{"id":277,"date":"2011-01-31T16:36:26","date_gmt":"2011-01-31T19:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/odiva\/2011\/01\/viciada_eu_ainda_nao\/"},"modified":"2011-01-31T16:36:26","modified_gmt":"2011-01-31T19:36:26","slug":"viciada_eu_ainda_nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/2011\/01\/31\/viciada_eu_ainda_nao\/","title":{"rendered":"Viciada, eu? (Ainda) n\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p>A despeito do v\u00e1rios recados que recebo por dia pra sair da internet e ir trabalhar, c\u00e1 estou novamente estreando (mais) um blog. Dessa vez pelo menos o bichinho \u00e9 relacionado ao trabalho, portanto espero que parem de me mandar ir fazer alguma coisa mais \u00fatil, isto \u00e9 bastante \u00fatil. Ali\u00e1s, estar na internet \u00e9 bastante \u00fatil pra muita gente, na maior parte do tempo. Mas quando podemos dizer que uma pessoa est\u00e1 &#8220;viciada&#8221; em internet?<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/dilbert-internet11.gif\" alt=\"dilbert-internet\" width=\"500\" height=\"173\" \/><\/p>\n<p>De modo geral, o que se chama de &#8220;v\u00edcio&#8221;, ou adi\u00e7\u00e3o (tradu\u00e7\u00e3o feia e porca da palavra em ingl\u00eas para v\u00edcio, addiction), de abuso, ou ainda comportamento compulsivo, \u00e9 todo tipo de comportamento que se repete com uma frequ\u00eancia muito alta, causando problemas para a pessoa. O mais importante na defini\u00e7\u00e3o de um comportamento abusivo n\u00e3o \u00e9 a frequ\u00eancia, mas as consequ\u00eancias dessa frequ\u00eancia no funcionamento saud\u00e1vel e desej\u00e1vel e na qualidade de vida do cidad\u00e3o. Veja a diferen\u00e7a:<\/p>\n<ul>\n<li>Maria passa cerca de 12 horas por dia conectada \u00e0 internet. Maria \u00e9 consultora de m\u00eddias sociais, tem uma vida social saud\u00e1vel, namora, joga t\u00eanis nos fins de semana e \u00e9 vegetariana. Conversa no MSN com a m\u00e3e que mora em outra cidade e tem dois blogs. Usa a internet fora do trabalho para ler jornal, comprar livros e DVDs, e algumas vezes sente que ficou tempo demais conectada.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Jo\u00e3o passa cerca de 12 horas por dia na internet. Jo\u00e3o trabalha num escrit\u00f3rio de advocacia, liga o computador assim que chega ao trabalho, mas n\u00e3o consegue acessar muitos sites por causa do sistema de prote\u00e7\u00e3o da empresa, embora conhe\u00e7a v\u00e1rias maneiras de burlar o sistema. Por isso, quando chega em casa, Jo\u00e3o se tranca no quarto e fica na frente do computador at\u00e9 o dia seguinte amanhecer. Jo\u00e3o tem raros amigos, apenas os que conversam com ele no Skype, a namorada o largou, ele costuma comer na mesa do computador e aproveita os fins de semana para ficar ainda mais tempo online. Jo\u00e3o pensa que o tempo que passa conectado n\u00e3o interfere em sua produtividade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Olhando assim, fica meio \u00f3bvio dizer qual dos dois poderia se encaixar num quadro de &#8220;internet addiction&#8221;. Ficou claro que o tempo que a pessoa passa engajada no comportamento em quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o ponto cr\u00edtico para o diagn\u00f3stico, mas sim as conseq\u00fc\u00eancias que esse comportamento causa na vida dela. H\u00e1 algum tempo, psiquiatras e psic\u00f3logos v\u00eam definido o v\u00edcio em internet como uma desordem de controle de impulso, como o abuso de drogas e de \u00e1lcool, mas que n\u00e3o envolve uma subst\u00e2ncia intoxicante a ser consumida. Al\u00e9m disso, o abuso da internet tem sido relacionado a fracasso escolar, div\u00f3rcio, problemas de relacionamento familiar, isolamento social e desemprego. E