{"id":1244,"date":"2019-03-29T00:34:46","date_gmt":"2019-03-29T03:34:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/?p=1244"},"modified":"2020-06-04T13:25:27","modified_gmt":"2020-06-04T16:25:27","slug":"democracia-de-genero-i-e-possivel-um-pacto-entre-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2019\/03\/29\/democracia-de-genero-i-e-possivel-um-pacto-entre-mulheres\/","title":{"rendered":"Democracia de g\u00eanero (I): \u00e9 poss\u00edvel um pacto entre mulheres?"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>\u201cA democracia n\u00e3o pode funcionar ao menos que haja 50% de mulheres em todos os postos de poder, em todas as partes&#8230;\u201d, Berir\u00e4s, 1990.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Podemos falar em democracia diante das desigualdades de g\u00eanero que se expressam diariamente nos diferentes espa\u00e7os da sociedade, nos quais milhares de mulheres est\u00e3o sujeitas \u00e0 injusti\u00e7as, pr\u00e1ticas de exclus\u00e3o, confinamento ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia de todos os tipos, silenciamento, invisibilidade e hierarquias nos espa\u00e7os de poder?<\/strong><\/p>\n<p>Os din\u00e2micos processos de constru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica permitem identificar ao longo da hist\u00f3ria uma perspectiva de g\u00eanero diferenciada para homens e mulheres que se expressa em pelo menos dois n\u00edveis: na constru\u00e7\u00e3o da cidadania e nas institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do Estado. No primeiro n\u00edvel, n\u00f3s mulheres fomos exclu\u00eddas do status de cidadania e consideradas \u201csujeitos pol\u00edticos\u201d somente ap\u00f3s a conquista do voto, depois de muita luta do movimento sufragista.<\/p>\n<p>Ao termos a cidadania negada, n\u00f3s mulheres nem sequer tivemos acesso aos direitos democr\u00e1ticos. Uma vez conseguido o status de cidad\u00e3s, a consolida\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de g\u00eanero atribu\u00eddos a homens e mulheres pela sociedade moderna fez com que a nossa participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social se tornasse extremamente dif\u00edcil, porque j\u00e1 se havia consolidado uma divis\u00e3o sexual do trabalho que nos mantinha reclusas ao \u00e2mbito privado. Qualquer situa\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica que provinha desse espa\u00e7o era exclu\u00edda da agenda pol\u00edtica.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A dimens\u00e3o de g\u00eanero que permeou a constru\u00e7\u00e3o da sociedade democr\u00e1tica decretou que a mulher \u00e9 inferior, e privilegiou os homens reservando-lhes o espa\u00e7o social onde atuam, ou seja, o \u00e2mbito p\u00fablico<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<p>O segundo n\u00edvel que demarca a diferen\u00e7a entre homens e mulheres, e que est\u00e1 aqu\u00e9m de configurar uma democracia de g\u00eanero, tanto p\u00fablica como privada, \u00e9 o pleno funcionamento das estruturas e institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do Estado de direito. Ou seja, democracias consolidadas e um Estado que garanta os direitos dos cidad\u00e3os constituem o pressuposto b\u00e1sico da democracia de g\u00eanero: a cidadania est\u00e1 associada \u00e0 garantia dos direitos. Sem Estado, n\u00e3o h\u00e1 democracia; tampouco democracia entre os g\u00eaneros.<\/p>\n<p>As \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas de g\u00eanero\u201d em vig\u00eancia nas \u00faltimas d\u00e9cadas t\u00eam apresentado um corte nitidamente <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Assistencialismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">assistencial<\/a>: privilegiam o repasse de recursos sem tomar em conta as capacidades das pessoas e sua autonomia. Os programas assistenciais n\u00e3o buscam garantir direitos. N\u00e3o permitem assegurar as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de exist\u00eancia aut\u00f4noma: a