{"id":189,"date":"2018-09-05T18:08:34","date_gmt":"2018-09-05T21:08:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/?p=189"},"modified":"2018-09-05T20:35:46","modified_gmt":"2018-09-05T23:35:46","slug":"voce-sabe-o-que-e-neofobia-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/2018\/09\/05\/voce-sabe-o-que-e-neofobia-alimentar\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea sabe o que \u00e9 Neofobia Alimentar?"},"content":{"rendered":"<p>O nome pode parecer estranho. Por\u00e9m, um n\u00famero significativo de pessoas tem ou j\u00e1 teve esse comportamento em alguma fase da vida, principalmente na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas, o que \u00e9 neofobia alimentar? E como ela pode influenciar na resist\u00eancia em mudar os h\u00e1bitos alimentares?<\/p>\n<p><span style=\"color: #993366\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;color: #800080\">Neofobia alimentar \u00e9 literalmente o \u201cmedo de alimentos novos\u201d<\/span>.<\/strong><\/span> \u00c9 um comportamento caracterizado pela rejei\u00e7\u00e3o ou recusa de alimentos n\u00e3o familiares. Trata-se de uma resist\u00eancia individual em comer e\/ou experimentar &#8220;novos&#8221; alimentos, ou seja, alimentos diferentes do padr\u00e3o habitual de consumo.<\/p>\n<p>Comum em crian\u00e7as, tamb\u00e9m pode prevalecer em adolescentes, adultos e em idosos pela intera\u00e7\u00e3o entre fatores gen\u00e9ticos e ambientais.<\/p>\n<h3><strong>Causas da Neofobia Alimentar:<\/strong><\/h3>\n<ol>\n<li>Hereditariedade, ou seja, pais com neofobia alimentar podem ter filhos com esse comportamento;<\/li>\n<li>Hipersensibilidade ao gosto amargo &#8211; causada pelo polimorfismo no gene TAS2R38 &#8211; leva a uma alta percep\u00e7\u00e3o do amargo e rejei\u00e7\u00e3o de alguns tipos de verduras, legumes e frutas;<\/li>\n<li>Pr\u00e1ticas alimentares restritivas, al\u00e9m de caracter\u00edsticas culturais e socio-demogr\u00e1ficas que levem a monotonia alimentar;<\/li>\n<li>Emo\u00e7\u00f5es negativas associadas \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao alimento podem contribuir para recusas alimentares na inf\u00e2ncia, adolesc\u00eancia e vida adulta.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Portanto, o conhecimento e a experi\u00eancia pessoal e familiar influenciam o interesse em experimentar alimentos diferentes do habitual.<\/p>\n<p>Assim, pessoas expostas a diversas pr\u00e1ticas e culturas alimentares, de forma harm\u00f4nica e sem pr\u00e9-conceito, podem ser menos neof\u00f3bicas. E, assim, apresentarem maior interesse em experimentar alimentos novos.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-210 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/FRUTAS-2-300x196.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/FRUTAS-2-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/FRUTAS-2-768x502.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/FRUTAS-2.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>De maneira pr\u00e1tica, os alimentos s\u00e3o rejeitados pela falta de est\u00edmulos internos ou externos para consumi-los por raz\u00f5es como:<\/p>\n<ul>\n<li>Apar\u00eancia, textura, temperatura, n\u00e3o familiaridade com o alimento e extremos de varia\u00e7\u00e3o de gostos, seja por ser muito doce\/salgado ou pouco doce\/salgado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Entretanto, <em><u>quando se remete ao gosto, o amargo \u00e9 o mais frequentemente rejeitado.<\/u><\/em>\u00a0E esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual \u00e9 necess\u00e1rio um tempo para desenvolver &#8220;o paladar&#8221; para determinados alimentos como algumas hortali\u00e7as, por exemplo.<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia por alimentos amargos pode ser desenvolvida por exposi\u00e7\u00f5es frequentes ao alimento e por experi\u00eancias positivas relacionadas ao seu consumo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-215 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/caf\u00e9-1-239x300.jpg\" alt=\"\" width=\"102\" height=\"128\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/caf\u00e9-1-239x300.jpg 239w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/caf\u00e9-1.jpg 427w\" sizes=\"(max-width: 102px) 100vw, 102px\" \/>Um exemplo disso \u00e9 o consumo de caf\u00e9 que, apesar do gosto amargo caracter\u00edstico, \u00e9 apreciado mundialmente. Al\u00e9m disso, seu consumo \u00e9 associado positivamente a momentos em fam\u00edlia, pausa para o descanso e conv\u00edvio social.