{"id":3112,"date":"2026-08-19T22:35:46","date_gmt":"2026-08-20T01:35:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/?p=3112"},"modified":"2026-09-17T22:07:54","modified_gmt":"2026-09-18T01:07:54","slug":"lucia-maria-paleari-trajetorias-concepcoes-e-experiencias-no-ensino-de-ciencias-e-na-construcao-da-mentalidade-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2026\/08\/19\/lucia-maria-paleari-trajetorias-concepcoes-e-experiencias-no-ensino-de-ciencias-e-na-construcao-da-mentalidade-cientifica\/","title":{"rendered":"Lucia Maria Paleari: trajet\u00f3rias, concep\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias no ensino de ci\u00eancias e na constru\u00e7\u00e3o da mentalidade cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Por T\u00e1ssia Oliveira Biazon\u00b9, Thiago Henrique Diniz\u00b2 e Vin\u00edcius Nunes Alves\u00b3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(vers\u00e3o revisada e atualizada em 17\/09\/2026)  <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Contextualiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Historicamente, a educa\u00e7\u00e3o brasileira exige habilidades de seus professores, sejam elas relativas aos conhecimentos espec\u00edficos da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o ou relativas aos conhecimentos pedag\u00f3gicos necess\u00e1rios a essa pr\u00e1tica, acrescidos, claro, de capacidades estruturais das redes municipal, estadual e federal de educa\u00e7\u00e3o. Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o resta d\u00favida, que \u00e9 desafiador lidar com a forma\u00e7\u00e3o de professores, de forma a capacit\u00e1-los com compet\u00eancias imprescind\u00edveis ao ensino de suas mat\u00e9rias espec\u00edficas e com habilidades para lidar com os obst\u00e1culos estruturais, enquanto, a grande velocidade das mudan\u00e7as sociais e tecnol\u00f3gicas, dos dias atuais, exigem empenho transindividual, para as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse profissional da educa\u00e7\u00e3o, preparado para tratar temas espec\u00edficos de forma interdisciplinar e contextualizada, ter\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o de proporcionar o desenvolvimento integral do aluno, por meio de ambientes estimulantes e experi\u00eancias criativas, que o levem \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade, das intera\u00e7\u00f5es e seus elos de interdepend\u00eancia, enquanto avan\u00e7a no processo de compreens\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, da sensibilidade para tratar o ambiente, as quest\u00f5es humanas e suas formas de express\u00e3o. Toda crian\u00e7a ou adolescente guarda potencialidades que podem e devem ser estimuladas. Quando se trata de estudantes oriundos de condi\u00e7\u00f5es socioculturais desfavor\u00e1veis, essa responsabilidade torna-se mais significativa: profissionais bem formados, dedicados e \u00e9ticos podem contribuir para ampliar repert\u00f3rios, proporcionar novas experi\u00eancias e favorecer o desenvolvimento cultural. \u00c9 nesse horizonte que se torna poss\u00edvel acreditar, em alguma medida, na transforma\u00e7\u00e3o dos jovens dentro de uma educa\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma refer\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de professores, com rigor, cuidado e profundidade, com \u00eanfase em Ensino-Aprendizagem, atuando principalmente no ensino de ci\u00eancias e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u00e9 a Lucia Maria Paleari, professora assistente doutora aposentada da Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho em 2017. Ela possui gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias F\u00edsicas e Biol\u00f3gicas pela Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e Biol\u00f3gicas de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 1976, gradua\u00e7\u00e3o em Pedagogia pela Faculdade de Ci\u00eancias e Letras Pl\u00ednio Augusto do Amaral (1990), mestrado em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 1987 e doutorado em Ecologia tamb\u00e9m pela Unicamp (1997), professora assistente doutora aposentada da Unesp em 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de seu rigor e sinceridade, Lucia promovia um ambiente que desestabilizava a zona de conforto emocional e intelectual do alunado, mas no longo prazo eram aulas que contribu\u00edam para a capacita\u00e7\u00e3o conceitual, procedimental e atitudinal no desafio laboral de atuar como professores engajados, cr\u00edticos e de base s\u00f3lida em Ci\u00eancias da Natureza. Com sua capacidade de sintetizar, descrever, contextualizar e conectar informa\u00e7\u00f5es da natureza, sobretudo quando ela explicava coisas corriqueiras com conhecimento de ci\u00eancia b\u00e1sica, ela fez muitos alunos pensarem e agirem na a\u00e7\u00e3o docente de forma mais criteriosa e curiosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que uma profiss\u00e3o, o professor \u00e9 um mobilizador que desempenha uma fun\u00e7\u00e3o singular na vida das pessoas promovendo uma reflex\u00e3o sobre diferentes faces do conhecimento sistematizado e acumulado. No epis\u00f3dio de abertura da s\u00e9rie Cosmos: Uma Odiss\u00e9ia do Espa\u00e7o-Tempo, o astr\u00f4nomo e divulgador cient\u00edfico Neil deGrasse Tyson ao se referir a Carl Sagan seu professor, disse que \u201cA Ci\u00eancia \u00e9 uma iniciativa de coopera\u00e7\u00e3o que cobre gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma passagem da tocha do professor para o aluno e de volta ao professor\u201d. Assim ocorre com este texto, alunos da fonte entrevistada que agora tamb\u00e9m s\u00e3o professores.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conversa agu\u00e7ada sem pressa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>I)<\/strong> <strong>Por que o c\u00e9u \u00e9 azul? Por que as abelhas produzem mel? Por que o peixe el\u00e9trico n\u00e3o toma choque? Por que sentimos frio quando sa\u00edmos da piscina e n\u00e3o nos enxugamos? Ter muitos porqu\u00eas \u00e9 associado mais \u00e0 inf\u00e2ncia. Conforme Rubem Alves dizia, as crian\u00e7as ainda t\u00eam olhos encantados. O que voc\u00ea destacaria para estimular e direcionar a curiosidade de uma crian\u00e7a sobre a Natureza? Diferente das crian\u00e7as, voc\u00ea considera que os adultos se aproximam mais da ci\u00eancia por necessidade e n\u00e3o por encanto? