{"id":856,"date":"2019-07-31T22:39:55","date_gmt":"2019-08-01T01:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/?p=856"},"modified":"2020-01-20T02:52:08","modified_gmt":"2020-01-20T05:52:08","slug":"28","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/07\/31\/28\/","title":{"rendered":"O compartilhamento de recursos cerebrais entre m\u00fasica e linguagem"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"#ev1\"><strong><span style=\"font-size: 12pt\">vers\u00e3o em Espanhol abaixo<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Jos\u00e9 Fornari (Tuti) \u2013 31 de julho de 2019<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">fornari @ unicamp . br<\/p>\n<hr \/>\n<p>Duas capacidades essencialmente humanas que, apesar de distintas, compartilham recursos do c\u00e9rebro para o seu processamento, s\u00e3o a linguagem e a m\u00fasica. N\u00e3o existem registros hist\u00f3ricos de comunidades humanas que n\u00e3o tenham apresentado ambas atividades. Duas \u00e1reas cerebrais bastante conhecidas (pelo menos desde o s\u00e9culo XIX) que sempre estiveram associadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ao entendimento da linguagem, s\u00e3o as \u00e1reas de Broca (relacionada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da fala) e Wernicke (relacionada ao entendimento da linguagem). A \u00e1rea de Broca \u00e9 localizada predominantemente no lobo frontal do hemisf\u00e9rio esquerdo cerebral. Este hemisf\u00e9rio \u00e9 normalmente associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ao processamento de informa\u00e7\u00e3o anal\u00edtica; o chamado &#8220;computador serial&#8221;, conforme apelidado pela famosa neurocientista Jill Bolte Taylor, por concentrar diversas atividades cuja informa\u00e7\u00e3o \u00e9 organizada em sequ\u00eancias l\u00f3gicas e ordenadas no tempo, como as habilidades matem\u00e1ticas, l\u00f3gicas, dedutivas e a linguagem.<\/p>\n<p><iframe title=\"My stroke of insight | Jill Bolte Taylor\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UyyjU8fzEYU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A \u00e1rea de Broca \u00e9 nomeada em homenagem \u00e0 Pierre Paul Broca, m\u00e9dico do s\u00e9culo XIX que estudou pacientes com les\u00f5es nesta \u00e1rea cerebral e que por isso apresentavam incapacidade ou dificuldade de produzir fala ou diversos tipos de s\u00edlabas. J\u00e1 a \u00e1rea de Wernicke recebe o seu nome em homenagem ao neurologista Carl Wernicke, tamb\u00e9m do s\u00e9culo XIX, que realizou diversos estudos com pacientes apresentando \u201cafasia fluente\u201d, ou seja, a incapacidade adquirida de compreender uma linguagem a qual este era fluente antes de lesionar esta \u00e1rea cerebral. Tais pacientes muitas vezes retinham a capacidade de produzir s\u00edlabas, palavras e at\u00e9 frases (ou seja, o paciente era capaz de verbalizar uma palavra mas era incapaz de entender o seu significado). A \u00e1rea de Wernicke mais estudada \u00e9 tamb\u00e9m localizada no lobo temporal do hemisf\u00e9rio esquerdo. Esta \u00e1rea \u00e9 relacionada com a capacidade do indiv\u00edduo entender o significado direto de uma palavra dentro de um contexto mais expl\u00edcito e direto (por exemplo, &#8220;vir&#8221;, como a conjuga\u00e7\u00e3o do verbo &#8220;ir&#8221;; como na frase: &#8220;sua encomenda deve vir pelo correio&#8221;). O correspondente desta \u00e1rea por\u00e9m no hemisf\u00e9rio direito cerebral (hemisf\u00e9rio este que Jill Bolte Taylor compara a um &#8220;computador paralelo&#8221; por se relacionar mais com o processamento hol\u00edstico e n\u00e3o sequencial de informa\u00e7\u00e3o, como as habilidades art\u00edsticas, as capacidades associativas e o racioc\u00ednio indutivo) trata da compreens\u00e3o de significados sem\u00e2nticos amb\u00edguos (por exemplo, &#8220;vir&#8221;, como a conjuga\u00e7\u00e3o do verbo &#8220;ver&#8221;; como na frase: &#8220;se voc\u00ea vir ele chegando, me avise&#8221;). A \u00e1rea de Broca tamb\u00e9m possui um correspondente no hemisf\u00e9rio direito cerebral que, apesar de ainda ser pouco estudada, parece estar relacionada a processos onde um paciente, ap\u00f3s uma les\u00e3o na \u00e1rea de Broca do hemisf\u00e9rio esquerdo, consegue se recuperar da incapacidade de produzir palavras e s\u00edlabas (tamb\u00e9m conhecida como \u201cafasia expressiva\u201d, onde o paciente compreende mas n\u00e3o produz linguagem) atrav\u00e9s da realoca\u00e7\u00e3o deste processamento para a \u00e1rea correspondente no hemisf\u00e9rio direito (atrav\u00e9s do processo conhecido como \u201cneuroplasticidade funcional).