{"id":2916,"date":"2025-11-29T19:06:56","date_gmt":"2025-11-29T22:06:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/?p=2916"},"modified":"2025-11-30T13:48:22","modified_gmt":"2025-11-30T16:48:22","slug":"um-abraco-entre-ciencia-e-arte-experiencias-de-fernando-parre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2025\/11\/29\/um-abraco-entre-ciencia-e-arte-experiencias-de-fernando-parre\/","title":{"rendered":"Um abra\u00e7o entre Ci\u00eancia e Arte: experi\u00eancias de Fernando Parr\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong><em>Premiado recentemente com <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iWNBsn8gP_Y\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=iWNBsn8gP_Y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tocar Territ\u00f3rio<\/a> em um festival internacional de cinema voltado ao meio ambiente e \u00e0 m\u00fasica, o pesquisador e artista de Botucatu revela sua trajet\u00f3ria e os bastidores de suas cria\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Por Vin\u00edcius Nunes Alves*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Fernando Martins Parr\u00e9 (@_ferpar), nativo de Botucatu-SP, \u00e9 graduado em Agroecologia (UFSCar) e Design de M\u00fasica (Unicesumar), seus projetos s\u00e3o marcados por criatividade, inova\u00e7\u00e3o e relev\u00e2ncia cultural. No campo da Ci\u00eancia, Fernando come\u00e7ou pesquisando sobre o impacto de planta invasora na restaura\u00e7\u00e3o do solo e da serapilheira em floresta tropical, bem como sobre a constru\u00e7\u00e3o de quintais agroecol\u00f3gicos no Cerrado. Posteriormente e at\u00e9 os dias atuais em sua p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Unesp de Rio Claro, Fernando pesquisa na linha da ecologia da paisagem sonora, como membro do laborat\u00f3rio de Ecologia Espacial e Conserva\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leec_lab?igsh=MXJxN2l4OWVlZW1qNQ%3D%3D\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/leec_lab?igsh=MXJxN2l4OWVlZW1qNQ%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(LEEC)<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">J\u00e1 no campo da Arte, Parr\u00e9 \u00e9 fundador e diretor do Est\u00fadio Forja, liderando projetos de composi\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o musical e dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Entre seus principais trabalhos na m\u00fasica, destacam-se os \u00e1lbuns e EPs Desistencial (2020), Meio Assim (2020), Forja (2021), Navegando I (2023), Cabocla (2024) e Sedimentar (2024). A sua experi\u00eancia no audiovisual \u00e9 igualmente not\u00e1vel, com trabalhos como Entre o ch\u00e3o e o c\u00e9u: front de \u00e1gua e rocha (2021), Curanderias (2024), Gosto de Terra (2024) e Tocar Territ\u00f3rio (2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Gabriel O Pensador \u2013 rapper, compositor e m\u00fasico brasileiro \u2013 pondera em uma can\u00e7\u00e3o que tem gente que escreve por ego ou firula, mas tamb\u00e9m tem gente que escreve com sinceridade e tinta que sai da medula. Sem deixar d\u00favidas, Fernando encontra-se no segundo caso de pessoas. Em sua mir\u00edade de <em>poiesis <\/em>(e de <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-47464093\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">autopoiesis<\/a>), seja na escrita de um artigo cient\u00edfico, de um roteiro cinematogr\u00e1fico ou de uma partitura musical, exprime sensibilidades diversas com potencial para tocar tantos e tantas, dentro ou fora do campo de atua\u00e7\u00e3o art\u00edstico. N\u00e3o \u00e9 diferente em um pref\u00e1cio que se disp\u00f5e a escrever, como foi com a obra \u201c<a href=\"https:\/\/www.laranjaoriginal.com.br\/product-page\/esbo%C3%A7os-naturais-cavito?utm_source=ig&amp;utm_medium=social&amp;utm_content=link_in_bio&amp;fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQMMjU2MjgxMDQwNTU4AAGn1lhBBjZS2ldZUdHJbdxkPVSZwXN_Ht4n4leupBW8NggSGFCpRMiJnaazoGA_aem_aEootWj5p3S0K1MplLQwiw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Esbo\u00e7os Naturais<\/a>\u201d \u2013 livro de contos com autoria de Cavito e que foi finalista do Pr\u00eamio Jabuti 2025 \u2013, Parr\u00e9 prefaciou com genuinidade introduzindo uma breve reflex\u00e3o geral, entre a simplicidade e o requinte, acerca dos sabores, fronteiras e conflitos que as hist\u00f3rias reais e on\u00edricas do livro (e da vida humana) trazem. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sem mais delongas, nesta entrevista exclusiva para o blog&nbsp;Natureza Cr\u00edtica, Fernando Parr\u00e9 discorre uma pitada da sua persona e trajet\u00f3ria inquietas, multifacetadas e intercambi\u00e1veis.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Como dizia o saudoso Rubem Alves, as crian\u00e7as ainda t\u00eam olhares encantados. Voc\u00ea j\u00e1 comentou que o acervo do Museu Aberto de Geologia, Mineralogia e Astronomia (MAGMA) da Dem\u00e9tria em Botucatu-SP foi um dos fundamentos do seu interesse pela Ci\u00eancia. Isso foi desde a inf\u00e2ncia? E no seu interesse pela Arte, voc\u00ea teve pessoas e oportunidades na inf\u00e2ncia que te estimularam?