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os olhos encantados das crian\u00e7as brilham diante de bons desafios e precisam ser estimulados com poesia e beleza, que \u00e9 o que traduz a Natureza para povos de diferentes culturas. Quanto \u00e0s respostas que foram constru\u00eddas para fen\u00f4menos naturais, como resultados de testes e busca por coer\u00eancias explicativas, base do que denominamos de Ci\u00eancia, se n\u00e3o chegarem \u00e0 crian\u00e7a tamb\u00e9m com poesia e beleza, por meio de atividades e questionamentos capazes de desafiarem-na a encontrar explica\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis at\u00e9 adquirir os fundamentos cient\u00edficos, penso ser muito dif\u00edcil chegar \u00e0 fase adulta com encantamento pela Ci\u00eancia e respeito pela Natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais prov\u00e1vel \u00e9 que resultados cient\u00edficos alcan\u00e7ados, especialmente aqueles traduzidos em tecnologias e melhorias com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade ou ao entretenimento, sejam considerados apenas de forma utilitarista, n\u00e3o importando as poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para os fen\u00f4menos envolvidos ou os desafios que levaram a humanidade \u00e0s aplica\u00e7\u00f5es \u00fateis e at\u00e9 mesmo prazerosas. Talvez por isso nos deparamos com poucos cientistas e muitos pr\u00e1ticos, ainda que competentes, conduzindo pesquisas, que muitas vezes passam ao largo das quest\u00f5es \u00e9ticas e de justi\u00e7a social, em favor das vaidades e patentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>II)<\/strong> <strong>No pref\u00e1cio do livro \u201cO mundo assombrado pelos dem\u00f4nios &#8211; a ci\u00eancia vista como uma vela no escuro\u201d, o autor Carl Sagan reconhece a import\u00e2ncia dos seus professores, em especial os universit\u00e1rios, para sua forma\u00e7\u00e3o. Mas reconhece que seus pais foram ainda mais importantes por apresentarem a ele duas formas de pensar de dif\u00edcil conviv\u00eancia e centrais para o m\u00e9todo cient\u00edfico que s\u00e3o a admira\u00e7\u00e3o e o ceticismo. Pode nos contar quais s\u00e3o as suas principais influ\u00eancias que contribu\u00edram para o desenvolvimento da sua mentalidade e da sua jornada profissional? Houve algum momento, situa\u00e7\u00e3o ou pessoa que foi determinante para voc\u00ea escolher o caminho que trilhou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ceticismo salutar, especialmente entre acad\u00eamicos, me parece menos praticado do que o da confronta\u00e7\u00e3o. Confronta\u00e7\u00e3o que, ao inv\u00e9s de avan\u00e7os e corre\u00e7\u00f5es de rotas, tende a promover estagna\u00e7\u00e3o e atrasos, em disputas descabidas por notoriedade. Por isso, a forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter para o desenvolvimento de condutas ilibadas e percep\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, parece-me ser primordial para o exerc\u00edcio de pesquisas cient\u00edficas e de qualquer outra atividade humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo que me lembro dos tempos de inf\u00e2ncia, meados do s\u00e9culo XX, em cidade do interior paulista, havia a admira\u00e7\u00e3o pelo que proporcionavam as m\u00e1quinas, as vacinas, os cuidados com higiene, o controle de esp\u00e9cies indesejadas de insetos, como formigas e pernilongos, com venenos qu\u00edmicos etc. No entanto, n\u00e3o havia entre os adultos que eu conhecia, incluindo os meus pais, conhecimento que possibilitasse questionamentos sobre m\u00e9todo e teorias cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minha inf\u00e2ncia foi marcada por muitas brincadeiras e acompanhamento dos afazeres dos meus pais, ajudando nas tarefas ou apenas observando, mas sempre recebendo orienta\u00e7\u00f5es valiosas, que me permitem at\u00e9 hoje compreender assuntos diversos, saber fazer e ter autonomia para dar conta de diversas exig\u00eancias e problemas do cotidiano. Provavelmente com a participa\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios em espelho, garantindo essa forma de aprender sutil, de resultados t\u00e3o profundos quanto duradouros. Cresci conhecendo crian\u00e7as e adolescentes com defici\u00eancias f\u00edsicas devido \u00e0 poliomielite e uma coleguinha de escola prim\u00e1ria que morava em um corti\u00e7o, cuja m\u00e3e usava hexaclorobenzeno (BHC) para livrar a casa de pulgas. \u00c0 \u00e9poca, esse produto, que se acumula em tecido adiposo, era amplamente utilizado para matar formigas e foi causa de graves problemas de sa\u00fade e mortes at\u00e9 mesmo de agr\u00f4nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mais, a liberdade para brincar com as demais crian\u00e7as, subindo em \u00e1rvores, fazendo e empinando papagaio, barquinhos para navegar nas enxurradas das chuvas, amarelinha, bolinha de gude, e viajando em per\u00edodos de f\u00e9rias do meu pai para o litoral e o campo, tamb\u00e9m me permitiu o desenvolvimento de in\u00fameras habilidades, das quais tenho hoje a dimens\u00e3o da import\u00e2ncia no desenvolvimento inicial de capacidades cognitivas e motoras. Atividades que permitiam dimensionar for\u00e7a e dire\u00e7\u00e3o, manter equil\u00edbrio, desenvolver coordena\u00e7\u00e3o motora, habilidades finas, tomar decis\u00f5es, apreciar sabores e odores e com eles reconhecer grande variedade de plantas e frutos. Aprendia-se calcular sem n\u00fameros, resolver problemas inventando solu\u00e7\u00f5es criativas e perceber o ambiente com encantamento e sentimento de pertencimento. Um tempo muito rico de viv\u00eancias importantes com adultos que contavam suas hist\u00f3rias de vida, transmitindo os conhecimentos adquiridos, e com crian\u00e7as vizinhas com as quais se aprendia a interagir desenvolvendo estrat\u00e9gias individuais e em grupo durante as brincadeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No grupo escolar houve o primeiro contato com muitas crian\u00e7as de diferentes classes sociais e origens \u00e9tnicas (muitos italianos, espanh\u00f3is e africanos, poucos \u00e1rabes e japoneses); filhos de oper\u00e1rios como era o meu pai na movelaria, al\u00e9m de m\u00e9dicos, lavradores, comerciantes e pol\u00edticos da cidade. Inici\u00e1vamos no jardim de inf\u00e2ncia com brincadeiras, jogos de montar, livros cheios de imagens e diariamente com um momento dedicado ao descanso p\u00f3s-lanche, que garantia at\u00e9 mesmo o sono profundo de diversas crian\u00e7as. Ao final dessa etapa, ganhei de uma professora o livro \u201cO an\u00e3o e a filha do moleiro\u201d, como pr\u00eamio de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seguida, no ensino prim\u00e1rio, atual fundamental I, aprendi a ler, escrever e fazer as contas b\u00e1sicas da aritm\u00e9tica. No recreio t\u00ednhamos brincadeiras de roda, cantoria e, nas