como no caso de alco\u00f3latras (me recuso a usar o termo &#8220;alco\u00f3lico&#8221;, que significa exatamente &#8220;aquilo que cont\u00e9m \u00e1lcool&#8221;, e n\u00e3o uma pessoa dependente da subst\u00e2ncia), quem \u00e9 adicto \u00e0 internet n\u00e3o costuma perceber o quanto isso \u00e9 ruim e est\u00e1 atrapalhando sua vida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0pt auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/internet_addict.jpg\" alt=\"internet_addict.jpg\" width=\"300\" height=\"295\" \/><\/p>\n<p>Mas por que raios algu\u00e9m poderia ficar viciado em internet? Internet n\u00e3o d\u00e1 barato, n\u00e3o deixa o n\u00eago rico (esque\u00e7a o Steve Jobs e os caras do Google) e engorda. Mas provavelmente oferece uma boa fuga dos problemas cotidianos e \u00e9 um lugar legal pra pegar umas minas. \u00c9 o caso cl\u00e1ssico do nerd barrigudinho e branquelo que finge ser o Brad Pitty no Orkut. A internet oferece ao usu\u00e1rio algo que o ambiente natural costuma distribuir muito mesquinhamente, que \u00e9 o feedback imediato ao que voc\u00ea faz. Acontece que essa recompensa n\u00e3o vem toda hora, ningu\u00e9m recebe milhares de coment\u00e1rios no blog toda vez que posta, nem \u00e9 respondido no Twitter 100% das vezes. \u00c9 como num jogo de apostas, o apostador costuma perder muito tempo e dinheiro para ter a possibilidade de ganhar alguma coisa de vez em quando. Acontece que, tanto o apostador quanto o internet freak n\u00e3o percebem que a quantidade de tempo, dinheiro e esfor\u00e7o gastos s\u00e3o maiores do que os ganhos. Isso, al\u00e9m de todos os ganhos secund\u00e1rios como que o ambiente virtual pode oferecer, como fazer sucesso no Facebook, ter um site bombado, ser o primeiro no ranking do jogo da moda. E todas aquelas chatices das quais a internet te livra, como ler um artigo chat\u00e9rrimo pra aula de amanh\u00e3, tomar um toco do cara gostos\u00e3o na festa e ter que falar com sua m\u00e3e sobre a receita que a Ana Maria Braga deu ontem de manh\u00e3 no programa de TV. D\u00e1 pra entender um pouco porque s\u00f3 os nerds s\u00e3o felizes, heim?<\/p>\n<p>Algumas boas fontes:<\/p>\n<p>Abreu, C.N., Karam, R.G., G\u00f3es, D.S., Spritzer, D.T. (2008). Depend\u00eancia de internet e de jogos eletr\u00f4nicos: uma revis\u00e3o. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30 (2). [ISSN 1516-4446]<\/p>\n<p>Young, K. (2008). Internet addiction: a new clinical phenomenon and its consequences. American Behavioral Scientist, 48 (4). [DOI: 10.1177\/0002764204270278]<\/p>\n<p>Leung, l. (2004). Net-generation attributes and seductive properties of the internet as predictors of online activities and internet addiction. CyberPsychology &amp; Behavior, 7(3). [DOI:10.1089\/1094931041291303]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A despeito do v\u00e1rios recados que recebo por dia pra sair da internet e ir trabalhar, c\u00e1 estou novamente estreando (mais) um blog. Dessa vez pelo menos o bichinho \u00e9 relacionado ao trabalho, portanto espero que parem de me mandar ir fazer alguma coisa mais \u00fatil, isto \u00e9 bastante \u00fatil. Ali\u00e1s, estar na internet \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":481,"featured_media":46,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[4,10],"tags":[],"class_list":["post-277","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-compulsao","category-interne"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-content\/uploads\/sites\/236\/2011\/08\/internet_addict.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/users\/481"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/odiva\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}