<\/p>\n<div id=\"attachment_859\" style=\"width: 861px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-859\" class=\"wp-image-859 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/07\/BrocasWernicke.png\" alt=\"\" width=\"851\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/07\/BrocasWernicke.png 851w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/07\/BrocasWernicke-300x210.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/07\/BrocasWernicke-768x537.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/07\/BrocasWernicke-700x489.png 700w\" sizes=\"(max-width: 851px) 100vw, 851px\" \/><p id=\"caption-attachment-859\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Figura do c\u00e9rebro humano mostrando as \u00e1reas de Broca (produ\u00e7\u00e3o) e Wernicke (entendimento).<\/strong> Fonte: https:\/\/www.nidcd.nih.gov\/health\/aphasia (https:\/\/www.nidcd.nih.gov\/sites\/default\/files\/Documents\/health\/voice\/Aphasia6-1-16.pdf<\/p><\/div>\n<p>O pesquisador Aniruddh D. Patel (Ani Patel) prop\u00f4s um modelos te\u00f3rico de compreens\u00e3o do processamento cerebral da m\u00fasica e da linguagem, onde estas atividades sonoras, apesar de fundamentalmente distintas, compartilham recursos neurais em seu processamento. Este modelo \u00e9 conhecido como RSF (<i>Resource Sharing Framework<\/i>). Neste contexto, as \u00e1reas de Broca e Wernicke s\u00e3o utilizadas tanto no processamento da linguagem como no da m\u00fasica. Eu, quando era m\u00fasico, me lembro que, em muitas ocasi\u00f5es que estava tocando piano ou teclado, n\u00e3o conseguir falar com facilidade quando algu\u00e9m queria conversar comigo durante uma performance. Conseguia, com certa facilidade, entender o que a pessoa estava dizendo, mas quase n\u00e3o conseguia responder frases maiores do que \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d. No entanto, \u00e9 f\u00e1cil escutarmos m\u00fasica ou linguagem (por exemplo, um comentarista) numa r\u00e1dio enquanto dirigimos um ve\u00edculo, sem que isto atrapalhe nossas habilidades ao volante. O mesmo j\u00e1 n\u00e3o ocorre quando se est\u00e1 dirigindo e conversando no celular, o qual, exatamente por este motivo, \u00e9 proibido em v\u00e1rios pa\u00edses. Ani Patel, com seu modelo RSF, tornou poss\u00edvel o entendimento de dilemas que vinham desafiando pesquisadores sobre a origem e a regi\u00e3o do processamento da informa\u00e7\u00e3o musical no c\u00e9rebro do ouvinte. O processamento cognitivo de distintas atividades, como o entendimento e a produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica e linguagem, s\u00e3o realizados pelas mesmas regi\u00f5es e recursos cerebrais.<\/p>\n<p><iframe title=\"#MathScienceMusic Ep. 9 - Ani Patel -  Language and Rhythm Connections in Instrumental Music\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SJYW94BpPfU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Conforme foi tratado <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/02\/20\/8\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anteriormente<\/a>, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1970, o famoso e renomado maestro e compositor, Leonard Bernstein, apresentou uma s\u00e9rie de palestras onde ele tentou explicar a m\u00fasica atrav\u00e9s de um paralelo que fez com a linguagem, utilizando para isso a gram\u00e1tica universal de Chomsky, onde Bernestein atribui conte\u00fados sem\u00e2nticos a determinadas estruturas harm\u00f4nicas e mel\u00f3dicas que agiriam como significante (no sentido semi\u00f3tico de Saussure). De fato existe um tipo de organiza\u00e7\u00e3o estrutural (ou sint\u00e1tica) na m\u00fasica que, de certa forma, lembra as estruturas gramaticais da linguagem. Os intervalos entre notas ordenadas no tempo (organizados horizontalmente) comp\u00f5em frases e melodias, bem como os intervalos simult\u00e2neos (organizados verticalmente) comp\u00f5em contrapontos e acordes. No entanto estas estruturas musicais n\u00e3o tem uma atribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado sem\u00e2ntico a uma dessas organiza\u00e7\u00f5es horizontais ou verticais que remeta ao significado de um conceito (objeto), condi\u00e7\u00e3o (qualidade) ou processo (a\u00e7\u00e3o), nem de estruturas em tais organiza\u00e7\u00f5es que possam ser dispostas sequencialmente de modo recursivo como no caso da linguagem (onde podemos, por exemplo, dizer que \u201co gato que estava perto do macaco subiu no muro\u201d, onde entendemos sem maiores dificuldades que n\u00e3o foi o macaco mas sim o gato que subiu no muro). A m\u00fasica cumpre outra fun\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o humana, n\u00e3o t\u00e3o sem\u00e2ntica mas igualmente fundamental, que a meu ver \u00e9 a de comunicar a expressividade humana, em termos de sentimentos, afetos, emo\u00e7\u00f5es e estados de espirito (<i>mood<\/i>). Tais conceitos expressivos s\u00e3o anteriores \u00e0 linguagem e fundamentam as estruturas anal\u00edticas de entendimento que um indiv\u00edduo faz da sua realidade subjetiva e objetiva. Percebemos isso ao vermos processos de polariza\u00e7\u00e3o social, onde, a partir de um sentimento em comum, uma multid\u00e3o se alinha numa conclus\u00e3o inten\u00e7\u00e3o similar, mesmo que posteriormente esta se demonstre completamente falsa. Foi assim no fascismo, onde um pa\u00eds como a Alemanha, na \u00e9poca com um dos maiores \u00edndices de escolaridade e erudi\u00e7\u00e3o de sua popula\u00e7\u00e3o, pode convencer milh\u00f5es de indiv\u00edduos a aceitarem e acatarem uma doutrina t\u00e3o danosa e baseada em fatos t\u00e3o falaciosos. A m\u00fasica age nesta base estrutural do entendimento humano, na nascente inconsciente do rio de nossos pensamentos conscientes e consequentes a\u00e7\u00f5es. Os sentimentos que ir\u00e3o basear e direcionar as conclus\u00f5es de um indiv\u00edduo e de sua sociedade da\u00ed vem. \u00c9 por este motivo que a m\u00fasica, na minha opini\u00e3o, \u00e9 t\u00e3o poderosa, t\u00e3o sedutora e t\u00e3o necess\u00e1ria para a humanidade.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n<p>Jill Bolte Taylor. \u201cMy Stroke of Insight: A Brain Scientist&#8217;s Personal Journey\u201d. 2006<\/p>\n<p>Harpaz Y, Levkovitz Y, Lavidor M (October 2009). &#8220;Lexical ambiguity resolution in Wernicke&#8217;s area and its right homologue&#8221;. Cortex. 45 (9): 1097\u2013103. doi:10.1016\/j.cortex.2009.01.002. PMID 19251255.<\/p>\n<p>Aniruddh D. Patel. \u201cLanguage, music, and the brain: a resource-sharing framework\u201d. DOI:10.1093\/acprof:oso\/9780199553426.003.0022. Cap\u00edtulo do livro: \u201cLanguage and Music as Cognitive Systems\u201d organizado por Patrick Rebuschat, Martin Rohmeier, John A. Hawkins, e Ian Cross. Print publication date: 2011. Print ISBN-13: 9780199553426. Published to Oxford Scholarship Online: January 2012<\/p>\n<p>Comunica\u00e7\u00e3o e semi\u00f3tica. Signo, significante e significado.\u00a0http:\/\/uegsemiotica.blogspot.com\/2013\/03\/signo-significante-e-significado.html<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Como citar este artigo:<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cO compartilhamento de recursos cerebrais entre m\u00fasica e linguagem\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. ISSN 2526-6187. Data da publica\u00e7\u00e3o: 31 de julho de 2019. Link: https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/07\/31\/28\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a id=\"ev1\"><\/a><span style=\"font-size: 24pt\">Recursos cerebrales compartidos entre m\u00fasica y lenguaje<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Valeria Tubert (Traductora)<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">e-mail: valetubert @ gmail . com<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">13\/11\/2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dos capacidades esencialmente humanas que, a pesar de ser distintas, comparten recursos cerebrales para su procesamiento, son el lenguaje y la m\u00fasica. No existen registros hist\u00f3ricos de comunidades