festinhas comemorativas, algumas encena\u00e7\u00f5es. Nessa etapa a austeridade da maioria das professoras era a norma. Uma delas, que foi minha professora no segundo ano, era bastante exigente, mas competente e dedicada, por isso, merecendo o meu reconhecimento at\u00e9 hoje; mas havia algumas que chegavam a ser cru\u00e9is. Ricos e pobres frequentavam os mesmos grupos escolares, que n\u00e3o eram \u201cescolas de lata\u201d, locais improvisados, mas estabelecimentos de ensino organizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em col\u00e9gio particular de freiras, no qual a elite era a maioria, cursei o ginasial, hoje fundamental II. Foram marcantes as aulas de ci\u00eancias, cujas experi\u00eancias simples com explica\u00e7\u00f5es do professor, permitiam adquirir conceitos principalmente de f\u00edsica a partir de fen\u00f4menos do cotidiano, al\u00e9m dos de biologia, com base em imagens para conhecimento de estruturas e fun\u00e7\u00f5es. Nessa \u00e9poca encantei-me pela l\u00edngua francesa, disciplina obrigat\u00f3ria desde o segundo ano. Canto orfe\u00f4nico, ingl\u00eas com novidades dos Beatles, l\u00edngua portuguesa e est\u00edmulo \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de textos para participa\u00e7\u00e3o em concursos e aulas de artes, que iam do bordado delicado e macram\u00ea ao corte e montagem de pe\u00e7as em madeira, nas quais a decora\u00e7\u00e3o era gravada com pir\u00f3grafo e depois pintada. Nessa fase vieram tamb\u00e9m os primeiros contatos com a hist\u00f3ria universal, grandes imp\u00e9rios, costumes e guerras em tempos antigos, que alimentavam a imagina\u00e7\u00e3o. Tudo dividindo o enorme interesse que surgira pelo v\u00f4lei, que pratic\u00e1vamos com treinador volunt\u00e1rio externo, no contraturno das aulas regulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No colegial, que substitu\u00eda o Cient\u00edfico e Cl\u00e1ssico e hoje corresponde ao ensino m\u00e9dio, eu estava novamente em escola p\u00fablica, e nesse per\u00edodo foi marcante a professora de qu\u00edmica, a quem devo todo o meu interesse pelos experimentos cient\u00edficos, registros organizados, questionamentos e explica\u00e7\u00f5es sobre fen\u00f4menos, conhecimentos sobre a teoria at\u00f4mica e rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas; o de biologia que nos apresentou os diversos grupos de seres vivos e conosco realizou atividades pr\u00e1ticas inesquec\u00edveis, bem como orientou pesquisas bibliogr\u00e1ficas que apresent\u00e1vamos oralmente e sobre as quais \u00e9ramos interrogados para que pud\u00e9ssemos demonstrar o que hav\u00edamos compreendido e n\u00e3o decorado sobre os assuntos. Tivemos tamb\u00e9m uma professora de geografia, t\u00e3o competente qu\u00e3o corajosa, que em pleno regime militar introduziu quest\u00f5es relevantes, especialmente ao tratar da constru\u00e7\u00e3o da transamaz\u00f4nica, o que nos despertou a consci\u00eancia para quest\u00f5es ambientais, sociais e pol\u00edticas. Nessa \u00e9poca a bossa-nova ganhou grande espa\u00e7o na minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caminho que trilhei desde ent\u00e3o parece ser resultado das circunst\u00e2ncias vivenciadas. Poderia ter sido mais musical e liter\u00e1rio, por exemplo, se eu tivesse me empenhado ou sido especialmente estimulada a me exercitar em canto ou algum instrumento, a ler e escrever com mais afinco, dando asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, ou eu poderia ter trilhado um caminho de produtora de alimentos, ou \u2014 quem sabe? \u2014 de cozinheira.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que provavelmente n\u00e3o teria mudado seria a forma de percep\u00e7\u00e3o e encantamento que tenho pela Natureza, a capacidade de observa\u00e7\u00e3o, o gosto por trabalhos pr\u00e1ticos e a busca para compreender fen\u00f4menos a partir dos elos, das intera\u00e7\u00f5es que marcam a complexidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por influ\u00eancia dos ambientes nos quais estive, o est\u00edmulo maior foi para seguir estudos, que a princ\u00edpio seriam em faculdade de farm\u00e1cia e bioqu\u00edmica, mas por considera\u00e7\u00f5es de um m\u00e9dico, pai de uma amiga, esse curso foi descartado em prol das ci\u00eancias biol\u00f3gicas, da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas e Biol\u00f3gicas de Botucatu (FCMBB), que, em 1976 foi reunida aos demais institutos e faculdades isolados do estado de SP, dando origem \u00e0 Universidade Estadual \u201cJ\u00falio de Mesquita Filho\u201d, UNESP. Na FCMBB, o inusitado foi a reuni\u00e3o dos estudantes das \u00e1reas biol\u00f3gica, m\u00e9dica (humana e veterin\u00e1ria) e agron\u00f4mica, para as aulas das disciplinas b\u00e1sicas nos dois primeiros anos. Entendia o Dr. M\u00e1rio Rubens Montenegro, excepcional professor, patologista e principal respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da FCMBB, que as teorias dos conhecimentos biol\u00f3gicos, fundadas na f\u00edsico-qu\u00edmica e matem\u00e1tica, eram as mesmas para aquelas diferentes \u00e1reas e respons\u00e1veis por diferenciar um bom t\u00e9cnico, capaz de operar, plantar e descrever seres vivos, de um m\u00e9dico, agr\u00f4nomo ou bi\u00f3logo, que deviam compreender processos fisiol\u00f3gicos e bioqu\u00edmicos integrados e tomar decis\u00f5es durante suas atua\u00e7\u00f5es, com base nesses conhecimentos; fazia parte dos atributos de um bom profissional questionar e investigar adequadamente os fen\u00f4menos. O n\u00famero de \u201cp\u00e9s\u201d que apresentam os seres vivos, por exemplo, n\u00e3o alterariam certos testes estat\u00edsticos, apenas permitiriam caracterizar, ajustar os exerc\u00edcios e interpreta\u00e7\u00f5es a laranjeiras, porcos e humanos. As disciplinas b\u00e1sicas das ci\u00eancias biol\u00f3gicas e da medicina eram equivalentes ao ponto de ser poss\u00edvel aos alunos interessados em biologia, cursar medicina a partir do terceiro ano se vagas houvesse. Hoje, acredito que poucos compreenderam a dimens\u00e3o e import\u00e2ncia da proposta, abandonada em prol da cria\u00e7\u00e3o de diversos cursos estanques com suas respectivas diretorias, pessoal administrativo e de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certamente devido a essa forma\u00e7\u00e3o, sempre me soou estranho especializa\u00e7\u00e3o precoce. Alunos que se especializam desde o primeiro ou segundo ano da faculdade, assumindo est\u00e1gio \u00fanico e posteriormente carreira de ensino e\/ou pesquisa nessa \u00e1rea, acabam tendo conhecimentos, atividades e vis\u00e3o estreitos, compartimentados, que desfavorecem interpreta\u00e7\u00f5es e compreens\u00e3o do todo.