{"id":1110,"date":"2019-03-28T00:13:44","date_gmt":"2019-03-28T03:13:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/?p=1110"},"modified":"2020-06-04T13:25:40","modified_gmt":"2020-06-04T16:25:40","slug":"supondo-que-a-verdade-seja-uma-mulher-para-uma-etica-da-diferenca-a-partir-de-nietzsche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2019\/03\/28\/supondo-que-a-verdade-seja-uma-mulher-para-uma-etica-da-diferenca-a-partir-de-nietzsche\/","title":{"rendered":"Supondo que a verdade seja uma mulher: para uma \u00e9tica da diferen\u00e7a a partir de Nietzsche"},"content":{"rendered":"<p><strong>Friedrich Nietzsche, fil\u00f3sofo alem\u00e3o nascido em 1844, filho de Franziska Oehler e Carl Ludwig, n\u00e3o parece ser, \u00e0 primeira vista, uma figura privilegiada ou mesmo diferenciada para se pensar quest\u00f5es referentes \u00e0 discuss\u00e3o de g\u00eanero. Ainda que <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hannah_Arendt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hannah Arendt<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lou_Andreas-Salom%C3%A9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lou-Andreas Salom\u00e9<\/a> e a pioneira da psican\u00e1lise, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sabina_Spielrein\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sabina Spielrein<\/a>, tenham lido e escrito sobre a filosofia de Nietzsche, ele permanece, at\u00e9 os dias de hoje, no \u00e2mbito da suspeita quando se trata de discutir o tema da mulher ou do feminino. <\/strong><\/p>\n<p>Talvez seu lugar seja justamente este: o da suspeita, pois como afirmam Kelly Oliver e Marilyn Persal, na Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s <em><a href=\"https:\/\/books.google.de\/books?id=vF50eTuBdjkC&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Feminist Interpretations of Friedrich Nietzsche<\/a><\/em>,<a name=\"_ednref1\"><\/a><a href=\"#_edn1\">[1]<\/a> foi justamente o perspectivismo deste o que chamou a aten\u00e7\u00e3o de certas fil\u00f3sofas para o seu pensamento.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 que, no final do s\u00e9culo XX, come\u00e7a a surgir um intenso debate acerca do tema do feminino na filosofia de Nietzsche. Neste mesmo per\u00edodo, h\u00e1 a publica\u00e7\u00e3o, em 1978, do livro<span style=\"text-decoration: line-through\">s<\/span> <em>Esporas, <\/em>de Jacques Derrida, fruto de sua confer\u00eancia no congresso \u201c<em>Nietzsche aujourd\u2019hui?<\/em>\u201d em Cerisy-la-Salle. Em seu texto, Derrida se debru\u00e7a sobre a quest\u00e3o do \u2018estilo\u2019 na filosofia de Nietzsche, apropriando-se justamente do tema da mulher. Concomitantemente, fil\u00f3sofas como Sarah Kofman e Luce Irigaray, come\u00e7aram a se ocupar da filosofia de Nietzsche fazendo emergir desta met\u00e1foras e conceitos que remetem\u00a0\u00e0 tem\u00e1tica do feminino e que haviam sido, at\u00e9 ent\u00e3o, esquecidos ou deixados de lado pela maior parte dos comentadores.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Sobretudo atualmente n\u00e3o podemos ler Nietzsche &#8211; e nenhum outro fil\u00f3sofo &#8211; simplesmente pulando um par\u00e1grafo quando vemos o termo \u2018mulher\u2019 ou \u2018feminino\u2019, esquivando a discuss\u00e3o.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel\u00a0indagar o porqu\u00ea de tal esquecimento ao longo da trajet\u00f3ria da Pesquisa-Nietzsche que se construiu nas \u00faltimas d\u00e9cadas, pois se queremos pensar com Nietzsche, sabemos que por tr\u00e1s de um pensamento, de uma filosofia, esconde-se sempre um modo de vida, ou melhor, uma inteira concep\u00e7\u00e3o acerca da vida. S\u00f3crates j\u00e1 o demonstrara, como primeiro sintoma de decad\u00eancia e degeneresc\u00eancia fisiol\u00f3gica na hist\u00f3ria do Ocidente. Oswaldo Giacoia Junior, em seu texto intitulado \u201cNietzsche e o Feminino\u201d<a name=\"_ednref2\"><\/a><a href=\"#_edn2\">[2]<\/a> e dedicado \u00e0 filosofa Jeanne-Marie Gagnebin, explicita que no pref\u00e1cio de <em>Al\u00e9m do bem e do mal<\/em>, o problema do feminino \u00e9 colocado por Nietzsche diretamente com os problemas fundamentais da desconstru\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica e da transvalora\u00e7\u00e3o dos valores.