{"id":1767,"date":"2022-04-21T16:06:44","date_gmt":"2022-04-21T19:06:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/?p=1767"},"modified":"2022-04-22T15:06:09","modified_gmt":"2022-04-22T18:06:09","slug":"a-chapada-diamantina-e-a-questao-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2022\/04\/21\/a-chapada-diamantina-e-a-questao-palestina\/","title":{"rendered":"A Chapada Diamantina e a quest\u00e3o Palestina"},"content":{"rendered":"<p>Para aquelas pessoas que abriram este texto por causa do t\u00edtulo, aviso de antem\u00e3o que o fio que segue n\u00e3o \u00e9 sobre pol\u00edtica. Este post \u00e9 um breve relato de viagem, no estilo daqueles que vez ou outra costumo fazer por aqui no blog e que pode at\u00e9 ser \u00fatil como um pequeno guia para as f\u00e9rias. N\u00e3o nego que utilizo um pouco da &#8220;metodologia do rolezinho&#8221;, express\u00e3o criada pelo saudoso jornalista cient\u00edfico Maur\u00edcio Tuffani para conceituar a pr\u00e1tica n\u00e3o cient\u00edfica de, ap\u00f3s uma r\u00e1pida voltinha pela vizinhan\u00e7a, determinar o que existe a partir do que foi visto e sacramentar o que n\u00e3o existe a partir do que n\u00e3o foi observado durante o rol\u00ea. Vou tentar minimizar os impactos da narrativa apaixonada. Mas como isto n\u00e3o \u00e9 um <em>paper<\/em>&#8230; rumo \u00e0 Chapada Diamantina, no interior da Bahia.<\/p>\n<p>De in\u00edcio achei que seria uma viagem f\u00e1cil, j\u00e1 que h\u00e1 um aeroporto na cidade de Len\u00e7\u00f3is. Troquei uns pontos do cart\u00e3o de cr\u00e9dito por uma passagem com voo direto de S\u00e3o Paulo (com uma pequena conex\u00e3o). Aparentemente o aeroporto local estava fechado desde o come\u00e7o da pandemia. A passagem foi cancelada em cima da hora, dando um pouquinho de dor de cabe\u00e7a (Obrigado, Azul!). Parece que a empresa a\u00e9rea seguiu vendendo bilhetes mesmo sem saber se o aeroporto estaria funcionando na data prevista da viagem. O engra\u00e7ado \u00e9 que ap\u00f3s cancelarem minha compra, recebi em meu e-mail propaganda de voos deles para Len\u00e7\u00f3is para datas dois meses \u00e0 frente. Sacanas. N\u00e3o querendo mudar meu destino de f\u00e9rias, acabei voando por outra companhia para Salvador e de l\u00e1 peguei um \u00f4nibus para Len\u00e7\u00f3is, o que deixou a viagem um pouquinho mais exaustiva.<\/p>\n<p>Para quem visita a Chapada Diamantina, h\u00e1 diversos munic\u00edpios para se hospedar. Len\u00e7\u00f3is \u00e9 o que mais recebe turistas. A cidade chama a aten\u00e7\u00e3o por sua beleza. Casas coloridas, ruas de pedra e natureza ao redor. O povoamento come\u00e7ou por ali j\u00e1 <a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/pagina\/detalhes\/1396\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no s\u00e9culo XIX<\/a>, em 1845, com a explora\u00e7\u00e3o das minas de diamantes. O patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e paisag\u00edstico foi <a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/pagina\/detalhes\/115\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tombado em 1973<\/a>. Fora os nativos, \u00e9 dif\u00edcil encontrar brasileiros passeando por l\u00e1. A maioria dos turistas s\u00e3o estrangeiros. Alguns acabam at\u00e9 prolongando sua estadia e ficando. N\u00e3o foi a toa que o brit\u00e2nico Jimmy Page, lend\u00e1rio guitarrista da banda de rock Led Zeppelin, <a href=\"https:\/\/igormiranda.com.br\/2020\/11\/jimmy-page-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fixou resid\u00eancia por l\u00e1 entre 1994 e 2008<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1804\" aria-describedby=\"caption-attachment-1804\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1804\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6333_01-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1804\" class=\"wp-caption-text\">Cidade