{"id":734,"date":"2017-08-30T23:38:18","date_gmt":"2017-08-31T02:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/?p=734"},"modified":"2017-11-09T19:52:12","modified_gmt":"2017-11-09T21:52:12","slug":"tempo-originario-esperanca-e-utopia-em-memoria-de-carolina-blasio-da-silva-e-maria-erbia-carnauba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/openphilosophy\/2017\/08\/30\/tempo-originario-esperanca-e-utopia-em-memoria-de-carolina-blasio-da-silva-e-maria-erbia-carnauba\/","title":{"rendered":"TEMPO ORIGIN\u00c1RIO, ESPERAN\u00c7A E UTOPIA &#8211; Em mem\u00f3ria de Carolina Blasio da Silva e Maria \u00c9rbia Carna\u00faba"},"content":{"rendered":"<p><strong>Com enorme tristeza e transtorno, n\u00f3s lamentamos o falecimento das Dras. <\/strong><strong>Carolina Blasio da Silva<\/strong><strong> e Maria \u00c9rbia Carna\u00faba. Ambas as fil\u00f3sofas da Unicamp eram muito queridas no meio acad\u00eamico, e far\u00e3o uma enorme falta em nosso caminhar. Com colossal indigna\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m protestamos contra a falta de seguran\u00e7a do aeroporto de Viracopos, que, diferente do que afirmou a m\u00eddia, foi a respons\u00e1vel pelo acidente que privou-nos de ambas as mulheres, em 26 de agosto de 2017. Essa trag\u00e9dia evidencia o qu\u00e3o estamos longes de termos respeitados os itens b\u00e1sicos da civiliza\u00e7\u00e3o, como a prote\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito. Exigimos puni\u00e7\u00f5es severas aos respons\u00e1veis pela vulnerabilidade das v\u00edtimas, e nos solidarizamos, amigavelmente, com seus entes pr\u00f3ximos. Nada poder\u00e1 traz\u00ea-las de volta. Por outro lado, elas seguir\u00e3o vivas em nossas lembran\u00e7as, sentimentos, e na for\u00e7a ativa de seus textos.<\/strong><\/p>\n<p>Em mem\u00f3ria de ambas, elaboraremos, aqui, uma breve reflex\u00e3o filos\u00f3fica, com base em seus livros, que visar\u00e1, entre outros fins, nos ajudar a elaborar a trag\u00e9dia. Mais especificamente, comentaremos a an\u00e1lise de Blasio da Silva, desenvolvida em sua Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, da interpreta\u00e7\u00e3o de M. Heidegger (1889 \u2013 1976) da experi\u00eancia original do tempo na teologia de Paulo de Tarso (5 a. C. \u2013 57 d. C.). Conforme a doutora, essa temporalidade difere da concep\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria de tempo, de heran\u00e7a grega e pautada na ideia de sua linearidade absoluta; e tampouco se harmoniza com a perspectiva plat\u00f4nica da eternidade im\u00f3vel do real. Como esse tempo original tamb\u00e9m n\u00e3o implica, necessariamente, para Heidegger, o eterno retorno de F. Nietzsche, mostraremos como Blasio da Silva e Erbia Carna\u00faba concordam em que \u2013 como a segunda exp\u00f5e, em sua tese de doutorado sobre o pensamento ut\u00f3pico de H. Marcuse (1898 \u2013 1979) \u2013 a cria\u00e7\u00e3o do novo, situado no instante urgente do mundo factual, n\u00e3o pode ser subtra\u00eddo da concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica da hist\u00f3ria. Para ambas as autoras, a instancia\u00e7\u00e3o inovadora depende, sobretudo, da esperan\u00e7a em um mundo melhor, cuja radicalidade filos\u00f3fica se expressa no conceito de utopia.