depender da vontade assistencial ou dos programas de \u201cpromo\u00e7\u00e3o\u201d social, nem homens nem mulheres podem desenvolver suas capacidades. Estes programas desvirtuam o conte\u00fado dos direitos sociais e na maioria das vezes esquecem que \u201cas mulheres possuem direitos\u201d, ou melhor, s\u00e3o sujeitos de direitos, possuem compet\u00eancias, intelig\u00eancia e capacidades para propor a\u00e7\u00f5es. A principal preocupa\u00e7\u00e3o das\/dos gestores \u00e9 inserir as mulheres exclu\u00eddas dos direitos m\u00ednimos em \u201cprogramas de benef\u00edcios assistenciais\u201d, relegando-as a meros objetos passivos, receptivos.<\/p>\n<p>Fruto dos movimentos feministas da d\u00e9cada de 1970, muitas mulheres acordaram para v\u00e1rios tipos de opress\u00e3o a que estavam sujeitas, independente das diferen\u00e7as de classe, etnia, religi\u00e3o ou cultura. Nesse sentido foram construindo uma consci\u00eancia comum sobre a necessidade de colocar-se uma ao lado da outra para apoiarem-se mutuamente em rela\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio patriarcal que se caracteriza por um complexo cultural formado pelo sexismo, a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Misoginia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">misoginia<\/a>, o machismo, a homofobia, bem como pelo classismo, racismo, a xenofobia e todos os demais preconceitos que conduzem a exclus\u00e3o e a nega\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Elizabeth_Fox-Genovese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Elizabeth Fox-Genovese<\/a> (1992) lembra que, inicialmente, as mulheres criaram grupos e se identificavam com o termo \u201csororidade\u201d ou \u201cirmandade\u201d expressando os v\u00ednculos entre aquelas que viviam em pequenas comunidades, afirmando lealdades espec\u00edficas entre as mesmas.<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: normal !msorm\"><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2018\/03\/08\/democracia-de-genero-e-possivel-um-pacto-entre-mulheres-i__trashed\/heart-sorority\/\" rel=\"attachment wp-att-1182\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1182 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/02\/heart-sorority-300x240.jpg\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"216\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/02\/heart-sorority-300x240.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/02\/heart-sorority-338x270.jpg 338w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/02\/heart-sorority.jpg 564w\" sizes=\"(max-width: 271px) 100vw, 271px\" \/><\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: normal !msorm\"><strong>\u201cSororidade\u201d \u00e9 uma variante do termo \u201cirmandade\u201d, que prov\u00e9m do latim \u201csor\u201d e \u00e9 definida oficialmente como \u201cirm\u00e3\u201d, mantendo a referencia de uma uni\u00e3o entre as mulheres.\u00a0 \u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Durante o s\u00e9culo XIX, por exemplo, nos Estados Unidos, mulheres negras escravizadas criaram uma densa rede de resist\u00eancia cotidiana \u00e0 opress\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: normal !msorm\"><strong>\u201cEssas mulheres que se reuniam para lavar roupa nos rios, capinar nos campos ou orar nas Igrejas teceram sua irmandade (<i><em>sistherhood<\/em><\/i>) em torno de uma teia de resist\u00eancias (&#8230;)\u201d (Fox-Genovese, 1992, p. 32).<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Para a autora, \u201cno centro da no\u00e7\u00e3o de irmandade est\u00e1 a afirma\u00e7\u00e3o de solidariedade e semelhan\u00e7a entre todas as mulheres\u201d(1992, p34), e foi o sentimento em torno desta categoria que ajudou muitas mulheres de classe m\u00e9dia a romper a muralha do silencio permitindo-lhes criar uma linguagem comum para expressar hostilidades para com os homens. Foram grupos que insistiam que a competitividade e a hierarquia na pol\u00edtica deveria ser substitu\u00eddas pelo igualitarismo n\u00e3o competitivo, e como lembra a autora, era preciso substituir o modelo masculino do individualismo pelo modelo feminino da \u201cirmandade de mulheres\u201d.