de Len\u00e7\u00f3is vista a partir das piscinas naturais do Serrano \/ Cr\u00e9dito da foto: Paulo A. Muzio<\/figcaption><\/figure>\n<p>A cidade \u00e9 bem tranquila e parece que n\u00e3o h\u00e1 viol\u00eancia. N\u00e3o vi um policial na rua durante os dias que fiquei por l\u00e1. Se vi, n\u00e3o gravei na mem\u00f3ria, pois n\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o. Diferente do munic\u00edpio de Palmeiras (outro da Chapada), onde em poucos minutos j\u00e1 pude observar alguns fardados. Tamb\u00e9m n\u00e3o soube onde era a delegacia (ou batalh\u00e3o, ou comando&#8230;), mas depois, procurando pelo Google, confirmei que existe. Alguns nativos dizem que se algum turista \u00e9 roubado em Len\u00e7\u00f3is, eles cortam a m\u00e3o do infrator. Ou matam de vez. Ningu\u00e9m bole com turista. Ainda assim, fuja de um malandro que atende pela alcunha de Luan. Ele \u00e9 inofensivo, mas inconveniente. Quem cai na sua conversa mole compra gato por lebre. N\u00e3o caindo no papinho, o m\u00e1ximo que far\u00e1 \u00e9 ser grosseiro e ir embora.<\/p>\n<h4><strong>Mochileiro versus motoqueiro<\/strong><\/h4>\n<p>Alguns lugares madrugam de portas abertas. N\u00e3o apenas destrancadas, mas escancaradas. Assim era no primeiro hostel em que me hospedei. Isso chocou o motoqueiro que estava no mesmo quarto que eu. Logo que o vi, vestindo um daqueles coletinhos pretos de motoclube cheio de ins\u00edgnias bordadas, j\u00e1 saquei qual era a do cara. Acostumado \u00e0 din\u00e2mica de uma metr\u00f3pole como Recife, a programas pinga-sangue na televis\u00e3o e a canais masculinos na internet, o senhor pernambucano temia por sua seguran\u00e7a. Fisicamente, era uma mistura de V\u00e9io da Havan com Renato Arag\u00e3o. O resultado era algo parecido com o protagonista da tela &#8220;O grito&#8221;, de Edvard Munch. Ele tinha parado naquela hospedaria t\u00edpica de mochileiros quase que por acidente. Ou por falta de op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desenvolv\u00edamos uma conversa\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel. At\u00e9 que ele trouxe a informa\u00e7\u00e3o de que os caminhoneiros bloqueariam as estradas por conta de mais um aumento repentino no pre\u00e7o dos combust\u00edveis. Botou para tocar um v\u00eddeo de seu pr\u00f3prio canal, onde publica suas viagens de motocicleta, solicitando informa\u00e7\u00f5es e apoio a outros motoqueiros e ao mesmo tempo dando informa\u00e7\u00f5es sobre a condi\u00e7\u00e3o do tempo e das estradas. Seu coment\u00e1rio no v\u00eddeo (direcionado aos seus) sobre o pre\u00e7o da gasolina foi precedido por um &#8220;N\u00e3o falo de pol\u00edtica&#8230;&#8221; ou algo parecido. N\u00e3o deu nome aos bois. Mas na hora que veio trocar uma ideia comigo sobre o assunto n\u00e3o teve dificuldades para chamar o Lula de ladr\u00e3o ou a Dilma de louca, imputando-lhes responsabilidade sobre o pre\u00e7o da gasolina em 2022. Para poupar minha beleza, parei de dar aten\u00e7\u00e3o e me debrucei sobre a janela que dava para uma bela paisagem. De costas, ainda consegui ouvi-lo cochichando em alto e bom som (como se fosse uma esquete dos Trapalh\u00f5es) com o coitado de seu filho adolescente que o acompanhava na garupa: &#8220;Ele \u00e9 petista&#8221;. O menino devia estar bastante entretido com seu smartphone e n\u00e3o deve ter entendido, pois seu progenitor teve que repetir a grave ofensa que desferiu sobre mim: &#8220;Ele \u00e9 petista&#8221;.