&nbsp;<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Foi, sim. Desde a inf\u00e2ncia tive contato com arte, ci\u00eancia e conhecimento. Meu av\u00f4 violonista era uma inspira\u00e7\u00e3o, ouvindo-o tocar viol\u00e3o e tamb\u00e9m admirando os instrumentos que ficavam na sala de estudos dele. Assim como meu outro av\u00f4, que era daquelas pessoas que, com uma bancada na garagem, constru\u00edam de tudo: pe\u00e7as de ferro, madeira e outros materiais. Estudei em uma escola de pedagogia Waldorf, a Aitiara, que j\u00e1 tinha hist\u00f3ria, mas ainda estava ganhando forma, consolidando-se enquanto associa\u00e7\u00e3o e na rela\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias. E acho que essa escola foi um encontro de fam\u00edlias e amigos que at\u00e9 hoje seguem conectados, mais pr\u00f3ximos ou distantes, e um portal para a arte e a ci\u00eancia em muitos aspectos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Da orquestra da escola \u00e0s viagens de geologia para o <a href=\"https:\/\/www.petaronline.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PETAR<\/a>, das aulas de desenho e marcenaria \u00e0s de matem\u00e1tica e f\u00edsica \u2014 cheias de experimentos interessantes de ver \u2014, tudo isso comp\u00f4s um ambiente f\u00e9rtil. E as situa\u00e7\u00f5es de estar em palco, com m\u00fasica, teatro, poesia e outras viv\u00eancias, tamb\u00e9m contribu\u00edram bastante para esse gosto pela arte, fosse nessa escola ou em outras onde estudei. E acho que para a ci\u00eancia tamb\u00e9m. Assim como a arte, ela \u00e9 muito sobre produzir algo e comunicar ao mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O fato de a escola estar na zona rural tamb\u00e9m trazia um olhar que hoje me parece bastante potente: morar no meio urbano, mas viver boa parte da semana no meio rural. O MAGMA ainda era o acervo pessoal do Sr. Blaich que, como uma figura quase m\u00edtica sob os meus olhos de crian\u00e7a, apresentava cristais e hist\u00f3rias encantadoras. Nos bazares de final de ano, eu dava um jeito de passar horas vendo as rochas expostas na venda de cristais. E as professoras e professores foram pessoas fant\u00e1sticas, abrindo portas \u00e0 m\u00fasica e ao conhecimento de forma acolhedora aos meus anseios de descobrir o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Aqui, tanto professores da escola quanto de outros locais onde estudei \u2014 viol\u00e3o, piano, cer\u00e2mica, desenho \u2014 tiveram um papel marcante. Enquanto respondo a esta entrevista, me pego reafirmando a mim mesmo a sorte que tive, porque \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil citar uma pessoa espec\u00edfica sem deixar de fora tantas que foram muito importantes. Tive a oportunidade de conviver com muitas pessoas que me estimulavam a seguir o gosto pela arte e pelo conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Meu n\u00facleo familiar \u2014 m\u00e3e, pai, irm\u00e3, irm\u00e3o, padrasto, av\u00f3s, tios, primos \u2014 inclu\u00eda pessoas da academia e das artes, fossem musicais ou visuais. Mesmo quem n\u00e3o estava envolvido diretamente nesses campos sempre teve interesse em escutar e estimular as buscas e ideias nas quais eu me colocava. Apesar do tom saudosista, reconhe\u00e7o que a vida teve \u2014 e tem \u2014 seus desafios; n\u00e3o foram s\u00f3 passagens f\u00e1ceis de viver. Mas, olhando para tr\u00e1s, houve muita coisa boa. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acho que sempre gostei de olhar para o mundo com curiosidade, e tanto o ambiente escolar quanto o familiar me abriram a possibilidade de cultivar essa forma de olhar: buscar e vivenciar conhecimento e arte enquanto processos conjuntos, experienci\u00e1veis e sens\u00edveis. E, como toda crian\u00e7a dos anos 1990\u20132000, document\u00e1rios e programas sobre arte, ci\u00eancias naturais, exatas, filosofia e cultura na TV tamb\u00e9m foram est\u00edmulos importantes ao interesse por esses temas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>A Agroecologia \u00e9 uma \u00e1rea da Ci\u00eancia que tem a sua Arte. H\u00e1 quem considere obra art\u00edstica o que a Agroecologia \u00e9 capaz de criar e conciliar, como biodiversidade, educa\u00e7\u00e3o ambiental e subsist\u00eancia. Recentes estudos indicam que a Amaz\u00f4nia, maior floresta tropical do mundo, sempre foi palco de t\u00e9cnicas de agroecologia pelos povos origin\u00e1rios e comunidades tradicionais da regi\u00e3o. Se pudesse sintetizar, como voc\u00ea descreveria cientificamente e artisticamente uma agrofloresta sustent\u00e1vel? &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Enquanto processo conjunto art\u00edstico e cient\u00edfico, uma agrofloresta tem escalas materiais e simb\u00f3licas. \u00c9 um sistema agr\u00edcola inteligente, adaptado e adapt\u00e1vel, onde conceitos de diversas \u00e1reas da ci\u00eancia e conhecimentos diversos s\u00e3o articulados e colocados em pr\u00e1tica. Uma forma de gerir o planeta de maneira inteligente, pondo em a\u00e7\u00e3o o entendimento b\u00e1sico de que os ecossistemas s\u00e3o processos vivos em m\u00faltiplas escalas, e os recursos todos s\u00e3o preciosos e finitos. Carrega, em si, repercuss\u00f5es amplas, indo das quest\u00f5es geopol\u00edticas e socioecon\u00f4micas de produ\u00e7\u00e3o aos ciclos biogeoqu\u00edmicos planet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Existe tamb\u00e9m a dimens\u00e3o simb\u00f3lica da beleza, que acredito que se conecta \u00e0 arte e ao sens\u00edvel de forma bastante potente. No sentido da conex\u00e3o das pessoas com a paisagem, por meio da beleza, sejam pessoas que vivem em cidades ou outros tipos de ocupa\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica do monocultivo tem pouco interesse na est\u00e9tica. J\u00e1 a agrofloresta d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o a isso, seja materialmente, seja simbolicamente. Ao suscitar cuidado, aten\u00e7\u00e3o ao planeta, \u00e0s crises atuais, ela tamb\u00e9m afirma a fartura, a justa distribui\u00e7\u00e3o, a ciclagem inteligente e a exist\u00eancia e respeito \u00e0s formas de vida no planeta. Ao planeta