E e G#. Apesar deste ser, em teoria, um acorde com menor tens\u00e3o que a tr\u00edade diminuta, este surpreendentemente tem mais tens\u00e3o harm\u00f4nica do que a tr\u00edade maior equivalente: C-E-G. A raz\u00e3o disso est\u00e1 no fato mencionado acima, de que o intervalo de quinta entre as notas extremas da tr\u00edade maior e menor (C e G), embasam a fundamental como tonalidade predominante do acorde (no caso do exemplo, C). Este intervalo de quinta com a fundamental da tonalidade \u00e9 chamado de \u201cdominante\u201d. No caso da tr\u00edade aumentada, o intervalo entre as suas notas extremas (C e G#) \u00e9 uma sexta menor, equivalente \u00e0 uma ter\u00e7a maior invertida (G# e C). No exemplo de tr\u00edade aumentada: C-E-G#, n\u00e3o se tem o embasamento da tonalidade da fundamental devido \u00e0 falta da dominante de C. A tr\u00edade aumentada \u00e9 sim\u00e9trica e a invers\u00e3o da ordem de suas notas componentes tamb\u00e9m incorre em outra tr\u00edade aumentada (por exemplo, C-E-G#, E-G#-C e G#-C-E, s\u00e3o todas tr\u00edades aumentadas). O arquivo de \u00e1udio abaixo demonstra estas 3 invers\u00f5es da tr\u00edade aumentada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-698\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/triades-aumentadas-1-1024x146.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"100\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/triades-aumentadas-1-1024x146.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/triades-aumentadas-1-300x43.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/triades-aumentadas-1-768x110.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/triades-aumentadas-1-700x100.png 700w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/triades-aumentadas-1.png 1625w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-683-4\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/wav\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/aumentada3inversoes.wav?_=4\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/aumentada3inversoes.wav\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/aumentada3inversoes.wav<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n<p>[1] Joshua Albrecht, David Huron. \u201cOn the Emergence of the Major-Minor System: Cluster Analysis Suggests the Late 16th Century Collapse of the Dorian and Aeolian Modes\u201d Proc. 12th International Conference on Music Perception and Cognition. Thessaloniki, Greece. July 2012.<\/p>\n<p>[2] Huron, D., Kinney, D., &amp; Precoda, K. (2006). Influence of pitch height on the perception of submissiveness and threat in musical passages. Empirical Musicology Review, Vol. 1, No. 3, pp. 170-177.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Como citar este artigo:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cAcordes e Afetos\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. ISSN 2526-6187. Data da publica\u00e7\u00e3o: 8 de maio de 2019. Link: https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/05\/08\/19\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/05\/08\/19\/\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente Acordes e Afetos\"><p>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 8 de\u00a0maio de\u00a02019 fornari @ unicamp . br Vimos no artigo anterior o processo de forma\u00e7\u00e3o das tr\u00edades maiores e menores a partir da s\u00e9rie harm\u00f4nica e como isto pode ter influenciado a constata\u00e7\u00e3o de estados afetivos que estes acordes remetem aos ouvintes. 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