<\/p>\n<p>Passado o mal-estar o momento, o V\u00e9io da Moto parecia bastante melindrado comigo. Segui dando bom dia, boa tarde ou boa noite quando cruzava com ele. N\u00e3o ter tretado e sustentado uma polidez, na medida do poss\u00edvel, talvez tenha dado um bug na cabe\u00e7a do m\u00ednion. Tanto que at\u00e9 pediu para que eu o seguisse no Instagram. Seu perfil na rede social registrava, entre outras passagens de sua peregrina\u00e7\u00e3o, uma foto em frente a uma loja da Havan. \u00d3bvio que n\u00e3o segui.<\/p>\n<p>O figura estava de moto. Eu sem condu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Isso faz uma baita diferen\u00e7a na hora de explorar a Chapada Diamantina. Para se chegar a alguns lugares \u00e9 preciso pegar estrada, mesmo que a atividade final seja um trekking de longa dist\u00e2ncia (daqueles que duram mais do que um dia). No caso de mochileiros, \u00e0s vezes a sa\u00edda \u00e9 ter que pagar um passeio. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 atrativos no entorno de Len\u00e7\u00f3is. E adiante falo um pouco sobre os dois tipos.<\/p>\n<h4><strong>Parque Municipal da Muritiba<\/strong><\/h4>\n<p>Bem pr\u00f3ximo ao centro da cidade \u00e9 poss\u00edvel chegar a p\u00e9 ao Parque Municipal da Muritiba. A \u00e1rea \u00e9 uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, ou seja, uma \u00e1rea natural que, por sua relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica, paisag\u00edstica ou hist\u00f3rica, \u00e9 protegida por lei. \u00c9 bem tranquilo se autoguiar l\u00e1 dentro. Ouvi um guia comentar que eventualmente algu\u00e9m se perde. Algo como uma vez ao ano. Na entrada principal da \u00e1rea, os visitantes s\u00e3o abordado por alguns guias oferecendo seu servi\u00e7os. Mas a experi\u00eancia acabaria sendo tur\u00edstica demais pro meu gosto. Eles te levam aos lugares \u00f3bvios e s\u00e3o especialistas em dire\u00e7\u00e3o de fotografia. As imagens com certeza saem \u00f3timas nas redes sociais. Mas minha ideia era outra. Segui explorado solo. O que n\u00e3o me impediu de conversar com grupos ou outros guias que cruzei pelo caminho.<\/p>\n<p>Logo na entrada do parque saguis chamam a aten\u00e7\u00e3o dos visitantes. \u00c0s margens do Rio Len\u00e7\u00f3is pude observar diversas esp\u00e9cies animais, como um cobra d&#8217;\u00e1gua que assustou um casal que posava para foto na Cachoeirinha, um dos pontos tur\u00edsticos. Calangos se v\u00ea aos montes e de diferentes esp\u00e9cies. Tei\u00fas, pelo tamanho, tamb\u00e9m podem assustar alguns desavisados. Todos os dias consegui ver grandes caranguejeiras pretas neste parque, al\u00e9m de t\u00ea-las avistado na \u00e1rea urbana. Aranhas do g\u00eanero Nephila fazem suas teias na mata. Pequenas e belas lib\u00e9lulas de cores azul ou vermelha tamb\u00e9m podem ser facilmente encontradas por ali. A regi\u00e3o \u00e9 um prato cheio para os amantes da observa\u00e7\u00e3o de aves. Vi um suiriri (<em>Tyrannus melancholicus<\/em>) pr\u00f3ximo \u00e0s piscinas naturais do Serrano. Mais \u00e0 frente consegui fotografar um caneleiro-preto (<em>Pachyramphus polychopterus).<\/em> Por ali fiquei sabendo que havia uma esp\u00e9cie end\u00eamica de beija-flor que era bastante buscada por observadores de aves. N\u00e3o a encontrei naquele momento, mas pude observar outra que n\u00e3o pude identificar, mas que poderia ser algum tipo de beija-flor-de-rabo-branco (h\u00e1 v\u00e1rias esp\u00e9cies parecidas). Em outro momento de sil\u00eancio e solid\u00e3o fui cercado por uma fam\u00edlia de gralhas-canc\u00e3 (<em>Cyanocorax cyanopogon<\/em>) que me apresentaram a beleza e a variedade de sons que produzem com seu canto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1806\" aria-describedby=\"caption-attachment-1806\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-scaled.