como um todo! Em escalas sens\u00edveis, experienciar a agrofloresta pode se assemelhar a uma visita a uma exposi\u00e7\u00e3o de arte ou a um espet\u00e1culo musical, uma viv\u00eancia art\u00edstica. \u00c9 o tipo de processo que me parece fundamental \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de ser humano, que nos fez e nos faz mais humanos. O que n\u00e3o serve apenas como produto \u2014 e nem precisa ser analisado \u00e0 luz de algo \u2014, \u00e9 parte da experi\u00eancia encantadora de estar vivo. E sendo t\u00e3o negada ou dificultada para tanta gente no mundo, \u00e9 revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Quando voc\u00ea escreve ou dirige algum roteiro, essas cria\u00e7\u00f5es nascem de maneira mais ca\u00f3tica e depois voc\u00ea vai organizando ou seu lado cientista te induz para um pensamento cartesiano desde a origem? Mia Couto diz que se escuta muito a cada texto que cria, independente do g\u00eanero. Para voc\u00ea, com outras formas de arte, \u00e9 fundamental se escutar dentro da m\u00fasica, do v\u00eddeo ou da fotografia que participa?&nbsp;<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Eu acho que vivo uma similaridade criativa na arte e na ci\u00eancia. Tenho meu bloco de notas do celular, que alimento com ideias, poemas, letras, perguntas, esbo\u00e7os de artigos, num fluxo do dia a dia, sem muito crit\u00e9rio. Talvez, nesse sentido, tudo possa ser um pouco ca\u00f3tico \u2014 e, nessas horas, na m\u00fasica, \u00e0s vezes eu s\u00f3 ponho a m\u00e3o em um instrumento e surge algo, mais ou menos pronto. Ainda assim, quando me direciono para uma atividade de produ\u00e7\u00e3o focada, como dirigir, compor ou escrever, em geral a ideia ou pr\u00e1tica j\u00e1 teve alguns dias de pensamento dedicados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acho que h\u00e1 um processo de ir concebendo algo, e essa concep\u00e7\u00e3o leva um tempo dentro de si: ouvindo-se, refletindo, sentindo, deixando descansar \u2014 at\u00e9 que, \u00e0s vezes, surge o rompante, a conex\u00e3o, a boa ideia, enfim. A criatividade como processo tanto de inven\u00e7\u00e3o, polimento e reflex\u00e3o paulatinos e cotidianos quanto de rompantes, desse extraordin\u00e1rio eruptivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os movimentos tect\u00f4nicos me soam uma boa met\u00e1fora nessa hora: placas que deslizam constantemente e v\u00e3o produzindo novos continentes, a dan\u00e7a tect\u00f4nica da hist\u00f3ria, ao mesmo tempo em que empurram umas \u00e0s outras, acumulando quantidades gigantescas de energia que s\u00e3o liberadas de uma vez s\u00f3 em um terremoto. Talvez as ideias sejam um pouco assim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A gente se envolve muito quando cria, produz ou coordena algo. E um fluxo importante, acho, \u00e9 tamb\u00e9m dar tempo e dist\u00e2ncia, para se ver e se ouvir de outras perspectivas. E nisso reside, tamb\u00e9m, a alegria e a import\u00e2ncia de trocar com pessoas que estejam falando as mesmas linguagens e sejam de confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acho que funciono de forma meio anal\u00edtica no pensamento \u2014 e gosto disso! Ao mesmo tempo, n\u00e3o me sinto sufocado pelo caos; pelo contr\u00e1rio, ele me parece um momento de muita pot\u00eancia. Nessa hora, acho que arte e ci\u00eancia, al\u00e9m de similares em muitos processos, podem ser mutuamente complementares em suas formas de organizar e sensibilizar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">O est\u00fadio onde trabalho, Forja, ganhou esse nome um pouco nesse sentido: observar o of\u00edcio da arte e da ci\u00eancia. Trabalhar o metal requer calor, energia, for\u00e7a bruta (intelectual, f\u00edsica, emocional) e, certamente, cuidado \u2014 pois h\u00e1 sempre risco \u2014 e, simultaneamente, exige calma, sensibilidade, agilidade e precis\u00e3o. Com arte e ci\u00eancia, me parece, tamb\u00e9m \u00e9 assim.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image is-resized eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"341\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2924\" style=\"width:706px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-1.jpg 512w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-1-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal da fonte <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>O clipe <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zR0hl3H9Ba4\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zR0hl3H9Ba4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sedimentar<\/a> apresenta uma melodia instrumental com raiz no g\u00eanero musical Afrobeat, passeando por paisagens com arenito e basalto da Cuesta de Botucatu e regi\u00e3o. Voc\u00ea pode detalhar melhor como se d\u00e1 essa integra\u00e7\u00e3o entre linguagens art\u00edsticas e cient\u00edficas no videoclipe?