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, foi essa vis\u00e3o de conhecimentos estanques que avan\u00e7ou e determinou que o pr\u00f3prio curso de ci\u00eancias biol\u00f3gicas, estruturado em disciplinas estanques, perdesse algumas delas, justificando a implanta\u00e7\u00e3o de cursos independentes (ex.: biomedicina, nutri\u00e7\u00e3o e ecologia), que poderiam ser simplesmente especialidades definidas ao final da gradua\u00e7\u00e3o, quando o caminho j\u00e1 estivesse pavimentado de conceitos b\u00e1sicos, que permitiriam olhar mais adequadamente para a Natureza e investig\u00e1-la, como um todo complexo, integrado e n\u00e3o como algo constitu\u00eddo de partes desconexas, justapostas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>III)<\/strong> <strong>Voc\u00ea organizou o livro \u201cExperimentando Ci\u00eancia &#8211; teorias e pr\u00e1ticas para o ensino de biologia\u201d em uma disciplina sua de est\u00e1gio supervisionado. Na abertura do livro voc\u00ea defende que compreender e posicionar-se adequadamente diante de quest\u00f5es m\u00e9dico-sanit\u00e1rias, agr\u00edcolas e de sustentabilidade ambiental, passa, necessariamente, pela apropria\u00e7\u00e3o de conhecimentos de base das Ci\u00eancias Naturais. Pela sua experi\u00eancia, pode destacar casos evidentes de como a falta de conhecimento sobre as ci\u00eancias prejudica a cidadania ativa e respons\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente ouvi algu\u00e9m, em um supermercado, alertar um homem sobre os riscos \u00e0 sa\u00fade que representavam alguns dos alimentos que ele selecionara para levar, devido aos agrot\u00f3xicos que normalmente recebem na planta\u00e7\u00e3o, ao que o homem retrucou com emp\u00e1fia: \u201cMas n\u00f3s n\u00e3o estamos vivendo mais?\u201d Ser\u00e1 que lhe ocorrera que viver mais n\u00e3o equivale a viver bem, gozando de boa sa\u00fade? Ser\u00e1 que pensara no papel preponderante das vacinas e antibi\u00f3ticos, no aumento do tempo m\u00e9dio de vida da humanidade? Provavelmente ignorando a a\u00e7\u00e3o prejudicial dos venenos qu\u00edmicos no metabolismo dos seres vivos, as altas taxas de c\u00e2ncer e mortalidade entre lavradores que fazem uso dos agrot\u00f3xicos e o efeito acumulativo desses venenos nas cadeias alimentares, al\u00e9m da sele\u00e7\u00e3o de microrganismos e insetos herb\u00edvoros mais resistentes, que chance haveria desse homem opor-se a propostas oportunistas de parlamentares para libera\u00e7\u00e3o de novos tipos de agrot\u00f3xicos? Que chance haveria desse homem orientar adequadamente seus filhos sobre essas quest\u00f5es em prol de um mundo mais salutar e harmonioso? Em outra situa\u00e7\u00e3o, um senhor mandou perfurar um po\u00e7o d\u2019\u00e1gua em sua ch\u00e1cara que fica \u00e0 beira de um rio. Depois de ver a \u00e1gua cristalina que dali sa\u00edra, considerou improcedente a sugest\u00e3o de um amigo, para analisar aquela \u00e1gua, porque n\u00e3o s\u00f3 estava cristalina, como localizada a dezenas de metros da superf\u00edcie do solo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se no in\u00edcio da escolaridade a crian\u00e7a n\u00e3o desenvolve certos conceitos b\u00e1sicos, realizando experimentos simples e observa\u00e7\u00f5es no campo, para compreender fen\u00f4menos como o das intemp\u00e9ries e seres vivos transformando rochas em solos, que al\u00e9m de diferentes estruturas e composi\u00e7\u00f5es f\u00edsico-qu\u00edmicas, integram-se a microrganismos, animais e plantas, que os transformam e promovem a ciclagem de nutrientes, \u00e9 improv\u00e1vel que ela incorpore os conhecimentos e consiga lan\u00e7ar m\u00e3o deles para entender e saber explicar eventos inter-relacionados, como aqueles presentes nos dois fatos relatados.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como poder\u00e1 compreender a natureza e extens\u00e3o das consequ\u00eancias de determinadas condutas humanas? Como posicionar-se conscientemente, com argumenta\u00e7\u00e3o fundamentada e apoiando propostas visando o bem-estar do conjunto dos seres vivos e ambiente, sem conhecimentos pertinentes? Sem os conhecimentos de base das ci\u00eancias naturais, \u00e9 imposs\u00edvel questionar a produ\u00e7\u00e3o atual de alimentos em monoculturas cada vez mais extensas, com safras, entressafras, safrinhas, sementes transg\u00eanicas, pr\u00e1ticas de aduba\u00e7\u00e3o inorg\u00e2nica e aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos visando superprodu\u00e7\u00e3o a pretexto de matar a fome de um planeta superpopuloso; tampouco \u00e9 poss\u00edvel encontrar inconsist\u00eancia entre o fato de a humanidade ter ampliado o tempo de vida m\u00e9dio por meio do papel protetor das vacinas e o oportunismo pol\u00edtico nefasto de uma campanha antivacina\u00e7\u00e3o em plena pandemia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"3155\" 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class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IV)<\/strong> <strong>Para agu\u00e7ados entendedores, o funcionamento da natureza s\u00f3 pode ser explicado integralmente com o cruzamento e entendimento de informa\u00e7\u00f5es de todas as Ci\u00eancias da Natureza. Em um dos cap\u00edtulos do livro \u201cExperimentando Ci\u00eancia\u201d, por exemplo, fica claro que para entender a locomo\u00e7\u00e3o de peixes \u00f3sseos, \u00e9 necess\u00e1rio passar por informa\u00e7\u00f5es de biologia, qu\u00edmica e f\u00edsica. Com base no seu conhecimento e experi\u00eancia, comente exemplos de como a interdisciplinaridade nos ajuda a entender fen\u00f4menos naturais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certa vez, eu soube que uma professora de geografia que atuava nos sextos e s\u00e9timos anos do ensino fundamental II, comentou sobre dificuldades para desenvolver sua disciplina depois que me afastei das aulas para fazer o doutorado. Aos alunos, faltavam habilidade e conhecimento para coletar dados, construir e interpretar tabelas e gr\u00e1ficos \u2014 atividades comuns em experimentos e trabalhos de campo em aulas de ci\u00eancias que eu orientava \u2014 mas tamb\u00e9m faltavam conceitos b\u00e1sicos comuns a ambas as disciplinas, como o de densidade. Conceito \u00fatil em explica\u00e7\u00f5es de fen\u00f4menos como o da sobreviv\u00eancia de indiv\u00edduos da flora e fauna de lagos profundos congel\u00e1veis no inverno, e de eventuais varia\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas e comportamentais de esp\u00e9cies sob a\u00e7\u00e3o de fatores f\u00edsicos e biol\u00f3gicos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Densidade \u00e9 um exemplo do que denomino de conceito-chave, que acompanhado de outros igualmente fundamentais, permitem a constru\u00e7\u00e3o de uma rede de conhecimentos significativos, que transcendem os limites de uma disciplina e permitem compreender os fen\u00f4menos da Natureza. Outro exemplo interessante, \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o dos \u201cRios voadores\u201d que vindos da Amaz\u00f4nia e desviados na Cordilheira dos Andes, impedem que o sudeste do Brasil seja des\u00e9rtico. Fen\u00f4meno cuja compreens\u00e3o passa por conhecimentos f\u00edsicos, geol\u00f3gicos, ecol\u00f3gicos e hist\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3187\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-1024x768.