{"id":235,"date":"2019-02-02T16:30:00","date_gmt":"2019-02-02T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/?p=235"},"modified":"2019-02-08T13:20:07","modified_gmt":"2019-02-08T15:20:07","slug":"animatrix-transmidia-em-relacao-a-questao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2019\/02\/02\/animatrix-transmidia-em-relacao-a-questao-ambiental\/","title":{"rendered":"(ANI)MATRIX: transm\u00eddia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"\r\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>RESUMO:<\/strong> A partir da an\u00e1lise feita por Jenkins (2009) da ciness\u00e9rie \u201cMatrix\u201d (criada pelas irm\u00e3s Wachowski<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>), este trabalho ir\u00e1 analisar a import\u00e2ncia da narrativa transm\u00eddia<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e os efeitos das chamadas \u201ccultura da conex\u00e3o\u201d e da \u201ccultura da participa\u00e7\u00e3o\u201d sobre recursos criativos que englobam como um todo o universo ficcional e dist\u00f3pico no qual os tr\u00eas filmes da referida franquia se passam. Objetiva-se verificar como a quest\u00e3o ambiental \u00e9 discutida de forma mais aprofundada nos demais produtos audiovisuais relacionados aos filmes \u201cMatrix\u201d \u2013 em especial, o curta-metragem animado em duas partes intitulado \u201cA segunda Renascen\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, pertencente \u00e0 s\u00e9rie \u201cAnimatrix\u201d (2003) \u2013 e as hist\u00f3rias em quadrinhos (HQs) escritas e desenhadas pelo norte-americano Paul Chadwick \u2013 as quais muitas delas abordam a problem\u00e1tica do desmatamento e a necessidade de articula\u00e7\u00e3o de grupos de defesa pelas florestas dos Estados Unidos.<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-pullquote\">\r\n<blockquote>\r\n<p style=\"text-align: right\">\u201cE o Homem disse, \u2018Que se fa\u00e7a a luz\u2019\u2026 E ele foi aben\u00e7oado com luz, calor, magnetismo, gravidade e todas as energias do universo\u201d (narra\u00e7\u00e3o em voice-over da segunda parte de \u201cA segunda Renascen\u00e7a\u201d [Animatrix]).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h5>\u201cAnimatrix\u201d como elemento da narrativa transm\u00eddia vinculada \u00e0 franquia \u201cMatrix\u201d: aprofundando o debate ambiental<\/h5>\r\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 inquestion\u00e1vel a import\u00e2ncia de \u201cMatrix\u201d (1999) para os rumos que o cinema hollywoodiano tomaria dali em diante em termos gerais. O primeiro filme da s\u00e9rie promoveu uma efetiva renova\u00e7\u00e3o da linguagem cinematogr\u00e1fica ocidental ao apresentar efeitos especiais de primeira linha movidos pela computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica mais avan\u00e7ada dispon\u00edvel no mercado de entretenimento audiovisual da \u00e9poca, al\u00e9m de um enredo que mesclava uma s\u00e9rie de refer\u00eancias impens\u00e1veis at\u00e9 ent\u00e3o para um filme produzido nos Estados Unidos e que o tempo todo transitava entre os g\u00eaneros de a\u00e7\u00e3o e de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u2013 zen-budismo, artes marciais, exegese crist\u00e3, Jean Baudrillard, intelig\u00eancia artificial a \u201cJornada do Her\u00f3i\u201d de Joseph Campbell, entre outros, s\u00e3o alguns dos elementos referenciados tanto por esse como pelos filmes que o sucederam na ciness\u00e9rie em 2003: \u201cMatrix Reloaded\u201d e \u201cMatrix Revolutions\u201d.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, foram muitas as cr\u00edticas feitas pela m\u00eddia especializada em rela\u00e7\u00e3o a essas sequ\u00eancias por causa de lapsos na narrativa (os conhecidos <em>plot holes<\/em> ou \u201cburacos\u201d de roteiro) que deixavam de explicar como determinadas personagens adquiriam s\u00fabita relev\u00e2ncia em compara\u00e7\u00e3o com outras pessoas vistas at\u00e9 antes como detentoras de maior protagonismo dentro da diegese, ou pareciam partir do pressuposto de que o espectador j\u00e1 conhecia determinados lugares ou pessoas sem que esses tivessem aparecido no filme de 1999<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Muitos atribu\u00edram um certo descaso \u00e0s irm\u00e3s Wachowski na feitura dos roteiros das sequ\u00eancias por terem deixado muitas pontas soltas no que toca o andamento da narrativa \u2013 e um dos pontos criticados a\u00ed era justamente a rasa men\u00e7\u00e3o feita ao desesperado recurso que, segundo disse a personagem Morpheus no primeiro filme da s\u00e9rie<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, a humanidade havia empregado para combater o levante de m\u00e1quinas que viriam a dominar o planeta Terra. Tratava-se do \u201cescurecimento dos c\u00e9us\u201d em escala global que visava bloquear os raios do Sol que serviam como fonte de energia prim\u00e1ria para essas entidades artificiais.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">De fato, nenhum dos dois outros filmes da trilogia retoma esse assunto de forma aprofundada. Mas isso n\u00e3o se deve necessariamente a um descuido por parte dos envolvidos no desenvolvimento da franquia. Jenkins (2009) aponta que isso ocorreu em decorr\u00eancia de o universo de \u201cMatrix\u201d ser explorado para muito al\u00e9m do cinema, compreendendo uma pluralidade de outras m\u00eddias \u2013 ou seja, dentro de uma proposta transm\u00eddia de constru\u00e7\u00e3o narrativa \u2013 das quais se extra\u00eda de cada uma delas elementos que possibilitavam um conhecimento maior acerca das hist\u00f3rias e caracter\u00edsticas pol\u00edticas, sociais e geogr\u00e1ficas daquela distopia. Em outras palavras, a hist\u00f3ria maior em \u201cMatrix\u201d \u2013 <em>the bigger picture<\/em> \u2013 era abordada em partes, em diferentes inst\u00e2ncias de aprofundamento e\/ou de comprometimento com a necessidade de tudo revelar ao espectador por meios diferentes, na medida em que a franquia se estabelecia como um marco indel\u00e9vel no imagin\u00e1rio popular ocidental.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Um exemplo disso que Jenkins (2009, pp. 145-148) menciona \u00e9 o videogame <em>\u201cEnter the Matrix\u201d<\/em> (2003), que antecedeu em um m\u00eas o lan\u00e7amento de \u201cMatrix Reloaded\u201d e no qual os jogadores tiveram a oportunidade de controlar (e conhecer pela primeira vez) personagens (at\u00e9 ent\u00e3o) in\u00e9ditas em miss\u00f5es realizadas dentro da Matrix. Os objetivos finais de cada uma dessas miss\u00f5es <em>in-game<\/em> tinham continuidade imediata dentro de \u201cMatrix Reloaded\u201d, o que prova que seus realizadores tinham planejado desde o in\u00edcio uma experi\u00eancia de frui\u00e7\u00e3o que ampliava os limites da diegese iniciada com o filme de 1999 e que passou a interligar hist\u00f3rias contadas atrav\u00e9s das especificidades do cinema, das plataformas digitais, de hist\u00f3rias em quadrinhos e do elemento que mais interessa analisar no \u00e2mbito deste trabalho \u2013 uma s\u00e9rie de anima\u00e7\u00f5es produzidas por um n\u00famero de est\u00fadios convidados do Jap\u00e3o, Coreia do Sul e Estados Unidos intitulada \u201cAnimatrix\u201d.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA segunda Renascen\u00e7a\u201d \u00e9 um dos curtas-metragens que fazem parte desse programa de 90 minutos. Dirigidas pelo animador e <em>concept artist<\/em> japon\u00eas Mahiro Maeda, ambas as partes que constituem esse curta descrevem o que ocorreu dentro do universo ficcional de \u201cMatrix\u201d para a distopia se estabelecer na forma de uma revolta generalizada das m\u00e1quinas contra a humanidade. Com isso, se sucedem momentos em que \u00e9 retratada uma grande quantidade de rob\u00f4s sendo destru\u00edda por popula\u00e7\u00f5es humanas do mundo todo porque estas n\u00e3o reconhecem a luta desses androides para obter um status de independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos seus criadores. Muitas dessas cenas de mortandade \u2013 que mostram rob\u00f4s desativados sendo jogados aos montes em aterros sanit\u00e1rios ou arremessados ao fundo do mar \u2013 fazem analogia direta a imagens de pr\u00e1ticas desmedidas de polui\u00e7\u00e3o, realizadas por muitas organiza\u00e7\u00f5es humanas dos dias atuais, que contraditoriamente professam os benef\u00edcios ambientais da alta tecnologia a servi\u00e7o de diversos ramos da produ\u00e7\u00e3o industrial sem levar em conta (ou simplesmente ignorando) o alto grau de consumismo vigente nas sociedades capitalistas tidas como mais avan\u00e7adas em termos econ\u00f4micos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"428\" class=\"wp-image-248\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error591-1-1024x428.png\" alt=\"&quot;A segunda Renascen\u00e7a&quot;: androides destru\u00eddos (1)\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error591-1-1024x428.