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1806\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6356-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1806\" class=\"wp-caption-text\">Gralha-canc\u00e3 (<i>Cyanocorax cyanopogon<\/i>) \/ Cr\u00e9dito da foto: Paulo A. Muzio<\/figcaption><\/figure>\n<p>A colora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que corre no Parque e na maioria dos lugares da regi\u00e3o \u00e9 marrom avermelhada, resultado do ac\u00famulo de mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o. Lembra Coca-cola.\u00a0A \u00e1rea parece muito bem conservada. N\u00e3o vi nenhum tipo de lixo jogado em nenhuma \u00e1rea deste parque. Um jovem guia com quem papeei comentou que eles constantemente fazem mutir\u00e3o para deixar a \u00e1rea limpa.<\/p>\n<h4><strong>Parque Nacional da Chapada Diamantina<\/strong><\/h4>\n<p>Um dos passeios mais recomendados da regi\u00e3o \u00e9 o trekking no Vale do Pati, que fica no interior do Parque Nacional da Chapada Diamantina. O Parque possui 152 mil hectares e foi <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1980-1989\/1985-1987\/d91655.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criado em 1985<\/a>.\u00a0\u00c9 uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral, conforme a Lei <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9985.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC)<\/a>. O <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/icmbio\/pt-br\/assuntos\/biodiversidade\/unidade-de-conservacao\/unidades-de-biomas\/caatinga\/lista-de-ucs\/parna-da-chapada-da-diamantina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano de Manejo<\/a> (documento t\u00e9cnico-cient\u00edfico que ordena o uso da UC) foi elaborado entre 2004 e 2007, aprovado em 2009 e teve altera\u00e7\u00f5es pontuais em 2017.<\/p>\n<p>Parti para uma aventura de tr\u00eas dias de longas caminhadas, onde dormir\u00edamos nas casas de nativos. Al\u00e9m de mim, o grupo foi formado por dois guias locais, um turista ingl\u00eas de origem libanesa e seis israelenses.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1805\" aria-describedby=\"caption-attachment-1805\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6375_01.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1805\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6375_01-300x178.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6375_01-300x178.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6375_01-1024x609.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6375_01-768x456.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6375_01-1536x913.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6375_01-2048x1217.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1805\" class=\"wp-caption-text\">Expedi\u00e7\u00e3o rumo ao Vale do Pati \/Cr\u00e9dito da foto: Paulo A. Muzio<\/figcaption><\/figure>\n<p>As forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas da Chapada Diamantina <a href=\"https:\/\/www.guiachapadadiamantina.com.br\/a-geologia-da-chapada-diamantina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">t\u00eam cerca de 1,8 bilh\u00f5es de anos<\/a>. H\u00e1 850 milh\u00f5es haviam geleiras por l\u00e1. H\u00e1 6oo milh\u00f5es a regi\u00e3o era banhada pelo mar. A vegeta\u00e7\u00e3o do Complexo da Chapada Diamantina \u00e9 constitu\u00edda por um mosaico de forma\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de diferentes biomas, como Cerrado, Caatinga e Mata Atl\u00e2ntica. H\u00e1 uma grande ocorr\u00eancia de esp\u00e9cies end\u00eamicas, ou seja, que s\u00f3 ocorrem ali e em nenhum outro lugar. A variedade de orqu\u00eddeas \u00e9 um dos grandes atrativos da regi\u00e3o. Os orquid\u00f3filos piram. Mas cuidado, extrair orqu\u00eddeas da natureza (entre outros produtos) \u00e9 crime, conforme a Lei Federal n\u00ba 9.605\/1998.