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-300x225.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-768x576.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-500x375.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-800x600.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-1280x960.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-678x509.png 678w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-326x245.png 326w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14-80x60.png 80w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_02_14.png 1448w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Avalia\u00e7\u00e3o de Feira de Ci\u00eancias coordenada por Lucia Maria Paleari e organizada por turma da licenciatura em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas do IBB-Unesp (arquivo pessoal da entrevistada)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V) Com base na sua experi\u00eancia profissional tanto na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica quanto no Ensino Superior, poderia comentar sobre a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o inicial para a constru\u00e7\u00e3o do professor de Ci\u00eancias da Natureza para atuar na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica? Quais contribui\u00e7\u00f5es o docente universit\u00e1rio pode fazer para a constru\u00e7\u00e3o inicial desse profissional?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se algu\u00e9m decide ser professor apenas porque nada mais deu certo, express\u00e3o de muitos dos alunos que vi chegar \u00e0 licenciatura em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, certamente ser\u00e1 um professor frustrado prestando um desservi\u00e7o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de seus alunos, sejam eles da gradua\u00e7\u00e3o ou do ensino fundamental. Entendo que o professor deve ter amplo e profundo conhecimento das \u00e1reas espec\u00edficas do seu curso, para que todos os temas possam ser adequadamente tratados com as crian\u00e7as e adolescentes. Ao mesmo tempo, n\u00e3o poder\u00e1 abdicar de contribui\u00e7\u00f5es da psicologia, neuroci\u00eancias e pr\u00e1tica de ensino, que t\u00eam dado importantes contribui\u00e7\u00f5es para que se possa lidar com turmas que, em geral, s\u00e3o compostas de grande n\u00famero de alunos, diversos quanto \u00e0s estruturas e influ\u00eancias familiares, quanto aos talentos para esta ou aquela \u00e1rea, quanto \u00e0 capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o etc. Por isso, envolv\u00ea-los em um mesmo tema e atividade pode ser bem mais desafiador e com grandes chances de frustra\u00e7\u00e3o, se o professor especialista n\u00e3o tiver antes de tudo dom\u00ednio do conte\u00fado espec\u00edfico, necess\u00e1rio para preparar boas aulas, intelectualmente honestas com estrat\u00e9gias bem elaboradas para desafiar e envolver os presentes, sem dogmatismos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Suprimir ou tratar com superficialidade e inadequa\u00e7\u00e3o certos assuntos, por falta de dom\u00ednio ou porque desafiam cren\u00e7as e preconceitos, \u00e9 desonesto, por isso inadmiss\u00edvel. Ter dom\u00ednio do conhecimento espec\u00edfico me parece condi\u00e7\u00e3o primordial para que a pr\u00e1tica no n\u00edvel b\u00e1sico de ensino aconte\u00e7a e resulte na elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de ensino bem elaboradas e ajust\u00e1veis a realidades de diferentes escolas e grupos diferentes de estudantes. O mesmo se espera do professor universit\u00e1rio, durante as disciplinas da gradua\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o impingir aos graduandos os seus pr\u00f3prios dogmas. Nas suas aulas, conhecimento e honestidade intelectual s\u00e3o fundamentais para que as teorias cient\u00edficas mais aceitas e suas concorrentes sejam igualmente apresentadas como verdades provis\u00f3rias e acompanhadas das suas limita\u00e7\u00f5es e incompletudes.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A meu ver, essa conduta \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o mais valorosa de um professor universit\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o de graduandos como seres pensantes, questionadores, abertos ao debate com boa argumenta\u00e7\u00e3o, respeitadores de opini\u00f5es diversas e n\u00e3o meros reprodutores das verdades apresentadas dogmaticamente. Sigam eles que carreiras forem, ter\u00e3o como contribuir para constru\u00e7\u00f5es coletivas valorosas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3189\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-2048x1368.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-500x334.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-800x534.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-1280x855.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-1920x1283.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Comunitaria_EstudoDaAgua-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Atividade realizada na Escola Comunit\u00e1ria de Campinas (SP), sob orienta\u00e7\u00e3o de Lucia Maria Paleari, \u00e0 \u00e9poca professora de Ci\u00eancias. O estudo da \u00e1gua incluiu visitas \u00e0s esta\u00e7\u00f5es de capta\u00e7\u00e3o e tratamento, com registros dos processos e materiais, al\u00e9m de medi\u00e7\u00f5es das dimens\u00f5es das instala\u00e7\u00f5es, para constru\u00e7\u00e3o de uma maquete<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3191\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-300x200.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-768x512.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-500x333.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-800x533.