<\/p>\n<p>Em <em>A quest\u00e3o do tempo origin\u00e1rio revelado pelo jovem Heidegger a partir da faticidade da vida crist\u00e3 a despeito da compreens\u00e3o cotidiana <\/em>(2009), Blasio da Silva endossou a concep\u00e7\u00e3o de que a experi\u00eancia original do tempo est\u00e1 para al\u00e9m da linearidade absoluta, sustentada pela concep\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, fundada sobre a heran\u00e7a grega. Como, al\u00e9m disso, essa experi\u00eancia tamb\u00e9m n\u00e3o se encaixa nos moldes das ideias eternas de Plat\u00e3o, ela s\u00f3 pode ser entendida no meio de ambas as concep\u00e7\u00f5es. No cap\u00edtulo <em>Esquecer o que fica para tr\u00e1s e avan\u00e7ar para o que est\u00e1 adiante<\/em>, a autora precisa, com bastante vigor, alguns dos elementos mais necess\u00e1rios \u00e0 compreens\u00e3o dessa concep\u00e7\u00e3o original de tempo, do modo como Heidegger a relaciona com viv\u00eancia teol\u00f3gica de Paulo. Grosso modo, Blasio da Silva destaca que o <em>esquecimento<\/em> (da historicidade e do simbolismo judaico) e o <em>avan\u00e7o<\/em> de Paulo rumo a uma nova percep\u00e7\u00e3o do tempo dependem \u2013 no seu caso \u2013 da f\u00e9; como ela especifica a seguir:<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o estamos lidando com um modo l\u00f3gico de argumenta\u00e7\u00e3o, mas esta [a experi\u00eancia original do tempo] surge da consci\u00eancia de f\u00e9. O argumento principal de Paulo \u00e9 que o pr\u00f3prio Abra\u00e3o se justifica apenas pela f\u00e9. O preenchimento da lei \u00e9 imposs\u00edvel, apenas a f\u00e9 justifica. N\u00e3o \u00e9 a lei com seus trabalhos e moral que sinaliza, mas a f\u00e9 em Jesus; a gra\u00e7a e n\u00e3o o trabalho dos homens leva ao \u2018caminho da salva\u00e7\u00e3o\u2019. Quem permanece sob a lei est\u00e1 condenado. Assim, o \u2018trabalho da lei\u2019 (Gl 3, 2) est\u00e1 em afiada oposi\u00e7\u00e3o com o \u2018ouvir da f\u00e9\u2019 (Rm 10, 13-14)\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Blasio da Silva escreve que, gra\u00e7as \u00e0 f\u00e9, Paulo p\u00f4de se abrir a uma nova experi\u00eancia do tempo, na qual o \u201cquando\u201d e o instante (\u03ba\u03b1\u03b9\u03c1\u1f78\u03c2) n\u00e3o foram captados \u201cno sentido de um tempo positivo\u201d<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>, mas se refeririam \u201c\u00e0 oportunidade e decis\u00e3o\u201d, levadas a cabo em um movimento particular, \u201creflexivo, permanentemente ativo e passivo\u201d. Nessa liberta\u00e7\u00e3o da historicidade meramente cronol\u00f3gica, a autora entende que o crist\u00e3o paulino \u201cvive em um permanente somente-ainda, em que n\u00e3o h\u00e1 tempo para protelar\u201d<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>, e em cuja profiss\u00e3o de f\u00e9, consuma a sua esperan\u00e7a, no sentido aut\u00eantico do termo. Conforme Blasio da Silva, a esperan\u00e7a remete, na literatura b\u00edblica, \u00e0 ideia da \u201c\u03c0\u03b1\u03c1\u03bf\u03c5\u03c3\u03af\u03b1\u201d. No juda\u00edsmo tardio, esse termo significa \u201ca chegada do messias como representante de Deus\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>. No entanto, conforme Heidegger, a \u201c\u03c0\u03b1\u03c1\u03bf\u03c5\u03c3\u03af\u03b1\u201d verdadeiramente crist\u00e3 vai muito al\u00e9m de uma mera expectativa hist\u00f3rica, relacionada ao imp\u00e9rio terrestre ou celeste do Messias, e a imortalidade da alma. Em suas palavras: \u201cA esperan\u00e7a que os crist\u00e3os t\u00eam n\u00e3o \u00e9 simplesmente f\u00e9 na imortalidade, mas uma resili\u00eancia crente fundamentada na vida crist\u00e3\u201d<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>. Esse movimento n\u00e3o linear e muito mais aparentado \u00e0 ideia do c\u00edrculo foi simbolizado, na teologia de Paulo, pela imagem da convers\u00e3o. Com as seguintes palavras, Blasio da Silva vincula a li\u00e7\u00e3o formal da temporalidade original de Heidegger \u00e0 faticidade da vida de Paulo:<\/p>\n<p><strong>\u201cH\u00e1 