<\/p>\n<p><strong>Por outro lado, Ana Maria Bach (2010, p. 49) adverte: \u201cdevemos ter cuidado em n\u00e3o cair na m\u00edstica da sororidade\u201d. Desta vez, o interesse comum \u00e9 o feminismo, e a irmandade entre as mulheres, neste caso, equivale a solidariedade pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, muitas mulheres foram se dando conta que continuavam \u201csituadas\u201d e \u201csitiadas\u201d no espa\u00e7o privado. Tal pacto de exclus\u00e3o (do \u00e2mbito c\u00edvico) e reclus\u00e3o (no espa\u00e7o dom\u00e9stico e privado) teve que produzir uma indigna\u00e7\u00e3o, seguida de rea\u00e7\u00e3o por parte das mulheres. O antigo conceito de \u201csororidade\u201d passa a ser \u201ctraduzido\u201d e ressignificado pelas estudiosas do feminismo<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>, um \u201cpacto entre as mulheres\u201d, um \u201cpacto intragen\u00e9rico\u201d acrescido do \u201cpacto intergen\u00e9rico\u201d; uma \u201calian\u00e7a pol\u00edtica\u201d com o firme prop\u00f3sito de responder uma convic\u00e7\u00e3o: frear, diminuir ou impedir a desigualdade de g\u00eanero que rebaixa a mulher a um estado de inexist\u00eancia e marginalidade.<\/p>\n<p><strong>A epistemologia feminista \u00e9 plena de criatividade e dinamismo; longe de ser um campo r\u00edgido e fixo, o pensamento feminista \u00e9 n\u00f4made, rizom\u00e1tico e, portanto, s\u00e3o necess\u00e1rias inven\u00e7\u00f5es, ressignifica\u00e7\u00f5es de novos conceitos, novas imagens e novas formas de pensar.<\/strong><\/p>\n<p>Nesse sentido, o conceito de \u201cpactos entre as mulheres\u201d, de acordo com <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Luisa_Posada_Kubissa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Kubissa<\/a> (1994), surge como uma catapulta contra o patriarcado, dando a entender que as mulheres est\u00e3o embravecidas com os sucessivos \u201cacordos entre homens\u201d que desconsideram totalmente as compet\u00eancias e capacidades das mulheres. Estes pactos tem produzido uma rea\u00e7\u00e3o por parte de \u201csujeitos\u201d (as mulheres) que at\u00e9 agora foram \u201cpactados como objeto\u201d, principalmente no campo da pol\u00edtica. Ou seja, as mulheres est\u00e3o se conscientizando de que querem sair da condi\u00e7\u00e3o de \u201cpactadas\u201d (objeto) para a de \u201cpactantes\u201d (sujeitos). Elas podem estar mais ou menos organizadas, terem maior ou menor n\u00edvel de consci\u00eancia de sua marginalidade ou de sua condi\u00e7\u00e3o de desigual, o importante \u00e9 se unirem em torno das demandas que se caracterizam como domina\u00e7\u00e3o masculina e submetimento.<\/p>\n<p><strong>Perguntamo-nos: \u00e9 poss\u00edvel construir alian\u00e7as entre n\u00f3s mulheres <\/strong><strong>a partir de uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a partir de uma forma diferente de fazer pol\u00edtica, respeitando a \u00c9tica e os Direitos Humanos? Para isso, consideramos necess\u00e1rio adotarmos uma \u201cperspectiva de g\u00eanero\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A perspectiva de g\u00eanero como movimento <em>global<\/em>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Partindo de uma an\u00e1lise antropol\u00f3gica da cultura, <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Marcela_Lagarde\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcela Lagarde<\/a> (1996), lembra que \u00e9 importante reconhecer que todas as culturas elaboram cosmovis\u00f5es sobre os g\u00eaneros. <\/strong><\/p>\n<p>Neste sentido, cada sociedade, cada povo, cada grupo e todas as pessoas possuem uma particular concep\u00e7\u00e3o de g\u00eanero baseada, constru\u00edda, forjada com base em sua pr\u00f3pria cultura. Da mesma forma, cada etnia possui sua particular cosmovis\u00e3o de g\u00eanero e a incorpora a sua identidade cultural, a sua etnicidade.