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error591-1-300x125.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error591-1-768x321.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error591-1.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"428\" class=\"wp-image-249\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error359-1-1024x428.png\" alt=\"&quot;A segunda Renascen\u00e7a&quot;: androides destru\u00eddos (2)\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error359-1-1024x428.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error359-1-300x125.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error359-1-768x321.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error359-1.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\r\n<figcaption>Figuras 1 e 2: Dois fotogramas do segmento de \u201cA segunda Renascen\u00e7a\u201d no qual um n\u00famero incont\u00e1vel de rob\u00f4s desativados s\u00e3o descartados de forma descuidada com o meio ambiente pelo ser humano.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m, logo percebendo a progressiva superioridade das m\u00e1quinas no campo de batalha, as na\u00e7\u00f5es da Terra em confer\u00eancia decidiram por em pr\u00e1tica a chamada \u201cOpera\u00e7\u00e3o Tempestade Negra\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, na qual aeronaves cruzavam os c\u00e9us do mundo todo liberando uma pesada nuvem negra que bloqueava em grande medida a luz solar das quais as m\u00e1quinas dependiam para funcionar. Por\u00e9m, o que n\u00e3o \u00e9 nem explicado nesse curta, nem na cena em que Morpheus cita tal ocorrido hist\u00f3rico pela primeira vez na franquia, \u00e9 como a humanidade tomou tal decis\u00e3o sem levar em conta que a energia solar tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por fazer a fotoss\u00edntese acontecer, e, consequentemente, garantir a manuten\u00e7\u00e3o da cadeia alimentar em todos os n\u00edveis da biosfera terrestre. Ser\u00e1 que a humanidade estava t\u00e3o carente de solu\u00e7\u00f5es para o problema com as m\u00e1quinas que houve um consenso em trocar uma extin\u00e7\u00e3o em curto prazo por outra em m\u00e9dio prazo? Isso n\u00e3o \u00e9 colocado de forma expl\u00edcita, mas \u00e9 impressionante a semelhan\u00e7a das imagens dessas cenas dram\u00e1ticas de \u201cescurecimento do c\u00e9u\u201d com fotografias de avi\u00f5es do Ex\u00e9rcito norte-americano aspergindo florestas tropicais com o herbicida conhecido como Agente Laranja durante a Guerra do Vietn\u00e3.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"428\" class=\"wp-image-251\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error702-1024x428.png\" alt=\"Opera\u00e7\u00e3o Tempestade Negra em andamento (&quot;A segunda Renascen\u00e7a&quot;)\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error702-1024x428.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error702-300x125.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error702-768x321.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/vlcsnap-error702.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" class=\"wp-image-252\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/retro-agent-orange-videoSixteenByNine1050-1024x576.jpg\" alt=\"Aeronaves UC-123B Provider liberam Agente Laranja sobre \u00e1rvores de florestas no sul do Vietn\u00e3 em 1962\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/retro-agent-orange-videoSixteenByNine1050-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/retro-agent-orange-videoSixteenByNine1050-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/retro-agent-orange-videoSixteenByNine1050-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/retro-agent-orange-videoSixteenByNine1050-678x381.jpg 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/retro-agent-orange-videoSixteenByNine1050.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\r\n<figcaption>Figuras 3 e 4: Acima (3), um fotograma do segmento de \u201cA segunda Renascen\u00e7a\u201d, no qual os ca\u00e7as da coliga\u00e7\u00e3o humana internacional liberam uma subst\u00e2ncia gasosa escura que se adenser\u00e1 a ponto de cobrir o c\u00e9u de todo o planeta Terra. Nota-se a similaridade com imagens como a figura 4 (abaixo), onde aeronaves <em>UC-123B Provider<\/em> liberam Agente Laranja sobre \u00e1rvores de florestas no sul do Vietn\u00e3 em 1962 (cr\u00e9ditos: WikiMedia Commons).<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Esse herbicida de efeito desfolhante era fornecido aos militares dos EUA principalmente por duas empresas \u2013 a Monsanto e a Dow Chemical<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> \u2013 ambas partes de conglomerados globais que at\u00e9 hoje interv\u00eam de forma maliciosa em quest\u00f5es ambientais visando beneficiar os grandes latifundi\u00e1rios ou empreiteiras interessadas em licita\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de grandes obras. Isso pode ser visto no caso da constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed \u2013 a maior usina do tipo de propriedade 100% brasileira, constru\u00edda durante o regime militar no sudeste do Estado do Par\u00e1. Segundo Arruda (1992), os prazos para a conclus\u00e3o das obras eram t\u00e3o curtos (em decorr\u00eancia de press\u00f5es vindas de empresas multinacionais que desejavam explorar jazidas de bauxita nas proximidades) que o governo brasileiro da \u00e9poca autorizou a utiliza\u00e7\u00e3o de Agente Laranja para eliminar as \u00e1rvores daquela parcela de Floresta Amaz\u00f4nica que precisava ser desmatada rapidamente para dar lugar \u00e0 usina. Os troncos sem folhas seriam logo depois extra\u00eddos<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, mas boa parte deles seria inundada por causa do represamento das \u00e1guas do Rio Tocantins provocado pela instala\u00e7\u00e3o de Tucuru\u00ed. Isso teve consequ\u00eancias desastrosas n\u00e3o s\u00f3 em virtude do ataque imediato \u00e0 biodiversidade da floresta como tamb\u00e9m por causa da quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica submersa que, em sua decomposi\u00e7\u00e3o, liberaria grandes volumes de di\u00f3xido de carbono e metano, contribuindo para baixos n\u00edveis de oxigena\u00e7\u00e3o das \u00e1guas (hip\u00f3xia) e para a soltura de parte desses gases de efeito estufa na atmosfera.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">A pol\u00eamica com o Agente Laranja no Brasil, contudo, n\u00e3o acaba por a\u00ed. Mais recentemente (2013), a Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (AGAPAN) e o Instituto Ga\u00facho de Estudos Ambientais (Ing\u00e1), com o apoio do Movimento Ga\u00facho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), clamou aos membros da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTNBio) a demonstrarem uma posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria aos interesses das grandes multinacionais em virtude de uma reuni\u00e3o ocorrida em 19 de setembro daquele ano na qual constavam tr\u00eas processos de libera\u00e7\u00e3o comercial para sementes transg\u00eanicas de soja e milho, da empresa Dow AgroSciences<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, com adapta\u00e7\u00e3o ao herbicida 2,4-D<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, de alta toxicidade, junto com outros herbicidas (entre eles o glifosato e glifosinato de am\u00f4nio, tamb\u00e9m t\u00f3xicos). A inten\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos comercializados pela Dow era resistir a estes agrot\u00f3xicos potentes, que matam as chamadas \u201cervas daninhas\u201d. Entretanto, segundo dados do Minist\u00e9rio da Agricultura recuperados pela pr\u00f3pria AGAPAN (2013), em menos de 10 anos (2002-2011), ocorreu aumento de 70% na comercializa\u00e7\u00e3o destes produtos no Brasil, enquanto a expans\u00e3o da \u00e1rea agr\u00edcola foi menor (60%). Nesse contexto, desde 2008, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais usa agrot\u00f3xicos (BRASIL, 2014), apesar do advento dos transg\u00eanicos na agricultura (a partir da lei nacional de Biosseguran\u00e7a de 2005).