{"id":1107,"date":"2018-03-08T00:00:19","date_gmt":"2018-03-08T03:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/?p=1107"},"modified":"2018-05-22T22:32:07","modified_gmt":"2018-05-23T01:32:07","slug":"democracia-de-genero-iii-reflexoes-conclusivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/03\/08\/democracia-de-genero-iii-reflexoes-conclusivas\/","title":{"rendered":"Democracia de g\u00eanero (III): reflex\u00f5es conclusivas"},"content":{"rendered":"<p><strong>A atua\u00e7\u00e3o de homens e mulheres na pol\u00edtica est\u00e1 guiada por diferentes \u00e9ticas. As mulheres t\u00eam demonstrado, atrav\u00e9s de anos de lutas e movimentos, que as principais conquistas em rela\u00e7\u00e3o aos seus direitos foram alcan\u00e7adas na grande maioria por elas mesmas. <\/strong><\/p>\n<p>Por esse motivo, os \u201cpactos entre mulheres\u201d e os \u201cpactos interg\u00eaneros\u201d demandam acima de tudo solidariedade, que para Ana Maria Martinez de Escalera (2013) se manifesta atrav\u00e9s de experi\u00eancias conjuntas, tanto de apoio como de resist\u00eancia, evidenciando que h\u00e1 v\u00e1rias maneiras de exercitar rela\u00e7\u00f5es entre corpos (criativas, afetivas, sexuais, de coopera\u00e7\u00e3o, de divis\u00e3o de tarefas), ou seja, \u00e9 poss\u00edvel outro tipo de conviv\u00eancia, mais humana e menos desigual.<\/p>\n<blockquote><p>A solidariedade entre mulheres ou entre homens e mulheres pode estender-se tamb\u00e9m, como uma experi\u00eancia coletiva, um simplesmente \u201cestarmos juntas\/juntos\u201d. A autora cr\u00ea firmemente que \u201cos coletivos de mulheres t\u00eam dado respostas simples a esta interroga\u00e7\u00e3o: estar juntas come\u00e7a onde acaba o seguir suportando a domina\u00e7\u00e3o, aonde quer que esta se manifeste\u201d (Escalera, 2013, s\/p).<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Os \u201cpactos entre as mulheres\u201d requerem uma centralidade \u00e9tica e uma est\u00e9tica feminista como princ\u00edpios. <\/strong><\/p>\n<p>Usar uma linguagem de respeito entre n\u00f3s mesmas; n\u00e3o depreciar; considerar a est\u00e9tica de cada uma de n\u00f3s como uma escolha de sujeitos livres, sem amarras nem tabus; n\u00e3o explorar pessoas \u2013 isso vale para as empres\u00e1rias, empreendedoras, contratantes \u2013 n\u00e3o oprimir \/ n\u00e3o submeter as mulheres a nenhum tipo de viol\u00eancia nem humilha\u00e7\u00e3o. Respeitar as diferen\u00e7as de classe, etnia, orienta\u00e7\u00e3o sexual, identidade de g\u00eanero, gera\u00e7\u00e3o, enfim, evitar competi\u00e7\u00f5es e disputas entre n\u00f3s mesmas, pois estas acirram ainda mais a domina\u00e7\u00e3o masculina que se enriquece com as nossas desaven\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Trabalhar por uma democracia de g\u00eanero exige passar do drama individual ao discurso p\u00fablico: \u201co pessoal \u00e9 pol\u00edtico\u201d. Para poder construir um projeto democr\u00e1tico e plural, no qual a diferen\u00e7a sexual seja uma distin\u00e7\u00e3o pertinente dentro das rela\u00e7\u00f5es sociais, necessitamos remontar a crise, recuperar a esperan\u00e7a e a credibilidade nas institui\u00e7\u00f5es; em outros termos, gerar um projeto que articule cidadania, autonomia e negocia\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Necessitamos de mais mulheres ocupando espa\u00e7os de poder para que nossas reivindica\u00e7\u00f5es possam ser explicitadas, reconhecidas e contempladas no campo da pol\u00edtica e para diminuir os \u00edndices de corrup\u00e7\u00e3o em nossa sociedade.\u00a0 Carecemos de apoio a mulheres que se disponibilizam a assumir cargos pol\u00edticos: dos partidos pol\u00edticos, encaminhando-as para cursos de capacita\u00e7\u00e3o propiciando o seu empoderamento; dos coletivos feministas e grupos de mulheres, que possam confiar mais em mulheres, votar mais em mulheres e participar como sujeitos nos processos democr\u00e1ticos que uma gest\u00e3o implica; dos familiares e amigos, que possam propiciar tranquilidade no cotidiano da gest\u00e3o dessas mulheres, na medida em que assumem as tarefas dom\u00e9sticas, compartilhem a dimens\u00e3o do cuidado e coloquem em pr\u00e1tica a verdadeira divis\u00e3o sexual do trabalho em rela\u00e7\u00e3o a casa, aos filhos, aos idosos e enfermos.