\u00a0 Por esse motivo, para al\u00e9m de conter preconceitos, valores, interpreta\u00e7\u00f5es, normas, deveres e proibi\u00e7\u00f5es sobre a vida das mulheres e homens, para Lagarde (1996, p. 14), \u201ca cosmovis\u00e3o de g\u00eanero pr\u00f3pria, particular \u00e9 marcadamente etnocentrista\u201d. Cada pessoa aprende a identificar-se com a cosmovis\u00e3o de seu mundo e, como consequ\u00eancia, a cosmovis\u00e3o de g\u00eanero \u00e9 estruturante na forma\u00e7\u00e3o de sua identidade.<\/p>\n<p>\u00c9 importante identificar, tamb\u00e9m, as diversas concep\u00e7\u00f5es de g\u00eanero que coexistem em cada sociedade, cada comunidade e em cada pessoa. \u00c9 poss\u00edvel que uma pessoa, ao longo de sua vida modifique sua cosmovis\u00e3o de g\u00eanero simplesmente porque, ao viver, muda a pessoa, muda a sociedade e com ela podem transformar-se seus valores, normas e maneiras de interpretar (julgar) os fatos.<\/p>\n<p><strong>O espa\u00e7o da academia, da milit\u00e2ncia pol\u00edtica, a participa\u00e7\u00e3o em movimentos sociais e inst\u00e2ncias de pol\u00edticas publicas t\u00eam possibilitado a mudan\u00e7a dessa cosmovis\u00e3o em muitas pessoas, tanto homens como mulheres, na medida em que proporciona um olhar cr\u00edtico sobre as quest\u00f5es de g\u00eanero, criando e evidenciando inclusive, uma \u201cperspectiva de g\u00eanero\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Para Lagarde (1996), a perspectiva de g\u00eanero permite analisar e compreender as caracter\u00edsticas que definem as mulheres e os homens de maneira espec\u00edfica, bem como suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. A perspectiva de g\u00eanero analisa as possibilidades vitais das mulheres e dos homens: sua identidade de g\u00eanero, o sentido de suas vidas, suas expectativas e oportunidades, as complexas e diversas rela\u00e7\u00f5es sociais que ocorrem entre os g\u00eaneros, assim como os conflitos institucionais e cotidianos que devem enfrentar e a maneira que o fazem.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de g\u00eanero, por sua vez, para Lagarde (1996, p. 16) \u201c\u00e9 delatora da ordem patriarcal, contem de maneira expl\u00edcita uma cr\u00edtica aos aspectos nocivos, destrutivos, opressivos e alienantes que se produzem na sociedade baseada na desigualdade, na injusti\u00e7a e na hierarquiza\u00e7\u00e3o das pessoas, fundamentada no g\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p><strong>A ades\u00e3o de mulheres \u00e0 perspectiva de g\u00eanero tem ocorrido como um processo aberto de cria\u00e7\u00e3o te\u00f3rico metodol\u00f3gica, de constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos e pr\u00e1ticas sociais e pol\u00edticas. <\/strong><\/p>\n<p>D\u00e9cada a d\u00e9cada, ano ap\u00f3s ano, mulheres de uma grande diversidade de pa\u00edses, culturas, institui\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos tem se identificado entre si e contribu\u00eddo para enfrentar problemas antes inimagin\u00e1veis. Elas t\u00eam estabelecido redes de comunica\u00e7\u00e3o, aprendizagem e investiga\u00e7\u00e3o e a partir destas, de participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A diversidade de mulheres e de problem\u00e1ticas que lhe dizem respeito tem encontrado na perspectiva de g\u00eanero uma via para fazer avan\u00e7ar suas propostas; para tanto, tem criado mecanismos institucionais, redes, encontros, espa\u00e7os, f\u00f3runs, congressos e assembleias. Atrav\u00e9s destes encontros e comunica\u00e7\u00f5es, sobretudo mediante as produ\u00e7\u00f5es de conhecimento que dali emerge, elas tem compartilhado descobertas, comparado e sistematizado experi\u00eancias e pouco a pouco tecido consensos e<\/p>\n<p>As teorias que convergem para uma perspectiva de g\u00eanero t\u00eam permitido uma constru\u00e7\u00e3o das mulheres ao mesmo tempo, individual e coletiva, intelectual e emp\u00edrica, pragm\u00e1tica e te\u00f3rica, filos\u00f3fica e, sobretudo, pol\u00edtica.