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o do Parque \u00e9 feita pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio).\u00a0 Perguntei ao guia mais experiente da expedi\u00e7\u00e3o (que j\u00e1 passa dos 60 anos, mas tem que seguir trabalhando duro para garantir o sustento em um pa\u00eds que n\u00e3o gosta de idosos) qual o motivo, na opini\u00e3o dele, da \u00e1rea estar bem conservada. Ele atribuiu ao fato de ser um Parque Nacional. Perguntei quantos funcion\u00e1rios do ICMBio estavam lotados na \u00e1rea. &#8220;Nenhum&#8221;, respondeu. Contou que volta e meia aparecem cinco ou seis servidores pra fazerem seus trabalhos, mas que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m fixo. No <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/icmbio\/pt-br\/assuntos\/biodiversidade\/unidade-de-conservacao\/unidades-de-biomas\/caatinga\/lista-de-ucs\/parna-da-chapada-da-diamantina\/informacoes-sobre-visitacao-parna-da-chapada-da-diamantina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site da UC<\/a>\u00a0temos a informa\u00e7\u00e3o de que &#8220;N\u00e3o h\u00e1 estruturas institucionais de apoio \u00e0 visita\u00e7\u00e3o dentro do Parque Nacional, tais como guaritas ou centro de visitante&#8221;. Contou ainda que s\u00e3o os guias e os nativos que correm atr\u00e1s de ca\u00e7adores e que apagam inc\u00eandios.<\/p>\n<h4><strong>Explorando o territ\u00f3rio<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do trekking, o dono da ag\u00eancia de turismo tinha me informado que o grupo estava formado pelos seis israelenses e uma francesa e perguntou se estava tudo bem para mim. Respondi que sim. Achei que se n\u00e3o se falasse de pol\u00edtica, dava para interagir numa boa. O fato \u00e9 que o alerta n\u00e3o foi a toa. No dia seguinte a francesa j\u00e1 n\u00e3o apareceria.<\/p>\n<p>A postura do grupo nesses tr\u00eas dias de caminhada que somaram mais de 40km foi simplesmente terr\u00edvel. Tocava-se m\u00fasica pelo smartphone e cantava-se aos berros o tempo todo. No come\u00e7o \u00e9 at\u00e9 divertidinho ou engra\u00e7adinho&#8230; mas depois cansa. Foram tr\u00eas dias sem parar. Os guias come\u00e7aram a ficar putos porque ningu\u00e9m estava nem a\u00ed para aprender sobre a hist\u00f3ria, a geologia e a flora da regi\u00e3o. Faltou a no\u00e7\u00e3o de grupo. N\u00e3o havia preocupa\u00e7\u00e3o e raramente se prestava alguma assist\u00eancia ao companheiro de trilha que eventualmente precisasse. Na hora da comida, quem vacilasse ficava sem. \u00c9 sintom\u00e1tico que um pa\u00eds colonizador forme jovens que n\u00e3o sabem dividir. Saber contemplar a natureza \u00e9 saber respeitar o pr\u00f3ximo. Est\u00e1 tudo conectado. Para quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado com a acidez da minha escrita \u00e9 preciso explicar que n\u00e3o se tratam de coment\u00e1rios xenof\u00f3bicos ou antissemitas. At\u00e9 porque dos seis, era um ou outro que estimulava a bagun\u00e7a e acabava comprometendo todo o grupo. Individualmente, havia dois ou tr\u00eas que talvez quisessem uma experi\u00eancia diferente. De contempla\u00e7\u00e3o. De aprendizado. De imers\u00e3o. De comunh\u00e3o. Resguardados o respeito aos diferentes credos e origens, \u00e9 importante mencionar que h\u00e1 governos autorit\u00e1rios pelo mundo e apenas parte de seus cidad\u00e3os reproduzem essa cultura de opress\u00e3o e desrespeito. Outra parte se op\u00f5e. Al\u00e9m disso, como mencionado anteriormente, apliquei apenas uma metodologia do rolezinho para este relato. E sabemos o quanto o empirismo tem suas limita\u00e7\u00f5es. Ademais, o brasileiro m\u00e9dio viajante tamb\u00e9m costuma ser bem desrespeitoso com as pessoas e os lugares por onde passam. E nem todo brasileiro \u00e9 reflexo de seu governo.