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-1280x853.png 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49-272x182.png 272w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-21_48_49.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arquivos pessoais da entrevistada: Atividades realizadas por integrantes do Projeto Colorir \u2013 acima, pintura da parede externa do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o do IBB\/Unesp, atualmente, Departamento de Ci\u00eancias Humanas e Ci\u00eancias da Nutri\u00e7\u00e3o e Alimenta\u00e7\u00e3o (primeira imagem); abaixo, estudo de uma carta cartogr\u00e1fica para constru\u00e7\u00e3o de maquete, em escala, com o relevo do Parque Natural Municipal da Cachoeira da Marta \u2013 Botucatu\/SP, sob orienta\u00e7\u00e3o da engenheira florestal, Renata Cristina Batista Fonseca<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VI)<\/strong> <strong>O professor e especialista Pedro Demo defende, em seu livro \u201cEducar pela pesquisa\u201d, que a pesquisa \u00e9 um princ\u00edpio cient\u00edfico e educativo, sendo que ela deve ser incorporada no processo de ensino-aprendizagem. Considerando a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das universidades na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o e as atividades de ensino-aprendizagem que ocorrem nas escolas, quais s\u00e3o os pontos de aproxima\u00e7\u00e3o e distanciamento relacionados a essas pr\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base na minha experi\u00eancia tanto no ensino fundamental e m\u00e9dio, como na gradua\u00e7\u00e3o, me parece que as pesquisas que s\u00e3o desenvolvidas na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o geralmente n\u00e3o d\u00e3o suporte te\u00f3rico aos alunos em forma\u00e7\u00e3o para que suas pr\u00e1ticas favore\u00e7am o aprendizado das ci\u00eancias. Por isso, acredito que haja mais pontos de distanciamento do que de aproxima\u00e7\u00e3o entre produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em educa\u00e7\u00e3o e as pr\u00e1ticas de ensino conduzidas nas escolas de ensino fundamental e m\u00e9dio. Alunos de cursos de licenciatura queixam-se da falta de pr\u00e1ticas de ensino durante a forma\u00e7\u00e3o para a doc\u00eancia, no caso de ci\u00eancias e biologia, que, no primeiro momento, poderiam ser desenvolvidas em classes experimentais, um tipo de laborat\u00f3rio com grupos de adolescentes volunt\u00e1rios, como j\u00e1 se fez outrora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a quest\u00e3o \u00e9 saber como determinados temas e conceitos deveriam ser tratados de forma a permitir o aprendizado, \u00e9 preciso construir estrat\u00e9gias e reunir materiais apropriados para realizar o trabalho de ensino, que poder\u00e1 gerar dados de pesquisa para entendimento de poss\u00edveis caminhos de pensamento percorridos pelos alunos para a constru\u00e7\u00e3o de conceitos e ideias. Para pesquisas em ensino-aprendizagem, \u00e9 imprescind\u00edvel o dom\u00ednio do conte\u00fado espec\u00edfico a ser ensinado e de contribui\u00e7\u00f5es de \u00e1reas correlatas do conhecimento para que do planejamento \u00e0s an\u00e1lises dos resultados haja suporte te\u00f3rico adequado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VII)<\/strong> <strong>Iniciativas como o Clube de Ci\u00eancias, que estimulava adolescentes a compreender quest\u00f5es cient\u00edficas por meio da experimenta\u00e7\u00e3o e que foi desenvolvido por voc\u00ea na EMEF Dr. Jo\u00e3o Maria de Araujo Jr., na cidade de Botucatu. Esse Clube trouxe contribui\u00e7\u00f5es que se diferenciam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s propostas pedag\u00f3gicas dos livros did\u00e1ticos oficiais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boa parte dos adolescentes tem curiosidade e gosta de p\u00f4r a m\u00e3o na massa para investigar e descobrir coisas. Quando as propostas de ensino contemplam essas possibilidades, em geral h\u00e1 engajamento. Muitas das propostas para o ensino de ci\u00eancias que vi em livros did\u00e1ticos relativamente recentes subestimam a capacidade intelectual e de empreendimento dos adolescentes. Dessa forma, n\u00e3o vejo como eles poderiam desenvolver os conceitos fundamentais da \u00e1rea para compreender fen\u00f4menos e ter autonomia para ampliar o conhecimento cient\u00edfico por meio de leituras e us\u00e1-lo tamb\u00e9m para entendimento de quest\u00f5es sociais relacionadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1278\" height=\"941\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3182\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24.png 1278w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24-300x221.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24-1024x754.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24-768x565.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24-500x368.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24-800x589.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/ChatGPT-Image-19-de-ago.-de-2026-20_18_24-80x60.png 80w\" sizes=\"(max-width: 1278px) 100vw, 1278px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Atividades do Clube de Ci\u00eancias: em sala preparada na Escola Municipal de Ensino Fundamental \u201cDr. Jo\u00e3o Maria de Ara\u00fajo Jr., quando observam<s>\u00e7\u00e3o<\/s> <s>d<\/s>o comportamento do nitrog\u00eanio l\u00edquido (primeira imagem); Visita did\u00e1tica ao Museu Catavento em S\u00e3o Paulo\/SP, experimentando efeitos da corrente el\u00e9trica no corpo, com orienta\u00e7\u00e3o de um amonitor da \u00e1rea de f\u00edsica (segunda imagem)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VIII) Voc\u00ea investigou por anos as estruturas glandulares da planta <em>Croton glandulosus<\/em> &#8211; conhecida popularmente como carv\u00e3o-branco e erva peluda &#8211; bem como os insetos visitantes dela. Essa planta herb\u00e1cea ou subarbustiva ocorre em todos os biomas brasileiros e tem intera\u00e7\u00e3o com predadores e parasitoides, como o besourinho que voc\u00ea descobriu e foi batizado com seu sobrenome <em>Coelocephalapion paleariae<\/em>. O dito cujo se alimenta de sementes, folhas jovens e n\u00e9ctar de <em>C. glandulosus<\/em>. Se voc\u00ea fosse sintetizar os achados mais curiosos desse sistema planta-insetos para um p\u00fablico amplo, o que compartilharia? Quais pontes criativas voc\u00ea usaria para o letramento cient\u00edfico de jovens que est\u00e3o entrando em contato com tricomas, gl\u00e2ndulas, parasitoides e predadores?