<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">E, em tempo, n\u00e3o deve ser posta de lado a utiliza\u00e7\u00e3o frequente e contempor\u00e2nea de componentes do Agente Laranja presentes tamb\u00e9m em outros herbicidas empregados para o arrasamento de vastas \u00e1reas da Floresta Amaz\u00f4nica visando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado de corte, segundo informa\u00e7\u00f5es do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) publicadas pelo portal Mongabay em 2011. Segundo a fonte, aproximadamente 180 hectares de floresta tropical na Amaz\u00f4nia foram desfolhados usando essa mistura de herbicidas, pulverizada por aeronaves de pequeno porte.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h5>\u201cMatrix\u201d e as hist\u00f3rias em quadrinhos de Paul Chadwick<\/h5>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Outras rela\u00e7\u00f5es com a problem\u00e1tica do desmatamento e de explora\u00e7\u00e3o indevida dos solos s\u00e3o abarcadas pela proposta trasm\u00eddia do universo de \u201cMatrix\u201d se d\u00e3o com as hist\u00f3rias em quadrinhos originalmente publicadas no site oficial de \u201cMatrix\u201d entre 1999 e 2003 (no formato de <em>webcomics<\/em>). No total, foram tr\u00eas s\u00e9ries de HQs criadas especificamente para narrar hist\u00f3rias paralelas aos acontecimentos centrais mostrados pelos filmes, sendo que, ao tomar como ponto de partida a desola\u00e7\u00e3o completa do planeta Terra provocada pelas a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas retratadas em \u201cA segunda Renascen\u00e7a\u201d, Paul Chadwick escreve e ilustra uma HQ intitulada <em>\u201cThe Miller\u2019s Tale\u201d<\/em> (\u201cA hist\u00f3ria do moleiro\u201d), a qual \u00e9 centrada em torno da personagem Geoffrey e como ele, na condi\u00e7\u00e3o de habitante de Zion<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, encontra uma s\u00e9rie de filmes antigos que retratam o mundo de outrora, com solos ainda f\u00e9rteis. Isso o incentiva a buscar maneiras de cultivar trigo na superf\u00edcie do planeta utilizando-se da luz ultravioleta que as m\u00e1quinas geram artificialmente para garantir que suas \u201cbaterias humanas\u201d <a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> produzam vitamina D. Geoffrey tem certo sucesso em sua empreitada, mas acaba sendo morto junto com outros agricultores pelas m\u00e1quinas que descobrem seus planos.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Por\u00e9m, o que realmente chama a aten\u00e7\u00e3o nesta HQ de Chadwick n\u00e3o \u00e9 tanto a trajet\u00f3ria de Geoffrey em si, mas as especula\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio autor cria com base em sua experi\u00eancia com teorias ambientalistas que o capacitaram a pensar como certa parte da fauna e da flora terrestre sobreviveu no universo dieg\u00e9tico de \u201cMatrix\u201d ap\u00f3s os eventos de \u201cA segunda Renascen\u00e7a\u201d. Chadwick imagina que o \u201cescurecimento dos c\u00e9us\u201d n\u00e3o \u00e9 total. Para ele, as nuvens possuem uma composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica particular que as fazem parecer mais como uma condi\u00e7\u00e3o de clima nublado generalizado, o qual acomete boa parte da superf\u00edcie da Terra com chuvas constantes, mas que ainda permite a fotoss\u00edntese ocorrer em um n\u00edvel m\u00ednimo \u2013 o suficiente, pelo menos, para que algumas esp\u00e9cies vegetais continuem existindo (e para que, portanto, ainda haja oxig\u00eanio em grau respir\u00e1vel para o ser humano).<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo Jenkins (2009), essa preocupa\u00e7\u00e3o de Chadwick em esmiu\u00e7ar as condi\u00e7\u00f5es ambientais daquele mundo dist\u00f3pico em <em>\u201cThe Miller\u2019s Tale\u201d<\/em> chamou a aten\u00e7\u00e3o das irm\u00e3s Wachowski, que o convidariam posteriormente para delinear o arco narrativo principal do MMORPG<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> <em>\u201cThe Matrix Online\u201d<\/em> (2005). Mas o autor n\u00e3o deixa de frisar que o reconhecimento de Chadwick por seu trabalho e sua maior integra\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta transm\u00eddia de \u201cMatrix\u201d s\u00e3o consequ\u00eancias de seu trabalho anterior com HQs autorais \u2013 em especial, as que lidam com o seu personagem Concreto, criado em 1986 \u2013 um homem comum que tem seu c\u00e9rebro transplantado por entidades alien\u00edgenas para um pesado corpo de pedra e que passa a lutar pela preserva\u00e7\u00e3o da natureza e por um modo de vida sustent\u00e1vel desde ent\u00e3o.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">O arco narrativo em que essas qualidades de Concreto s\u00e3o postas mais \u00e0 prova ocorre em <em>\u201cThink like a mountain\u201d<\/em> (\u201cPense como uma montanha\u201d) <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, publicado originalmente em 1996, no formato de uma miniss\u00e9rie de HQs em seis edi\u00e7\u00f5es nas quais o protagonista interage com membros da organiza\u00e7\u00e3o <em>Earth First!<\/em> (EF!) em prol da defesa da floresta Headwaters<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref5\">[15]<\/a>, a qual sofria o risco de ser explorada extensivamente por madeireiros da regi\u00e3o. Assim sendo, Concreto e membros da EF! assumem a\u00e7\u00f5es diretas nas HQs que visam frustrar os esfor\u00e7os dos lenhadores contratados para derrubar as \u00e1rvores, mas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o extremas quanto o <em>monkeywrenching<\/em><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> ou o <em>tree-spiking<\/em><a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> \u2013 duas estrat\u00e9gias que, segundo Chadwick (2011), condiziam com o esp\u00edrito inicial do grupo de se contrapor \u00e0 in\u00e9rcia das demais organiza\u00e7\u00f5es de defesa ambiental em vias de institucionaliza\u00e7\u00e3o no quadro de batalhas judiciais pela aprova\u00e7\u00e3o de leis de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fauna e \u00e0 flora norte-americanas, mas que contribu\u00edam para alimentar negativamente a pr\u00f3pria opini\u00e3o p\u00fablica sobre a EF!, considerada por muitos como uma entidade ecoterrorista em seus primeiros anos de atividade.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Inclusive, Chadwick (2011) explica como a n\u00e3o-hierarquiza\u00e7\u00e3o do grupo e o posicionamento mais proativo da EF! em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es ambientais de urg\u00eancia logo ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o remetia tamb\u00e9m a forma como o Greenpeace funcionou em seus prim\u00f3rdios. Isso mesmo \u00e9 demonstrado pelo document\u00e1rio de 2015 \u201cComo mudar o mundo\u201d (dirigido por Jerry Rothwell). Por\u00e9m, diferentemente do Greenpeace, que incentivava o desrespeito \u00e0s leis dentro de determinados par\u00e2metros aceit\u00e1veis pelo grupo (tais como interpela\u00e7\u00e3o direta entre baleeiros e sua presa, picha\u00e7\u00e3o, afixa\u00e7\u00e3o de cartazes e banners em diversos espa\u00e7os de grande visibilidade, etc.), a EF! professava o uso radical do <em>monkeywrenching<\/em> como um recurso din\u00e2mico de defesa da natureza selvagem. Chadwick (2011) aponta que, n\u00e3o obstante, havia resist\u00eancia dentro e fora da EF! para efetivar essa pr\u00e1tica como algo costumeiro, j\u00e1 que se temia o escrut\u00ednio pejorativo das parcelas da popula\u00e7\u00e3o norte-americana que precisavam se conscientizar sobre a situa\u00e7\u00e3o das florestas em seu pa\u00eds. Via-se, inclusive, essa atitude como algo perigoso para quem fosse derrubar efetivamente as \u00e1rvores, colocando vidas em risco. Por\u00e9m, Chadwick faz quest\u00e3o de fazer refer\u00eancia ao livro <em>\u201cEcodefense\u201d<\/em>, editado em 1985 por um dos fundadores da EF! \u2013 Dave Foreman \u2013 no qual se recomenda que as a\u00e7\u00f5es de <em>monkeywrenching<\/em> sejam bem planejadas para minimizar danos \u00e0 propriedade e n\u00e3o prejudicar qualquer ser vivente, e devem ser notificadas por meio de avisos postos ao redor de onde o ato de sabotagem estrat\u00e9gica fora consumido (FOREMAN; HAYWOOD, 1993).