uma ruptura na exist\u00eancia de Paulo, e a partir da\u00ed ele consuma sua obra como ap\u00f3stolo e como humano. A f\u00e9 \u00e9 a esperan\u00e7a pela \u2018conclus\u00e3o do in\u00edcio\u2019, diz Heidegger, n\u00e3o se concebe com isso uma \u2018condi\u00e7\u00e3o\u2019 de f\u00e9 que espera a gl\u00f3ria final, mais exatamente esta \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o consumativa da entrada preocupante em um futuro certo, mas indeterminado\u201d<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Vemos, portanto, algumas das ambival\u00eancias fundamentais da experi\u00eancia original do tempo encontrada por Heidegger nas ep\u00edstolas paulinas: o futuro \u00e9 certo, mas indeterminado; a luta, necess\u00e1ria, mas quando empreendida com sabedoria, tem menos o car\u00e1ter ativo da gl\u00f3ria, lei e trabalho, e mais a conota\u00e7\u00e3o passiva da esperan\u00e7a, f\u00e9 e gra\u00e7a. Essa, por sua vez, \u00e9 \u201ca esperan\u00e7a pela \u2018conclus\u00e3o do in\u00edcio\u2019\u201d<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>. Faz-se patente a ruptura com a l\u00f3gica cronol\u00f3gico-objetiva: futuro e passado n\u00e3o est\u00e3o mais divorciados pelo abismo do presente. Ambos est\u00e3o intimamente em conex\u00e3o, e o palco dessa experi\u00eancia \u00e9 o presente, que por meio da esperan\u00e7a \u2013 no caso particular de Paulo, da f\u00e9 \u2013 compreendeu a eternidade a partir de sua autoconsuma\u00e7\u00e3o de si mesmo.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo <em>Espera e servi\u00e7o<\/em>, alguns desses conceitos tornam-se ainda mais claros quando Blasio da Silva descreve o que chamaremos, aqui, de \u201cpassividade ativa\u201d da esperan\u00e7a de Paulo. O que fazer diante da da tragicidade da vida? A resposta paulina \u00e9: esperar e confiar. Nas palavras de Lutero: \u201cDeus s\u00f3 pode ser encontrado em sofrimento e na cruz\u201d<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>. Tamb\u00e9m essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 nova ao mundo grego: embora possa ser belo, os helenos aprenderam com Paulo o qu\u00e3o eticamente \u00e9 ing\u00eanuo acreditar no mundo da glorifica\u00e7\u00e3o de todas as paix\u00f5es, em uma apoteose polite\u00edsta e ol\u00edmpica. Antes disso, o mundo \u00e9 um vale de l\u00e1grimas, e diante dele, cabe ao homem \u201ca espera pela \u2018\u03c0\u03b1\u03c1\u03bf\u03c5\u03c3\u03af\u03b1\u2019, a segunda vinda do senhor no final dos tempos\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>.<\/p>\n<p>Conforme Blasio da Silva, a met\u00e1fora jucadaico-crist\u00e3 n\u00e3o deve ser entendida de modo literal e hist\u00f3rico, como j\u00e1 dissemos, e motivado pela ambi\u00e7\u00e3o e prest\u00edgio. Ela possui mais a marca da fraqueza e da afli\u00e7\u00e3o, e sugere que a gra\u00e7a nos toma quando menos esperamos (com que aparenta ter uma origem divina e externa). Em outras palavras, o caminho \u00e0 salva\u00e7\u00e3o \u00e9 menos o de uma estrada long\u00ednqua, e mais o de uma via interna, chamada sabedoria. Essa sabedoria depende da aceita\u00e7\u00e3o do vir a ser hist\u00f3rico, mas tamb\u00e9m se caracteriza pelo distanciamento espiritual desse vir a ser. Conforme Paulo, o distanciamento do fato \u00e9 o que simboliza a convers\u00e3o a Deus, a qual repousa no servi\u00e7o, espera, trabalho da f\u00e9, esfor\u00e7o do amor e perseveran\u00e7a da esperan\u00e7a. Como esses dons s\u00e3o sumamente imaterial, eles s\u00f3 s\u00e3o confiados ao homem, o que Paulo descreve com os seguintes tons divinos:<\/p>\n<p><strong>\u201cSois uma carta de Cristo, entre o nosso