<\/p>\n<p>\u201cSupondo que a verdade seja uma mulher \u2013, como?\u201d<a name=\"_ednref3\"><\/a><a href=\"#_edn3\">[3]<\/a>, diz Nietzsche \u201cn\u00e3o seria bem fundada a suspeita de que todos os fil\u00f3sofos, na medida em que foram dogm\u00e1ticos, entenderam pouco de mulheres? De que a terr\u00edvel seriedade, a desajeitada insist\u00eancia com que at\u00e9 agora se aproximaram da verdade, foram meios in\u00e1beis e impr\u00f3prios para conquistar uma dama? \u00c9 certo que ela n\u00e3o se deixou conquistar \u2013 e hoje toda esp\u00e9cie de dogmatismo est\u00e1 de bra\u00e7os cruzados, triste e sem \u00e2nimo \u2013 Se \u00e9 que ainda est\u00e1 em p\u00e9\u201d.<a name=\"_ednref4\"><\/a><a href=\"#_edn4\">[4]<\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong>O fato de os fil\u00f3sofos dogm\u00e1ticos desde Plat\u00e3o terem tentado (des)cobrir a verdade a todo custo, o fundamento \u00faltimo das coisas, revelaria para Nietzsche uma falta de pudor da parte deles. A incapacidade dos fil\u00f3sofos de perceber que a verdade sempre se esconde, que ela mesma tem <em>raz\u00f5es para esconder suas raz\u00f5es<\/em>, a total falta de maestria com a qual pretenderam conhecer a verdade-mulher, fez com que tentassem domin\u00e1-la por meio da viol\u00eancia, trancando-a \u00e0 sete-chaves e tornando-a prometida apenas ao \u201cs\u00e1bio, ao devoto, ao virtuoso\u201d (\u2018ao pecador que faz penit\u00eancia\u2019)\u201d. A verdade-mulher se torna \u201cmais sutil, mais ardilosa, mais inapreens\u00edvel\u201d,<a name=\"_ednref5\"><\/a><a href=\"#_edn5\">[5]<\/a> diz Nietzsche em \u201cComo o \u2018mundo verdadeiro\u2019 se tornou finalmente f\u00e1bula\u201d. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Em <em>Humano, demasiado humano <\/em>(1878), livro que Nietzsche considera como \u2018filho seu\u2019, como \u2018sua obra\u2019, abre-se a quest\u00e3o: \u201ccomo pode algo se originar do seu oposto, por exemplo, o racional do irracional, o sens\u00edvel do morto, o l\u00f3gico do il\u00f3gico, a contempla\u00e7\u00e3o desinteressada do desejo cobi\u00e7oso, a vida para o pr\u00f3ximo do ego\u00edsmo, a verdade dos erros?\u201d.<a name=\"_ednref6\"><\/a><a href=\"#_edn6\">[6]<\/a> Segundo Nietzsche, a pergunta sobre a origem est\u00e1 na base do pensamento metaf\u00edsico e, se examinarmos bem, veremos que ela traz consigo o problema da diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Como o bem e o mal poderiam ter a mesma origem, dado que s\u00e3o opostos? A mesma interroga\u00e7\u00e3o valeria para o homem e a mulher, para o masculino e o feminino, pensados como polos opostos ao longo da tradi\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica. Segundo Nietzsche, a filosofia teria tentado dar conta de tal problema negando \u201ca g\u00eanese de um a partir do outro\u201d e apelando para uma origem miraculosa, um fundamento \u00faltimo das coisas, tenha este o nome de \u2018mundo verdadeiro\u2019, \u2018ess\u00eancia\u2019, \u2018Deus\u2019 ou \u2018coisa em si\u2019.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Assim \u00e9 que Nietzsche, na sua tentativa de desconstru\u00e7\u00e3o do pensamento metaf\u00edsico semeia e gesta sua filosofia com conceitos que podem nos permitir pensar hoje algumas quest\u00f5es que atravessam a discuss\u00e3o de g\u00eanero. Para tal, permito-me fazer uso de uma determinada figura presente no pensamento de Nietzsche, e discuti-la a partir de um debate com algumas fil\u00f3sofas que j\u00e1 se ocuparam dela. Seu nome \u00e9 Baubo. <\/strong><\/p>\n<p>Baubo ou Iamb\u00e9, devotada mulher e bem cinturada, como ela \u00e9 referida nos <em><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hinos_hom%C3%A9ricos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hinos Hom\u00e9ricos <\/a>a Dem\u00e9ter<\/em>, aparece pela primeira vez no pref\u00e1cio \u00e0 <em>Gaia Ci\u00eancia: <\/em><\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cTalvez a verdade seja uma mulher que tem raz\u00f5es para n\u00e3o deixar ver suas raz\u00f5es? Talvez o seu nome, para falar grego, seja Baubo?