<\/p>\n<p>Infelizmente o estilo rave do passeio comprometeu a observa\u00e7\u00e3o de animais. No m\u00e1ximo foi poss\u00edvel avistar umas aranhas d&#8217;\u00e1gua sobre as pedras nos rios. Nos poucos momentos de sil\u00eancio, quando diminui o passo e deixei o grupo barulhento \u00e0 frente, pude observar belas aves como o cardeal-do-nordeste (<em>Paroaria dominicana<\/em>), as gralhas-canc\u00e3 que novamente me cercaram para mais uma apresenta\u00e7\u00e3o coral e o t\u00e3o procurado beija-flor-de-gravata-vermelha (<em>Augastes lumachella<\/em>), que s\u00f3 ocorre na regi\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Aprendendo com o turismo<\/strong><\/h4>\n<p>A regi\u00e3o ostenta uma infinidade de atrativos. Dada a limita\u00e7\u00e3o de tempo, tive que fazer outro passeio junto a uma ag\u00eancia para conseguir visitar uma maior quantidade de lugares durante meu \u00faltimo dia na cidade. Os guias conduzem de carro a cada uma das paradas, distantes de Len\u00e7\u00f3is e entre si. At\u00e9 onde entendi, todas as paradas que menciono a seguir s\u00e3o cobradas no local, caso o visitante queira ir por conta pr\u00f3pria. No meu caso, j\u00e1 estava incluso no valor pago \u00e0 ag\u00eancia.<\/p>\n<p>O dia estava bastante nublado e talvez at\u00e9 tenha ca\u00eddo uma fina garoa quando chegamos \u00e0 cachoeira do Po\u00e7o do Diabo. A beleza do local \u00e9 logo ofuscada pela hist\u00f3ria contada pelo guia de que dali do alto eram jogados os escravos fuj\u00f5es pelo temido coronel Hor\u00e1cio de Matos. Pesquisando a hist\u00f3ria do coronel, \u00e9 poss\u00edvel constatar que ele ainda era uma crian\u00e7a quando a escravid\u00e3o foi abolida no Brasil. No entanto, se ainda nos dias de hoje h\u00e1 quem n\u00e3o respeite a legisla\u00e7\u00e3o e dignidade humana mesmo aqui na maior metr\u00f3pole do Brasil (tema brilhantemente tratado pelo filme de fic\u00e7\u00e3o 7 Prisioneiros, dirigido por Alexandre Moratto e estrelado por Rodrigo Santoro), o que dir\u00e1 no sert\u00e3o baiano no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Apesar do tempo fechado e de eu estar cansado dos dias anteriores de trekking de longa dist\u00e2ncia com mochila pesada nas costas, resolvi mergulhar naquela \u00e1gua de colora\u00e7\u00e3o escura e passar por debaixo da queda d&#8217;\u00e1gua. Algumas bra\u00e7adas e minha energia j\u00e1 estava esgotada. Fazia frio. E havia dor. Talvez tamb\u00e9m porque eu havia esquecido de tomar meu rem\u00e9dio para reumatismo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1811\" aria-describedby=\"caption-attachment-1811\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1811\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6414_01-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1811\" class=\"wp-caption-text\">Po\u00e7o do Diabo \/ Cr\u00e9dito da Foto: Paulo A. Muzio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Perto dali, pude ser apresentado pessoalmente a uma esp\u00e9cie do cerrado que conhecia apenas na forma de pomada anti-inflamat\u00f3ria vendida na farm\u00e1cia: a canela-de-velho (<i>Miconia albicans<\/i>), \u00e1rvore que possui importante fun\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, fornecendo alimento a diversas esp\u00e9cies de fauna. A planta tamb\u00e9m tem propriedade antioxidante. Pesquisando pela internet, vi que \u00e9 poss\u00edvel encontrar o ch\u00e1 para comprar. Mas fiquem atentos \u00e0s contra indica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pegamos novamente a estrada a caminho da pr\u00f3xima parada: Gruta da Fuma\u00e7a. Confesso que cochilei durante a breve viagem. Divididos em dois ve\u00edculos, est\u00e1vamos novamente em dois guias e oito turistas: um italiano que falava portugu\u00eas, uma