mist\u00e9rio, escrita n\u00e3o com tinta, mas com o esp\u00edrito do Deus vivo, n\u00e3o em t\u00e1buas de pedra, mas em t\u00e1buas de cora\u00e7\u00f5es de carne\u201d<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Muitos autores desmiu\u00e7aram as diversas diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre o cristianismo e, sobretudo, o p\u00f3s-marxismo. Entre as segundas, se destacam o apelo \u00e0 dignidade humana, o que em geral, \u00e9 dirigido para al\u00e9m do factual-positivo; e tamb\u00e9m o elogio da solidariedade e dos la\u00e7os comunit\u00e1rios. Por fim, a <em>esperan\u00e7a<\/em> aparece igualmente como tema de converg\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando a esperan\u00e7a passar a ser encarada cientificamente \u2013 argumenta Bloch, e de certa maneira, toda a Teoria Cr\u00edtica \u2013 a humanidade dar\u00e1 um enorme salto qualitativo.<\/p>\n<p>No <em>O Manifesto do Partido Comunista<\/em>, Marx revelou seu otimismo, ao defender que a revolu\u00e7\u00e3o aconteceria necessariamente, dadas as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores. De modo assumidamente anacr\u00f4nico, ousaremos comparar, aqui, essa cren\u00e7a de Marx \u00e0 f\u00e9 dos judeus de que o Messias belicoso retornaria, dada a palavra literal das escritas sagradas. Ap\u00f3s repetidas frustra\u00e7\u00f5es de se impor mundialmente a \u201cditadura do proletariado\u201d, os p\u00f3s-marxistas lapidaram o otimismo de Marx com a c\u00e9lebre f\u00f3rmula do \u201cpessimismo na teoria e otimismo na pr\u00e1tica\u201d<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>. Sob o novo conceito, o papel do cr\u00edtico social passou ser o de \u201creconhecer o mal universal, mas buscar melhorar o mundo tanto quanto poss\u00edvel\u201d<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a>.<\/p>\n<p>Caso o novo plano de orienta\u00e7\u00e3o dos p\u00f3s-marxistas quisesse receber o apoio de alguns conceitos extra\u00eddos da Filosofia Moderna, poder\u00edamos dizer o seguinte: com base na distin\u00e7\u00e3o de Kant entre teoria e pr\u00e1tica, pela primeira perspectiva, Paulo e Schopenhauer t\u00eam raz\u00e3o quando definem o mundo como \u201co reino do acaso e do erro\u201d<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a>. Pela segunda perspectiva, \u00e9 muito mais construtivo admitirmos o princ\u00edpio otimista, isto \u00e9, o de que podemos agir, <em>como se<\/em> \u2013 diriam os p\u00f3s-kantiano \u2013 <em>fosse poss\u00edvel realizar na Terra a utopia de uma sociedade perfeita<\/em>.<\/p>\n<p>Se pud\u00e9ssemos arriscar ainda mais e propor o empr\u00e9stimo de outros dois termos kantianos \u00e0 raz\u00e3o p\u00f3s-marxista: afirmar\u00edamos que, no plano \u00e9tico e pol\u00edtico, a utopia \u00e9, de fato, imprescind\u00edvel como estrela-guia da conduta e princ\u00edpio regulador do agir.<\/p>\n<p>N\u00e3o a partir de Kant, mas de conceitos ind\u00edgenas de sua pr\u00f3pria bibliografia, M. E. C. Carna\u00faba defendeu a import\u00e2ncia filos\u00f3fica do conceito de utopia no interior do pensamento p\u00f3s-marxista, em sua genial tese de doutorado <em>Teoria Cr\u00edtica e Utopia <\/em>(2017). Na ep\u00edgrafe desse livro, a autora encontrou, nas belas linhas do historiador uruguaio E. Galeano, uma imagem que respondesse de modo muito transparente \u00e0 pergunta da relev\u00e2ncia da utopia. Assim ilustra Galeano:<\/p>\n<p><strong>\u201cA utopia est\u00e1 l\u00e1 no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcan\u00e7arei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu n\u00e3o deixe de caminhar\u201d<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>A