{"id":172,"date":"2016-12-04T20:26:35","date_gmt":"2016-12-04T22:26:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/?p=172"},"modified":"2018-12-11T09:42:41","modified_gmt":"2018-12-11T11:42:41","slug":"post-3-genoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2016\/12\/04\/post-3-genoma\/","title":{"rendered":"Potenciais usos e aplica\u00e7\u00f5es das t\u00e9cnicas de edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p>As recentes t\u00e9cnicas de engenharia gen\u00e9tica trar\u00e3o transforma\u00e7\u00f5es important\u00edssimas em v\u00e1rias esferas da nossa exist\u00eancia. Antes de entrar no dom\u00ednio da manipula\u00e7\u00e3o do genoma humano, observemos por exemplo uma aplica\u00e7\u00e3o not\u00e1vel: a CRISPR-cas9 promete ser capaz de<strong> erradicar <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KgvhUPiDdq8\">a epidemia de ZIKA<\/a> e de dengue<\/strong>, de acabar com a <strong>mal\u00e1ria<\/strong> e doen\u00e7as semelhantes transmiss\u00edveis via mosquitos.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 esp\u00e9cie humana as promessas s\u00e3o ainda maiores. Dentro das aplica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis da edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica neste \u00e2mbito, h\u00e1 duas esferas que pedem para ser imediatamente consideradas. A primeira tem a ver com a <strong><em>terap\u00eautica<\/em><\/strong>; a segunda, com a <strong><em>eugenia<\/em><\/strong><em>. <\/em><\/p>\n<p><strong>Terap\u00eautica<\/strong><\/p>\n<p>O leque de usos poss\u00edveis da edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade \u00e9 assombroso: diversos tipos de <strong>tumores<\/strong>, <strong>malforma\u00e7\u00f5es<\/strong> e <strong>doen\u00e7as heredit\u00e1rias<\/strong>; enfermidades como o <strong>HIV<\/strong>, a <strong>Hepatite B<\/strong> e inclusive transtornos mentais como a <strong>depress\u00e3o<\/strong> ou a <strong>esquizofrenia<\/strong> poderiam ser combatidos e eliminados\u00a0<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>E h\u00e1 mais. Combinando tecnologias, a comunidade cient\u00edfica est\u00e1 considerando seriamente a possibilidade de criar <strong>clones<\/strong> id\u00eanticos ao indiv\u00edduo doente <em>por\u00e9m sem c\u00e9rebro <\/em>e com \u00f3rg\u00e3os s\u00e3os, de maneira que, caso necess\u00e1rio, possa ser executado o <strong>transplante<\/strong> com independ\u00eancia da disponibilidade \u201cnatural\u201d de doadores e com uma compatibilidade in\u00e9dita em rela\u00e7\u00e3o ao corpo do receptor.<\/p>\n<p><strong>Eugenia<\/strong><\/p>\n<p>Mas os usos poss\u00edveis das novas tecnologias n\u00e3o s\u00e3o apenas negativos: n\u00e3o se trata somente de uma <em>liberta\u00e7\u00e3o da dor<\/em>, mas da <strong>articula\u00e7\u00e3o <em>positiva <\/em><\/strong>de uma vida \u201cmelhor\u201d. O segundo \u00e2mbito onde as aplica\u00e7\u00f5es das novas tecnologias se perfilam \u00e9, para diz\u00ea-lo claramente, o da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Eugenia\"><em>eugenia<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Ter uma pele <strong>mais resistente<\/strong> \u00e0s radia\u00e7\u00f5es nocivas; gerar ossos, m\u00fasculos, tend\u00f5es com uma <strong>performance otimizada<\/strong>; livrar a humanidade de pequenas defici\u00eancias como a miopia, o astigmatismo ou similares e uma longa s\u00e9rie de <em>upgrades<\/em>: tudo isso n\u00e3o \u00e9 mais fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Os cientistas se debatem: falam de <em>introduzir <\/em>mudan\u00e7as para o <em>melhoramento da esp\u00e9cie, <\/em>de estender a vida, de dar um<strong> novo salto evolutivo<\/strong> \u201ccontrolado\u201d, independente das delongas pr\u00f3prias dos processos naturais e sem dar lugar \u00e0 aleatoriedade. Os otimistas se empolgam. Os investidores se interessam. A popula\u00e7\u00e3o observa, at\u00f4nita, enquanto os intelectuais e os Estados lidam como podem com o fen\u00f4meno.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Quando a engenharia gen\u00e9tica se combina com a neuroci\u00eancia um universo novo de possibilidades &#8211; e problemas &#8211; se abre. Cfr. <a href=\"http:\/\/anpof.org\/portal\/index.php\/pt-BR\/comunidade\/coluna-anpof\/965-edicao-de-genes-e-problemas-morais-na-interface-entre-bioetica-e-neuroetica-2\">DALL\u00b4AGNOL, D., <em>Edi\u00e7\u00e3o de genes e problemas morais na interface entre bio\u00e9tica e neuro\u00e9tica<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As recentes t\u00e9cnicas de engenharia gen\u00e9tica trar\u00e3o transforma\u00e7\u00f5es important\u00edssimas em v\u00e1rias esferas da nossa exist\u00eancia. 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