francesa que tamb\u00e9m falava portugu\u00eas, outra francesa que n\u00e3o, um alem\u00e3o e tr\u00eas israelenses. Uma pessoa do grupo estava resistente a entrar de m\u00e1scara na gruta, para onde fomos conduzidos por um terceiro guia, funcion\u00e1rio do local. E duas pessoas fizeram uma certa algazarra dentro da caverna, deixando o guia, que n\u00e3o era l\u00e1 dos mais polidos, um pouco irritado. E sobrou pra quem? Pro tradutor. Ou melhor, pro bob\u00e3o que, diferentemente dos gringos, recebe seu sal\u00e1rio em Reais, mas que pagou o mesmo pre\u00e7o que eles no passeio e ainda teve que trabalhar traduzindo as informa\u00e7\u00f5es dos guias. Inclusive broncas. A certa altura larguei m\u00e3o e deixei na conta da boa vontade do italiano.<\/p>\n<p>Na sa\u00edda da gruta a armadilha. Dito de outro modo, o almo\u00e7o que n\u00e3o estava incluso. Custava R$ 40. Ali\u00e1s, fazendo uma leve digress\u00e3o, \u00e9 preciso mencionar que comer em Len\u00e7\u00f3is \u00e9 caro. \u00c9 dif\u00edcil encontrar um PF (prato-feito) a um pre\u00e7o honesto. Custei a achar e consegui um \u00f3timo custo-benef\u00edcio em um dos &#8220;carros de comida de rua&#8221; (n\u00e3o direi em ingl\u00eas) que ficam localizados \u00e0s margens do rio. Mas na sa\u00edda da gruta est\u00e1vamos longe de Len\u00e7\u00f3is e fomos comer em um restaurante r\u00fastico a poucos metros dali \u00e0 beira da estrada. A comida era boa. Caseira. O pre\u00e7o s\u00f3 seria avisado depois que todos j\u00e1 tivessem se alimentado. O guia, macaco velho, disse pra eu traduzir pros gringos o quanto eles tinham que pagar. Dei o famoso migu\u00e9 (afinal\u00a0 eu n\u00e3o estava recebendo para fazer esse trabalho constrangedor) e sa\u00ed para o quintal do restaurante para observar aves. Em meio \u00e1s \u00e1rvores e escutei o belo canto do corrupi\u00e3o (<em>Icterus jamacaii<\/em>), chamativo p\u00e1ssaro de cores preta e laranja o qual os nativos da regi\u00e3o d\u00e3o o nome de sofrer. Depois avistei outras aves as quais n\u00e3o pude identificar, mas que me tomaram tempo o suficiente para que eu fosse o \u00faltimo a pagar a conta e escapasse do rid\u00edculo papel, informalmente atribu\u00eddo a mim, de ser o mensageiro da facada.<\/p>\n<p>Novamente na estrada, a caminho do pr\u00f3ximo atrativo, na comunidade Santa Rita, avistei tr\u00eas anus-pretos (<em>Crotophaga ani<\/em>) pousados sobre uma cerca. Logo chegamos na Fazenda Pratinha, um empreendimento rural com ares de clube ou resort. Ali passa o Rio Pratinha, que diferentemente dos outros locais antes visitados, apresenta colora\u00e7\u00e3o transparente devido \u00e0 alta concentra\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio, tal como <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2020\/01\/26\/bonito-ms-turismo-elitizado-e-conservacao-por-um-fio\/\">acontece em Bonito<\/a>, no Mato Grosso do Sul. Parte do rio corre subterraneamente conectando a Gruta da Pratinha e a Gruta Azul. Esta \u00faltima, bastante semelhante \u00e0 Gruta da Lagoa Azul sul mato-grossense.<\/p>\n<p>Um dos clich\u00eas tur\u00edsticos da Chapada Diamantina \u00e9 assistir ao p\u00f4r-do-sol do alto do Morro do Pai In\u00e1cio. Essa era a derradeira parada do \u00faltimo dia de passeio. A \u00e1rea \u00e9 administrada pela Prefeitura de Palmeiras e a vista \u00e9 pitoresca. \u00c9 poss\u00edvel observar um dos mais belos (e talvez o mais amplamente divulgado) cart\u00f5es postais da Chapada. Logo ao lado, uma gigante antena de telefonia celular. Abaixo, a estrada cortando o p\u00e9 do Morro e \u00e0s suas margens algum estabelecimento comercial que n\u00e3o recordo se era posto de gasolina, restaurante ou hotel. Um dos donos da ag\u00eancia de turismo tinha at\u00e9 me recomendado a n\u00e3o fazer o passeio, j\u00e1 que eu tinha visitado o Pati que era muito mais bonito. Seu s\u00f3cio havia contado que antes havia grande presen\u00e7a de vendedores ambulantes no local, mas que com as medidas de isolamento da pandemia a prefeitura conseguiu conter o acesso deles ao mirante. L\u00e1 no alto, o dia ainda estava um pouco nublado e n\u00e3o foi poss\u00edvel apreciar o ocaso.