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os conceitos e o desvelamento da beleza que o clipe prop\u00f5e nascem de olhar para a paisagem de forma racional e sens\u00edvel. O trabalho usa palavras e dimens\u00f5es da explica\u00e7\u00e3o e do estudo do mundo para estruturar a proposta art\u00edstica, que \u00e9 entregue como uma experi\u00eancia da m\u00fasica e da imagem. E aqui, beleza n\u00e3o \u00e9 apenas o que \u00e9 bonito num sentido hist\u00f3rico-est\u00e9tico (que \u00e9 bem vol\u00e1til), mas aquilo que desperta esse sentido de ser humano que comentei acima. Acho que o conhecimento e a arte s\u00e3o belos em si mesmos. Al\u00e9m disso, eles fazem uso um do outro inevitavelmente. E, quando essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 trabalhada de forma direcionada, ativa, consciente, a experi\u00eancia vivida pelas pessoas \u2014 seja em processos de arte ou de conhecimento \u2014 ganha uma pot\u00eancia a mais, significativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Existe um lugar em que a arte usa a ci\u00eancia para se alicer\u00e7ar, e a ci\u00eancia usa a arte para comunicar. Ao mesmo tempo, a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o me parece estanque. O que se produz e acessa do mundo, do sentido de realidade que cada pessoa tem, e o que \u00e9 poss\u00edvel compartilhar disso em sociedade e em rela\u00e7\u00e3o, possui significados e implica\u00e7\u00f5es maiores que a simples soma de cada uma dessas partes constituintes. Por exemplo: aprender matem\u00e1tica por meio da m\u00fasica, ou pesquisar as paisagens sonoras por meio da estat\u00edstica e da composi\u00e7\u00e3o \u2014 o que se cria e se experiencia nesse processo ganha dimens\u00f5es que, isoladamente, ou simplesmente com um fazendo uso do outro, n\u00e3o existiriam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Compor a m\u00fasica em Afrobeat foi um estudo e uma inspira\u00e7\u00e3o. Fela Kuti, Souljazz Orchestra, Newen Afrobeat, Antibalas e v\u00e1rias outras refer\u00eancias que atravessaram meu processo de escuta fundamentaram esse caminho. A composi\u00e7\u00e3o nasceu tamb\u00e9m de pesquisar a harmonia dos metais, montar o arranjo e ir testando como soava. Foi na pandemia que compus a m\u00fasica, e depois fui entendendo e aprofundando a composi\u00e7\u00e3o com os conceitos e os visuais que foram surgindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E tamb\u00e9m, desde sua origem, o Afrobeat fala de uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica progressista, de justi\u00e7a social, colonialismo e tantos outros temas que foram \u2014 e ainda s\u00e3o \u2014 bastante relevantes. E acho que falar da paisagem, das rochas, da \u00e1gua, do tempo, da beleza do ambiente ao redor foi um caminho para trazer \u00e0 tona algumas discuss\u00f5es atuais: crise clim\u00e1tica, arte, meio ambiente, conhecimento, ci\u00eancia. Arte tamb\u00e9m como uma experi\u00eancia que promove aten\u00e7\u00e3o ao mundo, cuidado e pensamento cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Hoje voc\u00ea \u00e9 um pesquisador na linha de ecologia da paisagem sonora, como explicaria para o p\u00fablico amplo, em palavras simples e resumidas, a metodologia de um estudo nessa \u00e1rea? Basicamente, o que \u00e9 importante de um ec\u00f3logo de paisagem sonora analisar em determinado ambiente?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O ec\u00f3logo de paisagem sonora deve analisar o som das paisagens: entender padr\u00f5es, diferen\u00e7as, mudan\u00e7as e varia\u00e7\u00f5es dos sons em diversas escalas. Busca a vasta quantidade de informa\u00e7\u00e3o presente nos sons. Os sons que a vida gera s\u00e3o caracter\u00edsticas que existem desde o in\u00edcio da evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Assim, da mesma forma que a distribui\u00e7\u00e3o espacial de uma esp\u00e9cie \u00e9 resultado de suas caracter\u00edsticas evolutivas e hist\u00f3ricas, a distribui\u00e7\u00e3o e a ocupa\u00e7\u00e3o das frequ\u00eancias sonoras s\u00e3o tamb\u00e9m processos produzidos pelos seres vivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A ecologia de paisagem sonora, ent\u00e3o, mede as caracter\u00edsticas temporais e espectrais (das frequ\u00eancias) de um som em determinado local. Com isso, \u00e9 poss\u00edvel identificar padr\u00f5es dos ecossistemas e das paisagens por meio do que h\u00e1 no espectro sonoro. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">Entende-se que existem tr\u00eas grandes classes de sons que podem compor todas as paisagens sonoras do planeta: antropofonias \u2014 sons de humanos, m\u00e1quinas e cidades \u2014, biofonias \u2014 sons de seres vivos \u2014, e geofonias \u2014 sons de processos abi\u00f3ticos, como chuva, rios e ventos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Numa rotina b\u00e1sica de coleta, s\u00e3o instalados, em locais selecionados, gravadores sonoros autom\u00e1ticos. Eles passam dias captando os sons daquela paisagem sonora. Depois, os sons s\u00e3o convertidos em \u00edndices num\u00e9ricos que d\u00e3o um valor \u2014 uma \u201cnota\u201d \u2014 para cada paisagem. A partir da\u00ed, cada \u00edndice tem sua particularidade de funcionamento e descreve caracter\u00edsticas do espectrograma que podem ser relacionadas a processos ecol\u00f3gicos. Caracter\u00edsticas ambientais (chuva, vento, temperatura, tipo de ecossistema) e de uso do solo (dist\u00e2ncia a estradas, tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, latitude, eleva\u00e7\u00e3o etc.) tamb\u00e9m entram na an\u00e1lise, assim como valida\u00e7\u00f5es com escuta manual, detec\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies ou grupos vocalizantes e modelos estat\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O ec\u00f3logo de paisagem sonora, ent\u00e3o, analisa e articula os muitos fatores ecol\u00f3gicos dos locais com os valores de cada \u00edndice que a paisagem sonora produziu. A partir dessa integra\u00e7\u00e3o, torna-se poss\u00edvel estudar a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>A rocha em si do Arenito Botucatu, com sua colora\u00e7\u00e3o avermelhada e porosidade acentuada, foi uma das maiores inspira\u00e7\u00f5es para elaborar o clipe Sedimentar? Voc\u00ea j\u00e1 pensou tamb\u00e9m em elaborar um projeto sobre o Aqu\u00edfero Guarani que est\u00e1 diretamente