tese de Carna\u00faba \u00e9 a de que \u201ca utopia \u00e9 o conceito mais importante para compreender\u201d<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a> a obra de H. Marcuse, e consiste, consequentemente, em uma das categorias mais centrais da Teoria Cr\u00edtica. Nela, a doutora analisou, com esmero, a \u201cperiodiza\u00e7\u00e3o que explicita a const\u00e2ncia da utopia e as oscila\u00e7\u00f5es de Marcuse na medida em que muda o diagn\u00f3stico do tempo presente, como uma maneira concreta de entender e fazer revolu\u00e7\u00e3o em tr\u00eas grandes fase na [sua] obra\u201d<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>. No final da tese e ap\u00f3s percorrer as duas primeiras, Carna\u00faba desaguou na necessidade da elabora\u00e7\u00e3o de uma an\u00e1lise filos\u00f3fica do conceito de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O contexto cume dessa investiga\u00e7\u00e3o foi a retomada tardia de Marcuse da concep\u00e7\u00e3o de utopia concreta, de Ernst Bloch. Uma vez que Bloch foi o primeiro fil\u00f3sofo, na contemporaneidade, a ressuscitar o conceito de utopia, ap\u00f3s as duras cr\u00edticas sofridas de Marx, e de certo modo, de Schopenhauer (sob a categoria de otimismo, a ele aparentada), Bloch poderia ter dado a pauta \u00e0s elabora\u00e7\u00f5es da Teoria Cr\u00edtica desde sua origem. Contudo, Marcuse teve, primeiro, que esgotar, internamente, o conceito de utopia abstrata, para depois culminar, retroativamente, ao conceito mais vigoroso de utopia concreta, extra\u00eddo de Bloch. Com as seguintes palavras, Carna\u00faba comenta o aporte de Bloch \u00e0 Teoria Cr\u00edtica, por meio da terceira fase do pensamento marcusiano:<\/p>\n<p><strong>\u201cO status da utopia de Bloch n\u00e3o era o de \u2018lugar nenhum\u2019 ou \u2018n\u00e3o-lugar\u2019, como todos os fil\u00f3sofos que trataram dela anteriormente, mas passa a ter um elemento constitutivo da atividade humana, al\u00e9m de ser essencialmente hist\u00f3rico. Manifesta-se na busca de sentido, nas emo\u00e7\u00f5es dos esportes, no desejo de amor, no devaneio, na surpresa t\u00edpica de uma crian\u00e7a e na experi\u00eancia de leveza diante de uma obra de arte. [Bloch] Era um verdadeiro utopista iconoclasta, tal como Marcuse fora tamb\u00e9m\u201d<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Carna\u00faba apresenta Bloch como um marxista ecl\u00e9tico, que inclusive, incomodou os demais marxistas, que em geral s\u00e3o mais radicais. Segundo sua exposi\u00e7\u00e3o, Bloch \u201cantecipou muito a nova preocupa\u00e7\u00e3o com a ecologia e com os direitos animais, ao afirmar que a emancipa\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e uma nova forma de intera\u00e7\u00e3o com a natureza que n\u00e3o vise unicamente a sua explora\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a>. Em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 fantasmagoria da \u201cutopia abstrata\u201d, criticada por sua tend\u00eancia de compor \u201ccastelos no ar\u201d, o autor recheou de subst\u00e2ncia sua \u201cutopia concreta\u201d, de tal modo que essa se tornou imune \u00e0s cr\u00edticas anteriores. Segundo Carna\u00faba, a realiza\u00e7\u00e3o da \u201cutopia concreta\u201d depende, sobretudo, da \u201ccria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es capazes de produzir reflex\u00f5es sobre o que foi ignorado\u201d<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a>. Uma vez que, tamb\u00e9m para a Teoria Cr\u00edtica, o fatual, hist\u00f3rico e material n\u00e3o delimitam toda a realidade, pois o mundo tamb\u00e9m abarca o potencial, a esperan\u00e7a e a intencionalidade, a influ\u00eancia de Bloch sobre ela se faz manifesta. Depois de suas reflex\u00f5es, todo pensamento disposto a descrever a realidade em todos os seus \u00e2ngulos, e tamb\u00e9m transform\u00e1-la em algo melhor, precisou satisfazer, em ambas as tarefas, igualmente, o passado esquecido, o presente n\u00e3o atualizado e o futuro poss\u00edvel.