<\/p>\n<blockquote><p>Atualmente, a perspectiva de g\u00eanero \u00e9 um dos processos s\u00f3cio culturais mais valiosos por sua capacidade de mobilizar e por seus frutos: mulheres de todo o mundo e de todas as condi\u00e7\u00f5es sociais vivem uma experi\u00eancia de identidade abarcadora \u2013 <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Marcha_Mundial_de_las_Mujeres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">vide a Marcha Mundial de Mulheres<\/a> &#8211; e contam com recursos de produ\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o \u201cna pr\u00e1tica\u201d de alternativas concretas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por esse motivo, a perspectiva de g\u00eanero se baseia em \u201coutra l\u00f3gica\u201d para analisar os temas comuns, implica em outros valores, confere outro sentido \u00e9tico a determinadas situa\u00e7\u00f5es, choca e coloca em confronto as convic\u00e7\u00f5es ancestrais de muitas pessoas.<\/p>\n<p>O Olhar atrav\u00e9s da perspectiva de g\u00eanero feminista nomeia de outras maneiras os fatos, explicita o que est\u00e1 oculto, visibiliza o que est\u00e1 escondido, vocifera o silenciado! Inclui o prop\u00f3sito de revolucionar a ordem dos poderes entre os g\u00eaneros e com isto, a vida cotidiana, as rela\u00e7\u00f5es, os pap\u00e9is e os estatutos de mulheres e homens. Abrange, de maneira concomitante, provocar mudan\u00e7as na sociedade, nas normas, nas cren\u00e7as, nos valores e no pr\u00f3prio Estado, ocasionando mal estar nas pessoas mais r\u00edgidas e\/ou resistentes (Lagarde, 1996).<\/p>\n<blockquote><p>Um Estado que incorpore a perspectiva de g\u00eanero, que garanta os direitos dos cidad\u00e3os constitui o pressuposto b\u00e1sico da democracia de g\u00eanero: a cidadania est\u00e1 associada \u00e0 garantia dos direitos.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right\"><strong><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4785586A6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Teresa KLEBA LISBOA<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Santa Catarina, 2018<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> KUBISSA, 1994; LAGARDE, 1996; RODRIUES, 2002; AMOR\u00d3S, 2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA democracia n\u00e3o pode funcionar ao menos que haja 50% de mulheres em todos os postos de poder, em todas as partes&#8230;\u201d, Berir\u00e4s, 1990. Podemos falar em democracia diante das desigualdades de g\u00eanero que se expressam diariamente nos diferentes espa\u00e7os da sociedade, nos quais milhares de mulheres est\u00e3o sujeitas \u00e0 injusti\u00e7as, pr\u00e1ticas de exclus\u00e3o, confinamento ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia de todos os tipos, silenciamento, invisibilidade e hierarquias nos espa\u00e7os de poder? Os din\u00e2micos processos de constru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica permitem identificar&#8230;<\/p>\n<p class=\"read-more\"><a class=\"btn btn-default\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2019\/03\/29\/democracia-de-genero-i-e-possivel-um-pacto-entre-mulheres\/\"> Read More<span class=\"screen-reader-text\">  Read More<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":315,"featured_media":1182,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[75,112,109,93],"tags":[43,69,78,45],"class_list":["post-1244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-atualidade","category-etica","category-genero","category-justica","tag-democracia","tag-etica","tag-poder","tag-politica"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-content\/uploads\/sites\/118\/2018\/02\/heart-sorority.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/users\/315"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1244"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1847,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1244\/revisions\/1847"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}