relacionado ao Arenito Botucatu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acho que foi uma grande inspira\u00e7\u00e3o, sim, ao mesmo tempo que n\u00e3o sei se existe \u201ca maior\u201d. Talvez seja mais uma jun\u00e7\u00e3o de algumas inspira\u00e7\u00f5es e refer\u00eancias (v\u00e1rias!). Mas, certamente, a cor, a textura e o movimento das camadas na rocha foram no\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es que guiaram a est\u00e9tica e a proposta conceitual. E o nome do projeto, claro: Arenito Afrobeat. Um nome que surgiu depois de boa parte do processo de cria\u00e7\u00e3o j\u00e1 em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A presen\u00e7a e distin\u00e7\u00e3o dessa rocha \u2014 e tamb\u00e9m de todos os tipos de arenitos \u2014 sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o. Acho bastante bonita a ideia de rochas perme\u00e1veis; de um relevo poroso, um filtro. Ao mesmo tempo, a imagem do maci\u00e7o de arenito segurando uma cobertura de basalto \u2014 esse, sim, mais denso, imperme\u00e1vel, de cor menos vibrante. O contraste de for\u00e7as e tipos \u2014 e a pot\u00eancia do contato entre eles. O fato de o arenito ter precisado da lava acima para que a areia virasse rocha, e de o basalto agora ser sustentado, em partes, pelo arenito e, em partes, pela press\u00e3o que a \u00e1gua dentro do arenito consegue suportar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Essa quest\u00e3o ambiental \u2014 de que o arenito, em grandes profundidades, acaba sendo compactado, at\u00e9 mesmo esmagado pelo peso acima caso haja remo\u00e7\u00e3o excessiva de \u00e1gua \u2014 me parece muito simb\u00f3lica. E, de novo, retorna a ideia do \u00e1lbum de juntar conhecimento, arte, meio ambiente, conserva\u00e7\u00e3o, frui\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse <em>single<\/em> \u00e9 uma abertura para um \u00e1lbum que est\u00e1 em processo de composi\u00e7\u00e3o. Linha de Ruptura \u2014 acho que vai ser esse o nome. Passeia por paisagens, processos e conceitos da Cuesta, do tempo, e pela cria\u00e7\u00e3o de mitologias das paisagens. Uma das faixas se chama <em>\u00c1guas<\/em>, e parte do aqu\u00edfero: do real, geol\u00f3gico e da ideia, do conceito da palavra. Sobre a \u00e1gua que fica dentro da pedra, orientada pelas rochas porosas que formam esses reservat\u00f3rios, como o Arenito Botucatu. Mas fala tamb\u00e9m do ciclo h\u00eddrico como um todo, e da petrifica\u00e7\u00e3o em sentido amplo: \u201calgo estar petrificado, mas ainda ter \u00e1gua por dentro\u201d. Uma imagem que me parece quase dois grandes opostos em sinergia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Na ecologia espacial, os elementos interagem na paisagem, muitas vezes elevando a beleza da natureza, como uma cascata que associa rochas sobrepostas com \u00e1gua corrente. Esteticamente, o que mais voc\u00ea considera ter explorado na paisagem natural para o clipe? Quais ideias e sensa\u00e7\u00f5es voc\u00ea pensou ao usar cenas com gr\u00e3os de arenito e \u00e1gua da cascata nos dois sentidos \u2013 a favor da gravidade e contra a gravidade?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O clipe surgiu como um dispositivo de viagem no espa\u00e7o e no tempo. Desde os gr\u00e3os de areia passando pelo tempo at\u00e9 os mergulhos na imensid\u00e3o do relevo. A areia e a cachoeira, especificamente, tiveram uma conex\u00e3o com essa viagem que vai e vem no tempo. A areia saindo do vaso, como uma ampulheta que, por ser o marcador do tempo das coisas, n\u00e3o volta para tr\u00e1s. E a cachoeira nesse sentido: da passagem, da eros\u00e3o, da \u00e1gua que escava a pedra e cria a areia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse processo de passagem linear do tempo \u2014 mas, pensando no planeta inteiro, um ciclo \u2014 prop\u00f5e uma vis\u00e3o que acelera a hist\u00f3ria da Terra, uma visualiza\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie do planeta esfriando pela primeira vez, formando rochas. E essas rochas sendo erodidas, formando solos, areia, sedimentos. Os sedimentos sendo novamente transformados em rochas \u2014 sedimentares, metam\u00f3rficas ou \u00edgneas. Os dois sentidos das imagens s\u00e3o esse dispositivo do clipe: controlar o tempo, ir e vir, subir, descer. Passear na escala do tempo, na eros\u00e3o acontecendo com uma m\u00e3o desgastando o arenito, fundindo escalas geol\u00f3gicas e humanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E, nesse ciclo, o processo sedimentar ganhou uma rela\u00e7\u00e3o forte com a composi\u00e7\u00e3o musical, no sentido de o Afrobeat tamb\u00e9m ter muitas camadas. Muitas vezes n\u00e3o muito variadas, ao mesmo tempo complementares e r\u00edtmicas. Acho que o desenho do arenito tem algo disso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A paisagem foi o mergulho est\u00e9tico que guiou o visual: em escala pequena, grande, acelerada e contemplativa. Na exposi\u00e7\u00e3o de fotografias da Cuesta que fiz (@front.cuesta), fiquei com uma sensa\u00e7\u00e3o bastante forte \u2014 a mesma que guiou as fotos \u2014 do tamanho do front da Cuesta. Da pot\u00eancia que essas paisagens t\u00eam, e de como \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o bastante \u00fanica contemplar esse relevo. Esse uso das muitas escalas, no videoclipe, foi no sentido de tentar construir um gesto da sensa\u00e7\u00e3o que \u00e9 estar na paisagem: sentir subjetivamente e sensorialmente todas essas escalas juntas, ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"341\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2926\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-2-1.jpg 512w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-2-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-2-1-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-2-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal da fonte <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>A personagem Arenito \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia da rocha e da artista, al\u00e9m das vestimentas e movimentos que s\u00e3o esteticamente pensados. Como foi a concep\u00e7\u00e3o e a grava\u00e7\u00e3o sobre essa personagem?