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"621\" height=\"400\" class=\"wp-image-256\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/Grader.jpeg\" alt=\"\u201cThink like a mountain\u201d - as sequoias em Headwaters\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/Grader.jpeg 621w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/Grader-300x193.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/>\r\n<figcaption>Figura 5: Quadro extra\u00eddo da s\u00e9rie de HQs \u201c<em>Think like a mountain<\/em>\u201d. Segundo Jenkins (2009, p. 160), os compromissos pol\u00edticos de Chadwick est\u00e3o expressos n\u00e3o somente nos enredos, mas tamb\u00e9m em seu estilo visual. Como a imagem acima deixa claro, Chadwick cria cenas de p\u00e1gina inteira integrando os protagonistas aos ambientes, para mostrar as pequenas criaturas que existem \u00e0 sua volta (e que eles pr\u00f3prios s\u00e3o), muitas vezes ocultas, mas impactadas pelas escolhas humanas a favor de um ideal de progresso. Cr\u00e9ditos: Paul Chadwick (escritor\/artista).<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Desmatamento, cibercultura e transm\u00eddia<\/strong><\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Conforme apresentado nos par\u00e1grafos anteriores, seja atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es acerca do processo global de desmatamento em sites de organiza\u00e7\u00f5es preocupadas, seja no uso de plataformas digitais on-line para a publica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado que discuta o tema na chave da fic\u00e7\u00e3o, nota-se que a Internet vem desempenhando um papel de suma import\u00e2ncia na alimenta\u00e7\u00e3o de discuss\u00f5es sobre meio ambiente na atualidade. Mesmo as reflex\u00f5es de Chadwick (2011) sobre <em>Earth First!<\/em> e como seu processo de pesquisa sobre a organiza\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> culminou na realiza\u00e7\u00e3o de <em>\u201cThink like a mountain\u201d<\/em> foram exteriorizadas primeiramente na forma de artigo em seu site oficial, e os feedbacks recebidos da parte de internautas em rela\u00e7\u00e3o aos produtos transm\u00eddia de \u201cMatrix\u201d constitu\u00edram par\u00e2metros pelos quais os outros realizadores envolvidos na cria\u00e7\u00e3o das anima\u00e7\u00f5es, HQs e games relacionados \u00e0 franquia puderam tamb\u00e9m explorar as consequ\u00eancias do colapso ambiental dessa fic\u00e7\u00e3o a partir de refer\u00eancias realistas e aproxima\u00e7\u00f5es com o que vem ocorrendo em termos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no mundo. Isso demonstra uma maior circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es a respeito dos desafios pr\u00f3prios \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de ecossistemas inteiros que n\u00e3o s\u00f3 trabalha a no\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia coletiva<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> a favor de uma efetiva inser\u00e7\u00e3o das preocupa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas vigentes com o futuro da humanidade no \u00e2mbito da fic\u00e7\u00e3o especulativa, como tamb\u00e9m<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p style=\"text-align: right\">\u201c(&#8230;) sinaliza um movimento na dire\u00e7\u00e3o de um modelo mais participativo de cultura, em que o p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 mais visto como simplesmente um grupo de consumidores de mensagens pr\u00e9-constru\u00eddas, mas como pessoas que est\u00e3o moldando, compartilhando, reconfigurando e remixando conte\u00fados de m\u00eddia de maneiras que n\u00e3o poderiam ter sido imaginadas antes. E est\u00e3o fazendo isso n\u00e3o como indiv\u00edduos isolados, mas como integrantes de comunidades mais amplas e de redes que lhes permitem propagar conte\u00fados muito al\u00e9m de sua vizinhan\u00e7a geogr\u00e1fica\u201d (JENKINS; FORD; GREEN, 2014, p. 24).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Essa supera\u00e7\u00e3o dos limites territoriais possibilitado por essa \u201ccultura da conex\u00e3o\u201d \u00e9 uma dentre muitas outras facilita\u00e7\u00f5es da m\u00eddia digital que funcionam como catalisadoras para a reconceitua\u00e7\u00e3o de aspectos da cultura (JENKINS; FORD; GREEN, 2014), exigindo que sejam repensadas as rela\u00e7\u00f5es interpessoais e que imaginemos de outro modo a participa\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica. Portanto, plataformas digitais onde a colabora\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio \u00e9 elemento primordial para a revis\u00e3o de valores sociais v\u00eam aparecendo em n\u00famero cada vez maior e com facilidades de uso condizentes com os \u00faltimos aprimoramentos t\u00e9cnicos pensados para o desenvolvimento de ferramentas para a web \u2013 tais como o HTML5 e o CSS3<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Falando da quest\u00e3o ambiental, um exemplo disso \u00e9 o site do <em>Global Forest Watch<\/em><a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>, que conta com um mapa interativo no qual \u00e9 poss\u00edvel monitorar a situa\u00e7\u00e3o do desmatamento de florestas do mundo todo (quase que em tempo real) e cuja base de dados \u00e9 oriunda da combina\u00e7\u00e3o entre capturas feitas por sat\u00e9lites de diferentes trechos da superf\u00edcie terrestre e informa\u00e7\u00f5es fornecidas por usu\u00e1rios cadastrados a respeito dos usos aplicados pelas m\u00faltiplas iniciativas agropecu\u00e1rias \u00e0s terras desmatadas.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Inclusive, tratando de iniciativas do tipo em territ\u00f3rio nacional, pode-se citar o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), atualmente operado pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Imazon \u2013 Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia \u2013, sediada em Bel\u00e9m, PA, e reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho de pesquisa na \u00e1rea de pol\u00edticas p\u00fablicas que desenvolve na Amaz\u00f4nia Legal. Segundo a pr\u00f3pria entidade:<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p style=\"text-align: right\">\u201cO objetivo geral do programa [SAD] \u00e9 detectar, quantificar e monitorar, por meio de imagens de sat\u00e9lite, o desmatamento, a degrada\u00e7\u00e3o florestal, a explora\u00e7\u00e3o madeireira, as estradas n\u00e3o oficiais e outras formas de press\u00e3o humana na Amaz\u00f4nia Legal. Os resultados do monitoramento s\u00e3o combinados com diversos mapas digitais, por meio de Sistemas de Informa\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas (SIG), para a qualifica\u00e7\u00e3o dos problemas ambientais e planejamento regional. O programa tamb\u00e9m desenvolve propostas para pol\u00edticas p\u00fablicas e capacita\u00e7\u00e3o em geotecnologias e dissemina estrategicamente os seus resultados, contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o florestal [com a contribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o local]\u201d (IMAZON, s.d.).