&#8230; Oh, esses gregos! Eles entendiam do <em>viver<\/em>! Para isto \u00e9 necess\u00e1rio permanecer valentemente na superf\u00edcie, na dobra, na pele, adorar a apar\u00eancia\u201d. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Como a verdade-mulher, os gregos eram, para Nietzsche, \u201csuperficiais \u2013 <em>por profundidade<\/em>!\u201d.<a name=\"_ednref7\"><\/a><a href=\"#_edn7\">[7]<\/a> Nos <em>Hinos Hom\u00e9ricos<\/em>, o nome de Baubo (Iamb\u00e9) aparece de modo sutil, apenas duas vezes; contudo, sua import\u00e2ncia \u00e9 fundamental, pois \u00e9 gra\u00e7as a ela \u2013 ou melhor, ao riso que \u00e9 capaz de provocar em Dem\u00e9ter \u2013 que Pers\u00e9fone consegue retornar do Hades. Nos <em>Hinos<\/em>, lemos que <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pers%C3%A9fone\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pers\u00e9fone<\/a> fora raptada por Pluto e conduzida ao Hades enquanto colhia flores com sua m\u00e3e, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Dem%C3%A9ter\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dem\u00e9ter<\/a>. Quando Iamb\u00e9, criada do pal\u00e1cio de Celeu, encontra Dem\u00e9ter em luto pela sua filha, que assim como a m\u00e3e simboliza a fertilidade, toda a terra est\u00e1 seca, n\u00e3o h\u00e1 mais flores, plantas ou frutas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height: 115%\"><em><b>Ofendida, sem voz, por muito tempo permanecia no assento,<\/b><\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height: 115%\"><em><b>a nenhuma se dirigia nem com\u00a0 palavra e nem mesmo com a\u00e7\u00e3o,<\/b><\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height: 115%\"><em><b>mas, semrir, semapetite de comida e de bebida,\u00a0<\/b><\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height: 115%\"><em><b>permanecia, consumindo-se pela saudade da filha de fundacintura,<\/b><\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height: 115%\"><em><b>at\u00e9 que comesc\u00e1rnioIamb\u00e9, devotadamulher,<\/b><\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height: 115%\"><em><b>zombando-se muitodela, fizesse a soberanapuravoltar<\/b><\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;margin-bottom: .0001pt;line-height: 115%\"><em><b>a sorrir e a rir e a ter prop\u00edcio \u00e2nimo.<a name=\"_ednref8\"><\/a><a href=\"#_edn8\">[8]<\/a><\/b><\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No decorrer dos <em>Hinos<\/em>, fica claro como \u00e9 o riso provocado pela zombeteira Baubo\u00a0 que d\u00e1 for\u00e7as a Dem\u00e9ter para que ela consiga tramar um plano e persuadir Zeus a trazer Pers\u00e9fone de volta.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria de Baubo e Dem\u00e9ter \u00e9 a hist\u00f3ria de mulheres que, pelo riso, desafiam a dogm\u00e1tica autoridade masculina. Mas n\u00e3o se trata de um riso qualquer: o pr\u00f3prio mito demonstra como se trata de um riso que surge do ventre e se expressa na face, o \u00fanico capaz de deslocar perspectivas, mostrando que n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre profundidade e superf\u00edcie. Mais ainda, que o riso mais profundo se encontra na superf\u00edcie \u2013\u00a0 nas dobras da vulva.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma outra vers\u00e3o dos <em>Hinos, <\/em>bastante conhecida por Nietzsche, que encontra-se no <em>Protr\u00e9ptikos<\/em>, de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Clemente_de_Alexandria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Clemente de Alexandria<\/a>. Nesta, fica ainda mais claro o car\u00e1ter de transfigura\u00e7\u00e3o presente no riso de Baubo:<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cTendo assim falado, [Baubo] levantou o seu peplo e mostrou, de seu corpo, toda a parte que n\u00e3o convinha [mostrar]; o menino \u00cdaco, que l\u00e1 estava, rindo, precipita a m\u00e3o sob as partes \u00edntimas de Baubo; a deusa, ent\u00e3o, prontamente sorriu, sorriu em seu cora\u00e7\u00e3o; ela aceitou a ta\u00e7a colorida, na qual se achava o c\u00edceon\u201d.