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A ideia foi fazer a paisagem em forma de criatura \u2014 e a criatura enquanto processos do tempo na paisagem. Ent\u00e3o, as cores foram escolhidas em tons de arenito e solos da regi\u00e3o: mais avermelhados, amarelados, e a parte cinza, que \u00e9 o basalto. Achei legal o nome \u201cpersonagem Arenito\u201d. No roteiro, foi Criatura Sedimentar, mas isso era para todo mundo conseguir se comunicar no set, porque, no fim, o nome \u00e9 justamente para cada pessoa escolher o seu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E a quest\u00e3o dessa criatura estar em v\u00e1rios ambientes \u2014 no rio, no arenito, no basalto \u2014 refor\u00e7a esse fio condutor do dispositivo de viagem no tempo, ao mesmo tempo em que a torna uma personifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do tempo de forma m\u00edtica, mitol\u00f3gica. Os movimentos s\u00e3o a comunica\u00e7\u00e3o mais direta com quem assiste: os processos de larga escala temporal sendo feitos ali, em segundos, metaforicamente. As m\u00e3os raspando o arenito, erodindo; recolhendo as camadas da vestimenta e prensando, num fluxo de esvaziamento e recarga da \u00e1gua \u2014 como um aqu\u00edfero; o p\u00f3 vermelho sendo jogado para cima, no momento explosivo da m\u00fasica, como lava vulc\u00e2nica em erup\u00e7\u00e3o, vindo debaixo de paleodesertos que formaram o arenito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E a grava\u00e7\u00e3o foi sempre uma aventura! Eu agrade\u00e7o muito, sempre, a toda a equipe que esteve comigo. Cinema \u00e9 a\u00e7\u00e3o coletiva, conjunta. E foi uma honra trabalhar com artistas muito potentes na equipe inteira \u2014 e que toparam um roteiro de grava\u00e7\u00e3o totalmente <em>off-road<\/em>! Para montar a criatura, a cada cena era uma pilha de cobertores e uma m\u00e1scara de uns bons 3 kg que a Fernanda Ribeiro, a performer, tinha que vestir. Em geral, era chegar no set, montar as c\u00e2meras nos quadros e definir o lugar onde ela ia se sentar. Depois, repassar o roteiro junto com a Fer, fazendo um \u00faltimo ensaio dos movimentos. Da\u00ed eu vinha colocando os cobertores, em um processo de camada em camada, e a m\u00e1scara por \u00faltimo. Era colocar e tirar a cada corte para dar conta do calor. Com certeza bastante intenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao mesmo tempo, divertido \u2014 regado a bons bolos, sucos, frutas e boas ideias. E sempre num esquema de coopera\u00e7\u00e3o entre a equipe. O Renato Piri e o Guilherme Maia, outros dois membros da equipe, tamb\u00e9m sempre toparam todos os caminhos que t\u00ednhamos que fazer: trilhas para a cachoeira com todos os equipamentos, levar uma bateria para dentro de uma vo\u00e7oroca, montar um carrinho dolly de filmagem para percorrer os trilhos da estrada de ferro. Enfim, teve um monte de tudo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>No ano passado, as crian\u00e7as de uma turma minha do ensino fundamental anos iniciais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Integral (Emefi) Dr. Cardoso de Almeida em Botucatu, apreciaram muito a personagem contendo o desenho dela em todos os desenhos e relatos. Considerando seu olhar subjetivo e art\u00edstico, a quais elementos voc\u00ea atribui essa simpatia infantil pela personagem? J\u00e1 considerando o p\u00fablico adulto, o que voc\u00ea achou que foi mais apreciado? &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acredito que a simpatia infantil se conecta ao elemento mitol\u00f3gico da figura \u2014 ao fato de ser algo estranho, inexplicado; algo que \u201cn\u00e3o existe\u201d. E achei muito legal que elas se conectaram assim. At\u00e9 num sentido de que a inven\u00e7\u00e3o e reinven\u00e7\u00e3o de mitologias pessoais e coletivas do mundo e das coisas acaba sendo sufocada pelas estruturas sociais, pol\u00edticas, religiosas e culturais. Da\u00ed vem a vis\u00e3o das crian\u00e7as, que me parece agu\u00e7ada para a pot\u00eancia de inven\u00e7\u00e3o e de descobertas que o desconhecido tem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Acho que o p\u00fablico adulto tamb\u00e9m se conecta com a criatura, possivelmente por esses motivos do estranho, do diferente, e, da\u00ed, tamb\u00e9m do ousado. Ainda assim, as cenas em <em>fast forward<\/em> da Cuesta levantaram mais de uma pergunta, vinda de pessoas que assistiram, sobre o processo de produ\u00e7\u00e3o delas \u2014 que fizemos com o carrinho dolly que o Zaz\u00e1 Leite e o Pedrinho Murari constru\u00edram. Acho que essas cenas foram marcantes para o p\u00fablico mais adulto, tamb\u00e9m. E n\u00e3o d\u00e1 para n\u00e3o comentar que foi uma aventura \u00e0 parte percorrer os caminhos para fazer as filmagens de todo o trilho, para depois acelerar no clipe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E tamb\u00e9m muitas amizades reconheceram a mim, ao Zaz\u00e1 e ao Pedro Almeida tocando os instrumentos durante o clipe. Acho que isso foi um destaque especialmente para o p\u00fablico adulto, mais do que para o infantil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1333\" height=\"2000\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2927\" style=\"width:635px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10.png 1333w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10-200x300.png 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10-682x1024.png 682w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10-768x1152.