humanas sin ambas actividades. Dos \u00e1reas cerebrales bastante conocidas que siempre estuvieron asociadas a la producci\u00f3n y al entendimiento del lenguaje,por lo menos desde el siglo XIX, son el \u00e1rea de Broca (relacionada a la producci\u00f3n del habla) y el \u00e1rea Wernicke (relacionada al entendimiento del lenguaje). El \u00e1rea de Broca est\u00e1 predominantemente localizada en el l\u00f3bulo frontal del hemisferio cerebral izquierdo. Este hemisferio es normalmente asociado con la producci\u00f3n y el procesamiento de informaci\u00f3n anal\u00edtica; es llamado como \u201ccomputador serial\u201d, seg\u00fan la famosa neurocient\u00edfica Jill Bolte Taylor, por concentrar diversas actividades cuya informaci\u00f3n es organizada en secuencias l\u00f3gicas y ordenadas en el tiempo, como las habilidades matem\u00e1ticas, l\u00f3gicas, deductivas y el lenguaje.<\/p>\n<p>El \u00e1rea de Broca es nombrada as\u00ed en homenaje a Pierre Paul Broca, m\u00e9dico del siglo XIX que estudi\u00f3 pacientes con lesiones en este \u00e1rea cerebral y que presentaban dificultades o incapacidades a la hora de producir diversos tipos de s\u00edlabas o el habla en general. Del mismo modo, el \u00e1rea de Wernicke recibe su nombre en homenaje al neur\u00f3logo Carl Wernicke, tambi\u00e9n del siglo XIX, quien realiz\u00f3 diversos estudios con pacientes que presentaban \u201cafasia fluente\u201d, o sea, una incapacidad adquirida de comprender el lenguaje en el cual se desenvolv\u00edan con fluidez antes de lesionarse este \u00e1rea cerebral. Tales pacientes muchas veces reten\u00edan la capacidad de producir s\u00edlabas, palabras y hasta frases (es decir, eran capaces de verbalizar una palabra), pero hab\u00edan perdido la capacidad de entender su significado. El \u00e1rea de Wernicke m\u00e1s estudiada tambi\u00e9n est\u00e1 localizada en el l\u00f3bulo temporal del hemisferio izquierdo.<\/p>\n<p>Este \u00e1rea est\u00e1 relacionada con la capacidad del individuo de entender el significado directo de una palabra dentro de un contexto expl\u00edcito y carente de ambig\u00fcedad.<\/p>\n<p>Por otro lado, el correspondiente de \u00e9sta \u00e1rea en el hemisferio cerebral derecho (hemisferio que Jill Bolte Taylor compara con un \u201ccomputador paralelo\u201d por estar relacionado con el procesamiento hol\u00edstico y no secuencial de informaci\u00f3n, como las habilidades art\u00edsticas, las capacidades asociativas y el raciocinio inductivo) trata de la comprensi\u00f3n de significados sem\u00e1nticos ambiguos.<\/p>\n<p>El \u00e1rea de Broca tambi\u00e9n posee una regi\u00f3n correspondiente en el hemisferio cerebral derecho que, a pesar de a\u00fan haber sido poco estudiada, parece estar relacionada con procesos donde un paciente, despu\u00e9s de una lesi\u00f3n en el \u00e1rea de Broca (hemisferio izquierdo), consigue recuperarse de la incapacidad de producir palabras y s\u00edlabas (tambi\u00e9n conocida como \u201cafasia expresiva\u201d, ya que el paciente comprende pero no produce lenguaje) a trav\u00e9s de la reubicaci\u00f3n de este procesamiento para el \u00e1rea correspondiente del hemisferio derecho (proceso conocido como \u201cneuroplasticidad funcional\u201d).<\/p>\n<p>El investigador Aniruddh D. Patel (Ani Patel) propuso un modelo te\u00f3rico de comprensi\u00f3n del procesamiento cerebral de la m\u00fasica y del lenguaje, donde estas actividades sonoras, a pesar de ser fundamentalmente distintas, comparten recursos neurales en su procesamiento. Este modelo es conocido como RSF (Resource Sharing Framework). En este contexto, las \u00e1reas de Broca y de Wernicke son utilizadas tanto en el procesamiento del lenguaje como de la m\u00fasica. Cuando era m\u00fasico, recuerdo que en muchas ocasiones cuando estaba tocando el piano o el teclado, no lograba hablar con facilidad con alguien durante la performance. Pod\u00eda, con cierta facilidad, entender lo que la persona estaba diciendo, pero casi que no consegu\u00eda responder frases mayores a \u201csi\u201d o \u201cno\u201d. Sin embargo, es f\u00e1cil escuchar m\u00fasica o lenguaje (por ejemplo, un comentarista) en una radio cuando estamos manejando un veh\u00edculo, sin que eso interfiera demasiado en nuestras habilidades al volante. Esto no ocurre cuando se est\u00e1 manejando y conversando por el celular, el cual, exactamente por este motivo, est\u00e1 prohibido en varios pa\u00edses. Ani Patel, con su modelo RSF, hizo posible el entendimiento de dilemas que ven\u00edan desafiando a los investigadores, siendo \u00e9stos el origen y la regi\u00f3n del procesamiento de la informaci\u00f3n musical en el cerebro del oyente. El procesamiento cognitivo de distintas actividades, como el entendimiento y la producci\u00f3n de m\u00fasica y de lenguaje, son realizados por las mismas regiones y recursos cerebrales.