<a name=\"_ednref9\"><\/a><a href=\"#_edn9\">[9]<\/a><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Nesta vers\u00e3o do mito, notamos um interessante detalhe: saindo da genit\u00e1lia de Baubo est\u00e1 \u00cdaco, <em>tamb\u00e9m conhecido como Dion\u00edsio<\/em>. O masculino se esconde no sexo feminino, precipita suas m\u00e3os sobre ele e provoca, ao mesmo tempo, um espanto e um riso \u2013 um gozo feminino?.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/03\/28\/supondo-que-a-verdade-seja-uma-mulher-para-uma-etica-da-diferenca-a-partir-de-nietzsche\/baubo\/\" rel=\"attachment wp-att-1152\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1152 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/03\/baubo.jpg\" alt=\"\" width=\"170\" height=\"245\" \/><\/a><\/p>\n<p>Segundo <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sigr%C3%AD%C3%B0ur_%C3%9Eorgeirsd%C3%B3ttir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sigridur Thorgeirsdottir<\/a>, fil\u00f3sofa islandesa que se ocupa atualmente em pensar a problem\u00e1tica do feminino na obra de Nietzsche, haveria nesta vers\u00e3o do mito uma ponte para pensarmos um poss\u00edvel aspecto transg\u00eanero em Baubo, dado que Dion\u00edsio est\u00e1 situado em uma genit\u00e1lia feminina. Tanto Dion\u00edsio quando Baubo s\u00e3o divindades que representam a terra, a vida enquanto nascimento e morte, o eterno retorno. A simbologia aponta assim para o fato de que \u201ca diferen\u00e7a sexual n\u00e3o \u00e9 algo est\u00e1tico, dotando cada sexo de diferen\u00e7as inatas mas, sim, algo que constantemente se torna e se transforma. Quanto maiores as diferen\u00e7as sexuais, melhor, pois resulta em maiores multiplicidades\u201d.<a name=\"_ednref10\"><\/a><a href=\"#_edn10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Saber organizar as multiplicidades \u00e9, para Nietzsche, a condi\u00e7\u00e3o de todo grande estilo e, portanto, o oposto da decad\u00eancia e do niilismo. O riso que surge do ventre de Baubo e se expressa na face, ao qual Nietzsche se refere em <em>A Gaia Ci\u00eancia<\/em>, diz respeito a um ato de deslocar perspectivas, caracter\u00edstico da filosofia de Nietzsche e a partir do qual podemos pensar a problem\u00e1tica da diferen\u00e7a, mais precisamente, da diferen\u00e7a entre o Eu e o Outro.<\/p>\n<p>Thorgeirsdottir explicita a import\u00e2ncia de Baubo e Dion\u00edsio como figuras que indicam n\u00e3o somente para uma poss\u00edvel supera\u00e7\u00e3o da filosofia metaf\u00edsica, mas que nos permitem questionar as tradicionais dicotomias masculino-feminino. Considerando o pr\u00f3prio projeto filos\u00f3fico do \u00faltimo ano de produtividade de Nietzsche, intitulado \u201cTransvalora\u00e7\u00e3o de todos os valores\u201d, n\u00e3o seria equivocado dizer que toda sua filosofia diz respeito \u00e0 possibilidade de pensar a supera\u00e7\u00e3o de toda e qualquer dicotomia.<\/p>\n<p><strong>A cren\u00e7a nas oposi\u00e7\u00f5es, seja entre bem e mal, entre\u00a0 masculino e\u00a0 feminino, seria uma cren\u00e7a pr\u00f3pria de um modo de pensar metaf\u00edsico, e predominantemente executado por homens ao longo da hist\u00f3ria da filosofia ocidental. Mas pensar que n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre as coisas n\u00e3o \u00e9 o mesmo que pensar que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as, pelo contr\u00e1rio. <\/strong><\/p>\n<p>Se Baubo \u00e9 aquela que, por meio do riso, desloca perspectivas e faz com que D\u00e9meter desafie a autoridade masculina, Dion\u00edsio carrega a imagem da gravidez na filosofia de Nietzsche, de tudo aquilo que \u00e9 \u201cprenhe de futuro\u201d.