{"id":1105,"date":"2019-03-28T00:00:01","date_gmt":"2019-03-28T03:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/?p=1105"},"modified":"2020-06-04T13:25:53","modified_gmt":"2020-06-04T16:25:53","slug":"o-que-e-interseccionalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2019\/03\/28\/o-que-e-interseccionalidade\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 interseccionalidade?"},"content":{"rendered":"<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es para o 8 de mar\u00e7o deste ano ter\u00e3o de se fazer diante do seguinte horizonte: pesquisas recentes posicionam o Brasil como o quinto pa\u00eds com maior n\u00famero de homic\u00eddio de mulheres.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><sup>[i]\u00a0<\/sup><\/a>H\u00e1, tamb\u00e9m, estudos que seguem apontando que, quanto ao n\u00edvel de renda, \u00e0s horas de trabalho e \u00e0 divis\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas e reprodutivas, as mulheres brasileiras ainda se encontram numa posi\u00e7\u00e3o altamente desigual e desvantajosa em compara\u00e7\u00e3o com os homens.<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>E qu\u00e3o mais triste e complexo tal quadro n\u00e3o se revela se notamos outros recortes para as mesmas quest\u00f5es. O Brasil aparece, por exemplo, no primeiro lugar no que toca \u00e0 homic\u00eddios de pessoas trans\u00a0no mundo<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\"><sup>[iii]<\/sup><\/a> e se os homic\u00eddios de mulheres cisg\u00eanero brancas diminuem em 9,8% num intervalo de dez anos, eles aumentam impressionantes 54,2% para as mulheres cisg\u00eanero negras.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\"><sup>[iv]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1, tamb\u00e9m, reiteradas indica\u00e7\u00f5es da precariedade das situa\u00e7\u00f5es de trabalho, da renda e do bem estar geral de mulheres racializadas<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\"><sup>[v]<\/sup><\/a> e da popula\u00e7\u00e3o LGBTIQ.<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><sup>[vi]<\/sup><\/a> E nos \u00e9 dado saber, h\u00e1 tempos, da complexidade das situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que vivem meninas, idosas, deficientes, migrantes e tantas outras figuras que ocupam o sujeito aberto do feminismo atual, ou, no m\u00ednimo, que passam por ele.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A urg\u00eancia em se pensar instrumentos de an\u00e1lise que sirvam ao trato da produtiva explos\u00e3o de sentido que a mulher, o sexo, o g\u00eanero e o feminismo experimentam \u00e9, hoje, ineg\u00e1vel e a <em>interseccionalidade<\/em> tem sido, sobretudo desde o come\u00e7o anos 2000,<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\"><sup>[vii]<\/sup><\/a> o grande <em>hit concept<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\"><sup>[viii]<\/sup><\/a><\/em> do feminismo acad\u00eamico e pol\u00edtico no Brasil e no Mundo<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Em realidade, n\u00e3o \u00e9 um ponto pac\u00edfico entre as autoras envolvidas na g\u00eanese e na divulga\u00e7\u00e3o dessa proposta a quest\u00e3o de se, ao falar de interseccionalidade, se est\u00e1 falando de um conceito, de uma abordagem te\u00f3rica, de um m\u00e9todo, de uma \u201csensibilidade anal\u00edtica\u201d ou do que quer que seja.<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\"><sup>[x]<\/sup><\/a> Opto, ent\u00e3o, por referir-me, aqui, \u00e0 interseccionalidade recorrendo ao termo frouxo \u201cno\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>O crucial sobre tal no\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela foi gestada na esteira de rea\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao engessamento do sujeito do feminismo, capitaneadas sobretudo por feministas negras e terceiro-mundistas radicadas nos Estados Unidos a partir da d\u00e9cada de 1970.