<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333\">Sobre a resist\u00eancia da maioria das pessoas em n\u00e3o tomar caf\u00e9 sem a\u00e7\u00facar ou ado\u00e7ante, a neofobia ao gosto amargo pode ser uma explica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Neofobia Alimentar e Evolu\u00e7\u00e3o Humana:<\/strong><\/h3>\n<ul style=\"list-style-type: square\">\n<li>A neofobia relacionada ao gosto amargo \u00e9 uma quest\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie humana. Em se tratando de instinto de sobreviv\u00eancia, nossos ancestrais consideravam o amargor como um sinal para rejeitar o consumo de alimentos deteriorados ou potencialmente t\u00f3xicos (dilema do on\u00edvoro).<\/li>\n<li>Todavia, uma consequ\u00eancia evolucion\u00e1ria de se considerar o gosto amargo como um sinal de toxicidade \u00e9 que as pessoas passaram a rejeitar n\u00edveis baixos de amargor que n\u00e3o s\u00e3o nocivos a esp\u00e9cie humana.<\/li>\n<li>Assim, o que era um mecanismo de sobreviv\u00eancia no passado, atualmente pode ser um fator prejudicial \u00e0 sa\u00fade.<\/li>\n<li>Pesquisas mostram que a neofobia \u00e9 associada ao baixo consumo de frutas e hortali\u00e7as e ao elevado consumo de a\u00e7\u00facares.<\/li>\n<li>Al\u00e9m disso, pessoas com alta neofobia e resist\u00eancia em mudar h\u00e1bitos apresentam monotonia alimentar, alto consumo de alimentos hipercal\u00f3ricos (ricos em a\u00e7\u00facares, gorduras e s\u00f3dio), e baixa variedade\/qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Isso pode contribuir tanto para car\u00eancias como excessos nutricionais, levando ao:<\/p>\n<ul style=\"list-style-type: circle\">\n<li>Baixo peso (mais comum em crian\u00e7as, adolescentes e idosos) ou<\/li>\n<li>Obesidade, diabetes e hipertens\u00e3o em adultos e tamb\u00e9m em crian\u00e7as e adolescentes de acordo com o balan\u00e7o energ\u00e9tico alimentar e estilo de vida.<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Portanto,<strong> <u>a neofobia influencia negativamente as escolhas alimentares em todas as faixas et\u00e1rias e pode dificultar a ado\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos mais variados e equilibrados do ponto de vista nutricional<\/u>.<\/strong><\/h4>\n<p>Uma estrat\u00e9gia para reduzir a neofobia \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua aos alimentos, sem julgamento ou press\u00e3o, de forma atrativa\u00a0 para que a rejei\u00e7\u00e3o seja aos poucos substitu\u00edda pelo h\u00e1bito.<\/p>\n<p>Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel reduzir a neofobia alimentar e contribuir para mudan\u00e7a de h\u00e1bitos a partir de uma rela\u00e7\u00e3o mais harm\u00f4nica e positiva com os alimentos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-206 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/screen-8-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/screen-8-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/screen-8-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/screen-8.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<pre>Para saber mais sobre Neofobia Alimentar, acesse o artigo \u201cTranslation and Validation of the Food Neophobia Scale (FNS) to the Brazilian Portuguese\u201d em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.aulamedica.es\/nh\/pdf\/9108.pdf\">http:\/\/www.aulamedica.es\/nh\/pdf\/9108.pdf<\/a><\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O nome pode parecer estranho. Por\u00e9m, um n\u00famero significativo de pessoas tem ou j\u00e1 teve esse comportamento em alguma fase da vida, principalmente na inf\u00e2ncia. <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/2018\/09\/05\/voce-sabe-o-que-e-neofobia-alimentar\/\" title=\"Voc\u00ea sabe o que \u00e9 Neofobia Alimentar?\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":291,"featured_media":205,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[16,21,22,19],"class_list":["post-189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comportamento-alimentar","tag-alimentacao","tag-alimento","tag-mudanca-de-habito-alimentar","tag-neofobia-alimentar"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-content\/uploads\/sites\/148\/2018\/09\/screen-7.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/291"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=189"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":230,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions\/230"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nutricaoeciencia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}