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p style=\"text-align: justify\">A partir desses casos, percebe-se que se inicia dentro da quest\u00e3o ambiental uma transi\u00e7\u00e3o efetiva da \u201ccultura da conex\u00e3o\u201d para uma \u201ccultura da participa\u00e7\u00e3o\u201d <a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, na qual o compromisso com causas justas e o compartilhamento de conhecimentos na web por pessoas individuais ou entidades constituem recursos importantes para uma supera\u00e7\u00e3o da mais-valia t\u00edpica do capital financeiro contempor\u00e2neo \u2013 caracter\u00edstica primordial do sistema de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica vigente que provoca o desfazimento da biosfera. Isso decorre de uma \u00eanfase cada vez maior dada ao capital simb\u00f3lico na rede, \u00e0s trocas de informa\u00e7\u00e3o que, no meio digital, tamb\u00e9m v\u00eam fazer parte da transm\u00eddia e implicam na valoriza\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios que divulgam e alimentam o pensamento cr\u00edtico de seus pares a partir de discuss\u00f5es em f\u00f3runs diversos na Internet, redes sociais, blogs e afins. \u00c9 a concretiza\u00e7\u00e3o de parte do ideal de intelig\u00eancia (e de conscientiza\u00e7\u00e3o) coletiva desejado por Levy (1999) como integrante insepar\u00e1vel das popula\u00e7\u00f5es humanas interconectadas pelas m\u00eddias na atualidade. Por isso que, por mais que ocorram empreitadas internacionais que objetivam cercear a sua liberdade de uso das formas mais variadas e que s\u00e3o movidas por raz\u00f5es pol\u00edticas ou interesses econ\u00f4micos, a Internet, ciberespa\u00e7o por excel\u00eancia, \u00e9 vista como uma incubadora de n\u00facleos de enfrentamento \u00e0 derrubada das florestas tropicais \u2013 contradizendo, ironicamente, o papel negativo que a maioria das fic\u00e7\u00f5es especulativas atribui a ela na constru\u00e7\u00e3o de um eventual futuro dist\u00f3pico (no sentido de homogeneiza\u00e7\u00e3o no trato com as sociedades mundiais de controle, por exemplo).<a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"477\" height=\"531\" class=\"wp-image-259\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/InfoMonitoramento1.png\" alt=\"Quadro comparativo entre sistemas de monitoramento da Floresta Amaz\u00f4nica\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/InfoMonitoramento1.png 477w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/InfoMonitoramento1-269x300.png 269w\" sizes=\"(max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/>\r\n<figcaption>Figura 6: Quadro comparativo entre o SAD e outros dois sistemas de monitoramento da floresta amaz\u00f4nica. O Deter (Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em Tempo Real) e o Prodes s\u00e3o mantidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) \u2013 ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Telecomunica\u00e7\u00f5es \u2013 e ambos operam a partir de sat\u00e9lites indianos e sino-brasileiros que possuem diferentes graus de resolu\u00e7\u00e3o (sensibilidade das imagens proporcional a uma dada \u00e1rea desmatada em n hectares). Cr\u00e9ditos: M\u00eddia e Amaz\u00f4nia.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<h5>Conclus\u00e3o<\/h5>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-image\">\r\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"621\" height=\"648\" class=\"wp-image-260\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/Ccotage.jpeg\" alt=\"\u201cThink like a mountain\u201d - Concreto reflete sobre a a\u00e7\u00e3o de monkeywrenching\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/Ccotage.jpeg 621w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/Ccotage-288x300.jpeg 288w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2019\/02\/Ccotage-24x24.jpeg 24w\" sizes=\"(max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/>\r\n<figcaption>Figura 7: Outro quadro extra\u00eddo da s\u00e9rie de HQs \u201cThink like a mountain\u201d. Nele, Concreto olha para uma chave inglesa \u2013 <em>monkey wrench<\/em> \u2013 em suas m\u00e3os, logo ap\u00f3s receb\u00ea-la como um convite \u00e0 a\u00e7\u00e3o direta por um membro da <em>Earth First!<\/em> (que est\u00e1 no fora de campo). Concreto afirma \u201cParece um pouco \u2018datado\u2019\u201d (no sentido de \u201c<em>corny<\/em>\u201d significar algo &#8220;datado&#8221;, &#8220;careta&#8221;, j\u00e1 tentado v\u00e1rias vezes e ridicularizado pela situa\u00e7\u00e3o vigente das coisas). Seu interlecutor responde: \u201cEi, se voc\u00ea n\u00e3o consegue lidar com algo \u2018datado\u2019, como voc\u00ea lida com comprometimento verdadeiro?\u201d. Cr\u00e9ditos: Paul Chadwick (escritor\/artista).<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<p style=\"text-align: justify\">Anteriormente, foi poss\u00edvel constatar como a proposta transm\u00eddia de \u201cMatrix\u201d possibilitou um aprofundamento dos temas abordados pela ciness\u00e9rie no que toca a quest\u00e3o ambiental, principalmente a problem\u00e1tica que envolve os Estados Unidos \u2013 na sua condi\u00e7\u00e3o de superpot\u00eancia capitalista absoluta \u2013 em duas frentes distintas de interven\u00e7\u00e3o destrutiva na natureza por interm\u00e9dio do desmatamento: uma fora e outra dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds. Por\u00e9m, independentemente de esse desmatamento se dar ou pelo uso de herbicidas em territ\u00f3rios estrangeiros ou pelo interesse da ind\u00fastria madeireira, o fato \u00e9 que essas interven\u00e7\u00f5es demonstram motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas espec\u00edficas que t\u00eam por objetivo maior assegurar a condi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica dos Estados Unidos perante outras na\u00e7\u00f5es do mundo.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Por mais que essa realidade tenha se modificado em decorr\u00eancia dos \u00faltimos surtos de crescimento do Produto Interno Bruto de pa\u00edses emergentes tais como China, \u00cdndia e Coreia do Sul \u2013 muitas vezes \u00e0 custa dos biomas locais \u2013 os Estados Unidos possuem um amplo hist\u00f3rico de interfer\u00eancias ambientais que at\u00e9 hoje trazem consequ\u00eancias internacionais e que parecem minimizar quaisquer tentativas de se fazer fic\u00e7\u00e3o com base nelas: crian\u00e7as nascidas com defici\u00eancias no Vietn\u00e3 por causa do fator genot\u00f3xico do Agente Laranja, veteranos de guerra vitimados por diferentes tipos de c\u00e2ncer que buscam indeniza\u00e7\u00f5es do Governo norte-americanos, ind\u00edgenas e outras popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas paraenses obrigadas a se mudarem por causa da inunda\u00e7\u00e3o de terras oriunda da instala\u00e7\u00e3o de uma usina hidrel\u00e9trica, entre outras, s\u00e3o somente algumas poucas evid\u00eancias de um complexo processo de colapso de ecossistemas em escala global, consequente de um consumismo desenfreado, vendido como ideal m\u00e1ximo de bem-estar pela sedu\u00e7\u00e3o do <em>american way of life<\/em> junto \u00e0s na\u00e7\u00f5es do mundo todo nessas \u00faltimas d\u00e9cadas. Mas fica a pergunta: qual bem-estar haver\u00e1, quando a continuidade do <em>business as usual<\/em> conduz o planeta Terra ao status de inabitabilidade?<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso \u2013 tendo em vista todas as possibilidades de mobiliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o despertas pela \u201ccultura da participa\u00e7\u00e3o\u201d nascente \u2013 espera-se que a fic\u00e7\u00e3o possa encontrar nas narrativas transm\u00eddia formas de articular discursos que mudem a percep\u00e7\u00e3o das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seriedade em que se encontra a quest\u00e3o ambiental em diversas localidades do planeta, uma vez que,<\/p>\r\n<blockquote>\r\n<p style=\"text-align: right\">\u201c(&#8230;) se at\u00e9 os s\u00e9culos XIX e XX a imagina\u00e7\u00e3o art\u00edstica (em particular as fic\u00e7\u00f5es de antecipa\u00e7\u00e3o) demonstrou-se muito mais capaz que a ci\u00eancia de elaborar representa\u00e7\u00f5es do futuro \u2013 e, sobretudo, de propor cen\u00e1rios complexos das encruzilhadas em que se encontravam as sociedades humanas, no s\u00e9culo XXI \u2013, esse poder especulativo do imagin\u00e1rio vem perdendo sua pot\u00eancia conceitual e preditiva, e cedendo espa\u00e7o \u00e0 ci\u00eancia, isto \u00e9, \u00e0s discuss\u00f5es e especula\u00e7\u00f5es travadas no \u00e2mbito cient\u00edfico\u201d (MARQUES, 2016).