<\/p>\n<p>No final de sua tese, Carna\u00faba argumentou que a utopia concreta de Bloch repousa no \u201ccompromisso com \u2018nunca esquecer o melhor\u2019 (para usar a express\u00e3o de Benjamin). Mas o modo de determinar este \u2018melhor\u2019 nunca se apresentou por Bloch, pois para ele, bastava enfatizar que o melhor aparece onde menos \u00e9 esperado. E o mais \u2018importante \u00e9 aprender a esperar\u2019\u201d<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a>. Segundo a autora, Bloch ensinou que a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 \u201capenas um tra\u00e7o b\u00e1sico da consci\u00eancia humana\u201d<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[xxi]<\/a>, e menos ainda, algo a ser confundido com \u201cum afeto que se op\u00f5e ao medo\u201d<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[xxii]<\/a>. Em vista do futuro, do presente e do passado potencial, a esperan\u00e7a se volta \u201cpara a possibilidade que ainda n\u00e3o veio a ser\u201d<a href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\">[xxiii]<\/a>. Essa possibilidade \u00e9 o que cont\u00e9m o conceito de antecipa\u00e7\u00e3o, descrito por Carna\u00faba da seguinte maneira:<\/p>\n<p><strong>\u201cA antecipa\u00e7\u00e3o do que ainda n\u00e3o veio a ser est\u00e1 no que \u00e9 lembrado no presente como um impulso e uma interrup\u00e7\u00e3o que ocorre de maneira muito consciente articulando-se com a esperan\u00e7a. \u00c9 por isso tamb\u00e9m que a esperan\u00e7a n\u00e3o pode ser considerada apenas como um afeto que se op\u00f5e ao medo (que tamb\u00e9m pode antecipar), mas a esperan\u00e7a \u00e9, antes de tudo, um ato cognitivo que, ao antecipar, se op\u00f5e \u00e0 lembran\u00e7a\u201d<a href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\">[xxiv]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez que aponta a uma terra m\u00e9dia entre o atual e o poss\u00edvel, a utopia concreta, de Bloch, est\u00e1 isenta da cr\u00edtica de ser uma bola de sab\u00e3o, ou inversamente, de ser uma concep\u00e7\u00e3o conformista, que n\u00e3o engloba o novo e o revolucion\u00e1rio. De maneira muito categ\u00f3rica, Carna\u00faba descreve a utopia concreta assim:<\/p>\n<p><strong>\u201cA utopia pode estar ligada \u00e0 inten\u00e7\u00e3o futura, por\u00e9m este n\u00e3o \u00e9 seu \u00fanico sentido para Bloch. A concep\u00e7\u00e3o e as ideias da inten\u00e7\u00e3o futura assim caracterizadas s\u00e3o ut\u00f3picas, mas n\u00e3o no sentido estreito desta palavra, definido apenas pelo que \u00e9 ruim (fantasia emotivamente irrefletida, elucubra\u00e7\u00e3o abstrata e gratuita), mas justamente no novo sentido sustentado do sonho para a frente, da antecipa\u00e7\u00e3o. Assim, portanto, a categoria do ut\u00f3pico possui, al\u00e9m do sentido habitual, justificadamente depreciativo, tamb\u00e9m outro que de modo algum \u00e9 necessariamente abstrato ou alheio ao mundo, mas sim inteiramente voltado para o mundo: o sentido de ultrapassar o curso natural dos acontecimentos\u201d<a href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[xxv]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>No termo de <em>A Utopia Concreta de Ernst Bloch<\/em>, Carna\u00faba argumenta em favor da necessidade de se elevar a utopia \u00e0 ci\u00eancia; menciona