<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\"><sup>[xi]<\/sup><\/a> <\/strong>Nesse contexto, consolidaram-se, primeiro, as cr\u00edticas \u00e0 ideia de que o ponto central do feminismo fosse a tematiza\u00e7\u00e3o do <em>hiato<\/em> de diferen\u00e7a entre homens de um ladoe mulheres de outro. No in\u00edcio dos anos 1980 entraria em voga, adicionalmente, a sugest\u00e3o de que, diante de quest\u00f5es da desigualdade, a met\u00e1fora dos <em>m\u00faltiplos<\/em> centros e margens era mais \u00fatil ao feminismo que a da margem e do centro <em>\u00fanicos<\/em>. Em sequ\u00eancia, reconhecer-se-ia, em tal imagem de centros e margens, a limita\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o da diferen\u00e7a a demandas por visibilidade e inclus\u00e3o e, ent\u00e3o, ver\u00edamos ensaiar-se, de um lado, a nega\u00e7\u00e3o disso, e, de outro, a defesa da proposi\u00e7\u00e3o positiva de se compreender a diferen\u00e7a como sendo radicalmente situacional e como sendo composta de marca\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o separ\u00e1veis umas das outras.<\/p>\n<p><strong>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, a inten\u00e7\u00e3o comum desses debates encontraria, no artigo <em>Mapping the Margins<\/em> da jurista Kimberl\u00e9 Crenshaw, uma formula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, a qual, nos anos seguintes, viria a conquistar enorme proje\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\"><sup>[xii]<\/sup><\/a> <\/strong>Hoje, se a no\u00e7\u00e3o de interseccionalidade segue sendo produtivamente plur\u00edvoca &#8211; e mesmo equ\u00edvoca -, certamente o desenho que lhe emprestou Crenshaw ainda importa para compreend\u00ea-la, por\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>O tra\u00e7o inelid\u00edvel, essencial, da proposta dessa autora \u00e9 o reconhecimento<em> do potencial revolucion\u00e1rio e emancipat\u00f3rio da teoriza\u00e7\u00e3o e da pol\u00edtica na recusa \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 totaliza\u00e7\u00e3o<\/em>. A despeito disso, por vezes se reconhece em sua produ\u00e7\u00e3o uma defesa pouco radical dessa tese. Isso se deve ao fato de Crenshaw seguir mobilizando, em seus textos, a no\u00e7\u00e3o de <em>identidade<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p>Vejamos a esse respeito o seguinte trecho, em que a quest\u00e3o fica patente:<\/p>\n<blockquote><p><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/03\/08\/o-que-e-interseccionalidade\/interseccionality\/\" rel=\"attachment wp-att-1326\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1326 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/03\/interseccionality.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"165\" \/><\/a>\u201cDevo dizer, de partida, que a interseccionalidade aqui n\u00e3o est\u00e1 sendo oferecida como uma nova teoria totalizante da identidade. Tamb\u00e9m n\u00e3o quero sugerir que a viol\u00eancia contra a mulher de cor pode ser explicada apenas pelos moldes da ra\u00e7a e do g\u00eanero aqui considerados. De fato, fatores que abordo apenas parcialmente e que sequer abordo, tais como classe e sexualidade, s\u00e3o com frequ\u00eancia t\u00e3o cruciais quanto aqueles na moldagem da experi\u00eancia das mulheres racializadas.* Meu foco nas interseccionalidades de ra\u00e7a e de g\u00eanero s\u00f3 destaca a necessidade de uma abordagem das m\u00faltiplas bases da identidade, quando se considera como o mundo social \u00e9 constru\u00eddo\u201d.<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\"><sup>[xiii]<\/sup><\/a><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Tal impress\u00e3o talvez se desfa\u00e7a, por\u00e9m, se consideramos outros momentos de sua obra em que Crenshaw \u00e9 expl\u00edcita quanto ao seguinte: <strong>sua real quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 afirmar qualquer identidade, nem justapor de maneira quaisquer daquelas identidades acima mencionadas,<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\"><sup>[xiv]<\/sup><\/a> mas sim<\/strong> <strong>alcan\u00e7ar a compreens\u00e3o da diferen\u00e7a que \u00e9 significativa num determinado contexto &#8211; nos termos da pr\u00f3pria autora, <em>afirmar que diferen\u00e7a uma dada diferen\u00e7a faz<\/em>.<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\"><sup>[xv]<\/sup><\/a><\/strong><\/p>\n<p>Para garantir isso, ela defende que o caminho mais produtivo \u00e9 o de conferir privil\u00e9gio anal\u00edtico e pol\u00edtico \u00e0s minorias mais marginalizadas, as quais s\u00e3o, por vezes, organizadas em termos identit\u00e1rios.