<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n<p style=\"text-align: justify\">Logo, n\u00e3o \u00e9 preciso (nem desej\u00e1vel) repetir o que franquia \u201cMatrix\u201d j\u00e1 fez, uma vez que a inova\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea sempre implica em maior engajamento. Uma vez que se torna cada vez evidente que o significado contempor\u00e2neo de \u201cdistopia\u201d foi transposto do campo da fic\u00e7\u00e3o para o da continuidade das coisas como est\u00e3o no que toca a explora\u00e7\u00e3o extensiva dos recursos naturais, \u00e9 preciso repensar o papel que as hist\u00f3rias contadas pelas diferentes m\u00eddias ter\u00e3o perante as gera\u00e7\u00f5es futuras. Por exemplo, se as pessoas se veem participando ativamente de fic\u00e7\u00f5es que discutam o problema do desmatamento de forma franca, mas sem abandonar em si a necessidade de contar uma boa hist\u00f3ria ou de se explorar o que cada meio tem de espec\u00edfico para enriquecer a constru\u00e7\u00e3o de sentidos dentro da narrativa proposta, a transm\u00eddia pode constituir-se a\u00ed como uma aliada importante para a incorpora\u00e7\u00e3o do modo de vida sustent\u00e1vel nas mais variadas inst\u00e2ncias da sociedade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h5>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h5>\r\n<p>\u2022\u00a0 ARRUDA, Marcos. Brazil: drowning in debt. Entrevista realizada pela revista Multinational Monitor [1992]. IN: DANAHER, Kevin (org.). Fifty Years is Enough: The Case Against the World Bank and the International Monetary Fund. New York, NY: South End Press, 1999. pp. 44-50. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.multinationalmonitor.org\/hyper\/issues\/1992\/11\/mm1192_09.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.multinationalmonitor.org\/hyper\/issues\/1992\/11\/mm1192_09.html<\/a>&gt;. Acesso em: 01 fev. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 ASSOCIA\u00c7\u00c3O GA\u00daCHA DE PROTE\u00c7\u00c3O AO AMBIENTE NATURAL. N\u00c3O ao herbicida 2,4D. 18 set. 2013. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.agapan.org.br\/2013\/09\/24d-herbicida-componente-do-agente.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.agapan.org.br\/2013\/09\/24d-herbicida-componente-do-agente.html<\/a>&gt;. Acesso em: 02 fev. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 BRASIL. Vigil\u00e2ncia em sa\u00fade de popula\u00e7\u00f5es expostas a agrot\u00f3xicos. Audi\u00eancia P\u00fablica da C\u00e2mera dos Depurados sobre\u00a0uso e consumo de agrot\u00f3xicos no Brasil [08 abr. 2014]. Site da C\u00e2mara dos Deputados. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/atividade-legislativa\/comissoes\/comissoes-permanentes\/cmads\/audiencias-publicas\/audiencia-publica-2014\/8-4-2014-uso-e-consumo-de-agrotoxicos-no-brasil\/roque-manoel-perusso-veiga\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www2.camara.leg.br\/atividade-legislativa\/comissoes\/comissoes-permanentes\/cmads\/audiencias-publicas\/audiencia-publica-2014\/8-4-2014-uso-e-consumo-de-agrotoxicos-no-brasil\/roque-manoel-perusso-veiga\/view<\/a>&gt;. Acesso em: 02 fev. 2019<br \/>\u2022\u00a0 CHADWICK, Paul. Think like a mountain. Artigo publicado no site oficial de Paul Chadwick [2011]. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.paulchadwick.net\/think_like_a_mountain.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.paulchadwick.net\/think_like_a_mountain.html<\/a>&gt;. Acesso em: 01 fev. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 EARTH FIRST! JOURNAL. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"https:\/\/earthfirstjournal.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/earthfirstjournal.org\/<\/a>&gt;. Acesso em: 05 jan. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 FOREMAN, Dave (org.); HAYWOOD, Bill (org.). Ecodefense: A Field Guide to Monkeywrenching. 3.ed. Chico, CA: Abbzug Press, 1993. 350 p.<br \/>\u2022\u00a0 GAMBARATO, Renira R. Transmedia Project Design: Theoretical and Analytical Considerations. Baltic Screen Media Review. V. 1. 2013. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/publications.tlu.ee\/index.php\/bsmr\/article\/view\/153\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/publications.tlu.ee\/index.php\/bsmr\/article\/view\/153<\/a>&gt;. Acesso em: 01 fev. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 HABERMAN, Clyde. Agent Orange\u2019s Long Legacy, for Vietnam and Veterans. Retro Report. New York Times. 11 mai. 2014. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2014\/05\/12\/us\/agent-oranges-long-legacy-for-vietnam-and-veterans.html?_r=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2014\/05\/12\/us\/agent-oranges-long-legacy-for-vietnam-and-veterans.html?_r=0<\/a>&gt;. Acesso em: 02 fev. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 IMAZON.ORG.BR. Monitoramento da Amaz\u00f4nia. Imazon. s.d. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/programas\/monitoramento-da-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/imazon.org.br\/programas\/monitoramento-da-amazonia\/<\/a>&gt;. Acesso em 17 jan. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 JENKINS, Henry. Em busca do unic\u00f3rnio de origami. IN: . Cultura da Converg\u00eancia. 2. ed. S\u00e3o Paulo, SP: Aleph, 2009. pp. 135-186.<br \/>\u2022\u00a0 _____________; FORD, Sam; GREEN, Joshua. Cultura da Conex\u00e3o: criando valor e significado por meio da m\u00eddia propag\u00e1vel. S\u00e3o Paulo, SP: Aleph, 2014. 408 p.<br \/>\u2022\u00a0 LEVY, Pierre. Cibercultura. S\u00e3o Paulo, SP: Editora 34, 1999. 260p.<br \/>\u2022\u00a0 MARQUES, Luiz. Sobre o tema do trabalho final para a disciplina eletiva \u201cDistopias: da fic\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia\u201d. Notas do autor sobre aula ministrada em 03 nov. 2016 pelo Prof. Dr. Luiz Marques da referida disciplina da Gradua\u00e7\u00e3o, oferecida por interm\u00e9dio do Departamento de Hist\u00f3ria do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH\/Unicamp).<br \/>\u2022\u00a0 M\u00cdDIA E AMAZ\u00d4NIA. Entenda os sistemas de monitoramento da floresta amaz\u00f4nica. 10 jun. 2015. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/midiaeamazonia.andi.org.br\/texto-de-apoio\/entenda-os-sistemas-de-monitoramento-da-floresta-amazonica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/midiaeamazonia.andi.org.br\/texto-de-apoio\/entenda-os-sistemas-de-monitoramento-da-floresta-amazonica<\/a>&gt;. Acesso em: 17 jan. 2019<br \/>\u2022\u00a0 MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO FEDERAL \u2013 PROCURADORIA DA REP\u00daBLICA NO PAR\u00c1. MPF investiga preju\u00edzos provocados por empresa vinculada a militares em obras da hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed. 02 abr. 2014. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.prpa.mpf.mp.br\/news\/2014\/mpf-investiga-prejuizos-provocados-por-empresa-vinculada-a-militares-em-obras-da-hidreletrica-de-tucurui\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.prpa.mpf.mp.br\/news\/2014\/mpf-investiga-prejuizos-provocados-por-empresa-vinculada-a-militares-em-obras-da-hidreletrica-de-tucurui<\/a>&gt;. Acesso em: 31 jan. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 MONGABAY.COM. Fazendeiros est\u00e3o usando o Agente Laranja para desmatar a Amaz\u00f4nia. Mongabay. 5 out. 2011. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"https:\/\/pt.mongabay.com\/2011\/10\/05\/fazendeiros-estao-usando-o-agente-laranja-para-desmatar-a-amazonia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt.mongabay.com\/2011\/10\/05\/fazendeiros-estao-usando-o-agente-laranja-para-desmatar-a-amazonia\/<\/a>&gt;. Acesso em 31 jan. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 NASCIMENTO, Adriana. A VOLTA DO AGENTE LARANJA \u2013 Utiliza\u00e7\u00e3o por sojicultores de veneno proibido na Europa e em planta\u00e7\u00f5es no Sul do Brasil amea\u00e7a a friticultura de Mato Grosso. P\u00e1gina do Enock Cavalcanti. 3 jul. 2010. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"http:\/\/paginadoenock.com.br\/a-volta-do-agente-laranja-utilizacao-por-sojicultores-de-veneno-proibido-na-europa-e-em-plantacoes-no-sul-do-brasil-ameaca-a-friticultura-de-mato-grosso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/paginadoenock.com.br\/a-volta-do-agente-laranja-utilizacao-por-sojicultores-de-veneno-proibido-na-europa-e-em-plantacoes-no-sul-do-brasil-ameaca-a-friticultura-de-mato-grosso\/<\/a> &gt;. Acesso em: 31 jan. 2019.<br \/>\u2022\u00a0 ROTHWELL, Jerry (dir.). Como mudar o mundo [Longa-metragem]. Estados Unidos, 2015. Digital (streaming). color. son. 110 min.<br \/>\u2022\u00a0 SHIRKY, Clay. Pessoal, comum, p\u00fablico e c\u00edvico. IN: . A Cultura da Participa\u00e7\u00e3o: criatividade e generosidade no mundo conectado. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 2011. pp. 144-160.<br \/>\u2022\u00a0 UNITED STATES OF AMERICA. Headwaters Forest Reserve. U.S. Department of the Interior: Bureau of Land Management. Dispon\u00edvel on-line em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.blm.gov\/programs\/national-conservation-lands\/california\/headwaters-forest-reserve\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.blm.gov\/programs\/national-conservation-lands\/california\/headwaters-forest-reserve<\/a>&gt;. Acesso em: 01 fev. 2019.<\/p>\r\n\r\n\r\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\r\n\r\n\r\n<span style=\"font-size: 9pt\">\r\n<p style=\"margin-top: 10px\">NOTAS:<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Na \u00e9poca do lan\u00e7amento do primeiro filme da s\u00e9rie \u201cMatrix\u201d (1999), ambas as irm\u00e3s ainda n\u00e3o haviam se reconhecido publicamente como mulheres transg\u00eanero. Lana (anteriormente conhecida como Larry) Wachowski viria a completar sua redesigna\u00e7\u00e3o de g\u00eanero em 2010, enquanto Lilly (Andy) viria a faz\u00ea-lo em 2016. Portanto, todas as refer\u00eancias anteriores a essas duas datas que foram pesquisadas para este trabalho (e que ainda categorizam as irm\u00e3s como sendo do sexo masculino) foram atualizadas, visando contemplar devidamente aqui suas identidades presentes.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Jenkins (2003, p. 138) afirma que uma \u201chist\u00f3ria transm\u00eddia desenrola-se atrav\u00e9s de m\u00faltiplas plataformas de m\u00eddia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo. (&#8230;) cada meio faz o que faz de melhor \u2013 a fim de uma hist\u00f3ria possa ser introduzida num filme, ser expandida pela televis\u00e3o, romances, e quadrinhos (&#8230;) Cada produto determinado \u00e9 um ponto de acesso \u00e0 franquia como um todo\u201d. Por sua vez, Gambarato (2013) distingue transm\u00eddia de outras formas de narrativas ditas convergentes, tais como o <em>cross-media<\/em> (que implica na transposi\u00e7\u00e3o de uma mesma mensagem por diferentes meios sem que haja necessariamente a\u00e7\u00f5es que levem em conta suas especificidades) e o multim\u00eddia (que faz uso simult\u00e2neo de meios m\u00faltiplos para contar uma dada hist\u00f3ria em um mesmo espa\u00e7o e tempo). Desse modo, voltando a Jenkins (p. 155), o que parece determinar uma narrativa como efetivamente transm\u00eddia \u00e9 o seu potencial de \u201ctranscri\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 isto \u00e9, uma adaptabilidade \u00e0s necessidades de cada meio e dos diversos contextos socioecon\u00f4micos que eles podem abranger em n\u00edvel mundial.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Algumas tradu\u00e7\u00f5es (tanto em legendas como por dublagem) utilizam \u201cO segundo renascer\u201d como alternativa em portugu\u00eas para o t\u00edtulo original desse curta-metragem (\u201cThe second Renaissance\u201d). Contudo, em virtude da especificidade do termo \u201cRenaissance\u201d em rela\u00e7\u00e3o a outras palavras em ingl\u00eas que tamb\u00e9m signifiquem \u201crenascimento\u201d (p. ex.: \u201crebirth\u201d) e da associa\u00e7\u00e3o deste termo com o momento hist\u00f3rico-social hom\u00f4nimo vivenciado pelas sociedades europeias a partir do s\u00e9culo XIV (\u00f3bvia dentro do transcorrer da narrativa do referido filme), damos prefer\u00eancia \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o apresentada no corpo do texto deste trabalho.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver, por exemplo, cr\u00edticas como a dispon\u00edvel em:<br \/>&lt;<a href=\"https:\/\/omelete.uol.com.br\/filmes\/criticas\/matrix-reloaded\/?key=22349\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/omelete.uol.com.br\/filmes\/criticas\/matrix-reloaded\/?key=22349<\/a>&gt;.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Em sua conversa com o hacker-messias Neo (interpretado por Keanu Reeves), logo ap\u00f3s este ter sido desconectado da Matrix.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> \u201cDark Storm\u201d, no original em ingl\u00eas.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Inclusive, vale frisar que a Dow Chemical tamb\u00e9m era uma das principais empresas fornecedoras de napalm para as tropas norte-americanas durante a Guerra do Vietn\u00e3.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Segundo dados levantados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (2014), a Agropecu\u00e1ria Capemi Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio foi contratada pelo ent\u00e3o existente Instituto Brasileiro de Defesa Florestal (IBDF) para extrair e comercializar toda a madeira da \u00e1rea que seria inundada com a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed. As informa\u00e7\u00f5es d\u00e3o conta que a empresa teria sido criada apenas tr\u00eas meses antes do lan\u00e7amento da licita\u00e7\u00e3o que previa as atividades de extra\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o da madeira. Consta tamb\u00e9m que, para obter recursos para a compra do maquin\u00e1rio necess\u00e1rio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, a Agropecu\u00e1ria Capemi conseguiu empr\u00e9stimo de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares com uma institui\u00e7\u00e3o financeira estrangeira, o que teria sido avalizado pelo Banco Nacional de Cr\u00e9dito Cooperativo (BNCC), subordinado ao Minist\u00e9rio da Agricultura. Al\u00e9m disso, a empresa vinculada \u00e0 Capemi teria sacado US$ 25 milh\u00f5es, comprometendo-se a pagar at\u00e9 1984. No entanto, h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de que o empr\u00e9stimo teria sido pago pelo banco estatal BNCC.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Pertencente, claro, ao mesmo conglomerado corporativo ao qual a Dow Chemical se associa.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> O herbicida 2,4-D (\u00e1cido diclorofenoxiac\u00e9tico) foi desenvolvido a partir do ano de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, sendo na d\u00e9cada de 1960 um dos componentes do Agente Laranja (junto com o 2,4,5-T). Segundo a AGAPAN (2013), a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) classificou o 2,4-D como <em>Extremamente T\u00f3xico<\/em> para a sa\u00fade (Classe I) e <em>Perigoso<\/em> para o Meio Ambiente (Classe III). Os maiores riscos para a sa\u00fade residem no potencial de perturbador end\u00f3crino, sendo potencialmente cancer\u00edgeno. Os perturbadores end\u00f3crinos podem causar danos s\u00e9rios e irrevers\u00edveis \u00e0 sa\u00fade humana durante o desenvolvimento fetal e infantil.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Zion \u00e9 a megacidade subterr\u00e2nea constru\u00edda e gerenciada pelos seres humanos desconectados da Matrix. Tanto nos filmes como nas demais m\u00eddias, Zion \u00e9 vista como um ponto focal de resist\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e1quinas que tomaram conta da superf\u00edcie toda do planeta.