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses achados, eu acredito que j\u00e1 sintetizei nas mat\u00e9rias publicadas no blog <a href=\"blank\">www.projetocroton.blogspot.com.br<\/a>. Em dado momento, me ocorreu a ideia de produzir e introduzir uma hist\u00f3ria em quadrinhos protagonizada por Clarice, um microhimen\u00f3ptero do g\u00eanero <em>Conura<\/em>, visitante de nect\u00e1rios extraflorais. Infelizmente o projeto n\u00e3o foi adiante, porque dependeria de parceria com uma bi\u00f3loga especialista em ilustra\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o p\u00f4de assumir a empreitada. Dona de um tra\u00e7o delicado e expressivo, ela certamente encantaria o leitor e o envolveria em uma aventura repleta de curiosidades, desafios e beleza pelo interior de <em>C. glandulosus<\/em>, onde estruturas e processos bioqu\u00edmicos integrados seriam revelados \u00e0 luz dos contextos interativos internos e externos, que definem o padr\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o que se detecta entre planta e artr\u00f3podes associados. Clarice, por meio de um processo fant\u00e1stico de redu\u00e7\u00e3o, embarcaria em uma nanoc\u00e1psula para sua viagem explorat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"591\" height=\"611\" data-id=\"3138\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/07\/2_Coelocephalapion_Figura_2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3138\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/07\/2_Coelocephalapion_Figura_2.jpg 591w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/07\/2_Coelocephalapion_Figura_2-290x300.jpg 290w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/07\/2_Coelocephalapion_Figura_2-500x517.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"943\" data-id=\"3180\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_MicroscopiaEletronica-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3180\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_MicroscopiaEletronica-1.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_MicroscopiaEletronica-1-300x276.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_MicroscopiaEletronica-1-768x707.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_MicroscopiaEletronica-1-500x460.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_MicroscopiaEletronica-1-800x737.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1706\" data-id=\"3179\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3179\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-500x333.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-800x533.jpg 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-1920x1280.jpg 1920w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Coelocephalapion-paleariae_NectarCampo-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arquivos pessoais da entrevistada: fotografias de<em> Coelocephalapion paleariae<\/em>, sendo a primeira em lupa, a segunda em microscopia eletr\u00f4nica de varredura e a terceira em campo <\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>IX) O conhecimento pode ser entendido como o resultado de um processo de assimila\u00e7\u00e3o, associa\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es. Mas, atualmente, o ritmo de vida acelerado e o excesso de informa\u00e7\u00f5es e desinforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 um contexto favor\u00e1vel para formar conhecimento. Como voc\u00ea costuma filtrar, acumular e aplicar as informa\u00e7\u00f5es para tecer seu conhecimento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para desenvolvimento de assunto busco fontes variadas, originais e confi\u00e1veis, nas quais eu possa acessar a totalidade dos dados obtidos e apresentados. O filtro, depende do conjunto de conhecimentos que eu teria reunido anteriormente e da coer\u00eancia entre eles. Eu n\u00e3o uso redes sociais e n\u00e3o sinto falta. N\u00e3o sou consumidora de informa\u00e7\u00f5es que, em geral, n\u00e3o contribuem para melhorar a vida, dar sentido ao que fazemos. Penso que com a quantidade de produ\u00e7\u00e3o pouco relevante ou descart\u00e1vel que inunda notici\u00e1rios escritos, televisivos, canais da internet e at\u00e9 mesmo revistas cient\u00edficas, talvez as pessoas acabem se voltando a bons livros, inclusive antigos, para releituras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>X) \u201cQuantos humanos j\u00e1 n\u00e3o iniciaram uma nova era em suas vidas ao ler um livro?\u201d, disse Henry David Thoreau. Cite algumas refer\u00eancias (livros, document\u00e1rios e autores) que voc\u00ea considera imprescind\u00edveis para a forma\u00e7\u00e3o de professores de Ci\u00eancias da Natureza.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando a pouca aten\u00e7\u00e3o que se verifica em grades curriculares e\/ou abordagem de assuntos de f\u00edsica, astronomia e hist\u00f3ria de conhecimentos ind\u00edgenas e dos colonizadores, eu destacaria, por proporcionar reflex\u00f5es, abordagens sist\u00eamicas e discuss\u00f5es enriquecedoras:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Livros: Um pouco mais de azul, de Hubert Reeves; Infinito em todas as dire\u00e7\u00f5es, de Freeman Dyson; O quinto milagre, de Paul Davies; Bilh\u00f5es de Bilh\u00f5es e O mundo assombrado pelos dem\u00f4nios, ambos de Carl Sagan; A ferro e fogo, de Warren Dean; Primavera silenciosa, de Rachel Carson; Improving Nature, de Michael J. Reiss e Roger Straughan; Os pr\u00f3ximos cem anos, de Jonathan Weiner; A \u00e1rvore do conhecimento, de Humberto R. Maturana e Francisco J. Varela; A teia da vida e As conex\u00f5es ocultas, ambos de Fritjof Capra; Prel\u00fadio para uma hist\u00f3ria, de Shozo Motoyama; A queda do c\u00e9u, de Davi Kopenawa e Bruce Albert; This Changing World, de Samuel Ralph Powers, Elsie Flint Neuner e Hebert Bascom Bruner; O naturalista amador \u2013 Um guia pr\u00e1tico ao mundo da Natureza, de Gerald Durrell.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Filmes e document\u00e1rios: Cosmos \u2013 Mundos poss\u00edveis (2020), baseado no original de Carl Sagan, com coautoria de Ann Druyan e Steven Soter; O ponto de muta\u00e7\u00e3o, de Bernt Amadeus Capra, baseado no livro O Ponto de Muta\u00e7\u00e3o de Fritjof Capra e a s\u00e9rie de document\u00e1rios, Caminhos e Parcerias, de Neide Duarte, produzida pela TV Cultura de S\u00e3o Paulo, que trata com poesia e olhar acurado as belezas e mazelas de popula\u00e7\u00f5es brasileiras, que revelam seus contextos sociais, ambientais, hist\u00f3ricos e educacionais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"572\" height=\"521\" data-id=\"3195\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Frutas-e-seus-frugivoros-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3195\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Frutas-e-seus-frugivoros-2.jpg 572w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Frutas-e-seus-frugivoros-2-300x273.