ainda a rela\u00e7\u00e3o de Bloch com a <em>Ideologia e Utopia,<\/em> de K. Mannheim; e sublinha a import\u00e2ncia de sua contribui\u00e7\u00e3o na reconstru\u00e7\u00e3o da Europa, no contexto de p\u00f3s-guerra. Nos momentos de trag\u00e9dia e luto, a esperan\u00e7a \u00e9 tanto mais dif\u00edcil quanto necess\u00e1ria. No entanto, a supera\u00e7\u00e3o do niilismo e da depress\u00e3o dependem dessa simbologia filos\u00f3fica. Afinal, a anteface da tragicidade, expressa na filosofia com o pessimismo, repousa na utopia, com o qual o otimismo derrubado por Schopenhauer resuscitou ainda mais forte, e se reestabeleceu na filosofia contempor\u00e2nea. Em uma de suas formula\u00e7\u00f5es mais radicais, Bloch descreveu a utopia com as seguintes palavras que, talvez por sua for\u00e7a motivacional, foram escolhidas por Carna\u00faba para comporem a segunda ep\u00edgrafe de sua tese:<\/p>\n<p><strong>\u201cO mundo est\u00e1, antes, repleto de disposi\u00e7\u00e3o para algo, tend\u00eancia para algo, lat\u00eancia de algo, e o algo assim intencionado significa plenifica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 intencionado. Significa um mundo mais adequado a n\u00f3s, sem dores indignas, ang\u00fastia, auto-aliena\u00e7\u00e3o, nada. Essa tend\u00eancia, por\u00e9m, est\u00e1 em curso para aquele que justamente tem o <em>novum<\/em> diante de si\u201d<a href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[xxvi]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma terr\u00edvel injusti\u00e7a o acidente aqui memorado. No entanto, temos esperan\u00e7a de que algo haja de eterno na fecundidade com que Carolina Blasio da Silva e Maria Erbia Carna\u00faba se lan\u00e7aram ao novo, entre outros planos, na filosofia. At\u00e9 mesmo para o pessimista Schopenhauer, a morte \u00e9 compar\u00e1vel a um entardecer passageiro: como a noite, ela existe para os que est\u00e3o em um determinado lugar do mundo, em que o fogo n\u00e3o \u00e9 visto (muito embora isso n\u00e3o signifique que o fogo tenha se apagado)<a href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\">[xxvii]<\/a>. Nos termos aqui trabalhados, podemos confiar em que a experi\u00eancia ordin\u00e1ria e linear do tempo possa ser relativa e estranha diante do tempo original.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> BLASIO DA SILVA, C.. <em>A quest\u00e3o do tempo origin\u00e1rio revelado pelo jovem Heidegger a partir da faticidade da vida crist\u00e3 a despeito da compreens\u00e3o cotidiana.<\/em> Universidade Federal de Juiz de Fora \/ MG: Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. 2009. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/repositorio.ufjf.br:8080\/xmlui\/handle\/ufjf\/3823\">http:\/\/repositorio.ufjf.br:8080\/xmlui\/handle\/ufjf\/3823<\/a>. P. 28<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> BLASIO DA SILVA, C.. Idem. P. 39.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> BLASIO DA SILVA, C.. Ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> BLASIO DA SILVA, C.. Ibidem<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> HEIDEGGER, M.. Einleitung in die Ph\u00e4nomenologie der Religion. In: HEIDEGGER, M.. <em>Ph\u00e4nomenologie des religi\u00f6sen Lebens<\/em>. Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1995, (GA, 60), p. 151. Tradu\u00e7\u00e3o de C. Blasio da Silva.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> BLASIO DA SILVA, C.. Op. Cit.. 2009. P. 39.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> BLASIO DA SILVA, C.. Ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> LUTERO, M.. <em>Dr. Martin Luthers Werke<\/em>. Weimar: Hermann B\u00f6hlaus, 1883, v. 1, p. 613; v. 31, p. 225 apud<\/p>\n<p>BLASIO DA SILVA, C.. Op. Cit.. 2009. P. 32.