<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\"><sup>[xvi]<\/sup><\/a> \u00c9 tal estrat\u00e9gia o que est\u00e1 por traz e o que justifica a mobiliza\u00e7\u00e3o frequente da no\u00e7\u00e3o de identidade em suas proposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De todo modo, prenda-se a proposta de Crenshaw \u00e0 ideia de identidade ou n\u00e3o, a \u201cmuito pouco elegante no\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\"><sup>[xvii]<\/sup><\/a>de interseccionalidade vem sendo, hoje, nas diversas conota\u00e7\u00f5es que assume dentro do feminismo, menos associada \u00e0 discuss\u00e3o em torno dessa quest\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Ela tem funcionado acima de tudo<\/strong><strong>\u201ccomo s\u00edmbolo para todas as formas poss\u00edveis de combina\u00e7\u00f5es e de entrela\u00e7amentos de diversas formas de poder expressas por categorias<\/strong><strong>de diferen\u00e7a e de diversidade\u201d<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\"><sup>[xviii]<\/sup><\/a>e entra na ordem do dia mais como um simples ponto nodal ou ponto de agrega\u00e7\u00e3o para investiga\u00e7\u00f5es abertas de din\u00e2micas interseccionais e conflitivas, em contraste com um sistema fechado de proposi\u00e7\u00f5es<\/strong><a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\"><sup>[xix]<\/sup><\/a><strong> O que \u00e9 interseccionalidade, ent\u00e3o, \u00e9 menos importante do que aquilo que fazemos dela.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>*No original, &#8220;mulheres de cor&#8221; (<em>women of color<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4009522J8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Laura Luedy<\/em><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Campinas, Mar\u00e7o de 2018<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><sup>[i]<\/sup><\/a> MAPA DA VIOL\u00caNCIA 2015: Homic\u00eddio de Mulheres no Brasil. Flacso, OPAS-OMS, ONU Mulheres, SPM, 2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.mapadaviolencia.org.br\/pdf2015\/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf\">https:\/\/www.mapadaviolencia.org.br\/pdf2015\/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf<\/a> Acesso 5 mar. 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\"><sup>[ii]<\/sup><\/a> RETRATO DAS DESIGUALDADES de Ra\u00e7a e G\u00eanero. Ipea, SPM, Onu Mulheres, 2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/retrato\/\">http:\/\/www.ipea.gov.br\/retrato\/<\/a> Acesso 5 mar. 2018. S\u00e3o Paulo: Berlendis &amp; Vertecchia, 2009, pp. 116-149<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\"><sup>[iii]<\/sup><\/a> TMM ANNUAL REPORT. TvT Publication Series, v. 14, October 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/transrespect.org\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/TvT-PS-Vol14-2016.pdf\">http:\/\/transrespect.org\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/TvT-PS-Vol14-2016.pdf<\/a>\u00a0 Acesso 5 mar. 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\"><sup>[iv]<\/sup><\/a> Cf. Mapa da Viol\u00eancia, opt. cit.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\"><sup>[v]<\/sup><\/a> Cf. RETRATO DAS DESIGUALDADES, opt. cit.; e MAXIMIANO, C. A. Mulheres Ind\u00edgenas: Di\u00e1logo Sobre a Vida na Cidade. <em>Ponto Urbe<\/em>, 13, 2013, pp. 1-20.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\"><sup>[vi]<\/sup><\/a> GOMES, R. Mercado de trabalho brasileiro ainda \u00e9 hostil \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBT. <em>Rede Brasil Atual, <\/em>22\u00a0 mai. \u00a02015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2015\/05\/mercado-de-trabalho-brasileiro-ainda-e-hostil-a-populacao-lgbt-indica-estudo-170.html\">http:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2015\/05\/mercado-de-trabalho-brasileiro-ainda-e-hostil-a-populacao-lgbt-indica-estudo-170.html<\/a> Acesso 5 mar. 2018.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\"><sup>[vii]<\/sup><\/a>COLLINS, P. H. Intersectionality\u2019s definitional dilemmas. <em>Annual Review of Sociology<\/em>, 41, pp.1\u201320, 2015, p. 6.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\"><sup>[viii]<\/sup><\/a> DORLIN, 2012 apud. HIRATA, H. G\u00eanero, classe e ra\u00e7a Interseccionalidade e consubstancialidade das rela\u00e7\u00f5es sociais . <em>Tempo Social<\/em>, Brasil, 26, 1, pp. 61-73, 2014., p. 62; Cf. tamb\u00e9m STOLCKE, V. \u00bfQu\u00e9 tiene que ver el g\u00e9nero con el parentesco? <em>Cadernos de Pesquisa<\/em>, 44, 151, pp.176-189, jan.