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Frutas-e-seus-frugivoros-2-500x455.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 572px) 100vw, 572px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"429\" height=\"575\" data-id=\"3196\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Pao-recheado-de-historias-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3196\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Pao-recheado-de-historias-1-1.jpg 429w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/wp-content\/uploads\/sites\/172\/2026\/08\/Pao-recheado-de-historias-1-1-224x300.jpg 224w\" sizes=\"(max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Capas de alguns dos livros de acesso aberto da entrevistada<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mensagem final <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em s\u00edntese, vislumbramos que o percurso formativo e as reflex\u00f5es de Lucia Maria Paleari reafirmam que educar em ci\u00eancias \u00e9 muito mais do que transmitir conte\u00fados: \u00e9 cultivar o encantamento aliado ao rigor, a curiosidade acompanhada de m\u00e9todo e a interdisciplinaridade sustentada por s\u00f3lidos conceitos de base. Em um tempo marcado por tantos desafios como a fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento, o excesso de informa\u00e7\u00f5es superficiais e a crise no sistema educacional, durante a entrevista, compreendemos que uma forma\u00e7\u00e3o ampla, \u00e9tica e humanizadora constitui um dos alicerces para a prepara\u00e7\u00e3o da mentalidade cient\u00edfica de docentes comprometidos com um ensino de ci\u00eancias que interaja com o cotidiano dos jovens, contribuindo com a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos cr\u00edticos, sens\u00edveis e respons\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para saber mais<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group is-vertical is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-4fc3f8e1 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ALVES,&nbsp;Rubem. <strong>A alegria de ensinar.<\/strong> Campinas: Papirus, 2000. <\/li>\n\n\n\n<li>CLUBE DE CI\u00caNCIAS: Escola municipal Dr. Jo\u00e3o Maria de Ara\u00fajo Jr. Lucia Maria Paleari, 2014. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/luciamariapaleari.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/luciamariapaleari.blogspot.com\/<\/a>.<\/li>\n\n\n\n<li>COSMOS: Uma Odisseia do Espa\u00e7o-Tempo. Dire\u00e7\u00e3o: Brannon Braga; Bill Pope; Ann Druyan. Estados Unidos: Cosmos Studios e Fuzzy Door Productions, 2014. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.natgeotv.com\/pt\/series\/natgeo\/cosmos-odisseia-no-espaco-1. <\/li>\n\n\n\n<li>DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. 8\u00aa ed. Campinas: Editores Associados, 2007. <\/li>\n\n\n\n<li>OLIVEIRA, Silvaney de; GUIMAR\u00c3ES, Orliney Maciel; FERREIRA, Jacques de Lima. As entrevistas semiestruturadas na pesquisa qualitativa em educa\u00e7\u00e3o. Revista Linhas, Florian\u00f3polis, v. 24, n. 55, p. 210\u2013236, 2023. <\/li>\n\n\n\n<li>PALEARI, Lucia Maria; CAMPOS, Raquel Sanzovo Pires; OTSUKA, Helton; CARVALHO, Marina Begali. <strong>Experimentando Ci\u00eancia: teorias e pr\u00e1ticas para o ensino da biologia. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Cultura Acad\u00eamica e Unesp, 2011.<\/li>\n\n\n\n<li>PALEARI, Lucia Maria. <strong>Um p\u00e3o recheado de hist\u00f3rias<\/strong>. S\u00e3o Paulo: O Autor, 2021. PDF. ISBN 978-65-00-18020-6. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/redesans.com.br\/rede\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/LuciaMariaPaleari_UmP%C3%A3oRecheadoDeHist%C3%B3rias_2021_e_book-1.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rede SANS<\/a>.<\/li>\n\n\n\n<li>SAGAN, Carl. <strong>O mundo assombrado pelos dem\u00f4nios: a ci\u00eancia vista como uma vela no escuro.<\/strong>&nbsp;S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1996.&nbsp;<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>\u00b9T\u00e1ssia Oliveira Biazon<\/strong> \u00e9 bi\u00f3loga pela Unesp-IBB e pela Universidade de Coimbra, especialista em Jornalismo Cient\u00edfico pela Unicamp-Labjor e mestre em Gen\u00e9tica e Biologia Molecular pela Unicamp-IB. Atualmente cursa sua segunda gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia de Dados na Univesp, leciona Programa\u00e7\u00e3o e Rob\u00f3tica na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica na Rede Sesi e \u00e9 colunista no Instituto Ci\u00eancia Hoje.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>\u00b2Thiago Henrique Diniz <\/em><\/strong><em>\u00e9 bi\u00f3logo pela Unesp-IBB e pela Universidade de Coimbra, mestre em Educa\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia pela UNESP-FC. \u00c9 formado em An\u00e1lise e Desenvolvimento de Sistemas pela Fatec Botucatu. Atua como professor de Ci\u00eancias e Qu\u00edmica na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e como programador j\u00fanior.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>\u00b3Vin\u00edcius Nunes Alves <\/em><\/strong><em>\u00e9 bi\u00f3logo pela Unesp-IBB, mestre em Ecologia pela UFU-Inbio e especialista em Jornalismo Cient\u00edfico pela Unicamp-Labjor. Atualmente cursa sua segunda gradua\u00e7\u00e3o em Pedagogia na Univesp e doutorado em Educa\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia na Unesp\/FC. Atua como Professor de Ci\u00eancias da Prefeitura de Botucatu e como jornalista aut\u00f4nomo, sendo colaborador de ve\u00edculos como ((o))eco, #Colabora e ComCi\u00eancia.&nbsp;\u00c9 membro da Academia de Letras do Brasil (ALB) &#8211; Seccional Botucatu-SP.&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Por T\u00e1ssia Oliveira Biazon\u00b9, Thiago Henrique Diniz\u00b2 e Vin\u00edcius Nunes Alves\u00b3 (vers\u00e3o revisada e atualizada em 17\/09\/2026) Contextualiza\u00e7\u00e3o Historicamente, a educa\u00e7\u00e3o brasileira exige habilidades de <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/naturezacritica\/2026\/08\/19\/lucia-maria-paleari-trajetorias-concepcoes-e-experiencias-no-ensino-de-ciencias-e-na-construcao-da-mentalidade-cientifica\/\" title=\"Lucia Maria Paleari: trajet\u00f3rias, concep\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias no ensino de ci\u00eancias e na constru\u00e7\u00e3o da mentalidade 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