{"id":21,"date":"2011-02-21T09:46:42","date_gmt":"2011-02-21T12:46:42","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/odiva\/2011\/02\/o_que_faz_a_arte_ser_bela_apre\/"},"modified":"2011-02-21T09:46:42","modified_gmt":"2011-02-21T12:46:42","slug":"o_que_faz_a_arte_ser_bela_apre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/2011\/02\/21\/o_que_faz_a_arte_ser_bela_apre\/","title":{"rendered":"O que faz a arte ser bela? Aprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e tecnologia nas pinturas de Vermeer"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=The+Psychological+Record&amp;rft_id=info%3A%2F&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Technological+effects+on+aesthetics+evaluation%3A+Vermeer+and+the+camera+obscura&amp;rft.issn=&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=59&amp;rft.issue=&amp;rft.spage=323&amp;rft.epage=334&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Hantula%2C+D.A.%2C+Sudduth%2C+M.M.%2C+%26+Clabaugh%2C+A.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology%2C+Educational+Psychology%2C+Learning%2C+Social+Psychology%2C+Developmental+Psychology%2C+Behavioral+Sciences\">Hantula, D.A., Sudduth, M.M., &amp; Clabaugh, A. (2009). Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura <span style=\"font-style: italic\">The Psychological Record, 59<\/span>, 323-334<\/span><br \/>\n<span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/rb2_large_gray2.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p>Este post inaugura a sess\u00e3o de Resenhas de Artigo. O que vai explicado aqui \u00e9 o seguinte: &#8220;<em>Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos e estudiosos de Arte entendem a aprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica como a &#8220;<em>experi\u00eancia do belo<\/em>&#8220;, e os fen\u00f4menos que influenciam essa experi\u00eancia ainda n\u00e3o foram claramente estudados pelas Ci\u00eancias Sociais e nem pela Psicologia. Uma dessas poss\u00edveis vari\u00e1veis que poderiam exercer influ\u00eancia sobre a aprecia\u00e7\u00e3o da arte e do belo \u00e9 a forma ou a tecnologia usada para a produ\u00e7\u00e3o da arte. Com a disponibilidade e o aumento do uso de novas tecnologias para produzir cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, os apreciadores de arte t\u00eam se deparado constantemente com a pergunta: pode uma pessoa leiga detectar o uso de certas tecnologias que o artista usou para ajud\u00e1-lo? Ou ainda, em que grau o uso de tecnologias pode afetar o julgamento est\u00e9tico das pessoas sobre uma obra de arte?<\/p>\n<p>Essas quest\u00f5es foram levantadas pelos pesquisadores Donald Hantula, Mary Margaret Sudduth e Alisson Clabaugh em um artigo publicado recentemente pelo <a href=\"http:\/\/thepsychologicalrecord.siuc.edu\/index.html\">Psychological Record<\/a>:<\/p>\n<p>&#8220;<em>With the ready availability of technology that can be used in aesthetic creation, such as a digital camera to take photographs, a computer program to create graphic art, or a synthesizer to compose music, the role of technology as a contextual factor in the evaluation of art deserves further scrutiny.<\/em>&#8221;<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: &#8220;Com a pronta disponibilidade de tecnologias que podem ser usadas na cria\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, tais como c\u00e2meras digitais para tirar fotografias, programas de computador para criar artes gr\u00e1ficas ou sintetizadores para compor m\u00fasicas, o papel da tecnologia como fator contextual para a avalia\u00e7\u00e3o da arte merece ser melhor estudado.&#8221;<\/p>\n<p>Para estudar o efeito do uso de tecnologias na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, Hantula, Sudduth e Clabaugh (2009) delinearam um experimento para verificar como pessoas leigas conceituariam obras feitas com o uso de recursos tecnol\u00f3gicos e se isso mudaria seu julgamento sobre elas. Para isso, os pesquisadores usaram obras do pintor holand\u00eas Vermeer, conhecido dos cr\u00edticos e conhecedores de arte pela suspeita de ter usado, por um per\u00edodo de sua obra, um aparato chamado <em>camera obscura<\/em>. Esse objeto, precursor da moderna c\u00e2mera fotogr\u00e1fica, tornaria o pintor capaz de produzir desenhos que seriam quase reprodu\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas de uma cena, embora ainda precisem ser desenhados e pintados sobre uma tela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/camera-obscura.jpg\" alt=\"camera-obscura.jpg\" width=\"300\" height=\"263\" \/><\/p>\n<div align=\"center\"><span>Na camera obscura, um sistema de lentes parecido com aqueles usados em c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas n\u00e3o digitais \u00e9 usado para que o artista visualize uma &#8220;imagem fotogr\u00e1fica&#8221; da cena que deseja pintar.