<\/p>\n<p>O guia contou ent\u00e3o a lenda que d\u00e1 nome ao morro. De um escravo negro que se envolveu com a filha do coronel e a engravidou. O desfecho foi uma emboscada cinematogr\u00e1fica no topo do local, mas In\u00e1cio conseguiria fugir dos jagun\u00e7os. Mesmo acreditado tratar de folclore, torci para que o final feliz fosse verdade. Dif\u00edcil foi ter que fazer a tradu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea da hist\u00f3ria para os gringos. Mais uma vez, por mais divertido que tenha sido, paguei para trabalhar. Parece ser uma grande quest\u00e3o ali os guias n\u00e3o falarem ingl\u00eas. Isso acaba sobrecarregando os turistas brasileiros e comprometendo a experi\u00eancia. Fosse a exce\u00e7\u00e3o, estaria tudo bem. Mas \u00e9 a regra. Por outro lado&#8230; malditos dos gringos que n\u00e3o aprendem nossa l\u00edngua. Brincadeiras e acidezes a parte, a diversidade de pessoas com que se cruza na Chapada \u00e9 uma experi\u00eancia riqu\u00edssima.<\/p>\n<p>Existe uma express\u00e3o popular que \u00e9 uma resposta que damos quando somos perguntados se\/para onde vamos\/fomos viajar nas f\u00e9rias ou em algum feriado. Ent\u00e3o respondemos que fomos\/vamos para len\u00e7\u00f3is. \u00c9 uma brincadeira com a linguagem, pois \u00e9 um nome que se refere a diferentes localidades no Brasil (al\u00e9m da vila baiana temos Len\u00e7\u00f3is Paulista e Len\u00e7\u00f3is Maranhenses), mas a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 comunicarmos que n\u00e3o viajamos ou n\u00e3o viajaremos, pois ficamos ou ficaremos em casa, na cama, debaixo das cobertas. E o motivo de n\u00e3o viajar pode variar, sendo desde a falta de grana, a falta de tempo, ou mesmo um cansa\u00e7o excessivo que pe\u00e7a esse descanso. Ent\u00e3o, pela express\u00e3o popular, passar as f\u00e9rias em len\u00e7\u00f3is significa desfrutar desse tempo livre de maneira tranquila no aconchego do lar. E eis a beleza da complexidade da l\u00edngua e do mundo que com ela tentamos descrever. Nessas f\u00e9rias fui pra Len\u00e7\u00f3is. N\u00e3o descansei e nem fiquei em casa. Foi intenso e exaustivo. Para o corpo e a mente. Mas valeu.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1808\" aria-describedby=\"caption-attachment-1808\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1808\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2022\/04\/MG_6397_01-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1808\" class=\"wp-caption-text\">Algum ponto da trilha do Vale do Pati onde os turistas posam para as fotos que ir\u00e3o para as redes sociais<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #808080\"><strong>Paulo Andreetto de Muzio<\/strong>\u00a0\u00e9 graduado em Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (2005) pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 ECA\/USP. Especializou-se em Jornalismo Cient\u00edfico (2016) pelo Laborat\u00f3rio de Estudos Avan\u00e7ados em Jornalismo \u2013 Labjor, da Universidade de Campinas \u2013 Unicamp, e \u00e9 mestre em Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Cultural (2020), tamb\u00e9m pelo Labjor.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Para aquelas pessoas que abriram este texto por causa do t\u00edtulo, aviso de antem\u00e3o que o fio que segue n\u00e3o \u00e9 sobre pol\u00edtica. 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