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Para tanto, convidamos os homens e as mulheres para unirem-se a n\u00f3s, estabelecendo pactos inter e intragen\u00e9ricos, visando uma sociedade mais justa, mais igualit\u00e1ria e com mais equidade de g\u00eanero na pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4785586A6\">KLEBA LISBOA, T.<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bibliograf\u00eda:<\/strong><\/p>\n<p>AMOR\u00d3S, C\u00e9lia. La gran diferencia y sus peque\u00f1as consecuencias\u2026 para las luchas de las mujeres. Universitat de Valencia, Instituto de la Mujer, Colecci\u00f3n Feminismos, 2007.<\/p>\n<p>ASTELARRA, Judith. Democracia, G\u00e9nero y Sistema Pol\u00edtico. In: MEENTZEN, Angela y GOM\u00c1RIZ, Enrique. Democracia de g\u00e9nero, una propuesta inclusiva. Fundaci\u00f3n Heinrich B\u00f6ll, Impresso en El Salvador por: Econoprint S.A, 2003, p. 26-39.<\/p>\n<p>BACH, Ana Mar\u00eda. Las voces de la experiencia \u2013 el viraje de la filosof\u00eda feminista. Buenos Aires, Editorial Biblos, 2010.<\/p>\n<p>BRAIDOTTI, Rose. Sujeitos N\u00f4mades, versi\u00f3n parcial del original en ingl\u00e9s de Al\u00edciaBixio, Buenos Aires, Paid\u00f3s, 2004.<\/p>\n<p>ESCALERA, Ana Mar\u00eda Mart\u00ednez de la.\u00a0 Consideraciones sobre pol\u00edtica feminista. (impresso) FFyL, UNAM, 2013.<\/p>\n<p>FOX-GENOVESE, Elizabeth. Para al\u00e9m da irmandade. IN: Revista Estudos Feministas, Rio de Janeiro, CIEC\/ECO\/UFRJ, N\u00ba 0, Volume 0, 1992.<\/p>\n<p>KUBISSA, Luisa Posada. Pactos entre Mujeres. In. AMOR\u00d3S, C\u00e9lia (diretora). 10 palavras clave sobre mujer.Estella (Navarra) Espanha, Editorial Verbo Divino, 1994, p.331-365.<\/p>\n<p>LAGARDE, Marcela. G\u00e9nero y feminismo \u2013 desarrollo humano y democracia. Madrid (Espanha), Horas y Horas, 1996.<\/p>\n<p>____________ Claves feministas para mis socias de la vida. Buenos Aires, Batalla de ideas, 2015 (Cole\u00e7\u00e3o Feminismos Populares 1).<\/p>\n<p>____________ Chaves de identidade latino-americana no limiar do mil\u00eanio. Centro de Documenta\u00e7\u00e3o da Mulher. Buenos Aires, Argentina, 2005.<\/p>\n<p>RODR\u00cdGUEZ Sim\u00f3n, E. Democracia Vital. Mulheres e homens para a cidadania plena. Edi\u00e7\u00f5es Nancea, Madrid, 1999.<\/p>\n<p>SEGATO, Rita Laura. Que \u00e9s um feminic\u00eddio? Notas para um debate emergente. In: BELAUSTEGUIGOITIA, Marisa e MELGAR, Lucia. Fronteras, viol\u00eancia, justicia: nuevos discursos. PUEG, UNAM, M\u00e9xico, 2008.<\/p>\n<p>THITEUX-ALTSCHUL, Monique. G\u00e9nero y Corrupci\u00f3n \u2013 las mujeres en la democracia participativa. Buenos Ayres, Libros del Zorzal, 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atua\u00e7\u00e3o de homens e mulheres na pol\u00edtica est\u00e1 guiada por diferentes \u00e9ticas. As mulheres t\u00eam demonstrado, atrav\u00e9s de anos de lutas e movimentos, que as principais conquistas em rela\u00e7\u00e3o aos seus direitos foram alcan\u00e7adas na grande maioria por elas mesmas. Por esse motivo, os \u201cpactos entre mulheres\u201d e os \u201cpactos interg\u00eaneros\u201d demandam acima de tudo solidariedade, que para Ana Maria Martinez de Escalera (2013) se manifesta atrav\u00e9s de experi\u00eancias conjuntas, tanto de apoio como de resist\u00eancia, evidenciando que h\u00e1&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/03\/08\/democracia-de-genero-iii-reflexoes-conclusivas\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":315,"featured_media":1353,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[75,109,93,17],"tags":[69,110,45],"class_list":["post-1107","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-atualidade","category-genero","category-justica","category-politica","tag-etica","tag-genero","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/315"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1107"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1107\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1356,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1107\/revisions\/1356"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}