<a name=\"_ednref11\"><\/a><a href=\"#_edn11\">[11]<\/a>Neste sentido, Nietzsche n\u00e3o veria Baubo como feminino no sentindo de um \u2018eterno feminino\u2019, e Dion\u00edsio como uma esp\u00e9cie de \u2018eterno masculino\u2019, pois sua filosofia diz respeito justamente ao ultrapassamento de tais dicotomias.<\/p>\n<p><strong>Ao relacionar Dion\u00edsio com a gravidez e o nascimento, Nietzsche desconstruiria toda e qualquer ideia essencialista sobre os sexos, pois Dion\u00edsio representaria, em um s\u00f3 corpo, uma pluralidade de diferen\u00e7as. Ele \u00e9 o \u2018porta-voz\u2019 do grande estilo, aquele que \u00e9 capaz de fazer a s\u00edntese das oposi\u00e7\u00f5es, mostrando que justamente n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas sim um eterno <em>continuum. <\/em>Em <em>Assim falou Zaratustra<\/em>, s\u00e3o os homens superiores que ficam gr\u00e1vidos, e estes devem, por sua vez, aprender com as mulheres que \u201cn\u00e3o se d\u00e1 \u00e0 luz porque d\u00e1 prazer\u201d,<a name=\"_ednref12\"><\/a><a href=\"#_edn12\">[12]<\/a> que no grito da parturiente h\u00e1 sofrimento e que este \u00e9 prerrogativa para toda transforma\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 no aforismo 231 de<em> Al\u00e9m do bem e do mal<\/em>, Nietzsche diz: \u201cTalvez me seja permitido expor algumas verdades acerca da \u2018mulher em si\u2019: supondo que desde j\u00e1 se saiba que s\u00e3o apenas verdades <em>minhas<\/em>\u201d. Mas quem \u00e9 esta mulher, da qual pretende falar Nietzsche? \u00c9 somente a \u2018mulher em si\u2019, ou seja, apenas uma categoria fict\u00edcia da raz\u00e3o, uma \u2018ideia\u2019, que demonstra precisamente o triunfo do dogmatismo filos\u00f3fico desde Plat\u00e3o. \u00c9 justamente isto que Nietzsche critica, n\u00e3o o feminino, tal como v\u00ea expresso em Baubo e Dion\u00edsio, mas sim a \u2018ideia de mulher\u2019, \u2018ideia\u2019 que teve como pressuposto \u201cdesenraizar a mulher da carne e da terra, exaurir todo seu sangue, fogo e paix\u00e3o, priv\u00e1-la do corpo feminino, transfigurar a mulher numa abstra\u00e7\u00e3o [&#8230;], em outras palavras: colonizar e masculinizar o eterno Feminino\u201d.<a name=\"_ednref13\"><\/a><a href=\"#_edn13\">[13]<\/a><\/p>\n<p><strong>Assim, Nietzsche parece saber que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar sobre \u2018a mulher em si\u2019 mas apenas sobre a ideia que <em>se tem<\/em> da mulher. E isso ocorre precisamente porque \u2018a\u2019 mulher n\u00e3o existe. <\/strong><\/p>\n<p>Dizer que ela n\u00e3o existe significa estarmos despertos para o fato de que a \u201cverdade-mulher, enquanto leveza e gra\u00e7a, simboliza o que h\u00e1 de menos acess\u00edvel, o que mais se furta \u00e0 rid\u00edcula pretens\u00e3o dogm\u00e1tica de posse integral e permanente\u201d.<a name=\"_ednref14\"><\/a><a href=\"#_edn14\">[14]<\/a> O mesmo modo de tratamento se deveria ter com a verdade e com a vida, pois<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u00a0\u201cju\u00edzos de valor acerca da vida, contra ou a favor, nunca podem ser verdadeiros, afinal; eles t\u00eam valor apenas como sintomas [&#8230;] \u00c9 preciso estender ao m\u00e1ximo as m\u00e3os e fazer a tentativa de apreender essa espantosa <em>finesse<\/em>, a de que <em>o valor da vida n\u00e3o pode ser estimado<\/em>. N\u00e3o por um vivente, pois ele \u00e9 parte interessada, at\u00e9 mesmo objeto da disputa, e n\u00e3o juiz, e n\u00e3o por um morto, por outro motivo\u201d.<a name=\"_ednref15\"><\/a><a href=\"#_edn15\">[15]<\/a><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Nietzsche sabe, neste sentido, que quaisquer verdades a respeito da verdade-vida-mulher, s\u00e3o apenas verdades <em>suas<\/em>, logo, s\u00e3o <em>perspectivas<\/em>.<\/p>\n<p>Vimos que os fil\u00f3sofos em geral se relacionaram com a verdade da mesma maneira que com as mulheres: \u201ccomo p\u00e1ssaros que lhes tivessem ca\u00eddo das alturas [&#8230;] como algo que se prende, para que n\u00e3o fuja voando\u201d.