\/mar. 2014., p. 183.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Para uma cr\u00edtica afiada dessa circula\u00e7\u00e3o de textos feministas acordante com a hegemonia euro- americana, ver MOHANTY, C. T. Transnational feminist crossings: on neoliberalismo and radical critique. <em>Signs, <\/em>38 (4): 967-91, 2013.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\"><sup>[x]<\/sup><\/a> CHO, S; CRENSHAW, K. W.; MCCALL, L. Toward a field of intersectionality studies: theory, applications and practice. <em>Signs,<\/em> 38(4), pp.785-810, 2013, p. 795<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\"><sup>[xi]<\/sup><\/a> Cf. COLLINS, 2015, p. 10; HANCOCK, A. <em>Interseccionality: an intelectual history.<\/em> New York: Oxford University Press, 2016, p. 32, 81, 95, 100, 102, 110; MOUTINHO, L. Diferen\u00e7\u00e3o e desigualdades negociadas: ra\u00e7a, sexualidade e g\u00eanero em produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas recentes. <em>Cadernos Pagu<\/em>, 42, jan-jul, pp.201-248, 2014, p. 208; PISCITELLI, A. \u201cG\u00eanero: a hist\u00f3ria de um conceito\u201d. In: ALMEIDA, H. B.; SWANKO, J. E. <em>Diferen\u00e7as, igualdade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Berlendis &amp; Vertecchia, pp. 161-149, 2009, p. 141.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\"><sup>[xii]<\/sup><\/a>CRENSHAW, K. Mapping the Margins: Intersectionality, Identity Politics, and Violence Against Women of Color, 43\u00a0<em>Stanford Law Review<\/em>\u00a01241-99, 1991.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\"><sup>[xiii]<\/sup><\/a> CRENSHAW, opt. cit., p.1245<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\"><sup>[xiv]<\/sup><\/a> Opt. cit., p. 1283<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\"><sup>[xv]<\/sup><\/a> Opt. cit., p. 1298.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\"><sup>[xvi]<\/sup><\/a>CRENSHAW, K. Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory and Antiracist Politics.\u00a0<em>The University of Chicago Legal Forum<\/em>\u00a0[S.l.: s.n.]\u00a0139, pp.139\u2013167, 1989, p. 167.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\"><sup>[xvii]<\/sup><\/a> STOLCKE, opt. cit., p. 181.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\"><sup>[xviii]<\/sup><\/a> KERNER, I. \u00a0Tudo \u00e9 interseccional? Sobre a rela\u00e7\u00e3o entre racismo e sexismo, in: <em>Novos Estudos CEBRAP<\/em>, 93, julho, pp. 45-58, 2012, p. 51.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\"><sup>[xix]<\/sup><\/a>Cf. CHO, CRENSHAW, MCCALL, 2013, p. 788.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">***<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es para o 8 de mar\u00e7o deste ano ter\u00e3o de se fazer diante do seguinte horizonte: pesquisas recentes posicionam o Brasil como o quinto pa\u00eds com maior n\u00famero de homic\u00eddio de mulheres.[i]\u00a0H\u00e1, tamb\u00e9m, estudos que seguem apontando que, quanto ao n\u00edvel de renda, \u00e0s horas de trabalho e \u00e0 divis\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas e reprodutivas, as mulheres brasileiras ainda se encontram numa posi\u00e7\u00e3o altamente desigual e desvantajosa em compara\u00e7\u00e3o com os homens.[ii] E qu\u00e3o mais triste e complexo tal&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2019\/03\/28\/o-que-e-interseccionalidade\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":316,"featured_media":1259,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[75,112,109,93],"tags":[116,114,110,113,117,115],"class_list":["post-1105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-atualidade","category-etica","category-genero","category-justica","tag-classe","tag-feminismo","tag-genero","tag-interseccionalidade","tag-lgbt","tag-raca"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/03\/dsc_0313.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/316"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1105"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1849,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1105\/revisions\/1849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}