<br \/>\n<\/span><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No primeiro experimento, os participantes (29 estudantes universit\u00e1rios interessados em Arte) foram apresentados a 20 reprodu\u00e7\u00f5es das obras de Vermeer, sendo metade delas do per\u00edodo anterior ao suposto uso da camera obscura e a outra metade do per\u00edodo posterior, com prov\u00e1vel uso do aparato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/odiva\/assets_c\/2011\/02\/n-girl-asleep-at-a-table-61589.php\"><img decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/n-girl-asleep-at-a-table.jpg\" alt=\"n-girl-asleep-at-a-table.jpg\" width=\"256\" height=\"299\" \/><\/a>&#8220;Girl Asleep at a Table&#8221;, pintura feita em 1657 sem o uso da camera obscura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/y-the-concert.jpe\" alt=\"y-the-concert.jpeg\" width=\"258\" height=\"299\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">&#8220;The Concert&#8221;, pintada em 1665-1666 com o uso do aparato tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As pinturas foram apresentadas em ordem rand\u00f4mica, uma por vez, e os participantes faziam aprecia\u00e7\u00f5es de cada obra respondendo um question\u00e1rio com escalas de cinco pontos, onde 1 = baixo e 5 = alto. Foram avaliadas pelos participantes cinco dimens\u00f5es est\u00e9ticas da obra: agradabilidade (pleasingness), gosto (liking), prefer\u00eancia (preferability), beleza (beauty) e interesse (interestingness).<\/p>\n<p>Os resultados apontaram que as pituras feitas com o uso da camera obscura foram significantemente melhor avaliadas do que aquelas feitas sem o uso do aparato, refor\u00e7ando a hip\u00f3tese de que o uso da tecnologia aperfei\u00e7oou a t\u00e9cnica do pintor, tornando as obras &#8220;mais belas&#8221; e melhorando o julgamento est\u00e9tico que as pessoas fazem sobre as pinturas de Vermeer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/imagem12.jpg\" alt=\"imagem12.jpg\" width=\"499\" height=\"428\" \/>A tabela mostra, para cada uma das 20 obras, se foi ou n\u00e3o usada a camera obscura, a m\u00e9dia das avalia\u00e7\u00f5es de todas as dimens\u00f5es est\u00e9ticas feitas pelos participantes e a medida do desvio padr\u00e3o das avalia\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas. Imagem retirada do artigo de Hantula e cols. (2009).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No segundo experimento, outros 90 participantes foram divididos em dois grupos: um grupo assistiu uma aula em que recebeu informa\u00e7\u00f5es sobre a camera obscura e seu uso pelo pintor Vermeer, e o outro grupo assistiu apenas uma aula geral sobre a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica da escola realista holandesa. Depois da aula, foi pedido aos participantes que avaliassem quatro obras de Vermeer usando as mesmas dimens\u00f5es est\u00e9ticas e a mesma escala anterior de cinco pontos, acrescidas de uma nova dimens\u00e3o &#8211; &#8220;gostaria de ver esta pintura novamente?&#8221; &#8211; a ser respondida com a escala de cinco pontos.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que, embora as avalia\u00e7\u00f5es dos participantes na condi\u00e7\u00e3o &#8220;sem informa\u00e7\u00f5es sobre a camera obscura&#8221; fossem numericamente maiores do que as avalia\u00e7\u00f5es dos participantes na condi\u00e7\u00e3o &#8220;com informa\u00e7\u00f5es sobre a camera obscura&#8221;, essa diferen\u00e7a n\u00e3o era estatisticamente significante. Em conjunto, os resultados do estudo de Hantula, Sudduth e Clabaugh (2009) sugerem que o uso de tecnologias pode melhorar a aprecia\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de obras de arte, e que o conhecimento sobre essas tecnologias e sobre seu uso pelos artistas parece n\u00e3o afetar o julgamento que as pessoas fazem das obras de arte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/imagem2.jpg\" alt=\"imagem2.jpg\" width=\"485\" height=\"231\" \/>Compara\u00e7\u00f5es das m\u00e9dias e desvios padr\u00e3o dos julgamentos feitos para cada obra pelos dois grupos estudados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Algumas cr\u00edticas podem ser feitas ao estudo, como, por exemplo, o uso de participantes que tinham interesse e &#8211; provavelmente &#8211; interesse por Arte. Outra defici\u00eancia da pesquisa, que pode ter levado \u00e0 falta de signific\u00e2ncia estat\u00edstica nos resultados do segundo estudo, \u00e9 a pequena amostra estudada. Os pr\u00f3piros pesquisadores apontaram esses defeitos na discus\u00e3o do artigo:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Additional research in art and technology also should expand the participant pool to include art experts.<br \/>\nUsing such a sample may eliminate some of the variation of art appreciation found in a student sample and also may provide more strongly pronounced contextual effects.<\/em>&#8221;<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: &#8220;Outras pesquisas sobre arte e tecnologia tamb\u00e9m deveriam expandir a amostra estudada para incluir experts em arte. O uso de tal amostra pode eliminar as varia\u00e7\u00f5es da aprecia\u00e7\u00e3o art\u00edstica encontrada na amostra de estudantes e tamb\u00e9m pode mostrar efeitos contextuais mais fortes.&#8221;<\/p>\n<p>Refer\u00eancia completa do artigo:<\/p>\n<p>Hantula, D.A., Sudduth, M.M., &amp; Clabaugh, A. (2009). Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura. The Psychological Record, 59. 323-334.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hantula, D.A., Sudduth, M.M., &amp; Clabaugh, A. (2009). Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura The Psychological Record, 59, 323-334 Este post inaugura a sess\u00e3o de Resenhas de Artigo. O que vai explicado aqui \u00e9 o seguinte: &#8220;Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura&#8220;. 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