<a name=\"_ednref16\"><\/a><a href=\"#_edn16\">[16]<\/a> Eles n\u00e3o compreendem a ironia tr\u00e1gica que atravessa a verdade-mulher, e tamb\u00e9m o amor. Ironia tr\u00e1gica para a qual apenas outra mulher na filosofia de Nietzsche tem ouvidos: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Carmen_(%C3%B3pera)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carmen, da \u00f3pera de Bizet a partir da novela de Merim\u00e9e<\/a>.<\/p>\n<p>Apenas \u00a0Carmen compreende o que para Nietzsche \u00e9 a \u00fanica concep\u00e7\u00e3o de amor digna de um fil\u00f3sofo: \u201co amor como fado, como fatalidade\u201d, ao mesmo tempo \u201cc\u00ednico e inocente\u201d, cruel \u2013 e precisamente nisto, natureza! O amor, que em seus meios \u00e9 a guerra, e no fundo o \u00f3dio mortal dos sexos!\u201d.<a name=\"_ednref17\"><\/a><a href=\"#_edn17\">[17]<\/a> Guerra, neste caso, entendida a partir da ideia de <em><a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Ag%C3%B3n_(palabra)xxx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00c1gon grego<\/a><\/em>, pois este era para Nietzsche o elemento essencial ao desenrolar da trag\u00e9dia grega: a luta entre os dois impulsos antag\u00f4nicos de Apolo e Dion\u00edsio, onde cada um, mito e m\u00fasica, exercia sua parte em prol do espet\u00e1culo tr\u00e1gico.<\/p>\n<p>Na \u00f3pera Carmen, que Nietzsche assiste pela primeira vez em 1881 fazendo diversas anota\u00e7\u00f5es na margem da partitura, como comenta Paolo D\u2019Iorio,<a name=\"_ednref18\"><\/a><a href=\"#_edn18\">[18]<\/a>encontra-se a c\u00e9lebre frase da cigana, onde [se] afirma que<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201co amor \u00e9 um p\u00e1ssaro rebelde, que n\u00e3o se pode prender\u201d. <\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Esquivo e magm\u00e1tico, o amor-verdade-mulher n\u00e3o se deixa capturar. Dom Jos\u00e9, incapaz de aceitar o car\u00e1ter transit\u00f3rio do amor oferecido por Carmen \u2013 lembremos, a \u00fanica forma de amor digna de um fil\u00f3sofo \u2013, a mata. Ele \u00e9 incapaz de permanecer, como Carmen, valentemente na dobra, na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Ora, n\u00e3o teria sido justamente esta a maneira pela qual os fil\u00f3sofos lidaram com a verdade-mulher, tal como Nietzsche a exp\u00f5e no Pref\u00e1cio a <em>Al\u00e9m do bem e do mal?<\/em> Incapazes de acess\u00e1-la, preferiram, como Dom Jos\u00e9, assassin\u00e1-la. Dom Jos\u00e9 \u00e9 incapaz de conviver com as diferen\u00e7as que se imp\u00f5em entre o amor dele e o amor de Carmen, e acredita fazer justi\u00e7a ao mat\u00e1-la. Ele n\u00e3o compreende que a ironia do amor \u00e9 precisamente a impossibilidade de haver tal justi\u00e7a, dado que \u201chomem e mulher entendem por amor coisas diferentes\u201d.<a name=\"_ednref19\"><\/a><a href=\"#_edn19\">[19]<\/a>A \u00fanica justi\u00e7a poss\u00edvel se daria, nesse sentido, enquanto manuten\u00e7\u00e3o e cultivo das diferen\u00e7as<strong>. <\/strong><\/p>\n<p>Segundo Thorgeirsdottir, quando Nietzsche se manifesta, em diversos momentos, contr\u00e1rio \u00e0s ideais de \u2018igualdade<strong>\u2019<\/strong> entre homem e mulher, isso deve ser entendido apenas na medida em que \u201cele n\u00e3o quer que homem e mulher tenham os mesmos atributos e apar\u00eancias, mas que ambos sejam mantidos nas suas diferen\u00e7as. Um tipo genericamente andr\u00f3geno seria um horror para Nietzsche, dado que ele acentua a pluralidade das diferen\u00e7as\u201d.<a name=\"_ednref20\"><\/a><a href=\"#_edn20\">[20]<\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong>Para Nietzsche, primeiro seria preciso toda uma mudan\u00e7a no sistema pol\u00edtico, que abarcasse a diferen\u00e7a <em>do<\/em> e <em>no<\/em> feminino. E se a filosofia metaf\u00edsica revela a viol\u00eancia por meio da qual os fil\u00f3sofos dogm\u00e1ticos acreditaram ser poss\u00edvel (des)cobrir a verdade, ent\u00e3o parece-nos que o que Nietzsche definitivamente n\u00e3o quer, \u00e9 um mundo mais masculino.