<\/p>\n<p>Como fue tratado anteriormente, en el comienzo de la d\u00e9cada de 1970, el famoso y renombrado maestro y compositor, Leonard Bernstein, dio una serie de charlas donde intentaba explicar la m\u00fasica a trav\u00e9s de un paralelismo con el lenguaje, utilizando para eso la gram\u00e1tica universal de Chomsky, donde Bernstein atribu\u00eda contenidos sem\u00e1nticos a determinadas estructuras arm\u00f3nicas y mel\u00f3dicas que actuar\u00edan como significante (en el sentido semi\u00f3tico de Saussure). De hecho, existe un tipo de organizaci\u00f3n estructural (o sint\u00e1ctica) en la m\u00fasica que, de cierta forma, hace recordar a las estructuras gramaticales del lenguaje. Los intervalos entre notas ordenadas en el tiempo (organizados horizontalmente) componen frases y melod\u00edas, as\u00ed como los intervalos simult\u00e1neos (organizados verticalmente) componen contrapuntos y acordes. Sin embargo, estas estructuras musicales no tienen atribuido un contenido sem\u00e1ntico en esas organizaciones horizontales o verticales que remita al significado de un concepto (objeto), condici\u00f3n (cualidad) o proceso (acci\u00f3n), ni existen estructuras en tales organizaciones que puedas ser dispuestas secuencialmente de modo recursivo como en el caso del lenguaje (donde podemos, por ejemplo, decir que \u201cel gato que estaba cerca del mono trep\u00f3 el muro\u201d, donde entendemos sin mayores dificultades que no fue el mono sino el gato quien trep\u00f3 el muro).<\/p>\n<p>La m\u00fasica cumple otra funci\u00f3n en la comunicaci\u00f3n humana, no tan sem\u00e1ntica pero igualmente fundamental, que a mi parecer es la de comunicar la expresividad humana, en t\u00e9rminos de sentimientos, afectos, emociones y estados del esp\u00edritu (\u201cmood\u201d). Tales conceptos expresivos son anteriores al lenguaje y fundamentan las estructuras anal\u00edticas del entendimiento que un individuo hace sobre su realidad subjetiva y objetiva. Nos damos cuenta de eso cuando vemos procesos de polarizaci\u00f3n social, donde, a partir de un sentimiento en com\u00fan, una multitud se al\u00ednea en una conclusi\u00f3n de intenci\u00f3n similar, incluso si posteriormente \u00e9sta se demuestra completamente falsa.<\/p>\n<p>Fue as\u00ed durante el fascismo, donde un pa\u00eds como Alemania, que en la \u00e9poca ten\u00eda uno de los mayores \u00edndices de escolarizaci\u00f3n y erudici\u00f3n de su poblaci\u00f3n, pudo convencer a millones de individuos de aceptar y acatar una doctrina tan da\u00f1ina y basada en hechos completamente falaces. La m\u00fasica act\u00faa en esta base estructural del entendimiento humano, en la primavera inconsistente del r\u00edo de nuestros pensamientos conscientes y consecuentes acciones. Los sentimientos que ir\u00e1n siendo la base y direcci\u00f3n de las conclusiones de un individuo y de su sociedad vienen de ah\u00ed. Es por este motivo que la m\u00fasica, en mi opini\u00f3n, es tan poderosa, tan seductora y tan necesaria para la humanidad.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/07\/31\/28\/\" rel=\"bookmark\" title=\"Link permanente O compartilhamento de recursos cerebrais entre m\u00fasica e linguagem\"><p>vers\u00e3o em Espanhol abaixo Jos\u00e9 Fornari (Tuti) \u2013 31 de julho de 2019 fornari @ unicamp . br Duas capacidades essencialmente humanas que, apesar de distintas, compartilham recursos do c\u00e9rebro para o seu processamento, s\u00e3o a linguagem e a m\u00fasica. N\u00e3o existem registros hist\u00f3ricos de comunidades humanas que n\u00e3o tenham apresentado ambas atividades. 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