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> No universo dist\u00f3pico de \u201cMatrix\u201d, por causa do \u201cescurecimento dos c\u00e9us\u201d, as m\u00e1quinas extraem a energia necess\u00e1ria para seu funcionamento a partir da bioeletricidade gerada por milh\u00f5es de corpos humanos mantidos em estado de completa imers\u00e3o no mundo virtual que d\u00e1 nome \u00e0 ciness\u00e9rie.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>Massively multiplayer online role-playing game<\/em>. \u00c9 um g\u00eanero de jogos digitais nos quais jogadores em n\u00edvel global se conectam via Internet a um mesmo ambiente virtual e assumem o controle de um avatar que precisa cumprir determinadas miss\u00f5es para dar prosseguimento \u00e0 hist\u00f3ria e crescer em termos de habilidades pr\u00f3prias a uma classe de personagens a qual ele pertence. Diferentemente de alguns jogos <em>off-line<\/em>, MMORPGs prezam por arcos narrativos que n\u00e3o exijam um comprometimento imediato da parte dos jogadores para vivenci\u00e1-los, privilegiando a forma\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es interpessoais <em>in-game<\/em> e a explora\u00e7\u00e3o de um mundo aberto a possibilidades de trocas dos mais diferentes tipos (venda e compra de itens, f\u00f3runs de discuss\u00e3o, competi\u00e7\u00f5es, duelos, etc.).<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Chadwick (2011) admite que o nome de sua miniss\u00e9rie em HQs \u00e9 inspirado no livro de Aldo Leopold, <em>\u201cA Sand County Almanac\u201d<\/em> (1949) \u2013 uma grande influ\u00eancia para fundadores de organiza\u00e7\u00f5es como o <em>Earth First!<\/em> Nessa obra de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o, Leopold desenvolve um pensamento de \u201cecologia profunda\u201d enquanto uma forma \u00e9tica (<em>land ethic<\/em>) de inter-rela\u00e7\u00e3o humana com o meio ambiente por uma via de compreens\u00e3o das formas de vida n\u00e3o-humanas do planeta que ultrapasse o mero valor instrumental. Para que esse entendimento seja poss\u00edvel, Leopold professa a necessidade de se \u201cpensar como uma montanha\u201d \u2013 ou seja, de refletir sobre a sobreviv\u00eancia dos ecossistemas terrestres em um prazo muito maior do que a escala de vida humana consegue abranger temporalmente.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Localizada no norte do Estado da Calif\u00f3rnia, Headwaters compreende atualmente uma reserva ambiental (criada em 1999) em que um grande n\u00famero de sequoias (algumas com mais de 2.000 anos de idade) cobre uma \u00e1rea de aproximadamente 30 km\u00b2, conforme dados fornecidos pelo Departamento do Interior dos Estados Unidos. Como as HQs em que Concreto luta pela preserva\u00e7\u00e3o dessa floresta foram publicadas em 1996, percebe-se como Chadwick escreveu e ilustrou <em>\u201cThink like a mountain\u201d<\/em> ainda no calor dos debates feitos sobre a necessidade de salvaguardar aquele habitat espec\u00edfico.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Chadwick (2011) explica <em>monkeywrenching<\/em> como uma atitude de <em>ecotage<\/em> (<em>ecological + sabotage<\/em>) na qual ativistas se prop\u00f5em a danificar maquin\u00e1rio, estradas e outros meios de penetra\u00e7\u00e3o silvestre que seriam empregados para a explora\u00e7\u00e3o indevida de algum(ns) elemento(s) da natureza. A palavra deriva de <em>monkey wrench<\/em> \u2013 a \u201cchave inglesa\u201d, que \u00e9 uma ferramenta-s\u00edmbolo historicamente associada a atos de sabotagem e que foi incorporada ao logotipo da EF! Ademais, inspirada no livro \u201cThe Monkey Wrench Gang\u201d (1975), de Edward Abbey, essa pr\u00e1tica era vista com grande preconceito pelo olhar p\u00fablico, j\u00e1 que a m\u00eddia em massa norte-americana a veiculava sempre como uma atitude irrespons\u00e1vel, capaz de sujeitar os trabalhadores contratados pelas madeireiras a riscos s\u00e9rios de ferimentos.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> <em>Tree-spiking<\/em> consiste, segundo Chadwick (2011), no posicionamento ou inser\u00e7\u00e3o de objetos duros em troncos de \u00e1rvores n\u00e3o derrubadas que fossem capazes de danificar serras ou outras ferramentas empregadas no corte raso. Tamb\u00e9m era uma pr\u00e1tica vista como extrema por muitos, e foi o piv\u00f4 de um acerto de contas feito numa confer\u00eancia sobre meio ambiente em Oregon (1990) entre Judi Bari \u2013 uma das l\u00edderes mais proeminentes da EF! \u2013 e representantes dos trabalhadores da ind\u00fastria madeireira norte-americana, preocupados com sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a no trabalho em virtude da realiza\u00e7\u00e3o consistente de <em>tree-spiking<\/em> em muitas florestas da Calif\u00f3rnia nos fins dos anos 1980.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Possibilitado em grande medida pela Internet, gra\u00e7as a informa\u00e7\u00f5es publicadas no site oficial de not\u00edcias do grupo: &lt;<a href=\"https:\/\/earthfirstjournal.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/earthfirstjournal.org\/<\/a>&gt;. Atualmente, o site \u00e9 utilizado tamb\u00e9m como espa\u00e7o para divulga\u00e7\u00e3o da revista digital da EF!, a qual lista as a\u00e7\u00f5es de defesa ambiental promovidas pelos ativistas ligados \u00e0 EF! tanto nos Estados Unidos como em outros pa\u00edses.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Identificada por Levy (1999) como sendo uma das caracter\u00edsticas decisivas da cibercultura em rela\u00e7\u00e3o a outras din\u00e2micas de representa\u00e7\u00f5es que interagem tanto com a sociedade (as pessoas, seus la\u00e7os, suas trocas, suas rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a) como com a t\u00e9cnica.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Tratam-se, respectivamente, da quinta vers\u00e3o da HyperText Markup Language e da terceira vers\u00e3o do Cascading Style Sheets \u2013 ambas linguagens para estrutura\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para a World Wide Web que adquiriu progressivamente recursos pr\u00f3prios para a reprodu\u00e7\u00e3o de material din\u00e2mico via browser &#8211; tais como arquivos digitais de \u00e1udio, v\u00eddeo e anima\u00e7\u00f5es. S\u00e3o multiplataformas, sendo suportadas pelas vers\u00f5es recentes da maioria dos browsers do mercado (Chrome, Firefox, Edge, Safari, etc.).<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.globalforestwatch.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.globalforestwatch.org\/<\/a>. \u00c9 uma iniciativa organizada pelo World Resources Institute em parceria com universidades e organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas de diversos pa\u00edses.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: justify;margin-bottom: 8px\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Para fazer alus\u00e3o aos conceitos do livro hom\u00f4nimo de Clay Shirky (2011), o qual lida com conceitos de participa\u00e7\u00e3o ativa dos internautas na forma\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias culturais contempor\u00e2neas que revisitam as no\u00e7\u00f5es de <em>fandom<\/em> e de compartilhamento j\u00e1 delineadas por Jenkins (2009) em seu \u201cCultura da Converg\u00eancia\u201d, visando compreender melhor as implica\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas de tais interven\u00e7\u00f5es promovidas na <em>web<\/em> em escala global.<\/p>\r\n<\/span>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A partir da an\u00e1lise feita por Jenkins (2009) da ciness\u00e9rie \u201cMatrix\u201d (criada pelas irm\u00e3s Wachowski), este trabalho ir\u00e1 analisar a import\u00e2ncia da narrativa transm\u00eddia [&#8230;]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":391,"featured_media":248,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[42,43,41,39,5,40,38],"class_list":["post-235","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","tag-animatrix","tag-deflorestamento","tag-desmatamento","tag-matrix","tag-meio-ambiente","tag-quadrinhos","tag-transmidia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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