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o se trata de deslegitimar toda a hist\u00f3ria da filosofia realizada por tais fil\u00f3sofos, mas sim, como sugerem Oliver e Pearsal a prop\u00f3sito da estrat\u00e9gia adotada por Irigaray em <em>Veiled Lips<\/em>, seduzi-los a um di\u00e1logo com a fil\u00f3sofa-amante que h\u00e1 em n\u00f3s, colocando-nos ao mesmo tempo dentro e fora de seus argumentos e, deste modo, \u201cinsinuando o feminino dentro de seus sistemas\u201d.<a name=\"_ednref21\"><\/a><a href=\"#_edn21\">[21]<\/a> Trata-se de dialogar com os dogm\u00e1ticos a partir da \u201cfala-mulher\u201d que nos \u00e9 pr\u00f3pria, apontando para os espa\u00e7os \u2018vazios\u2019 no discurso filos\u00f3fico como espa\u00e7os potencialmente produtores da diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Para Nietzsche, meu fil\u00f3sofo-amante, a cren\u00e7a na \u201craz\u00e3o\u201d da linguagem \u00e9 o que caracterizou a hist\u00f3ria da filosofia at\u00e9 aqui, tal qual uma enganadora senhora que tornou-se mais c\u00e9tica e devotada com o passar dos anos. Tamb\u00e9m n\u00f3s, mulheres, podemos cair no mesmo erro que os dogm\u00e1ticos. N\u00e3o estamos menos livres de risco do que eles. Nietzsche borra as fronteiras, mais uma vez, e com isso cria novos espa\u00e7os produtores de sentido. Pois, afinal, \u201cn\u00e3o nos livraremos de Deus\u201d enquanto ainda acreditarmos \u201cna gram\u00e1tica\u201d.<a name=\"_ednref22\"><\/a><a href=\"#_edn22\">[22]<\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong>Se Nietzsche nos mostra que a linguagem \u00e9 n\u00e3o um mero reflexo da realidade, mas que ela carrega uma dimens\u00e3o simb\u00f3lica de cria\u00e7\u00e3o desta realidade, como superf\u00edcie que continuamente forma dobras, ent\u00e3o sustenta-se a\u00ed o compromisso feminista de qualquer uma ou qualquer um que esteja interessado em pensar diferentes usos da linguagem como produ\u00e7\u00e3o e gesta\u00e7\u00e3o de novos sentidos, dando \u00e0 luz, quem sabe, <span style=\"text-decoration: line-through\">a<\/span> outras realidades, que sejam estas tamb\u00e9m realidades do outro, e n\u00e3o somente do eu ou do mesmo.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Dedico este texto a todas as mulheres que gestam: um trabalho, um saber, um desejo, uma revolu\u00e7\u00e3o, uma ideia, ou um outro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4464478Y2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Isadora Petry<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">S\u00e3o Paulo, Maio de 2018<\/p>\n<hr \/>\n<p><a name=\"_edn1\"><\/a><a href=\"#_ednref1\">[1]<\/a> OLIVER, K., PEARSAL, M. \u201cPreface\u201d, In: <em>Feminist Interpretations of Friedrich Nietzsche<\/em>. Pennsylvania: The Pennsylvania State University Press, 1998, p. 3.<\/p>\n<p><a name=\"_edn2\"><\/a><a href=\"#_ednref2\">[2]<\/a> GIACOIA JUNIOR, O. <em>Natureza Humana, <\/em>vol. 4, n.1, 2002.<\/p>\n<p><a name=\"_edn3\"><\/a><a href=\"#_ednref3\">[3]<\/a> Em alem\u00e3o: \u201cVorausgesetzt, dass die WahrheiteinWeibist \u2014, wie?\u201d. Na tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas (Cia das Letras, Trad. de Paulo C\u00e9sar de Souza), foi suprimido o travess\u00e3o e a palavra \u2018wie\u2019 (como). Isso merece ser destacado, pois ao introduzir a pergunta pelo \u201c<em>como<\/em>\u201d, Nietzsche se op\u00f5e\u00e0 tradicional pergunta metaf\u00edsica pelo \u201co qu\u00ea\u201d, instaurando, assim, uma nova maneira de colocar perguntas e, portanto, de fazer filosofia. Por esta observa\u00e7\u00e3o, agrade\u00e7o a troca de ideias com meu amigo e fil\u00f3sofo nada dogm\u00e1tico, Bruno Machado.<\/p>\n<p><a name=\"_edn4\"><\/a><a href=\"#_ednref4\">[4]<\/a><em> Al\u00e9m do bem e do mal<\/em>, Pref\u00e1cio.<\/p>\n<p><a name=\"_edn5\"><\/a><a href=\"#_ednref5\">[5]<\/a><em> Crep\u00fasculo dos \u00cddolos<\/em>, IV \u00a7 2.<\/p>\n<p><a name=\"_edn6\"><\/a><a href=\"#_ednref6\">[6]<\/a><em> Humano<\/em>, <em>demasiado Humano<\/em>. Das coisas primeiras e \u00faltimas, \u00a7 1.