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10-1024x1536.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10-500x750.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10-800x1200.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/Design-sem-nome-10-1280x1920.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 1333px) 100vw, 1333px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal do entrevistador <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Quanto tempo levou para voc\u00ea e equipe conclu\u00edrem a produ\u00e7\u00e3o do clipe Sedimentar? Quais foram os principais desafios?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Foram nove meses de produ\u00e7\u00e3o intensos, e tr\u00eas meses de lan\u00e7amento e p\u00f3s-lan\u00e7amento. Desafios s\u00e3o sempre muitos, mas sempre acompanhados de muita satisfa\u00e7\u00e3o em trabalhar com uma boa equipe. A log\u00edstica \u00e9 sempre um trabalho delicado, envolvendo as agendas de muitas pessoas. E o fato de terem sido diversos sets de filmagem em ambientes abertos demandava locomo\u00e7\u00e3o de carro e, depois, a p\u00e9 para chegar aos locais e, nisso, carregar na m\u00e3o todos os equipamentos, figurinos e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Talvez o maior desafio seja o desafio de quase todas as produ\u00e7\u00f5es e trabalhos em equipe, ou na verdade, de todas as rela\u00e7\u00f5es entre pessoas: a comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 sempre um processo coletivo de trocas, acolhimento, respeito, escuta e di\u00e1logo. O bom \u00e9 que a equipe estava bastante sintonizada. Todo mundo acolhia as aventuras, se comprometia e contribu\u00eda para fazer acontecer, driblar o cansa\u00e7o e acolher os limites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E justamente esse maior desafio talvez tenha sido a maior pot\u00eancia nesse videoclipe! Viver um lan\u00e7amento de uma obra em que o processo aconteceu entre profissionais e entre amizades transforma o desafio em pot\u00eancia de encontro e de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Projetos como Arenito Afrobeat (2024), Tocar Territ\u00f3rio (2025) e outros que voc\u00ea dirigiu receberam recursos da Lei 195\/2022 Paulo Gustavo. Quais palavras de incentivo voc\u00ea deixaria para outros artistas locais se entregarem mais em projetos e buscarem financiamento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Criar ideias, valorizar o que j\u00e1 est\u00e1 sendo feito em arte e, cada vez mais, buscar se conectar. Esses editais, como o da Lei Paulo Gustavo, ganharam maior alcance ap\u00f3s a pandemia \u2014 e isso foi e \u00e9 um grande avan\u00e7o. Mas precisam seguir avan\u00e7ando. Em grande parte dos editais, muitos projetos de alta qualidade acabam n\u00e3o sendo aprovados pela simples inexist\u00eancia de verba. E, por isso, \u00e9 importante conversar, construir e integrar cenas culturais. Conhecer quem est\u00e1 junto nessa caminhada de fazer arte e se organizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Escrever projetos mesmo sem nunca ter escrito; conversar com quem j\u00e1 tem alguma pr\u00e1tica. \u00c9 com o tempo que se vai aperfei\u00e7oando a escrita. E, n\u00e3o menos importante, exigir e se organizar em pautas pol\u00edticas, e apoiar representantes que aumentem os volumes de recursos destinados \u00e0 cultura e \u00e0 arte. N\u00e3o desanimar quando um projeto n\u00e3o for aprovado \u2014 \u00e0s vezes, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ou nem \u00e9 sobre qualidade, mas sim sobre falta de verba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos de cultura s\u00e3o espa\u00e7os de di\u00e1logo com a sociedade. Conhecer, conversar, sugerir, fiscalizar e trabalhar junto pode ser uma boa forma de estar integrado \u00e0 cultura e de conseguir trabalhar coletivamente para que haja, cada vez mais, oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><strong>Recentemente, o curta-metragem Tocar Territ\u00f3rio, que voc\u00ea dirigiu, foi finalista no festival internacional da It\u00e1lia \u2014 Ferrara Film Corto Festival: Ambiente \u00e8 Musica (2025) \u2014 e acabou sendo premiado na categoria trilha sonora. Na letra de uma can\u00e7\u00e3o de Paulo Monarco e Dandara, dupla de m\u00fasicos prestigiados da nossa regi\u00e3o, h\u00e1 o verso que fala sobre \u201cequilibrar a expectativa da linha fina que se tem para pisar\u201d. Como tem sido para voc\u00ea essa experi\u00eancia de reconhecimento internacional, elevando e divulgando a produ\u00e7\u00e3o cultural de Botucatu sob o olhar de especialistas do mundo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Tem sido um reconhecimento bastante potencializador, que ativa a criatividade e inspira. \u00c9 muito forte ver um trabalho sendo avaliado e reconhecido por pessoas que trabalham com isso em outros pa\u00edses, em outros cen\u00e1rios culturais \u2014 dado o j\u00fari e o p\u00fablico internacional do festival. Acho que mostra tamb\u00e9m a for\u00e7a e a pot\u00eancia do cinema independente do Brasil. Temos muito a produzir, e isso \u00e9 reconhec\u00edvel mundo afora!