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> BLASIO DA SILVA, C.. Idem. P. 34.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> B\u00cdBLIA de Jerusal\u00e9m. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2006. Paulo II Cor 3, 3. Apud BLASIO DA SILVA, C.. Op. Cit.. 2009. P. 33.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> HORKHEIMER, M.. Teoria Critica Ieri e Oggi. In: DONAGGIO, E. [Org.]. La Scuola di Francoforte<em>. <\/em>Torino, 2005, p. 386.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> HORKHEIMER, M.. Sul Pessimismo Oggi. In: BREDE, W. [Org.]. <em>Studi di Filosofia della Societ\u00e0. <\/em>Torino, 1981, p. 163.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> SCHOPENHAUER, A.. Die Welt als Wille und Vorstellung. In: SCHOPENHAUER, A.. <em>S\u00e4mtliche Werke<\/em> \u2013<em> Band I<\/em>. Org.: Wolfgang F. von L\u00f6hneysen. Stuttgart\/Frankfurt am Mein: Suhrkamp, 1986. P. 444.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> GALEANO, E.. Apud CARNA\u00daBA, M. E. C.. <em>Teoria Cr\u00edtica e Utopia. <\/em>Universidade Estadual de Campinas \/ SP: Tese de doutorado. 2017. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/taurus.unicamp.br\/bitstream\/REPOSIP\/322620\/1\/Carnauba_MariaErbiaCassia_D.pdf\">http:\/\/taurus.unicamp.br\/bitstream\/REPOSIP\/322620\/1\/Carnauba_MariaErbiaCassia_D.pdf<\/a>. Ep\u00edgrafe, sem n\u00famero de p\u00e1gina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Idem. Resumo, sem n\u00famero de p\u00e1gina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Idem. P. 295.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Idem. P. 296.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a> BLOCH, E. <em>O Princ\u00edpio Esperan\u00e7a<\/em>. Volume I. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2005. V. 1, p. 13. Apud CARNA\u00daBA, M. E. C.. Op. Cit. 2017. P. 296.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Idem. P. 297<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[xxii]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Idem. P. 298.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[xxiii]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Idem. P. 297.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[xxiv]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Idem. P. 298.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[xxv]<\/a> CARNA\u00daBA, M. E. C.. Ibidem.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[xxvi]<\/a> BLOCH, E. Op. Cit.. 2005. P. 28. Apud CARNA\u00daBA, M. E. C.. Op. Cit.. 2017. Ep\u00edgrafe, sem n\u00famero de p\u00e1gina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[xxvii]<\/a> Cf. SCHOPENHAUER, A.. Die Welt als Wille und Vorstellung. In: SCHOPENHAUER, A.. <em>S\u00e4mtliche Werke<\/em> \u2013<em> Band I<\/em>. Org.: Wolfgang F. von L\u00f6hneysen. Stuttgart\/Frankfurt am Mein: Suhrkamp, 1986. P. 392.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com enorme tristeza e transtorno, n\u00f3s lamentamos o falecimento das Dras. Carolina Blasio da Silva e Maria \u00c9rbia Carna\u00faba. Ambas as fil\u00f3sofas da Unicamp eram muito queridas no meio acad\u00eamico, e far\u00e3o uma enorme falta em nosso caminhar. Com colossal indigna\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m protestamos contra a falta de seguran\u00e7a do aeroporto de Viracopos, que, diferente do que afirmou a m\u00eddia, foi a respons\u00e1vel pelo acidente que privou-nos de ambas as mulheres, em 26 de agosto de 2017. 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