<\/p>\n<p><a name=\"_edn7\"><\/a><a href=\"#_ednref7\">[7]<\/a><em> Gaia Ci\u00eancia<\/em>, Pref\u00e1cio \u00a7 3.<\/p>\n<p><a name=\"_edn8\"><\/a><a href=\"#_ednref8\">[8]<\/a>A tradu\u00e7\u00e3o dos hinos aqui utilizada \u00e9 de: MASSI, M. <em>Dem\u00e9ter: <\/em>a repuls\u00e3o medida. (Disserta\u00e7\u00e3o) 2001. Mestrado em Letras Cl\u00e1ssicas \u2013 Faculdade de Letras, Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, USP, p. 27.<\/p>\n<p><a name=\"_edn9\"><\/a><a href=\"#_ednref9\">[9]<\/a>Clemente de Alexandria. <em>Exorta\u00e7\u00e3o aos gregos. <\/em>Trad. Rita de C\u00e1ssia Cod\u00e1 dos Santos. S\u00e3o Paulo: Realiza\u00e7\u00f5es Editora, 2013, p. 51.<\/p>\n<p><a name=\"_edn10\"><\/a><a href=\"#_ednref10\">[10]<\/a>THORGEIRSDOTTIR, S. <em>Baubo, Lauter, Eroticism and Science to come. <\/em>In: Jarhbuch der Nietzsche-Gesellschaft. Band 19. Berlin: Akademie-Verlag, 2012, p. 70. Salvo indica\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de minha autoria.<\/p>\n<p><a name=\"_edn11\"><\/a><a href=\"#_ednref11\">[11]<\/a><em>Gaia Ci\u00eancia<\/em>, \u00a7 370.<\/p>\n<p><a name=\"_edn12\"><\/a><a href=\"#_ednref12\">[12]<\/a><em>Assim falou Zaratustra, <\/em>Das Ilhas bem-aventuradas.<\/p>\n<p><a name=\"_edn13\"><\/a><a href=\"#_ednref13\">[13]<\/a>GIACOIA JUNIOR, O. Op.cit, p. 15.<\/p>\n<p><a name=\"_edn14\"><\/a><a href=\"#_ednref14\">[14]<\/a>Ibidem.<\/p>\n<p><a name=\"_edn15\"><\/a><a href=\"#_ednref15\">[15]<\/a><em>Crep\u00fasculo dos \u00cddolos<\/em>, O problema de S\u00f3crates \u00a7 2.<\/p>\n<p><a name=\"_edn16\"><\/a><a href=\"#_ednref16\">[16]<\/a><em>Al\u00e9m do bem e do mal<\/em>, \u00a7 237<sup>a. <\/sup><\/p>\n<p><a name=\"_edn17\"><\/a><a href=\"#_ednref17\">[17]<\/a><em>O Caso Wagner<\/em>, \u00a7 2.<\/p>\n<p><a name=\"_edn18\"><\/a><a href=\"#_ednref18\">[18]<\/a>D\u2019IORIO, P. \u201cNietzsche entre Trist\u00e3o e Carmen\u201d. Trad. Henry Burnett e Ernani Chaves. In: <em>Estudos Nietzsche<\/em>, vol. 3, n.2, 2012.<\/p>\n<p><a name=\"_edn19\"><\/a><a href=\"#_ednref19\">[19]<\/a><em>Gaia Ci\u00eancia<\/em>, \u00a7 363.<\/p>\n<p><a name=\"_edn20\"><\/a><a href=\"#_ednref20\">[20]<\/a>Op.cit, p. 69.<\/p>\n<p><a name=\"_edn21\"><\/a><a href=\"#_ednref21\">[21]<\/a>OLIVER, K., PEARSAL, M., Op.cit, p. 8.<\/p>\n<p><a name=\"_edn22\"><\/a><a href=\"#_ednref22\">[22]<\/a><em>Crep\u00fasculo dos \u00cddolos<\/em>, A raz\u00e3o na filosofia, \u00a7 5.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'times new roman', times, serif\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Friedrich Nietzsche, fil\u00f3sofo alem\u00e3o nascido em 1844, filho de Franziska Oehler e Carl Ludwig, n\u00e3o parece ser, \u00e0 primeira vista, uma figura privilegiada ou mesmo diferenciada para se pensar quest\u00f5es referentes \u00e0 discuss\u00e3o de g\u00eanero. Ainda que Hannah Arendt, Lou-Andreas Salom\u00e9 e a pioneira da psican\u00e1lise, Sabina Spielrein, tenham lido e escrito sobre a filosofia de Nietzsche, ele permanece, at\u00e9 os dias de hoje, no \u00e2mbito da suspeita quando se trata de discutir o tema da mulher ou do feminino&#8230;.<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2019\/03\/28\/supondo-que-a-verdade-seja-uma-mulher-para-uma-etica-da-diferenca-a-partir-de-nietzsche\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":314,"featured_media":1150,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[75,109],"tags":[69,111,110,46],"class_list":["post-1110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-atualidade","category-genero","tag-etica","tag-feminino","tag-genero","tag-nietzsche"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/03\/Lou_Ree_Nietzsche.gif","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/314"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1110"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1848,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1110\/revisions\/1848"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}