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 uma alegria poder reverberar as paisagens da regi\u00e3o, que admiro profundamente, com pessoas de outras realidades, locais, culturas e vis\u00f5es de mundo. E, claro, receber <em>feedbacks<\/em> de quem trabalha com a linguagem audiovisual e musical. As pontes que v\u00e3o surgindo a partir disso s\u00e3o das coisas mais potentes e necess\u00e1rias nesses tipos de reconhecimentos e eventos. E, na minha experi\u00eancia, todas as pessoas est\u00e3o muito dispostas a trocar, a conhecer as paisagens que est\u00e3o no filme, a refletir sobre os conceitos e sensa\u00e7\u00f5es que v\u00eam com ele.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">E, vendo a pot\u00eancia gigante que Botucatu tem enquanto cena produtora de cultura e arte, fico muito contente de poder contribuir com um pouco disso. Certamente ainda h\u00e1 muito a fazer: d\u00e1 para crescer muito mais, especialmente com mais reconhecimento e mais verba girando no cen\u00e1rio e no mercado da cultura local. N\u00e3o menos, o que j\u00e1 existe \u00e9 muito valioso \u2014 \u00e9 essa pot\u00eancia j\u00e1 manifestada. E acho que o que componho \u00e9 tamb\u00e9m fruto da minha trajet\u00f3ria na arte, e boa parte dela aconteceu aqui na cidade. Nesse sentido, todo artista \u00e9 tamb\u00e9m reflexo do territ\u00f3rio.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ao mesmo tempo, procuro manter uma perspectiva atenta para n\u00e3o cair em deslumbramentos. Acho que \u00e9 preciso dizer que, mesmo que pare\u00e7a paradoxal, n\u00e3o \u00e9 o reconhecimento que define a qualidade da arte \u2014 muito menos \u00e9 a justificativa do fazer. E, num cen\u00e1rio em que redes sociais, likes, plays e views viraram quase a \u00fanica refer\u00eancia de qualidade e impacto de diversas formas de arte, me parece sensato cuidar para que o fazer art\u00edstico \u2014 esse processo de inven\u00e7\u00e3o, releitura, ruptura, frui\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e tanto mais \u2014 n\u00e3o seja pautado como algo que precise ser aceito por essas m\u00e9tricas e formatos da ind\u00fastria cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Ainda assim, festivais e premia\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito importantes no sentido de conectar cen\u00e1rios culturais, territ\u00f3rios e pessoas, e gerar reconhecimento. \u00c9 valioso estar trocando com quem vive as mesmas linguagens art\u00edsticas, mas a partir de cada atua\u00e7\u00e3o individual. Acho que a linha fina que voc\u00ea cita na pergunta diz muito desse lugar do reconhecimento perante o fazer art\u00edstico \u2014 e diz muito do fazer art\u00edstico como um todo, tamb\u00e9m. \u00c9 um equil\u00edbrio delicado entre ir ao mundo com as cria\u00e7\u00f5es, saber observar o que e como chega ao mundo e, a partir dessas reflex\u00f5es, seguir construindo a pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E sendo a arte um processo bastante \u00edntimo de cada pessoa, \u00e9 preciso cuidar desse jogo das expectativas, dos desejos de formas espec\u00edficas de reconhecimento e valida\u00e7\u00e3o. Ter a for\u00e7a de bancar o que se cria, frente ao mundo, junto com a perspic\u00e1cia de se ver no mundo \u2014 e tamb\u00e9m ver como o mundo reage e o que diz sobre a obra. Buscar afinar os processos e as ideias. E, nesse jogo din\u00e2mico, ir construindo uma obra significativa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"384\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2928\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-3.jpg 384w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2025\/11\/unnamed-3-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 384px) 100vw, 384px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivo pessoal da fonte <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Contato com Fernando Martins Parr\u00e9: fer_parre@hotmail.com&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Perfil no <em>Spotify<\/em>: <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/artist\/6hPvvCCV9uRT4Wd3qgTJl4?si=9yk-F2a4TbK_LLD76AlRsA&amp;nd=1&amp;dlsi=62bb4aa95f3043a2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Parr\u00e9 | Spotify<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><em>*Vin\u00edcius Nunes Alves&nbsp;\u00e9 bi\u00f3logo pela Unesp-IBB, mestre em Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o de Recursos Naturais pela UFU-Inbio e especialista em Jornalismo Cient\u00edfico pela Unicamp-Labjor. Foi professor substituto em Filosofia da Ci\u00eancia na Unesp-IBB e \u00e9 colunista no jornal Not\u00edcias Botucatu. Atua como professor de Ci\u00eancias na Prefeitura de Botucatu e como jornalista independente, colaborando em ve\u00edculos como O Eco, #Colabora, ComCi\u00eancia, Ci\u00eancia na Rua e Observat\u00f3rio da Imprensa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Premiado recentemente com Tocar Territ\u00f3rio em um festival internacional de cinema voltado ao meio ambiente e \u00e0 m\u00fasica, o pesquisador e artista de Botucatu revela <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2025\/11\/29\/um-abraco-entre-ciencia-e-arte-experiencias-de-fernando-parre\/\" title=\"Um abra\u00e7o entre Ci\u00eancia e Arte: experi\u00eancias de Fernando Parr\u00e9\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":615,"featured_media":2921,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[388,385,386,387],"class_list":["post-2916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-cuestabotucatu","tag-ecologiadapaisagemsonora","tag-fernandoparre","tag-tocarterritorio"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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